História Peça-me o Que Quiser Agora e Sempre - Sprousehart - Capítulo 37


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Notas do Autor


Boa leitura ❤️

Mrtn 💕3/5💕

Capítulo 37 - Capítulo 37


Fanfic / Fanfiction Peça-me o Que Quiser Agora e Sempre - Sprousehart - Capítulo 37 - Capítulo 37

No dia seguinte, acordo sozinha na cama. Não me espanto com isso, mas, quando desço até a
cozinha e Simona avisa que seu patrão já saiu para o trabalho, fico indignada e dou um longo
suspiro. Por que não acordei mais cedo hoje?
Passo o dia com Flyn, na medida do possível. O menino está irritado. Seu braço dói e ele
não está simpático comigo.
Assisto com Simona à Loucura Esmeralda. No capítulo de hoje, Luis Alfredo Quiñones, o
amor de Esmeralda Mendoza, acha que ela o está traindo com Rigoberto, o empregado do
estábulo dos Halcones de San Juan. Quando termina, Simona e eu nos olhamos desesperadas.
Como podemos ficar desse jeito só por causa de uma novela?
Cole não vem almoçar em casa. Quando volta do escritório, já no fim da tarde, me
cumprimenta com um frio movimento de cabeça e vai atrás do sobrinho. Janta com ele e na
hora de dormir se comporta como ontem. Me dá as costas e não diz uma palavra. Nem me
abraça.
Aguento esse tratamento durante quatro dias. Ele não me dirige a palavra. Não olha para
mim. Na quinta-feira me surpreende ao me procurar no quartinho e dizer num tom seco:
— Precisamos conversar.
Ih, essa frase não me cheira nada bem. É assustadora, mas concordo com um gesto.
Diz para eu esperá-lo no escritório. Primeiro vai ver Flyn. Faço o que ele pede. Espero por
mais de duas horas. Está me provocando. Quando Cole aparece, já estou supernervosa. Ele
senta. Me olha como há dias não olhava e se ajeita todo na sua poltrona.
— Fala.
Desconcertada, olho para ele e digo:
— Eu é que tenho que falar?!
— É, você. Te conheço e sei que você tem um monte de coisa pra dizer.
Minha expressão muda na hora. Seu sarcasmo às vezes me tira do sério e acabo explodindo:
— Como você pode ser tão frio? Por favor! Hoje é quinta e estamos desde sábado sem falar
um com o outro. Meu Deus, eu estava quase enlouquecendo! Por acaso você pretende não
falar comigo nunca mais? Ficar me torturando? Me pregar numa cruz e me ver sangrando na
sua frente? Frio... frio... é isso que você é: um alemão frio. Todos são iguais. Vocês não têm
senso de humor. Quando faço uma piada, vocês nem riem, e quando sou simpática vocês
acham que estou dando mole. Fala sério, em que mundo a gente vive? Você me deixou
irritada, muito irritada! Como pode ser tão... tão... babaca? — grito. — Chega! Estou de saco
cheio! Nesses momentos não sei mais o que estamos fazendo juntos, você e eu. Sou fogo e
você é gelo, e estou ficando cansada do esforço para não me deixar consumir pela sua maldita
frieza.
Não responde. Apenas me olha e vou em frente:
— Sua irmã Hannah morreu e você cuida do filho dela. Acha que ela aprovaria o que você
está fazendo com ele? — Cole bufa. — Eu não a conheci, mas, pelo que sei sobre ela, tenho
certeza de que ensinaria Flyn a fazer tudo o que você proíbe. Como Trinity disse outra noite, as
crianças aprendem. Caem, mas depois levantam. Quando é que você vai se levantar?
— Do que você está falando? — pergunta com raiva.
— De você deixar de se preocupar com as coisas quando elas ainda nem aconteceram. De
você deixar os outros viverem e de entender que nem todo mundo gosta das mesmas coisas.
De você aceitar que Flyn é uma criança e que deve aprender mil coisas que...
— Chega!
Estou morrendo de raiva e, quando vejo sua cara contrariada, quero saber:
— Cole, você não sente minha falta? Não está com saudades?
— Estou.
— E por quê? Estou aqui. Pode me tocar, me abraçar, me beijar. O que você está
esperando pra falar comigo e tentar me perdoar pra valer? Droga, não matei ninguém afinal!
Sou humana e cometo erros. Tá bom, o lance da moto eu reconheço. Deveria ter te contado.
Mas por acaso eu te proíbo de praticar tiro? Não, né? E por que não te proíbo apesar de eu
odiar armas? A resposta é óbvia, Cole: porque eu te amo e respeito seus gostos, por mais que
sejam diferentes dos meus. Sobre Flyn, realmente, você disse “não” ao skate, mas o garoto
queria muito. Ele precisava fazer o que seus colegas fazem pra provar a esses moleques que o
chamam de “chinês”, “merdinha” e “cagão” que ele pode ser um deles e ter um maldito skate.
Ah, e isso sem falar que o garoto está a fim de uma menina da turma dele e quer impressionála.
Sabia disso? — Nega com a cabeça, e eu continuo: — Quanto à história da sua mãe e da
sua irmã, elas me pediram pra não te dizer nada, pra guardar segredo. E a pergunta é: quando
meu pai guardou o segredo de que você tinha comprado a casa de Jerez, eu deveria ter ficado
chateada com ele? Deveria jogar pedras nele? Ah, por favor, convenhamos... Só fiz o que as
famílias costumam fazer: guardar pequenos segredos e tentar se ajudar. E, quanto a Bree, ai
meu Deus!... Cada vez que lembro que ela te acariciou na minha frente, fico fervendo de tanto
ódio. Ah, se eu soubesse... Teria cortado as asinhas dela porque...
— Cala a boca! — grita Cole, enfurecido. — Já ouvi o suficiente.
Isso me revolta. E não consigo ficar quieta.
— Está esperando que eu vá embora, né?
Minha pergunta o surpreende. Eu o conheço e dá pra ver isso nos seus olhos. Mas, como
estou histérica, não lhe dou trégua e insisto:
— Por que você disse a Flyn que talvez eu fosse embora daqui? Por acaso é isso que você
vai me pedir e já está preparando o garoto?
Faz cara de surpresa.
— Eu não disse nada disso a Flyn. Do que você está falando?
— Não acredito em você.
Ele não responde. Me olha, me olha e me olha, mas acaba dizendo:
— Não sei o que fazer contigo, Lil. Te amo, mas você me enlouquece. Preciso de você,
mas você me deixa desesperado. Te adoro, mas...
— Seu babaca...!
Levanta-se da mesa e exclama com expressão contraída:
— Chega! Para de me ofender!
— Babaca, babaca e babaca!
Meu Deus, como estou exagerando! Mas fazer o quê, né? Depois de três dias sem falar com
ele, virei um tsunami.
Cole me olha furioso. Tomo ainda mais coragem e o recrimino desaforada:
— Você deveria mudar seu nome para Senhor Perfeito. Que foi? Você não erra nunca? Ah,
não, o senhor Sprouse é Deus!
— Quer calar a boca e me escutar? Preciso te dizer uma coisa e quero te pedir que...
— Quer me pedir pra eu ir embora, né? Só falta eu descumprir mais uma regra pra você
me expulsar de novo da sua vida.
Não responde. Nos olhamos como rivais.
Meu desejo é beijá-lo. Mas não é o momento para isso. Então a porta do escritório se abre e
Ross aparece com uma garrafa de champanhe. Olha para nós dois e, antes de dizer qualquer
coisa, chego perto dele, seguro seu pescoço e beijo seus lábios. Enfio a língua na sua boca, e ele
me olha com espanto. Não entende o que estou fazendo. Em seguida me viro para Cole e digo
diante da expressão de incredulidade de Ross:
— Acabo de descumprir uma regra superimportante: a partir de agora, minha boca não é
mais sua.
A cara de Cole é indescritível. Sei que não esperava isso de mim. E, diante do olhar
assustado de Ross, explico:
— Vou facilitar para você. Não precisa me expulsar, porque agora quem decidiu ir embora
fui eu. Vou juntar minhas coisas e desaparecer da sua casa e da sua vida pra sempre. Estou por
aqui contigo. Cansei de ter que esconder as coisas de você. Cansei das suas regrinhas. Cansei!
— grito. Mas, antes de sair e com a respiração entrecortada, digo: — Só vou te pedir um
último favor: preciso que seu avião me leve pra Madri, junto com minhas coisas e Susto. Não
quero colocar o Susto numa gaiola e no compartimento de carga de um avião e...
— Por que não cala a boca? — diz Cole, furioso.
— Porque não estou a fim.
— Crianças, por favor, acalmem-se — pede Ross. — Acho que vocês estão exagerando
e...
— Fiquei calada — prossigo, ignorando Ross e olhando para Cole — durante quatro dias
e você não estava nem aí pro que eu poderia estar pensando ou sentindo. Não se importou
com a minha dor, minha raiva ou minha frustração. Então não vem agora me pedir pra calar a
boca, porque não vou te obedecer.
Ross nos observa sem saber o que fazer e Cole murmura:
— Por que está falando tanta bobagem?
— Pra mim não é.
Tensão. Nos encaramos exasperados e meu alemão pergunta:
— Por que você vai levar o Susto?
Fervendo de raiva, me aproximo dele.
— Que foi agora? Vai querer lutar pela guarda do cachorro?
— Nem você nem ele vão embora. Esquece isso!
Depois do seu grito, levanto a cabeça, afasto o cabelo do rosto e esclareço:
— Tudo bem, então. Já vi que você não vai me emprestar seu maldito jatinho particular.
Ótimo! Susto fica contigo. Logo, logo, eu encontro um jeito de buscá-lo, porque me recuso a
deixá-lo junto com a carga do avião. Mas fique você sabendo que no domingo eu estou de
partida.
— Então vai, sua desgraçada! Se manda! — grita descontrolado.
Sem dizer mais nada, saio do escritório sentindo meu coração dilacerado.
À noite durmo no quartinho. Cole não me procura. Não se preocupa comigo e isso me
desanima completamente. Conseguiu o que queria. Facilitei sua vida ao decidir eu mesma ir
embora. Deitada no tapete felpudo junto com Susto, fico olhando pela porta de vidro,
enquanto me dou conta que minha linda história de amor com esse alemão chegou ao fim.
No dia seguinte, quando Cole sai para trabalhar, estou morta. O tapete é supermacio, mas
minhas costas estão doendo à beça. Quando entro na cozinha, Simona, sem saber do meu
sofrimento, me dá bom dia. Tomo o café em silêncio, até que lhe peço para sentar ao meu
lado. Assim que conto que vou embora, seu rosto se contrai e, pela primeira vez desde que
cheguei aqui, vejo a mulher chorar copiosamente. Nos abraçamos.
Passo horas recolhendo minhas coisas pela casa. Guardo fotos, livros, CDs, e cada vez que
fecho uma caixa, meu coração fica mais apertado. À tarde, combino de encontrar Trinity no
bar de Arthur. Quando conto que estou de partida, ela diz, surpresa:
— Peraí... meu irmão é mesmo idiota?
Sua espontaneidade me faz sorrir. Tento acalmá-la e respondo:
— É melhor assim, Trinity. Está bem claro que eu e seu irmão nos amamos, mas somos
completamente incapazes de solucionar nossos problemas.
— Você e meu irmão, não. Meu irmão! — insiste ela. — Conheço esse cabeça-dura. Se
você vai embora, com certeza é porque ele não tem sido nada fácil. Mas te juro pela minha
mãe que ele vai me ouvir. Vou dizer umas poucas e boas. Como pode te deixar ir embora?
Como?!
Camila também fica triste e conversamos por horas. Consolamos umas às outras, enquanto
Arthur aparece para trazer bebidas geladas. Não tem ideia do que está acontecendo. A única
coisa que sabe é que passamos do choro ao riso e do riso ao choro com a mesma facilidade.
De repente, me lembro de uma coisa. Olho o relógio. Hoje é sexta e são 19h20.
— Sabem onde fica a Trattoria de Vicenzo?
— Está com fome? — estranha Trinity.
Comento que a esta hora sei que Bree vai estar lá.
— Ah, não! — diz Camila ao captar meu olhar. — Nem pense! Se Cole souber, vai ficar mais
puto ainda contigo e...
— E o quê? — pergunto. — Que diferença faz agora?
Nós três nos entreolhamos e, como umas bruxas, desatamos a rir. Pegamos o carro de
Trinity e vinte minutos depois já estamos em frente à trattoria. Bolamos um plano. Desta vez
Bree vai saber quem é Lili Reinhart e do que sou capaz.
Entramos no restaurante e dou uma olhada ao redor procurando por ela. Como
imaginava, está numa mesa com várias pessoas. Fico observando por um tempo. Parece
animada e feliz.
— Lili, se você quiser, podemos desistir — sussurra Trinity.
Nego com a cabeça. Vou levar a vingança até o fim. Ando com determinação até a mesa, e,
quando Bree nos vê, fica pálida. Sorrio e pisco para ela. Não presto! E então Camila diz:
— Bree, você por aqui!
— Caramba, que coincidência! — digo, rindo, e Bree fecha a cara.
As outras pessoas na mesa olham na nossa direção e eu me apresento.
— Meu nome é Lili Reinhart e sou espanhola também, como Bree. — Todos acenam e
com um sorriso meigo e angelical, digo: — Prazer em conhecê-los.
Eles sorriem e, sem perder tempo, pergunto:
— Um passarinho me contou que hoje alguém ia te fazer uma pergunta importante. É
verdade que te pediram em casamento?
Com um sorrisinho sem graça, ela faz que sim e seu noivo, um homem não exatamente
jovem, afirma todo alegre:
— Sim, senhorita. E essa mulher linda aceitou. — Pegando a mão dela, continua: — De
fato, minha mãe acabou de lhe dar o anel de compromisso da família, uma verdadeira joia.
Os convidados aplaudem. Eu, Trinity e Camila também. Todos sorriem e nos oferecem taças
de champanhe. Sorridentes, aceitamos e bebemos. Abrem espaço na mesa. Nos sentamos com
eles, e Bree me observa. Eu sorrio e, olhando para seu futuro marido, digo:
— Raimon, ela sim é que é uma joia... uma autêntica joia.
O homem concorda, orgulhoso. Achando graça de tudo, me junto às minhas duas
cúmplices e incentivamos todo mundo a gritar: “Beija, beija, beija!”
Bree me olha furiosa, enquanto aplaudo curtindo a situação, até que por fim eles se
beijam. Faço um sinal de aprovação e digo com voz angelical:
— E quem é o primo Alfred?
Um cara da minha idade ergue a mão e, olhando para ele, solto:
— Contou ao Raimon que você também dorme com a Bree? Acho que ele merece saber,
embora esteja tudo em família.
As caras de todos mudam. Raimon, o noivo, se levanta e pergunta:
— O que você disse, moça?
Apoio a mão no ombro do coitado do Raimon, me levanto e sussurro tristemente:
— Vamos, Alfred. Conta pra ele!
Todos olham para o rapaz envergonhado, e Camila insiste:
— Vamos lá, Alfred... é seu primo. É o mínimo que você pode fazer.
Bree está vermelha. Não sabe onde se enfiar, e os seus ex-futuros sogros exigem que ela
devolva o anel da família. Radiante, viro para Raimon e observo:
— Sei que essa notícia deve ser um baque, mas com o tempo você vai me agradecer,
Raimon. Essa mulher só ia se casar pelo dinheiro. Ela vai pra cama com metade da Alemanha.
E, antes que você pergunte, sim, eu posso te provar.
Fora de si, Bree se levanta e grita enquanto a mãe de Raimon puxa seu dedo para recuperar
o anel.
— Mentira, isso é mentira! Raimon, não dê ouvidos a ela!
Trinity, que estava calada até agora, sorri com malícia e aponta:
— Bree... Bree... nós te conhecemos. — E, voltando-se para as outras pessoas da mesa,
revela: — Meu irmão se chama Cole Sprouse, saiu com Bree um tempo, mas terminou
com ela quando a flagrou com o pai dele na cama. O que acham disso? Coisa feia, né?
Indignados, todos se levantam para pedir explicações. Camila murmura:
— Ai, Bree, quando é que você vai aprender?!
Raimon está furioso. Seus pais e os outros convidados não conseguem acreditar no que
escutam. Alfred não sabe onde enfiar a cara. Todos gritam. Todos opinam. Bree não
consegue dizer nada e então, sem tocá-la, chego perto dela e digo em espanhol:
— Te avisei. Te disse que comigo ninguém mexe, sua vadia! Volte a se aproximar de Cole, da família dele, dos amigos ou de mim, e eu juro que te escorraçam da Alemanha.
Em seguida, eu, Camila e Trinity vamos embora do restaurante. Minha vingança está
completa. Com a adrenalina a mil, decidimos ir dançar no Guantanamera. Não quero voltar
para casa. Não quero ver Cole, e um pouquinho de salsa cubana vai me fazer bem.


Notas Finais


Beijokas💕


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