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História Peças e Engrenagens - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction Peças e Engrenagens - Capítulo 2 - Prólogo

"Depois de quase oitenta anos de mistério em torno dos negócios da empresa de pizzaria Freddy Fazbear, esse mistério foi finalmente resolvido e o culpado foi finalmente capturado!"

A luz suave da televisão iluminava a escuridão do lugar onde ele estava, aquela pequena luz era agradável para ele depois de tantos anos preso na escuridão. Ele não precisava dormir, não precisava comer, não precisava tomar banho ou qualquer coisa que qualquer outro ser vivo precise. Ele não estava vivo, de certa forma. Ok, esse começo parece confuso, vamos voltar um pouco no tempo.

1 dia atrás 

Ele foi cercado, fugiu do seu próprio inferno, mas acabou caindo em outro ainda pior, armas de guerra apontadas para ele, helicópteros sobrevoando o local e por algum motivo a polícia estava lá também. Normalmente, em momentos como este, a polícia é inútil. Ele poderia correr se quisesse, ele poderia matá-los afinal, ele é um robô animatrônico de dois metros de altura que pesa quase seiscentos quilos. Não ia dar certo de qualquer maneira, já que estavam apontando uma bazuca para ele.

Ele ergueu os braços para mostrar que não os atacaria, mesmo que quisesse, os homens ao seu redor baixaram as armas e o colocaram em uma espécie de caminhão de carga. Toda a viagem foi um silêncio torturante, pelo menos para os outros que estavam com ele no carro, ele não se importava com o olhar de náusea que os homens olhavam para ele. Ele não tinha olfato, mas sabia que estava fedendo, era um cadáver, o fedor de carne podre e mofo era forte, mas pelo menos havia entradas de ar em algumas partes da carga do caminhão onde estavam para que eles pudessem respirar um pouco de ar puro.

Ele olhou para eles, olhou em seus olhos como se procurasse a alma daquele indivíduo. Ele era frio e antipático. A viagem demorou muito, já que ele estava no meio do nada fugindo. O carro parou em frente a uma prisão de segurança máxima, não era um lugar adequado para um robô, mas vamos considerar o uso de fatos: A alma de um assassino de crianças que está presa em uma fantasia de coelho robótico sendo interpretada por humanos parece irreal e ridícula, Estou certo?

Por mais ridícula que fosse aquela era a realidade, ele mal conseguiu escapar do inferno que aquela criança fez para ele e agora estava sendo preso novamente. Ele não estava algemado, as algemas não cabiam em seus pulsos. O delegado, a polícia e os demais que ele tinha esquecido do nome, levaram-no para dentro. Passou pelas paredes de quase quatro metros, era grosso, se alguém tentasse quebrá-lo não adiantaria, eles caminharam pelo pátio e Springtrap recebeu olhares confusos dos outros prisioneiros. Era uma prisão de segurança máxima masculina, as únicas mulheres lá eram as políciais e as seguranças. Ele se lembra de quando ainda era "humano" e levava uma vida honesta, foi um inferno para ele.

Ele estava tão distraído pensando que nem percebeu que já estava em uma sala de interrogatório, suas engrenagens rangeram e alguns pedaços de sua carne podre caíram no chão, seu terno havia sido descuidado por tanto tempo que era difícil para ele controlar seu corpo, principalmente porque às vezes o robô tentava assumir o controle.

-Sente-se, tenho certeza que você não quebrará a cadeira.- Ele não viu realmente o rosto da pessoa a sua frente, mas percebeu que era um homem pela voz, também podia garantir que havia mais alguém com ele, mas ele não pode deduzir o gênero, este estava escondido nas sombras.

Ele não disse uma palavra e obedeceu, não gostava de seguir ordens mas já estava lá e não tinha como escapar, a situação dele era terrível. Juntas enferrujadas, canos entupidos de carne e mofo, e ninguém o ajudaria. Sua aparência era assustadora e mesmo que ele estivesse da mesma forma que no dia em que construiu essa fantasia só o fato de ser um robô autoconsciente assustava os demais. Maldito seja aquele que criou o exterminador do futuro.

-Você é Willian Afton, certo? - O Homem perguntou para Springtrap.

Ele tentou mover a mandíbula para ativar a caixa de voz, mas percebeu que não conseguia, os parafusos que prendiam sua mandíbula estavam enferrujados demais para se mover. Como ele não conseguia falar, ele acenou com a cabeça, completamente desinteressado.

-Não consegue falar direito? já imaginei isso, Vanessa dê um passo a frente! - O homem ordenou e a pessoa que se escondia acabou por ser uma mulher, Vanessa, ela parecia relutante mas não deixava de exaurir um ar de confiança.- Eu imaginei que seu...corpo? Tivesse problemas depois de tantos anos sem cuidados. Então chamei uma mecânica, quer dizer, ela se ofereceu para vir aqui, já que ninguém mais queria vir.

Seja como for, não importa, ele nem se importa com o que está acontecendo ao seu redor. A mulher atrás dele se aproximou da mesa com um sorriso animado no rosto. Ela o lembrava muito de sua falecida esposa.

-Olha, vou ter que reconstruir você do zero, porque seu estado não tem reparos. Eu sei que você não pode falar, mas você pode escrever? - Ela perguntou. Bem...Não escrevo nada há anos, acho que sim.

Ele estendeu as mãos na espera de receber algum tipo de papel e caneta, Vanessa entendeu e entregou-lhe um bloco de anotações com um lápis. Suas mãos eram muito grandes, mas tinha que servir pra alguma coisa. Não foi tão difícil escrever, suas mãos tremiam um pouco por causa das ferrugens mas ele conseguiu. Sua caligrafia saiu bagunçada mas dava para ler. Ele entregou o bloco de anotações para Vanessa que apertou os olhos tentando decifrar o que estava escrito.

"Não me chame de William Afton, ele morreu a muitos anos, peço que me chame de Springtrap.

Meu corpo pode ser totalmente desmontado e reconstruido contanto que o ship de memória que fica na minha cabeça fique intacto. Se o chip for removido, minha irá junto com ele, então não me afetará."

-Tudo bem! É tudo que preciso saber!-A mulher fechou o bloco e colocou-o no bolso do avental sujo de gracha.

-Isso é tudo? Bem, já que estamos de acordo, você pode levá-lo para a sala. - disse o homem e os guardas na porta o levaram para o quarto.

Seus passos eram pesados ​​devido à sua estrutura, ele caminhava pelos corredores onde havia celas com portas de metal pesadas, paredes sujas e rachadas. Não estava muito fraco, mas ele provavelmente poderia quebrar para---Ah, certo!...Ele não tinha para onde ir. Os homens o deixaram na sala e era como ele sempre imaginou, com um colchão velho e fino em cima de uma estrutura de concreto com vaso sanitário e pia por perto. Ele não precisaria do vaso ou da pia, mas a cama era melhor do que deitar para dormir no chão com os ratos. Assim como todos os anos que ele passou na Fazbear Fright.

Ele não conseguia falar, não precisava comer e não precisava fazer necessidades. Ele estava entediado pra caralho. Ele tinha que admitir que o inferno era ainda mais divertido do que isso, pelo menos ele poderia "brincar" de guarda-noturno.

"Entediado Spring?"

Uma voz falou com ele, ele não se assustou pois já sabia quem era. Ele não estava com muito humor pra aturar essas crianças hoje.

"O que foi? O gato comeu a língua?"

Ele bufou em frustração e revirou os olhos "que crianças chatas" ele pensou consigo mesmo, já que não podia falar. A noite seria longa com essas pestes por perto. Ele não precisava dormir mas o máximo que ele fazia era se desligar para não sobre-aquecer o robô. Isso era um problema que ele ficou com preguiça de concertar.

Ele se desligou mas ainda podia ouvir aquelas crianças rindo e zombando dele. Aquele quarto era monótono e aquelas crianças insuportáveis, ele só tinha que esperar até a manhã seguinte para poder se ocupar. Sua roupa estava desligada, mas ele podia ouvir ruídos externos, algumas pessoas gritando e outras batendo na parede ou na porta de metal. Ele se sentiu entre animais presos em um zoológico, parando para pensar...era a mesma coisa na pizzaria.

A noite foi dolorosamente longa e estava consumindo a sua paciência, o dia já estava clareando e os outros presos já estavam acordados e como ele também era um, ele tinha que "acordar". Ele foi provavelmente o primeiro a sair da cela, já que o homem da noite anterior o havia chamado primeiro. Ele passou pelos mesmos corredores da noite anterior e desta vez olhando mais de perto. Essas rachaduras na parede eram apenas rabiscos, isso o fez rir.

-Olha, estamos financiando seu concerto e sua..."limpeza" também, pois sem querer te ofender Afton. Você está fedendo...- disse o homem com uma voz um tanto enojada. Isso fez Springtrap revirar os olhos.

"Não me diga ... Uau! Posso não ter mais olfato, mas não perdi a noção do que cheira bem e do que cheira mal, seu imbecil." Springtrap pensou consigo mesmo tentando fazer uma cara de mau humor.

Saímos para o pátio e fomos até onde estava o mesmo caminhão de ontem, felizmente a viagem não foi longa. Paramos onde parecia uma oficina, Oh, sim, claro...Vanessa. Eles me acompanharam até a entrada e pude sentir olhares caindo sobre mim, tanto faz, eu não os conheço e eles não me conhecem então de que vou me importar? Fomos recebidos com alegria por aquela mulher particularmente estranha, na minha opinião. Quem ficaria feliz em receber um assassino em seu local de trabalho? Provavelmente um maluco.

-Olá Spring! - Ela me cumprimentou, essa garota é tão estranha.

"Como você está esquisitinha?" Eu não poderia dizer isso, então fiz um joinha com minha mão.

Os homens que me acompanhavam permaneceram lá, disseram que era por segurança, Vanessa me levou até uma mesa de aço e começou a tirar minha pele podre. Ela olhou para o meu endoesqueleto pensando no que fazer, os fios e as juntas estavam todos misturados e cobertos de carne, mofo e fungo. Ela pegou luvas e alguns baldes e, claro, uma máscara para tirar aquela carne podre. Demorou quase uma hora levando tudo para fora e demorou ainda mais para ela desmontar o endo-esqueleto e remover o chip de memória. Não foi ruim, a Vanessa tinha experiência nesse tipo de coisa e sabia exatamente o que fazer, os homens que os trouxeram para a oficina tiveram que ir embora, me deixando sozinha com aquela esquisita.

-Olha, eu sei que você pode me ouvir.- disse ela.

"Você não está errado, eu posso te ouvir, mas não posso te responder."

-E antes de mais nada me diga ...

"E lá vamos nós..."

-Você usou uma faca de cozinha ou de açougueiro para matar aquelas crianças? Não gosto de muitos homicídios mas fiquei curiosa.- disse normalmente.- Sei que não me responderá mas por enquanto...

Ela caminhou até uma prateleira e puxou uma caixa tirando um coelho verde, parecia um robô. Ela o colocou sentado em cima da mesa e conectou o chip de memória a ele, eu instantaneamente assumi o controle do boneco e olhei para ela. Eu estava tão pequeno.

-Agora você pode me responder ...- ela riu.

-Primeiro, nunca pergunte a um assassino esse tipo de coisa, e segundo, usei uma faca de cozinha.- Finalmente consegui dizer algo. Mesmo em um corpo ridiculamente pequeno.

-Bom, me diga, você quer um corpo mais humano ou quer continuar um coelho dourado? - atrevida.

-Eu prefiro continuar sendo um coelho.- Prefiro mesmo continuar sendo um coelho, pelo menos para poder dizer que não sou humano.

-Sério?

-Isso é algo que está além da sua compreensão.- Eu disse.

-De todo jeito, vou arrumar sua cabeça em breve, você prefere seu pelo dourado ou verde? - perguntou ela pegando algumas ferramentas e peças.

-Dourado.

Não conversamos muito, ela estava ocupada construindo uma nova estrutura para mim, ela não terminou completamente então ela deixou para terminar amanhã. Eu ia ter que ficar no galpão da oficina, não tinha como lutar, eu estava em um corpo muito pequeno. Ela ligou uma televisão para mim e fiquei surpreso com o que vi, as televisões de hoje são mais finas e leves. Ela me mostrou algo chamado 'Netflix', havia muitos programas e filmes, eu estava perdido nisso e também bastante fascinado.

Ela me mostrou como funcionava e deixou o controle na minha mão, também colocou uma poltrona para mim e foi para casa. Eu tinha uma grande tela plana com uma variedade de filmes, isso é muito melhor do que ter que aturar aquelas pestinhas.

"Springtrap..."

Uma voz chamou seu nome, ele bufou de frustração já sabendo quem eles eram.

-Oi Chica, Bonnie, Freddy, Foxy e Gold ... é bom ver vocês de novo.- Eu disse sem nenhum interesse neles, e continuei procurando algo para assistir.

"Nós íamos irritar você mas ficamos curiosos." Bonnie disse.

-Diga...

"O que é àquilo?" - Foxy perguntou.

-Também não sei mas tem muitos filmes...querem ver também? - respondi ainda olhando para a televisão."

"Pff... até parece que vamos ficar aqui com você."- Golden falou com uma cara carrancuda e braços cruzados.

-Se você não vai ficar aqui pelo menos volte outra hora para me irritar, não basta que eu esteja nesse boneco ridículo...- Olhei para as crianças que aparentemente só perceberam que eu não estava no meu corpo habitual.

"O que aconteceu com seu corpo?" Freddy perguntou para mim.

"Verdade, o que aconteceu com seu corpo? Esse novo é muito fofo pra ser seu." disse Chica.

-Eles me desmontaram para me reconstruir, agora, se me der licença, vão irritar Henry.

"Quem é Henry" Bonnie estava confuso.

-Ah sim, eu não matei ele...merda...

As crianças se olharam e saíram deixando Springtrap sozinho naquela sala. Ele não conseguia decidir o que assistir e colocou no jornal, pois era a única coisa que estava passando naquela hora.

"Depois de quase oitenta anos de mistério em torno dos negócios da empresa de pizzarias Freddy Fazbear, esse mistério foi finalmente resolvido e o culpado foi finalmente capturado!"

Ele tinha se tornado notícia, o criminoso que ressuscitou dos mortos, o fez rir de como parecia ridículo. Bem...ele estava de volta...

-Eu sempre volto ...

[...]


Notas Finais


Bem esse é o prólogo, espero que quem ler tenha gostado.


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