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História Pécheurs - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Un jour ordinaire


Rafael

- Padrinho, vou fazer compras, está bem? Estamos quase sem leite, sem legumes... Nem mesmo sua sopa horrível é possível fazer com o que tem ali. – aviso enquanto pego a chave ao lado da porta, colocando meu chapéu com a outra mão.

Meu tio assente, muito aborto em suas orações para responder devidamente. Ajoelhado e de olhos fechados, parecia o perfeito estereótipo de um monge.

Eu, por outro lado, apenas dou de ombros, suspirando enquanto abro a porta. O sol atinge meu rosto em cheio, obrigando-me a cobrir meus olhos com a mão, e começo a enumerar em minha cabeça tudo o que precisava fazer naquele dia. O hospital precisava de mais roupas de cama, duas vidraças foram quebradas por crianças e precisavam ser substituídas e provavelmente teríamos de contratar mais pessoas para a chegada do inverno. Tantas coisas para fazer, tão pouco tempo...

- Oh, doutor Rafael! Bom dia! – disse uma voz de repente, despertando-me.

Como era uma conhecida, sou obrigado a aproximar-me e cumprimenta-la corretamente.

- Bom dia, Dona Fátima. – era a esposa do Dono da farmácia, acenando-me enquanto varria a rua.

Fátima era uma mulher bonita, provavelmente tendo casado jovem, daquele tipo de pessoa que sempre carrega uma aura materna de simpatia. Tinha três filhos, dois meninos e uma menina ainda de colo, que estava em seus braços naquele instante, 

- Como está a pequena Luzia? – pergunto, olhando a menininha da cabeça aos pés – Melhorou da alergia?

A mulher me dá um sorriso de covinhas, balançando a criança que não deveria ter mais de três anos.

- A Luz está muito melhor agora, não está, meu bebê? Graças ao senhor. – ela me olha com gratidão – Não gostaria de entrar e tomar um café? Um bolo está prestes a sair do forno, fresquinho...

- Oh, Dona Fátima, perdoe-me, mas terei de recusar.  – desculpo-me educadamente – Estou fazendo compras para o padre Domingos agora, daqui a pouco tenho que ir ao hospital. Mas prometo que volto outro dia para um pedaço de bolo. – não consigo sorrir, mas meu tom é suave.

Ela parece um tanto decepcionada, mas é gentil.

- Bem, se é assim... Espero que me dê esse prazer, doutor. Depois de tudo o que fez pela minha Luzia... É o mínimo que posso fazer. Não gostaria de vir jantar aqui essa noite, então?

Praguejo internamente.

- Oh, isso seria agradável. – penso rápido – Talvez seja rude, mas... Posso trazer o padre comigo? Sinto-me mal deixando-o sozinho em casa em tal idade...

A mulher fica imediatamente radiante.

- Será uma honra. Combinado, então! Estaremos esperando vocês.

Assinto e me despeço com um aceno, nem rude nem servil, e ela gesticula com a mão da garotinha uma despedida para mim. Suspiro internamente; aquela seria outra noite entediante, longe dos meus amados livros. Sabia que era um agradecimento, mas mesmo assim não estava plenamente satisfeito com ter de ficar em meio a muita gente, socializar.

Eu cuidava do hospital da cidade, um pequeno edifício que só tinha a mim como médico e um punhado de enfermeiros. A cidade era pequena, os acidentes emergenciais eram raros, e mesmo que fosse cansativo eu sempre conseguia dar um jeito de conciliar tudo. A única parte ruim era a de que eu não era exatamente uma pessoa sociável, apesar das minhas especialidades profissionais, e a maioria das pessoas ali era dada a grandes reuniões e cumprimentos calorosos. Todos os dias, por onde se ia, eram sempre cumprimentos de todos os lados, até das pessoas que eu mal sabia o nome, além dos abraços. Com menos de três meses ali, eu ainda não sabia se me agradava ou não, só tendo a certeza de que meu tempo com meus amados livros diminuía cada vez mais a cada dia. E sem eles, minha mente tendia-se a perder-se em si mesma com muita facilidade, facilidade demasiada para quem lidava polidamente com pessoas quase todas as horas.

- Bom dia, doutor Rafael. – cumprimenta-me o Dono da venda assim que piso na entrada – Veio fazer as compras do padre?

Assinto, colocando a cesta de compras sob o balcão, à frente dele.

- Isso mesmo. Bom dia, Don Adamastor. – entrego a ele o bilhete com a lista de compras e ele mesmo separa as coisas para mim – Como vai seu filho? Melhorou daquele resfriado da semana passada?

O homem assente, sorrindo-me com seus dentes amarelos. Mestiço de persistente labuta, Don Adamastor era um velho marcado pela idade, de cabelos brancos ralos e um bigode que insistia em manter impecável. Era viúvo há alguns anos, tendo perdido a esposa para uma pneumonia grave, e ficou sozinho com dois filhos, o pequeno Joaquim e o moçoilo José, que estudava jornalismo na cidade grande.

- Ele está muito melhor, doutor. Obrigado por perguntar. – ele coloca tudo dentro da cesta, escrevendo a conta na própria lista que eu lhe dera – Vou colocar esse valor na conta, com um desconto de alguns reis para o senhor pela ajuda. É o mínimo que posso fazer.

Essa era a maior vantagem: eu ganhava agrados por todos os lados também.

- Eu é que agradeço, Don Adamastor. O senhor não sabe o quanto será de ajuda. – respondo, já preparado para sair.

Eu não ganhava muito para estar ali, apesar de tudo que fazia, e a maior parte ia para ajudar meu padrinho com as despesas ou com pequenos gastos com vestimenta, doações para os necessitados da cidade ou para a manutenção da igreja quando o dízimo era insuficiente. Mesmo que não parecesse, eu via de forma especial toda ajuda que recebia com essas coisas.

- Espere, doutor. Antes de você ir, deixe-me saber: a paróquia fará mesmo a festa de Santo Antônio na semana do dia treze? Queremos saber para poder ajudar com as comidas...

Para ser sincero, uma dor de cabeça me assalta naquele momento. Eu havia esquecido completamente aquela bendita festa.

- Oh, sim, é claro que faremos. O padre Domingos só está decidindo exatamente a quem pedirá o que e como serão as surpresas desse ano. – faço uma anotação de mais um tópico de afazeres – Mas se quiserem mesmo ajudar, estaríamos muito agradecidos.

O homem parece contente com a resposta.

- Nossa, fico aliviado de saber que finalmente teremos um evento na cidade. Só isso para trazer meu José de volta para casa, aquele ingrato. – ele sorri – Mas, enfim, eu gostaria de oferecer a pipoca que for servida, e a senhora Judith aqui da casa ao lado me pediu para dizer que dará o quentão. É só passar lá para confirmar e entregar a demanda para mim, que repasso para ela.

Era tão conveniente que sentia parte da dor de cabeça desaparecendo.

- Isso seria muito útil, Don Adamastor. Posso passar na segunda com tudo que precisa, pode ser?

Ele assente e aquele era um acordo tácito entre cavalheiros. Descobri que isso, mesmo que não tivesse quase nenhum valor na capital, tinha muito valor ali.

- Ótimo. Obrigada por tudo, Don Adamastor. – digo de maneira cortês – Um bom dia para o senhor.

- Um bom dia para o senhor também, doutor. – ele acena para mim com a mão engordurada e logo volta a limpar o balcão mais uma vez.

- Don Adamastor! Don Adamastor! – disse uma voz que chamou a atenção de ambos para a entrada da venda. Era a tal Judith, cerrando um xale de crochê sobre os ombros – Oh, doutor Rafael. Que bom que o encontrei também. Preciso contar a nova absurda que ouvi de Dona Flávia!

Aquela era uma viúva solitária, mas muito ativa dentro de Calmaria. Estava sempre envolvida com a Igreja, ajudando padrinho com os eventos e lecionando a catequese, e acho que isso a fazia esquecer de sua solidão. Não tinha filhos, o marido morrera era um militar que gripe espanhola depois de ter sido convocado para lutar na Grande Guerra, e ela voltara para viver com a mãe, que morrera velhinha logo depois. Usava um lenço sobre a cabeça, magra, pele muito branca e enrugada e olhos ainda muito claros.

- Bom dia para a senhora também, Dona Judith. – retruca Adamastor, colocando o pano com que limpava sobre o ombro – Mas o que diabos deixou a senhora nessa afobação toda?

A mulher se aproxima do balcão e acena para que eu me aproxime. Pelo visto, era a comida favorita do padrinho: uma fofoca quentinha. Eu realmente queria ir embora, mas para não ser rude obrigo meus pés a aproximar-me dos dois.

- Eu ouvi hoje de manhã da Dona Flávia, quando fui na modista, que ela ouviu do seu João da farmácia, aquele que o tinha um filho no Rio de Janeiro e que voltou ontem, sabe? – o homem assente e ela continua, com a voz baixa – Então, ele disse que a tal filha cigana do coronel Fernandes já chegou na cidade! Veio junto com o filho do seu João, no mesmo trem, acredita?

As sobrancelhas de Don Adamastor se arqueiam, ao mesmo que tempo que, mesmo que odiasse admitir, me inclino um pouco mais perto.

- Ah, é? Nossa, eu havia até esquecido que essa menina existia! – ele abaixa a voz, percebendo que estava quase gritando – E como ela está, depois de todo esse tempo? Deve estar já com uns bons anos já...

A mulher assente.

- O seu João disse que o Pedro falou que ela parecia ter uns quinze anos agora. Que é uma coisa linda que só, muito parecida com o moço Guilherme. Pelo jeito que ele fala, nem parece que ela fez o que fez com a própria mãe...

Eu nunca fora o melhor exemplo de empatia, mas eu não sabia exatamente o porquê ouvir aquilo fazia uma alfinetada de impaciência estalar em minha cabeça. Parecia... que essa fé cega tinha um gosto amargo. Esse povo ainda vivia no século quinze? Afasto o sentimento, porém, em um suspiro interno, sabendo que nada daquilo era da minha conta.

-  Quando ela chegou? Foi para a casa do coronel? – continua Don Adamastor.

- Sim, sim, o Pedro disse que ela chegou bem de noite, quando todo mundo já dormia na cidade. Acho que ela queria evitar o rechaço do povo.

Era a vez de Don Adamastor assentir.

- Ela fez bem. Tenho certeza que assim que esse povo a vir, as palavras de ódio vão começar. – ele faz uma expressão de desgosto – Tomara que não armem escândalos como quando essa menina era criança. Eu admito que na época eu concordava, mas agora... Parece um absurdo. Ela era um bebê! Deus não mandaria um bebê para matar uma mulher santa como Santa Sofia...

- Pode até ser um bebê, mas era um bebê com sangue de adoradores do diabo! A Santa até tentou redimir os pecados do povo, salvando a criança, mas o que ela ganhou? Uma morte trágica! E logo depois de ter adotado essa menina, antes ela era muito saudável. Só pode ter sido ela!

- Ora, dona Judith, passaram-se sete anos para a santa morrer. Ela ficou doente e morreu rápido, mas pode ter sido uma infinidade de outras coisas. – fico um tanto satisfeito por ouvir tais palavras de sensatez saindo da boca de um trabalhador braçal como Adamastor.

A mulher o olha desconfiada.

- Ah, não sei... Essa menina desde criança não parecia coisa boa não. Mimada, corria para lá e para cá feito uma selvagem, levava todas as crianças para o mau caminho. Não ficava quieta na missa, a nãos ser que a mãe estivesse perto, e quando os meninos brincavam com ela sempre alguém acabava machucado. Era só ser pega no colo por qualquer um que não fosse o menino Guilherme ou a Santa para esgoelar como se perdesse a alma, eu me lembro! Demorou para falar, lembra-se? E sempre olhava todo mundo com desafio, não respeitava ninguém, mesmo sem dizer uma palavra. Isso tudo certeza que não é sinal de boa coisa...

- Eu acho exagero... – Adamastor suspira e, antes que perceba, eu faço o mesmo – Ela só era uma criança rebelde, só isso. Como qualquer criança pode ser.

- Ah, não sei...

- De qualquer maneira, acho que... – o sino da igreja o interrompe, e percebo que ficara fora tempo demais.

- Desculpe, mas preciso ir para o hospital. – digo de repente, tentando ser educado – Poderemos conversar melhor depois de amanhã. – volto-me rapidamente para dona Judith – Prometi que traria as demandas para a festa de Santo Antônio. Desde já agradeço pela ajuda...

- Oh, não é nada! – a mulher sorri – O padre sempre faz tanto por nós... É um prazer ajudar.

Aceno em concordância e, ajeitando meu chapéu sobre a cabeça, finalmente dou um jeito de escapar dali. O sol volta a aquecer-me, e crianças passam correndo por mim a caminho da escola. Era mais um dia normal na cidade de Calmaria, apesar de uma espécie de pressentimento deixar meu coração um pouco mais inquieto a cada segundo que passava, em meu subconsciente.

                                                   **********************************

Maria

- Ah, café com leite direto do campo... – sento na mesa e a primeira coisa que faço é tomar um gole profundo da bebida, já pegando uma faca a minha frente  – E pão quentinho, recém saído do forno... – passo manteiga e dou uma mordida generosa na delícia – Por Deus, quanto tempo faz que eu não como essas maravilhas?

Guilherme, sentado a minha frente, ri ruidosamente. Ao contrário de mim, ávida e mal-educada, ele toma um gole comportado de seu café, o maior exemplo de maturidade: puro, forte e sem açúcar.

- Dormiu bem?

Assinto com a boca cheia repetidamente. Ele ri de meu exagero de novo e limpa a boca com um guardanapo, aparentemente já tendo acabado de comer.

- Papai já acordou? – pergunto quando termino de devorar meu pão, e me sirvo de outra porção de café com leite.

- Já, sim. Agora ele deve estar com os peões analisando a produção, mas pediu que eu ficasse para acompanha-la durante o dia. Já fomos na prefeitura e discutimos toda a chatice que que tínhamos de discutir, então agora temos todo o tempo do mundo para nos divertirmos.

Fico um tanto chocada.

- Nossa, mas mal são dez horas e nós fomos dormir depois da meia noite ontem. Quando diabos você acordou para fazer tudo isso?

- Eu não sou igual você, que pode se dar ao luxo de hibernar. Aqui, seis horas já estão todos de pé.

Faço uma careta.

- Se alguém me despertar seis horas da manhã, eu acho que mato asfixiado com meu travesseiro e volto a dormir.

As sobrancelhas dele se arqueiam.

- Ah, é? E que horas vocês acordam no internato?

- Às sete, e eu já quero morrer. – eu tinha total noção do ridículo que era meu comportamento de ser demasiadamente apegada aos lençóis, mas o que podia fazer?

- Você precisa ser menos mimada. – repreende ele de brincadeira.

- Você é que precisa dormir de verdade. Não sabe que dormir pouco faz mal para a beleza? Olhe só para essas olheiras nos seus olhos. – coloco meu rosto sobre minha mão de forma comicamente arrogante – Está vendo esse rostinho lindo, sem marca nenhuma? Esse é o poder que uma boa noite de sono tem sobre a pele de alguém. Deveria seguir o exemplo, irmãozinho.

Ele estende a mão e agarra meu queixo, fingindo analisar meu rosto de um lado e do outro.

- Hum... É bonito mesmo; talvez deva realmente seguir seu conselho. Apesar que... acho melhor você comer menos.

Congelo com seu tom sério, perfurando-o como uma flecha com o olhar. – Como assim, Guilherme?

Ele ri feito um moleque travesso e levanta só para apertar as minhas bochechas.

- É porque se você comer menos, essas suas bochechas irresistíveis não ficarão à mercê dos meus dedos...

Eu não sabia se era a raiva ou o aperto que deixou minhas bochechas vermelhas.

- Ora, seu... – eu estava prestes a pegar a geleia ao meu lado para jogar em seu rosto como troco quando um pigarreio nos interrompe

- Guilherme, meu marido mandou avisar que os cavalos estão prontos. – disse dona Dirce com voz austera, fazendo nós dois termos de acalmar nossos ânimos.

- Obrigada por avisar, dona Dirce. Nós já iremos. – diz Guilherme, afastando-se de mim e exibindo seu melhor sorriso de bom moço.

Tive de me segurar para não fazer uma careta, esfregando minhas bochechas doloridas.

- Por favor, garotos, lembrem-se de quem são. – repreende ela, mas acaba assentindo para Guilherme antes de nos deixar.

- Cavalos? – pergunto assim que ela deixa a sala de jantar.

- Eu pedi para o Chico providenciar alguns cavalos para darmos uma volta hoje. Ou vai dizer-me que não está com saudades de cavalgar?

Minha raiva por ele desaparece como fumaça.

- Você sabe ser irritante, mas certamente sabe ser eficiente. – digo enquanto termino de vez meu café – Vou só escovar meus dentes e colocar uma roupa mais apropriada e te encontro nas cocheiras, pode ser?

- Não quer que eu vá junto? Prometo que fecho os olhos. – ele provoca com um sorriso, como adorava fazer.

Mas, como eu era sua irmã e tínhamos o mesmo sangue nas veias, essas brincadeiras eram sempre mútuas.

- Só se prometer que vai espiar. – pisco para ele antes de levantar-me da mesa, limpando a boca com o guardanapo.

- Que cruel... – ele ri, mas me seque pelo corredor, abraçando-me por trás e jogando seu peso sobre mim.

- Você merece. – mostro a língua para ele.

Ele, apesar das palavras, me libera quando chegamos à sala de estar, esperando-me cavalheiramente sentado em uma das poltronas. Eu sabia que ele era um mulherengo, mas também muito respeitoso, apesar de sentir de alguma forma que suas maiores indecências eram destinadas para mim. Claro, também era ainda mais cavalheiro comigo, tratando-me feito uma princesa. Isso era ótimo, porque eu me sentia perfeitamente querida ao seu lado, mas certamente seria um grande problema quando resolvesse pensar em casamento; minhas expectativas para marido seriam bem altas.

                                                       ***************************

- Você está de brincadeira, certo? – pergunto quando chegamos aos estábulos, mal podendo conter a felicidade quando ele declara estarmos em frente ao meu presente.

Ele ri de novo e acaricia a pelagem branca e bem cuidada da bela égua que me comprara.

- De jeito nenhum. É o meu presente de boas vindas, a melhor égua da região. – ele agarra a minha própria mão e me aproxima – O nome dela é Açucena. Gostou?

Eu não precisava ver-me naquele momento para imaginar a cara patética de assombro e felicidade que tinha. Ela era tão bonita, tão dócil... Quando era criança, era meu sonho ter um cavalo, apesar de nem minha mãe quando viva nem meu pai nunca terem deixado.

- Ela é... perfeita, Guilherme. Obrigada. – o pelo sobre meus dedos eram macios, hipnotizando-me – Olá, Açucena. Eu sou Maria...

A égua relincha baixinho, fazendo-me dar um passo para trás de susto, mas rir ao fim. Sem pensar, me jogo nos braços de Guilherme.

- Obrigada... – digo em seu ouvido – Eu amei!

Sinto-o rir contra mim, uma sensação aconchegante.

- Não precisa agradecer. Sabia que iria gostar.

Só me separo dele quando finalmente lembro que havia mais uma pessoa ali.

- Oh, é, senhor... – volto-me para o cavalariço.

O homem de meia idade sorri para mim, simpático.

- Eu sou Chico, senhorita Maria. O marido da Dirce.

Sorrio de volta e ofereço minha mão.

- Prazer, senhor Chico. Obrigada por preparar esses cavalos para nós.

- É meu trabalho, senhorita. – ele assente e aceita meu cumprimento, mas libera-me muito rápido, como se algo o tivesse impelido.

Um braço passa-se por cima dos meus ombros.

- Realmente, obrigada, Chico. Vamos passear um bom tempo, então não precisa nos esperar, está bem? Podemos cuidar deles sozinho quando voltarmos.

O homem assente, segurando a borda do chapéu. – Tudo bem, seu Guilherme.

Guilherme então olha de mim para a égua. – Quer ajuda para subir?

Nego com a cabeça, acariciando de novo Açucena, que parecia cada vez mais linda.

- Tudo bem, então. Mas cuidado. – ele me olha com advertência, o que me faz rir por dentro.

Coitado, mal sabe que eu sou a melhor amazona da turma do internato. Sorrio para ele e, com meu melhor dar de ombros arrogante, subo no cavalo com um impulso só.

- Olé, senhor Guilherme Fernandes! – exclamo rindo com um braço para cima – Quero ver se faz melhor.

Ele me olha um tanto profundamente por um tempo, mas depois entra na dança. Com um sorriso arrogante, sobe tão facilmente quanto eu, parecendo flutuar.

- Melhor não sei se faço, mas ir mais rápido, tenho certeza que sim. – ele dá sinal com as rédeas para seu cavalo, um belo alazão negro, e sai em disparada antes que eu possa reagir.

Negando com a cabeça, agarro com firmeza as rédeas, acenando brevemente para seu Chico antes de ir atrás dele, prometendo a mim mesma que não perderia.



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