História Peças quebradas - Capítulo 1


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Categorias Loona
Personagens JinSoul, Kim Lip
Tags Jungfic, Lipsoul
Visualizações 74
Palavras 1.310
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, LGBT, Shoujo (Romântico)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Único; We want to break free


Sentada no chão da sala de seu apartamento, encostada na porta de vidro que dava acesso à varanda, Jung Jinsoul mantinha seus olhos fechados, concentrando-se apenas em ouvir atentamente a voz melodiosa que provinha do apartamento ao lado.


Tornara-se parte da sua rotina, todas as noites após ensaiar uma nova coreografia até atingir o cansaço, sentar-se ao chão, e ouvir os acordes do violão que produzia uma melodia calma, acompanhada da voz angelical de sua vizinha. Não sabia o nome da mulher ou sua idade, apenas que diariamente, à meia-noite em ponto, ela surgia na sacada, sentava-se em um banco, e começava a cantar enquanto tocava seu violão de cor negra, tendo apenas a lua e as estrelas como suas espectadoras. Isso é claro, até Jinsoul tornar-se apreciadora de seu show diário.


Chegara a vê-la apenas seis vezes desde que se mudara para aquele prédio, e apenas em uma, chegou a trocar duas palavras com ela, consistindo em um bom dia que fora retribuído de forma tímida e quase automática. Lembrava-se pouco de suas feições, ou a cor de seus olhos, mas sabia que ela tinha fios de cabelo tão loiros quanto os seus, e sempre usava um batom vermelho chamativo, que dava destaque aos seus lábios cheios.


Desde que a ouviu cantar pela primeira vez, após um dia cansativo em que sentia-se frustrada por não conseguir executar os passos de uma coreografia perfeitamente, Jinsoul viu-se fascinada pela voz calma da vizinha, sentindo-se preenchida de bons sentimentos, mesmo que sou tom fosse quase melancólico, assim como a música que cantava. Ela sempre interpreta músicas sobre o desejo de ser livre e querer voar, e Jinsoul suspeitava que a mulher se sentisse presa à algo, desejando desesperadamente ver-se livre e superar.


Naquela noite em especial, a música que ganhava versão em sua voz, era Fly Away de Lenny Kravitz, e a cada I want to get away; I want to fly away, o tom de sua voz se eleva, como se a mesma estivesse pedindo por socorro. E Jinsoul desejava deliberadamente ajudá-la, mas temia que acabasse assustando-a caso ousasse aproximar-se, deixando-a escapar entre seus dedos. Por este motivo, permanecia como uma admiradora anônima, contentando-se em apenas apreciá-la em silêncio, esperando a coragem para dar um passo adiante.


E esta coragem que tanto aguardava, não tardou a vir.


Em uma noite que a apreciava cantar I want to break free do Queen, em um lapso momentâneo, Jinsoul se viu deixando a covardia de lado, e abrindo a porta de vidro em direção a varanda, podendo ouvir perfeitamente a voz da vizinha, sem o vidro para abafá-la. Observou-a sentada no pequeno banco; seus olhos fechados, enquanto tocava o violão e cantava com verdadeira paixão. E quando a mesma voltou os orbes negros em sua direção, sentiu seu coração falhar em uma batida antes de começar a bater freneticamente, fazendo-lhe arfar.


— Olá — ousou pronunciar-se, sentindo sua voz falhar. Amaldiçoou-se por estar fazendo papel de boba, mas assim que a outra lançou-lhe um sorriso, agradeceu pelo privilégio de contemplar uma visão tão bela quanto aquela.


— Olá — ela respondeu calmamente, ainda mantendo o sorriso no rosto.


— Você canta muito bem — elogiou com sinceridade, segurando-se para não deixar seu nervosismo evidente. Planejou tantas vezes aquele momento, mas colocá-lo em prática era uma sensação totalmente diferente.


— Obrigada — riu baixo, parecendo envergonhada — não sabia que tinha uma espectadora.


— Costumo ouvi-la todas as noites, gosto de sua voz — a confissão sairá de maneira inconsciente, e assim que viu a expressão de surpresa e constrangimento da outra, Jinsoul percebeu a ambiguidade de sua fala, sentindo-se extremamente envergonhada — B-Bem, e qual seu nome? — tentou contornar a situação constrangedora, desviando o olhar para a rua movimentada, mesmo naquele horário.


— Me chamo Kim Jungeun. E você?


— Jung Jinsoul — respondeu baixo, sentindo-se estúpida quando ouviu a risada baixa da vizinha.


— É um prazer conhecê-la, Jinsoul. Fico lisonjeada que goste da minha voz — disse com um largo sorriso, atraindo a atenção da Jung para si. E espero que apareça para me fazer companhia mais vezes. Completou mentalmente, desejando ver a vizinha novamente.


E Jinsoul realmente apareceu.


Desde aquele dia, a Jung deixou de apreciar Jungeun no anonimato, passando a fazer-lhe companhia todas as noites, observando-a cantar para si, e vez e outra, ousando acompanhá-la, recebendo um largo sorriso que fazia seu coração palpitar mais rápido. Não achava que sua voz comparava-se a de Jungeun, e acreditava que estava longe de ser tão bela quanto a da mesma, mas sempre que ela lhe elogiava, Jinsoul passava a apreciar cada vez mais a própria voz, achando belo o contraste do seu tom, juntamente ao de Jungeun.


A cada madrugada que passava ao lado da Kim, Jinsoul se via mais encantada, desejando ser mais próxima da mesma, e realizar o maior de Jungeun; fazê-la alcançar a liberdade.


Em uma das vezes que conversavam banalidades, ela revelou-lhe que estava presa à alguém, e que aquele apartamento era sua verdadeira cela. Mas, mesmo que tivesse oportunidade de fugir, via-se sem forças, e permanecia no mesmo lugar, sem saber para onde ir, e como superar.


— Eu mesma me prendi aqui, e não tenho mais coragem de fugir. Então apenas canto meu desejo, enquanto espero pelo dia que finalmente terei coragem de me libertar, e alcançar minha liberdade e felicidade.


Fora o que ela lhe dissera, quando questionou-lhe o motivo da mesma não fugir. E ali, Jinsoul soube, Jungeun era uma peça quebrada, que despedaçou-se ao passar por mãos descuidadas de outro alguém. E mais do que ninguém, a entendia muito bem. Porque Jinsoul estava igualmente despedaçada, evitando juntar seus cacos para não se cortar. E talvez, fôra aquele sentimento em comum, que lhe fizera se apaixonar.


Quando ouviu a voz de Jungeun pela primeira vez, viu-se imediatamente encantada, isso era fato. E após conhecê-la melhor, via-se cada vez mais deslumbrada, apreciando cada detalhe de suas feições, e todo seu jeito de ser. Descobrir-se apaixonada pela Kim, não era surpresa para si. Assim como não se surpreendera ao saber que era correspondida.


Conseguia notar em cada olhar e gesto de Jungeun, todo o sentimento que a mesma nutria por si. E tinha certeza que assim como ela, deixava evidente os seus, podendo ser notada rapidamente, sem precisar de esforço. E por este motivo, tendo conhecimento do fato, não hesitou em realizar seu desejo, e beijar Jungeun.


No dia em que ela fizera o convite inusitado de chamar-lhe para seu apartamento, enquanto a observava falar sobre algumas músicas dos anos noventa que tanto adorava, Jinsoul ousou inclinar-se para frente, e capturar os lábios cheios com os seus, sendo prontamente correspondida. As emoções que explodiram em seu peito em seguida, sequer podem ser descritas, e Jinsoul acha que não há palavras suficiente que possam descrever perfeitamente todo o sentimento inexplicável que sentiu.


Quando separaram-se após o beijo calmo, Jungeun fitou-lhe com um pequeno sorriso, mas um olhar apreensivo, antes de questionar-lhe:


— Eu estou quebrada, Jinsoul. Você está mesmo disposta a ficar com alguém que só pode doar pedaços de si?


Diante o questionamento, Jinsoul fitou atentamente os orbes negros de Jungeun, e colocou uma mecha dos longos fios loiros da mesma atrás da orelha, antes de finalmente responder:


— Eu estou igualmente despedaçada, você sabe. Não prometo nos consertar, mas posso tentar encaixar nossos pedaços, e fazer dar certo.


— E se não funcionar?


— Então nós apenas continuamos do jeito que está.


Sentindo o coração aquecido, e tendo os lábios de Jinsoul junto aos seus novamente, Jungeun resolveu que também iria tentar. Mesmo que o futuro fosse incerto, e que talvez, acabasse ainda mais machucada.










Mais tarde naquele mesmo dia, sentada na varanda enquanto tinha Jungeun em seus braços, Jinsoul questionou em um sussurro:


— Como você se sente?


Com um pequeno sorriso nos lábios pintados de seu fiel batom vermelho, e de olhos fechados, Jungeun respondeu:


Eu me sinto livre.




Notas Finais


Talvez esteja um pouco confusa? E achei esse final meio incompleto, mas fazer o que, sou péssima com finais, é isto.


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