História Pecados de Um Padre - Destiel - Capítulo 3


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Categorias Supernatural
Personagens Castiel, Dean Winchester, Gabriel, Lúcifer, Sam Winchester
Visualizações 81
Palavras 2.839
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura...

Capítulo 3 - Seis Anos Atrás


Castiel colocou o comprido Rosário com enormes contas de madeira em cima do criado mudo. Ele finalmente havia terminado as orações da noite e agora poderia descansar tranquilamente. O dia havia sido exaustivo e o friozinho que fazia estava ótimo para esquentar o corpo debaixo dos pesados cobertores. Puxou o grosso coberto e deitou desligando em seguida a lâmpada do abajur. A chuva caía forte do lado de fora e os relâmpagos clareavam o quarto através dos vidros coloridos da janela.

Os estrondos dos trovões o fazia lembrar-se frequentemente de Dean, das noites em que ele vinha bater a porta de seu quarto quando a chuva era torrente. Castiel sabia que não deveria trata-lo com essa regalia, pois era contra as regras deixá-lo entrar em seu quarto seja qual fosse o motivo, assim como também não era permitido trata-lo de forma especial, afinal, todos ali tinham o mesmo valor, mas Castiel havia criado um sentimento meio que paterno pelo garoto e sempre abria uma exceção quando se tratava dele. Já havia aberto tantas exceções que muito provavelmente já havia inflacionado a maior parte das regras do colégio. Se descobrissem na certa ele seria punido.

Mais um relâmpago seguido de um forte trovão. Pensou se havia alguém com Dean para confortá-lo, conversar com ele até a tempestade acalmar, falar para que não tivesse medo, que tudo ficaria bem. Dean era tão indefeso e carente de afeto que ele se viu impossibilitado de não se apegar. O interno ainda era só uma criança e assim como qualquer outra não merecia viver carente de amor, ou até mesmo de atenção. A seu ver, essa era uma das maiores falhas que um ser humano poderia cometer, não sentir empatia pelo próximo, pincipalmente quando esse próximo era seu próprio filho.

Suspirou acomodando melhor a cabeça no travesseiro e puxando o cobertor até a altura do pescoço, não adiantaria ficar pensando nisso agora, até porque os seus pensamentos não teriam o poder de mudar a situação que o menino estava, a única coisa que podia fazer era pedir para Deus protegê-lo. Remexeu-se algumas vezes procurando uma posição confortável. Por fim fechou os olhos e graças ao enorme cansaço que estava sentindo logo dormiu, teria que estar com as energias carregadas para receber os internos amanhã de manhã.

***

Dean deu um pulo sentando na cama quando mais um estrondo pareceu tremer o chão, e faltava muito pouco para ele começar a chorar. Se pelo menos estivesse no colégio poderia correr para o quarto de Castiel, mas infelizmente esse não era o caso. Estava na mansçao e sem ninguém para quem pudesse recorrer.

Os pingos no telhado começaram a ficar mais fortes, pareciam até granizo querendo perfurar o telhado e como por uma travessura do destino os trovões e relâmpagos se intensificaram. Não havia mais jeito. Não tinha como continuar ali sozinho.

Saiu apressado de seu quarto e correndo na pontinha dos pés, sua única alternativa era correr para o quarto dos pais, mesmo que eles não gostassem quando fazia esse tipo de coisa. A porta do quarto deles estava encostada, havendo apenas uma pequena fresta impedindo-a de se fechar completamente. Dean parou sem ousar tocar na maçaneta, pois notou que seus pais estavam brigando.

Tanto o tom de sua mãe quanto de seu pai era raivoso, e eles gritavam incessantemente um com o outro. Dean ficou com mais medo ainda, nunca antes havia visto seus pais discutirem de tal forma e se perguntou qual seria o motivo de estarem brigando. Era por sua causa? Será que ele havia feito algo errado? Tantas coisas passavam por sua pequena cabeça nesse momento.

– Você acha que eu sou cego? Que eu não sei o que faz em suas supostas viagens a trabalho? Que não percebo que as sessões de fotos ou desfiles ou seja lá o que for são apenas motivos para sair de casa? Eu sei tudo o que anda fazendo.

– Se  você sempre soube então porque insiste nesse casamento idiota e sem sentido? Porque insiste em viver nessa farsa?

– PORQUE EU TE AMO, DROGA!

– MAS EU NÃO TE AMO, JOHN! EU NÃO SOU FELIZ AO SEU LADO! ATÉ MESMO O SEXO ESFRIOU A MUITO TEMPO!

Dean arregalou os olhos com o que estava ouvindo: sua mãe não amava mais o seu pai, não queria mais estar casada com ele e que o sexo havia esfriado. O que era sexo? Perguntou-se. Deveria ser algo importante, pois parecia ser esse um dos motivos da briga.

Mesmo já estando com seus dez anos, Dean não fazia a mínima ideia do que era isso, o que já era comum na sua idade era ter o mínimo de instrução, afinal, as crianças de atualmente já não eram tão inocentes e era nessa idade que as perguntas curiosas começavam a surgir, mas como Dean havia passado os últimos anos em um colégio religioso, ele ainda não havia escutado qualquer menção em relação à vida sexual.

Resolveu voltar para seu quarto, obviamente que seus pais ficariam ainda mais zangados se o vissem ali, por isso era melhor aguentar sozinho em seu quarto até a tempestade parar do que ter que enfrentar a fúria dos dois. Essa foi uma escolha sábia, pois assim ele não pôde ouvir sua mãe dizer que ele havia sido um erro, o infeliz resultado de uma noite de embriagues e que, se realente se separassem, não ficaria com sua guarda, pois o menino seria um empecilho parta sua carreira de modelo, que em sua vida simplesmente não havia espaço para ele.

***

O dia amanheceu chuvoso e a manhã estava fria, mas era um frio até que aconchegante, gostos de sentir. Novak terminou de arrumar a bata por cima das vestimentas comuns e colocou o crucifixo no pescoço, pelo menos toda aquela quantidade de roupa serviria para lhe manter quentinho naquele dia frio.

Olhou-se no pequeno espelho preso a parede e tentou arrumar seu cabelo, algumas mechas começavam a chegar perto de seus olhos de tão grande que elas já estavam, tentou colocá-las para trás, mas uma parte insistiu em retornar para a lateral de seu rosto, suspirou, quanto a isso não havia muito tempo para fazer algo, pois seu cabelo às vezes era tão teimoso que parecia ter vida própria. Depois de mais algumas alisadas ele desistiu, isso já era o suficiente para estar com uma aparência apresentável. Ele não se considerava vaidoso, até porque vaidade era pecado, mas ele gostava de estar sempre bem arrumado.

Saiu do dormitório com um pequeno sorriso no rosto, hoje todos os estudantes voltavam de férias e admitia estar se corroendo de ansiedade para ver seu pequeno. Dean havia feito muita falta durante esse período, e ele sabia não poder nutrir tanto afeto assim, mas era impossível de não se afeiçoar, Dean era tão doce e carente que fez florescer em seu peito o sentimento de proteção, de querê-lo por perto. Era como o filho que nunca teria.

Chegando a entrada Campbell já estava lá a receber os primeiros internos. O outro moreno também foi abandonado ali quando era apenas uma criança e depois da maior idade, como não tinha família ou qualquer contato com o mundo de fora do colégio, também optou por se tornar padre igual a Novak, os dois eram como irmãos.

– Preparado para receber os pestinhas novamente? – Campbell sorriu minimamente, mostrando que estava brincando.

– Você realmente será um belo exemplo de padre. – Novak ironizou, mas sabia que o outro em parte tinha razão, alguns internos pareciam ser filhos do capeta. – Mas respondendo a sua pergunta: sim, eu estou preparado para receber nossos queridos alunos.

– Oh, fiquei comovido agora, deveriam canoniza-lo, sabia? Santo Castiel Novak, o defensor das crianças encapetadas. Realmente combina com você.

Os dois riram. Era raro Campbell ser tão descontraído, isso só mostrava que também estava contente com a volta dos alunos, mas Castiel preferiu não comentar, não queria estragar o bom humor do amigo orgulhoso.

– Novak. Campbell. ­– O garoto correu na direção deles. – Olé! Sentiram minha falta? – Os noviços rolaram os olhos, Gabriel de longe era o aluno mais comunicativo, mas apesar de – excessivamente – tagarela, era um bom menino.

– Seja bem vindo, Gabriel. – Castiel o cumprimentou, dando em seguida seu típico sorriso carinhoso.

– Se apresse e vá logo guardar suas coisas Gabriel, você sempre se atrasa para as primeiras aulas. – Samuel o chamou a atenção, o menino sempre se atrasava no primeiro horário, achava incrível como ele nunca conseguia ser pontual. Um verdadeiro cabeça de vento, pensava.

– Já falei para me chamar de Gabe, Sammy! – Comentou divertido, sabendo que isso irritava o noviço.

– E eu já falei para me chamar de Campbell, senhor Gabriel. – O moreno ajeitou os óculos fazendo cara de paisagem, sabia que o garoto só queria um pé para começar com as provocações. – Agora pare de perder tempo e faça o que eu mandei.

– Sim senhor, Sammy. – Gabriel saiu saltitante ao ver os olhos de cor indefinida o olhar sério. Adorava irritá-lo, tirá-lo daquela atmosfera tão compenetrada que ele tinha.

Novak apenas riu, o garoto era uma pedra no sapato do outro noviço e chegava a ser engraçado como ele conseguia tirá-lo do sério. Não demorou para que o fluxo de chegada começasse a aumentar, desde os mais novos até os maiores. Castiel, mesmo com o máximo de descrição, olhava com expectativa para o portão, esperava pelo momento em que o carro com o brasão Winchester parasse a porteira, estava com saudade de seu menino, não havia como negar e, como que adivinhando seus pensamentos, o carro preto logo apareceu.

O motorista saiu para abrir a porta para o menino e depois pegar sua bagagem que estava na mala. Assim que os viu, Dean sorriu e acenou para eles, Campbell deu um pequeno aceno com a cabeça, Novak apenas observou. Havia algo errado com o menino, ele o conhecia muito bem para saber que aquele sorriso era falso.

– Por favor, cuidem bem do mestre Novak. – O mordomo pediu fazendo uma reverencia assim que chegou até eles. – Mestre. – Se direcionou ao menino também o reverenciando.

– Faça uma boa viagem, Bobby. – O menino se despediu do mordomo que logo foi embora.

– Seja bem vindo novamente, Winchester. – Campbell desejou, com a mesma expressão pacata que dirigiu aos outros alunos.

– Vá desfazer suas malas, Dean. Nos vemos daqui a pouco. – Novak afagou seus cabelos, estava curioso para saber o que se passava com ele, descobrir o motivo do brilho triste em seus olhos verdes, mas sabia não ser apropriado fazer tais observações na frente do amigo, afinal, era proibido mostrar predileções pelos internos.

– Está bem. ­– Dean obedeceu, pegando sua mala de rodinhas e entrando no colégio. Logo os dois também fizeram o mesmo, não poderiam se atrasar, esse ano começariam a dar aulas para os colegiais.

***

Já passava das cinco da tarde, as aulas terminaram cedo e como para matar o tempo, Dean estava a observar as nuvens acinzentadas deitado ao pé de sua amada cerejeira. Mesmo tendo um jardim tão belo na mansão, nenhuma planta de lá era capaz de substituir o aconchego que aquela árvore lhe trazia. Os pequenos brotos começavam a aparecer e ainda levariam certo tempo para que ficasse toda florida, mesmo assim ela não deixava de ser bela por causa disso.

Sua mente recapitulava o que ouvira na noite anterior e a conversa que teve hoje cedo com seu pai, onde veio a tão temida e já esperada confirmação, a inevitável separação. Seu pai não deu muitos detalhes e apenas falou o necessário, que sua mãe estava passando por um momento difícil e que por isso não poderia ficar com ele, mas que assim que estivesse tudo bem ela iria vista-lo.

Mesmo que conformado ele não evitou de ficar triste, por mais que os visse poucas vezes – na verdade via mais seu pai do que sua mãe – ele não queria que os dois se separassem, eram seus pais e ele os amava mesmo que estivessem sempre ausentes. Como sempre foi acostumado a ficar só e já estava mais que acomodado a essa rotina extremamente solitária, mas apesar da distancia ainda sabia que eram família, e agora com a separação foi como se algo tivesse se quebrado dentro de si, uma parte frágil que nem sabia existir. Ele sentia medo e se sentia ainda mais solitário.

– Posso saber o porquê desse olhar triste, meu pequenino? – Castiel apareceu sem ser notado, dando um pequeno susto no menino. Sentou ao lado dele, fazendo carinho no topo da cabeça dele e dando um terno sorriso.

Dean abaixou a cabeça, passando a brincar com a grama do chão, não sabia se deveria falar ao noviço o que tinha ouvido, ele poderia levar um sermão por escutar conversa alheia, mas não havia sido algo intencional.

– Meus pais se separaram... – Comentou triste.

– Hum. – Novak não soube o que dizer, ele não tinha experiência com assuntos familiares, afinal, nunca havia tido uma família. – Eu sinto muito, Dean. Infelizmente acontecem certas coisas na vida que você, por ainda ser criança, não conseguiria entender, mas saiba que eu sempre estarei aqui para o que precisar.

O noviço não poderia dizer que chega uma hora que o amor simplesmente acaba, que a paixão arrebatadora que uma pessoa pensava sentir pela outra na verdade não passava de sentimentos supérfluos, algo facilmente estraçalhado pela tentação da sociedade mundana. Por isso ele se entregou a vida religiosa, nenhum amor era maior, mais puro ou verdadeiro que o amor de Deus. Essa era uma aliança inquebrável.

O menino sorriu e se levantou para se aconchegar no colo do noviço, ele sabia que de todas as pessoas, Castiel era a quem sempre poderia contar, por isso ele gostava tanto do mais velho. Ele sentia paz, tranquilidade, principalmente, se sentia amado toda a vez que estava ao seu lado.

– Minha mãe disse que não ama mais o meu pai. – Comentou brincando com o botão preto da bata alheia, não recebendo nenhum comentário vindo dele, nada além do silêncio. – Castiel?

– Sim?

– O que é sexo? – Olhou nos olhos azuis do outro, a visível curiosidade mostrava o quanto era inocente em relação a pergunta, isso não havia saído de sua cabeça desde a noite anterior.

Novak ficou sem saber o que falar, de onde Dean havia tirado isso? E agora, o que responderia? Como definiria algo que nunca fez? O pouco que sabia tinha visto nos livros, algo totalmente científico que talvez uma criança de dez anos não entenderia, muito provavelmente. Talvez fosse melhor assim, que Dean não entendesse.

– Como eu poderia explicar... Há várias respostas para a sua pergunta, tecnicamente o sexo é um ato praticado por um homem e uma mulher para a reprodução da espécie. De um ponto de vista mais informal, é quando duas pessoas se amam muito e elas fazem carinho uma na outra.

– Então é por isso que meus pais não fazem mais sexo? Porque eles não se amam mais? – Observou que as bochechas do noviço estavam levemente rosada, apesar de achar curioso era engraçado vê-lo assim, Castiel ficava ainda mais bonito.

– Acho que sim. – Ele respondeu com um sorriso amarelo, coçando a nuca. A cada dia Dean ficava mais inteligente, para a sua infelicidade.

– Castiel... Eu quero fazer sexo com você! – Ele exclamou animado, já que era algo que se fazia quando amava muito alguém, ele queria fazer com o noviço. Queria poder fazer muito carinho nele.

– Como?! – O moreno perguntou surpreso, Dean parecia que tinha tirado o dia para constrangê-lo.

– Eu te amo, por isso quero fazer muito carinho em você. – Ele sorriu abraçando o maior. Novak começou a rir do pensamento ingênuo do garoto. Crianças eram realmente muito inocentes.

– Você entendeu errado, meu pequeno. Você ainda não tem idade para fazer sexo, isso se faz apenas quando adulto, onde encontrará uma bela garota por quem irá se apaixonar, então vocês se casarão e o sexo será consequência, se bem que... É provável que ele venha bem antes do casamento. – O noviço riu.

– Mas eu não quero me casar com uma garota, eu quero me casar com você, Castiel! Eu nunca amarei alguém mais do que eu te amo. – Dean fez um bico, ele poderia até ser ingênuo, mas tinha total ciência do que sentia e ele amava Castiel, amava mais que qualquer pessoa. – Você não me ama? – Perguntou triste.

– É claro que eu amo, pequeno! Mas o amor que sentimos um pelo outro é um amor fraterno, não um amor romântico, mas você só entenderá essa diferença quando se apaixonar por alguém, por uma menina. – Ele riu do bico medonho que o menino fazia. – Não faça essa cara! Um dia você ainda dará boas risadas dessa nossa conversa.

Dean cruzou os braços pequenos na frente do peito, estava nitidamente emburrado. Por mais que o noviço falasse aquilo ele sabia muito bem que jamais conseguiria amar alguém como amava o mais velho, e também não queria de forma alguma se casar com uma menina, ele queria se casar com Castiel. Ele definitivamente o amava mais do que tudo.

– Mesmo assim eu ainda quero fazer sexo com você. – Murmurou bicudo.



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