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História Peccatum Nostrum - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá pessoas.
Eu sei que ultimamente não tenho postado quase nada, mas isso se deve ao fato de que eu vinha trabalhando num projeto um pouco maior do que o de costume, normalmente escrevo one-shorts ou short-fics, sendo que a maior historia já publicada por mim tem em torno de 15 capítulos, se bem me lembro. Não é que eu não tenha ideias para longs, acreditem, isso não me falta, mas eu não sou uma pessoa disciplinada, nem sequer consigo manter um horário fixo para dormir, e não foram poucas as vezes em que comecei uma long e não terminei, e não gosto de deixa-los na mão, por isso havia prometido a mim mesma que não postaria uma long antes de ter ela inteiramente escrita no meu computador.
E como vocês já devem ter deduzido, sim, está é um long-fic, mas já aviso, eu não comecei ela com o intuito de ser uma long, as ideias simplesmente foram vindo conforme eu escrevia e de repente, o que era para ser uma one-short, se tornou, primeiramente, uma short-fic e depois uma long. O que eu tinha em mente para ser um único capitulo acabou se tornando tres, então tenham em mente que este e os próximos dois, deveriam ser o mesmo, eu só os separei porque não queria capítulos imensos.
Como eu não iniciei essa fic com a intenção de torna-la uma long, tenham em mente que muita informação pode ser dada de forma vaga porque eu não pretendia me aprofundar demais.
Enfim, por hora é isso, nos vemos nas notas finais

Capítulo 1 - One


Fanfic / Fanfiction Peccatum Nostrum - Capítulo 1 - One

Quando Will Solace completou quinze anos o reino inteiro comemorou, foi organizado um baile realmente grandioso no palácio e talvez o mais inusitado tenha sido que o rei Apolo não convidou apenas os nobres, mas os pobres também, coisa que agradou o povo e melhorou sua reputação.

Mas o que muitos viam como bondade ou generosidade do atual rei, Nico sabia que era apenas o comprimento de uma exigência do príncipe Will. Assim como ele e todos os nobres ou servos do palácio, sabiam que aquela festa não era uma comemoração ao aniversário, não realmente, era uma comemoração pelo príncipe ter atingido idade suficiente para casar-se.

A maioria das garotas era casada por volta dos treze anos e se chegassem aos dezesseis sem um marido então já seria considerado um caso perdido, – solteironas – mas as normas sociais para os garotos eram mais flexíveis. Dificilmente um garoto casaria com essa idade, na verdade seria quase inaceitável que ele não tivesse tempo de viver sua juventude, então normalmente eles se casavam aos dezesseis anos.

Will, no entanto era um príncipe, o que quer dizer que ele tem certas responsabilidades, como por exemplo, garantir a continuidade de sua linhagem.

William era o único filho, homem, vivo, do rei Apolo, mesmo que tivesse sido o último a nascer. Nico não sabia muito sobre, mas havia ouvido histórias sobre o tempo em que o povo acreditava que após o reinado de Apolo, seu irmão, Ares, seria o novo monarca, crença essa que trazia medo e desesperança ao povo, visto que Ares, embora um excelente general de exército, não podia estar mais longe de ser um líder político e também era conhecido por sua crueldade.

Apolo herdou o trono de seu pai aos dezessete anos, mas ao contrário do que seria ideal, não era casado na época. Seu casamento com a falecida rainha, Naomi, só foi ocorrer no ano seguinte e boatos dizem que foi por conta de uma gravidez que resultou em aborto.

O casal sofreu alguns abortos naturais ao longo do tempo, mas chegaram a nascer cerca de cinco bebês, sendo o atual príncipe-herdeiro, o último deles. A primeira criança era um menino que já nasceu sem respirar e sem nenhum batimento, o segundo menino morreu por pneumonia com cerca de cinco meses de vida, a terceira e a quarta criança, embora fossem ambas saudáveis também eram duas meninas, Kayla e Rachel, que, segundo os costumes locais, não podem assumir nenhum tipo de cargo, a única coisa que elas podem herdar do pai é o título de princesa que será perdido assim que Will tiver um herdeiro.

E então, quatro anos após o nascimento de Rachel, a rainha engravidou novamente surpreendendo a todos, que aquela altura não imaginavam que ainda pudesse acontecer. William nasceu prematuro e ninguém acreditava que ele fosse viver mais de um ou dois anos, quão pequeno e frágil era, mas o garoto deixou de ser pequeno e sua saúde se fortaleceu com o passar do tempo.

— Porque está me olhando desse jeito? — perguntou o príncipe sorrindo levemente para o outro garoto.

— Por nada, senhor. — disse Nico prontamente desviando os olhos de Will.

Como qualquer servo, Nico sabia que não deveria se dirigir ao príncipe pelo seu nome, mas sim com títulos ou pronomes respeitosos, e dentre todas as palavras que poderia usar para se referir ao príncipe, o moreno sabia, senhor era a mais inadequada. William não era apenas o seu senhor, era um príncipe, ele era muito mais do que um simples senhor.

No entanto, naquele momento, os dois eram as únicas pessoas naquele quarto, por tanto, não haveria ninguém para corrigir Nico.

— Você sabe que pode me chamar pelo meu nome quando estivermos sozinhos. — resmungou o loiro com uma breve careta.

Nico tentou, mas não conseguiu manter seus olhos longe dele.

Naquele momento o príncipe estava se preparando para o baile, Nico Di Ângelo estava lá sob o pretexto de ajuda-lo, mas diferente da maioria da nobreza ou realeza daquele local, Will se vestia completamente sozinho e naquele momento estava abotoando sua camisa perfeitamente passada.

Os olhos do moreno automaticamente se desviaram para a parte exposta de seu tórax.

Will não era um guerreiro e ainda que ele mesmo já tivesse mostrado isso durante suas curtas aulas de esgrima, seu corpo também o denunciava. Ele não tinha os músculos que os soldados, ferreiros ou fazendeiros tinham. E, no entanto ele ainda tinha alguns indícios da musculatura que se formava sob a pele, aparentemente eram puramente genéticos.

Nico por outro lado era, de certo modo, um guerreiro, sabia manusear uma espada perfeitamente bem e mesmo que tivesse apenas dezesseis anos já estava entre a elite dos soldados do reino. E mesmo assim, mesmo que já tivesse lutado em batalhas e até matado pessoas, ele não possuía nenhum músculo visível no corpo. Ainda que isso lhe desse uma vantagem, já que seus adversários sempre o subestimavam, ele não gostava nem um pouco de tal fato.

— Sou só seu servo. — disse o moreno — Não tenho títulos, riqueza, ou qualquer tipo de nobreza.

— E daí? — retrucou Will erguendo uma sobrancelha para o moreno, quase como se o desafiasse a contraria-lo — Não me importa nada disso. Somos pessoas, seres-humanos, estamos em igualdade, somos a mesma coisa. Me chame pelo meu nome, como fazia quando éramos crianças.

Nico precisou virar o rosto por um breve momento.

Ele sabia o que era certo e errado, e sua relação com Will não poderia estar mais errada. E sabia também, que se as coisas entre eles continuassem como estavam, um deles, ou senão ambos sairiam gravemente feridos.

Como príncipe, ele tinha um caminho traçado. Em algum momento se casaria com alguém, uma princesa, ou alguém da nobreza, teria filhos, herdeiros, e então, quando Apolo morresse, assumiria seu lugar e seria responsável por toda uma nação, teria poder absoluto e precisaria saber equilibrar as necessidades do povo com as vontades dos nobres, além de manter, ou não, alianças políticas com outras nações.

Will era muito esperto para idade e já havia demonstrado certa habilidade para política, além do domínio da dialética, coisa sobre a qual Nico não tinha quase nenhuma habilidade além do básico.

O príncipe tinha o dom de cativar pessoas com palavras e olhares, se ele quisesse poderia facilmente fazer qualquer um mudar de opinião e contrariar tudo aquilo que aprendeu e em que acreditou a vida inteira. Se ele quisesse, poderia facilmente convencer alguém a dar a vida por ele.

No entanto, apesar desta habilidade, Willian era gentil. Quíron, o conselheiro do rei, inclusive temia que essa gentileza do futuro monarca o atrapalhasse em sua vida política.

O príncipe sempre fazia de tudo para ajudar a todos, e ele não gostava que certas pessoas recebessem tratamento diferenciado, ele queria, ainda que soubesse ser impossível, que todos tivessem o mesmo tipo de tratamento que todos pudessem ser considerados como igualmente importantes.

Will não tinha a capacidade de prejudicar alguns para ajudar a muitos, mas como rei, ele terá sempre de priorizar o seu povo e considera-los mais importantes que os outros. Ele vai ter que, em certos momentos, prejudicar outros povos para que o seu se mantenha saudável.

Nico sabia que ele não conseguiria sozinho, e por isto se recusava a abandona-lo ali. O príncipe não conseguiria tomar este tipo de decisão, mas o Di Ângelo não se importava em toma-las por ele. Estava mais do que disposto a ter o sangue de outros povos em suas mãos, apenas para garantir que William não sujaria as dele.

E isso o colocava em um dilema. Como se manter ao lado de Will sem toca-lo, ou sem desejar toca-lo de todas as formas impróprias, inadequadas ou condenáveis aos olhos do clero e da sociedade? Como evitar que o desejo o dominasse quando Will lhe encarava daquele modo? Quando seus olhos, ainda mais azuis do que os céus, lhe encaravam com expectativa, paixão e desejo? Como ele poderia fazer ou pensar qualquer coisa quando o Solace lhe encarava com aquele olhar intenso e ao mesmo tempo desafiador?

Além dos seus olhos, havia ainda o seu sorriso. Um sorriso cúmplice de quem compartilha um segredo tão grandioso que, se revelado, pode acabar por encerrar as vidas de ambos da forma mais terrível possível.

E, é claro, o Di Ângelo sabia que o príncipe estava abotoando aquela camisa com aquela lentidão de forma completamente proposital, para provoca-lo.

— Não somos crianças. — retrucou Nico evitando olhar para o loiro, pois sabia que se o fizesse acabaria caindo em seu jogo e fazendo qualquer coisa que ele dissesse. — O que fazemos não é coisa de criança.

Aquele sorriso cúmplice e provocativo voltou a aparecer e não importava o quanto Nico tentasse, não conseguia ignorar aquilo.

Aquele simples sorriso fazia o coração do moreno disparar e suas mãos perderem a firmeza.

Will deu um passo na direção de Nico. Apesar de ser um ano mais novo ele ainda era mais alto que o moreno, mesmo que não fosse mais do que alguns poucos centímetros.

O menor não se conteve e acabou observando o rosto do príncipe. Era inevitável encontrar aquele olhar de Will e não ter lembranças trazidas à tona, era quase impossível ver seus lábios curvados em um sorriso e não pensar em todas as vezes que tocara aqueles lábios com os seus próprios. Era inevitável não desejar aqueles momentos novamente.

— Você é o príncipe. — disse Nico quando sentiu que Will estava tomando um rumo perigoso com sua aproximação — Nós dois nunca teremos um futuro.

— Por que não?

Nico sabia que havia conseguido mudar o foco dos pensamentos do jovem monarca apenas pela leve mudança em seu olhar. Embora ainda fosse um olhar intenso, não havia mais neles a paixão de antes, apenas uma certa inconformidade e tristeza.

— Pergunte a um cardeal, ou ao próprio papa, se preferir. — Di Ângelo tentou conter, mas o sarcasmo era mais do que nítido em seu tom acido.

— Se o que fazemos é pecado, então não me importo de ser um pecador. — disse Will com clareza — Se Deus de fato acreditasse que estamos pecando, então ele próprio deveria intervir sobre esses sentimentos que me fazem realizar tal pecado.

Eram apenas algumas frases tolas de um garoto inconformado com sua realidade, mas o modo como Solace as pronunciava fazia com que tivessem quase o mesmo efeito de persuasão de um discurso intensamente trabalhado para que ter tal efeito.

E o moreno sentiu sua determinação oscilar apenas com aquelas palavras.

Ele sabia que para William não era difícil manipula-lo, não quando seu coração acelerava com sua simples presença e ele tinha o impulso de fazer tudo que estivesse ao seu alcance para agrada-lo, mas mesmo assim ele admirava a habilidade do príncipe.

— Você completou quinze anos... — Nico começou a argumentar quando Will acariciou seu rosto — É só uma questão de tempo até que tenha de casar com uma princesa para consumar uma união entre reinos, ou então alguma nobre para manter a linhagem...

— Não quero me casar. — ele disse de forma objetiva.

O príncipe sabia que estava soando como um garoto mimado que faz birra ao não alcançar aquilo que quer, no entanto aquelas palavras simplesmente saíram de sua boca de forma quase involuntária, por mais que ele soubesse que seu desejo não era e nem nunca seria um fator definitivo para essa questão.

Nico não conseguia encarar Will, no entanto suas únicas opções eram: encarar aqueles olhos azuis intensos e sérios, ou permitir que seu olhar se desviasse para a clavícula exposta do futuro rei.

— Não terá opção e sabe disso.

O moreno por fim conseguiu encarar o maior, seu olhar tão intenso quanto o dele.

O que estava dizendo não era novidade para absolutamente nenhum dos dois. Ambos sempre souberam sobre isso. Will sempre teve o peso das vidas de milhares de pessoas sobre os seus ombros, desde o momento em que nasceu, e precisava abrir mão de certos desejos e vontades por conta deste peso.

Nico sabia melhor do que qualquer um que aquele era um fardo que Solace jamais havia desejado. Ele sabia o que William diria antes mesmo que ele se pronunciasse e sabia muito bem da veracidade daquelas palavras.

— Eu não escolhi isso...

A mão de Will deixou o rosto do moreno enquanto ele se afastava.

Nico se arrependeu do que dissera assim que ouviu a voz triste do príncipe, mas ele sabia que era a única forma de manter alguma distância entre eles.

— Precisa se apressar... — disse Nico — O rei não vai gostar caso se atrase para seu aniversário.

— Meu pai não vai se importar, não quando ele mesmo costuma se atrasar. — retrucou.

— De todo modo, não vai passar uma boa impressão.

Will assentiu e voltou a abotoar sua camisa, enquanto Nico, como qualquer servo, preparava o resto de suas roupas.

O príncipe vestiu-se sem dizer mais nenhuma palavra, apenas encarando Di Ângelo de tempos em tempos, como se esperasse dele alguma reação ou que dissesse algo, mas o moreno manteve-se calado.

— Eu preciso que fique do meu lado. — disse Will repentinamente enquanto Nico o ajudava a arrumar sua capa.

— Como? — ele perguntou confuso.

Will lhe lançou um olhar estranhamento frágil, o que fez com que o coração do moreno acelerasse de forma repentina.

— Não sou forte como você. — disse ele — Se eu vou realmente virar um rei, então... Preciso que fique ao meu lado.

Nico suspirou com os olhos fechados por um breve instante.

Está era a primeira vez que ouvia tais palavras vindas da boca do príncipe. A primeira vez que Will pronunciava aquilo que Nico já sabia.

Sempre esteve claro que Solace não tinha a capacidade de tomar certas decisões ou ter certas atitudes que um rei deveria ter. Nico, no entanto era um soldado, já havia visto muitas vidas serem tiradas e ele próprio também já havia tirado diversas.

A única decisão que Di Ângelo parecia incapaz de tomar era a de se afastar do príncipe.

— Melhor você ir...

Will segurou a mão dele assim que terminou de arrumar a capa. Seus olhos se encontraram e o príncipe se aproximou rapidamente, tocando seus lábios nos do seu servo por alguns segundos.

— Não existe ninguém que eu ame mais do que você. — ele disse com sinceridade.

— Não deveria...

— Você sente o mesmo. — interrompeu ele — Eu sei disso. Caso contrário poderia simplesmente contar a meu pai e ele certamente nos afastaria.

— Não é hora para isso. — resmungou o moreno — Seus súditos estão lhe esperando, alteza.

Will suspirou e deu alguns passos até a porta, apenas para se virar e olhar para Nico mais uma vez enquanto perguntava:

— Posso vê-lo após o baile?

— Vou até seu quarto depois de garantir que Hazel está bem. — disse ele.

— Está protegendo demais ela. — disse o príncipe com um sorriso — Sei que Frank a está cortejando. Você o conhece, sabe que tem boas intenções.

— É da minha irmã mais nova que estamos falando. — resmungou o moreno.

— Ao menos descubra o que ela quer antes de tomar uma decisão. Algo me diz que ela gosta dele.

Nico bufou e Will sorriu enquanto deixava o moreno no quarto e seguia para o salão onde o baile já havia começado.

Mal o príncipe chegara próximo à entrada alta em forma de arco quando se deparou com seu pai que lhe encarava fixamente.

Will sentiu o peso da expectativa sobre si com apenas aquele olhar e se permitiu respirar mais profundamente enquanto andava até o rei que estava acompanhado de seu conselheiro e tutor tanto do príncipe quanto das princesas, Quíron, além da própria princesa Rachel.

— Está pronto? — perguntou Apolo.

— Sim, senhor. — respondeu Will prontamente.

Rachel sorriu e segurou a mão do irmão por algum tempo, enquanto sussurrava em seu ouvido.

— Kayla já chegou, ela está com aquele marido idiota dela. Não sei como ela consegue aturar aquele homem, de verdade. Tudo o que ele sabe fazer é falar sobre o reino dele e dizer o quanto ele é um bom monarca. Se fosse tão bom assim não precisaria pedir nosso exército emprestado de tempos em tempos.

Will não pode evitar de sorrir.

Kayla e Rachel eram completamente diferentes de todas as formas possíveis.

Rachel era uma mulher determinada, o suficiente para conseguir evitar um casamento até o momento atual, onde finalmente ficara noiva, de um burguês, aos dezenove anos. Duas coisas que normalmente seriam inaceitáveis, uma mulher casando-se com esta idade, e ainda por cima uma princesa e um burguês, sem qualquer título de nobreza.

A garota, no entanto, contrariando todo tipo de costume ou norma da época, se recusou a permitir que seu pai escolhesse com quem, ou quando casaria, e todos os pretendentes que Apolo apresentou foram afastados pela ousadia da princesa em tentar escolher seu próprio destino.

Quando um comerciante local que estava enriquecendo cada vez mais veio até o palácio para pedir a mão da princesa, a reação inicial e esperada do rei, foi de dizer não. No entanto devido a certas ameaças de Rachel foi necessário que o rei cedesse e permitisse tal casamento, o que virou notícia no reino em pouquíssimo tempo.

Kayla por outro lado era uma mulher gentil e considerada quase que exemplar. Quando tinha dezesseis anos se casou com o herdeiro de um reino vizinho, foi uma jogada política para que os reinos formassem uma aliança solida.

Apesar disso a princesa mais velha não reclamou, mesmo que seu marido já tivesse vinte e dois anos na época e fosse viúvo, sem filhos.

— Está na hora de cumprimentar seus súditos, meu príncipe. — disse Quíron de forma respeitosa.

— Certo... — respondeu Will sentindo-se nervoso, mas vestindo a máscara de tranquilidade que tanto se habituara a usar.

— William. — chamou Apolo antes que o garoto desse um passo sequer — A partir de hoje as mulheres devem demonstrar certo interesse em você. Não as afaste, mas mantenha em mente que a imagem da rainha também interfere na imagem do rei e do reino. Seja cauteloso antes de realizar qualquer escolha.

— Foi assim que escolheu casar-se com minha mãe ao invés de uma de suas amantes? — perguntou o príncipe em tom baixo e os olhos fixos no chão.

Ele ouviu a risada contida de Rachel, juntamente com o suspiro de Quíron e sabia que estava sendo injusto com o pai, como também sabia que ele havia de fato se importado com sua mãe, mesmo que não soubesse qual era exatamente o sentimento que eles tinham um pelo outro.

No entanto estava cansado e irritado de ouvir as pessoas lhe falando sobre casamento e sobre como não teria escolha com relação a isso. Estava cansado de ser lembrado que não tinha escolha, ou qualquer tipo de poder, sobre seu próprio futuro.

— Meu caso é diferente do seu. — disse Apolo com tranquilidade — Sei que se pudesse escolher, então não casaria com mulher alguma. Já que não existe nenhuma que irá agrada-lo então ao menos escolha uma que agrade ao povo.

Rachel ergueu uma sobrancelha para o irmão ao ouvir isso. Will permaneceu sem encara-la e mesmo que não demonstrasse estava surpreso ao ouvir tais palavras de seu pai visto que elas insinuavam que ele soubesse da relação dele com Nico, embora também pudesse significar apenas que ele havia percebido que o filho não se sentia atraído por mulher alguma.

— Não vou escolher uma noiva hoje. — disse o príncipe em tom definitivo — É meu aniversário, tenho o direito de me ver livre disto ao menos hoje.

— Você tem o tempo que precisar. Mas não tem escolha quanto ao casamento. Se não tiver herdeiros o reino provavelmente ficará nas mãos de um de seus sobrinhos.

— Os filhos de Kayla também estão sendo educados para serem reis.

— Edmund vai ser rei de outra nação. Um único rei não pode liderar dois povos diferentes, ou eles se unirão ou um deles será prejudicado. Não importa o sangue que ele tem, para Ed seu povo vai ser aquele com o qual ele cresceu, mesmo tendo nosso sangue ele não vai ver o nosso povo como sendo o dele, então...

— Ele vai priorizar o de seu pai e nossa nação será prejudicada. — disse Will com um forte suspiro.

— Não se deixe guiar por suas emoções. — disse Quíron em tom de aviso — Não importa o que sinta, ou se são ou não membros da sua família, não pode confiar que alguém de fora vá priorizar o nosso reino.

— Nico não é do nosso reino...

— Por isso mesmo ele tem certas limitações. — disse Quíron — Limitações estas, que você sabe, teriam sido muito maiores se não tivesse intervindo a favor dele.

— Não podia deixar que o matassem apenas por ter nascido em outro lugar.

— Não é hora pra essa conversa. — disse Rachel com firmeza, fazendo com que todos os homens do recinto se calassem — Os convidados já estão esperando muito.

William mal havia dado dois passos no salão quando um servo apareceu para anunciar a sua presença atraindo a atenção de todos para si enquanto ele, seguido por seu pai e sua irmã, andavam até seus respectivos lugares, nos tronos que haviam ao fundo do salão em uma espécie de altar.

Os dois tronos, enfeitados com joias, com figuras de sóis e flores esculpidas na madeira, Will sabia, não eram nada confortáveis e estavam destinados ao rei e a rainha. Como Apolo não voltou a casar-se após o falecimento de sua esposa e mãe de seus filhos, o trono da rainha permanecia vazio.

Ao lado do trono da rainha, no entanto havia sido colocada uma cadeira alta e tão decorada que sequer destoava tanto quanto o esperado. Aquele era o local em que Rachel ocuparia, ao menos até o seu casamento, quando, em tese, ela deixaria de pertencer a seu pai e passaria a ser posse de seu marido.

As princesas, assim como a rainha, deveriam sempre sentar-se ao lado direito do rei, seguindo sempre a mesma ordem. A rainha senta-se ao trono, atualmente vazio, logo a direita do rei, enquanto as princesas, sentam-se ao lado da rainha, em cadeiras como aquelas, com menos destaque do que o trono e dispostas em ordem de idade, da mais velha para a mais nova. Os príncipes, no entanto devem permanecer em pé a esquerda do rei, também do mais velho ao mais novo, no entanto, todos os príncipes, com exceção do herdeiro, devem vestir-se exatamente do mesmo modo, apenas o príncipe-herdeiro deve se destacar para que o povo saiba quem no futuro os governará.

Entretanto, nesta ocasião, o único príncipe existente é o herdeiro do reino e uma única princesa senta-se ao lado de um trono vazio.

Em um período onde reis têm diversos filhos e esposas são facilmente substituíveis, aquela era uma cena inusitada e cada pessoa sobre aquele altar tinha consciência disso ao tomar os seus devidos lugares.

Houveram diversos discursos, presentes e felicitações pelo seu aniversário, mas o príncipe não prestou atenção de fato a nenhuma delas. Todos que falaram eram nobres, muitos viviam no palácio, alguns eram reis ou príncipes de reinos vizinhos ou aliados, no entanto pouquíssimos eram os que Will de fato conhecia e o número dos que foram sinceros era menor ainda.

O único momento em que William realmente prestou atenção ao seu redor durante as felicitações foi quando sua irmã mais velha, junto de seu marido e seus filhos se aproximaram.

Fisicamente, Kayla e Will eram extremamente parecidos, muitos chegavam a dizer que o príncipe, quando bebê, era idêntico a sua irmã mais velha, as únicas diferenças marcantes entre eles eram, de fato, culpa de seus gêneros distintos.

Kayla sorriu discretamente para o irmão ao se aproximar do trono com uma reverência. Ela parecia mais velha e madura do que da última vez que William a vira, com os cabelos loiros presos em um coque complicado que mantinha em sua cabeça uma coroa dourada incrustada com uma única pedra azul, cujo nome Will desconhecia.

Mas ela jamais poderia se aproximar novamente do trono sozinha e muito menos falar em frente aqueles que já haviam sido o seu povo.

Seu marido, o rei Ernest, estava ao seu lado e era ele quem pronunciava algumas palavras, claramente decoradas e elaboradas por sua rainha, para o seu cunhado.

Além do marido ao lado direito, também havia alguém ao lado esquerdo de Kayla.

Will conteve um sorriso, pois a etiqueta não lhe permitia que tivesse tal demonstração de afeto, quando o pequeno garotinho fez uma reverência desengonçada para seu tio.

Edmund tinha apenas quatro anos de idade e era o mais velho dos três filhos de Kayla, sendo as outras duas meninas que estavam com suas respectivas amas-de-leite visto que ambas eram jovens demais para qualquer coisa.

Charlotte e Elinor tinham respectivamente dois e um ano, embora até mesmo a mais nova já soubesse andar, ainda permanecia no colo, provavelmente para evitar que saísse correndo e agisse da maneira oposta a de uma princesa.

Acabada toda a cerimônia do aniversário e iniciado o baile de fato, Will já estava entediado de ficar apenas parado em pé ao lado de seu pai, por tanto, assim que pode sair daquele local, é claro que o fez, seguido de Rachel.

A primeira pessoa a encontrar na multidão foi Kayla, que o puxou pelo braço e o guiou até um local mais calmo, onde haviam algumas cadeiras e seus três filhos estavam lá, junto das três amas-de-leite que eram responsáveis por eles.

— Feliz aniversário, irmãozinho. — disse Kayla abraçando o irmão com força.

— Tio Will. — chamou Edmund, puxando a capa do príncipe em busca de atenção — Eu fiz uma coisa para você, mas mamãe e Anne acharam melhor que eu não desse na frente de todo mundo.

Anne era a ama-de-leite do menino, a quem ele era muito apegado e que junto de Kayla, ajudava a evitar que ele desagradasse ou contrariasse o pai que costumava ser muito rígido, mesmo com crianças pequenas. Ambas tentavam proteger o menino e aliviar a responsabilidade de ser o primogênito homem de um rei.

— E o que é, Ed? — perguntou Will sorridente enquanto se abaixava para falar com a criança.

O menino tirou de um bolso interno de suas vestes um cordão de couro com um pequeno pingente de madeira esculpido a mão por alguém que certamente não possuía nenhuma habilidade para tal. O pingente era um losango, um pouco torto, com a figura de um sol, desenhado de uma forma um tanto infantil. Will virou o pingente na mão e no verso ele pode ver as letras W, S sobrepostas, William Solace.

— Você que fez? — perguntou Will sorrindo ainda mais para o menino.

— Sim. — ele respondeu animado — Uma das nossas camareiras é casada com um carpinteiro e o filho dela, que às vezes brinca comigo, quando o papai não tá por perto. Ele está aprendendo a ser carpinteiro, e eu pedi que ele me ensinasse. Queria que fosse de ouro, como as nossas joias, mas ele disse que seria impossível me ensinar isso, então acabou sendo de madeira.

Will colocou o cordão no pescoço enquanto afagava os cabelos escuros do menino e dizia:

— Esse é o melhor presente que eu já ganhei, porque foi que você que fez pra mim.

O menino sorriu, claramente satisfeito, enquanto suas bochechas adquiriram um tom levemente rosado e Kayla começava a falar sobre tudo o que havia acontecido desde a última vez que vira o irmão, quase seis meses antes e que não pudera ou achara melhor não mencionar nas cartas que o enviava ocasionalmente. Contou a ele que estava grávida novamente e que torcia, tanto para que a gravidez fosse até o fim, quanto que a criança fosse mais um menino.

Com seus vinte anos de idade Kayla, apesar de possuir três filhos saudáveis, já havia tido também dois abortos no início da gravidez, o que queria dizer que esta já era a sexta vez em que engravidava.

Não é como se o que tivesse acontecendo com ela fosse incomum. Muitas mulheres sofriam abortos espontâneos, diversos deles, durante a vida, no entanto isso a assustava mais do que deveria, uma vez que ela sabia da grande dificuldade de sua mãe em ter filhos e temia passar pelo mesmo acontecido. Medo infundado, já que todos sabiam, e já lhe haviam dito, que se fosse o caso ela dificilmente teria tido três crianças saudáveis com esta idade.

Apesar de estar de fato ouvindo as palavras de sua irmã, Will também estava procurando certo rosto entre a multidão, alguém que nunca gostara destes eventos, mas que sempre estava lá.

 

Nico Di Ângelo não estava longe dali, observando Will enquanto ele interagia com sua irmã e seus sobrinhos. O príncipe era um dos poucos daquele lugar que gostava de interagir com crianças que não fossem seus próprios filhos, muitos, como o rei Ernest, pai das crianças em questão, não costumavam interagir nem mesmo com os filhos.

O moreno, sendo apenas um servo, jamais se atreveria a ir até o príncipe em um evento grandioso como esse, não quando não fora ordenado a tal ato. Na realidade ele fora claramente instruído pelo rei a manter distância do príncipe durante aquele baile. Afinal de contas, ele não era apenas um plebeu, mas algo pior, era um estrangeiro, um dos únicos sobreviventes de um reino antigo, há mais de oito anos extinguido.

— Vem dançar comigo, Nick's...   — pediu Hazel em um tom manhoso que o irmão quase nunca resistia.

Com um pequeno sorriso ele permitiu que sua irmã o puxasse pelo braço até a pista de dança, onde ela envolveu seu pescoço com os braços e ele segurou sua cintura enquanto tomava cuidado para não pisar em seus pés durante aquela dança desajeitada.

— Você precisa praticar mais, Nick's — disse ela rindo.

Nico lhe encarou por alguns segundos, Hazel estava sorrindo e seus olhos, com aquela luminosidade das velas no lustre de cristal, quase pareciam dourados de tão brilhantes e se destacavam na sua pele escura. Os cabelos castanhos crespos e volumosos estavam presos em uma trança e o vestido que ela usava, apesar de simples se comparado aos das outras mulheres do castelo, era o mais belo e caro que possuía.

Ela era, atualmente, a única a lhe chamar por aquele apelido bobo de infância. Ainda que a diferença de idade entre eles fosse de pouco mais de três anos, Di Ângelo praticamente a criara e tinha dificuldades em deixar de vê-la como uma criança, frequentemente esquecendo-se de que aos olhos de muitos, mesmo tendo a recém-completado treze anos, ela já era uma mulher.

— Você tem conversado muito com Frank ultimamente. — comentou.

Ela sorriu quase sem perceber. Hazel era a única pessoa, além de Rachel, que Nico conhecia que não costumava se preocupar com etiqueta ou se estava reagindo de maneira adequada com o contexto. Ela simplesmente agia de maneira espontânea independente da situação.

— É divertido conversar com ele — disse ela imediatamente — Ele não é como os irmãos que só sabem lutar e se exibir para as damas do palácio.

— Ele é mais velho que você. E é membro da família real.

— Por favor, Nick's. — resmungou ela revirando os olhos — Frank não tem nem chance de chegar perto do trono. Ele é um dos filhos mais novos do irmão do rei Apolo. Ele pode ser membro da família real, mas está bem claro que vai continuar bem longe do trono. Se Will não tiver filhos então o quem deve assumir é Deimos, ou Phobos, eu não sei quem é mais velho dos dois.

— Eles são gêmeos. Talvez ninguém saiba isso. E eu ainda torço para que os dois morram em combate o mais breve possível.

— Agora está exagerando.

— Ninguém sentiria falta. Eu só não consigo definir se eles são ou não piores que o pai. Os três comandam um exército inteiro através do medo.

— Frank não faz nada disso.

— Não. Ele conquista a lealdade dos soldados através das suas palavras, na verdade ele lembra o Will em alguns pontos, mas com grandes diferenças em outros. Mas ele é um líder de verdade, apesar de perder um pouco do crédito por ser um arqueiro.

— Então você gosta dele.

— Eu não disse isso.

— Gosta o suficiente para não se importar se eu quiser me casar com ele?

Nico observou Hazel por alguns instantes.

Esse é o tipo de pergunta que nenhuma outra garota faria dessa maneira, simplesmente por que, as mulheres nunca escolhem com quem vão casar, os únicos com esse poder são seus pais, ou seus irmãos, o homem com quem o parentesco for mais próximo, sendo assim, esta decisão era do Di Ângelo.

— Você quer? — ele perguntou sentindo-se surpreso e até um pouco assustado com a ideia.

— Frank nunca mencionou nada disso. — disse ela mudando de assunto — Mas eu acho que ele está pensando. E se for para me casar com alguém, que seja com Frank que é alguém que eu amo.

Nico não disse mais nada. Não havia o que dizer. Amor nunca havia sido um fator decisivo para casamentos, normalmente esses fatores eram status, títulos e dinheiro. A maioria das pessoas que eram casadas não se amavam e em muitos casos até mesmo se odiavam. E este ódio parecia ser muito mais comum entre a nobreza e a burguesia do que entre os mais pobres.

Hazel não era o tipo de garota que costumava ter fantasias românticas, na verdade ela era uma das poucas garotas da sua idade que via o mundo de forma realista e não idealizada e possivelmente a única delas a não estar interessada em títulos ou dinheiro. Talvez fosse porque, diferente das outras garotas, ela tivera não tivera uma infância tranquila, mesmo muito pequena já havia presenciado acontecimentos realmente traumáticos.

Os dois dançaram juntos uma única música, até que, quando Nico estava prestes a dizer a Hazel que isso era mais que o bastante, um homem alto e musculoso apareceu, com um sorriso gentil e um rosto um tanto quanto infantil.

— Será que eu poderia dançar com a senhorita? — perguntou ele para o Di Ângelo, mesmo que seus olhos estivessem fixos em Hazel e seu sorriso tímido.

Nico os encarou por alguns segundos antes de afastar-se da irmã e permitir que ela se aproximasse mais do homem.

Frank tinha dezesseis anos, como ele, e era um dos guardas particulares do rei, além de seu sobrinho. Apesar de ser um guerreiro e tanto no campo de batalha, fora dele, não era difícil constrangê-lo, ou deixa-lo desorientado e Hazel fazia os dois com apenas um breve sorriso.

Di Ângelo, que até então só o havia conhecido no campo de batalha, estranhou ao vê-lo corar enquanto dançava com sua irmã, uma menina três anos mais nova, e ela não conseguia conter uma leve risada.

É claro que o moreno já havia ouvido sobre a gentileza de Frank, até mesmo por Will que admirava este lado do primo.

Observando sua irmã de longe, Nico percebeu os olhares de muitos dos nobres sobre si e sobre Hazel. Olhares de desprezo e alguns até mesmo de raiva. Ele sabia o por que.


Notas Finais


Continuando o que eu estava explicando lá em cima, eu não planejava criar uma long-fic, mas quando percebi que era isso o que estava fazendo eu tentei mudar o estilo de escrita pra se adequar um pouco mais a esse tipo de historia, mas então tudo ficou meio misturado e confuso. Eu terminei a fic e fiz uma revisão, acrescentei algumas coisas porque mais ideias me surgiram e então tive de fazer outra revisão naquilo que acrescentei e por fim acabei chegando a conclusão que o melhor que eu podia fazer era contar essa historia como sendo, digamos, no formato de cronicas. Não vão ser literalmente cronicas, mas o que quero dizer é, eu vou retratar aqui muitos anos da vida de Will e Nico e simplesmente não posso ir narrando tudo, sendo assim podem haver grandes saltos temporais entre alguns capítulos pelo simples motivo de que, se eu fosse narrar absolutamente tudo, com o tempo se tornaria monótono e sem graça. Claro, alguns caps são continuações diretas dos anteriores, mais para frente vocês irão ver melhor o que eu quero dizer.
Bem, de todo modo, eu provavelmente vou postar o segundo capitulo amanhã, por ser uma continuação direta eu não quero esperar demais, mas quando houver um salto temporal entre os capítulos, eu provavelmente vou postar com um tempo maior entre um e outro.
De todo modo, gostaria muito que me dissessem o que acharam e se gostam ou não da temática medieval, eu normalmente tento ser o mais fiel possível a realidade, e aqui não foi diferente, meus conhecimentos históricos não são lá essas coisas, mas eu tentei.


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