História Peça-me o que quiser - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Zelena (Bruxa Má do Oeste)
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Palavras 10.087
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Orange, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 7 - Capitulo 7


Às sete da noite, estou sentada no sofá da casa da minha irmã. 
Meu celular toca. Meus amigos me chamam para ir à praça Cibeles comemorar o título da Eurocopa. Mas não estou em clima de festa. Desligo o celular. Não quero saber de nada nem de ninguém. Estou triste, muito triste. Meu melhor amigo, com quem eu dividia todas as minhas tristezas e alegrias, me abandonou. 
Choro... choro e choro. 
Minha irmã me abraça, mas, inexplicavelmente, sinto que preciso do abraço de certa pessoa atrevida. Por quê? 
Deixamos minha sobrinha na casa de uma vizinha. Não queremos que ela nos veja assim. Já foi bem difícil lhe explicar que o Trampo foi para o céu dos gatos, e não seria nada bom que ela agora nos visse aos prantos. Meu cunhado Whale chega e também fica triste. Nós três choramos. E, quando ligo para o meu pai e dou a notícia, já somos quatro. Isso tudo é muito triste! 
Às nove da noite, ligo o celular e recebo uma ligação de Robin. Minha irmã tinha telefonado para ele, e agora ele está se oferecendo para vir a Madri me consolar. Rejeito a oferta e, após falar com ele por alguns minutos, encerro a ligação e desligo. Janto qualquer coisa e decido voltar para casa. Preciso enfrentá-la: a ela e à solidão.
Mas, quando entro, uma emoção estranha toma conta de mim. Tenho a sensação de que a qualquer momento Trampo, meu Trampinho, vai surgir em algum canto da casa e ronronar para mim. Fecho a porta e me apoio nela. Meus olhos se enchem de lágrimas e não me contenho mais.
Choro, choro e choro, e desta vez sozinha, que me cai melhor.
Com os olhos inchados e sem conseguir me controlar, ando até a cozinha. Observo a tigela de comida de Trampo e me abaixo para pegá-la. Abro a lixeira e jogo fora os restos de comida que havia ali. Coloco a tigela na pia e a lavo. Após enxugá-la, olho para ela sem saber o que fazer com isso. Deixo-a em cima da bancada. Depois pego o pacote de ração e os remédios. Junto tudo e volto a chorar como uma boba. 
Alguns segundos depois, escuto a porta da rua sendo aberta. É minha irmã. Ela vem e me abraça. 
— Eu sabia que você estaria assim, maninha. Vamos, por favor, pare de chorar. 
Tento dizer que não consigo. Que não quero. Que me recuso a acreditar que Trampo não voltará, mas o choro me impede de dizer qualquer coisa. Meia hora mais tarde, eu a convenço a ir embora. Escondo suas chaves para que não leve com ela e não volte a me incomodar. Preciso ficar sozinha. 
Quando ando até o banheiro para lavar o rosto, vejo a caixa de areia de Trampo e caio no choro outra vez. Sento no vaso, disposta a chorar por horas e horas, quando ouço batidas na porta. Convencida de que minha irmã se deu conta de que não está com as chaves e resolveu voltar, abro a porta, mas é Emma quem aparece na minha frente, com cara de poucos amigos.
O que ela está fazendo aqui? 
Me olha surpresa. Sua expressão muda por completo e, sem se mexer, pergunta: 
— O que houve, pequena? 
Não consigo responder. Meu rosto se contrai e eu começo a chorar outra vez. Fica paralisada e então eu me aproximo dela, de seu peito, e ela me abraça. Preciso desse abraço. Ouço a porta se fechando e choro mais ainda. 
Não sei por quanto tempo ficamos assim, até que de repente percebo que sua blusa está encharcada de lágrimas. Finalmente me afasto dela. 
— Trampo, meu gato, morreu — consigo murmurar. 
É a primeira vez que digo essa palavra terrível. Eu a odeio! 
Minha cara se contorce de novo e eu caio em prantos outra vez. Ela me puxa para si e me leva até o sofá. Tento falar, mas os soluços de tristeza não me permitem. Só consigo articular palavras entrecortadas, enquanto meu corpo se contrai involuntariamente e eu vejo que Emma está desconcertada. Não sabe o que fazer. Por fim se levanta, pega um copo e o enche de água. Coloca nas minhas mãos e me obriga a beber. Cinco minutos depois, estou um pouco mais calma. 
— Sinto muito, Regina. Sinto muitíssimo. 
Faço que sim com a cabeça, enquanto aperto meus lábios e engulo a enxurrada de emoções que novamente imploram para sair de dentro de mim. Abraçada a ela, apoio minha cabeça em seu peito e sinto minhas lágrimas rolando descontroladas. Desta vez não estou soluçando, e o simples fato de sentir sua mão acariciando meu cabelo e meu braço me reconforta. 
Por volta da meia-noite, a tristeza ainda me domina, mas já sou capaz de controlar meu corpo e minhas palavras, então me afasto um pouco e olho para ela. 
— Obrigada — digo.
Sinto que se comove; seus olhos revelam isso. Aproxima sua testa da minha e sussurra: 
— Gina... Gina... Por que você não me disse? Eu teria te acompanhado e... 
— Eu não estava sozinha. Minha irmã ficou comigo o tempo todo. 
Emma balança a cabeça, compreensiva, e passa seus polegares por baixo dos meus olhos para retirar as lágrimas. 
— Você precisa descansar. Está exausta e sua mente tem que relaxar.
Faço que sim com a cabeça. Mas então me dou conta de que seu rosto está contraído. 
— Você está bem? — pergunto. 
Surpresa com a pergunta, ela olha para mim. 
— Sim. Só estou com um pouco de dor de cabeça. 
— Se você quiser, tenho aspirina no armário do banheiro. 
Vejo que ela sorri. Em seguida me dá um beijo no alto da cabeça. 
— Não se preocupe. Vai passar. 
Preciso dormir, mas não quero que ela vá embora, então seguro sua blusa para tentar impedi-la de sair. 
— Gostaria que você ficasse aqui comigo, apesar de saber que não dá. 
— Por que não dá? 
— Não quero sexo — murmuro, com uma sinceridade esmagadora. 
Emma ergue a mão e toca meu rosto com uma ternura que nunca havia demonstrado antes. 
— Vou ficar aqui contigo e não tentarei nada até você me pedir. 
Isso me surpreende.
Levanta-se e me estende a mão. Eu a pego e ela me leva até o quarto. Assustada, vejo-a tirando os sapatos. Eu faço o mesmo. Depois tira a calça. Eu a imito. Deixa a blusa em cima de uma cadeira e fica vestida apenas com uma calcinha boxer preta e top. Sexy! Levanta as cobertas e se enfia nelas. Sem esquecer o que lhe pedi, tiro a blusa e o sutiã, e pego embaixo do travesseiro minha camiseta de alcinha e o short de dormir. É do Taz, do desenho animado. Vejo que ela sorri e faço cara de emburrada.
Depois de vestir o pijama, abro uma caixinha redonda, retiro um comprimido e o tomo. 
— O que é isso? 
— Um relaxante muscular — explico. 
Instantes depois, me deito ao seu lado, e ela enfia o braço embaixo do meu pescoço. Chego mais perto e ela me beija na ponta do nariz. 
— Dorme, Regina... dorme e descansa. 
Sua proximidade e sua voz me relaxam, e, abraçada a ela, acabo adormecendo.

O despertador toca. Olho a hora: sete e meia. 
Estico o braço e o desligo. Espreguiço na cama e minha cabeça desperta rapidamente. Olho à minha direita e vejo que Emma não está. Minha mente recupera a consciência do que aconteceu e eu me sento na cama quando ouço uma voz: 
— Bom dia. 
Olho na direção da porta e ali está ela, vestida. Vejo sua roupa e me surpreendo ao perceber que o terninho e a blusa que ela está usando não são as mesmas da véspera. Ela se dá conta e responde: 
— Tomás me trouxe essa roupa há uma hora. 
— E a dor de cabeça? Passou? — pergunto. 
— Passou, sim, Gina. Obrigado por perguntar.
Respondo com um sorriso triste. Levanto da cama sem ter consciência da minha cara péssima, toda despenteada, cheia de remela e com o pijama do Taz. Chego perto dela, fico na ponta dos pés e lhe dou um beijo na bochecha enquanto murmuro um ainda sonolento "bom dia". 
Vou à cozinha para dar o remédio de Trampo, até que vejo suas coisas em cima da bancada. Paro de repente e sinto Emma atrás de mim. Nem me deixa pensar. Me segura pela cintura e me vira. 
— Já para o chuveiro! — ordena. 
Quando saio do banheiro e entro no quarto para me vestir, Emma não está mais ali. Então me apresso a pegar uma calcinha e um sutiã da gaveta e os coloco. Depois abro o armário e me visto. Quando já estou vestida e apresentável, vou para a sala e a vejo lendo o jornal. 
— Tem café fresco — diz ao olhar para mim. — Come alguma coisa. 
Ela dobra o jornal, se levanta, vem beijar o alto da minha cabeça. 
— Hoje você vai me acompanhar a Guadalajara. Tenho que visitar as sucursais de lá. Não se preocupe com nada. No escritório já estão todos avisados. Concordo com um gesto, sem ânimo para falar ou contestar. Tomo o café e, quando deixo a xícara na pia, sinto que Emma se aproxima por trás, mas desta vez não encosta em mim. 
— Está melhor? — me pergunta.
Faço um gesto afirmativo, sem olhar para ela. Estou com vontade de chorar de novo, mas respiro fundo e consigo controlar o impulso. Tenho certeza de que Trampo se aborreceria se eu continuasse me comportando como uma fraca. Com meu melhor sorriso, me viro, tirando os fios de cabelo que caem sobre meus olhos. 
— Quando quiser, podemos ir. 
Ela faz que sim. Não me toca. 
Não se aproxima de mim mais do que o estritamente necessário. Descemos até a rua e lá está Tomás, nos esperando com o carro. Entramos e a viagem começa. Durante o trajeto de uma hora, Emma e eu folheamos vários papéis. Sou a encarregada de manter atualizadas as sucursais da Müller, então conheço quase todos os chefes. Emma me explica que quer saber em primeira mão absolutamente tudo de cada sucursal: produtividade, número de funcionários que trabalham nas fábricas e o rendimento de todos eles. Isso me deixa nervosa. Com a taxa de desemprego tão alta hoje em dia, tenho medo de que comece a demitir a torto e a direito. Mas em seguida me esclarece que seu objetivo não é esse, mas sim o contrário: tentar fazer com que seus produtos sejam mais competitivos e dar início à expansão. 
Às dez e meia chegamos a Guadalajara. Não me espanto quando noto que Charlotte Blio não se surpreende ao me ver. Cordial, nos cumprimenta e entramos todas juntas em sua sala. Emma e ela conversam sobre produtividade, deficiências da empresa e uma série de outras coisas. E eu, sentada num discreto segundo plano, tomo nota de tudo. À uma e meia, quando deixamos a sala, saio feliz ao ver que elas se entenderam. Recebo um torpedo de Robin. Respondo que estou bem, mas no íntimo me sinto culpada. Receber suas mensagens e estar com Emma faz com que eu me sinta mal. Mas por quê? Não tenho nada sério com nenhum dos dois.

No caminho de volta a Madri, Emma sugere que a gente pare e almoce em alguma cidadezinha. Gosto da ideia e digo que por mim tudo bem. Tomás para em Azuqueca de Henares e comemos um frango delicioso. Durante o almoço, ela recebe várias mensagens. Lê todas elas com as sobrancelhas franzidas e não responde. Às quatro da tarde seguimos viagem e, quando chegamos ao hotel Villa Magna, começo a ficar tensa. Emma percebe e segura minha mão.
— Não se preocupe. Só quero trocar de roupa pra passar a tarde contigo. Você tem algum plano? 
Penso rápido e, por fim, digo que sim, que tenho um plano. Mas não lhe dou tempo de pensar nenhuma bobagem. 
— Tenho um compromisso às seis e meia — aviso. — Se você não tiver nada melhor pra fazer, pode ir comigo. De repente você vai gostar. Aí posso te mostrar meu segundo emprego. 
Minha resposta a surpreende. 
— Você tem um segundo emprego? 
— Tenho, pode-se chamar assim, apesar de que este ano é o último. Mas não vou te dizer do que se trata se você não vier comigo.
Ela sorri enquanto desce do carro. Eu a acompanho. 
No elevador, o ascensorista nos cumprimenta e nos leva diretamente à cobertura. Ao entrarmos em seu quarto bonito e espaçoso, Emma deixa em cima da mesa a pasta com o notebook e se enfia no quarto que não usamos no dia em que ficamos aqui brincando. Seu telefone apita. Uma mensagem. Não consigo deixar de olhar o visor do aparelho, onde leio o nome "Betta". Quem será? Segundos depois, o celular apita de novo e na tela aparece escrito "Marta". Nossa, que mulher disputada!
Estou inquieta. Na última vez que estive aqui, ocorreu algo que ainda me deixa constrangida. Passo a mão pelo lindo sofá marrom-café e contemplo o jardim japonês, enquanto procuro controlar minha respiração. Se Emma sair nua do quarto e me chamar para brincar com ela, não sei se consigo dizer não.
— Quando você quiser, podemos ir — ouço uma voz atrás de mim. 
Surpresa, me viro e a vejo de jeans preto e uma camisa solta vinho. Está bonita. Elegante, como sempre. E o melhor: está cumprindo direitinho a promessa de não encostar em mim. Mas sinto uma estranha decepção ao não ser arrastada pelo mar de luxúria a que ela costuma me levar. 
Será que estou ficando louca? 
Dez minutos depois, estamos no carro com Tomás a caminho da minha casa. Assim que entro, sinto saudades de Trampo. Emma percebe e me beija na cabeça. 
— Vamos, são seis horas. Dá uma apressada ou chegaremos tarde. 
Seu comentário me desperta. Entro no quarto. Coloco uma calça jeans, tênis e uma blusa azul. Prendo o cabelo num rabo alto e saio rapidamente. Sem precisar olhar para ela, sei que está me observando. Minha temperatura sobe quando estou perto dela. Pego a máquina fotográfica e uma mochila pequena. 
— Vamos — digo.

Guio Tomás em meio ao trânsito de Madri e em poucos minutos estamos diante da porta de um colégio. Surpresa, Emma sai do carro e olha ao redor. Não parece haver ninguém. Sorrio. Pego sua mão com determinação. Entramos no colégio, e Emma fica ainda mais desconcertada. É divertido vê-la assim. Gosto de vê-la intrigada. Segundos depois, abro uma porta onde está escrito "Quadra" e uma algazarra imensa nos engole. Em seguida, dezenas de meninas com idade entre 7 e 12 anos correm na minha direção, gritando: 
— Treinadora! Treinadora! 
Emma me olha, admirado. 
— Treinadora? Sorrio e dou de ombros. 
— Sou a treinadora de futebol feminino do colégio da minha sobrinha — respondo antes que as meninas cheguem.
Emma abre a boca, surpresa, e logo sorri. Mas já não posso conversar com ela. As garotas chegaram e agora se penduram nos meus braços e pernas. Brinco com elas até que suas mães as tiram de cima de mim. 
— Quem é ela? — ouço minha irmã dizer. 
— Uma amiga. 
— Sei, maninha, Tem certeza? — pergunta desconfiada. Eu apenas a olho e sorrio.
As mães das garotas ficam na maior agitação com a festa que está pra começar. Dou oi para todo mundo, e agora minha irmã não para de me pedir para ser apresentada a ela, e eu acabo cedendo. Que chata! Por fim, de braços dados com ela, vou até onde ela está sentada. 
— Zelena, essa é a Emma. — Ela se levanta para cumprimentá-la. 
— Emma, essa é minha irmã, e essa fofura ao meu lado é minha sobrinha Grace. — Dão dois beijinhos. 
— Por que você é tão alta? — pergunta minha sobrinha. 
Emma olha para ela e responde: 
— Porque comi demais quando era pequena. 
Eu e minha irmã sorrimos. 
— Por que você fala tão estranho? — Grace volta a perguntar. — Tem algum problema na boca? 
Me preparo para responder, mas então ela se agacha até minha sobrinha e diz: 
— É que sou alemã. Sotaque forte. 
A menina olha para mim, achando graça. Mas eu penso "que droga", esperando sua resposta sem conseguir detê-la. 
— Que goleada os italianos deram em vocês outro dia, hein? Mandaram a Alemanha pra casa. 
Constrangida, minha irmã puxa a menina. E Emma se aproxima de mim. 
— Não dá pra negar que é sua sobrinha — sussurra em meu ouvido. — É tão direta quanto você ao dizer as coisas. 
Nós duas rimos, e as crianças correm de novo na minha direção. Isso não é um treino, é uma festa de verão que as mães organizaram para encerrar as aulas. Durante uma hora e meia eu falo com elas, abraço as meninas para me despedir e tiro milhares de fotos com elas. Emma continua sentada na arquibancada e, a julgar por sua expressão, parece curtir o espetáculo. 
As meninas me entregam um pacote, que abro e tiro de dentro uma bola de futebol feita de balas coloridas. Vibro tanto quanto elas. Adoro balas! Minha sobrinha olha para mim e me aponta sua amiga Alicia. Fizeram as pazes. Levanto o polegar e pisco o olho. É isso aí, minha garota! Passados alguns minutos e depois de beijar as mães e minhas pequenas atletas, todas elas deixam a quadra. Minha irmã e minha sobrinha também. Feliz pela despedida que fizeram para mim, me viro na direção de Emma, encho dois copos de Coca-Cola meio quente e me junto a ela. 
— Surpresa? — pergunto, oferecendo um dos copos. 
Emma aceita e toma um gole. 
— Sim. É surpreendente. 
— Tá bom, tá bom, não continue, senão vou acabar acreditando. 
Nós rimos e olhamos uma para a outra. Não dizemos nada, e o silêncio nos envolve. Finalmente reúno forças e digo com sinceridade: 
— Emma, minha vida é o que é: normalidade.
— Eu sei... eu sei e isso me preocupa. 
— Te preocupa? Te preocupa que minha vida seja normal? 
Seu olhar me atravessa. 
— Sim. 
— Por quê? 
— Porque minha vida não é exatamente normal. 
Devo ter feito uma cara ridícula. Não a entendo, mas, antes de lhe pedir explicações, ela continua: 
— Regina, sua vida exige relação e compromisso. Palavras que, para mim, ficaram ultrapassadas há anos. Muitos anos. — Toca meu rosto e prossegue: — Gosto de você, sinto atração por você, mas não quero te enganar. O que me atrai é transar contigo. Gosto de te possuir, de te estar dentro de ti e ver sua cara quando você goza. Mas acho que muitas das minhas brincadeiras não vão te agradar. E nem estou falando de sado, falo só de sexo mesmo. Simplesmente sexo.
Seu olhar se fecha. Emma me desconcerta, mas não quero abrir mão de seus jogos. 
— Sou uma mulher normal, sem grandes pretensões, que trabalha pra sua empresa. Tenho um pai, uma irmã e uma sobrinha que adoro e, até ontem, tinha um gato que era meu melhor amigo. Sou treinadora de futebol de um time feminino e não cobro nem um centavo por isso, porque essa atividade me faz feliz. Tenho amigos e amigas com quem curto assistir a jogos, viajar, ir ao cinema ou sair pra jantar. Agora você vai perguntar por que estou te contando tudo isso, né? — Emma balança a cabeça afirmativamente. — Não sou deslumbrante, não gosto de me vestir de forma provocativa, e nem mesmo tento fazer isso. Meus relacionamentos têm sido normais, nada de outro mundo. Sabe como é: a garota conhece o garoto, as vezes a garota, sorrio. Eles se sentem atraídos um pelo outro e vão pra cama. Mas ninguém nunca conseguiu me tocar do jeito que você conseguiu em poucos dias. Nunca pensei que o sexo pudesse me deixar tão louca. Nunca pensei que eu pudesse fazer o que estou fazendo contigo. Você me domina e me submete de tal maneira que não consigo dizer não. E não consigo dizer não porque meu corpo e eu inteirinha querem fazer tudo que você quiser. Odeio receber ordens, principalmente na cama. Mas a você, inexplicavelmente, eu permito que mande em mim. Nunca na vida eu poderia imaginar que uma desconhecida como você, que mal sabe meu nome, minha idade e qualquer coisa da minha vida, me exigiria sexo só de olhar pra mim e eu cederia. Ainda tenho dificuldade de entender o que aconteceu naquele dia no quarto do seu hotel e... 
— Gina... 
— Não, deixa eu terminar — exijo e coloco minha mão em sua boca. — Aquele episódio no seu quarto, goste eu ou não, me enfeitiçou. Reconheço que quando vi as imagens me incomodei. Mas, quando voltei a pensar nisso, naquele momento, fiquei muito excitada. Inclusive no domingo eu usei o vibrador pensando em você e tive um orgasmo maravilhoso ao imaginar o que ocorreu com aquela mulher no seu quarto. —Emma sorri. — Mas não curto estar com uma mulher, estando ao mesmo tempo com você. Não... não curto e, se você quiser brincar comigo outra vez nesse esquema, exijo que me consulte antes. Como eu disse no início desta conversa, não sou uma especialista em sexo, mas o que tenho vivido contigo me agrada, me excita, me deixa louca, e estou disposta a repetir. 
— Mesmo sem compromisso da minha parte? 
Tenho vontade de dizer que não, que a quero só para mim. Mas significaria perdê-la, e isso sim é algo que não quero. 
— Mesmo sem isso. 
Emma balança a cabeça, compreensiva. 
— E, por favor... você já está liberada pra me tocar. Me beije e me diga alguma coisa porque estou morrendo de vergonha das coisas loucas que acabei de falar.
— Você está me deixando excitada, pequena. 
Pego um leque na minha mochila e sorrio para ela, constrangida. 
— Pois você não imagina como estou só de te falar essas coisas. 
Emma me devolve o sorriso e tira o cabelo do rosto. 
— Seu nome completo é Regina Mills. Tem 29 anos, um pai, uma irmã e uma sobrinha. Que eu saiba não tem namorado ou namorada, pisca pra mim. Mas sim pessoas que te desejam. Sei onde você mora e onde trabalha. Seus telefones. Sei que dirige muito bem uma Ferrari, que gosta de cantar, e que não tem vergonha de fazer isso na minha frente, e hoje fiquei sabendo que você é treinadora de futebol. Você gosta de morango, de chocolate, de Coca-Cola, de balas e de futebol, e, quando fica nervosa, seu pescoço se enche de brotoejas e você pode ter um troço. — Sorrio. — Pela maneira como tratava seu gato, sei que adora animais e que é leal a seus amigos. É curiosa e cabeça-dura, às vezes em excesso, e isso me irrita bastante, mas também é a mulher mais sexy e desconcertante que já encontrei na vida e reconheço que gosto disso. Até o momento, isso é o que sei sobre você, e é suficiente. Ah! E a partir de agora prometo te consultar sobre tudo o que se refere a sexo e a nossas brincadeiras. E, agora que você me liberou da minha promessa, vou te beijar e te tocar. 
— Ótimo! — afirmo, erguendo os braços. 
— E, já que resolvemos essa questão, preciso que você aceite a proposta que te fiz de te conhecer melhor e de você me acompanhar durante o tempo que ficarei na Espanha — acrescenta. — Esta semana vamos pra Barcelona. Tenho duas reuniões importantes na quinta e na sexta. O fim de semana, se você quiser, podemos dedicar ao sexo. Que tal? 
— Seu nome é Emma Swan — respondo, sem me importar com sua frieza. — Você é alemã e seu pai... 
Mas ela contorce o rosto e corta meu discurso. 
— Como um favor pessoal, te peço que nunca mencione meu pai. Agora pode continuar. Essa ordem me deixa sem palavras, mas tento continuar: 
— Você é uma mandona doentia e não sei mais nada a seu respeito, exceto que adora loucuras sexuais. Mesmo assim, gostaria de te conhecer melhor.
Sinto seu olhar penetrante, que me atravessa. Sei que ela tem um conflito interno entre se abrir comigo e continuar como estamos. Então se levanta e me puxa para si. Me beija e eu correspondo. Meu Deus, como eu precisava desse beijo! Poucos segundos depois, afasta seus lábios dos meus. 
— Minha mãe é espanhola, por isso falo tão bem espanhol. Durmo pouco há anos. Tenho 30 anos. Não sou casada nem comprometida. Por enquanto, é isso que tenho a dizer. Emocionada por aquela mínima confidência, sorrio e, feliz como se tivesse ganhado na loteria, acrescento, fazendo-a rir: 
— Senhora Swan, aceito sua proposta. A senhora já tem uma acompanhante.

 

Minha chefe fica furiosa quando Emma avisa que vou acompanhá-la em sua viagem às sucursais. Killian se sente aliviado por não ser ele. Minha chefe tenta convencer Emma de mil maneiras a não me levar junto com ela. Argumenta, por exemplo, que não tenho experiência e estou há pouco tempo na empresa, mas acaba desistindo. Emma é quem manda, e ela tem de acatar. Bem feito! 
Ligo para meu pai na quarta-feira e explico que vou adiar minhas férias por causa da viagem. Ele aceita numa boa e me incentiva a fazer um bom trabalho. Se ele soubesse o que está por trás dessa história, me trancaria bem trancada para me impedir de sair. Minha irmã, ao contrário, fica irritada comigo. Para ela, estar longe de Madri por várias semanas é uma falta de consideração da minha parte. Com quem ela vai desabafar? 
Na quinta-feira, Emma passa para me buscar com seu motorista às seis da manhã. Viajamos em seu jatinho particular, e eu fico chocada com tanto luxo. Acho que acabamos de sair da cidade. Olho para tudo com tanta curiosidade que tenho a impressão de que Emma está se esforçando para não rir.
Quando chegamos a Barcelona, um carro nos pega no aeroporto de Prat e nos leva ao hotel Arts. Que vida dura! É só o melhor da cidade! 
Nos hospedamos no último andar em duas suítes. 
Ela cumpriu sua promessa: quartos separados. Quando a porta se fecha atrás de mim e eu me vejo no meio daquele cômodo imenso, olho a meu redor. Tudo é grande, espaçoso. E o melhor de tudo: há uns janelões que me permitem apreciar o mar.
Animada com o luxo que me cerca, largo minha mala e me aproximo da janela. Incrível! Após curtir a paisagem por alguns minutos, começo a bisbilhotar e a mexer nas coisas. Abro o frigobar e vejo chocolate. Devoro alguns. Quando descubro a parte do quarto onde fica a cama, não contenho meu espanto. É maravilhosa! Janelões que dão para o mar, e roupa de cama violeta combinando com um divã lindo. A cama é enorme e eu me jogo nela. Como é macia! O banheiro é outra maravilha. Madeira clara e uma banheira rodeada de espelhos. Uau! 
Quando saio do banheiro, o telefone toca. É Emma. 
— E aí, gostou da suíte? 
— Adorei. Enorme. Cinco vezes maior que a minha casa — brinco. Escuto seu riso do outro lado da linha. 
— Em meia hora te espero na recepção — avisa. — Não esquece os documentos. 
Chego à recepção pontualmente e vejo Emma conversando com uma mulher. Alta, glamorosa e loura. Louríssima. Quando ela me vê, faz sinal para que me junte a elas e nos apresenta uma à outra: 
— Amanda, esta é minha secretária, a senhorita Mills. A tal Amanda me olha de cima a baixo e isso me deixa intrigada, mas, num gesto de profissionalismo, apertamos as mãos e Emma acrescenta em alemão: 
— Senhorita Mills, a senhorita Fisher veio de Berlim. Ela vai passar uns dias conosco. Amanda é a encarregada de verificar se podemos lançar nosso medicamento no Reino Unido.
Sorri enquanto a loura de pernas compridas concorda com a cabeça. Mas percebo algo estranho em seu olhar. Não sei o que é, mas não me agrada. Um homem se aproxima e nos informa que nosso carro nos espera lá fora. Caminhamos as três até uma enorme limusine preta. Emma senta ao lado da mulher e se esquece de mim. Fico inquieta. Mas o que mais me incomoda é perceber que entre elas houve ou há alguma coisa. Os olhares da loura revelam isso. De qualquer forma, como sou muito profissional, mantenho a compostura enquanto olho pela janela e tento pensar em outra coisa. Quando chegamos aos escritórios centrais de Barcelona, somos recebidos pelo chefe da sucursal, Xavi Dumas. Assim que me vê, sorri para mim e logo cumprimenta a chefona e Amanda. 
— Oi, Regina — dirige-se a mim, em seguida. — Que bom te ver de novo! 
— Digo o mesmo, senhor Dumas. 
Em seguida, sua secretária Laura me cumprimenta. 
— Gina, por que não me disse que viria? 
— Porque até ontem eu não sabia que precisaria vir — respondo e lhe dou um abraço. Com expressão divertida, Laura observa Emma e logo me olha com malícia. 
— Com a chefona alemã... Está podendo, hein?! 
Nós duas rimos, mas logo nos dirigimos até uma salinha que ela nos indica. 
Instantes depois, vários diretores, entre eles Emma e Amanda, entram nessa parte do escritório. É uma sala retangular com painéis escuros e uma parede de vidro que dá para uma mata. No centro da sala há uma mesa comprida com várias cadeiras e, num dos lados, várias mesinhas menores. Sento numa dessas mesinhas, e Emma presidirá a reunião bem na minha frente. Seu olhar implacável me faz lembrar o apelido que Killian colocou nela: Icewoman. A lembrança me faz sorrir. 
A reunião começa e Laura, avisada por seu chefe, levanta do meu lado e senta na mesa maior. Seu chefe quer que ela traduza para a tal Amanda tudo o que ele for dizendo. Presto atenção ao que eles dizem e observo que Laura é uma ótima tradutora. Mas ocorre algo que me surpreende. Em dado momento, o senhor Dumas menciona o pai de Emma e esta, muito séria, mas também muito educadamente, lhe pede que não volte a citá-lo. O que será que houve entre o pai e a filha? 
Uma hora depois, no meio da reunião, recebo uma mensagem no meu notebook.


De: Emma Swan 
5 de julho de 2012 10:38 
Para: Regina Mills 
Assunto: Sua boca

Cara senhorita Mills, está acontecendo alguma coisa com a senhorita? Sua boca a denuncia. 
PS: A senhorita é a mulher mais sexy da reunião. 
Emma Swan.

Sem mover a cabeça, eu a observo de relance. Que cara de pau! Está me ignorando desde que apareci na recepção do hotel e agora vem com essa. Então decido responder.


De: Regina Mills
5 de julho de 2012 10:39 
Para: Emma Swan 
Assunto: Estou trabalhando

Prezada senhora Swam, eu lhe agradeceria se a senhora me deixasse trabalhar. 
Regina Mills.

Sei que ela recebeu a mensagem. Vejo-a olhando com interesse para a tela do computador e percebo que muda de cara. Ao fim de poucos segundos, digita de novo e eu recebo outro e-mail.
De: Emma Swan
5 de julho de 2012 10:41 
Para: Regina Mills 
Assunto: Irritada?
Suas palavras me desconcertam. Está irritada com alguma coisa?

PS: Essa roupa fica maravilhosa na senhorita. 
Emma Swan.

Desconfortável, me mexo na cadeira. Será que ela percebe? Tento sorrir, constrangida, mas minha boca se recusa. Por alguns minutos presto atenção à reunião, até que meu computador indica que recebi uma nova mensagem.


De: Emma Swan
5 de julho de 2012 10:46 
Para: Regina Mills 
Assunto: A senhorita decide 
Advirto-lhe, senhorita Mills, que, se a senhorita não responder minha mensagem em cinco minutos, vou parar a reunião.

PS: Está de fio dental por baixo da saia! 
Emma Swan.

Ao ler aquilo, arregalo os olhos, assustada, mas tento manter a calma. Ela está atacada. Gosta de me provocar. Sorrio e a encaro. Ela não sorri de volta. O tempo passa e eu relaxo. Vejo-a olhando para o computador e imagino que está escrevendo outro e- mail para mim, quando de repente interrompe a reunião. 
— Senhores, acabo de receber uma mensagem que preciso responder imediatamente. Um contratempo. Peço-lhes desculpas. — E, levantando-se, acrescenta: — Os senhores fariam a gentileza de nos deixar a sós, eu e minha secretária, por alguns minutos? E, por favor, não quero ser interrompida por nada neste mundo. Minha secretária avisará aos senhores quando tivermos terminado.
Quero morrer. 
Ela está louca? 
Abro os olhos o máximo que consigo e vejo que todos os diretores pegam suas pastas e saem da sala. Laura me lança um olhar e acompanha seu chefe. A última a sair é a tal da Amanda. Olha para mim com ódio e, após dizer a Emma em alemão "Estarei lá fora", fecha a porta atrás de si. 
Ainda sentada na minha cadeira, eu a encaro sem entender nada. Emma fecha o computador, se estica em sua cadeira e crava seu olhar em mim. 
— Senhorita Mills, venha cá. 
Me levanto como uma flecha e, surpresa com o que ela acaba de fazer, me dirijo até ela: 
— Mas... Mas por que você fez isso? 
Ela olha, sorri e não responde. 
— Por que parou a reunião? — insisto. 
— Te dei cinco minutos. 
— Mas... 
— Quem parou a reunião foi você — responde. 
— Eu?! 
Emma faz que sim com a cabeça e, assim que paro à sua frente, pega minha mão e, ainda sentada, me coloca entre suas pernas. Logo me empurra e me faz sentar sobre a mesa. Diante dela. Excitada, olho a meu redor em busca de câmeras, mas ela diz: 
— A sala não tem câmeras, mas também não tem isolamento acústico. Se você gritar, todo mundo vai saber o que está acontecendo. 
Faço menção de protestar, já que a cada instante estou com mais tesão, mas Emma se aproxima de mim e faz aquilo que me deixa tão louca. Passa sua língua pelo meu lábio superior. Me olha. Depois lambe o lábio inferior, mordendo-o em seguida, até que eu abro a boca e ela enfim me beija. Suga minha boca de tal maneira que me deixa sem ar e, como sempre, perco totalmente o controle. Me deita na mesa e levanta minha saia. Suas mãos sobem devagar pelas minhas coxas até que chegam a meus quadris. Então segura minha calcinha e a arranca. 
— Hummmm... Adorei que você está de fio dental. 
Curto o momento e entro no jogo como uma loba. 
Passo a língua pelos meus próprios lábios e quero gritar "Sim!!!". Meu gesto a estimula e a deixa louca. Abro as pernas sem pudor, pedindo-lhe mais, e ela levanta a cabeça, sem mover o resto do corpo. 
— Trouxe na bolsa o que eu disse pra você levar sempre? 
Fecho os olhos e me xingo frustrada. 
— Deixei no hotel.
Minha reação a faz sorrir. Me retira da mesa sem me tocar, com exceção da parte interna das minhas coxas. 
— Que pena, pequena. Tenho certeza de que na próxima vez você não vai esquecer. 
Olho para ela, paralisada. 
Vai me deixar assim? 
Me dá um tapinha no traseiro quando desço da mesa. 
— Senhorita Mills, temos de seguir com a reunião. E, por favor, não a interrompa outra vez. 
Sinto minhas bochechas ardendo e o desejo ainda dominando meu corpo, enquanto ela é super controlada. Isso me enche de raiva. Ela sabe disso. Segura minha mão e me puxa num gesto possessivo. 
— Quando terminarmos a reunião, quero você nua no hotel. Por enquanto, fico com a sua calcinha. 
— O quê?! 
— Isso que você ouviu. 
— Sem chance. Devolva. 
— Não. 
— Emma, por favor. Como vou ficar sem calcinha?
Ela se levanta. Sorri com malícia e dá de ombros. 
— Muito simples. Ficando! — responde. 
Veste minha saia em mim. Me empurra até a porta e insiste: 
— Vamos. Diga a eles que entrem. A reunião é importante. 
Histérica e a ponto de ter um troço, me limito a bufar. 
Como isso pode estar acontecendo comigo? Por fim fecho os olhos, depois caminho com determinação até a porta e antes de abrir me viro para ela. 
— Essa você me paga.
Emma continua imperturbável. Um minuto depois, retomamos a reunião e tudo volta ao normal. Tudo, exceto o fato de que estou sem calcinha.
A reunião se estende mais do que o esperado e só saímos do escritório às oito e meia da noite. Emma está com uma cara séria. A tal da Amanda é chata demais para o meu gosto: tudo o que fez foi colocar obstáculos em cada coisa que se discutia. 
Entramos na limusine, com Amanda. Durante o trajeto, Emma fica protegida atrás de uma máscara de hostilidade que não me agrada, e me pede vários papéis. Eu lhe entrego. Ela e Amanda leem os documentos e falam sem parar. 
Quando chegamos ao hotel, quero correr para o meu quarto e tirar a roupa, como ela pediu. Não consigo parar de pensar nisso. Emma e eu. Emma em cima de mim. Emma me possuindo. Mas ela me joga um balde de água fria quando diz: 
— Senhorita Mills, quer jantar comigo e com Amanda? 
Isso me paralisa. Aquela pergunta, na realidade, deveria ser: "Amanda, quer jantar comigo e com a senhorita Mills?" 
Sinto a raiva se concentrando no meu estômago. Estou ardendo por dentro. Mas, desta vez, o ardor não tem nada a ver com desejo. Percebo o olhar daquela mulher sobre mim. No fundo, ela fica tão chateada quanto eu por ter que dividir a companhia de Emma com outra pessoa. 
— Obrigada pelo convite, senhora Swan — respondo, disposta a não lhe dar o gostinho —, mas já tenho outros planos. 
Emma faz cara de surpresa. Por seu olhar, sei que esperava qualquer resposta, menos aquela. Ela se acha! Dou boa-noite e me afasto. Sinto o olhar de Emma nas minhas costas, mas continuo andando. Quando chego ao elevador e as portas se fecham, consigo respirar. E, assim que entro no quarto, grito frustrada. 
— Idiota! Você é uma idiota! 
Irritada até com o ar que respiro, entro no banheiro. Olho para a banheira, mas por fim resolvo tomar uma chuveirada. Não quero pensar em Emma. Que se dane! Saio do chuveiro. Seco o cabelo e me obrigo a voltar a ser a mulher forte que sempre fui. Toca o telefone do quarto. Não atendo. Pego rapidamente meu celular. Três chamadas perdidas da minha irmã. Que mala! Decido ligar de volta outra hora e telefono para uma amiga de Barcelona. Como era de se esperar, fica animada ao saber que estou na cidade, e marcamos de nos encontrar. Desligo o celular. Ninguém vai estragar minha alegria, muito menos Emma. 
Então, ansiosa para sair do quarto o quanto antes sem ser vista, coloco um vestido curto e sandálias de salto alto. Faz um calor infernal e esse vestido super leve me cai como uma luva. Quando estou pronta, pego a bolsa. Abro a porta com cuidado e espio pelo corredor. Não há ninguém e eu saio. Mas sei que Emma está na suíte ao lado e, em vez de esperar o elevador, resolvo ir pela escada. Desço cinco lances e finalmente pego o elevador. 
Sorrio pela minha proeza e, quando chego à recepção e atravesso as portas do hotel Arts, quase dou pulos de alegria. Mas minha animação dura pouco. De repente me dou conta de que deixei o caminho livre para essa loba da Amanda, e o mau humor volta a tomar conta de mim. 
Pego um táxi e dou o endereço. Minha amiga Katheryn está me esperando. Quando chego ao lugar combinado, logo a vejo. Está linda e rapidamente nos abraçamos sinceramente. Eu e Katheryn somos amigas de infância. Minha mãe era catalã e até o fim de sua vida íamos todo verão a Hospitalet. 
— Nossa, amiga. Como você está gata! — grita ela.
Após uma sucessão de beijos, abraços e elogios mútuos, andamos até o porto. Katheryn sabe que adoro pizza e vamos a um restaurante do qual ela tem certeza de que vou gostar. Como sempre, comemos à beça, tomamos litros de Coca-Cola e fofocamos durante horas. Por volta de duas da manhã, estou cansada e quero voltar ao hotel. Nos despedimos e combinamos de nos ligar no dia seguinte. 
Feliz pela noitada com Katheryn, volto ao hotel cheia de energia. Minha amiga é tão otimista e tem tanta vitalidade que estar com ela sempre me faz muito bem. Quando o táxi para na linda entrada do hotel Arts, pago ao motorista, dando boa-noite e desço sem perceber que uma limusine branca está parada à direita. 
Caminho com determinação até a porta, quando ouço uma voz atrás de mim: 
— Regina! 
Eu me viro e o coração dispara. Dentro da limusine, pela janela, vejo o rosto petrificado de Emma, também conhecida como Icewoman. Meu estômago se contrai. O jeito como mexe a boca me revela que está irritada, e seu olhar me confirma isso. Tento não me importar, mas é impossível. Eu me importo com essa mulher. Então caminho lentamente até o carro. Noto que seus olhos me percorrem inteirinha, mas Emma não se move. Quando chego perto dela, me inclino para olhar pela janela aberta. 
— Onde você estava? — pergunta grunhindo. 
— Me divertindo. 
Um silêncio incômodo se instala entre nós duas, até que não consigo resistir e pergunto: 
— E sua noite, foi boa? Você e Amanda se divertiram?
Emma suspira. Seus olhos me fulminam. 
— Você deveria ter dito onde estava — diz. — Te liguei mil vezes e... 
— Senhora Swan — eu a interrompo e, num tom cordial, acrescento educadamente: — Se não me engano, a senhora me deu a opção de decidir se queria jantar com o senhora e com a senhorita Amanda... Não se lembra disso? 
Não responde. 
— Simplesmente decidi me divertir tanto ou mais que o senhora — continua a mulher perversa que existe em mim. 
Isso a enche de raiva. Dá para ver nos seus olhos. Olho para sua mão e percebo que os nós de seus dedos estão brancos de tanta fúria. De repente, abre a porta da limusine. 
— Entra — ordena.
Reflito por alguns segundos. O suficiente para deixá-la ainda mais irritada. Ao fim, decido entrar. Na verdade era tudo o que eu estava querendo. Fecho a porta. Emma me olha de um jeito desafiador e, sem tirar os olhos de mim, aperta um botão da limusine.
— Arranque. 
Sinto o carro se deslocar. 
— Para sua informação, senhorita Mills — acrescenta, com a mandíbula tensa —, o jantar com a senhorita Amanda foi de negócios. E, como manda o protocolo, a senhorita é a secretária e por isso era à senhorita que eu deveria convidar e não a Amanda Fisher.
Estou de acordo. Tem razão. Eu sei, mas continuo aborrecida. Em algumas ocasiões não consigo ficar quieta, e esta é uma delas. Sem querer dar o braço a torcer, respondo: 
— Espero que a senhora ao menos tenha se divertido na companhia dela. 
O olhar de Emma me incendeia, enquanto ela se mantém a poucos centímetros de mim, sem se aproximar. Seu perfume embriaga meus sentidos e centenas de borboletas começam a bater asas no meu estômago. 
— Eu lhe garanto, acredite ou não, que eu teria aproveitado mais se estivesse na companhia da senhorita. E, antes que continue se comportando como uma menina malcriada, exijo saber com quem esteve e onde. Estou há horas esperando a senhorita voltar, sentada nesta limusine, e quero uma explicação. 
Seu comentário acaba com minha indiferença. 
— É sério que você ficou horas me esperando na porta do hotel? 
— É. 
Meu lado princesa que ainda acredita em contos de fadas tem vontade de dar pulos de alegria. Ela ficou me esperando! 
— Emma, que fofo — murmuro num tom carinhoso. — Me desculpa. Eu achava que... Noto seus ombros relaxando. 
— Sei... — diz, sem abandonar o jeito duro de falar. — Voltei a ser Emma, senhorita Mills? Isso me faz sorrir. Ela não move nem um músculo. Ai, minha Icewoman! E, como ela já conseguiu me atingir, chego ainda mais perto dela. Sinto a expressão do seu rosto voltando ao normal. 
— Emma... desculpa. 
— Não peça desculpas. Tente se comportar como um adulto. Não acho que estou pedindo muito. 
Ótimo. Ela acabou de me chamar de imatura. Em outras circunstâncias, eu teria descido do carro e fechado a porta na cara dela, mas não consigo. Seu encanto já me enfeitiçou. Continua sem olhar para mim, mas eu não desisto. 
— Passei o dia inteiro pensando em ficar nua para você. E quando você falou desse jantar com a Amanda eu... 
Não me deixa terminar a frase. Crava seus lindos olhos em mim e me interrompe:
— Esta viagem é basicamente de trabalho. Esqueceu? 
A dureza com que se dirigiu a mim rompe o encanto do momento e, com isso, também minha trégua vai por água abaixo. Minha expressão muda. Minha respiração se acelera e eu acabo colocando para fora meu temperamento espanhol. 
— Sei muito bem que esta viagem é de trabalho. Deixamos isso bem claro antes de sair de Madri. Mas hoje você parou uma reunião no meio, expulsou todo mundo da sala e depois tirou minha calcinha. Você acha que sou de ferro? Ou mais um brinquedo dos seus joguinhos? — Como ela não responde, eu continuo: — Tá bom, eu aceitei a viagem. Sou a culpada por estar nesta situação contigo e... 
— Agora você está de calcinha normal ou fio dental? 
Olho para ela boquiaberta. Ficou louca? Surpresa com aquela pergunta, contraio as sobrancelhas e me afasto dela. 
— Não te interessa o que estou usando. — Mas meu gênio ressurge dentro de mim e eu grito como uma descontrolada: — Pelo amor de Deus! Estamos aqui discutindo e você me pergunta se estou de calcinha ou fio dental? 
— Sim. 
Me recuso a responder, enfurecida. Tenho a sensação de que vou enlouquecer. 
— Você ainda não me disse com quem saiu ontem e aonde foram. 
Solto o ar bufando. Discutir com ela é muito cansativo. 
Por fim, me deixo cair no encosto do assento do carro e me rendo. 
— Jantei com minha amiga Katheryn no porto e estou usando uma calcinha normal. Mais alguma coisa? 
— Humm...Uma amiga..Só vocês duas? 
Por um instante penso em mentir e dizer a ela que jantamos com o time feminino inteiro de vôlei da cidade, mas não quero que ela me interprete mal. 
— Sim, só nós duas. Quando eu e Katheryn nos encontramos, gostamos de falar, falar e falar.
Ela parece aliviada com minha resposta e vejo que a expressão de seu rosto se suaviza. Olha para mim. Sinto que ela se mexe no banco e se aproxima de mim, como se quisesse me beijar. 
— Me dá tua calcinha — diz. 
— Mas, vem cá, por que eu tenho que te dar minha calcinha? — protesto. 
Emma sorri e me beija. Enfim uma trégua! Depois do beijo, ela se afasta. 
— Porque, da última vez que você esteve comigo, não estava usando e não te dei permissão para colocar uma.
— Ah tá. Então você está me dizendo que eu deveria ter saído por Barcelona sem calcinha? — Vejo que minha brincadeira não a diverte, e murmuro, retirando-a depressa: 
— Tome essa maldita calcinha. 
Ela a pega e enfia no bolso de sua calça. Está supergata com essa calça larga e uma blusa justa azul. Olha para minhas pernas, passa a mão nelas e seu olhar sobe até meus seios. 
— Vejo que você não está de sutiã. 
— Não. Com esse vestido não precisa.
Concorda. Toca meus seios por cima da roupa. 
— Senta na minha frente. 
Sem me opor, mudo de lugar e me sento diante dela. Estica o braço e toca minhas pernas. 
— Adoro sua pele macia. 
Meu vestido curto chega até as coxas, e Emma o levanta mais alguns centímetros. Logo me faz separar os joelhos. 
— Excelente e tentador. 
Noto que começa a respirar mais forte. Faço menção de fechar as pernas, mas ela não permite. 
— Deixa elas abertas pra mim. 
Sinto que o sexo está se aproximando, e fico desconcertada por não saber quando nem como. Mas meu corpo todo já está se excitando. Eu a desejo. 
O carro para. Emma abaixa meu vestido e, segundos depois, a porta se abre. Estamos em frente a um barzinho em cujo letreiro está escrito "Chaining". Emma me dá a mão para descer da limusine e a brisa envolve minhas pernas. Estremeço. Meu vestido é muito curto, e sem calcinha eu me sinto quase nua. Emma apóia a mão nas minhas costas, e o homem da recepção abre a porta. Emma lhe diz algo, e ele nos deixa passar. 
Do lado de dentro, a música e o burburinho das pessoas nos envolve. Sinto a mão de Emma na minha bunda, e isso me deixa excitada outra vez. Ela me guia até o balcão e pedimos algo para beber. O garçom lhe entrega um uísque puro e, para mim, rum com Coca-Cola. Bebo um gole enorme. Estou com sede. Olho ao redor, movida pela curiosidade, e vejo as pessoas conversando e rindo animadamente, até que sinto Emma perto do meu ouvido. 
— Seu mau comportamento esta noite merece um castigo. 
Olho para ela, surpresa. 
— Senhora Swan, gosto muito de você, mas, se você pensa em encostar em mim de uma forma que eu ache ofensiva, te garanto que você vai pagar. 
Com sua superioridade de sempre, ela sorri. Dá um gole no uísque, chega mais perto do meu rosto e murmura, me deixando arrepiada: 
— Pequena, meus castigos não têm nada a ver com o que você está pensando. Lembre-se disso.
Sem tirarmos os olhos uma da outra, bebemos de nossos copos, e minha sede, somada à minha tensão, me faz acabar a bebida rapidamente. Percebendo isso, Emma segura minha cabeça e me beija com voracidade. Seu gesto me deixa louca, e, quando ela afasta os lábios, murmura:
— Me acompanhe. 
Eu a sigo, empolgada, enquanto ela abre caminho e não permite que ninguém encoste em mim. Adoro o jeito como me protege. É excitante. Segundos depois, entramos em outro salão. Está menos cheio. A música não é tão alta e as pessoas parecem mais tranquilas. De novo, nos aproximamos do balcão. Desta vez nos acomodamos num canto, e Emma pede as mesmas bebidas de antes. O garçom prepara e coloca na nossa frente, junto com uma espécie de balde com água e uns guardanapos de linho. Emma pega um banquinho alto e me convida a sentar ali. Obedeço logo. Meus sapatos já estão começando a me machucar. 
Ao me sentar, cruzo as pernas. Morro de medo de que vejam que estou sem calcinha. Emma me abraça. Coloca suas mãos na minha cintura, enquanto eu ponho as minhas ao redor de seu pescoço. Momento romântico. Desta vez sou eu quem aproxima os lábios dos dela. Passo a língua pelo lábio superior, mas, quando vou fazer o mesmo no inferior, ela sobe a mão da cintura para a nuca e de novo me beija com voracidade. Enfia sua língua na minha boca e a invade com verdadeira paixão, o que outra vez me faz sentir como uma bonequinha em seus braços. 
— Abre as pernas pra mim, Regina. 
Eu a encaro por alguns segundos e, depois, dou uma olhada ao redor. Calculo que a escuridão do lugar e a posição em que me encontro, num canto do balcão, não deixarão que vejam que estou sem calcinha, mesmo que eu abra as pernas. Sorrio. Descruzo as pernas e, sem deixar de olhar para ela, faço o que me pede e apoio os saltos na barra do banco. 
Emma pousa as mãos nos meus joelhos e sinto que ela vai subindo com elas muito... muito lentamente. Aproxima seus lábios dos meus e eu a escuto dizer "Te adoro", bem pertinho. Fecho os olhos, e suas mãos deslizam pela parte interna das minhas coxas. Inquieta, me mexo. Quero mais. Fazer isso num lugar público me deixa nervosa, mas ao mesmo tempo me excita. Ela percebe e encosta a boca na minha orelha. 
— Fique calma, pequena. Estamos num clube de swing e todo mundo veio aqui com o mesmo objetivo. 
Isso me assusta. 
Um clube de swing? 
Fico paralisada. 
Horror, pavor e estupor. Emma gira meu banco e me faz olhar para as pessoas ao nosso redor. De repente tomo consciência de que, no balcão, várias mulheres e homens de diferentes idades estão olhando para nós duas. Nos observando. 
— Todos eles estão querendo enfiar a mão por baixo do seu vestidinho curto — sussurra Emma em meu ouvido. — A expressão deles revela que estão loucos para chupar seus mamilos, tirar sua roupa e, se eu permitir, te comer até você gozar. Não reparou na cara deles? Estão excitados e querem sentir seu clitóris entre os dentes para te fazer gritar de prazer.
Meu coração dispara. 
Vou ter um troço!
Nunca fiz nada parecido, mas a idéia me deixa excitada. Muito excitada. Minha respiração fica entrecortada. Imaginar o que Emma está descrevendo para mim faz meu corpo arder de tanto calor. Muito calor. Tento girar o banquinho para outra direção, mas Emma o segura para mantê-lo parado. 
— Você disse para eu te contar tudo o que eu gosto, pequena, e o que eu gosto é disso. A perversão. Estamos num clube privado em que as pessoas trepam e se deixam levar por seus desejos. Aqui as pessoas ficam totalmente desinibidas e pensam apenas no prazer e nos joguinhos sexuais. 
Sinto o pescoço me pinicando. As brotoejas!
Mas Emma percebe, segura minhas mãos e sopra meu pescoço.
— Em lugares como este — continua —, as pessoas oferecem o corpo e o prazer em troca de nada. Há casais que fazem swing, outros que procuram alguém para fazer um trio e outros que simplesmente se juntam a uma orgia. Neste clube há vários ambientes e agora estamos na antessala do jogo. Aqui a pessoa decide se quer brincar ou não e, principalmente, escolhe com quem.
Emma gira o banco. Me encara e acrescenta sem alterar sua expressão: — Regi, estou louca para brincar. Minha vagina está latejando e eu estou morrendo de vontade de te foder. Somos um casal e podemos atravessar a porta dos fundos do clube. 
Minha boca está seca. Pastosa. Pego o copo de rum e bebo um bom gole. 
— Você já veio aqui, né? 
— Já. Aqui e em outros lugares parecidos. Você já sabe que gosto de sexo, de perversão e de mulheres. 
Já sabia. Ficamos em silêncio por alguns segundos. 
— O que há atrás dessa porta? 
— Uma sala escura onde você toca e é tocada sem saber por quem. Depois há uma pequena sala com poltronas separadas por cortinas pretas pra quem não quer ir até as camas, duas jacuzzis, vários quartos privativos para que você transe com quem quiser sem ser visto e um quarto grande com várias camas ao lado da segunda jacuzzi, onde quem quiser pode participar da orgia.
Sinto minhas pernas tremerem. Onde foi que essa louca me meteu? Ainda bem que estou sentada, porque senão eu cairia no chão. Emma percebe meu estado e me aperta contra ela. 
— Pequena, nunca farei nada que você não aprove antes. Mas quero que saiba que seu jogo é meu jogo. Seu prazer é meu prazer, e você e eu somos as únicas donas de nossos corpos. 
— Que poético — consigo dizer. 
Emma bebe seu uísque com calma, enquanto sinto meu coração batendo muito rápido. Esse mundo é estranho demais para mim, mas me dou conta de que não é algo que me assusta, e sim me atrai.
— Escuta, Regi. Entre nós, quando estivermos em lugares como este ou acompanhados de outras pessoas entre quatro paredes, haverá duas condições. A primeira: nossos beijos são só para nós duas. Pode ser? 
— Pode. 
Isso me alegra. Odeio que beije outra mulher e em seguida me beije. 
— E a segunda condição é o respeito. Se algo te incomodar ou me incomodar, deveremos dizer. Se você não quiser que alguém te toque, te penetre ou te chupe, deve me dizer e eu logo vou interromper isso e vice-versa. Combinado? 
— Combinado. — E num fio de voz murmuro: — Emma... eu... eu não estou preparada pra nada do que você disse. 
Vejo que sorri e faz um gesto compreensivo com a cabeça.
Depois enfia sua mão entre minhas pernas, passa por minha vagina molhada e sussurra: 
— Você está preparada, está com vontade e está molhada. Mas tudo bem, só faremos o que você quiser. Como se você só quisesse olhar... E, quando chegarmos ao hotel, vou te foder porque estou quase explodindo. 
Sinto um calor terrível no rosto e no corpo inteiro. Vou explodir também! Emma está muito fogosa e sinto sua mão deslizando entre minhas coxas. Depois ela coloca a palma da mão na minha vagina.
— Você está encharcada... suculenta... receptiva. Te excita estar aqui? 
Negar seria uma bobagem, então respondo: 
— Sim. Mas o que mais me excita são as coisas que você diz. 
— Hummmm... Te excita o que eu digo? 
— Muito. 
— Isso significa que está disposta a aceitar todos os meus joguinhos e caprichos, e eu gosto disso. Me deixa louca. 
Sinto sua mão pressionando minha vagina. Instintivamente, solto um gemido. Com sua outra mão, Emma pega a minha e a coloca sobre seu sexo. Toco por cima da calça e me derreto toda. Está molhada. Incrivelmente molhada. Me beija. Suga meus lábios. 
— Vou girar o banco para te mostrar as pessoas — diz, a poucos centímetros do meu rosto, quando se separa de mim. — Não junte as coxas e não abaixe o vestido. 
Me incendeio. Me queimo. Estou ardendo de tesão.
E, quando Emma faz o que diz e eu fico de pernas abertas diante deles, uma explosão selvagem toma conta de mim e eu respiro ofegante. Três mulheres me observam. Me comem com os olhos. Seus olhares sobem das minhas coxas até minha vagina, e percebo o tesão delas. Querem me possuir e de certo modo já fazem isso com o olhar. Desejam me tocar. De repente, me sinto sensacional e perversa e meus mamilos ficam duros como pedras, enquanto continuo com as pernas abertas, mostrando minha intimidade àquelas mulheres. 
Emma, que está atrás de mim, encosta sua bochecha na minha, e eu noto que ela sorri. Começa a passar suas mãos nas minhas coxas e as afasta ainda mais. Me expõe totalmente a elas. Me enfia o dedo bem diante delas e depois o retira e o leva à minha boca. Eu o chupo e, como uma atriz pornô, passo a língua nos lábios, deliciando-me, enquanto observo os olhares pervertidos das três mulheres. Nesse instante, Emma gira rapidamente o banco e me olha nos olhos: 
— Gosta da sensação de ser observada?
Minha cabeça diz sim. Ela faz o mesmo. 
— Você gostaria que eu e uma ou vários dessas mulheres entrássemos num reservado contigo e tirássemos sua roupa? — Meu coração se acelera, e Emma continua: — Eu abriria tuas pernas e te ofereceria a elas. Te chupariam e te tocariam enquanto eu te seguraria e... 
Minha vagina se contrai e eu faço que sim outra vez. Fecho os olhos. Só de escutar suas palavras já estou à beira do orgasmo. Quero fazer tudo o que ela descreveu. Quero brincar com ela e fazer o que ela deseja. Estou com tanto tesão que me sinto disposta a fazer qualquer coisa que ela quiser, porque, mais uma vez, Emma é mais forte do que minha razão. 
Ela me beija enquanto sinto o olhar das três mulheres nas minhas costas. Emma se diverte com isso. Enfia um dedo na minha vagina, logo dois, e começa a movê-los dentro de mim. Abro as pernas mais um pouco e me mexo, consciente de que elas me observam. Quero mais. Me inflamo e, quando estou prestes a gozar, Emma para.
— Meu castigo por seu comportamento de hoje será que você não vai fazer nada do que propus. Ninguém vai te tocar. Eu não vou te comer e agora mesmo vamos voltar para o hotel. Amanhã, se você se comportar direito, talvez eu retire o castigo.
Incendiada pelo momento, só consigo parar de ofegar, enquanto a indignação vai crescendo dentro de mim. 
Por que faz isso comigo?
Por que me leva a esses limites e logo depois me deixa assim? 
Por que é tão cruel?
Emma abaixa meu vestido, pega uma das toalhinhas de pano que estão no balcão e seca as mãos. Icewoman está de volta. Faz sinal para que eu desça do banco e me arrasta para fora do bar.
A limusine chega imediatamente e nós entramos. Fazemos todo o trajeto até o hotel sem falar nada. Emma não me dirige o olhar. Apenas olha pela janela do carro e vejo que está tensa. Acalorada e ao mesmo tempo irritada pelo que aconteceu, não sei o que pensar. Não sei o que dizer. Estive a ponto de fazer algo que nunca havia passado pela minha cabeça e agora me sinto frustrada por não ter podido ir adiante. 
Quando chegamos ao hotel, Emma me acompanha até minha suíte. Quero convidá-la a entrar. Quero que ela faça comigo o que ficou dizendo a noite toda que faria. Preciso disso. Mas ela nem se aproxima de mim. Assim que entro no quarto, ela me olha sem ultrapassar o limite da porta e diz antes de fechá-la: 
— Boa noite, Regina. Durma bem. 
Fecha a porta. Vai embora e eu fico ali plantada como uma idiota, excitada, frustrada e irritada.



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