História Peça-me O Que Quiser, Agora e Sempre - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Justin Bieber, Peça-me o que quiser, Shay Mitchell
Visualizações 302
Palavras 5.135
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Vocês são maravilhosos cara, a primeira temporada ja chegou aos 104 favs e essa esta com 39 favs com apenas um cap. Vocês são os melhores

Capítulo 2 - 2


A sexta-feira passa — e o mundo não acaba! Os maias não acertaram.

No sábado, acordo muito cedo. Estou exausta por causa do meu trabalho de garçonete, mas é a vida. Olho pela janela.

Não está chovendo!

Beleza!

Saber que Justin está a poucos quilômetros de mim e que há a possibilidade de nos vermos me deixa ansiosa demais. Não comento nada em casa. Não quero que isso mexa com eles e — quando chegam o Bichão e o Lucena com o reboque e meu pai e José ajeitam a moto nele

— sorrio, feliz.

— Vamos, moreninha! — grita meu pai. — Já está tudo preparado.

Minha irmã, minha sobrinha e eu saímos de casa. Estou levando a bolsa com meu macacão de corrida. Ao chegar ao carro, me alegro ao ver Fernando chegando.

— Você vai? — pergunto.

Ele, engraçadinho, faz que sim.

— Me diga quando eu faltei a uma de tuas corridas?

Nos dividimos em dois carros. Meu pai, minha sobrinha, o Bichão e o Lucena vão num, e minha irmã, José, Fernando e eu, no outro.

Em Puerto de Santa María, nos dirigimos ao lugar do evento. Está transbordando de gente, como todos os anos. Depois de entrar na fila para confirmar a inscrição e receber meu número, meu pai volta feliz.

— Você é o número 87, moreninha.

Sorrio e olho em volta em busca de Frida. Não a vejo. Gente demais.

Checo meu celular. Nenhuma mensagem.

Me encaminho com minha irmã para os vestiários improvisados que a organização montou para os participantes. Tiro meu jeans e boto meu macacão de couro, vermelho e branco.

Minha irmã me coloca as proteções dos joelhos.

— Qualquer hora dessas, Judith, vai ter que dizer a papai que vai parar com isto — afirma.

— Você não pode continuar dando saltos numa moto eternamente.

— E por que não, se eu gosto?

Raquel sorri e me dá um beijo.

— Tem razão, na verdade. No fundo admiro seu lado de guerreira machona.

— Acabou de me chamar de machona?

— Não, fofinha. Quero dizer que essa força que você tem, eu gostaria de ter também.

— Você tem, Raquel... — sorrio com carinho. — Ainda me lembro de quando você participava das corridas.

Minha irmã vira os olhos:

— Mas eu corri duas vezes. Não levo jeito pra isso, por mais que papai adore.

Realmente, ela tem razão. Mesmo que nós tenhamos sido criadas pelo mesmo pai e tenhamos compartilhado os mesmos hobbies, ela e eu somos diferentes em muitas coisas. E o motocross é uma delas. Vivi esse esporte, sempre. Ela sofreu, sempre.

Já de macacão, vou para onde me esperam meu pai e o que se pode chamar minha equipe.

Minha sobrinha está feliz e dá pulos de entusiasmo ao me ver. Para ela sou sua supertitia!

Sorridente, tiro fotos com ela e com todos. Pela primeira vez em vários dias, meu sorriso é franco e conciliador. Estou fazendo uma coisa de que gosto, e dá para ver isso na minha cara.

Passa um homem vendendo bebidas e meu pai compra uma Coca-Cola. Contente, começo a tomá-la quando minha irmã exclama:

— Ihhhh, Judith!

— O quê?

— Acho que tem alguém te paquerando.

Olho-a com uma expressão sacana, e ela, aproximando-se comicamente, cochicha:

— O piloto 66, o da tua direita, não para de te olhar. Não quero dizer nada, mas o cara ta quase babando.

Curiosa, me viro e sorrio ao reconhecer David Guepardo. Ele me pisca o olho, e ambos nos cumprimentamos. Nós nos conhecemos há anos. É de uma cidadezinha perto de Jerez chamada Estrella del Marqués. Somos apaixonados por motocross e costumamos nos encontrar de vez em quando em algumas corridas. Falamos por um instante. David, como sempre, é todo charmoso comigo. Supersimpático. Pego o que ele me entrega, me despeço e volto para minha irmã.

— O que tem aí?

— Ô Raquel, deixe de se meter em tudo — censuro. Mas ao compreender que não vai mesmo me deixar em paz, respondo: — Seu número de telefone, satisfeita?

Primeiro minha irmã tapa a boca e depois solta:

— Aiii, fofa! Quero ser você na outra encarnação.

Desato a rir bem na hora em que ouço:

— Judith!

Me viro e topo com o maravilhoso sorriso de Frida, que corre para mim com os braços abertos. Eu a abraço com alegria e vejo que atrás dela vêm Andrés e Justin.

— O mundo não acabou — murmura Frida.

— Eu te disse — respondo alegre.

Meu Deussssss! Justin veio!

Meu estômago se contrai e, de repente, toda a minha segurança começa a evaporar. Por que sou tão imbecil? Por acaso o amor nos torna inseguros? Tudo bem, no meu caso com certeza a resposta é sim.

Sei o que um evento como este faz com Justin. Dor e tensão. Mesmo assim, decido não olhar para ele. Continuo zangada. Depois de beijar Frida, com carinho cumprimento Andrés e Glen, que está no seu colo. Quando chega a vez de Justin, digo sem olhá-lo:

— Bom dia, senhor Bieber.

— Oi, Jud!

Sua voz me deixa nervosa.

Sua presença me deixa nervosa.

Ele todo me deixa nervosa!

Mas tiro forças do fundo da alma para momentos assim, viro a cabeça e digo a minha desconcertada irmã:

— Raquel, eles são Frida, Andrés e Glen, e ele é o senhor Bieber.

Minha irmã e os outros ficam com cara de tacho. A frieza que demonstro ao me referir a

Justin desorienta a todos, menos a ele, que me olha com sua habitual expressão de mau humor.

Nesse instante, surge Fernando, que me avisa:

— Judith, você sai no próximo grupo.

De repente vê Justin e fica parado. Ambos se cumprimentam com um movimento de cabeça, e olho Frida.

— Tenho de deixar vocês. É minha vez. Frida, sou a número 87. Me deseje sorte.

Quando me viro, David Guepardo, o piloto com quem falei antes, se aproxima e tocamos nossos punhos fechados. Me deseja sorte! Eu sorrio e, sem dizer nada, me afasto acompanhada por Raquel e Fernando. Quando estamos suficientemente longe dos outros, entrego a minha irmã o papel que tenho na mão:

— Grave o número do telefone de David no meu celular, tá?

Minha irmã concorda.

— Puxa, fofinha! — diz. — Justin veiiiiiooooooo!

Com cara de contrariada, apesar de no fundo sentir uma alegria idiota, ironizo:

— Oh, que emoção!

Mas minha irmã é uma romântica incorrigível.

— Judith, pelo amor de Deus! Ele está aqui por você, não por mim, nem por outra. Não ta vendo? Esse pedaço de mau caminho está louco por você.

Tenho vontade de estrangulá-la.

— Nem mais uma palavra, Raquel. Não quero falar disso.

No entanto, minha irmã... é minha irmã!

— Claro — insiste — que isso de chamar o cara pelo sobrenome teve sua graça.

— Raquel, feche a matraca!

Mas como é lógico nela, volta à carga:

— Uau, quando papai souber!

Papai? Paro na hora. Olho Raquel.

— Nem uma palavra a papai sobre isso. E, antes que continue essa papagaiada de mulherzinha e de novela mexicana, lembre-se: o senhor Bieber e eu já não temos nada.

Entendeu ou quer que desenhe?

Fernando, que está com a gente, tenta manter a paz.

— Vamos, garotas! Chega de discussão. Não vale a pena.

— Como não vale a pena?! — recrimina minha irmã. — Justin é...

— Raquel... — protesto.

Fernando, que sempre se diverte com nossos estranhos “bate-bocas”, me diz:

— Vamos, Judith, dê uma maneirada. Talvez deva ouvir tua irmã e...

Incapaz de aguentar um segundo mais o papo deles, olho meu amigo puta da vida e grito como uma possessa:

— Por que não fecha a matraca?! Te garanto que fica mais bonito.

Fernando e minha irmã trocam um olhar e riem. Viraram idiotas?

Chegamos onde meu pai está com o Bichão e o Lucena. Puxa, que trio! Boto o capacete, os óculos de proteção e ouço o que papai tem a me dizer sobre a regulagem da moto. Depois, monto e me dirijo para a porta de entrada. Aqui espero, com outros participantes, que me deixem entrar na pista.

Protegida atrás de meus óculos, olho para onde Justin está. Não posso evitá-lo. Além do mais, é tão alto que é impossível não vê-lo. Está impressionante com esses jeans de cintura baixa e o suéter preto de tricô.

Nossa, que gato mais gostoso!

É o típico homem que até com uma melancia no pescoço ficaria bem. Fala com Andrés e Frida, mas eu o conheço: está tenso. Sei que, detrás de seus Ray-Ban espelhados de aviador, me procura com o olhar. Isto me agita o coração. Mas como sou pequena e estou entre tantos pilotos vestidos do mesmo modo, ele não consegue me localizar, o que me dá vantagem. Eu posso ficar calmamente curtindo essa cena.

Quando abrem a pista, os juízes nos colocam em nossa posição no grid de largada. Eles nos avisam que há vários grupos de nove pessoas — tanto faz se homem ou mulher — e que os quatro primeiros colocados de cada grupo se classificam para as rodadas seguintes.

Pronta em minha posição, ouço a vozinha de minha Luz me chamar e aceno para ela, que ri e aplaude. Que linda que é minha sobrinha!

Mas meu olhar volta a Justin.

Ele não se mexe.

Quase não respira.

Mas aí está, disposto a ver a corrida apesar da angústia que sei que vai lhe causar.

De novo, me concentro no que devo fazer. Devo ficar entre os quatro primeiros se quero me classificar para a rodada seguinte. Acalmo minha mente e acelero a moto. Foco na corrida e me esqueço do resto. Tenho de fazer isso.

Os instantes antes da largada fazem sempre minha adrenalina subir. Ouvir o ronco dos motores ao meu redor me deixa arrepiada e, quando o juiz baixa a bandeira, acelero ao máximo e saio a toda. Ganho boa posição desde o começo e, como meu pai me avisou, tenho cuidado na primeira curva, que está cheia de lombadas. Salto, derrapo, me divirto! E, ao chegar a uma descida espetacular, me alegro como uma louca enquanto vejo que o piloto a minha direita perde o controle de sua moto e cai. Puxa, que porrada levou! Acelero, acelero, acelero e salto de novo. Os pneus cantam e acelero, salto, derrapo de novo e, depois de completar o circuito três vezes, chego entre os quatro primeiros.

Beleza!

Me classifiquei para a próxima rodada.

Quando saio da pista, meu pai, mais feliz que pinto no lixo, me abraça. Todos se dão parabéns pelo meu sucesso, enquanto tiro os óculos enlameados. Minha sobrinha está emocionada e não para de dar pulinhos. Sua titia é sua heroína, e estou muito contente por ela.

David Guepardo sai no próximo grupo. Ao passar a meu lado, outra vez tocamos nossos punhos. Nesse instante, chega Frida e, adorando tudo, grita:

— Parabéns! Santo Deus, Judith, você foi impressionante!

Sorrio e bebo um gole de Coca-Cola. Estou sedenta. Olho além de Frida e parece que Justin não vem me abraçar. Eu o localizo a vários metros de distância, com Glen no colo, falando com Andrés.

— Não vai cumprimentá-lo? — pergunta Frida.

— Já o cumprimentei.

Ela sorri e chega mais perto ainda.

— Isso de chamá-lo de senhor Bieber foi provocante — murmura. — Mas fala sério: não vai falar com ele?

— Não.

— Te garanto que fez um tremendo esforço pra vir. Você sabe por quê.

— Sei, sim, mas podia ter se poupado a viagem.

— Para com isso, Judith! — insiste Frida.

Falamos mais um pouco, mas, como diz meu pai, ele pode tirar o cavalinho da chuva. Não vou falar com Justin. Ele não merece. Ele me disse que nossa história tinha acabado, e eu lhe devolvi o anel. Fim de papo.

A manhã segue, e eu vou superando as rodadas, tantas que chego à final. Justin continua lá e o vejo falar com meu pai. Ambos estão concentrados na conversa, e agora meu pai sorri e dá um tapa de homem nas costas de Justin. Do que será que estão falando?

Reparei como Justin me procura continuamente com o olhar. Isto me excita, embora eu tenha ficado na minha. Tentou se aproximar de mim, mas cada vez que percebi sua intenção, escapei entre as pessoas, e não me encontrou.

— Tá com cara de que quer tomar uma Coca-Cola, não é mesmo?

Me viro e vejo David Guepardo me oferecendo a latinha.

Enquanto esperamos que nos chamem para a última rodada, sentamos para tomar o refrigerante. Justin, não muito longe de mim, tira os óculos. Quer que eu saiba que está me olhando. Quer que eu veja sua irritação. Mas até com os óculos eu já sabia como me olhava.

Por fim, fico de costas para ele. Mas mesmo assim sinto seu olhar. Isto me incomoda e, ao mesmo tempo, me excita.

Durante um tempinho, David e eu falamos, rimos e observamos outros colegas correrem a última rodada de classificação. Meu cabelo flutua ao vento, e David pega uma mecha e a põe atrás de minha orelha.

Minha nossa, isso deve ter tirado o senhor Bieber dos eixos!

Não quero nem olhar.

Mas a depravada que mora em mim não resiste e, realmente, sua contrariedade virou uma fúria total.

Pior para ele!

Aí nos avisam que em cinco minutos começará a última corrida. A definitiva. David e eu nos levantamos, tocamos nossos punhos, e cada um se encaminha a sua moto e seu grupo.

Meu pai me entrega o capacete e os óculos e pergunta, bem pertinho:

— Está fazendo ciúme pro teu namorado com David Guepardo?

— Papai... Eu não tenho namorado. — Ele ri, e antes que diga qualquer coisa, acrescento:

— Se você se refere a quem eu penso que se refere, já te disse que terminamos. Acabou!

O bonachão do meu pai suspira.

— Acho que Justin não pensa assim. Não dá a coisa por terminada.

— Pra mim tanto faz, papai.

— Ah, você é igualzinha à teimosa da tua mãe. Igualzinha!

— Pois olha, isso me alegra — respondo, mal-humorada.

Meu pai concorda, suspira e solta, com expressão divertida:

— Ai, ai, ai, ai, moreninha! Nós gostamos das mulheres difíceis, e você, minha querida, sai da frente. Esse teu gênio deixa qualquer um doido! — Ri. — Eu não deixei tua mãe escapar, e Justin não vai deixar você escapar. Vocês são lindas e interessantes demais.

Com raiva, ajusto o capacete e boto os óculos. Não quero falar. Acelero a moto e a levo até o grid de largada. Como nas rodadas anteriores, me concentro e, enquanto espero a saída, piso várias vezes no acelerador. A diferença é que agora estou irritada, muito irritada, e isto me deixa mais louca ainda. Meu pai, que me conhece melhor que ninguém, me faz sinais com as mãos para que eu deixe a poeira baixar e relaxe.

A corrida começa, e sei que tenho que fazer uma boa largada, se quero vencer.

Consigo e corro como quem viu um fantasma. Me arrisco mais e me divirto pelos ares, adrenalina a toda, enquanto salto e vou cantando os pneus. Com o canto do olho, vejo que

David e mais um me ultrapassam pela direita. Acelero. Consigo deixar a outra moto para trás, mas David Guepardo é muito bom, e antes de chegar à zona das lombadas, acelera e salta os quebra-molas que me fazem perder tempo e quase cair. Mas não, não caio. Aperto os dentes, e consigo manter o controle da moto e continuo acelerando. Não gosto de perder nem no dominó.

Exijo tudo da moto. Alcanço e ultrapasso David. Mas ele me passa de novo. Derrapamos, e um terceiro piloto se adianta a nós dois.

Atrás dele!

Acelero ao máximo, consigo alcançá-lo e deixá-lo para trás. Agora David salta, arrisca e me passa pela esquerda. Eu acelero. Ele acelera. Todos aceleramos.

Quando passo pela linha de chegada e o juiz baixa a bandeira quadriculada, levanto o braço.

Segunda!

David, primeiro.

Damos uma volta pelo circuito e saudamos a plateia toda. Receber o aplauso e contemplar as caras felizes nos fazem sorrir. Quando paramos, David vem até mim e me abraça. Está contente, e eu estou também. Tiramos os capacetes, os óculos, e as pessoas aplaudem com mais força.

Sei que essa proximidade com David não está agradando a Justin. Sei. Mas preciso dela, e inconscientemente quero provocá-lo. Sou dona da minha vida. Sou dona dos meus atos, e nem ele nem ninguém conseguirá me fazer mudar de ideia.

Meu pai e todos os outros vêm para a pista nos felicitar. Minha irmã me abraça, meu cunhado também, Fernando, minha sobrinha, Frida. Todos gritam “campeã” como se eu houvesse ganhado um campeonato mundial. Justin não se aproxima, se mantém num segundo plano. Sei que espera que seja eu a me aproximar, que vá até ele, como sempre. Mas não.

Desta vez, não. Como diz nossa canção, “somos polos opostos”, e, se ele é cabeça-dura, quero que entenda de uma vez por todas que eu sou mais ainda.

Quando, no pódio, nos dizem o quanto de dinheiro se arrecadou para os presentes das crianças, fico louca de alegria.

Que bolada!

Instintivamente sei que grande parte desse dinheiro foi Eric quem doou. Sei. Ninguém precisa me dizer.

Encantada, sorrio, ao ouvir a quantia. Todos aplaudem, inclusive Justin. Seu rosto está mais relaxado, e vejo orgulho em sua expressão, quando levanto minha taça. Isto me comove e agita meu coração. Em outro momento, teria piscado um olho para ele e teria dito “te amo” com o olhar. Mas agora não. Agora não.

Quando desço do pódio, faço mil fotos com David e com todo mundo. Meia hora depois, as pessoas se dispersam e nós, os pilotos, começamos a juntar nossas coisas. David, antes de ir embora, vem falar comigo e me lembra que estará em sua cidadezinha até o dia 6 de janeiro.

Prometo ligar para ele. Quando saio do vestuário com meu macacão na mão, me agarram pelo braço e me puxam. É Justin.

Durante uns segundos, nos olhamos.

Oh, Deus! Oh, Deusssssssss! Seu rosto tão sério me deixa louca.

Suas pupilas se dilatam. Ele me diz com o olhar o quanto precisa de mim e, ao ver que não respondo, me puxa para ele. Quando me tem perto de sua boca, murmura:

— Tô morrendo de vontade de te beijar.

Não diz mais nada.

Me beija, e uns desconhecidos que estão por perto aplaudem, encantados com tanta paixão. Durante uns segundos, deixo que Justin invada minha boca. Uauuu! Curto loucamente.

Quando se separa de mim, Iceman comenta com voz rouca, me olhando nos olhos:

— Isto é como nas corridas, querida: quem não arrisca não petisca.

Tem razão.

Mas deixando-o totalmente confuso, respondo, consciente do que digo:

— Realmente, senhor Bieber. O problema é que o senhor já arriscou e me perdeu.

Seu olhar endurece de imediato.

Me afasto dele, dando-lhe um empurrão, e caminho para o carro de meu cunhado. Justin não me segue. Intuo que ficou sem saber o que fazer, enquanto sei que me observa.

[...]

À tarde, quando chego a Jerez, meu celular não para de tocar.

Estou quase o arrebentando contra a parede.

Justin quer falar comigo.

Desligo o celular. Liga para o telefone de meu pai. Mas me recuso a atender.

No domingo, quando me levanto, minha irmã está plantada diante da tevê vendo a novela mexicana que adora, Sou tua dona. Cafonice pouca é bobagem!

Na cozinha, vejo um lindo buquê de rosas vermelhas de talos longos. Solto um palavrão.

Dá para imaginar quem o mandou.

— Fofinha, olha que beleza que te mandaram! — diz Raquel, atrás de mim.

Sem precisar perguntar quem mandou, agarro o buquê e jogo direto no lixo. Minha irmã grita como uma possessa.

— O que é isso?!

— O que você tá vendo.

Rapidamente, tira as rosas do lixo.

— Pelo amor de Deus! É um sacrilégio botar fora. Deve ter custado uma fortuna.

— Não tô nem aí! Se fossem do mercadinho da esquina o efeito seria o mesmo.

Não quero olhar minha irmã botar de novo as rosas no vaso.

— Não vai ler o cartão? — insiste.

— Não, e nem você — respondo, e o arranco das mãos dela e jogo no lixo.

De repente, aparecem meu cunhado e meu pai, e nos olham. Minha irmã impede que eu chegue perto das rosas de novo.

— Dá para acreditar numa coisa dessas? Quer atirar estas maravilhas no lixo.

— Acredito, sim — afirma meu pai.

José sorri e, aproximando-se da minha irmã, lhe dá um beijo no pescoço.

— Ainda bem que você está aqui pra resgatá-las, pombinha.

Não respondo.

Não olho para eles.

Deus me livre de ficar ouvindo isso de “pombinha” e “pombinho”. Como podem ser tão bobocas?

Esquento um café no micro-ondas, tomo e ouço que batem na porta. Que saco. Me levanto, pronta para fugir se for Justin. Meu pai, ao ver minha cara, vai abrir. Dois segundos depois, brincalhão, entra sozinho e deixa algo sobre a mesa.

— Isto é pra você, moreninha.

Todos me olham, à espera de que abra a enorme caixa branca e dourada. Por fim, me arrasto e a abro. Quando levanto a embalagem, minha sobrinha, que entra nesse momento na cozinha, exclama:

— Um estádio de futebol de chocolate! Que legaaaallllll!

— Acho que alguém quer adoçar tua vida, querida — brinca meu pai.

Boquiaberta, olho o enorme campo de futebol. Não falta um detalhe. Até arquibancada e público tem. E no marcador se lê “te amo” em alemão: Ich liebe dich.

Meu coração bate descontrolado.

Não estou acostumada a estas coisas e não sei o que dizer.

Justin me desconcerta, me deixa louca! Mas, no final, resmungo, e minha irmã rapidamente se coloca a meu lado.

— Não vai jogar fora, não é mesmo? — diz.

— Acho que sim — respondo.

Minha sobrinha se mete no meio e levanta um dedo.

— Tiiiiiaaaaa, não pode jogar fora!

— E por que não? — pergunto, chateada.

— Porque é um presente muito bonito do titio e nós temos que comer. — Sorrio ao ver sua expressão malandrinha, mas meu sorriso se apaga quando ela acrescenta: — Além do mais, tem que perdoá-lo. Ele merece. É muito bom e merece.

— Merece?

Luz faz um gesto afirmativo com a cabeça.

— Quando eu briguei com Alicia por causa do filme e ela me chamou de boba, fiquei muito chateada, não foi? — me lembra minha sobrinha, e eu concordo. — Ela me pediu desculpa, e você disse que devia pensar se minha mágoa era tão importante assim pra fazer perder minha melhor amiga. Pois agora, tia, eu digo a mesma coisa. Você tá tão chateada assim, que não pode perdoar o tio Justin?

Continuo olhando boquiaberta o projeto de gente que me disse isso, quando meu pai intervém:

— Moreninha, somos escravos de nossas palavras.

— Com certeza, papai, e Eric também é — digo ao lembrar as coisas que ele me disse.

Minha sobrinha me olha, à espera de uma resposta. Pestaneja como uma ursinha. É uma criança, não devo esquecer. Por isso, com a pouca paciência que ainda me resta, murmuro:

— Luz, se você quer, pode comer todo o campo de futebol. Te dou de presente, tá bem?

— Eba! — aplaude a menina.

Todos sorriem, e seus sorrisos me tiram do sério. Por que ninguém entende minha mágoa?

Sabem que Justin e eu rompemos, embora ninguém, fora minha irmã, saiba que é por causa de uma mulher, e nem mesmo a ela contei toda a verdade. Se Raquel ou qualquer outro conhecesse todos os motivos de nossa discussão, não acreditaria na loucura toda!

Percebendo que minha angústia vai aumentando, aumentando e aumentando, vou ver minha amiga Rocío. Tenho certeza de que ela não falará de Justin. E não me engano.

Volto para o almoço. O telefone não para de tocar e deixo desligado.

Já chega, por faaaaavvvooorrr!

Às dez vou para o pub. Tenho de trabalhar. Mas quando estou na porta, falando com uns amigos, vejo passar um BMW escuro e reconheço Justin ao volante. Me escondo. Não me viu e, pela direção que tomou, suponho que se dirige à casa do meu pai.

Que inferno. Por que é tão insistente?

Quando o desespero começa a me dar uma grande coceira, alguém me toca as costas e, ao me virar, topo com David Guepardo. Que cara mais lindo! Encantada, sorrio e tento me concentrar nele. Entramos no pub. Me convida para uma bebida, eu o convido para mais uma. É amável, um doce, e por seu olhar e as coisas que diz, sei o que quer: sexo! Mas não.

Hoje não estou num bom dia e decido ignorar as mensagens que me manda enquanto começo a servir as bebidas no balcão.

Vinte minutos depois, vejo Justin entrar, e meu coração dispara.

Tum-tum... Tum-tum...

Está sozinho. Olha ao redor e rapidamente me localiza. Caminha decidido até onde estou e diz:

— Jud, saia daí agora mesmo e venha comigo.

David olha para ele, depois olha para mim.

— Conhece este cara? — pergunta.

Vou responder, quando Justin se adianta.

— É minha mulher. Quer saber mais alguma coisa?

Sua mulher? Mas que prepotência!

Surpreso, David me olha. Pestanejo e enquanto termino de preparar uma cuba-libre para o ruivo da direita, respondo:

— Não sou tua mulher.

— Ah, não? — insiste Justin.

— Não.

Entrego a conta para o ruivo, e trocamos um sorriso. Depois que ele me paga, olho pra Justin, que aguarda desesperado.

— Não sou nada tua — esclareço. — Acabou tudo e...

Mas Justin, cravando seus espetaculares olhos azuis em mim, não me deixa terminar.

— Jud, querida, quer parar de dizer bobagem e sair desse balcão?

Resmungo, chateada com suas palavras.

— Você é quem tem de parar de dizer bobagens, meu filho. E repito: não sou sua mulher e também não sou sua namorada. Não sou absolutamente nada sua e quero que me deixe viver em paz.

— Jud...

— Quero que me esqueça e me deixe trabalhar — prossigo, irritada. — Quero distância de você. Arrume outra e vá encher o saco dela, entendido?

Minha cara é séria, mas a de Justin é tenebrosa.

Me olha... Me olha... Me olha...

Tem o rosto tenso, e sei que está contendo seus impulsos mais primitivos, esses que me deixam louca. Santo Deus, sou uma masoquista! David nos olha, mas antes que possa dizer alguma coisa, Justin murmura:

— Tudo bem, Jud. Farei o que me pede.

E se vira e vai para a ponta do balcão. Irritada, eu o sigo com o olhar.

— Quem é esse cara ? — pergunta David.

Não respondo. Só posso prestar atenção em Justin e ver como meu colega no balcão lhe serve um uísque. David insiste.

— Se não é muita indiscrição, quem é?

— Alguém do meu passado — respondo como posso.

Irritada até não poder mais, tento me esquecer de que Eric está aqui. Continuo preparando bebidas e sorrindo para os clientes. Durante um bom tempo, não o olho. Quero não reparar na sua presença e me divertir. David é um doce e tenta me fazer rir o tempo todo. Mas meu sorriso se congela e meu sangue para, quando, ao ir pegar uma garrafa na prateleira, vejo Justin falando com uma garota muito bonita. Não me olha. Está todo concentrado nela, e isso me deixa muito puta.

Nossa mãe, que ciumenta estoooouuuu!

Pego a garrafa e me viro. Não quero continuar olhando o que ele está fazendo, mas minha maldita curiosidade me obriga a olhar de novo. Os sinais que a garota dá são os típicos de quando um homem nos interessa. Mexe no cabelo, na orelha, e o sorrisinho de “vem quente que eu estou fervendo”.

De repente a loira passa um dedo no rosto dele. Por que o toca? Ele sorri.

Justin não se mexe, e sou testemunha de como ela chega cada vez mais e mais perto, até ficar totalmente entre suas pernas. Justin a olha. Seu olhar ardente me excita. Passa um dedo pelo pescoço dela, e isso me revolta.

O que esse maluco está fazendo?

Ela sorri, e ele baixa o olhar.

Ah, eu mato!

Esse olhar, acompanhado do seu sorriso malicioso — sei o que significa. Sexo!

Meu coração bate descompassado.

Justin está fazendo o que pedi. Arrumou outra, se diverte, e eu, como uma imbecil, estou sofrendo pelo que eu mesma pedi. Que coisa idiota fui fazer!

Quinze minutos depois, observo que ele se levanta e, sem me olhar, sai do pub de mãos dadas com a garota.

Eu maaaatttoooooooo!

Meu coração bombeia enlouquecido e, se continuo respirando assim, acho que vou ter um troço. Saio do balcão, vou para o banheiro e refresco a nuca com água. O pescoço arde. Merda de alergia! Justin acaba de demonstrar que não está de brincadeira, que seu negócio é pra valer.

Preciso de ar ou sumir daqui. Tenho de desaparecer do pub ou sou capaz de organizar uma verdadeira matança.

Quando saio do banheiro, despacho David como posso e combino de vê-lo amanhã à noite. Ao entrar no meu carro, grito de frustração. Por que sou uma completa imbecil? Por que digo a Justin que faça coisas que vão me fazer sofrer? Por que não posso ser tão fria como ele? Sou espanhola, temperamental; enquanto Justin é um alemão impassível. Ligo o carro, e o rádio começa a tocar. A voz de Álex Ubago toma meu carro, e fecho os olhos. A canção Sin miedo a nada me deixa arrepiada.

Idiota, idiota, idiota... Sou uma IDIOTA completa!

Ligo o celular enquanto começo inconscientemente a cantarolar:

Me muero por explicarte lo que pasa por mi mente,

Me muero por entregarte y seguir siendo capaz de sorprenderte,

Sentir cada día ese flechazo al verte.

Qué más dará lo que digan, qué más dará lo que piensen.

Si estoy loca es cosa mía...

Procuro o número de Justin e, quando estou a ponto de ligar, paro. O que estou fazendo?

Quero quebrar a cara?

Abobalhada, fecho o celular.

Não vou ligar. Nem morta!

Mas a raiva que sinto me faz tirar a chave da ignição, sair do carro e, depois de bater a porta do meu Leãozinho com uma pancada e tanto, entro de novo no pub. Estou solteira, sem compromisso e sou dona de minha vida. Procuro David. Localizo-o e o beijo. Ele rapidamente corresponde.

Esses caras são tão fáceis!

Durante vários minutos permito que sua língua brinque com a minha, e quando estou a ponto de insinuar a ele que devemos ir para outro lugar, a porta do pub se abre e vejo que entra a garota loira que saíra com Justin.

Surpresa, sigo-a com o olhar. Ela vai até o balcão, pede uma bebida a meu colega e depois volta a seu grupo de amigas. Neste instante, toca meu celular. Uma mensagem de Justin.

“Sair com qualquer um é tão fácil como respirar. Não faça nada de que possa se arrepender.”

Sem saber por quê, caio na risada. Justin, seu safado! Ele e seus jogos engraçadinhos. David me olha. Digo que tenho que continuar trabalhando e volto a meu posto.

Às seis e meia da manhã, entro na casa de papai. Estão todos dormindo. Vou até a lata de lixo e, depois de procurar um pouco, encontro o cartão das rosas que Justin me enviou. Abro e leio: “Querida, sou um babaca. Mas um babaca que te ama e que deseja ser perdoado. Justin.”


Notas Finais


Espero que tenham gostado, favoritem a história e comentem a opinião de vocês
Beijos e até o próximo


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