História Pedaço Meu - Capítulo 11


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Categorias Em Família, Giovana Antonelli, Tainá Müller
Personagens Clara Fernandes, Marina Meirelles, Personagens Originais
Tags Clarina, Em Família, Romance
Visualizações 563
Palavras 7.698
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oláaaaaaaaaa! Olha eu aqui de novo rs

Quero começar agradecendo pelo carinho de vocês, é muito gratificante ler o que vocês me escrevem.

Obrigado de coração!

Vocês são incríveis e a minha vontade é de abraçar todo mundo rs

Sobre o capitulo... Não tive tempo de revisar então, me perdoem pelos erros.

Falo com vocês lá em baixo...

É isso.

Leiam!

Capítulo 11 - Precipitação


“Eu tenho uma coisa a dizer sobre o controle... Às vezes é preciso perdê-lo.”

Ao sentir a branca se aproximar, Clara até pensou em se afastar, em repelir o contato, mais não conseguiu. Marina possuía um domínio sobre si do qual ela nunca foi capaz de entender. Sentiu seus joelhos fraquejarem, mas tratou de corresponder ao beijo rapidamente. E por mais que seu resquício de razão dissesse que não era o momento, seu corpo pedia por aquilo.

Marina levou uma mão à cintura da morena, puxando-a devagarzinho mais para si enquanto sua outra mão se perdia entre os cabelos castanhos, agora soltos. Aprofundou mais o beijo, sentindo as mãos firmes de Clara passear por suas costas, causando um arrepio gostoso que a fez sorrir. Como era bom sentir aquele toque de novo...

Clara suspirou sentindo o calor do corpo de Marina colado ao seu. Sentiu os lábios dela se desprenderem dos seus, indo parar em seu pescoço e mesmo com todo o autocontrole que vinha tentando manter, não conseguiu brecar o pequeno gemido que deu ao sentir a língua quente da branca em sua pele.

Marina sorriu e subiu um pouco indo parar na orelha de Clara, onde passou sua língua torturantemente por ali.

Clara soltou o ar de forma pesada, sentindo seu corpo esquentar numa potência que a fez tremer.

Beijaram-se com toda a urgência exigida naquele momento. Quando o ar faltou, Marina parou o beijo devagar e mantendo sua boca próxima a da morena, sussurrou:

- Dessa vez eu não vou me desculpar... - passou seus dedos entre os lábios dela.

Clara se afastou, passou a mão pela testa, nos cabelos, pegou sua taça e virou goela a baixo o resto do vinho.

- Você não deveria ter feito isso Marina... Você não... - inspirou tentando retomar o ar.

- Você também quis... Tanto quanto eu... – sorrio e a morena desviou o olhar – Não da Clara... Eu não consigo... – balançou a cabeça - Quando eu chego perto de você, eu… - se aproximou - Não consigo não… - levou a mão ao rosto dela – Te tocar… - passou os dedos pelos lábios dela – Não te beijar... - mordeu seu lábio inferior - É muito mais forte que eu, você sabe.

- Eu... Não sei não... – abaixou a cabeça.

- Sabe sim... – levou sua mão ao queixo da morena fazendo ela lhe encarar - Sabe por que eu sei que é assim que você se sente também... Eu sei. – mordeu seu lábio inferior novamente lançando o tão sorriso sedutor em seguida.

Maldito sorriso! Clara concluiu, novamente desviando o olhar. Abaixou a cabeça, sentindo um sorriso se formar no canto de seus lábios. Pigarreou e a ergueu trazendo novamente a seriedade que vinha tentando manter.

- As coisas mudaram Marina… - se afastou - Você sumiu por anos, não me deu um sinal de vida - começou a andar de um lado para o outro - Não me procurou, não deu a importância que eu - apontou pra si - Merecia por tudo o que a gente tinha vivido e agora… - soltou um riso nervoso - Você chega assim… Do nada, me pega, me beija… - parou de costas e respirou fundo passando a mão pelo rosto - As coisas não funcionam assim...

- Eu sei que não. Eu sei que muita coisa mudou nesse tempo, mais eu só quero que você saiba que… Se eu pudesse voltar no tempo eu faria diferente.

- Será mesmo? – se virou encarando-a - Por que… Viajar, conhecer o mundo sempre foi o que você mais quis…

- Não, não foi o que eu mais quis... – interrompeu-a.

- Não? Então porque você foi?

- Eu não tive escolha, Clara... – falou em um sussurro desviando o olhar.

- Como não? Você podia ter escolhido ficar, podia ter escolhido tentar… Eu sei que as coisas estavam difíceis, sei que o seu pai não gostava muito de mim… - Marina abaixou a cabeça – Mas estávamos juntas... Tínhamos planos...

- Eu sei, eu sei… Mas... - respirou fundo - Tava tudo tão difícil… Eu estava te trazendo uma carga que não era justo com você, não era justo com tudo que eu te prometi, com tudo que eu idealizei pra gente… Meu plano sempre foi te trazer leveza, alegria…

- Como se a vida fosse feita só disso… - balançou a cabeça cruzando os braços – Todo mundo tem problemas Marina e desde o começo a gente sabia o que iria enfrentar. Eu entrei nessa sabendo... Você também...

- Eu sei... E eu me arrependo tanto, tanto... – respirou fundo sentindo sua voz embargar – Você não faz ideia do quanto eu queria poder voltar no tempo...

- Pra que? Você não tem garantia de que faria diferente.

- Mais pelo menos eu iria tentar... – Marina disse limpando rapidamente a primeira lagrima que caiu.

Clara notou, sentindo seu coração apertar. Queria abraça-la, mais não podia... Precisava entender o que aconteceu. Precisava de respostas. Pensou em falar, mais se manteve em silêncio ao notar que a branca iria prosseguir.

- Eu só quero que você saiba que eu não fiz isso pra sumi de você, eu não queria ter ido embora, mais... - respirou fundo – Enfim... Eu te escrevi, te escrevi por meses…

- Isso é impossível, eu nunca recebi nada... – balançou a cabeça negativamente

- Eu sei que não… - abaixou a cabeça - Hoje eu sei que não.

- Como assim sabe? - questionou confusa.

Marina se aproximou do sofá, agachou-se e pegou a pequena caixa que tinha trazido. Se aproximou de Clara, que intercalava seu olhar entre ela e o que trazia em sua mão.

- De alguma forma, que eu não sei qual e sinceramente acho que nem quero mais saber, porque isso é tão... – respirou fundo – Enfim... Elas chegaram até o Brasil, mas alguém impediu que chegassem até você e...

- Alguém quem? – franziu a testa – Quem iria fazer uma coisa dessas? E por quê?

- Isso é obvio... Pra me afastar de vez de você. – disse enquanto notava a expressão confusa no rosto de Clara.

- Mais porque alguém iria fazer isso? Porque alguém iri... – encarou a branca e ao notar a expressão dela finalmente pareceu entender – Foi o seu pai, Marina? Foi ele que... – Marina acenou e a morena arregalou os olhos, levando a mão aos cabelos, incrédula – Como você descobriu isso?

- Antes de eu vim pra cá, eu… Eu fui até a casa dele pra pegar umas coisas minha e no meio delas acabei encontrando essa caixa e quando abri elas estavam lá. – explicou estendendo em direção a ela.

Clara pegou a caixa e ainda tentando digerir o que tinha acabado de ouvir, se sentou no sofá e começou a abrir.

- São muitas! – exclamou surpresa lançando um olhar para a branca.

- Como eu disse... Foram meses... – soltou um riso nervoso.

Clara pegou o primeiro envelope e com cuidado abriu. Desdobrou o papel, olhou pra Marina e quando foi começar a ler, a branca a brecou.

- Por favor, tudo menos isso. – Marina suplicou sentando ao lado dela.

- Ué, por quê? Eu achei que você queria relembrar o que escrev...

- Eu sei de cor tudo o que esta escrito dentro de cada um desses envelopes... Eu te trouxe porque são suas, eu escrevi pra você. Então nada mais justo que você tenha conhecimento delas.

- Obrigado! – sorriu fraco - Apesar de estar muito curiosa, eu vou deixa pra ler depois. – disse começando a guardar a que tinha na mão.

- Melhor assim! – Marina riu soltando um ar de alivio.

- Isso é tão louco... É tão estranho pensar que esse tempo todo eu passei pensando tantas coisas... Pensei até que você tivesse, sei lá, ficado de saco cheio da gente, até porque, relacionamento sério nunca foi o seu forte... – Marina riu - Então eu pensei que... – respirou fundo – Você tivesse inventado essa viagem como um pretexto pra terminar tudo entre a gente...

- Eu jamais faria isso. – balançou a cabeça - Até porque, é impossível se cansar de você... – encarou-a - Quando mais a gente fica perto – se aproximou - Mais a gente quer ficar... – disse enquanto passava seus dedos pela bochecha dela.

Clara fechou os olhos por alguns segundos e respirou fundo meneando um sorriso... Marina mordeu seu lábio inferior mantendo o olhar fixo na morena, que tratou logo de desviar o seu, antes que fosse tarde demais.

- É… - pigarreou repelindo o contato – Então... Mais você nunca teve curiosidade de saber por que eu nunca te respondi ou…

- Tive… - interrompeu - Por vezes eu cogitei largar tudo e vir aqui saber o que estava acontecendo, porque você estava me dando aquele gelo todo. Mas aí... Eu pensei que, se você não me respondia era porque não queria contato e você tinha todo o direito de não querer… Então eu fui tentando me conformar e acho que acabei amadurecendo a ideia de que você tinha que seguir sua vida e eu tinha que respeitar. – disse sorrindo fraco.

- Por um bom tempo eu senti raiva de você. – a encarou - Mais aí o tempo foi passando, muitas coisas foram acontecendo, eu fui amadurecendo e no lugar da raiva ficou a nostalgia dos momentos que a gente viveu. Vez ou outra eu até me pegava pensando em que pé andava sua vida...

- Eu também por vezes me peguei tentando adivinhar se você tinha se formado, se tinha se casado, tido filhos... – sorriu - Esse sempre foi o seu desejo né? – Clara assentiu - Mais o mais engraçado é que quando eu cheguei ao Brasil, eu torci tanto pra... Você esta assim como eu...

- Como você? – fingiu não ter entendido, sabia muito bem a resposta.

- Livre... – encarou-a – Leve, solta – riu - Eu sei que isso soa totalmente egoísta, mas... Foi o que eu desejei. – mordeu seu lábio inferior.

- Hm... – balançou a cabeça positivamente – E aí você me viu com o Julinho e surtou achando que ele era meu marido. – soltou um riso.

- Ai meu Deus, não me lembra disso, por favor, que eu morro de vergonha. – levou as mãos no rosto fazendo a morena rir ainda mais – Inclusive eu queria te pedir desculpas novamente. Eu fui péssima...

- Relaxa, você não foi a única a pensar isso.

- Ainda bem né? Nossa! – balançou a cabeça fazendo a morena rir novamente.

E Marina sorriu se perdendo no sorriso da morena. Mordeu seu lábio inferior e Clara sentiu como se estivesse sendo sugada pelos olhos felinos encarando-a.

- Que foi? – questionou quebrando o silêncio.

- Seu sorriso... Continua lindo!

- Você acha? – se mexeu no sofá.

- Acho! – sorriu – Assim como seu cheiro... É o mesmo... - Clara a encarou e a branca se arrastou pra mais perto dela – Provoca em mim, o mesmo efeito. - sussurrou bem próximo a ela. Colocou uma mexa de cabelo dela para trás e quando foi fechar totalmente à distância, foram impedidas pelo barulho da porta se abrindo.

Era Júlio, chegando totalmente distraído.

- Clara você não vai acreditar em que eu esbarrei hoje, você vai ficar choca… Opa! - se interrompeu ao ver as duas – Boa noite... Eu atrapalhei alguma coisa? – questionou aproximando-se delas.

As duas se entreolharam.

- Não, não. Imagina. – responderam em coro.

- A gente só estava…

- Conversando… - completou Clara lançando um olhar pra branca que assentiu também.

- Ah… Sei. – sorriu - Tudo bem Marina? - questionou ele cumprimentando-a gentilmente.

- Tudo sim e com você?

- Tudo bem! Conseguiu chegar rápido aqui?

- Graças a você, consegui sim.

- Como assim? – Clara questionou lançando um olhar para o rapaz.

- Você tinha comentado mais ou menos comigo onde você estava morando, mais eu, cabeça de vento acabei esquecendo... Aí eu lembrei que a Pat tinha o numero dele e ele me ajudou a chegar aqui... Obrigado mais uma vez! – disse sorrindo para ele.

- Imagina – piscou – Me agradeça acalmando essa pessoinha aqui – apontou para a morena - Que estava quase a ponto de ter um ataque sem ter falado com você esses...

- Julinho... – Clara interrompeu repreendendo-o com o olhar – Menos!

- Menos porque? Eu não falei nenhuma mentira – balançou a cabeça e Marina sorriu achando completamente fofa a irritação da morena.

- Bom... Agora deixa eu ir pro meu quarto que eu estou exausto. Boa noite pra vocês e juízo! – ele continuou dando uma piscadela e saiu deixando-as sozinhas novamente.

Clara balançou a cabeça e o silencio se instaurou no ambiente. Se entreolharam novamente, agora um pouco mais distantes uma da outra.

- Bom... – Marina se levantou - Acho que já esta na minha hora também...

- Já? Ta cedo ainda! – sabia que não estava, mas queria mais um pouco a companhia da branca.

- Amanhã eu madrugo no hospital e daqui até Santa Tereza tem chão...

- É verdade... – Mais vai com calma, com cuidado. – pediu fazendo a branca sorrir com a preocupação.

As duas se entreolharam e Marina se aproximou dela. Abraçaram-se rapidamente e quando se desvencilharam, a branca foi beijar o rosto da morena, que por um erro milimétrico acabaram selando seus lábios rapidamente. Clara a encarou e Marina riu sem jeito, fazendo Clara se arrepiar só com o barulhinho da risada dela.

- Até mais! – Marina disse beijando lentamente a bochecha dela.

- A-até. – sussurrou antes de vê-la sair de vez, deixando uma Clara completamente atordoada para trás.

-#-

Assim que Marina foi embora, Clara correu para seu quarto. Fechou a porta e sentou em sua cama despejando todas as cartas ali. Escolheu a que já tinha aberto. Desdobrou novamente e começou a ler.

Minha Clarinha,

Esse era o apelido que Marina costumava chamá-la. Clara respirou fundo e continuou.

Como te prometi... Aqui estou!

Primeiramente eu queria saber como você esta? Esta comendo direitinho? Se agasalhando? Eu sei, eu sei que aí esta calor, mais mesmo assim é melhor prevenir.

Faz exatamente uma semana que estou a aqui e eu já não consigo medir a imensa saudade que estou de você. De te sentir, te tocar ou somente ficar te olhando falar por horas... Eu amo sua voz. É um dos meus sons preferidos!

Estamos distantes, mas me sinto tão unida a você, porque o amor que sinto por você é maior que esses quilômetros que nos separa. E eu quero que você sempre se lembre disso. O meu amor por você é imensurável. Onde quer que eu esteja meu coração sempre vai ser seu.

Fica bem,

Te amo muito.

Ass: sua Marina.

Clara terminou de ler com os olhos marejados e o coração apertado. Pôs a carta sobre o peito e se deitou na cama. Respirou fundo e continuou a ler o restante, identificando nelas trechos das declarações diárias que Marina costumava fazer.

“Todo dia eu namoro teu sorriso...”

“Obrigada por insistir na gente.”

“Eu nunca vou entender essa necessidade que eu sinto em querer te ter sempre comigo.”

“Eu sou tão sortuda por ter te conhecido.”

“Se você esquecer o quanto significa para mim, todos os dias eu vou te lembrar.”

“Eu não vou desistir de você, eu não posso. Eu não consigo e não quero.”

Quanto mais lia mais não conseguia parar. A cada palavra escrita, Clara podia visualizar claramente a branca e tudo o que ela queria transpassar. Sorriu, enxugou as lagrimas e voltou a lê-las.

-#-

Quando os primeiros raios de sol atingiram as frestas de sua janela, Clara sentiu o cansaço lhe invadir. Tinha virado a noite lendo as cartas, porém, apesar do cansaço, sentia-se bem. Feliz. Era como se estivesse ouvido da branca tudo o que ali estava escrito.

Se espreguiçou, colocou tudo de volta na caixa, foi até seu guarda roupa e guardou em uma das ultimas prateleiras. Caminhou até a janela e a abriu, sentindo seus olhos arderem com a claridade. Correu para o banheiro, fez sua higiene matinal, tomou banho, se arrumou e desceu, encontrando Júlio e Bianca já sentados à mesa.

- Bom dia família! - disse ela juntando-se a eles.

- Bom dia! - respondeu os dois em coro.

Clara se aproximou da pequena que já tinha abrido os braços para o abraço que recebia toda manhã. Sentou-se ao lado dela e jogou beijo no ar pro amigo sentado do outro lado.

- Caíram da cama hoje?

- Não mamãe, hoje foi você que perdeu a hora e… O que aconteceu? - perguntou a menina encarando a morena.

- Como assim?

- Você ta com uma cara péssima...

- Tá mesmo. Da pra ver as olheiras de longe. - completou Júlio rindo.

- Nossa, como é bom acordar com essa injeção de autoestima. Eu to até emocionada. - ironizou fazendo os dois darem um risinho.

- Não conseguiu dormir a noite?

- Não muito. Fiquei pensando em umas coisas aí… - Clara disse levando um pedaço de pão à boca.

- Em umas coisas ou em uma pessoa hein? – Julio insinuou.

- Que pessoa? - questionou Bianca encarando a mãe.

- Ninguém filha… Tio Julinho tá brincando - repreendeu o rapaz fazendo ele rir - Mais mudando de assunto… - se virou pra ela - Sabe quem teve aqui ontem?

Bianca balançou a cabeça negativamente.

- Sua médica preferida. - Júlio disse dando um gole em seu suco.

- A Marina? - abriu um sorriso.

- Uhum… - Clara assentiu.

- E porque vocês não me acordaram? - questionou seria.

- Porque estava tarde e hoje você tinha que está de pé cedo e só eu sei a novela que você faz quando não dorme direito...

- Mais eu queria ter visto ela... – reclamou cruzando os braços.

- Outras oportunidades virão… E seu aniversário já está aí.

- Falando nisso... Sua mãe me ligou logo cedo, disse que tinha deixado várias mensagens no seu celular mais você não respondeu... – Julio disse enquanto colocava mais suco em seu copo.

- Ela queria o que? Não são nem sete horas da manhã ainda, eu heim. – balançou a cabeça.

- Ela esta mais ansiosa pra essa festa do que a própria aniversariante.

- Ah, isso duvidas nenhuma! – concordou soltando um riso em seguida.

- Mamãe... Eu tava pensando aqui... Hoje a tarde a gente podia ir no cinema né? Tem um filme que eu gosto muito que esta em cartaz. – Bianca disse animada com o olhar de suplica para a morena.

- Hoje  não da filha. – balançou a cabeça - Eu tenho que trabalhar e você tem sua aula de canto...

- Mais eu não quero mais ir...

- Você estava tão empolgada com as aulas, com a turma, Bibi... Aconteceu alguma coisa? – questionou Julio.

- Não. Eu só não quero ir mais mesmo. – se levantou – Vou pegar minha bolsa. – disse saindo rapidamente da cozinha.

Clara e Julio se entreolharam e a morena respirou fundo.

- Conseguiu conversar com a professora dela?

- Falei por cima... – se levantou - Mais ela me disse que já tentou de tudo e nada. Bianca continua introvertida. Não participa dos exercícios, não se apresenta como todo mundo... – Clara explicava enquanto recolhia as coisas da mesa.

- Acho que agora tem que dar tempo ao tempo e ver se ela se anima com outra coisa. – disse começando a ajudar à morena.

- Pode ser, mais enquanto isso eu vou remarcar as consultas dela com a psicóloga, quem sabe ela não nos da mais algumas dicas né?

- É uma boa ideia! Mais mudando de assunto... – se aproximou – Me conta, o que aconteceu ontem? Eu vi uma movimentaçãozinha suspeita quando cheguei… Vocês estavam se pegando né? - questionou lançando um sorrisinho insinuante.

- Cl-laro que não. Quer dizer… Rolou um beijo sim - sorriu de canto - Mais foi só isso. - retomou a seriedade.

- Sei… Tá ficando sério isso daí hein? – deu um cutucãozinho nela.

Clara sorriu.

- Eu juro que eu não sei que poder essa mulher tem que é só ela chegar perto de mim que eu fico… Fico sem saber o que fazer, sem saber o que falar, totalmente presa naquele olhar, naquele sorriso - riu passando a mão no rosto - Eu não sei o que fazer. Não sei. – balançou a cabeça.

- Se joga meu amor. Se joga!

- As coisas não são tão fáceis assim... – disse balançando a cabeça.

- Por quê? O que te impede de cair nos braços daquele mulherão? - questionou cruzando os braços.

- Sei lá... – puxou uma cadeira e se sentou novamente - Já se passou tanto tempo… - respirou fundo - Eu mudei. Ela mudou... Ela é solteira, é livre, desimpedida... Eu tenho uma filha, uma vida pela qual eu sou responsável e...

- Mais a Bianca adora ela... – interrompeu-a – Aliás, Marina é a primeira pessoa a conquistar a marrentinha em tão pouco tempo. Nem a Jô conseguiu esse feito.

- É verdade... – sorriu – Mais Marina é instável... Quer dizer, na época ela era. – cruzou os braços - Não conseguia lidar com pressão, com conflitos... Não é atoa que ela foi embora. Não aguentou a pressão do pai dela em cima da gente. E por falar nele... – se levantou - Você não sabe da maior...

- O que? – questionou se aproximando mais.

Antes que a morena pudesse falar, uma Bianca apressada adentrou o ambiente.

- Mãe podemos ir? Se não eu vou chegar atrasada e não vou conseguir entrar. – reclamou.

- Ok. Já pegou seu lanche? – Clara questionou.

- Já. Esta tudo aqui. – apontou pra mochila em suas costas.

- Mais que milagre é esse você com essa pressa toda pra ir pra escola heim? – Julio questionou se aproximando da menina.

- É que hoje é o dia do desafio e vai ter um monte de brincadeira legal lá. – explicou abrindo sorriso.

- Ahhh, agora ta explicado porque a senhorita levantou hoje sem ninguém chamar. – Julio fez uma cócega nela fazendo-a gargalhar.

- Essa daí não da ponto sem nó meu amor. – riu – Vamos que eu te conto no caminho. – Clara sussurrou pra ele, saindo porta a fora com os dois em seguida.

-#-

Do outro lado da cidade, Marina tomava seu café enquanto atualizava sua prima dos últimos acontecimentos da noite passada.

- Mais ai vocês conversaram e…?

- E nada, ué. Eu vim embora e ela ficou de ler tudo. - disse dando uma colherada no iogurte com frutas que tinha preparado.

- Só isso? Nossa, eu aqui achando que vocês tinham se resolvido e terminado a noite com um sexo selvagem e você vem me dizer que só teve isso? Conversa? – questionou fazendo cara de desanimo.

- Você queria o que Patrícia? Dez anos não são dez dia. As coisas não funcionam assim.

- Lentas desse jeito também não funcionam não. – balançou a cabeça.

- Porque tudo pra você tem que estar relacionado a sexo?

- Porque prazer, ainda é uma das melhores, se não a melhor coisa da vida - riu - E você - cutucou ela - Sabe muito bem disso.

- O que eu quero com a Clara vai muito, muito além de sexo… Você sabe disso.

- Nossa, eu to realmente impressionada…

- Com o que? – Marina questionou enquanto se servia um pouco de suco.

- Com você… Quem diria que aquela garota em chamas ia se transformar nesse pavio passivo e contido. - disse arrancando um riso da prima.

- Você é muito sem graça. Não sei por que eu ainda me atrevo a te perguntar as coisas. - empurrou ela fazendo-a rir – Vou indo nessa que ainda quero passar na livraria antes de ir pro hospital. - disse se levantando em seguida.

- Ia te pedir uma carona, mais você vai acabar chegando atrasada pra reunião e ai serão duas broncas...

- Vai ter reunião hoje?

- Vai... De novo. – revirou os olhos se levantando – Tio Diogo mandou mensagem logo cedo avisando, você não viu?

- Não... Mais ta aí mais um bom motivo pra eu me atrasar – sorriu - Já é torturante demais trabalhar no mesmo lugar que ele, quanto mais ficar na mesma sala.

- Ele vai te matar...

- Que mate! – deu de ombros - Minha preocupação agora é outra.

- Bom... De qualquer forma, eu anoto tudo e depois te paço.

- Obrigado baby! – sorriu depositando um beijo no rosto dela - Não sei o que seria de mim sem você.

- Mais eu sei... Nada! – disse dando uma piscadela.

Marina revirou os olhos, se despediu dela e saiu.

-#-

Como prometido. Marina enrolou bastante, passando não só na livraria, como no shopping onde se demorou namorando algumas vitrines. Quando chegou ao hospital, já se passava das dez horas. Foi caminhando lentamente até o elevador, cumprimentou algumas pessoas conhecidas que passava e até papeou com um dos médicos que trabalhava no mesmo andar que ela. Saiu do elevador e antes que conseguisse chegar até sua sala, se deparou com Diogo vindo em sua direção.

- Ora, ora... Isso são horas de chegar? – questionou já próximo dela.

A branca permaneceu em silêncio, revirou os olhos e passou por ele sem o encarar.

- Marina! – chamou agora mais alto fazendo-a parar - Eu posso saber por que você não compareceu a reunião de hoje? – questionou sério próximo dela.

- Estava ocupada. – respondeu voltando a caminhar novamente.

- MENTIRA! – disse fazendo-a parar novamente - Eu vi sua grade de horários... Você não foi porque não quis. – encarou-a - Porque é mimada, porque acha que pode fazer o que quiser...

- Ou talvez porque eu não queria olhar pra sua cara. – rebateu se virando de frente para ele - Ou dividir o mesmo ambiente que você.

- Como é que é? Isso é jeito de falar com o seu chefe Marina? – cruzou os braços – Ta achando que só porque é minha filha que não corre o risco de ir pro olho da rua?

- Eu não to achando nada. Se quiser me demitir, fica a vontade! – meneou um sorriso irônico - Eu só quero te dizer UMA coisa... – encarou-o – Desvio de correspondência é crime. Da cadeia...

Diogo franziu o cenho.

- Do que você esta falando?

- Você sabe muito bem... – se aproximou um pouco mais - Antes de você vir aqui querer me cobrar alguma coisa, levante as suas mãos pro céu e agradeça por eu não te denunciar, porque você pode ter certeza que vontade não me falta. – disse se virando e saindo em seguida, deixando um Diogo assustado para trás.

-#-

Os dias seguintes foram melhores para as duas. Clara e Marina passaram a trocar mensagens com mais frequência, quando não se falavam por telefone. Tinham começado a estabelecer uma amizade, com um pouco mais de entrosamento, um tanto colorida, claro, sem todos os privilégios de uma. Pelo menos por enquanto.

Mariana sempre com sua sedução habitual, acompanhado do seu arsenal de flertes que Clara até tentava, mais não conseguia ser indiferente nem aos flertes e nem aos beijos que a branca vez ou outra lhe roubava. E mesmo sem admitir, estava adorando poder sentir novamente as sensações que a branca lhe provocava. E apesar do misto de sentimentos confusos, sentia-se feliz e completa, só pelos simples fato de tê-la perto novamente.

Para Marina não era diferente. Apesar de estar vivendo em um verdadeiro campo de guerra com seu pai, quando pensava em Clara ou falava com ela, todos os pensamentos ruins se esvaiam de sua mente como num passe de mágica e tudo no que ela conseguia pensar era em como havia conseguido ficar longe dessa mulher por tanto tempo.

--

A terceira semana de junho entrou e com ela o inverno. Clara andava apressada pelo extenso corredor do segundo andar do hospital. Fazia dias que não via Marina devido à correria frenética de ambas. Sempre que tentavam combinar algo, um imprevisto surgia e elas tinham que desmarcar. Sendo assim, reservou seu horário de almoço pra matar um pouquinho a saudades da branca.

Caminhava distraída quando ouviu uma voz chamar pelo seu nome. Se virou de imediato e sorriu ao ver Patrícia se aproximar.

- Clara?! – ela disse já próxima.

- Oi Patrícia... – cumprimentou-a - Tudo bem?

- Tudo ótimo! – sorriu - Ta perdida?

- To procurando a Marina... Passei pela recepção e me disseram que ela estaria na sala dela, mais acabei de vir de lá e não tinha ninguém... Você sabe onde ela pode estar?

- Não, mais espera ai que eu já descubro – puxou o celular do bolso – Vou mandar uma mensagem pra ela. – disse já começando a digitar.

- Eu agradeço... Só não fala que eu estou aqui? – Patrícia a encarou – É que eu quero fazer uma surpresa. – disse abrindo um sorriso.

- Hmmm, entendi. – riu – Olha, agora ela esta lá embaixo na emergência terminando de checar um paciente. – disse guardando o aparelho novamente no bolso.

- Menos mal. Por um minuto achei que tivesse dado viagem perdida – riu – Vou descer e esperar ela lá então.

- Vai sim que ela vai ficar toda bobona em te ver. – disse fazendo a morena dar um risinho.

- Vou indo então... Obrigado pela ajuda! – disse abraçando-a gentilmente.

- Imagina! Foi bom te ver. – sorriu saindo em seguida.

Clara caminhou até o elevador, que por sorte estava livre. Entrou, apertou o térreo, porem, antes que a porta se fechasse por completo, uma figura segurou-a entrando em seguida. Ao bater os olhos, a morena desmanchou o sorriso e respirou fundo.

- Clara Fernandes. – Diogo disse encarando-a – Que surpresa te encontrar!

Cogitou em não responder, mas repensou e decidiu ser educada.

- Oi Diogo... Tudo bem?

- Tudo ótimo... E com você?

- Tudo bem. – respondeu.

- Tem certeza?

- Sim... Por quê? – franziu a testa encarando-o.

- Por nada... É que ultimamente você tem vindo bastante aqui no hospital. Achei que estivesse com algum problema. – disse com uma leve ironia junto com o tom nada delicado.

Clara inspirou fechando os olhos por alguns segundos tentando manter a calma.

- Felizmente esta tudo bem comigo!

- Ótimo! – forjou um sorriso - Nesse caso então, acho que podemos dar uma palavrinha rapidinho.

- Desculpa, mais não sei o que eu teria pra falar com o senhor. – o tom cordial permanecia com um resquício de impaciência.

Clara notou que a porta já ia se abrir e deu um passo a frente para sair primeiro quando Diogo esticou o braço até o painel de controle, apertando no botão que fez o elevador parar de imediato.

- Você pode não ter o que falar, mais eu tenho. – voltou a encarar a morena que agora o olhava furiosa, porém antes que ela pudesse falar algo ele continuou – Eu queria saber o que você pretende com tudo isso?

- Não entendi... – balançou a cabeça confusa.

- Antigamente... Eu até achava que você gostasse da minha filha, que queria o bem dela e etc... – gesticulava sobre o olhar atento da morena - Mas acho que me enganei. Você assim como todas as outras, querem só o que ela tem… A única diferencia é que você é mais insistente. Mesmo depois de anos continua persistindo...

- Como é que é? Quem o senhor pensa que eu sou? Eu não admito que me desrespeite dessa forma. – elevou a voz - O senhor não me conhece, não sabe nada sobre mim. – bateu no peito – Eu tenho princípios, caráter... Respeito é bom e eu gosto!

- Você quer respeito? – riu - Por sua causa estou vivendo um inferno com a Marina. Por sua causa minha filha não fala comigo...

- Minha causa ou sua? – apontou pra ele - Porque pelo que eu sei, quem faz da vida dela um caos por não conseguir aceita-lá como ela é, é o senhor. – apontou pra ele.

- Eu AMO a minha filha seja ela do jeito que for. Agora, quem não ama ela é você – apontou pra ela – Seu intuito na vida dela é outro...

- Eu não tenho que lhe provar nada. O que eu sinto ou deixo de sentir pela Marina só diz respeito a mim e a ela. O senhor não tem NADA HAVER COM ISSO. – elevou o tom visivelmente irritada. – Agora será que da pra destravar essa porta que eu preciso ir embora? – questionou e desviou o olhar sentindo seus olhos começarem a marejar.

 Diogo a encarou e sem dizer nada, se aproximou do painel e apertou o botão e novamente o elevador deu um tranco e a porta se abriu. Clara respirou fundo, e antes de ir, disse:

- O senhor deveria querer ver a sua filha bem, feliz, independente de qualquer coisa, porque nada... – balançou a cabeça - Nada é mais prazeroso nessa vida do que olhar nos olhos de um filho e poder enxergar o brilho dentro dele. Isso esta acima de qualquer coisa. – disse soltando a porta em seguida.

Diogo ainda ficou um tempo parado ali, até um grupo de enfermeiros entrou no elevador fazendo-o despertar e sair de imediato.

-#-

Clara saiu de lá arrasada. Nem de longe tinha sido o que ela planejou. Sabia que mais ou menos dia acabaria esbarrando com Diogo, mais​ nunca imaginou que isso acabaria em discussão. Nem quando namorava Marina tinha conseguido perder a cabeça dessa forma. Mais também nunca imaginou que algum dia na vida fosse ser tachada como interesseira.

Sempre achou que a implicância de Diogo consigo fosse pelo fato de ser mulher, pois o sonho dele sempre foi ver Marina casada com um homem, de preferência dá mesma profissão que eles. Por vezes tentou empurrar rapazes para a branca, criando até situações em que fizesse a morena se sentir desconfortável. Mais até ai, Clara entendeu e julgou que assim como a maioria dos pais, Diogo tinha  medo de que a filha fosse vítima do preconceito que no Brasil ainda é algo que infelizmente predomina. Julgou que, também pelo fato de serem pessoas “públicas", pudessem de alguma forma prejudica-lá em sua vida profissional. O que nunca passou pela sua cabeça foi que Diogo achasse tamanho absurdo sobre ela. Logo ela que nunca se importou com luxo, riqueza, poder. Sabia que dinheiro era necessário, mais nunca o colocou a frente de tudo. Até porque, seu trabalho lhe rendia uma boa condição de vida. Não tinha do que reclamar.

Sempre prezou a honestidade. Foi criada com princípios, com sua mãe dando duro sozinha para lhe sustentar, após seu pai abandona-las com ela ainda pequena. Passou por muita coisa pra chegar aonde chegou. Jamais se deslumbraria com isso. O sentimento que nutria por Marina era totalmente singular, sem vínculo nenhum com os bens que ela possuía. Era inadmissível que Diogo pudesse cogitar isso…

Sentiu seu celular vibrar. Era Julio ligando. Ao invés de atender, mandou uma mensagem e guardou o aparelho novamente.

Respirou fundo e enquanto prendia os cabelos, começou a observar as pessoas andando pela orla. Um casal de mulheres passou próximo dela, caminhando de mãos dadas. Acompanhou com os olhos as duas mulheres que interagiam animadamente por um certo tempo. Até que foi trazida a realidade quando a mão de Júlio pousou sobre seu ombro.

- Vim mais rápido que pude… O que aconteceu? - questionou sentando-se ao lado dela.

- Briguei com o pai da Marina… - disse ainda observando o movimento.

- Como assim? Como foi isso?

Mesmo a contra gosto, Clara respirou fundo e contou detalhadamente o que havia acontecido. Nunca gostou muito de desabafar. Sempre preferiu guardar as coisas para si, mais sabia que precisava… E muito.

- E foi isso… - soltou o ar - Eu sai de lá péssima e parei aqui pra arejar um pouco antes de voltar pra produtora.

- Gente mais que cara doente... – balançou a cabeça - Quem ele pensa que é pra falar assim com você? A Marina sabe disso?

- Não. E nem vai saber – Julio a encarou confuso - Ele me acusou de propagar a discórdia entre eles. E a Marina já está com raiva dele pelo lance das cartas… Se eu contasse isso às coisas só iriam piorar... – passou a mão pelo rosto – Eu não deveria ter discutido com ele, não d...

- Deveria sim. – interrompeu – Ele te acusou, te provocou. Mereceu ouvir umas verdades…

- Eu sei... – respirou fundo – E ele me surpreendeu. Achei que depois de tanto tempo ele tivesse mudado, tivesse melhorado pelo menos um pouco...

- Era o certo né?! Até porque a filha dele não é mais uma criança e independente do que ele ache, ela vai continuar fazendo o que ela quer.

- Não sei… - respirou fundo – Essa discussão toda me deixou mal... Não sei se consigo reviver isso… Sabe? – olhou pra ele.

- Desistir é o que você não pode fazer né? A Marina gosta de você.

- Gosta, mas sei que também esta sofrendo com isso. Diogo pode ser o que for, mais é o pai dela. E ela o ama. - passou a mão pelos cabelos - Não sei o que fazer. Não sei. – balançou a cabeça recebendo um abraço do amigo.

-#-

Fim do expediente.

Marina estava em sua sala, distraidamente mexendo em seu celular, quando uma Patrícia tagarela adentrou o ambiente.

- Nossa Marina, esse hospital ta uma bagunça só com a chegada desses novos internos – riu se jogando na cadeira – Daquele grupo só tem uma realmente preparada, que, aliás, é uma gata você percebeu? Aqueles olhos verdes dela... – abriu um sorriso – Eu sei... Eu sei o que você deve estar pensando, mais antes que você venha com sermão, fique sabendo que nem falar com ela eu falei direito viu? – parou de falar e encarou a prima que permanecia em silêncio. Se esticou na mesa e chacoalhou o braço dela fazendo-a finalmente enxerga-la.

- Você esta aí? Não te vi chegar. – Marina disse voltando sua atenção ao aparelho em sua mão.

- Como assim não me viu chegar? – indignou-se – Não acredito que to aqui há horas falando com as paredes. – reclamou cruzando os braços.

- Desculpa!… Tô aqui tentando falar com a Clara. Queria chamar ela pra jantar, mais to ligando e mandando mensagem a horas e nada dela me responder… - disse lançando um rápido olhar para a prima.

- Ué, já brigaram? Jurava que estava tudo flores entre vocês. Eu sei o quanto você gosta de surpresinhas, principalmente vindo dela.

- Que surpresinha? Do que você ta falando? – questionou levando o aparelho ao ouvido.

- Dá que ela te fez hoje. – disse se arrumando na cadeira.

- A Clara teve aqui? – franziu a testa - Que horas?

- Mais cedo... – cruzou as pernas - Aquela hora que te mandei mensagem eu estava com ela, só que ela pediu pra eu não te falar nada por que ela queria te surpreender e tal. 

- Que estranho... Porque será que ela não me avisou?

- Vai ver ela ouviu boatos sobre a extensa lista de mulheres que já passaram pela sua mão, ficou assustada e... Fugiu. – provocou encostando a cabeça na cadeira.

- A sua intenção era me acalmar? Por que não esta ajudando. – repreendeu com olhar fazendo a mais nova dar um risinho.

Marina discou o numero novamente, mais antes de Marina tentar ligar o celular vibrou. Checou rapidamente quem era, soltando um ar de alivio ao ler o nome da morena.

“Desculpa não ter atendido… To aqui no bar em frente ao hospital. Se puder, me encontra aqui. Preciso falar com você. Bj”

- Ela tá no bar do Joe. - disse surpresa já se levantando.

- E você aí morrendo a toa. - disse balançando a cabeça.

- Vou pra lá agora... Quer ir comigo? - questionou enquanto pegava suas coisas.

- Deus me livre! Meus dias de segurar vela acabaram meu amor… Só vou pra lá mais tarde, com os internos.

Marina a encarou.

- Patrícia, Patrícia...

- Eu sei ta? Relaxa. – interrompeu-a - Só vou mostrar pra eles o lugar. Nada mais. – disse meando um sorriso.

- Sei, olha lá heim... - semirreou os olhos fazendo-a rir – Vou indo, bjs. - disse já saindo em seguida.

-#-

No bar, Clara já ingeria sua segunda dose de tequila. Sua cabeça latejava ao mesmo tempo em que seu corpo parecia estar dentro de um forno de tão quente que o sentia por dentro. No fundo, uma musica tocava em volume razoável e Clara automaticamente pensou em Marina. Ela adorava aquele estilo de musica meio alternativo. Pensou nela e em tudo o que viveram nessas ultimas semanas. Cada dia que passava a certeza de que estava apaixonada por Marina crescia, embora a teimosia e a resistência não a deixassem admitir claramente isso. Estava mais do que nítido. As sensações que sentia com um simples toque da branca, os beijos que a fazia enlouquecer, a saudades a ponto de sufocar quando ficava alguns poucos dias longe dela. Pensava nela hora sim e outra também. Era inevitável.

Levou seus pensamentos a discussão que teve com Diogo mais cedo. Repassou em sua mente palavra por palavra dita pelo homem, sentindo uma enorme tristeza lhe tomar lembrando-se da acusação que ele fizera sobre ela ser responsável pela guerra instaurada na relação dele com a branca. No fundo, achava que ele tinha um pouco de razão. Marina só travara guerra com seu pai depois de engatar um romance com Clara. Claro que a morena sabia que a relação dos dois nunca foi um mar de rosas, mais também não era um completo caos como foi e vinha sendo. Tudo o que menos queria era ser um problema a mais para a branca.

Respirou fundo e olhou em volta, notando algumas mesas ocupadas por grupinhos de rostos conhecidos que ela já tinha visto pelo hospital. Ouviu o som da porta se abrindo, levou seu olhar até lá, sentindo seu corpo estremecer ao ver Marina adentrar o lugar. Se permitiu olha-lá por alguns segundos. Ela vestia uma calça escura, com uma blusa verde agave e uma jaqueta de couro escura também. Os cabelos estavam soltos e no rosto trazia o tão clássico óculos quadrado. Estava do jeito que a morena mais gostava.

Clara acenou para ela do balcão onde estava sentada e assim que Marina a viu sorriu e caminhou em sua direção.

- Oiiii! – a branca disse depositando um beijo demorado no rosto dela.

Antes que pudesse solta-lá, Clara a envolveu em um abraço apertado. Marina sorriu e afastou os cabelos castanhos, deixando um lado todo do pescoço exposto, depositando um beijo carinhoso ali. Clara fechou seus olhos por alguns segundos sentindo seu corpo arrepiar. E mesmo resistente, respirou fundo e se afastou.

- Desculpa ter te chamado assim em cima da hora... – Clara disse sentando-se.

- Imagina. Eu já estava mesmo pra ir embora. Você me mandou a mensagem e eu vim correndo. Estava louca pra te ver! – sorriu se sentando também.

Antes que pudessem dar continuidade ao diálogo, Joe chegou ao balcão.

- Marina… Ta sumida! - disse sorrindo gentilmente.

- Pois é... Resolvi dar uma maneirada no álcool.

- Entendi... E vai querer o de sempre hoje?

- Não… - balançou a cabeça - Acho que hoje vou de algo mais leve… Uma Ice.

- É pra já… - ele deu uma piscadela se afastando.

Marina se virou para Clara pousando sua mão sobre a dela, fazendo à morena se respirar fundo, porém, Clara não cessou o contato. Deixou sua mão ali, sentindo o calor da dela.

- Estava morrendo de saudades! Tentei falar com você o dia todo, mas só caia na caixa postal...

- Eu tive um dia cheio hoje… - disse dando um gole na bebida.

- Patrícia me disse que você foi ao hospital... – Clara a encarou - Me fazer uma surpresa. Só não entendi porque essa surpresa não chegou até a mim. – disse com a voizinha triste.

- Eu... Eu recebi uma ligação de emergência e… Enfim, tive que ir embora correndo. - mentiu e cessou o contato desviando o olhar.

Marina franziu a testa com a mudança repentina da morena.

- Entendi… Mais ta tudo bem?

- Ta sim. Quer dizer... – soltou o ar - Mais ou menos... Eu te chamei aqui porque preciso falar com você.

- Aconteceu alguma coisa?

- Eu andei pensando muito esses dias... – ignorou a pergunta – Pensando em tudo o que vem acontecendo entre a gente... No rumo que as coisas estão tomando.

- Eu também tenho pensado muito na gente... Cada dia mais – sorriu – E não sei como eu consegui ficar tanto tempo longe de você. – disse colocando uma mexa de cabelo para trás.

Clara meneou um sorriso. Fraco, mais ainda sim um sorriso.

- Eu adoro você Marina. – a branca sorriu - Adoro o fato de te ter de novo por perto... Me faz pensar no colegial, no inicio da nossa amizade. Era tudo tão leve... Tão bom!

- Nunca foi só amizade Clara. Desde o começo a gente sabia que entre nós existia algo a mais...

- Eu sei... – assentiu – Mas eu fico pensando... Já passou tanto tempo... E se a gente estiver confundindo as coisas? - questionou encarando-a.

- Confundindo?

- Sim, por que... Você passou anos fora. Depois de tanto tempo, poder te reencontrar de novo era algo que eu já não tinha mais esperanças. – balançou a cabeça - E quando isso aconteceu uma mistura de sentimentos se formou aqui dentro, assim como em você também.

- Sim, é verdade. Eu fiquei bem confusa com tudo. – concordou - Mais só foi me aproximar mais de você pra eu ter certeza que tudo o que eu sentia não tinha acabado. Continuava aqui – levou a mão ao peito – Quieto, escondido, mais aqui... Eu penso em você o tempo todo Clara...

- Amigos também pensam um no outro... – disse interrompendo-a.

- Amigos não flertam. Amigos não se desejam. E por mais que você tente negar, eu sei que você me deseja tanto quanto eu te desejo. Eu vejo nos seus olhos isso. – disse encarando-a.

Clara desviou o olhar.

- Eu não sei Marina... – passou a mão pelo rosto – Eu não sei, eu... E-eu to tão confusa...

- Com o que você esta sentindo em relação a mim?

- Com tudo... – a encarou – Eu não sei o que pensar, não sei o que esperar... – balançou a cabeça – É por isso que... – engoliu em seco – É por isso que eu acho que... É melhor sermos só amigas – Clara disse em um fio sentindo seu coração esmagar.


Notas Finais


E agora? O que vocês acham que vai acontecer?


Seguinte...

A parte da leitura das cartas, eu tinha preparado um flash back bom pra complementar, só que... Por conta do tamanho do capitulo eu acabei desistindo de colocar, PORÉM, mais pra frente eu tentarei encaixar em alguma parte ok? Ok.

Outra coisa...

Essa semana eu estou um pouco atolada com umas coisas então pode ser que eu demore um pouquinho mais pra postar o capitulo, maaaaas... Não se preocupem que eu postarei!

Ah... Eu não esqueci de responder os coments do capitulo anterior não viu? Vou tentar responder todos por esses dias.

É isso... Me digam o que estão achando, se tiverem sugestões, teorias, não tenham vergonha de falar, eu adoro saber o que vocês estão pensando.

É isso galera.

Beijos e vejo vocês em breve!


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