História Peça-me o que quiser - Capítulo 9


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Zelena (Bruxa Má do Oeste)
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Palavras 8.110
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Orange, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - Capitulo 9


Na sexta-feira, assim que acordo, olho para o relógio digital na mesinha de cabeceira. São 13h07. Dormi várias horas direto. Como minha irmã não sabe que estou de volta, ela não apareceu aqui em casa e, por alguns segundos, isso me deixa feliz. Não quero dar explicações. Quando saio do quarto, a primeira coisa que procuro é o celular. Está na minha bolsa, e no silencioso. Há duas chamadas perdidas da minha irmã, duas de Robin e doze de Emma. Caramba! Não respondo a nenhuma. Não quero falar com ninguém. Minha raiva toma conta de mim outra vez e eu decido fazer uma limpeza geral. Quando estou de mau humor, faço uma faxina que é uma maravilha. Às três da tarde, minha casa está uma bagunça. 
Roupa de um lado, água sanitária de outro, móveis fora do lugar... mas não estou nem aí. Sou a rainha desta casa e quem manda aqui sou eu. De repente, sinto vontade de passar roupa. Inacreditável, mas é verdade. Pego a tábua, ligo o ferro na tomada e separo várias peças de roupa. Cantarolando a música que toca no rádio, acabo esquecendo o que me atormentava: Emma. 
Passo um vestido, uma saia, duas blusas e, quando estou passando uma camisa polo, meus olhos se detêm numa bolinha vermelha que está no chão. Logo me lembro de Trampo, meu Trampo, e meus olhos se enchem de lágrimas até que solto um grito. Acabo de me queimar com o ferro no antebraço e está doendo à beça. 
Olho nervosa para a queimadura. 
Meu antebraço está vermelho como a camisa da seleção espanhola e consigo até ver o contorno e os furinhos do ferro na minha pele. Está doendo... está doendo... está doendo... Doendo muito! Fico na dúvida entre lavar com água ou botar pasta de dentes, enquanto caminho dando pulinhos pela casa. Sempre ouvi falar desses remédios, mas não sei se funcionam. Por fim, morrendo de dor, decido correr para o hospital
Às sete da noite eu finalmente sou atendida. 
Viva a rapidez dos prontos-socorros! 
Minha dor é tanta que chego a ver estrelas. Uma médica adorável passa com delicadeza um líquido na queimadura e faz um curativo no meu braço. Me receita analgésicos e me manda para casa. 
Com uma dor insuportável e o braço enfaixado, procuro uma farmácia. Como sempre nesses casos, a mais próxima fica a mil quarteirões de onde estou. Após comprar o que preciso, volto para casa. Estou exausta, irritada e cheia de dor. Mas, quando chego ao portão da frente, ouço uma voz atrás de mim. 
— Não vá embora de novo sem me avisar. 
Sua voz me paralisa.
Me irrita mas também me conforta. 
Eu precisava ouvi-la. 
Me viro e vejo que a mulher que me tira dos eixos está a apenas um metro de mim. Sua expressão é séria e, sem saber por quê, levanto o braço e digo, com os olhos cheios de lágrimas: 
— Me queimei com o ferro de passar e está doendo pra caramba. 
Sua cara muda. 
Olha o curativo no meu braço. Depois olha para mim e eu noto que ela perdeu toda a seriedade. Icewoman acaba de ir embora para dar lugar a Emma. A Emma que eu adoro. 
— Meu Deus, pequena, vem cá. 
Chego perto dela e sinto que me abraça com cuidado para não encostar na queimadura. Meu nariz fica impregnado de seu cheiro e me sinto a mulher mais feliz do mundo. Durante alguns minutos, permanecemos nessa posição até que eu me mexo e então ela aproxima sua boca dos meus lábios e me dá um beijo rápido mas doce e carinhoso. 
Nunca me beijou assim, e isso me deixa completamente boba. 
— O que houve? — pergunta. 
Volto a mim e sorrio. 
Me beijou com ternura! 
Entrego as chaves da minha casa para que ela próprio abra.
— A fechadura do portão está quebrada... tem que puxar a porta.
Desvia os olhos de mim e faz o que peço. Depois pega minha mão e subimos juntas o elevador. Ao abrir a porta de casa, vejo que olha ao redor e murmura: 
— Mas... o que aconteceu aqui? 
Sorrio. Sorrio como uma idiota, como uma boba. 
— Limpeza geral — respondo, olhando o caos que nos cerca. — Quando estou de mau humor, isso me relaxa. 
Ela ri baixinho e depois eu ouço a porta se fechar. Quando deixo a bolsa no sofá, me esqueço da dor e me viro para ela. 
— O que você veio fazer aqui? 
— Eu estava preocupada. Você foi embora sem avisar e... 
— Te deixei um bilhete e, o mais importante, em boa companhia.
Emma olha para mim. Sinto seu rosto ficando tenso de novo. 
— Não quero ouvir outra vez esse seu comentário humilhante de que você é minha puta. Porque é claro que você não é, Regina. Pelo amor de Deus! Nunca te vi nem vou te ver dessa forma, ok? — Vou concordando com a cabeça, e ela continua: — Mas, Gina, você ainda não entendeu que sexo pra mim é um jogo e que você é minha peça mais importante? 
— Você disse: sua peça! 
— Quando digo "peça"... quero dizer que você é a mulher que mais me importa neste momento. Sem você, o jogo perde a graça. Que coisa, Regina, pensei que eu já tivesse deixado isso claro. 
Por alguns minutos, ficamos em silêncio. A tensão no ambiente é tão concreta que tenho a sensação de poder cortá-la com uma faca. 
— Olha, Emma, isso não vai funcionar. É melhor sermos só amigas. Acho que, em termos profissionais, podemos trabalhar juntas, mas... 
— Gina, eu nunca menti pra você. 
— Eu sei — admito. — O problema aqui sou eu, não você. É que eu não estou me reconhecendo. Não sou a garota que você manipula como uma peça. Não... me recuso! Não quero. Não quero saber nada sobre seu mundo, seus joguinhos, nem nada disso. Acho... acho que o melhor é cada um voltar pra sua vida e... 
— Tudo bem — diz. 
Sua resposta me paralisa. De repente quero discutir o assunto outra vez. Não quero que ela me leve a sério. Será que estou ficando louca? 
Vejo a dor e a raiva em seus olhos, mas tento manter de pé o que acabo de dizer e me seguro para não abraçá-la. Minha força de vontade desaparece quando estou perto dela, e preciso me manter firme, embora eu mesma me contradiga. Sinto uma pontada no antebraço que me faz contrair o rosto, e dou um pulo.
— Meu Deeeeeus! Que dor! Porra! Poooooorra!
Ela enruga a testa e se levanta. Não sabe o que fazer enquanto eu continuo com minha sinfonia de gritos e palavrões. O braço está me matando. 
— Está doendo muito? 
— Sim. Vou tomar um analgésico senão te juro que vou ter um troço. 
Meu braço lateja e a dor fica insuportável. Ando como uma louca pela sala até que Emma me detém. 
— Senta — ordena. — Vou chamar uma amiga. 
— Quem você vai chamar? 
— Uma amiga minha que é médica, pra ela dar uma olhada no seu braço. 
— Mas já me examinaram no hospital... 
— Mesmo assim. Vou ficar mais tranquila se Jane te olhar. 
Estou com tanta dor que nem consigo falar direito. Vinte minutos mais tarde, o interfone toca. Emma atende e um minuto depois aparece a amiga dela. Cumprimentam-se e a recém-chegada fica observando o estado da casa. Em meio a risadas, Emma cochicha: 
— Regina estava fazendo uma faxina. 
Elas se olham e sorriem. E, nesse momento, irritada com a dor no braço, murmuro: 
— Venham, não façam cerimônia. Se acham que está tudo bagunçado, dou permissão para vocês arrumarem. A escova e o esfregão estão à inteira disposição de vocês.
Minha cara emburrada as faz sorrir. 
Que gracinhas, as duas! 
Por fim, a recém-chegada se aproxima: 
— Oi, Regina, meu nome é Jane Rizzoli. Então, o que houve? 
— Me queimei com o ferro de passar e estou morrendo de dor.
Faz que sim com a cabeça e pega uma tesoura. 
— Me dá o braço. 
Emma senta ao meu lado. 
Sinto sua mão protetora nas minhas costas e isso me reconforta. 
A médica abre o curativo com cuidado. Observo-a por um momento, pega uma espécie de soro e o despeja sobre minha ferida. Um alívio momentâneo me faz suspirar. Depois coloca umas gazes molhadas com esse líquido e fecha o curativo. 
— Dói muito, né? 
Balanço a cabeça concordando. 
Não choro porque estou com vergonha, e ela percebe. Emma também. 
— Vou te dar uma injeção de analgésico. É a melhor forma de acabar com a dor. Esse tipo de ferida é chato mesmo. Mas fique calma, vai passar logo.
Não dou nem um pio. 
Que ela injete em mim o que quiser, desde que acabe com essa dor horrível de uma vez por todas. 
Enquanto ela me dá a injeção, eu a observo. Ela me olha e pisca um dos olhos com cumplicidade. Deve ter uns 30 anos. Alta, morena, tem cabelos longos ondulados e é dona de um sorriso lindo. Quando acaba, fecha sua maleta, tira um cartão e me entrega enquanto nos levantamos. 
— Para qualquer coisa, à hora que for, me ligue. 
Olho para o cartão e leio "Doutora Jane Rizzoli" e um número de celular. 
Balanço a cabeça como uma idiota e enfio o cartão no armário da copa. 
— Tudo bem, pode deixar. 
Nesse momento, Emma passa a mão pela minha cintura numa atitude que me parece possessiva, em seguida põe a mão no ombro de sua amiga e diz: 
— Se ela precisar, eu te ligo.
Jane sorri, Emma me solta e as duas se dirigem à porta. Por alguns minutos, eu as ouço murmurar algo, mas não consigo entender o que é. Quero que a dor vá embora e essa é a única coisa que me interessa agora. 
Me atiro de novo no sofá. A dor do meu braço começa a diminuir e sinto que volto a ser uma pessoa. Emma retorna à sala e fala com alguém pelo celular enquanto olha pela janela. Fecho os olhos. Preciso relaxar. 
Não sei quanto tempo fico nessa posição, até que ouço a campainha. É Tomás, motorista de Emma, que veio entregar várias sacolas. Quando a porta se fecha, Emma olha para mim. 
— Pedi alguma coisa pra gente jantar. Não se mexa, eu me encarrego de tudo. 
Sorrio. Ótimo! Preciso de paparicos. 
Sem me levantar do sofá, ouço Emma se movimentando pela cozinha. Minutos depois, ela aparece com uma bandeja, pratos, talheres e copos. 
— Pedi a Tomás que comprasse comida chinesa. Pelo que eu me lembre, você gosta, né?
— Adoro. — Sorrio. 
— A dor diminuiu? — pergunta com expressão séria. 
— Sim. 
Minha resposta parece deixá-la aliviada. 
Observo Emma colocando na bandeja tudo o que ela trouxe e não consigo parar de olhar. Parece mentira que essa jovem que arruma pratos e copos seja a mesma Icewoman implacável de certas situações. Sua expressão agora está relaxada, e eu gosto disso. Gosto de vê-la e de senti-la assim. 
Quando acaba o que estava fazendo, volta para a cozinha e aparece com a bandeja cheia de caixinhas brancas. Senta-se a meu lado e diz: 
— Como eu não sabia do que você gostava, pedi a Tomás que trouxesse um pouco de tudo: arroz maluco, pão chinês, rolinhos primavera, yakisoba, salada chinesa, carne de vitela com broto de bambu, porco com champignon, lagostim frito, frango ao limão. E, de sobremesa, trufas. Espero que alguma coisa te agrade. 
Surpresa com tudo o que ela descreveu, murmuro: 
— Caramba, Emma. Aqui há comida para um regimento inteiro! Podia ter dito a Jane que ficasse para jantar. 
— Não. 
— Por quê? Ela parece simpática... 
— E é. Mas eu queria ficar a sós com você. Precisamos ter uma conversa séria. 
Solto o ar bufando e sussurro: 
— Mentirosa. Estou dopada e sou presa fácil. 
Em resposta, ela apenas sorri. 
— Come. 
Passo os olhos por todas as embalagens e me sirvo com o que me apetece. Tudo está com uma cara ótima, e o sabor é ainda melhor. O frango ao limão está divino! 
— Onde Tomás comprou isso tudo? É de qual restaurante chinês? 
— Quem preparou foi Xao-li. Um dos cozinheiros do hotel Villa Magna. 
Fico olhando para ela, incrédula. 
— Você está comendo autêntica comida chinesa. Não o que imagino que você coma de vez em quando. 
Concordo com a cabeça, divertida com o que ela acaba de dizer. Ela e sua exclusividade. Emma está de bom humor e isso me deixa alegre. Estar com ela assim, num clima leve, é uma maravilha. Na hora da sobremesa, ela vai até a cozinha, traz umas trufas e coloca diante de mim. 
Pega uma colher, parte um pedaço de trufa e põe na frente da minha boca. 
Sorrio, abro a boca e, depois de fazer um monte de gestos, murmuro: 
— Meu Deeeeeeus! Que delícia! 
Emma sorri e me dá outro pedaço. Eu saboreio, me delicio e me preparo para pedir mais, até que ela se antecipa. 
— Posso provar um pedaço? 
Passa a trufa pelos meus lábios, aproxima-se da minha boca e a lambe com delicadeza por alguns segundos, depois diz, afastando-se de mim: 
— Delicioso. 
Olho para ela. Ela olha para mim e nós sorrimos. 
Essa paquerinha boba é tão sensual que não quero ser sua amiga, quero ser algo mais. E, quando vou me lançar em seus braços, desesperada para que me beije, ela me interrompe: 
— Regi, agora há pouco você disse que... 
— Sei o que eu disse. Esquece.
Emma olha para mim... Pensa... pensa e finalmente continua sem alterar sua expressão: 
— Não diga outra vez que eu te considero minha puta, por favor, Regina. Fico arrasada só de imaginar que você pensa isso de mim. 
— Tá bom. Foi da boca pra fora. Desculpa. 
Seus dedos percorrem meus lábios com delicadeza. 
— Regina... você é especial pra mim, muito especial. — Nos olhamos fixamente durante alguns segundos. Por fim ela muda de tom e continua: — Você não pode ir embora sem me dar uma explicação e sem esperar que eu fique louca de preocupação. Quando for assim, prefiro que você bata na minha porta e diga "Tchau!" a ficar pensando que você está. Combinado? 
— Se eu não fiz isso, foi porque eu não queria te chamar de babaca ou algo pior. 
— Pode chamar, se quiser. 
— Não me dá a ideia — brinco. 
Seus lábios se comprimem. 
— Por favor, não vá embora de novo sem me avisar. 
— Tá booooom...! Mas que fique claro que eu pretendia voltar pra continuar com o trabalho. 
— Não precisa. 
— Não? 
— Não. 
— Por quê? 
— Surgiu um problema. 
— Você me demitiu? Mas se eu nem cheguei a te chamar de babaca! 
Emma sorri e enfia mais uma trufa na minha boca. Para que eu fique quieta, suponho. 
— Cancelei as reuniões da próxima semana e deixei pra mais adiante. Vou voltar pra Alemanha. Tenho algo a resolver lá e não dá pra esperar. 
A trufa e a notícia se reviram no meu estômago. 
Ela vai embora! 
Penso em Amanda. Ela e ela juntas na Alemanha. O espinho do ciúme volta a me espetar. 
— Vai voltar com Amanda? — pergunto, incapaz de manter a boca fechada. 
— Não, acho que ela voltou hoje. E, em relação a Amanda, ela é apenas uma colega de trabalho e uma amiga. Só isso. Hoje de manhã ela me contou sobre a visita que fez ao seu quarto e... 
— Você passou a noite com ela? 
— Não. 
Sua resposta não me convence. 
— Brincou com ela esta noite? 
Recosta-se no sofá e faz que sim com a cabeça. 
— Isso sim. 
Eu a imito. Mas meu humor mudou completamente. 
— Gosto de brincar, não se esqueça disso. E você deveria fazer o mesmo. 
Oh....! Que lindo escutar isso! 
Fico tensa com seu comentário, mas não posso me queixar. Ela sempre foi clara a esse respeito, e eu não tenho como negar. Mas, como sou uma intrometida, insisto em interrogá-la: 
— Foi bom? 
— Teria sido melhor com você. 
— Ah, claaaaaro... 
— Você me leva à loucura e me dá muito prazer. Atualmente, é a mulher que eu mais desejo. Não duvide disso, pequena. 
— Atualmente? 
— Sim, Regina. 
Gosto disso, mas ao mesmo tempo não gosto. Será que estou ficando louca ou sou masoquista e, além disso, uma desequilibrada? 
— Entre todas as mulheres com quem você brinca — pergunto —, há alguma especial? Emma olha para mim.
Entende perfeitamente minha pergunta. Põe a mão na minha coxa e diz: 
— Não. 
— Nunca houve? 
— Houve, sim. 
— E? 
Crava em mim seu olhar intenso. 
— Já não faz parte da minha vida. 
— Por quê? 
— Gina... não quero falar disso... Mas quero, sim, que você saiba que só você conseguiu me fazer pegar um avião e ir desesperada à sua procura. 
— Isso deveria me deixar feliz? — pergunto, sarcástica. 
— Não.
Sua resposta volta a me desconcertar. Que jogo é esse que estamos jogando? 
— Por que não deveria me deixar feliz? 
Emma para e reflete bem antes de responder. 
— Porque não quero te fazer sofrer. 
Aquilo me deixa sem palavras. Não sei o que responder. 
— Talvez seja eu quem esteja fazendo você sofrer — digo, com toda a petulância de que sou capaz.
Olha para mim... eu olho para ela... 
Após um silêncio incômodo, meu celular toca. É Katheryn, minha amiga de Barcelona. Me levanto, atendo o telefone, digo a ela que estou em Madri e que daqui a pouco ligo de volta. Emma não se move. Limita-se a olhar para mim quase sem piscar. Meu braço está melhor. Já não está doendo, então volto ao ataque. 
— Por que você acha que pode me fazer sofrer? 
— Eu não acho... eu sei. 
— Essa resposta não vale. Me diz: por quê? 
Emma me observa em silêncio. Tenho a sensação de que estou prestes a explodir, como uma cafeteira italiana. 
— Você é uma garota ótima que merece alguém melhor. 
— Alguém melhor? 
— Sim. 
Me mexo inquieta. Sei do que ela está falando, mas quero que se expresse com clareza.
— Quando você se refere a alguém, é... 
— Me refiro a alguém que cuide de você e que te trate como você merece. Talvez esse tal de Robin... 
Escutar esse nome me deixa sem palavras. 
— Não coloque Robin nessa história, ok? 
Emma faz que sim com a cabeça. Um silêncio constrangedor volta a se instalar entre nós. 
— Você merece alguém que te diga lindas palavras de amor. 
— Você já faz isso, Emma. 
— Não, Gina, não minto, você sabe que não faço isso. 
Tento relaxar o ambiente, que está ficando pesado. 
— Tá bom... você nunca me disse coisas carinhosas, mas me trata bem e vejo que se preocupa comigo. Por que está dizendo isso tudo? 
— Gina... seja realista — Emma endurece a voz. — A palavra "sexo" te dá alguma pista? Sorrio com amargura. Ela percebe. 
— Sim, claro que me dá pistas — digo, interrompendo o que ela estava a ponto de dizer. — Me indica que foi o sexo que nos uniu. Mas, quando duas pessoas se conhecem e se atraem, a primeira coisa que precisa surgir entre elas é química. E nós duas temos química.
— Com esse tal de Robin também rola química? 
De novo menciona Robin. Isso me incomoda. Me enfurece. Por que não para de falar no Robin? 
— Estou aguardando sua resposta, Gina— insiste, quando vê que eu não respondo. 
— Vem cá, você pode esquecer o Robin de uma vez por todas? Isso é da minha vida particular. Por acaso eu te pergunto sobre sua vida particular? — Ela nega com a cabeça e continuo: — Não entendo a onde você quer chegar, não acho que eu tenha te pedido nada e... 
— Não vou te dar nada que não seja sexo. 
Sua resposta é irrebatível e minha respiração fica entrecortada. Não entendo suas mudanças de humor. Uma hora ela me olha com devoção e logo depois diz que entre nós só haverá sexo.
— Não tem problema, Emma. Sou suficientemente crescida para poder escolher com quem vou pra cama e com quem não vou. 
— Claro, e espero que você faça isso mesmo. Mas eu não te dei opção. 
— Ah, não? 
— Não, Regina. Simplesmente gostei de você e te procurei. É o que sempre faço quando alguém me atrai.
Essa resposta me atinge em cheio. 
— Babaca! — grito enfurecida. — Agora você está se comportando como uma verdadeira babaca. 
Não se move. Não responde. 
Emma se limita a me olhar e a aceitar meus insultos. 
— Gina... pode me xingar se quiser, mas você sabe que é verdade. Fui eu que desde o primeiro dia que te vi provoquei tudo o que houve entre a gente. No arquivo. No restaurante aonde te levei. No quarto do meu hotel, quando fiquei assistindo enquanto outra mulher te possuía. Na casa de swing de Barcelona. Você nunca tinha feito nada disso. Mas eu te levei pro meu mundo. Admite, pequena. 
— Mas Emma... 
— Há pouco tempo você disse que não quer participar das minhas brincadeiras, esqueceu? 
Está certa... de novo ela está certa. 
— Gosto de tudo que faço com você — respondo, perdendo toda a razão que ela disse que tenho. — Seu jogo me atrai e... 
— Eu sei, pequena, eu sei — diz, colocando a mão na minha perna. — Mas isso não me impede de pensar que não sou a mulher que te merece e que talvez outra pessoa te faça mais feliz. — Está claro em quem Emma está pensando, mas desta vez não toca no nome dele. — Olha, pequena, gosto de sexo, gosto de jogos eróticos e pervertidos, e adoro ver uma mulher sentir prazer. Neste momento, essa mulher é você, mas algo me diz que preciso parar, que você não deveria entrar no meu jogo ou...
— Não sou a santa que você supõe. Já tive várias relações e... 
Meu comentário a faz sorrir e ela me interrompe: 
— Gina... para mim você é uma santa, sim. O que você fez nas suas relações anteriores não tem nada a ver com o que quero que você faça comigo. 
Meu estômago se contrai. 
Só de pensar no que ela quer fazer comigo, fico com a boca seca. 
— O que você quer fazer comigo? 
— Tudo, Regina, com você eu quero fazer de tudo. 
— Estamos falando só de sexo?
A pergunta a pega de surpresa. Seus olhos não me enganam. Sei que há algo que guarda para si e preciso saber o que é. 
— Não. E esse é o problema. Não posso permitir que você fique muito envolvida comigo. 
— Mas por quê? 
Não responde. 
Apenas encosta sua testa na minha e fecha os olhos. Não quer olhar para mim. Não quer responder. Sei que está acontecendo com ela o mesmo que comigo. Sente algo mais, mas não quer admitir. 
Permanecemos assim por alguns minutos, até que aproximo minha boca da sua e sussurro: 
— Eu te desejo. 
Emma continua com os olhos fechados.
De repente, parece muito cansada. Não entendo o que está acontecendo com ela. 
— Hoje não, pequena. Um movimento errado e posso acabar machucando seu braço. 
— Mas nem está doendo mais... — explico. 
— Gina... 
— Eu te desejo e quero fazer amor com você. É pedir muito? Daqui a pouco você vai embora e, considerando tudo o que disse, não sei se quando você voltar estaremos juntas de novo.
Minhas palavras a comovem. 
Consigo ver em seu rosto. Finalmente aproxima seus lábios dos meus e me dá um beijo doce e cheio de carinho. 
— Posso ficar com você esta noite? 
Claro. Quero que ela fique sempre. 
Mas suas palavras e em especial seu olhar me soam a despedida e, inexplicavelmente, meus olhos se enchem de lágrimas. Emma as enxuga, mas não diz nada. Depois se levanta e me estende a mão. Eu a pego e vamos juntas até meu quarto. Ali dentro, ela tira a roupa e eu a observo. Emma é linda, forte e sensual. Seu porte é magnífico e muito gostosa, e isso umedece não apenas minha boca.
Quando ela já está nua, pega debaixo do travesseiro meu pijama do Taz, senta na cama e eu me aproximo. Deixo que tire minha roupa. Ela o faz lentamente e com ternura, sem parar de me olhar nos olhos. Quando estou completamente nua, Emma se levanta e me abraça. Me abraça e me aperta com delicadeza contra seu corpo, e eu sinto que, apesar de seu tamanho todo, ela se refugia em mim. 
Estamos nuas. Pele com pele. Pulsação com pulsação. Ela baixa a cabeça à procura da minha boca. Eu a dou. Eu a ofereço. Sou sua sem que ela me peça. 
Seus lábios saborosos encostam nos meus com uma delicadeza que me provoca arrepios, e depois faz aquilo de que tanto gosto. Passa a língua pelo meu lábio superior, em seguida o inferior, e, quando espero o ataque à minha boca, faz algo que me surpreende. Pega minha cabeça com as duas mãos e me beija com suavidade. 
Sua língua molhada passeia com deleite por dentro da minha boca e eu deixo enquanto sinto entre as pernas minha própria umidade. Quando seu beijo doce e pausado está me tirando o fôlego, Emma se separa de mim e senta de novo na cama. Não para de me olhar e, atraída como um ímã, eu monto nela. 
— Pequena... — diz com sua voz rouca. — Cuidado com seu braço. 
Hipnotizada, minha cabeça concorda e sinto as pontas de seus dedos subindo por minha coluna e desenhando círculos em minha pele. Fecho os olhos e desfruto do contato e da delicadeza de seus desenhos. Quando os abro, sua boca procura a minha e me beija com carinho enquanto ela me aperta contra si. De um jeito calmo e pausado, ficamos uns dez minutos trocando mil carícias, até que minha impaciência me faz levantar sobre suas pernas e eu mesma pego uma de suas mãos e a puxo, enfio em mim seus dedos.
Minha carne se abre para receber seus dedos e eu solto um gemido ao sentir sua invasão. Emma fecha os olhos com força e sinto que se contrai para manter o autocontrole. Lentamente movo meus quadris pra frente e pra trás em busca de nosso prazer. Espero um tapa, um forte golpe que me atravesse, mas não. Emma apenas me olha e se deixa levar por meus movimentos como uma onda em calmaria. 
— O que houve? — sussurro inquieta. — O que você tem? 
— Estou cansada, querida.
Sua voz sensual me chamando de "querida", suas palavras e a suavidade nelas, esse carinho todo que está tendo comigo me envolvem. Agora eu estou entendendo! 
Ela está tentando fazer o que lhe pedi. Fazer amor. Nada de tapinhas. Nada de penetrações fortes. Nada de exigências. Mas neste momento, com ela dentro de mim, eu não quero isso. Quero ceder aos seus caprichos, às suas ordens. Quero que seu prazer seja meu prazer. Quero... quero... quero. 
Comovida pelo controle que vejo em seu olhar, me deixo levar pelo prazer, decido aproveitar o que ela está fazendo por mim e convencê-la a mudar de idéia para que me possua como quero que ela faça. Levo sua boca aos meus seios. Emma aceita e os lambe com doçura, com ternura. O calor se apodera de mim, e ao mesmo tempo sinto que Emma deixou o momento por minha conta. Me reviro em busca do meu próprio prazer e consigo alcançá-lo. Respiro ofegante. Me aperto contra ela. Grito e solto um gemido. Seu corpo estremece enquanto o meu vibra enlouquecido porque seu lado bruto e selvagem assume o comando da situação e me penetra com avidez.
Preciso disso!
Desejo isso! 
Quero que minhas vontades sejam as suas, mas Emma se recusa. Não quer entrar no meu jogo e, finalmente, quando o calor inunda meu desejo inflamado, apoio os braços em suas coxas e sou eu que me movo de forma brusca. Estou à procura do meu prazer, louca para encontrá-la. Quando o orgasmo vem, grito e me contorço em cima dela e, então, apenas então, Emma agarra minha cintura com a mão livre. Sinto a tensão de sua mão, ela me aperta uma só vez contra seu corpo e logo se deixa levar em silêncio. Permaneço abraçada a ela alguns minutos.
Não entendo por que se comportou desse jeito. 
— Gina... é disso que eu estava falando. Para eu conseguir ter prazer no sexo, preciso de muito mais. 
Me recuso a olhar para ela. 
Me recuso a soltá-la. 
Não quero que isso acabe e menos ainda perdê-la.
Mas, por fim, Emma se levanta da cama e me arrasta com ela. Pega um lenço de papel da mesinha de cabeceira e me limpa. Depois se limpa. Sem dizer nada, pega o pijama do Taz. Põe o short em mim e depois a blusa de alcinha. Ela veste uma calcinha boxer e permanece sem camisa, fica de top. Apaga a luz e me obriga a deitar ao seu lado. Desta vez me vira e me abraça por trás. Está preocupada em não machucar meu braço. Não falamos nada. Apenas tentamos descansar enquanto ouvimos o som das nossas próprias respirações em nossa despedida.

 

Acordo sobressaltada. 
Olho a hora. São 4h38. 
Estou sozinha na cama. Onde está Emma? 
Me assusto. Não quero que ela tenha ido embora. Levanto com rapidez. Quando chego à sala, está pingando umas gotas nos olhos, enfiando algo na boca e dando um gole num copo d'água. Depois se senta, põe nos ouvidos os fones do meu iPod e fecha os olhos. Eu a observo por alguns minutos e sorrio. Está ouvindo música!
Ao sentir minha presença, abre os olhos e se levanta. 
— Está tudo bem? 
Enquanto seguro lágrimas de felicidade por ver que ela ainda está ali, toco em seu braço e respondo: 
— Sim. É só que, quando não te vi, pensei que você tivesse ido embora. 
Emma sorri. 
— Durmo pouco. Já te falei. 
— Vi que você tomou algo. O que era? 
— Uma aspirina. Estou com dor de cabeça — responde com um sorriso encantador. Satisfeita com sua resposta, ando até a cozinha. Preciso de água. 
Quando abro a geladeira, vejo as trufas e sinto vontade de comer algumas. Bebo a água, ponho duas trufas num prato e volto para a sala. Emma, sentada no sofá, sorri ao me ver. 
— Gulosa
Divertindo-me com seu comentário, lhe devolvo o sorriso e percebo sua expressão cansada. Normal, ela não dorme. Sento a seu lado. 
— Adoro essa música. 
Tiro um dos fones de seu ouvido, aproximo da minha orelha e ouço a voz de Malú. 
— Eu também. A letra me faz lembrar nós duas. 
Ela faz que sim. Pego uma das trufas e começo a mordiscá-la. 
Sorri.
Meu Deus! Adoro vê-la sorrir! 
— Posso provar sua trufa? 
— Claro. 
E, quando vejo que ela vai dar uma mordida na trufa que tenho nas mãos, eu a aproximo da minha boca, a esfrego em meus lábios e murmuro: 
— Já pode provar. 
Sorri de novo. Seu olhar se ilumina e ela obedece sem hesitar. Seus lábios encostam nos meus e, com uma calma e uma meiguice que me deixam a mil, ela os chupa, os lambe e finaliza com um beijo doce.
— Deliciosa... a trufa também. 
Quando diz isso, eu largo o resto da trufa no pratinho que deixei em cima da mesa e me levanto. Tiro o pijama e, só de calcinha, monto sobre ela.
Antes eu tinha três vícios. Coca-Cola, morangos e chocolate. Agora acrescento mais um. Um vício forte, sexy e poderosa chamada Emma. Eu a desejo... desejo e desejo. Não importa a hora, o momento ou o lugar... eu a desejo. 
Surpresa com minha iniciativa, ela tira os fones de ouvido. 
— O que você está fazendo, Gina? 
— O que você acha? 
— Estou com dor de cabeça, pequena... 
Como resposta, eu a beijo. Um beijo caliente, repleto de erotismo e de desejo. 
— Gina... 
— Eu te desejo. 
— Gina, agora não... 
— Emma, agora sim. Te desejo com tuas ordens. Com vontade. Com desejo. Quero que você me coma. Quero que usufrua de mim. Quero tudo o que você quiser e quero agora. Acomoda-se no sofá e, com cuidado, envolve seus braços na minha cintura. Eu olho para ela e percebo que não esperava meu comando e que isso a deixa louca. Meus quadris ganham vida própria e se movem sobre ela. Sua resposta é imediata. Noto em seus olhos a luxúria crescendo e isso me estimula ainda mais.
Uma de suas mãos abandona minha cintura para subir pelas minhas costas até chegar aos meus cabelos. Ela os segura e me puxa para si. Sim... essa é a Emma! 
Meu pescoço fica totalmente exposto à sua boca, e ela o chupa, lambendo com ansiedade, com capricho, e me fazendo suspirar de prazer. 
Sua outra mão abandona minha cintura e chega até meus peitos, que ficam bem diante dela. Seus lábios rosados se dirigem a eles e os chupam, os devoram. Emma morde meus mamilos que ficam duros. Me provoca. 
Solta meu cabelo e eu consigo olhar seu rosto novamente. Suas mãos estão junto aos meus seios e, com sofreguidão, ela os junta e os aperta para enfiar os dois mamilos na boca. 
— Você me deixa louca... 
— E você me deixa mais ainda, apesar de às vezes ser uma babaca. 
Sorri. Me grudo a ela. 
— Regina... seu braço. Cuidado. Vai se machucar. 
Sua preocupação me faz suspirar. Quando vai tomar as rédeas da situação, eu seguro suas mãos e sussurro perto de sua boca: 
— Não... Emma...eu é que mando agora. Esse é seu castigo por não ter cooperado comigo há algumas horas na minha cama. 
— Meu castigo? 
— É. Acho que vou ter que começar a te castigar, como você faz comigo. 
— Nem pense, pequena. 
Seu olhar carregado de erotismo me deixa extasiada.
Por alguns segundos, resiste a permitir que eu controle a situação, que eu a possua, mas afinal noto suas mãos voltando às minhas pernas e, enquanto as desliza por elas, murmura: 
— Tudo bem... mas só hoje.
Decido jogar seu jogo e me deixo levar pela excitação. Pego suas mãos e as retiro das minhas coxas, e ao mesmo tempo ordeno: 
— Está proibida de tocar.
Ela gesticula. Quer protestar e enruga a testa.
Quando vejo que permanece quieta, eu seguro meus peitos e levo à sua boca. Ofereço a ela. Obrigo-a a primeiro chupar um e depois o outro e, quando meus mamilos ficam duros novamente, eu os retiro de sua boca e sorrio. Emma geme. 
— Me dá sua mão — peço. 
Passeio sua mão por minha perna até chegar à parte interna das coxas. Deixo que ela me toque e logo ela enfia um dedo por dentro da minha calcinha. Permito que se dedique ainda mais e, quando ela se anima, eu a obrigo a tirar o dedo e o levo à sua própria boca. 
— Escorregadia e molhada, como você gosta. 
Tenta me segurar de novo pela cintura, mas eu a afasto. 
— Proibido tocar, senhora Swan. 
— Senhorita Mills... modere suas ordens. 
Sorrio, mas ela não. E eu gosto disso. 
Subo minha mão esquerda até seu pescoço, coloco-a entre o sofá e ela e a seguro pelos cabelos com cuidado. Não quero aumentar sua dor de cabeça. Seu pescoço fica totalmente exposto a mim, enquanto sinto meu coração bater entre minhas pernas, e sei, que com ela não é diferente.
— Senhora Swan, não esqueça que agora quem manda sou eu. 
Ponho minha língua para fora e chupo seu pescoço. Me delicio com seu sabor e finalmente acabo em sua boca. Adoro sua boca. Devoro seus lábios e ouço um gemido profundo sair de dentro dele. 
— Adoro seus olhos — murmuro. — São lindos. 
— Eu odeio. 
Seu comentário me faz rir. Emma tem olhos verdes maravilhosos que certamente causam furor por onde quer que ela passe. A cada segundo me sinto mais alterada, de novo coloco meus seios perto da sua boca e, quando ela está prestes a chupá-los, eu os retiro. Sem deixar de olhá-la nos olhos, deslizo entre suas pernas e, com cuidado para não forçar o braço, enfio minha mão dentro de sua calcinha boxer, e meus dedos fazem um caminho perigoso por sua vagina quente.
Ai, meu Deus! É incrível. 
A pulsação poderosa daquela glande molhada e inchada faz minha vagina estremecer de impaciência. E, quando aproximo meus lábios de seu prepúcio rosado e introduzo minha lingua naquela região, sinto que é Emma quem estremece agora. Minha língua, desejosa, passeia por sua vagina e a enche de doces beijos carregados de erotismo e desejo. Brinco de forma carinhosa com seu sexo até que os gemidos de Emma me fazem olhar pra ela. Ela está com a cabeça recostada no sofá e os olhos fechados. Seu rosto está tenso e treme de prazer. Ah, sim... sim! De repente, noto suas mãos em minha cabeça e digo alto para que me escute: 
— Imagine que estamos no clube de swing e alguém nos olha e você permite que essa pessoa me toque enquanto você me chupa. Gosta disso? 
— Siiiiim... — consegue dizer enquanto enfia seus dedos nos meus cabelos. 
Sinto seu quadril se mover, e abre mais as pernas para se acomodar ainda mais em minha boca. Isso me dá forças para continuar enquanto eu vejo que ela toda se contrai de prazer. Com delicadeza, dou mordidinhas ao redor de seus grandes lábios e me detenho em seu clitóris inchado. Minha língua desliza por ele, fazendo Emma se mover e respirar ofegante, principalmente quando eu o seguro com meus lábios e o puxo. 
Como se fosse um sorvete, eu a chupo e me delicio. Me lembro da trufa que está sobre a mesa e sorrio. Pego um pouco com meu dedo, passo em sua vagina enquanto me divirto e murmuro que na próxima vez será ela que passará essa trufa no meu clitóris para que outras mulheres me chupem. Emma respira ofegante, morrendo de prazer. 
Com a outra mão, agarro seus seios por baixo da camisa e os massageio. Emma tem um espasmo, depois outro, e sorrio ao ouvi-la suspirar. 
Sedenta por sua vagina, volto a ela. Abocanho com delicadeza seu clitóris, está tão grande e inchado e é tão apetitoso, que não consigo parar...então decido subir e descer minha língua por ele enquanto o sabor da trufa me faz aproveitar ainda mais. O que eu faço e digo a deixa louca, então repito minhas palavras algumas vezes até que seus gemidos ficam mais contínuos e fortes. Seus quadris me acompanham, seus dedos em meu cabelo ficam tensos e ela goza, quente e firme em minha boca.
A sensação me embriaga. Ela é deliciosa! Estou possuindo Emma com minha boca e gosto de tê-la em minhas mãos e em meu poder. Ponho uma das mãos em seu abdômen definido e cravo as unhas nele. Isso a faz respirar ofegante enquanto seus quadris não param de se mover. Acoplo minha mão em sua lubrificada vagina e começo a masturbá-la com movimentos potentes, do jeito que ela gosta, enquanto fantasio sobre o que outra pessoa estaria fazendo comigo. 
O corpo de Emma se contrai uma e outra vez, mas ela se nega a deixar-se levar. 
— Sobe em mim, Regina. Por favor. 
Sua voz suplicante e meu desejo por ela me levam a lhe obedecer. Monto sobre Emma, e ela me arreganha as perna e sem serimônia, me penetra com seus longos e firmes dedos. Estou molhada e escorregadia. Ela me puxa mais para cima dela, se encaixando totalmente em mim e nós duas gritamos. 
— Nossa, pequena, fico louca com o que você diz. 
Disposta a tudo, eu olho para ela. 
— É isso que eu quero... Participar do seu jogo e fazer tudo o que você quiser, porque seu prazer é meu prazer e eu quero experimentar tudo com você.
— Gina... — diz, ofegando. 
— Tudo... Emma... tudo. 
Sinto-a abrindo caminho dentro de mim. Enlouquecida, me seguro em seus ombros enquanto ela me agarra impaciente pelo pescoço e me faz subir e descer em seus dedos para que se encaixe em mim uma vez depois da outra, ao mesmo tempo que me olha e me devora ávida. 
Seus dedos entram e saem de mim com desespero, enquanto minha vagina se contrai e os suga. Mexo os quadris freneticamente e estremeço enquanto Emma, com movimentos fortes e devastadores, continua me le​vando ao clímax. 
Meus seios pulam diante dela e, quando sua boca agarra um mamilo e o morde ao mesmo tempo que ela me penetra, um orgasmo avassalador invade meu corpo. Enquanto isso, ela me come com força até que não consigo mais segurar e eu a escuto sussurrar meu nome entre grunhidos e gemidos. Quando tudo acaba e eu fico em cima dela, extasiada e suada, me dou conta de uma grande verdade. Estou completamente entregue a Emma e apaixonada por ela.

Depois de um maravilhoso sábado juntas, na madrugada de domingo eu acordo por volta das seis da manhã e ouço uns barulhos estranhos no banheiro. Levanto e me surpreendo ao ver Emma vomitando. Quando nota minha presença, me pede irritada que eu saia e que a espere do lado de fora. Obedeço e, assim que ela finalmente sai, com expressão de dor, se atira no sofá e fecha os olhos. 
— O que houve? 
— Alguma coisa que comi ontem à noite. 
— Quer um chá de camomila para acalmar o estômago? 
Emma, com os olhos fechados, recusa com um gesto e murmura: 
— Por favor... apaga a luz e volta a dormir. 
— Mas... 
— Gina — sussurra, irritada. 
— Mas como você é resmungona, nossa! — insisto. 
— Tá bom... sou resmungona. Agora, por favor, faz o que te pedi. 
Sem dizer mais nada, desapareço e me deito na cama. Não quero dar muita importância a isso. Me esforço para entender que, se ela está mal, o que ela menos quer é que eu fique ao seu lado fazendo perguntas. Adormeço de novo e só acordo por volta das dez. Assim que abro os olhos, vejo Emma ao meu lado. Sorri e está com uma aparência boa. 
— Bom dia. 
— Bom dia... está melhor? 
— Estou ótima. Como eu te disse, alguma coisa que eu comi deve ter caído mal. — Quando vou responder, ela acrescenta: — Olha o que preparei pra você. A meus pés há uma bandeja com o café da manhã. E, sobre ela, uma flor de papel. Como uma boba, eu a pego e sorrio. Ela me beija e murmura: 
— Me dá um lugar na cama. Depois tomamos o café. O que acha? 
— Ótimo. 
Por volta do meio-dia, após fazermos amor, eu a vejo tão bem, tão recuperada, que lhe sugiro mostrar o mercado popular Rastro de Madri. Eu a levo até o metrô, um lugar em que Emma nunca esteve. 
— Por fim sou a primeira em alguma coisa — digo, fazendo-a rir. — A primeira a te levar ao metrô de Madri. 
Quando descemos na estação de La Latina, sua surpresa é enorme. Ver tanta gente de todo tipo a deixa atordoada. 
Insiste em me comprar uns colares de prata que eu fiquei olhando numa barraca. Para mim, quarenta euros é caríssimo. Para ela, é uma bagatela. Acabo aceitando. Mas, em troca, em outro lugar eu lhe compro uma camiseta de Madri com a frase "O melhor de Madri... você". Tento convencê-la a vestir a camiseta que lhe dei de presente. Ela cede e fica linda com a roupa nova.
Tiramos fotos com meu celular e eu as guardo como meu maior tesouro. Animadas, passeamos de mãos dadas como um casal comum, até que, ao chegar em frente a uma barraca de luminárias hippies, ela quer comprar duas para levar à Alemanha e se lembrar de sua visita ao mercado. Pede que eu escolha e eu escolho duas de cor lilás. Depois de pagar, confessa que uma delas é para mim. Fico emocionada. Cada uma de nós terá uma dessas luminárias em sua própria casa e, sempre que olharmos para ela, nos lembraremos uma da outra. 
Sugiro alguns restaurantes, mas ela prefere algo mais íntimo. Por fim, compro uns sanduíches e nos sentamos na grama para comer, enquanto rimos e revemos as lindas luminárias. 
— São maravilhosas. Adorei! 
— Sim. São muito bonitas. 
Emma sorri. 
— Você trouxe batom na bolsa? 
Ao escutar isso, olho para ela e enrugo a testa. 
— De que tipo de batom você está falando? Gostaria de te lembrar que estamos num parque e eu não quero parar na cadeia por atentado ao pudor. 
Sua gargalhada me anima e ela responde me dando um beijo impulsivo na ponta do nariz.
— Não me refiro a isso que você está pensando, safadinha. Me refiro a um batom comum, entende? 
Abro a bolsa. Tiro uma pequena nécessaire e, satisfeita, mostro a ela. 
— Passe o batom nos lábios — pede. 
Surpresa, começo a fazer o que ela sugere, mas paro no meio. 
— Pra quê? 
— Faz o que estou pedindo. 
— Não. Primeiro quero saber pra quê.
Ela dá de ombros e suspira. 
— Quero que seus lábios fiquem marcados na cúpula da minha luminária, junto com seu nome. 
— Uau! Adorei a idéia! Mas então quero a mesma coisa na minha. 
— Quer que eu passe batom? 
— Quero — respondo, rindo. 
— Nem pensar! 
— Que bobagem, Emma — protesto. 
— Eu também quero seus lábios na minha luminária junto com seu nome.
Por alguns minutos brincamos uma com a outra. Rimos. Mas terminamos nós duas passando batom e deixando nossas marcas nas luminárias. Limpamos nossas bocas com um lenço de papel e Emma me entrega uma caneta. Sob a marca dos meus lábios eu escrevo "Regina", e sob a dos seus, "Emma". 
— Agora ficou mais bonita — diz, rindo. — Seus lábios dão mais valor à luminária e, sempre que eu olhar pra ela na Alemanha, vou me lembrar de você. 
Seu comentário me deixa triste. Ela voltará à Alemanha em seu jatinho particular e se afastará de mim. Já estou sentindo saudades, e ela ainda nem foi embora. 
Quando termino o sanduíche, me deito na grama e ela faz o mesmo. 
— Você vai voltar, né? — pergunto, incapaz de ficar quieta.
Como sempre, ela pensa antes de responder. 
— Claro que sim, pequena. Parte da minha empresa está na Espanha. 
Respiro aliviada. 
— O que é isso de tão importante que te faz interromper a viagem? — continuo perguntando.
Não responde. Apenas me olha. 
— É uma mulher — digo. — Não é? 
— Não. 
— Então é o quê? 
— Tenho obrigações que não posso deixar de cumprir e vou voltar. 
Sua resposta é tão fria que decido me calar. 
Estou passando dos limites! 
Observo as copas das árvores. Está ventando e eu adoro vê-las se movendo. Isso me relaxa. Emma põe sua cabeça no meu campo de visão e me beija. 
— Gina... — começa a dizer, enquanto se afasta de mim. 
— Tudo bem. Eu passei da conta. Sou muito curiosa. 
— Gina... 
— Tá bom... já entendi. Quem sou eu pra te fazer essas perguntas? 
— Gina, me ouve, por favor. 
Seu tom de voz faz com que eu olhe para ela. 
— Promete que vai continuar com sua vida exatamente como era antes de eu aparecer. 
Faço menção de responder, mas ela põe a mão na minha boca para continuar: 
— Quero que me prometa que sairá com seus amigos e que vai ficar bem. Inclusive que vai voltar a ficar com aquele cara com quem se enfiou no banheiro do bar e com aquele tal de Robin, de Jerez. Quero que o que houve entre a gente fique na lembrança como algo que aconteceu e nada mais. Não quero que você dê tanta importância a isso e... 
— Vamos lá. — Tiro bruscamente sua mão da minha boca. — Por que isso tudo agora? 
— Estou retomando a conversa que tivemos na sua casa.
Ao me lembrar disso, fico indignada. Tento me levantar do chão, mas ela monta sobre mim, segura meus braços por cima da minha cabeça e me imobiliza. 
— Preciso que você prometa o que eu pedi. 
— Mas, Emma, eu... 
— Promete! 
Não entendo o que está havendo. Não entendo por que ela quer que eu prometa o que ela pede. Mas a determinação em seus olhos me faz dizer: 
— Tá bom, eu prometo. 
Sua expressão se descontrai, ela desce até minha boca e tenta me beijar. Eu viro o rosto. 
— Você acabou de me desviar a cara, senhorita Mills? 
— Sim. 
— Por quê? 
— Simplesmente porque não quero te beijar. 
Divertida, ela comprime os lábios. 
— Neste momento você me acha uma babaca? 
— Acho. Um completa babaca, senhora Swan. 
Emma me solta e se deita ao meu lado. Contemplamos as copas das árvores e não trocamos nenhuma palavra. Minutos depois, ela pega minha mão, a aperta e eu aceito. Uma hora mais tarde, seu celular toca. É Tomás. Nos espera na saída do Parque do Retiro que fica em frente à Puerta de Alcalá. Em silêncio, de mãos dadas, caminhamos até o carro. Ao nos avistar, Tomás abre a porta do automóvel e entramos. Já do lado de dentro, noto o olhar pensativo de Emma. Quero saber o que está pensando. Mas não vou perguntar. E, quando chegamos à minha casa, ela tira minha luminária da bolsa, me entrega e me dá um beijo suave nos lábios, ao mesmo tempo que afasta o cabelo do meu rosto.
— Sempre que eu olhar pra ela, vou me lembrar de você — murmura. 
Não consigo falar. Isso é uma despedida. Se eu falar, vou chorar, e não quero que ela me veja chorando. Por fim sorrio, ela fecha a porta e vai embora.



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