1. Spirit Fanfics >
  2. Peça-me o que Quiser >
  3. Capítulo 3

História Peça-me o que Quiser - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Boa leitura :)))

Capítulo 3 - Capítulo 3


 

Chego em casa às sete e meia. Largo minha bolsa em cima do sofá, vou até a cozinha, pego o remédio de Trampo, abro sua boquinha e lhe dou umas gotas. O coitadinho nem se perturba mais.

            Após dar sua gota diária de carinho, abro a geladeira para pegar uma Coca-Cola. Sou uma louca viciada por Coca. Sem pensar em mais nada, vejo a pilha de roupas para passar que estão em cima da cadeira. Embora viver sozinha e ser independente têm lá suas vantagens, se eu estivesse morando com meu pai essa roupa toda com certeza estaria passadinha e pendurada no armário.

            Depois de terminar a lata de Coca, corro para o banheiro, estou precisando de um tempo para me relaxar, já que também hoje foi um dia corrido e bem louco. Tiro a roupa enquanto cantarolo All the Pretty Girls de Kaleo.

All the pretty girls like Samuel

Oh, he really doesn`t share

Though it`s more than he can handle

Life is anything but fair

Life is anything but fair

            Enquanto tomo meu delicioso banho, escuto meu celular tocar. Deixo tocar. Não quero interromper o único momento de relaxamento. Mas no sexto toque eu não me agüento. Perco a paciência. Saio do meu banho, pego a toalha e corro para meu quarto para atender.

- por que demorou para atender?

É minha irmã. Como sempre, na hora errada e fazendo mil perguntas.

- Eu estava no banho, Mônica. Algum problema?

Sua risadinha me faz rir também.

- Como está o Trampo?

Dou de ombros e suspiro.

- Igual a ontem.  Se nenhuma novidade.

- Maninha, você tem que estar preparada. Lembra o que o veterinário disse.

- Eu sei, eu sei.

- O Roberto Enríquez te ligou? – me pergunta após um breve silêncio.

- Não.

- E você vai ligar pra ele?

- Não!

Minha irmã não se contenta com minha resposta e insiste:

- Raquel, esse cara é ideal para você. Tem um trabalho estável, é bem bonitinho e...

- Então fica você com ele.

- Raquel!

Roberto é um grande amigo. Nós dois somos de Jerez. Nossos pais são muitos amigos que moram nessa cidade linda. Eu e Roberto se conhecemos desde pequenos. Na nossa adolescência começamos um rolo que seguiu quando já éramos adultos. Ele mora em Toronto e eu em Madri. É inspetor de polícia , e nos vemos nas férias de verão quando nós vamos para Jerez.

É um homem com um ótimo humor, me faz rir muito e aproveito cada momento com ele perto. O problema é que eu não estou afim dele, mas ele de mim sim.  Gosto dele. É meu casinho de verão e as vezes transamos quando nos vemos. Nada, além disso. Não quero mais nada, embora vez ou outra minha irmã, meu pai e todos os nossos amigos de Jerez se empenhem fazer a gente ficar juntos.

- Escuta Raquel, não seja besta poxa. Liga pra ele. Disse que iria te ver antes de ir a Jerez e com certeza vai fazer isso e querer te comer, então te prepara maninha.

- Ai, Mônica, como você é chata, hein?

Minha Irmã sempre faz a mesma coisa: me enche o saco e, quando percebe que vou falar alguma coisa besteira, muda de assunto.

- Quer vir jantar aqui?

- Não, tenho um encontro.

Ouço-a bufar.

- E posso saber com quem? – pergunta.

- Com um amigo – minto. Do jeito que ela é puritana, se eu disser que é com o meu chefe ela vai desmaiar. – E, agora, irmãzinha, chega de perguntas.

- Ta bom, você sabe o que faz. Mas continuo achando que está enrolando o pobre Roberto e ele vai acabar se cansando de você. Espera só!

- Mônica!

- Ta bom, ta bom, maninha, não digo mais nada. Aliás, hoje voltei a receber flores do José. O que você acha disso?

- Caralho, Mônica, o que você quer que eu ache? – respondo irritada. – É um gesto carinhoso da parte dele.

- Sim. Mas ele nunca tinha me dado dois buquês de flores num intervalo de três semanas. Aí tem. Alguma merda ta rolando, eu sei. Eu o conheço e sei que ele não é tão gentil assim.

Olho o relógio digital sobre a mesinha: são oito e cinco. Mas, disposta a agüentar as paranóias da minha irmã, levo o telefone pro banheiro, deixo-a esperando na linha e enrolo o cabelo numa toalha.

- Vamos lá, o que houve?

            Como já está virando rotina, Monica me conta a última briga com o marido. Estão casados há 10 anos, e a vida deles deixou de ser emocionante quando nasceu Cynthia, minha sobrinha. Suas contínuas crises conjugais são o assunto preferido dela, mas me cansam.

- A gente já não sai juntos. Não anda de mãos dadas. Ele nunca me convida para jantar. E, agora, do nada me manda dois buquês d flores. Não acha que ele está se sentindo culpado por alguma coisa?

             Minha cabeça quer gritar: Sim! Acho que seu marido está te traindo!. Mas minha irmã é uma sofredora nata, então respondo rapidamente:

- Não acho. Talvez ele tenha visto as flores e se lembrou de você. Qual é o problema?

            Após meia hora de papo com ela, finalmente consigo desligar o telefone sem falar do meu estranho encontro com o senhor Marquina. Gostaria de contar a ela, mas minha irmã logo me diria: Você está louca? É seu chefe?

            Às 20h40, fico histérica ao revirar meu armário.

            Não sei o que vestir.

            Quero estar linda como ele me pediu, mas a questão é que minhas roupas são bem básicas e funcionais. Acabo escolhendo um vestido vermelho que ter um corte bonito e se ajuda às minhas curvas, e resolvo estrear um par bem provocante de sapatos altos.

             Volto a consultar o relógio, nervosa. Já são dez para as nove.

            Sem tempo a perder , ligo o secador e seco meu cabelo mecha por mecha. Para meu espanto, o resultado me agrada muito. Como nhão sou de me maquiar muito, passo delineador, rímel e batom. Odeio usar maquiagem; isso eu deixo para minha chefe.

            Toca o interfone. Olho as horas. Nove em ponto. Desgraçado. bem pontual ele. Atendo nervosa e, antes de abrir a boca, ouço uma voz:

- Senhorita Murillo, estou esperando aqui embaixo. Desça.

            Após balbuciar um tímido: ¨estou indo, desligo. Em seguida pego minha bolsa e me despeço de Trampo. Minutos depois, ao passar pela a portaria, vejo-o apoiado num impressionante BMW de cor preta. Porém o mais impressionante é ele próprio, em seu terno escuro. Ao meu ver, Marquina vem e me dá um beijo na minha bochecha. Hummm educado ele!

- A senhorita está muito bonita – me observa.

            Fico quieta. Estou nervosa pra cacete.

            Ele abre a porta de trás do carro, e eu me surpreendo ao ver que temos um motorista.

            Uiiiiii que luxo, hein?

            Eu o cumprimento. Ele retribui.

            - Tomás, tenho uma reserva no Moroccio – diz Marquina assim que entra no carro.

            Dito isso, aperta um botão e um vidro opaco se interpõe entre nós e o motorista.

            Olha para mim e eu não sei o que dizer. Minhas mãos suam e eu sinto que meu coração vai pular do meu peito. Já percebi que vai ser uma noite e tanto. Não consigo ficar calma só agora, quem dirá até o final.

            - Está tudo bem?

            - Sim.

            - Então por que está tão calada?

            Olho para ele e encolho os ombros sem saber o que responder.

            - Nunca tive um encontro como este, senhor Marquina – consigo dizer – Em geral, quando saio para jantar com um homem eu..

            Sem me deixar terminar a frase, me encara com seus penetrantes olhos escuros.

            - Sai para jantar com muitos homens?

            Aquela pergunta me surpreende. Por acaso esse cara se acha o último macho do planeta? Respiro fundo e me contenho para não responder com alguma grosseria.

            - Sempre que tenho vontade – esclareço.

            Levanto o queixo com orgulho e, quando penso que não vou dizer mais nada, eu solto:

            - O que eu não entendo é o que caralhos faço aqui, em seu carro, com o senhor e indo jantar. Isso é algo que ainda não consigo entender.

            Ele não responde. Apenas fica me olhando. Me olha... me olha... me olha e me deixa perturbada com seu olhar.

            - O senhor vai falar alguma coisa ou pretende passar todo o tempo me olhando? Agora foi o gato que comeu a sua língua?

            - Olhar a senhorita é muito agradável.

            Xingo e suspiro. Em que furada eu fui me meter meu Deeeeeus?! Mas, como não consigo ficar quieta , pergunto:

            - Qual o motivo desse jantar?

            - Sua companhia me agrada.

            - E por que perguntou se saio com muitos homens?

            - Só por curiosidade.

            - Curiosidade? – repito, coçando o pescoço, desconfiada – Por acaso um homem como o senhor leva uma vida solitária?

            - Não, senhorita.

            - Fico feliz em saber, porque eu também não.

            - Pare de coçar o pescoço, senhorita Murillo ´ele susurra, curvandoos lábios – As brotoejas...

            - Cansada de tanta formalidade e levando em conta tudo o que já foi dito , eu protesto. Vamos parar com isso de uma vez!

            - Por favor... pode me chamar de Raquel ou Kel. Deixamos a formalidade para outro horário do expediente . tudo bem, o senhor é meu chefe e eu lhe devo respeito, mas incomoda jantar com alguém que fica me chamando pelo meu sobrenome.

            Ele faz que sim. Parece ter ficado satisfeito com minhas palavras. Seus lábios me lançam um sorriso, e seu rosto se aproxima do meu.

            - Acho ótimo, desde que a senhorita me chame de Sérgio – sussurra – É desagradável e muito impessoal jantar com uma mulher que se dirige a mim pelo meu sobrenome.

            Após suspirar novamente, aceito e lhe estendo a mão.

            - Combinado, Sérgio, prazer em te conhecer.

            Ele pega a minha mão e, para minha surpresa, dá um beijo nela.

            - Digo o mesmo, Kel – acrescenta numa voz dócil.

            Neste instante, o carro para e, já do lado de fora, Tomás abre a porta para nós. O senhor Marquina... digo, Sérgio desde e me oferece sua mão para sair. Quando já estamos os dois na rua, o motorista entra de novo no BMW e vai embora. Então Sérgio me segura pela cintura e eu leio um letreiro que diz: Moroccio.

            Entrar naquele restaurante bonito e iluminado me deixa de bom humor. Sempre quis ir ali. Além disso, estou faminta; quase não comi nada na hora do almoço e estou com uma fome absurda. Ao entrarmos, observo as mesas do lugar e, em especial, os pratos que os garçons servem. Meu Deus, esses pratos estão com uma cara maravilhosa! Ao avistar Sérgio, o maitre sorri e se dirige a nós.

            - Acompanha-me – Ele diz após nos cumprimentar.

            Sérgio me segura pela mão e eu me deixo levar. Vejo algumas mulheres olhando para ele, o que me enche de orgulho por ser eu quem está a seu lado, e não elas. Ao atravessar o salão onde as pessoas estão jantando, chegamos a um espaço reservado com divisórias em tecido de cetim dourado. Não consigo esconder a surpresa e, quando o maitre abre uma dessas cortinas e nos convida a entrar, quase pulo de felicidade.

            É um lugar super luxuoso e iluminado por velas. Num canto há uma poltrona que parece confortável e, no centro, uma mesa redonda e arrumada para dois. Sérgio sorri do meu espanto, e percebo que ele dirige um olhar ao maitre para nos deixar a sós. Chega perto de mim e, num gesto de cavalheirismo, puxa uma das cadeiras para eu me sentar.

            - Gostou?

            - Gostei...!

             Enquanto me acomodo na cadeira, ele dá a volta na mesa e senta na minha frente.

            - Nunca jantou aqui?

            - Tenho cara de milionária? Já passei várias vezes pela porta, mas nunca tinha entrado. Só de olhar do lado de fora, já dá pra saber que os preços são proibitivos para uma assalariada modesta como eu.

            Em resposta ao que digo, Sérgio torce o nariz e estende sua mão sobre a mesa até alcançar a minha. Começa a acariciar meu pulso, desenhando com o dedo suaves movimentos circulares.

            - Para você, poucas coisas são proibitivas – murmura.

            - Mais do que você imagina.

            - Duvido, pequena. Tenho certeza de que é você quem impõe os limites.

            Seu olhar, sua voz rouca e seu jeito de me chamar de pequena me cativam. Meu corpo inteiro fica arrepiado. Ele. O senhor Marquina, o chefão, meu chefe, me fascina a cada segundo que passa.

            Aperta um botão verde que fica na lateral da mesa e, após alguns segundos, aparece um garçom com uma garrafa de vinho. Enquanto serve a bebida, leio no rótulo: Flor de Pingus. Ribera Del Duero. Cara, eu tenho que confessar, eu detesto vinho! E eu estou quase implorando ao céus para poder beber uma CoX=Ca-Cola bem geladinha do jeito que eu gosto. Sérgio pega a taça que o garçom serviu, chacoalha um pouco, aproxima do nariz e toma um pequeno gole.

            - Excelente.

            O garçom enche o restante da taça e depois dá a volta na mesa e me serve também. E agora? Fodeu.  Instantes depois, ele se retira, nos deixando a sós.

            - Prove o vinha, Kel. É maravilhoso.

            -Pego a taça e faço cara de séria. Mas, quando vou levá-la à minha boca, sinto a mão dele sobre a minha.

            - O que houve?

            - Nada.

            Sérgio inclina a cabeça.

            - Raquel, eu te conheço pouco, mas já estou vendo as brotoejas aparecendo no seu pescoço – diz, surpreendendo-me – Você mesma me disse sobre isso. O que passa?

            Sem conseguir me conter , abro um sorriso. Esse senhor Marquina não perde uma.

            - Quer saber a verdade?

            - Sempre – insiste.

            - Não gosto de vinho e estou morrendo de vontade de tomar uma Coca geladinha.

            Chocado e irônico, olha para mim como se eu tivesse dito que os Teletubbies são meu seriado favorito e o Bob Esponja meu namorado.

            -Você vai gostar desse vinho cor de rubi escuro – murmura com uma voz rouca porém gentil. – Faça isso por mim e prove. Se não gostar, é claro que eu peço uma Coca pra você.

            Se dizer nada, eu todo um gole depressa.

            - Que tal? – pergunta sem tirar de mim seus olhos penetrantes.

            - Uma delícia. Melhor do que eu imaginava. De verdade.

            - Quer que eu peça a Coca?

            Sorrio e digo que não com a cabeça. Instantes depois, a cortina se abre de novo e surgem dois garçons com vários pratos. Já babando pela a comida sem ao menos chegar em nossa mesa.

            - Tomei a liberdade de fazer o pedido para nós dois. Tudo bem?

            - Faço que sim. Não me resta alternativa. E pouco depois saboreio um delicioso coquetel de camarões, uma sofisticada pasta de berinjela e, em seguida, um ótimo salmão ao molho de laranja. Enquanto isso, nós dois conversamos. Sérgio Marquina se tornou de repente um homem com grande senso de humor, e isso me atrai muito.

            Então me dou conta de que uma luz alaranjada se acende no canto direito da sala.

            - O que é isso?

             Sem precisar olhar, Sérgio sabe a que me refiro.

            - Talvez depois da sobremesa eu te mostre.

            Isso me faz rir e eu tomo um gole de vinho que, por sinal, acho cada vez mais saboroso.

            - Por que só depois da sobremesa?

            Minha pergunta parece diverti-lo. Ele me encara e se recosta em sua cadeira.

            - Por que primeiro eu quero jantar.

            Não pergunto mais e, quando termino o salmão, os garçons  entram para recolher os pratos. Segundos depois, entra outro garçom e deixa à minha frente uma fatia de torta de chocolate acompanhada de uma bola cor-de-rosa.

            - Hummmm, que delícia – E, ao ver que não lhe servem, pergunto: - Você não vai comer a sobremesa?

            Não me responde . limita-se a levantar, pegar sua cadeira e se acomodar a meu lado. Já consegui ficar toda nervosa. É tão sexy que é impossível não pensar em mil safadezas nesse momento. Pega a colherzinha, parte um pedaço da torta, coloca um pouco de sorvete e diz:

            - Abre a boca.

            Pisco os olhos, surpresa.

            - Quê?

            Não repete o que disse. Me aponta a colher e, automaticamente, abro a boca. Me sinto extasiada. Enfim a colher devagar na minha boca e eu logo fecho os lábios. Me olha. Fico excitada e sorrio com timidez. Após engolir essa iguaria, tento dizer alguma coisa, mas ele interrompe:

            - Esta gostoso?

            Com meu paladar ainda adocicado pelo chocolate e o sorvete de morango, faço que sim com a cabeça. Ele chega mais perto:

            - Posso provar?

            Digo que sim, e minha surpresa é enorme quando o que ele prova na verdade são meus lábios. Minha boca. Encosta seus lábios suculentos nos meus e os saboreia. Como fez de manhã no arquivo. Quando sinto sua mão sobre meu joelho, minha respiração se acelera, mas eu não me mexo. Quero mais. Lentamente ele vai subindo com a mão até chegar à parte interna das minhas coxas, e fica massageando. Sua mão sobe até minha calcinha e eu sinto seu dedo ali. Mas, de repente, ele se afasta de mim e volta à sua posição na cadeira.

            Minhas brotoejas estão pegando fogo. Ardem, assim como meu corpo inteiro está ardendo. Aquele contato íntimo me deixou a mil. O que está havendo comigo?  Um beijo e um simples roçar de sua mão quase me levaram ao orgasmo, e isso acelera pulsações. Sérgio me observa. Vejo seus olhos ardendo de desejo.

            - Eu tiraria sua roupa todinha aqui mesmo – murmura.

            Tenho certeza que se eu me levantasse agorinha, não sentiria minhas pernas. Estou tremendo. Meu Deus! Vou ter um troço!

            Quero mais e desta vez sou eu que começo a beijá-lo. Ele aceita mues lábios mas, quando vou agarrá-lo pelo pescoço, segura minhas mãos e se afasta um pouco de mim.

            - Até onde está disposta a ir? – pergunta, bem perto dos meus lábios. Essa frase me tira dos eixos. Ele está se referindo a quê? Mas o desejo que sinto por ele agora é tão forte e tão safado que respondo completamente enfeitiçada:

            - Até onde a gente for.

            - Tem certeza?

            - Bem, murmuro, extasiada. – só não aceito sado.

            Sérgio sorri. Passa as mãos por baixo das minhas pernas e por minha cintura e me senta sobre seu colo. Vou explodir. Estou no colo do meu chefe! Esfrega seu nariz no meu pescoço e eu ouço aspirar meu cheiro. Meu perfume. Fecho os olhos e, quando os abro, vejo que está me olhando.

            - Quer mesmo saber o que significa essa luz laranja?

            Descolo meu olhar em direção à luz, que continua acesa, e faço que sim com a cabeça. Sérgio mexe a mão e aperta um dos botões que ficam na lateral da mesa. As cortinas de cetim que estão sob a luz laranja se abrem e um vidro escuro aparece. O que é isso? Sérgio me observa. Instantes depois, o vidro se ilumina e vejo com toda a nitidez duas mulheres em cima de uma mesa fazendo sexo oral.

Alucinada, desconcertada e incrédula, assisto ao espetáculo que aquelas desconhecidas nos oferecem quando, de repente, Sérgio aperta outro botão e os gemidos das mulheres

ecoam em nosso ambiente privativo. Não sei o que fazer. Nem sei para onde olhar.

            - Está preparada para isso? – me pergunta.

            Minha pele arde enquanto sinto seus dedos fortes acariciando minha cintura. Eu o encaro, confusa.

            - Por que estamos vendo isso?

            - Gosto de assistir. Isso não te excita?

             Não respondo. Não consigo. Não tem como. Estou paralisada que nem mesmo sei se continuo respirando.

            -Todo mundo tem seu lado voyeur. Ver algo supostamente proibido, bizarro ou excitante nos atrai, nos estimula e nos faz querer mais.

            Volto a dirigir meu olhar ao vidro enquanto a respiração das duas mulheres ressoa pela sala, e então vejo Sérgio apertando outro botão e as cortinas do lado esquerdo se abrindo. Ali havia uma luz verde. Segundos depois, o vidro se ilumina e vejo dois homens e uma mulher. Ela está deitada num divã. Um homem a penetra e o outro chupa seus seios enquanto ela, delicia, curte o momento.

            - Cenas como essa merecem ser vistas – prossegue Sérgio. – As expressões da mulher enquanto permite que desfrutem do seu corpo e de sua feminilidade são enlouquecedoras. Olha como ela está excitada... Hummmm... está adorando o que fazem com ela. Entrega-se a eles, não acha?

            - Não... sei.

            - As mulheres são uma contínua fonte de excitação para mim. Vocês são deliciosas.

            Com o coração a mil, pego a taça de vinho e bebo tudo de um gole só. Estou sedenta quando o ouço dizer:

            - Fique calma. Eles não podem nos ver. Mas se deixam ser observados. A luz laranja permite ver, e a luz verde convida a participar. Você gostaria?

            - De quê?

            - De participar.

            - Não – balbucio, supernervosa.

            - por quê?

            Meu coração quase sai pela boca, e tudo o que consigo responder é:

            - Eu.. eu não faço coisas desse tipo.

            Ele franzi as sobrancelhas e pergunta:

            - Nããããããooo! – respondo com extrema efusividade – Mas eu...

            - Ta bom. Entendo. Você faz sexo tradicional, né?

            Como uma idiota, balanço a cabeça afirmamente e ele segura meu queixo para que eu veja o trio, que continua com sua brincadeira voluptuosa.

            - Eles também fazem sexo tradicional – acrescenta – Mas às vezes brincam e experimentam algo diferente. É sério que isso não te atrai?

            Sem conseguir tirar os olhos, eu os observo e um gemido acaba saindo instintivamente de dentro de mim quando vejo o tesão daquela mulher. estou excitada.

            - Não... eu... – respondo

            - Te incomoda falar de sexo?

            Eu o encaro surpresa. Aonde ele quer chegar com essa pergunta?

            - Seus olham mostram que está nervosa, mas sua boca denuncia seu desejo – insiste – Você não pode negar que o que está vendo te deixa excitada e muito, certo?

            Não respondo. Me recuso. E ele, no controle da situação, murmura perto do meu ouvido:

            - Você se sairia muito bem, Raquel. Eu iria te proporcionar todo o prazer que você quisesse. Peça-me o que quiser e eu te darei.

            Como uma boba, faço que sim. Nunca pude imaginar algo assim na minha vida. Não sei para onde olhar. Estou tão excitada que sinto até vergonha de admitir. O lugar, o momento e o homem que está a meu lado não me deixam continuar pensando.

            - Nessas salinhas privativas, quem quiser pode assistir a uma cena deliciosa e algo mais. Apenas um seleto grupo de pessoas pode entrar aqui. E, se depois de assistir à cena você quiser participar, é só apertar esse botão e os vidros desaparecerão.

            De repente fico histérica. Muito nervosa. Não quero nada do que ele está me oferecendo. Tento me levantar, mas Sérgio me segura. Não permite que eu me mexa, e, com a respiração superacelerada, eu sussurro:

            - Quero ir embora.

            - Ainda são onze horas.

            - Não importa... quero sair daqui.

            - Por quê, Kel? – ao ver que não respondo, acrescenta: - pelo que eu me lembre, você disse que estava disposta a tudo.

            - Não me referia a isto. Eu... eu não faço essas coisas.

            Segurando-me com mais força, Sérgio me obriga a olhar para ele e, após cravar seus olhos claros em mim, murmura perto da minha boca:

            - Você se surpreenderia se experimentasse.

            - Sérgio, eu não...

            - Raquel, sexo é um jogo muito divertido. Só precisa ter coragem de experimentar.

            Nego com a cabeça, desconcertada. Não quero experimentar. O sexo normal, que conheço, é mais que suficiente e me satisfaz. Após alguns segundos que me parecem uma eternidade, Sérgio aperta os botões, e os gemidos somem. Instantes depois, os vidros se tornam escuros e as cortinas se fecham.

            - Obrigada – consigo balbuciar.

            Me levanta de seu colo e me olha com expressão séria.

            - Vamos, Kel. Vou te levar pra casa.

            Meia hora mias tarde e após um estranho mas não incômodo silêncio, ouço apenas por sua conversa ao telefone com uma mulher, chegamos à minha rua. Ele desce do carro comigo e me acompanha. Sua atitude volta a ser fria e distante. Tomamos o elevador. Quando estamos diante da minha porta, quero convidá-lo a entrar, mas ele me interrompe:

            - Foi um jantar muito agradável, senhorita Murillo. Obrigado por sua companhia.

            Dito isso, beija minha mão e vai embora. Estou excitada e sem palavras às onze e meia da noite. Voltei a ser a senhorita Murillo?

 


Notas Finais


comentem o que estão achando!! pleasekk


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...