História Peça-me o que quiser - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Zelena (Bruxa Má do Oeste)
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Palavras 8.203
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Orange, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Capitulo 8


Quando meu despertador toca, sinto vontade de morrer. 
Estou cansada. Passei a noite em claro pensando no que ocorreu naquele bar. As palavras de Emma, seu olhar e o modo como aquelas mulheres me desejavam — tudo isso não me deixou dormir. No fim das contas, por volta das quatro da manhã, tirei o vibrador da mala e, após brincar um pouco com ele, consegui apagar meu fogo interno. 
Assim como ontem, Amanda, Emma e eu saímos do hotel e o motorista nos levou até os escritórios para continuarmos a reunião. Hoje eu vim de calça. Não quero que aconteça a mesma coisa que ontem. Logo que me vê, Emma me olha de cima a baixo e, embora só tenha me dado bom-dia, pelo tom de sua voz eu percebo que ela já não está irritada. 
Durante horas, enquanto escuto atenta a reunião, meu olhar e o de Emma se encontram várias vezes. Hoje ela não me manda nenhum e-mail, nem interrompe a reunião. Que alívio! Quero ser profissional no meu trabalho. 
Às sete da noite, quando chegamos ao hotel, me despeço dela e de Amanda e subo para meu quarto. Estou morrendo de calor. Alguém toca a campainha. Abro e não me surpreendo quando vejo Emma. Me olha com determinação. Entra e fecha a porta, tira a jaqueta e a joga no chão, se aproxima de mim e me toma em seus braços e caminha até a cama com os olhos cheios de desejo. 
— Ah, pequena... Estou morrendo de tesão por você. 
Não precisa dizer mais nada. O desejo é mútuo, e a noite, longa e perfeita. 
Quando acordo, às seis da manhã, Emma não está a meu lado. Foi embora, mas estou tão exausta por nossa maratona de sexo que volto a dormir. 
Por volta das dez, o toque do meu celular me desperta. Corro para atender e leio uma mensagem de Emma: "Acorda."
Pulo da cama e tomo uma chuveirada. É sábado. Hoje não temos nenhuma reunião e quero passar a maior parte do tempo com ela. Quando saio do banho, enrolada na toalha, alguém toca a campainha. Abro e encontro a maravilhosa Emma de jeans com cintura baixa e uma camisa branca de um pano tão fino, que chega a ser meio transparente. Sua aparência é sedutora e selvagem. Ela está absurdamente gostosa. 
Uau, que delícia que ela está! 
— Bom dia, pequena. 
— Oi! Olho para ela como se eu fosse uma colegial. 
— Quer passar o dia comigo? — diz.
Sua pergunta me surpreende. Pela primeira vez, não está considerando nada garantido. 
— Claro que quero! 
— Ótimo! Vou te levar para almoçar num lugar delicioso. Põe o biquíni. 
Sorrio concordando e ela entra na suíte. 
— Se veste ou então meu almoço vai ser você — murmura com voz rouca.
Divertindo-me com suas palavras, corro para o quarto. Quando entro, ouço no rádio uma música que adoro, e, enquanto me visto, eu cantarolo:

Muero por tus besos, por tu ingrata sonrisa. 
Por tus bellas caricias, eres tú mi alegría.
Pido que no me falles, que nunca te me vayas 
Y que nunca te olvides, que soy yo quien te ama.
Que soy yo quien te espera, que soy yo quien te llora, 
Que soy yo quien te anhela los minutos y horas... 
Me muero por besarte, dormirme en tu boca 
Me muero por decirte que el mundo se equivoca...


Quando me viro, Emma está apoiada no batente da porta, me observando. 
— O que você está cantando? 
— Você não conhece essa música? 
— Não. Quem canta? 
Termino de abotoar a calça jeans e respondo: 
— Um grupo chamado La Quinta Estación. E a música se chama Me muero. 
Emma se aproxima. Visto um top lilás e, sem conseguir deixar de sorrir, já imagino suas intenções. Me pega pela cintura. 
— A música diz algo como "estou louco para te beijar", não? 
Faço que sim como uma boba. É impressionante como fico idiota ao lado dela... 
— Pois é exatamente isso que está me passando pela cabeça agora mesmo, pequena. 
Me toma entre seus braços. Me enlaça e me beija. Devora meus lábios com tamanho ímpeto que já quero que tire minha roupa e continue me devorando. 
A música continua tocando, enquanto me beija... me beija... me beija. Mas de repente para, me solta e me dá um tapinha divertido na bunda. 
— Termine de se vestir ou eu não respondo por mim. 
Dou uma risada e entro rapidamente no banheiro para prender o cabelo num rabo alto. Quando saio, Emma está apoiada no aparador e olhando para fora. Seu perfil é incrível. Sexy. Quando me vê, sorri. 
— O que você faz para ficar cada dia mais linda? 
Feliz com esse elogio, abro um sorriso. Ela se aproxima de mim, segura meu pescoço e me beija. Uau! Depois se afasta e me olha nos olhos. 
— Vamos logo antes que eu arranque sua roupa, pequena — murmura. 
Em meio a risadas, chegamos à recepção do hotel. Ela não volta a me tocar nem se aproximar de mim mais que o necessário. Um jovem recepcionista, ao nos ver, chega mais perto e entrega umas chaves a Emma. Quando se afasta, olho para o chaveiro, movida pela curiosidade. 
— Lotus?
Emma faz que sim com a cabeça e indica a porta do hotel, onde vejo estacionado um maravilhoso esportivo laranja. 
— Uau! Um Lotus Elise 1600! Emma se surpreende. 
— Senhorita Mills, além de entender de futebol, a senhorita também entende de carros? 
— Meu pai tem uma oficina mecânica em Jerez — respondo orgulhosa. 
— Gosta desse carro? 
— Mas como não iria gostar? É um Lotus! — respondo. — Você vai me deixar dirigir, né? — digo, sem me aproximar dela, apesar da vontade que sinto. 
Sem sorrir, Emma me olha... me olha... me olha e, por fim, joga as chaves para o alto e eu pego. 
— Todo seu, pequena.
Quero me atirar no seu pescoço e beijá-la, mas me controlo. Ao fundo, vejo Amanda nos olhando com curiosidade e não quero que ela saiba de nada, embora eu tenha consciência de que ela já está tirando suas próprias conclusões. Que se dane! Sua cara diz tudo, e dá para sacar que ela está muito... muito irritada.
Emma e eu atravessamos a porta do hotel e, assim que entramos no carro e eu arranco, ligo o rádio. A música Kiss, do Prince, está tocando e eu movimento os ombros empolgada. Emma olha para mim e, brincando, faz cara de contrariada. Divertindo-me, sorrio por sua expressão e, antes que ela diga qualquer coisa, coloco meus óculos escuros. 
— Manda ver, menina. 
O dia tem tudo para ser maravilhoso. Estou dirigindo um Lotus incrível ao lado de uma mulher mais incrível ainda. Quando saímos de Barcelona em direção a Tarragona, me desvio por uma estradinha. Emma não olha. 
— Não sei se você sabe, mas já passei muitos verões em Barcelona — digo. 
— Não. Não sabia. 
Sinto a adrenalina no auge enquanto dirijo. 
— Vou te levar num lugar onde você vai poder experimentar esta maravilha. Você vai ver. Vai enlouquecer! 
Com sua seriedade habitual, Emma olha para mim e diz: 
— Gina... essa estrada não é para um carro como esse. 
— Fica quietinha. 
— O pneu vai furar, Gina. 
— Cala a boca, sua estraga-prazeres!
Minha adrenalina vai a mil.
Continuo e vamos passando por várias poças d'água. O carro brilhante se enche de lama e Emma me olha. Eu cantarolo e finjo que nem estou reparando. Sigo meu caminho, mas, de repente, ah, ah...! O carro faz um movimento estranho e sinto que o pneu furou.
A adrenalina, a alegria e o bom humor se apagam em décimos de segundos e penso num palavrão. Com certeza ela vai dizer que me avisou e terei que concordar e ficar quieta. Reduzo a velocidade e, quando paro, mordo o lábio e olho para Emma com cara séria:
— Acho que o pneu furou. 
Ela me encara com uma expressão irritada. Já percebi que Emma não gosta de imprevistos. Estamos no meio da estrada, ao meio-dia, com o sol a pino. Sem dizer nada, sai do carro e bate a porta com força. Eu saio também. Finjo ignorar seu gesto brusco com a porta. O carro está imundo e cheio de lama. Nada a ver com o lindo e reluzente carro que comecei a dirigir há apenas quarenta minutos. O pneu furado é bem o da frente e do lado do motorista. Emma fecha os olhos e suspira fundo. 
— Ok, o pneu furou. Mas tudo bem. Não vamos entrar em pânico. Se o estepe está onde deve estar, eu troco rapidinho. 
Não responde. Mal-humorada, anda até a traseira do carro, abre o porta-malas e vejo que tira um pneu e as ferramentas necessárias para trocá-lo. Irritada, se aproxima de mim, solta a roda no chão e me diz com as mãos sujas de graxa:
— Você pode sair da frente? 
Suas palavras me deixam furiosa. Não apenas pelo tom, mas pelo que dão a entender. 
— Não — respondo sem me mover um centímetro —, não posso sair da frente. 
Minha resposta o surpreende. 
— Gina — diz —, você acabou de estragar um dia lindo. Não o estrague mais ainda.
Ela tem razão. Cismei de entrar por aquele caminho, mas não gosto que ela fale desse jeito comigo. 
— É você quem está estragando o dia lindo com sua falta de educação e sua cara emburrada — respondo, incapaz de ficar de boca fechada. — Porra! O pneu furou. Só isso. Não seja tão exagerada.
— Exagerada?! 
— Sim, terrivelmente exagerada. E agora, por favor, saia da frente que eu mesma vou trocar esse pneu sozinha e apagar meu erro terrível e irreparável.
Emma está suando. Eu também. O sol não nos dá descanso e não trouxemos nem uma mísera garrafa de água para nos refrescarmos. Vejo a aflição em seu rosto, em seu olhar. 
— Tudo bem, espertinha — ela diz, abrindo as mãos. 
— Agora você vai trocar o pneu sozinha. 
Em seguida começa a andar até uma árvore que está a uns dez metros do carro. Quando chega à sombra, Emma senta e me observa. 
A fúria me domina por dentro e começa a pinicar meu pescoço. Maldita urticária! Sem parar para pensar nisso, ponho o macaco por baixo do carro e começo a fazer força para erguê-lo. O esforço me faz suar mais ainda. Estou ensopada de suor. Meus seios e minhas costas estão encharcados, alguns fios de cabelos que estão soltos do cabo de cavalo, grudam no meu pescoço mas eu continuo determinada, sem dar o braço a torcer.
Sou forte e autossuficiente! 
Após um esforço terrível em que sinto que vou desmaiar, consigo retirar o pneu furado. Me sujo toda de graxa, mas não há o que fazer. Quando estou prestes a gritar de frustração, sinto Emma me agarrando pela cintura.
— Tá bom, você já provou que sabe fazer isso sozinha — diz com voz suave. — Agora, por favor, fica na sombra e eu termino de pôr a roda. 
Quero dizer não. Mas estou com tanto... tanto calor que das duas uma: ou eu fico debaixo da árvore ou com certeza vou desmaiar. 
Dez minutos depois, Emma liga o carro, dá uma volta e se aproxima de mim de marcha a ré. 
— Vamos... suba. 
Irritada, faço o que me pede. 
Estou suja, furiosa e morrendo de sede. 
Ela está igual, mas reconheço que seu humor está melhor que o meu. Dirige com cuidado pela droga de caminho e pega a autoestrada. Quando avista um enorme posto de gasolina, para o carro, olha na minha direção e pergunta: 
— Quer beber alguma coisa bem gelada? 
— Não... — Ao ver como me olha, acrescento: — Claro que quero beber alguma coisa. Estou morrendo de sede, você não está vendo? 
— Posso saber o que te deu agora? 
— O que me deu é que você é uma rabugenta. É isso que me deu. 
— O quê?! — pergunta, surpresa. 
— Sério, você acha que, só porque um pneu furou e você sujou sua roupa de graxa, o dia lindo foi por água abaixo? Por favor! Como é pequeno seu senso de humor e de aventura... Só podia ser alemã. 
Faz menção de responder algo, mas se cala. Respira bufando, sai do carro e entra no posto de gasolina. Então vejo a meu lado um lava-jato manual e não penso duas vezes. Arranco com o carro, ponho o veículo em paralelo, enfio três euros na maquininha e a mangueira da água começa a funcionar. A primeira coisa que faço é molhar minhas mãos e tirar a graxa toda. E o calor é tão forte que solto o cabelo e, sem me importar com quem possa estar vendo, coloco a cabeça embaixo do jato de água. Ai, que geladinho! Uma delícia! 
Quando minha cabeça já está refrescada, recupero o bom humor. Emma sai da loja de conveniência do posto com duas garrafas grandes de água e uma Coca-Cola, e vem até mim, surpresa.
— O que você está fazendo? 
— Me refrescando e, de quebra, aproveitei para lavar o carro. — E, sem avisar, viro a mangueira na direção dela e a molho, morrendo de rir. 
Sua expressão é impagável. 
As pessoas nos olham e eu já começo a me arrepender do que estou fazendo. Meu Deus, que cara irritada! Essa minha espontaneidade vai me trazer problemas, e estou vendo que não vai demorar muito. Mas, para minha surpresa, Emma põe as garrafas de água e a Coca-Cola no chão. 
— Tudo bem, meu amor, você pediu! 
Corre na minha direção, me rouba a mangueira e me encharca inteira. Eu grito, rio e corro em volta do carro enquanto ela se diverte com o que está fazendo. Por alguns minutos nos molhamos uma a outra, e nossa raiva se desfaz junto com a lama e a sujeira. As pessoas nos olham achando graça da cena, enquanto nós, como duas crianças, continuamos nos molhando e caindo na gargalhada.
Quando a água para de repente porque os três euros já acabaram, estou ensopada e apoiada na porta do carro. Emma solta a mangueira e se gruda no meu corpo antes de me beijar. Devora minha boca com verdadeira paixão e me deixa arrepiada.
— Alguém tão imprevisível como você está conseguindo emocionar uma alemã rabugenta. 
— Jura? — murmuro como uma boba. 
Emma faz que sim e me beija. 
— Onde você esteve a minha vida toda? 
Grande momento! 
Cena de filme! Me sinto a heroína. Sou Julia Roberts em Uma linda mulher. Babi em Tres metros sobre el cielo. Nunca ninguém me disse algo tão bonito num momento tão perfeito. Após um monte de beijos ardentes, decidimos ir embora. Estamos encharcadas e colocamos toalhas nos bancos de couro do carro. Emma me entrega as chaves do Lotus outra vez. 
— Continuemos a aventura — murmura.
Entre risadas, chegamos a Sitges. Estacionamos o carro, e não me surpreendo quando, depois de guardar as chaves na minha bolsa, Emma busca minha mão. E, como um casalzinho, caminhamos de mãos dadas pelas ruas dessa bonita região. 
O calor seca nossas roupas e Emma me leva a um restaurante maravilhoso onde almoçamos enquanto observamos o mar. Nossa conversa flui com facilidade, ou, melhor, a minha conversa flui com facilidade. Não paro de falar e ela sorri. Poucas vezes a vi assim. Nessa hora, nem ela é minha chefe nem eu sou sua secretária. Somos apenas um casal que aproveita um momento agradável. 
À tarde, por volta das seis, decidimos dar um mergulho. Assim que entramos na água, Emma me pega em seus braços e caminha comigo até mais para o fundo, depois me solta e eu acabo engolindo um pouco de água. Ah, isso não vai ficar assim! Disposta a fazê-la pagar pela travessura, coloco uma perna entre as suas e, quando ela menos espera, eu vou lá e o afundo. Isso o surpreende, e agora preciso fugir dela, mas Emma me segura de novo e me afunda no mar. 
Passamos um tempinho divertido na água e, quando saímos, nos atiramos sobre nossas toalhas na areia e nos secamos ao sol em silêncio. A moleza me domina e estou quase caindo no sono quando Emma se levanta e me propõe tomar alguma coisa gelada. Aceito imediatamente. Recolhemos nossas coisas e vamos a um quiosque. 
Emma vai pedir as bebidas enquanto eu me sento numa mesinha e meu telefone toca. Minha irmã. Fico na dúvida se atendo ou não, mas ao fim decido que não e interrompo a chamada. O celular toca outra vez e eu acabo cedendo.
— Fala, sua chata. 
— Chata? Como chata? Te liguei mil vezes, sua ingrata.
Sorrio. Não me chamou de "maninha". Está chateada. Minha irmã é uma figura, mas, como não estou a fim de ficar três horas conversando com ela, pergunto logo: 
— O que houve, Zelena? 
— Por que você não me liga? 
— Estou muito enrolada. O que você quer? — pergunto enquanto observo Emma pedindo as bebidas e logo digitando alguma coisa no celular. 
— Falar contigo, fofaaaaa. 
— Zel, querida, posso te ligar mais tarde? Agora não estou podendo falar. 
Do outro lado da linha, ela suspira. 
— Tudo bem, mas me liga mesmo, tá? 
— Beijossss. 
Encerro a ligação e fecho os olhos. 
A brisa do mar sopra no meu rosto e eu estou feliz. 
O dia está sendo maravilhoso e eu não quero que acabe nunca. 
O telefone toca outra vez e, convencida de que é minha irmã, respondo: 
— Caramba, mas como você é mala, Zelena. O que te deu? 
— Oi, gostosa, sinto dizer que não sou a mala da Zelena.
Logo percebo que é Robin, o filho do Bicho. Mudo o tom da voz e solto uma gargalhada. 
— Oi, Robin, desculpa! Acabei de desligar com a minha irmã e você sabe como ela é chata... Escuto sua risada. 
— Onde você está? — pergunta. 
— Em Sitges, Barcelona. 
— Fazendo o quê aí? 
— Trabalhando. 
— No sábado? 
— Nããããão... hoje não. Hoje estou curtindo o sol e a praia. 
— Com quem? 
A pergunta me pega tão de surpresa que nem sei o que responder. 
— Com um pessoal da minha empresa — digo, por fim. 
Emma se aproxima. Deixa em cima da mesa uma Coca com muito gelo e uma cerveja, e se senta ao meu lado.
— Quando você vem a Jerez? Já estou te esperando. 
— Daqui a alguns dias. 
— Vai demorar tanto assim? 
— Acho que sim. 
— Que merda — ele diz.
Incomodada com a forma como Emma me observa e escuta a conversa, respondo: 
— Você aproveite bem aí. Já sabe que não precisa sofrer por mim. 
Robin suspira. Não gostou nem um pouco das minhas palavras, e acrescenta: 
— Só vou aproveitar quando você chegar. As férias sem minha conterrânea preferida não têm a menor graça. 
Seu comentário me faz rir. 
Emma olha para mim. 
— Ah, Robin, não seja bobo. Você vai ficar bem e, quando eu chegar aí, te dou um toque e a gente se vê, ok? 
Após nos despedirmos, fecho o celular, deixo na mesa e pego a Coca-Cola. Estou morrendo de sede. Por alguns segundos, Emma me olha enquanto bebo. 
— Quem é Robin? 
Deixo o copo em cima da mesa e tiro o cabelo do rosto. 
— Um amigo de Jerez. Queria saber quando vou pra lá.
De repente me dou conta de que estou lhe dando explicações. O que estou fazendo? O que deu em mim? 
— Um amigo... muito amigo? — insiste. 
Sorrio ao pensar em Robin. 
— Digamos que só amigo.
A mulher maravilhosa que está a meu lado balança a cabeça concordando e olha para o horizonte. 
— Qual é o problema? Você não tem amigas? 
— Tenho... e com algumas eu faço sexo. Você faz sexo com Robin? 
Se eu pudesse me ver, veria a cara de idiota que fiz ao ouvir a pergunta de Emma. 
— Às vezes. Quando estamos a fim. 
— É bom com ele? 
Essa pergunta tão íntima me parece totalmente fora de lugar. 
— É. 
— Tão bom quanto comigo? 
— É diferente. Você é você, ele é ele. 
Emma crava os olhos em mim e me observa... me observa e me observa. 
— Você está certa, Regi. Aproveite sua vida e o sexo. 
Depois disso, não pergunta mais nada sobre Robin. Nossa conversa continua, e o clima bom entre nós também.
Às sete da noite, decidimos voltar a Barcelona. De novo Emma me dá as chaves do Lotus e eu dirijo fascinada, curtindo o momento.
Mais tarde, quando chegamos ao hotel, Emma pede que nos tragam algo para comer no meu quarto e durante horas transamos de forma selvagem.

 

O fim de semana passa e na segunda-feira pegamos um avião até Guipúzcoa. A atitude de Amanda em relação a mim não mudou quase nada. Está mais distante e agressiva, mas com Emma ela não é assim. Fico irritada com o esforço que ela faz para que ela não preste atenção em mim. Mas o tiro sai pela culatra o tempo todo. Emma, em suas funções de chefe, me solicita continuamente, e isso tira Amanda do sério. As reuniões se sucedem e, após Guipúzcoa, vamos às Astúrias. 
Durante o dia, Emma e eu trabalhamos lado a lado como chefe e secretária, e à noite brincamos e curtimos uma a outra. Sua luxúria parece algo inato, e cada vez que estamos juntas ela me enlouquece com a forma como me faz fantasiar e com seu jeito de me tocar e de me possuir. Adora olhar para mim enquanto me masturbo com o vibrador que ela me deu de presente — capricho que eu lhe concedo com muito prazer. O prazer que me faz sentir é tanto que sinto vontade de ir de novo a uma casa de swing e experimentar o mesmo da outra vez. Quando confesso isso, Emma cai na gargalhada e, ao me penetrar, imagina que outra pessoa está me possuindo enquanto ela observa. Essa fantasia me deixa louca. 
Na quarta-feira, quando chegamos a Orense, vamos direto para uma reunião. No caminho, Emma fala por telefone com uma tal de Marta e se mostra irritada. O dia passa e ela termina se estressando pela falta de profissionalismo do chefe da sucursal. Não preparou nada do que era necessário, e Emma reage muito mal. Tento interferir para apaziguar os ânimos, mas Emma, minha chefe, acaba me repreendendo e me mandando calar a boca. 
Na viagem de volta, o humor de Emma está péssimo. Amanda olha para mim com ar de superioridade e eu tenho vontade de matá-la. 
Quando chegamos ao hotel, Emma pede a Amanda que desça do carro e nos deixe um minuto a sós. Ela obedece e, assim que fecha a porta, Swan olha para mim com uma expressão que me magoa. 
— Que esta tenha sido a última vez que você fala numa reunião sem que eu peça. 
Entendo sua irritação. Ela está certa e, embora sua bronca tenha me magoado, quero pedir desculpas, mas ela me interrompe: 
— No fim das contas a Amanda pode ter razão. Tua presença não é necessária. 
Me dá muita raiva ouvir Emma mencionando essa mulher e saber que ela fala de mim. 
— Não estou nem aí para o que essa idiota diz sobre mim. 
— Mas talvez eu, sim, esteja aí — replica. 
Passa a mão nos cabelos em forma de exasperação, e nos olhos. Sua cara não está nada boa. O telefone dela toca. Emma olha para o aparelho e interrompe a chamada. E, numa tentativa de amenizar o mal- estar entre nós, murmuro: 
— Você está com uma cara péssima. Está com dor de cabeça? 
Sem responder, me lança seu olhar impiedoso. 
— Boa noite, Gina. Até amanhã.
Olho para ela, surpresa. Está me expulsando?
Com a dignidade que me resta, abro a porta do carro e saio. Amanda espera a poucos metros e prefiro não olhar para ela quando passo a seu lado, senão vou acabar partindo para cima dessa mulher. Vou direto para o quarto.
Na manhã seguinte, quinta-feira, quando o despertador toca às 7h20, eu solto um palavrão. Quero dormir mais. 
Em meio a grunhidos, me levanto e ando até o chuveiro. Preciso da água fria no meu corpo para me acordar. 
Debaixo d'água, me lembro de que já é quinta-feira e isso me deixa alegre. Em breve Emma e eu teremos o fim de semana inteiro para ficarmos juntas. Ótimo! Quando volto para o quarto, enrolada numa toalha felpuda de cor creme que tem um cheiro maravilhoso, dou uma olhada na mesinha de cabeceira. 
— Ah, vibradorzinho! Adorei nossa noite ontem. 
Solto umas risadas. Em cima de lenços de papel está o vibrador em formato de batom que usei ontem à noite para relaxar. Pego o presentinho de Emma. Suspiro enquanto me lembro da explosão de prazer que senti ao brincar com ele. 
Bem-humorada desde cedo, pego o vibrador e volto ao banheiro. Passo uma água nele e o coloco na bolsa. Agora já não esqueço mais. Eu e o vibradorzinho, juntos até a morte. Abro a mala e pego uma calcinha. Enquanto a coloco, lembro que tenho que pedir a Swan que me devolva a que ela roubou de mim, ou então vai ficar faltando calcinha para os próximos dias. Minha irritação desapareceu completamente. Tenho certeza de que a dela também e de que temos um dia maravilhoso pela frente. 
Dou uma olhada no armário e escolho um conjunto azul com saia justa e uma camisa aberta. Hoje quero estar sexy para que Emma sinta vontade de voltar logo ao hotel. 
Às oito, alguém toca a campainha do meu quarto e, segundos depois, uma camareira muito gentil deixa um lindo carrinho com o café da manhã e em seguida vai embora. Quando levanto as tampas das travessas, pulo de felicidade ao ver a quantidade de bolinhos que tenho diante de mim. Pego uma cadeira e me sento. Bebo um pouco de suco de laranja. Hummmm, que delícia! Tomo um café com um minissanduíche. Depois como um pão doce e, quando estou quase atacando uma rosquinha, me controlo e consigo vencer a tentação. Muita comida! 
O celular apita. Recebi uma mensagem. Emma. "8h30 na recepção." Que direta! Nem um simples "Bom dia, pequena", "Gina" ou o que for. 
Mas, sem tempo a perder e ansiosa para vê-la de novo, pego minha pasta. Enfio nela o notebook e os documentos de ontem. Hoje vamos a outra sucursal das Astúrias, e só espero que o dia transcorra melhor do que ontem. 
Ao chegar à recepção, vejo Emma apoiada numa mesa. 
Está incrível com seu terninho preto e sua camisa de ceda branca. Noto que seu lindo cabelo ainda está um pouco molhado do banho e estremeço. Teria adorado tomar banho com ela.
Duas mulheres que passam a seu lado se viram e ficam olhando. Normal. É uma mulher muito atraente. Ao passarem a meu lado, observo suas caras e percebo que estão cochichando. Imagino sobre o que falam. Decidida, caminho em meus saltos altos na direção dela e passo a mão nas suas costas enquanto a observo lendo concentrada o jornal. Quando chego bem à sua frente, eu a cumprimento com voz melosa: 
— Bom dia! 
Emma não olha para mim. 
— Bom dia, senhorita Mills. 
Mas peraí... voltamos aos malditos sobrenomes? 
Não esperava que ela me pegasse em seus braços e sorrisse para mim como se fosse minha namorada. Mas, por favor, um pouco mais de cordialidade após uma noite separadas! 
Sua indiferença me desconcerta.
Por que não olha para mim? 
Mas, sem querer entrar no jogo de gato e rato, continuo a seu lado esperando que decida quando vamos sair. Dou uma olhada no relógio. Oito e meia. Olho para a entrada do hotel e vejo a limusine esperando. Por que continuamos parados aqui? Emma ignora minha presença e segue lendo o jornal com expressão tensa. Será que ainda está irritada? Tenho vontade de perguntar, mas não quero tomar a iniciativa. Não quero dar o primeiro passo. 
Não me mexo. Minha respiração mal se ouve. Tenho certeza de que está esperando algum movimento da minha parte para logo soltar suas palavras ácidas. As pessoas, em sua maioria executivos como nós, passam ao nosso lado. São 8h35. Me espanta que ainda estejamos aqui, já que Emma é obcecada com horário. Já são 8h40. Continua muito calma, sem se importar com o fato de eu estar parada a seu lado como uma idiota, quando ouço uns saltos acelerados. Amanda, com um blazer e uma saia branca, se aproxima de nós.
Nem olha na minha cara. Só tem olhos para Emma, a quem se dirige em alemão: 
— Desculpa a demora, Emma. Um probleminha com minha roupa. 
Vejo que ela sorri. Olha para ela, examinando-a de cima a baixo com seus olhos verdes. 
— Não se preocupe, Amanda. A demora valeu a pena. Dormiu bem? 
Ela sorri. — Sim — responde, sem se importar com minha presença. 
— Consegui dormir um pouco. 
Disse "Consegui dormir um pouco"? Peraí, o que essas idiotas estão dando a entender? Ela sorri, toda boba após a farra da noite anterior, e toca na cintura dela. 
Essa intimidade me incomoda. Acho repugnante. E ao mesmo tempo seus sorrisos me revelam muitas coisas. 
Respiro com dificuldade ao me dar conta do que houve entre essas duas, e tenho vontade de gritar e espernear. De repente, Emma apóia a mão nas costas de Amanda e, tocando rapidamente sua cintura, diz: 
— Vamos, o motorista está esperando. 
E, sem olhar para mim, começa a caminhar com essa mulher a seu lado e me ignora completamente. 
Eu as observo petrificada. 
Não sei o que fazer. Um ciúme incontrolável que até então eu não havia sentido se instala no meu estômago, e estou com vontade de pegar o lindo jarro de cima da mesa e quebrar na cabeça dela. 
Meu coração está a mil. Sua batida é tão forte que tenho a sensação de que a recepção inteira consegue ouvir. Aquilo me humilha, me aborrece, e ela continua impossível. 
Idiota! 
A frieza de Emma continua e eu não entendo por quê. Mas não. Não vou aceitar isso. Emma não me conhece, e ninguém ousa me humilhar dessa forma. 
Começo a caminhar atrás delas. 
Se essa babaca alemã acha que vou armar um barraco, ela acertou. Não vou deixar por menos! Quando chegamos à limusine, o motorista abre a porta. Amanda entra, em seguida Emma entra e, na minha vez de entrar, ela faz um gesto com a mão. 
— Senhorita Mills, sente-se na cabine da frente com o motorista, por favor. 
Putz! Que golpe desgraçado que ela me dá bem na frente de Amanda. Mas, surpreendentemente, sorrio com frieza e digo: 
— Como a senhora quiser, senhora Swan.
Estou furiosa. Irritada. Exasperada. 
Não gosto desse joguinho e não entendo por que ela faz isso comigo. 
Instintivamente cravo as unhas nas palmas das mãos, até que o motorista me pergunta: 
— Quer ouvir música, senhorita? 
Faço que sim com a cabeça. Não consigo falar nada. Coloco meus óculos escuros e escondo meus olhos. De repente, começa a tocar a música de Dani Martín Mi lamento e eu sinto muita vontade de chorar. 
Meus olhos estão ardendo e as lágrimas imploram para sair. Mas não. Não vou chorar. Engulo as lágrimas e tento curtir a música e a viagem. Chego até a cantarolar. Durante os 45 minutos do trajeto, minha mente trabalha a toda velocidade. O que aquelas duas estão fazendo ali atrás? Por que Emma me pediu para sentar na frente? Por que continua chateada comigo? Quando o carro para, desço sem esperar que o motorista abra a porta para mim. Que ele faça isso as duas lá de trás. As patroas.
Assim que desço, sorrio ao ver Penélope. É a secretária dessa sucursal e entre nós duas sempre rolou uma química. Mas uma química do bem. Decente. O motorista abre a porta, e Emma e Amanda saem do carro. Não me viro para elas. Me limito a olhar para a frente com meus óculos escuros. 
Emma cumprimenta Gutiérrez, o chefe da sucursal, e o pessoal da diretoria. Apresenta todos eles a Amanda e depois a mim. Com profissionalismo, aperto as mãos deles para depois acompanhá-los até uma sala. Mas agora, em vez de ir atrás de Emma e Amanda, me demoro para poder cumprimentar Penélope. Damos dois beijinhos e entramos na sala conversando.
Antes de nos sentarmos, umas senhoras nos oferecem café. Aceito com prazer. Preciso de café. Tomo três. Conforme o tempo vai passando, a distância de Emma e a conversa com Penélope começam a me acalmar. Nesse momento, percebo que Emma se vira. É só um instante, mas sei que olhou para mim. Me procurou. 
Penélope e eu continuamos conversando e nós duas rimos, quando ela conta algumas coisas da filha dela. É uma mãezona e isso me comove. Dez minutos depois, todos nós passamos à sala de reuniões, nos acomodamos em nossos lugares e, como sempre, Emma senta à cabeceira da mesa. Amanda fica à sua direita e eu tento me colocar num segundo plano. Não quero olhar para ela. Não sinto vontade. 
— Senhorita Mills — ouço minha chefe me chamar. 
Sem hesitar, me levanto e me aproximo dela com profissionalismo. 
Seu perfume invade minhas narinas e me desperta mil sensações, mil emoções. Mas consigo manter inabalada a expressão do meu rosto. 
— Sente-se na outra ponta da mesa, por favor. De frente para mim. 
Eu vou matá-la... matá-la e matá-la. 
Não quero olhar para ela, nem quero que olhe para mim. Mas, disposta a ser a secretária perfeita, pego meu notebook e me sento onde ela indica. Do outro lado da mesa, de frente para ela. 
A reunião começa e eu fico atenta a tudo que falam. Não olho para ela e acho que ela também não está me olhando. Estou com o notebook aberto diante de mim e temo receber alguma mensagem de Emma. Por sorte, não chega nenhuma. À uma da tarde, a reunião é interrompida. Hora do almoço. O chefe da sucursal reservou mesa num hotel próximo, e Penélope me convida para ir no carro dela. Aceito.
Sem olhar para Icewoman, que está ao lado de Amanda, passo reto por ela, até que a ouço me chamar. Peço a Penélope que me dê um segundo e vou até minha chefe. 
— Vai aonde, senhorita Mills? 
— Ao restaurante, senhora Swan. 
Emma olha para Penélope. 
— Pode vir conosco na limusine. 
Ótimo. Agora a desconfiada é ela. 
Que se dane!
Amanda nos olha. Não entende o que estamos dizendo. Falamos em espanhol, e imagino que isso a incomode. 
— Obrigada, senhora Swan, mas, se não se importa, irei com Penélope. 
— Me importo — responde.
Não há ninguém ao nosso redor. Ninguém pode nos escutar. 
— Pior para a senhora.
Dou as costas a ela e saio. 
Dá-lhe, fúria espanhola! 
Espanha 1 – Alemanha 0. 
Sei que acabo de cometer a maior imprudência que uma secretária pode fazer. E ainda maior em se tratando de Emma. Mas eu precisava disso. Precisava fazê-la se sentir como eu me sinto. 
Sem pensar nas conseqüências, entre elas a demissão certa, ando até Penélope e seguro seu braço com intimidade. Entramos em seu Opel Corsa e nos dirigimos ao restaurante, enquanto começo a pensar no desemprego. Depois dessa, vou ser demitida com certeza. 
Quando chego ao estabelecimento, corro com Penélope para tomar várias Coca-Colas. 
Ai, meu Deus! Como gosto de sentir suas borbulhas na minha boca... Mas até as borbulhas se desfazem quando vejo entrar Emma, seguida de Amanda e dos outros chefes. Olha na minha direção e posso perceber sua irritação. Os diretores entram no salão e rapidamente se acomodam em seus lugares. Emma faz menção de se sentar, mas logo se desculpa com seus colegas e me faz um sinal com a mão. Eu e Penélope a avistamos, e não posso me recusar a ir. 
Dou mais um gole na minha Coca, que deixo no balcão e me aproximo de Emma. 
— Diga-me, senhora Swan. Em que posso ajudá-la? 
Emma abaixa a voz e, sem alterar a expressão de seu rosto, pergunta: 
— O que você está fazendo, Gina? 
Surpresa por voltar a ser "Gina", respondo: 
— Tomando uma Coca. Zero, por sinal, que engorda menos. 
Minha resposta irreverente a desespera. Sei disso e gosto disso.
— Por que você está me irritando o tempo todo? — pergunta, me deixando desconcertada. Que cinismo...! 
— Eu?! — sussurro. — Mas que cara de... 
Seu olhar é tenso. Duro e desafiador.
Suas pupilas se contraem e me dizem algo, mas hoje eu não quero entendê-las. Recuso-me. 
— Vá para o salão — me diz, antes de se virar. — Vamos almoçar. 
Quando eu e Penélope chegamos ao salão, nos sentamos na outra ponta da mesa. Meu celular toca: minha irmã! Decido ignorá-la outra vez, não estou a fim de escutar seus resmungos. Mais tarde ligo de volta. A comida está ótima e eu continuo de papo com minha amiga. 
De vez em quando, lanço olhares na direção da minha chefe e vejo que ela sorri para Amanda. Minha desconfiança aumenta. Mas, quando seus olhos cruzam com os meus, me sinto arder. Meu corpo se incendeia. Seu olhar de Icewoman consegue fazer com que todas as minhas terminações nervosas se agitem ao mesmo tempo e eu me queime inteira. 
Às quatro e meia, voltamos à sede da empresa. Eu, claro, pego carona com Penélope. A reunião recomeça e só acaba às sete. Estou exausta!
Quando tudo acaba, Amanda, Emma e eu nos dirigimos até a limusine que nos espera e, sem dar tempo a Emma para me humilhar de novo, me sento logo ao lado do motorista. Nem vem! 
Eu as ouço falar. Inclusive escuto Amanda cochichando e rindo como uma galinha. Ouço o que falam e fico morrendo de raiva. Não gostaria de me sentir assim. Só de olhar para Amanda já dá para saber o que ela procura. Cadela! 
Imagino que vão fechar os ambientes da limusine, mas desta vez Emma não dá essa ordem. Quer que eu fique a par de toda a conversa. Fala em alemão, e ouvi-la me deixa agitada. Me provoca. 
Ao chegar ao hotel, a limusine para. Abro minha porta, desço. Desejo com todas as minhas forças perder de vista Emma e essa imbecil, mas espero educadamente que minha chefe e sua acompanhante desçam do carro. Depois me despeço e vou embora. 
Quase corro até o elevador e, quando as portas se fecham, suspiro aliviada. Enfim, sozinha!
O dia foi horrível e quero desaparecer. Quando chego à suíte, jogo a pasta no lindo sofá. Ligo o som. Solto o cabelo, tiro o blazer e ponho a blusa para fora da saia. Preciso de um banho. 
Então ouço batidas na porta. Minha mente me diz que é ela. Olho ao redor. Não tenho escapatória, a menos que me jogue do topo do prédio e morra espatifada em pleno asfalto. Que desgosto para o meu pobre pai! Nem pensar! 
Decido ignorar as batidas. Não quero abrir, mas a pessoa do outro lado insiste. Cansada, finalmente abro a porta e qual não é minha surpresa quando vejo Amanda na minha frente. Me olha de cima a baixo. 
— Posso entrar? — pergunta em alemão. 
— Claro, senhorita Fisher — respondo também em seu idioma. 
A mulher entra. Fecho a porta e me viro. 
— Você vai ficar por aqui no fim de semana, como fez em Barcelona? — pergunta, antes que eu possa dizer qualquer coisa. 
Faço o que Emma costuma fazer. Contraio a expressão do meu rosto. Penso... penso e penso e por fim respondo: 
— Vou. 
Minha resposta a deixa irritada. Passa as mãos pelo cabelo e depois as coloca na cintura. 
— Se sua intenção é ficar com ela, pode esquecer. Ela vai estar comigo. 
Enrugo a testa, como se ela falasse chinês e eu não entendesse nada. 
— Do que está falando, senhorita Fisher? 
— Você e eu sabemos muito bem do que estou falando. Não se faça de desentendida. Vai me dizer que você não é uma espanhola sem um tostão furado que vê em Emma uma oportunidade? 
Fico boquiaberta pelo que ela acaba de dizer. Pisco os olhos e deixo cair a máscara que carrego dentro de mim. 
— Olha, querida, você está se confundindo comigo. E, se você continua por esse caminho, vai ter problemas, porque eu não sou de ficar de bico calado, não. Portanto, cuidado com o que diz, senão vai ter que passar por cima de uma espanhola sem um tostão furado. 
Amanda se afasta um passo de mim. Deve ter levado a sério minha advertência. 
— Acho que o mais inteligente da sua parte seria se afastar dela — acrescenta. — Eu própria vou me encarregar de tudo o que Emma precisar. Eu a conheço muito bem e sei como satisfazer suas vontades. 
Aperto os punhos. Tão forte que acabo cravando as unhas neles. Mas estou consciente de que não posso agir como gostaria. Então conto até vinte, porque até dez não é suficiente, ando até a porta e a abro. 
— Amanda — digo, com toda a gentileza de que sou capaz —, saia já do meu quarto porque, se continuar aqui, algo terrível vai acontecer. 
Quando ela vai embora, bato com a porta enquanto solto os maiores palavrões. Tiro os sapatos e os atiro com fúria no sofá. Que ódio! 
Minha indignação me enlouquece. Emma estava me usando para colocar ciúmes naquela boneca inflável. Xingo tudo e todos e dou um chute na poltrona chique. Como fui tão imbecil? Sem querer pensar em mais nada, tiro meu notebook da pasta, até que meu celular apita. Recebo uma mensagem. Emma. "Venha ao meu quarto." 
Ler isso me deixa ainda mais irritada. Sempre me considerei uma bonequinha em seus braços, mas neste momento me dou conta de que sou uma boneca idiota. Digito com raiva: "Vai à merda." 
A resposta chega rápido. 
Ao fim de alguns segundos, ouço o barulho de uma porta se abrindo e, bem na minha frente, aparece Emma sem camisa, apenas com seu top, com cara de chateada e a chave na mão. Sem dizer nada, aproxima-se de onde estou sentada, me pega pelo braço, me levanta e me beija. Me beija de forma tão profunda, que sinto sua língua na entrada da minha garganta. Tento não corresponder. Me nego. Mas meu corpo me trai. Meu corpo a deseja. É incontrolável. E, instantes depois, sou eu quem a beija em busca de mais.
Com urgência leva suas mãos ao botão traseiro da minha saia, e nos chocamos contra a parede. Sem salto alto eu sou muito pequena a seu lado. Sempre gostei disso, assim como ela gosta de sentir sua superioridade. Com sua perna ela separa as minhas, enquanto uma de suas mãos chega em baixo da minha blusa e desliza pelo meu ventre. Fecho os olhos e me deixo levar. Deixo que ela continue. Sem tirar minha saia, sua mão continua o caminho até que se enfia por dentro da minha calcinha e me toca até chegar ao clitóris. Me estimula. Me excita.
Com seus dedos, sua experiência e minha lubrificação, ela me massageia e me inflama. Meu clitóris se incha e eu solto um gemido. Respiro ofegante. Enlouqueço e me esfrego contra ela ao sentir aquela invasão, até que, com sua mão livre, me dá um tapinha. Isso me excita mais ainda. Me deixa louca e, instantes depois, ela desabotoa a própria calça, e noto que ela está usando a cinta. Que safada! Minha safada! 
Tira a mão do meu sexo e me puxa até me levar ao centro do quarto. Fixa seus olhos em mim e murmura enquanto aproxima seus lábios dos meus: 
— Pequena, você não faz idéia do quanto eu te desejo. 
Abaixa o zíper da minha saia, e ela cai no chão. Agacha-se, encosta o nariz na minha calcinha e aspira. Dá uma leve mordidinha no meu púbis e eu respiro ofegante. Suas mãos possessivas me tocam e me acariciam. Sobem por minhas pernas e seguram a borda da minha calcinha. Ela a retira. Estou nua outra vez da cintura para baixo na frente dela e não falo nada. Não ofereço a menor resistência. Me deixo levar enquanto ela me estimula, me possui e me enlouquece. 
Levanta-se. Me empurra até o encosto do sofá, me vira de bruços e me faz recostar ali. Meus braços e minha cabeça caem, enquanto meu traseiro continua totalmente exposto a ela. Por alguns segundos eu curto as mordiscadas que ela dá na minha bunda e sinto suas mãos invasoras sobre mim. De novo um tapa. Desta vez mais forte. Me arde. Mas a ardência diminui quando sinto Emma se apertar contra mim e "seu pênis" me avisar de que vai me fazer sua. 
Abre minhas pernas, enquanto com uma das mãos aprisiona minha barriga sobre o encosto do sofá para que eu não me mexa. Com a outra mão pega o dildo e passeia desde minha vagina quente até meu ânus e vice-versa. Brinca entre minhas pernas, encharcando-me ainda mais. 
— Vou te foder, Regina. Hoje você está me deixando louca e eu vou te foder do jeito que fiquei o dia inteiro imaginando. 
Ouvir isso me sufoca.
Aguça todos os meus sentidos e eu adoro isso.
Percebo que curvo meu traseiro disposta a recebê-la. Me sinto como uma cadela no cio em busca de alívio. Emma deixa seu corpo cair sobre o meu. Morde meu ombro, depois minhas costas, e eu me contorço. Estou encharcada, pronta e molhada para ser fodida. Meu corpo implora. Emma me penetra de uma vez só e exige: 
— Preciso te ouvir gemendo. Agora! 
Sem conseguir evitar, um gemido ruidoso sai da minha boca. 
Sua ordem me deixa mais excitada. 
Suas mãos exigentes me agarram pela cintura e me apertam contra ela até que estou completamente possuída. Grito. Me contorço. Vou explodir. Sai de mim uns centímetros, mas entra de novo várias vezes, me preenchendo com uma série de movimentos rápidos e fortes que me fazem gritar. Quando seu dedo toca meu clitóris e o pressiona, eu grito de novo. Grito de prazer. 
A cada estocada sinto que ela me rasga. Isso me excita e eu me abro ainda mais para que continue me rasgando e me faça totalmente sua. A dureza de suas palavras e sua vontade de me comer me enlouquecem de uma forma selvagem. 
Minha vagina se contrai a cada investida e sinto como ela a absorve, a atrai, a deixa completamente rendida. Escuto sua respiração agitada em minha orelha e os ruídos calientes de nossos corpos se chocando, uma vez, outra vez... uma vez, outra vez. São viciantes. 
Calor. 
Estou morrendo de calor.
Uma quentura me sobe pelos pés e invade meu corpo todo. Quando chega à minha cabeça, explode e eu explodo junto. Grito. Me contorço e sinto convulsões, ao mesmo tempo que percebo fluidos escorrendo pelas minhas pernas. Tento me soltar. Mas Emma não deixa. Continua me penetrando enquanto meu orgasmo devastador nos enlouquece.
Meu corpo, esgotado de tanto prazer, se contorce e, após uma investida potente que me encaixa ainda mais no encosto da poltrona, Emma sai de dentro de mim, apóia a cabeça em minhas costas e, depois de um grunhido forte , sinto algo escorrendo em meu traseiro. Ela goza em cima de mim. 
Por alguns segundos, permanecemos nessa posição. Ela em cima de mim. Nas minhas costas. Nossos corações acelerados precisam voltar a seu ritmo normal antes que possamos dizer qualquer coisa, enquanto no som do quarto está tocando Garota de Ipanema. 
Quando Emma se ergue e me solta, eu faço o mesmo. Vestida só de blusa, eu olho para ela, e ela sorri satisfeita enquanto põem o dildo para dentro da calça e a abotoa. Acabamos de fazer um sexo selvagem, e ela gosta disso. Eu sei. Meu sangue ferve. Estou indignada. Sem conseguir me conter, minha mão me escapa e eu acabo lhe dando uma bofetada ruidosa. 
— Sai daqui — exijo. — É o meu quarto. 
Não fala nada. Apenas me encara. Seus olhos, que há poucos minutos sorriam, agora estão frios. Icewoman voltou e em sua pior versão. Incapaz de permanecer calada diante dela, depois do que acabo de fazer, grito: 
— Quem você pensa que é para entrar no meu quarto? 
Não responde e eu grito de novo: 
— Quem você pensa que é para me tratar desse jeito? Acho... acho que você se enganou comigo. Não sou sua puta... 
— O quê?! 
— O que você ouviu, Emma — insisto, enquanto vejo o desconcerto em seus olhos. — Eu não sou sua puta para que você entre aqui e me coma sempre que te dá vontade. Para isso você tem a Amanda. A maravilhosa senhorita Fisher, que está disposta a continuar fazendo tudo o que você quiser. Quando você pretendia me contar que está ficando com ela? O que está acontecendo? Já estava planejando uma orgia entre nós três sem me consultar? 
Não responde. 
Apenas me encara, e vejo raiva, fogo e desconcerto em seu olhar. 
Sua respiração é ritmada e profunda. Quero que ela vá embora. Quero que suma do meu quarto, antes que a víbora que há dentro de mim acabe ressurgindo e dizendo coisas piores. Mas Emma não se move. Tudo o que faz é me olhar, até que me dá as costas e sai. Quando a porta se fecha, levo minha mão à boca e, sem querer, começo a chorar. 
Dez minutos depois, tomo um banho. 
Preciso tirar o cheiro que está na minha pele. E, quando saio do chuveiro, algo está bem claro para mim. Preciso ir embora daqui. Abro o notebook e reservo uma passagem de volta para Madri. Às onze da noite estou sentada dentro de um avião enquanto repasso mentalmente o bilhete que deixei em cima da cama e que tenho certeza de que Emma lerá.

Senhora Swan: 
Voltarei no domingo à noite para continuar nosso trabalho. Se a senhora resolveu me demitir, por favor me avise para me poupar a viagem. 
Atenciosamente, Regina Mills.



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