História Peça-me o que quiser - Capítulo 6


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Zelena (Bruxa Má do Oeste)
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Palavras 5.529
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Orange, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - Capitulo 6


No domingo estou exausta.
Quero esquecer Emma, mas os músculos da minha vagina ainda estão doendo pelas investidas maravilhosas, e o tempo todo isso me faz lembrar o que ocorreu na véspera. Acho horrível. Ainda não consigo aceitar que outra mulher fez sexo comigo na frente dela. 
Às 11h15 me levanto e a primeira coisa que faço é falar com meu pai. Faço isso todo domingo de manhã. Além do quê, hoje é a final da Eurocopa e imagino que ele deve estar ansioso. Se alguém gosta de esporte, esse alguém é meu pai. O telefone toca duas vezes e eu escuto: 
— Oi, moreninha. 
— Oi, pai. 
Conversamos uns dez minutos sobre Trampo e a Eurocopa, e meu pai muda de assunto. 
— Você está bem, querida? Estou te achando desanimada. 
— Estou bem, pai. Só estou cansada. É isso. 
— Moreninha — ele tenta me alegrar —, faltam duas semanas para você entrar de férias, né? 
Tem razão. Minhas férias começam em 15 de julho e lembrar isso me deixa alegre. 
— Exatamente, pai. Mas é que falta tão pouco que acabo ficando ansiosa. 
Escuto um risinho. Isso me faz feliz. Papai ficou muito mal quando mamãe morreu, há dois anos, e sentir que agora ele está bem me reconforta. 
— Você vem passar uns dias aqui em casa? Já sabe que aqui na cidade está fazendo calor, mas montei a piscina para que vocês aproveitem quando vierem. 
— Claro, pai. Com certeza. 
— Ah... outro dia, eu, o Geoge e o James fizemos a inscrição para a corrida de Puerto Real. Vamos arrasar! 
Ao pensar nisso, me animo. Meu pai e seus dois melhores amigos fazem questão de que a gente participe desse evento todo ano, e não quero nem posso recusar. É algo que fazemos desde que eu era pequena. Passam o ano inteiro falando disso e, quando chegamos a Jerez no verão, eles ficam super empolgados. 
— Ótimo, pai. Estaremos lá. 
— Aliás, ontem falei com sua irmã. 
— E aí? 
— Não sei, filha. Ela me pareceu muito desanimada. Você sabe o que está acontecendo? Fingindo-me de desentendida, respondo: 
— Que eu saiba nada, pai. Você sabe como ela é exagerada com tudo. — E, tentando mudar de assunto, digo: — Onde você vai ver o jogo hoje? 
— Em casa, e você?
— Marquei com Anna e uns amigos num bar. — Sorrio ao pensar nisso. 
— Algum amigo especial, moreninha? 
— Não, pai. Nenhum.
— Ah, que ótimo, filha. Fico mais tranquilo, então. Porque eu detestaria outro namorado como aquele que você teve com piercing no nariz e na sobrancelha. 
— Paaaaaaaiii... — digo, caindo na gargalhada. Ainda me divirto quando lembro o jeito como meu pai olhou para James, um ex, quando o conheceu. Meu pai é muito tradicional para um monte de coisas, sobretudo em se tratando dos namorados das filhas. Penso o que ele diria se soubesse do meu "caso" com Emma, realmente não imagino sua reação ao saber que me envolvi com uma mulher. Afasto para longe esses pensamento, principalmente porque não quero lembrar dela. Consigo mudar de assunto e por fim voltamos ao futebol.
— Então, filha, marquei um churrasco no quintal. Como você pode imaginar, virão os amigos de sempre e vamos torcer aos gritos. Aliás, o Geoge me contou que o Robin vai chegar em breve a Jerez. Ah, e acho que hoje está por Madri e vai te visitar. Voltamos ao velho assunto "Robin"! 
Meu pai e o Geoge estão a vida inteira tentando fazer com que Robin e eu viremos namorados sérios. Perdi a virgindade com Robin quando eu tinha 18 anos. Foi minha primeira relação com um homem e, sempre que lembro, isso me faz sorrir. Como eu estava nervosa e como ele foi atencioso. É dócil e tranquilo na cama e, embora eu goste de transar com ele, já estive com outros homens que me satisfizeram mais. De novo me pego pensando em Emma. Não tenho o costume de sair com mulheres, em toda a minha vida, só sai com três, contando com Emma, mas não vejo nenhum problema nisso, gosto de pessoas, independente do sexo. 
Após falarmos um pouco sobre Robin, seu trabalho maravilhoso como policial em Valência e o rapaz excelente que ele é, mudo de assunto e volto ao futebol. Meu pai se empolga com esse tema e eu também gosto. Adoro imaginar meu pai com os amigos da vida toda cantando "Eu sou... espanhol... espanhol... espanhol". 
Cinco minutos depois, me despeço e desligo. Olho para Trampo, estirado no chão, e o levo para o sofá. Respira com dificuldade, e isso me parte o coração. Há dois meses, o veterinário me disse que sua vida estava se apagando e que, a cada dia que passa, um pouco dela se vai. Está velhinho e, apesar da medicação, não há quase nada que possa ser feito por ele, a não ser dar carinho e amá-lo muito. 
Meu telefone apita. Uma mensagem. Robin! 
"Estou em Madri. Passo pra te pegar e vemos o jogo juntos?" 
Respondo com um 
"combinado!" e me atiro na poltrona. Por volta das 14h30, decido esquentar no micro-ondas uma tigela de arroz branco e salsichas. Não estou a fim de cozinhar. Depois de almoçar, me jogo na poltrona de novo e adormeço, até que sou acordada pelo toque do celular. Minha irmã. 
— Oi, sis, o que está fazendo? 
Me espreguiço e respondo: 
— Dormindo, mas você me acordou. 
— Saiu ontem à noite? 
Ao pensar no dia anterior, respondo. 
— Saí, sim.
— Com quem? 
— Você não conhece. 
— Algo sério? — pergunta, curiosa. Escuto um risinho. 
— Não. Nada importante — respondo, movendo a cabeça.
Fico pendurada com ela no telefone durante meia hora. Que mala é a Zel. Não passamos dois dias sem nos falar. Eu sou mais desapegada. Menos mau que ela sempre faça questão de manter contato, porque, se dependesse de mim, eu já teria perdido a irmã. Como sempre, a conversa dela gira em torno da sua desastrosa vida conjugal. Quando finalmente desligo, Trampo continua no sofá. Não se mexeu. Me aproximo dele e seus olhos me encaram. Beijo sua cabecinha e sinto vontade de chorar. Mas, após engolir as lágrimas, lhe digo coisas carinhosas e levanto para pegar uma Coca. Estou precisando.
Quando volto para a sala, ligo o laptop e entro no Facebook. Em seguida puxo conversa com alguns amigos virtuais e damos umas risadas. A caixa de e-mails está piscando e decido checá-los. Quinze mensagens. Várias são de amigos e amigas propondo viagens para o verão. Mas logo vejo um remetente que me deixa atônita. Emma. Como descobriu meu e-mail particular?

De: Emma Swan 
1 de julho de 2012 04:23 
Para: Regina Mills 
Assunto: Confirmação de proposta Cara senhorita Mills, Sinto muito se minha companhia, e tudo o que isso envolve, lhe desagradou há algumas horas. Mas devemos ser profissionais, de modo que eu gostaria de lembrá-la de que preciso de uma resposta sua em relação à proposta que lhe fiz.

Atenciosamente, Emma Swan.

Boquiaberta, leio a mensagem outra vez. Que cara de pau...! Estou prestes a dar um "Delete" e apagar definitivamente a mensagem. Mas meu jeito impulsivo me faz responder:

De: Regina Mills
1 de julho de 2012 16:30 
Para: Emma Swan.
Assunto: Re: Confirmação de proposta Cara senhora Swan, Como a senhora disse, sejamos profissionais. Minha resposta à sua oferta é NÃO.

Atenciosamente, Regina Mills.

Envio a mensagem, e um estranho prazer se apodera de mim. 
Mandei bem! Mas, segundos depois, o prazer desaparece para dar lugar a uma dor de estômago quando vejo sua resposta chegar imediatamente.

De: Emma Swan 
1 de julho de 2012 16:31 
Para: Regina Mills 
Assunto: Seja profissional e pense nisso. Cara senhorita Mills, Às vezes não é bom se precipitar. Pense nisso. Minha oferta estará de pé até terça-feira. Desejo-lhe bom domingo e que a seleção de seu país ganhe a Eurocopa.

Atenciosamente, Emma Swan.

Paralisada, fico olhando para a tela. 
Por que ela não consegue aceitar minha decisão? 
Sinto vontade de escrever um e-mail super desaforado, mas me recuso. Não vale a pena continuar me explicando a alguém que me considera mero objeto sexual. 
Irritada, fecho o notebook e decido pôr umas roupas na máquina de lavar. 
Ao tirar do cesto a roupa suja, deparo com a calcinha rasgada que Emma arrancou. Fecho os olhos e suspiro. Meu coração bate acelerado com a lembrança do que fizemos no meu quarto. 
Abro os olhos, levanto e vou até o quarto. Dou uma volta em torno da cama e abro a gaveta. Lá estão os presentes que Emma me deu: os vibradores. Olho para eles durante alguns segundos e fecho a gaveta com força. Volto para a máquina de lavar. Abro e começo a colocar a roupa ali dentro. Despejo sabão em pó e amaciante, e aciono o programa de lavagem. 
A lavadora começa a funcionar e dez minutos depois eu continuo olhando o tambor da roupa dando voltas tão depressa quanto minha cabeça. Minha respiração se acelera e eu grito de frustração: 
— Te odeio, Emma Swan. 

Volto pro meu quarto. Torno a abrir a gaveta e olho para o vibrador com controle remoto que ela usou comigo. 
Meu corpo me implora para que eu brinque de novo com esse aparelhinho. 
Me recuso a ceder à tentação! 
Até eu usei a palavra "brincar". 
Por fim, incapaz de tirar Emma da minha cabeça, e muito menos do meu sexo, tiro a calça e a calcinha e sento na cama com o vibrador nas mãos.
Mexo no controle, ligo a potência 1 e a vibração começa. 
Depois a 2, a 3, a 4 e a máxima de 5.
Movo o vibrador em minhas mãos enquanto minha vagina e principalmente meu clitóris imploram para receber o toque do aparelho. Deito na cama. Desligo o vibrador e fico me roçando nele. Estou tão molhada que me surpreendo. Emma!
O pequeno vibrador desliza em mim. Estou úmida e com as pernas abertas. Pronta para recebê-lo. Ligo a potência 1. A vibração começa e eu fecho os olhos. Aumento para a 2. Com meus dedos, abro os lábios vaginais e deixo que o aparelho massageie a área ao redor do clitóris. Um calor irresistível toma conta de mim e eu começo a gemer. Retiro o vibrador e junto os joelhos. Estou ardendo de desejo. Mas quero mais. Emma! 
Separo de novo as pernas. Ligo o vibrador na potência 3 e o coloco bem na região em que o prazer está prestes a explodir. Penso em Emma. Em seus olhos. Em sua boca. No jeito como me toca. Volto a fechar os olhos e penso na gravação a que assisti. Me excita lembrar a expressão de seu rosto, seu gesto, enquanto aquela mulher me possuía. Pensar de novo no que senti naquela tarde faz minha respiração acelerar. Aquilo foi a coisa mais insana que já me aconteceu na vida. Eu, de pernas abertas em uma cama, enquanto uma desconhecida me chupava, eu me oferecendo toda e Swan me olhando. Emma!
Estou ardendo de desejo. Muito desejo. Coloco o vibrador na potência 4. O calor fica insuportável. A vontade incontrolável de gozar começa a aflorar dentro de mim. O ardor vai subindo pelo meu corpo enquanto sinto que vou explodir e minha cabeça imagina todo tipo de brincadeira com ela. Emma! 
Fico me contorcendo na cama. Chego ao clímax e ouço meus próprios gemidos. Combustão. Suspiro aliviada e me convulsiono na cama. Abro os olhos, enquanto o calor vai se apoderando de mim, e sinto o pequeno vibrador encharcando meus dedos. Fecho as pernas com força e me deixo levar pelo momento. Ao mesmo tempo, sinto milhares de sensações novas e todas maravilhosas. Calor. Excitação. Fervor. Entusiasmo. Só falta Emma! 
Cinco minutos depois e com a respiração normalizada, me sento na cama. Olho com curiosidade aquele aparelhinho e sorrio. Ainda que eu nunca vá admitir, pensei nela. Emma!
Porra! Só penso nessa desgraçada!

Às sete e meia, Robin chega à minha casa. Como sempre, está feliz e sorridente. Dá um selinho nos meus lábios e eu permito. É um amor. Às oito, chegamos ao barzinho onde marquei com meus amigos de ver a final Espanha-Itália. Temos que ganhar. O grupo se junta à gente, e eu começo a cantar e a me divertir como uma louca com minha bandeira da seleção espanhola no pescoço e as cores vermelho-amarelo-vermelho pintadas no meu rosto. 
Aparece Graham, um amigo tatuador. É meu confidente. Temos uma amizade muito especial e contamos tudo um ao outro. Quando vê Robin, Graham ri. Sabe da relação que tenho com ele e acha isso tudo engraçado. Não entende como Robin ainda corre atrás de mim depois de todos os foras que já dei a ele.
Às 20h45, a partida começa. Estamos nervosos. O título está em jogo. Vamos, Espanha!
Aos 14 minutos do primeiro tempo, Silva mete um golaço que nos faz pular de emoção. Robin me abraça e eu o abraço. Estamos felizes. A Itália reage mas Jordi Alba, aos 41, mete outro golaço que nos faz gritar enlouquecidos. Robin me beija no pescoço e eu, feliz, permito. Chega o intervalo, e Robin me segura pela cintura. 
O segundo tempo começa e eu grito para que coloquem Torres. 
Coloquem El Niño!
E, quando vejo que o técnico Del Bosque o chama para o campo, grito, aplaudo e pulo feliz da vida! Robin aproveita a situação e me puxa para sentar no seu colo. Eu me deixo guiar por ele. Mas minha alegria se completa quando, na segunda metade do segundo tempo, Torres, meu querido Torres, faz o terceiro gol. 
Isso, garoto! Isso...! 
Robin, ao me ver tão envolvida com o jogo, me aperta entre seus braços e, de felicidade, me rouba um demorado beijo de vitória. Depois me solta e, quando, nos minutos finais, Mata faz um golaço após um passe do meu Torres, quase morro de alegria! E desta vez sou eu quem se lança em seus braços e o beija com fúria espanhola. 
Quando a partida termina, meus amigos e eu brindamos ao título. Robin não desgruda e, num momento de confusão, entramos no banheiro masculino. Por alguns minutos deixo que me beije e me toque. Preciso disso. Suas mãos percorrem meu corpo e, caramba!, não consigo tirar minha chefe da cabeça. De repente, Robin não existe. Só Emma!
Gostaria que ele fosse possessivo e provocativo, mas Robin é tudo menos isso. No fim das contas, consigo tirá-lo do banheiro sem terminarmos o que estávamos fazendo. Está irritado, mas nem assim ele me deixa excitada. Quando me chama pra ir a seu hotel e recuso o convite, ele vai embora e, sinceramente, fico aliviada com isso. Ao chegar em casa, por volta das três da manhã, me jogo na cama e sorrio ao pensar que somos campeões!
Eu me nego a pensar em qualquer outra coisa.

Às sete e meia da manhã de segunda-feira, estou de pé. Trampo está calmo. Dou seu remédio e sua comida. Em seguida entro no chuveiro. Dez minutos depois, saio, me visto e ponho maquiagem. 
Às oito e meia, chego ao escritório. No elevador esbarro em Killian e nos damos parabéns pelo título da Eurocopa. Estamos emocionados. Falamos sobre nosso fim de semana e, como sempre, terminamos em gargalhadas. Subimos até a cafeteria e ali trocamos abraços com outros colegas pela vitória de ontem.
Depois nos sentamos para tomar o café da manhã. Dez minutos depois, o biscoitinho que eu segurava cai das minhas mãos, quando vejo Emma entrar com minha chefe e outros dois diretores.
Está incrível em sua calça social de cintura alta escura, camisa clara e saltos. Seus cabelos louros estão amarrados em uma rabo de cavalo alto. Está linda! Sua expressão séria indica que está falando de trabalho, mas, quando chegam ao balcão e pedem seus cafés, ela me vê. Eu continuo falando, aproveitando a companhia dos meus colegas, ainda que, olhando de canto de olho, eu consiga vê-los sentando-se numa mesa afastada da nossa. Emma se acomoda na cadeira que fica diante de mim. Me olha e eu a olho de volta. Nossos olhares se encontram durante uma fração de segundo e, como era de se esperar, meu corpo reage.
— Que saco! Os chefes já chegaram — diz Killian. — Aliás, me disseram que outro dia você e a nova chefona ficaram presas no elevador. 
— Pois é. Nós e algumas outras pessoas — respondo sem muita vontade. 
Mas, interessada em saber mais sobre a chefona, pergunto: 
— Vem cá, você que era secretário do pai dela, ele morreu de quê?
Killian olha com curiosidade na direção da mesa do fundo. 
— Na verdade ele era um homem estranho e muito calado. Morreu de ataque cardíaco. — E, ao ver minha chefe rir, sussurra: — Pelo visto, nossa chefe gosta do nova chefona. É só ver como ela ri e mexe no cabelo.
Sem conseguir evitar, olho para a mesa dela e, de novo, meus olhos cruzam com o olhar gélido de Emma. 
— O senhor Swan tinha outros filhos? 
— Sim. Icewoman e mais duas, quer dizer, uma. A outra morreu. 
— Icewoman?! Killian ri e cochicha: 
— Emma Swan é a Icewoman. A mulher de gelo. Não reparou na cara emburrada que ela tem? — Isso me faz rir e Killian acrescenta: — Pelo que a chefe me disse, ela é dura na queda. Pior que o pai.
Não me admira que seja assim. Dizem que a cara é o espelho da alma, e a cara de Emma é de desespero contínuo. Mas o apelidinho me agradou. Ainda assim, quero saber:
— Você disse que uma morreu, o que houve com ela? 
— Sim...Morreu há uns dois anos. Não sei, Regina... O senhor Swan nunca falava disso. Só sei que morreu porque um dia ele me disse que tinha que ir à Alemanha para o enterro da filha. 
Saber disso me dá pena. Duas mortes em tão curto espaço de tempo deve ser muito doloroso. 
— O senhor Swan estava separado da mulher — continua Killian. — Icewoman e ele não tinham uma boa relação, por isso a nova chefona nunca vinha à Espanha.
Esses novos dados me inquietam. Quero saber mais, então pergunto: 
— E por que não tinham boa relação? 
— Não sei, lindinha — responde Killian, enquanto ajeita uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. 
— O senhor Swan era muito reservado em relação à vida particular dele. Aliás, quando você vai sair comigo? 
Escutar isso me faz sorrir. Apoio os cotovelos sobre a mesa e, com minha cabeça entre as mãos, respondo, encarando-o: 
— Acho que nunca. Não gosto de misturar trabalho e prazer.
Minha resposta carregada de uma ironia que ele não entende me diverte. Killian chega mais perto e murmura: 
— Quando você fala em prazer, a que tipo se refere? 
Sem me mover um milímetro sequer, respondo: 
— Deixa eu te explicar, seu metido. Você é o docinho que todas as garotas do escritório gostariam de comer e eu sou uma mulher muito ciumenta e não gosto de compartilhar. Então, vá procurar outra, porque comigo você não tem a menor chance. 
— Hummmmm... Adoro as difíceis! 
Seu comentário me faz soltar uma gargalhada, e em seguida Killian faz o mesmo. De repente, vejo Emma se levantar e sair da cafeteria. Enfim respiro. Não tê-la por perto é um alívio para mim. Dez minutos depois, meu colega e eu voltamos pros nossos lugares.
Quando chego à minha mesa, vejo que a porta da sala da chefona está aberta. Droga. Não quero vê-la. Sento e de repente o celular apita e eu leio:

"Paquerando em horário de trabalho?" 

Isso me incomoda, mas acabo sorrindo. No fundo, o humor de Emma me diverte. Não pretendo responder, mas, como sempre faço quando estou nervosa, começo a coçar o pescoço. Meu celular apita novamente e eu leio:

"Parede se coçar, senão as brotoejas vão aumentar."

Ela está me observando. Olho na direção da sua sala e a vejo sentado na mesaque foi do pai. Sente-se poderosa. Está me provocando, mas não vou cair no seujogo. Aperto os olhos, irritada. Faço uma cara de poucos amigos e,surpreendentemente, ela curva os lábios enquanto segura uma risada. 
De repente minha chefe aparece e diz, atrapalhando nosso campo de visão: 
— Regina, se alguém me ligar, passe a ligação para a sala da senhoraSwan. 
Sem abrir a boca, concordo com a cabeça. Minha chefe, rebolando os quadris,entra na sala de Emma e fecha a porta. 
Começo a trabalhar e, no meio da manhã, a porta da sala se abre. Vejo minhachefe sair com uma pasta nas mãos. 
— Regina — diz. — Vou me ausentar do escritório por uma hora. Se a senhora Swanprecisar de qualquer coisa, resolva pra ela. — Logo se vira para Killian eacrescenta: — Venha comigo. 
Meu colega sorri e eu também. Ai, ai...! 
Se eles soubessem que estou sabendo de tudo...
Quando somem da sala, o telefone interno toca. Me irrito ao saber que é ela.Acabo atendendo. 
— Senhorita Mills, pode vir aqui na minha sala, por favor? 
Fico tentada a dizer que não. Mas isso não seria profissional e eu, antes detudo, sou uma profissional. 
— Agora mesmo, senhora Swan.
Levanto, entro na sala dela e pergunto: 
— O que deseja, senhora Swan?
Vejo que apóia a cabeça no encosto alto da cadeira de couro preta. 
— Feche a porta, por favor — responde, olhando para mim.
Suspiro e sinto que minha pele começa a arder. Meu maldito pescoço vai medenunciar e isso me incomoda. Mas obedeço e fecho a porta.
— Parabéns. Vocês ganharam a Eurocopa! 
— Obrigada, senhora. O silêncio entre nós duas fica insuportável. 
— A noite foi boa? — acrescenta.
Não respondo. 
— Quem era o cara que você beijou e com quem passou 17 minutos dentro dobanheiro masculino? — pergunta. 
Boquiaberta, continuo olhando para ela. 
— Te fiz uma pergunta — insiste. — Quem era? 
Enfurecida com o que acabo de ouvir, sinto vontade de pegar a caneta que estácomigo e enfiar no crânio dela, mas a seguro com força e respondo, enquantocontenho meus impulsos assassinos: 
— Isso não lhe diz respeito, senhora Swan.
— O que há entre você e o namoradinho da sua chefe? — prossegue. 
Olha a que ponto chegamos! Pisco os olhos e respondo: 
— Veja bem, senhora Swan, não quero ser desagradável, mas nada do que a senhorame pergunta é da sua conta. Então, se o senhora não deseja mais nada, voltareià minha mesa. 
Irritada e sem lhe dar tempo de dizer qualquer coisa, saio da sala e bato aporta. Quem ela pensa que é? Assim que me sento, o telefone interno toca outravez. Reclamo mas atendo. 
— Senhorita Mills, venha à minha sala. Já! 
Sua voz soa enfurecida, mas eu também estou assim. Desligo e, contrariada,entro de novo disposta a mandá-la à merda. 
— Traga-me um cafezinho. 
Saio da sala. Vou à cafeteria e, quando volto, deixo o café em cima damesa. 
— Não tomo com açúcar. Traga adoçante. 
Repito o percurso, xingando todas as gerações da família de Emma, e, quandovolto com o maldito adoçante, entrego a ela. 
— Coloque meio envelopinho no café e mexa. 
Como assim? Ela quer que eu misture seu maldito café?
Aquela ordem me deixa indignada. Ela não para de me olhar, e a sua expressão desuperioridade me tira do sério. Que alemã idiota! Sinto vontade de jogar o caféna cara dela, mandá-la tomar no cu, mas no fim das contas faço o que ela pedesem contestar.
Quando termino, deixo o café na sua frente e me viro para sair da sala. 
— Não saia, senhorita Mills. 
Escuto-a levantar-se. Volto para olhar para Emma.
Suas sobrancelhas estão franzidas. As minhas também. Ela está furiosa. Eutambém. Rodeia a mesa. Senta-se apoiado nela com os braços cruzados e as pernasabertas. Sua atitude me intimida. Nossa distância diminuiu. Isso me deixanervosa. 
— Gina... 
— Para a senhora sou a senhorita Mills, se a senhora não se importa. 
Ela me olha com sua costumeira cara de mau humor e eu sinto que o ar está tãopesado, que poderia ser cortado com uma faca. Que tensão! 
— Senhorita Mills, aproxime-se. 
— Não. 
— Aproxime-se. 
— O que você quer? — pergunto.
Sem alterar sua expressão dura, murmura entredentes: 
— Aproxime-se, por favor.
Respiro fundo para que veja meu estado de ânimo e dou um passo adiante. Seuolhar duro exige que eu me aproxime mais um pouco, mas não me deixo amedrontar.
— Senhora Swan, não vou chegar mais perto. Pode me demitir se isso a faz sesentir a rainha do Universo. Mas não vou me aproximar mais da senhora. E, dequebra, ainda vou denunciá-la por assédio. 
Afasta-se da mesa. Dá dois passos na minha direção e eu dou um passo para trás.Ela solta o ar bufando. Pega meu braço, me puxa e abre as portas do arquivo. Meempurra para dentro e, uma vez protegidas pela privacidade que o lugar nos dá,pega minha cabeça com as mãos, me atrai para si e me beija com voracidade.
Desta vez não fica roçando de leve sua língua em meu lábio superior. Não mepede permissão. Apenas me puxa para si e me beija. Me empurra contra os arquivose, quando sente que meu corpo não pode recuar, abandona meus lábios.
— Quase não dormi pensando em você e no que você fazia com aquele cara ontem ànoite. 
Surpresa com o que ela disse, respondo com um fio de voz: 
— Não fiz nada. 
Emma aperta seus quadris contra os meus.
— Te agarrava pela cintura. Não parava de olhar pro teu corpo. Você deixou elete beijar e entrou com ele no banheiro masculino. Como pode dizer que não feznada? 
Enlouquecida pelo que ela está me fazendo sentir com suas palavras e suaproximidade, respondo: 
— Faço o que bem entender com minha vida e meu corpo, Emma. 
Dou um empurrão nela e a afasto de mim. 
— Não sou uma dessas bonequinhas às quais suponho que a senhora estejaacostumada a dar ordens. Não toque em mim de novo ou... 
— Ou?! — pergunta com voz rouca. 
— Ou sou capaz de qualquer coisa — respondo. 
Seu rosto está tenso e, aproximando-se de mim outra vez, ela sussurra: 
— Gina, você me deseja tanto quanto eu te desejo. Não negue isso. — Nãorespondo. 
Não consigo. Sua proximidade me desperta mil sensações. Meus olhos faíscam. Nãosei se é indignação, desejo ou o quê. A questão é que faíscam enquanto aquelamulher que me deixa louca está me encarando com cara de mau. 
— Não estou a fim de... 
— De sado? Isso eu sei, pequena. 
Sua resposta me pega tão de surpresa que nem sei o que responder. Seu olhar meparalisa. 
— Está ficando nervosa? 
Ela volta a me desconcertar. Como pode lembrar aquilo que lhe expliquei noelevador? Toco o pescoço. Estou a ponto de dizer alguma das minhas grosserias,quando vejo que ela faz uma careta. 
— Não se coce, Regina. 
Sem dar tempo de eu me mexer, se abaixa e sopra meu pescoço. Fecho os olhos.Minha indignação diminui de intensidade. Ela quis isso e conseguiu. 
— Desculpa por ter te deixado nervosa — sussurra de repente em meu ouvido. —Desculpa, pequena. 
Seu poder é imenso e ela já me tem na palma da mão. Sou uma fraca! Me beija.Desta vez com sofreguidão. Está me sabotando. Meus pensamentos se apagam e tudoo que eu quero é beijá-la e permito que me beije.
O que está acontecendo comigo?
Quero me conter, mas não posso. Nunca fui brinquedinho de ninguém, mas elaconsegue me controlar. Eu a desejo com a mesma intensidade com que preciso doar que respiro e isso me assusta. O tesão por essa mulher me queima a vagina, apele, e sinto minha calcinha ficar molhada, e a única coisa que quero agora éque ela tire minha roupa e me possua.
Cravo meus olhos nela. Sua cara séria e arrogante me enfeitiça. Me deixa louca.É tão sexy e avassaladora que não consigo recusar qualquer coisa que ela exijade mim. Nunca havia me sentido assim antes e acho que não posso fazer nada paraevitar isso. Desabotoa minha calça. Enfia sua mão com rapidez dentro dacalcinha. 
— Você está molhada pra mim — sussurra. 
O que vai fazer? Vai tirar minha roupa no meio do arquivo? 
Mas não. Enfia a mão ainda mais fundo e sinto um de seus dedos mergulhando emmeu interior e, segundos depois, mais um. Me segura pelo cabelo, me puxa, eminha cabeça se ergue. Me beija de novo com impaciência, enquanto me faz abriras pernas com sua perna, e seus dedos entram e saem de mim algumas vezes. Comsua boca sobre a minha, reprimo meus gemidos e sei que o clímax está próximo.
— Goza pra mim, Regina.
Meu corpo volta a reagir às suas palavras. 
O prazer que está me dando me faz querer mais. O brilho sensual de seu olhar medeixa louca e me faz desejar que tire minha roupa, me jogue no chão e me coma.Mordo o lábio. Se não fizer isso, vou gritar e o escritório inteiro virá atéaqui para saber o que está acontecendo. 
— Vamos, Gina, se entregue. 
Tensiono as costas e dobro as pernas enquanto me deixo dominar por ela comprazer. Quero seus dedos ainda mais fundo dentro de mim e, quando acho que vouexplodir, eu a beijo de novo para lançar novamente meu gemido em sua boca,enquanto sinto minhas coxas se contraindo com suas carícias e percebo que estoucada vez mais molhada. Pouco a pouco ela para e, quando retira seus dedos dedentro de mim, quero protestar. Ela se dá conta disso. Volta a segurar minha cabeçaentre as mãos. 
— Você me deve um orgasmo, pequena. 
Não consigo responder. Só o que faço é abrir a boca e entrelaçar sua língua naminha. Me delicio com seu sabor excitante e perigoso, esquecendo-me outra vezda minha irritação anterior e de tudo o que está ao nosso redor. Não quero maispensar que ela me usa como um brinquedinho. Não quero pensar que é minha chefe.Simplesmente não quero pensar.
Dois minutos depois e com a respiração mais compassada, ela deixa de mepressionar contra as gavetas dos arquivos e eu recupero o controle do meucorpo. Droga. 
Mas o que é que eu fui fazer de novo?! Como posso ser tão idiota cada vez queesbarro com ela?
Ela parece notar o que estou pensando e me lança uma de suas olhadasgélidas. 
— Voltou a pensar sobre a minha proposta? — pergunta. 
Tento olhar para ela. Enfrento a Icewoman e sinto que estou perdendo toda acompostura. 
— Já te dei a resposta ontem e te disse que não aceitava. 
Aperta os lábios e eu solto um suspiro. Eu a encaro surpresa. 
— Por que você é tão cabeça-dura? — acrescenta. — Minha proposta te daria algumretorno financeiro. 
— Só financeiro? 
Diante da minha pergunta, Emma para de sorrir. 
— Tudo depende do que você quiser. Você decide, Regina. Por enquanto preciso deuma secretária. O sexo vai surgir, se tiver que surgir. 
— E se eu me recusar a deixá-lo surgir outra vez? — rebato, tentando acreditarna minha própria mentira.
Emma olha para mim. Desce as mãos até minha calça e a abotoa. 
— Vou aceitar sua decisão — acrescenta com tranquilidade. 
— Outra vai querer. 
Como é idiota, metida e marrenta...! 
E então sai do arquivo e me deixa sozinha. Durante alguns segundos fecho osolhos e fico me culpando. Por que sou tão fácil quando estou com ela? Por fimajeito a blusa e o cabelo e vou atrás dela. Está sentada diante de sua mesa e,com as sobrancelhas contraídas, olha para a tela do computador. Ando com calmaaté a porta, disposta a sair.
— Eu disse que você tinha até terça-feira pra responder, e mantenho esse prazo— diz antes de eu ir embora de sua sala. — Agora pode voltar à sua mesa. Se euprecisar de você de novo, te ligo. 
Fico vermelha como um tomate. 
Saio da sala. Fecho a porta, me apoio nela e olho ao redor por alguns segundos.Todos fora da minha sala estão trabalhando. Aparentemente ninguém percebe o queacaba de acontecer. Pego minha bolsa e vou ao banheiro. Preciso me lavar. Sintominha vagina encharcada e isso me incomoda.
Vinte minutos depois, volto à minha mesa e vejo que Killian e minha chefetambém já voltaram. Emma e eu não nos falamos nem nos olhamos outra vez. Àsduas da tarde, a porta da sala se abre e elas saem juntas. Não olha para mim.Apenas minha chefe lança o olhar em minha direção. 
— Vamos almoçar, Regina — informa. 
Faço que sim com a cabeça e respiro aliviada. Vejo Killian pegar suas coisasquando meu telefone toca. É minha irmã. 

 

— Gina... você tem que vir pra casa. Agora! 
Ao escutar aquilo, fecho os olhos e me sento: as pernas ficam bambas. Não precisa continuar falando. Sei o que aconteceu.
Quando desligo o telefone, contenho o choro e engulo as lágrimas. Não quero chorar no escritório. Sou uma mulher forte e não gosto de fazer cena. Procuro Killian e o encontro conversando com Eva. Acho que estão se pegando. Vou até ele e aviso que surgiu um problema urgente e que não voltarei ao escritório hoje. Ele concorda sem prestar muita atenção e eu ando até minha mesa outra vez. Sento, bebo água da garrafinha e, por fim, pego minhas coisas.
Quando chego em casa, minha irmã está com os olhos encharcados de lágrimas. Trampo respira com muita dificuldade e eu imediatamente ligo para o veterinário. Ele, que me conhece há anos, diz para eu levar Trampo até a clínica. 

Às quatro e meia da tarde, após uma injeção que o veterinário lhe dá para que sinta menos dor, Trampo me deixa. Me deixa para sempre, com o coração despedaçado e com a sensação de uma perda irreparável. Me inclino sobre a mesa onde seu corpo sem vida descansa. Eu o beijo, acaricio pela última vez sua cabecinha peluda, e litros de lágrimas embaçam totalmente minha visão. 
— Adeus, querido — murmuro.



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