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História Peeta e Katniss: Getaway Car - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Olá tributos! Tudo bem com vocês? Espero que sim!

Enjoy!

Capítulo 4 - ...Ready for It?


— E então, podemos saber o que a nobre donzela precisa? — Joh perguntou, sentando-se ao banco entre Gale e Finnick.

— Como eu disse na chamada, preciso da ajuda de vocês. — Falei, ficando de pé em frente aos meus amigos. — Tentei falar com Snow, mas não deu certo.

— Você contou a ele sobre seu pai? — Gale perguntou e eu neguei com a cabeça, os três respiraram aliviados.

— Não contei, mas ele não ficou nada feliz por Peeta ainda estar vivo. Snow quer que eu o mate de qualquer jeito. — Respirei fundo. — Hoje.

— E por qual motivo você parece tão resistente? — Finn perguntou e eu o olhei como se fosse obvio.

— Quero mais informações sobre aquela foto, e se o que eu acho for verdade, só Peeta pode esclarecer tudo, e ele não pode fazer isso morto.

— Bem pensado. — Joh olhava suas unhas. — Onde entramos nisso?

— Snow não está para brincadeiras, eu falhei duas vezes, se eu falhar de novo... — Não quis terminar a frase. — Ele me mandou marcar um encontro com Peeta, e vai mandar uma equipe comigo, se eu falhar dessa vez, qualquer agente vai se encarregar de mata-lo, e eu... eu nem sei.

— Você é a preferida dele, não vai te matar. — Gale falou.

— Quem falou em me matar? — Perguntei, rindo falso. — Ele falou algo como tortura e coisa e tal.

— Jogou baixo. — Joh falou. — O que quer que a gente faça?

— Snow arrumou um tipo bem evolutivo de envenenamento. É um liquido pegajoso, como gloss, não tem sabor, apenas um cheiro doce de...

— Rosas?

— Exatamente Finn, rosas. — Falei. — Infelizmente não tem outra opção, terei que fazer isso, mas Peeta não pode morrer!

— E por qual motivo ele não pode? — Joh me perguntou, com um sorriso malicioso no rosto.

Revirei os olhos impaciente.

Será que eu tinha que desenhar?

— Se tem alguém com alguma informação sobre meus pais, esse alguém é Peeta, não posso arriscar falar disso com ele em qualquer lugar por aqui. — Respirei fundo. — O plano é o seguinte: eu irei chamar Peeta para um jantar, ainda hoje, Snow exigiu que fosse no Black Roll, então, obviamente o local vai estar lotado de agentes, eu irei jantar, enganar Peeta e o envenenar...

— Mas isso... — Galei interveio e eu o olhei.

— Snow me deu isso. — Mostrei o liquido amarelo para eles. — Um antidoto. Eu darei metade disso em um frasco para vocês. Assim que eu o envenenar, quero que um de vocês, disfarçado o leve para o antigo hospital próximo as colinas.

— Aquele lugar tá abandonado há anos. — Foi a vez de Finn falar.

— Eu sei. Encontrarei vocês lá, com Peeta consciente, e assim, eu poderia falar com ele. — Terminei. — É um plano básico, pode dar tudo errado, mas é minha única chance. — Respirei fundo. — Vocês sabem como isso é importante para mim.

— Sim, sabemos. — Gale se levantou. — Você pode contar conosco.

¬__________________¬

Disquei o número que Egéria me passou e esperei, ao segundo toque ele atendeu, e ouvi sua voz maravilhosa e rouca dizendo “alo?”, sorri ao me lembrar de seus olhos azuis, e da esperança que mais um vez Peeta Mellark estava me dando.

— Peeta Mellark? — Perguntei, já sabendo a resposta, mas o ouvi respirar fundo do outro lado, e por dois segundos ele não disse nada.

— Katniss Everdeen. — Não era uma pergunta, Peeta reconhecera minha voz.

— Como vai? — Perguntei casualmente.

— Estou indo bem, muito bem para alguém que foi abandonado pela manhã, depois de uma incrível noite com uma bela dama. — O tom sensual voltou para sua voz, e eu arrepiei quando aquele som chegou aos meus ouvidos.

Sorri sem perceber.

— Eu, tive alguns compromissos. — Falei, evasivamente.

— Por dois dias e meio? — Ele perguntou. — Achei que tivesse desistido de mim. — Eu podia quase ver seu lindo rosto se tornar falsamente triste.

— Gostaria de tirar essa inoportuna duvida de sua mente, te convidando para jantar comigo, hoje à noite. — Mordi os lábios, esperando a resposta e ele sorriu de leve.

— Não existe nada que eu negaria para você. — Ele disse, soando serio, como uma promessa. — Tampouco um convite.

— Ótimo, então, nos encontramos no Black Roll, as 20:30? — Perguntei.

— Sim, para mim, está ótimo. — Ele respondeu e eu sorri. Podia me sentir como uma adolescente apaixonada, indo para um segundo encontro.

— Até mais tarde então. — Falei, me despedindo.

— Nos vemos mais tarde. — Ele respondeu cordial, e eu desliguei a chamada, segurando o celular com força em minha mão, e pensando no quão perto, e ao mesmo tempo, o quão longe eu estava de saber a verdade sobre minha vida.

¬____________________¬

Eu girava a taça de vinho nos dedos enquanto olhava ao redor, sabia que tinha agentes de Snow ali por todos os lados, apenas para se certificar que eu faria tudo certo dessa vez.

O lugar que Snow escolheu era realmente maravilhoso, eu mal podia imaginar que o 13 poderia ter um restaurante tão luxuoso, os lustres de cristais desciam do teto em perfeitas cascatas, o salão todo em tom de dourado e branco dava um charme totalmente elegante e novo, além de ser bem decorado com arranjos de flores brancas e vermelhas. Esse lugar era ainda mais lindo que Anton’s.

— Katniss? — Ouvi uma voz rouca me chamar e levantei meus olhos para o homem em minha frente. Peeta estava ali, trajado em seus usuais ternos escuros, os cabelos loiros em um topete perfeito e os lábios rosados pelo frio do lado de fora.

Com um impulso, me levantei indo até ele e beijando-o nos lábios rapidamente, mas Peeta não pareceu incomodado.

— Sente-se, por favor. — Pedi, me colocando na cadeira em sua frente.

— Obrigado. — Ele falou. — Em todos esses anos morando no 13, nunca cheguei a vir nesse restaurante, estou impressionado com o lugar. — Ele falou, enquanto eu o servia uma taça com vinho.

— Sim, apesar de tudo, o 13 tem suas peculiaridades.

Peeta me encarou, rindo em seguida e assentindo.

 

— Eu preciso admitir que fiquei bastante surpreso com seu convite. — Peeta falou, bebericando o restante de seu vinho, já tínhamos terminado o jantar, apenas esperávamos as sobremesas agora. Eu não podia negar o quão fadigada eu me sentia agora.

— É mesmo? Posso saber o motivo? — Perguntei, forçando um sorriso divertido. — Espero não ter sido inconveniente.

— De maneira alguma. — Ele negou rapidamente. — Foi apenas curioso. Primeiro você saiu da minha casa em silencio depois de uma noite... maravilhosa, no mínimo. — Abri um sorriso tímido que eu nem sabia que tinha, Peeta realmente mexia com meus nervos. — Eu estava me perturbando com a possibilidade obvia de nunca mais voltar a te ver.

— Eu precisei ir embora, tive um problema. — Falei evasivamente.

— Espero que nada sério.

— Não é. — Eu só preciso matar você que eu resolvo ele. Bem simples.

— Então, eu nem posso dizer o quão feliz fiquei com sua ligação. — Ele sorriu, segurando minha mão sobre a mesa. Ao notar nenhum movimento de minha parte, ele se afastou, ajeitando-se na cadeira. — Mas, sinto que esse convite tem um quê de algo mais.

Beberiquei minha bebida demoradamente.

— Ouça, se não estiver à vontade aqui, podemos ir para minha casa de novo, ou a sua, só pra gente conversar. — Peeta começou a me metralhar com palavras enquanto eu pensava em todos os meus próximos passos.

— Peeta, na verdade, não podemos mais nos ver. — Falei, olhando em seus olhos agora, eu tinha uma ótima habilidade para mentir.

— O que? Como assim? — Ele perguntou, estupefato.

— Eu não quero isso, seja lá o que temos, preciso que acabe. — Falei, sentindo uma intensa tristeza em cada uma das minhas palavras. Mas isso não era fingimento. Eu estava mesmo triste.

Mas como eu poderia?

Tentei levantar-me no intuito de sair dali, mas a mão de Peeta me segurou em um aperto firme, mas sem machucar.

— Não vai fugir de mim de novo. — Ele falou, seu olhar estava serio, e eu quis correr dali, mas me limitei a sentar-me novamente. Todo o clima da mesa havia mudado. — Me desculpe, mas isso não faz o menor sentido. — Ele disse, sorrindo amargo. Olhei por cima de seu ombro, vendo Enobaria sentada em uma mesa poucos metros de nós, assim que nossos olhares se encontraram, ela fez um gesto para mim, informando para acabar logo com aquilo. — Eu realmente gosto de você, Katniss. — Olhei para Peeta, ele suspirou, passando os dedos entre seus cabelos loiros, bagunçando-os, os olhos azuis refletiam as luzes do salão bem iluminado, e seus lábios estavam rosados e convidativos, mas não tinham mais o sorriso brilhante de antes. Por um segundo, imaginei como seria dar um passo com ele, não muito, apenas o suficiente.

Poderíamos estar dançando em um globo de neve agora mesmo.

Girando e girando.

— Leve-me para casa. — Pedi, e ele assentiu.

— Vou pedir a conta. — Ele disse apenas. Mas tinha aquele olhar em seu rosto.

— Vou ao toalhete, te encontro no hall de entrada.

Enobaria seguiu meus movimentos com os olhos, e se levantou, vindo até mim. Parei de frente ao grande espelho e me encarei. Retirei um dos frascos que tinha em minha bolsa.

— Achei que fosse levar a noite toda. — Vi o corpo de Enobaria se materializar atrás de mim. — Snow tem pressa.

— Então ele mesmo devia ter vindo fazer o serviço. — Virei-me para ela, sentindo meu sangue ferver. Estava cansada de Snow, de Enobaria, e estava cansada de estar cansada. Minhas palavras surtiram efeito e no mesmo instante seu semblante mudou. A mulher de pele morena e dentes afiados levantou sua mão direita para mim, mas graças ao meu bom reflexo, eu consegui segura-la antes que atingisse meu rosto. — Você ficou maluca?

— Nunca mais fale dele assim na minha frente — Ela sibilou, quase parecendo o próprio Snow.

— Nunca mais levante sua mão para mim, se ainda quiser ter mãos. — Empurrei seu corpo para longe de mim.

Virei-me novamente para o espelho, retoquei o impecável batom vermelho e passei a camada necessária do veneno para matar Peeta. O liquido se acentuava bem com a cor do batom, dando um brilho atraente em meus lábios carnudos.

— Peeta vai amar. — Falei, ironicamente.

— Espero que faça o trabalho direito. — Enobaria falou, assim que eu abri a porta do banheiro.

— E eu espero que você morra. — Fechei a porta revirando os olhos.

— O senhor Mellark te aguarda no hall. — O anfitrião avisou, colocando meu sobretudo sobre meus ombros.

— Obrigada. — Agradeci e sai, vendo Peeta escorado em uma das paredes luxuosas do lugar, e ele estava tão lindo, todas as vezes que eu o via, ele ainda parecia mais lindo e sexy. Mas eu tinha que fazer o que devia fazer. — Peeta? — Chamei e ele prontamente levantou seus olhos para mim.

— Podemos ir? — Ele parecia estranhamente preocupado com algo.

— Sinto muito, eu recebi uma ligação de uma amiga, ela está bêbada em um bar e precisa da minha ajuda. — Falei, esperando que ele caísse na minha desculpa e apenas me deixasse ir.

— Se quiser, eu posso te acompanhar. — Ele ofereceu, mas eu neguei com a cabeça.

— Não precisa, eu agradeço.

— Bem, então... — Ele olhou para o lado, esfregando as mãos na lateral do corpo.

Segurei em seu pescoço com uma mão, enquanto alcançava seus lábios. “Vamos lá Peeta, me afaste de você e limpe seus lábios.” Eu implorava com minha mente, mesmo sabendo que eu tinha planos para que ele não morresse.

Tudo aquilo era um risco. Peeta ainda poderia morrer.

Mas ao contrário do que eu esperava, Peeta levou suas mãos para minha cintura, me puxando ainda mais para ele, e aprofundando o beijo. Eu sentia o gosto de vinho e rosas em seus lábios.

Desejei que pudéssemos ser a prova de balas naquele momento.

— Vamos nos ver de novo. — Falei, como uma promessa que eu logo cumpriria.

Virei-me de costas para ele, saindo do restaurante, e assim que virei a primeira esquina, avistando meu carro estacionado a alguns metros dali, retirei um guardanapo da bolsa, limpando meus lábios e bebendo o pouco do antidoto que restara.

O antidoto não tinha gosto de nada, e eu entrei em meu carro, andando por ruas aleatórias até distrair os agentes de Snow. Passando cerca de uma hora de meia, minhas mãos começaram a tremer, e meu corpo suava frio, eu estava chegando ao hospital, mas havia uma trilha que eu teria que andar a pé. Desci do carro, com dificuldade, imaginando se Peeta estaria do mesmo jeito, e o antidoto era falso. Se fosse, tudo estaria perdido, eu morreria sem saber a verdade, e Peeta morreria por nada.

— Katniss! — Ouvi Johanna gritar assim que entrei pela porta. Minhas pernas falhavam e minha visão estava um borrão.

— Joh... — Tentei falar seu nome, e senti meu corpo sendo amparado e posteriormente carregado por outra pessoa, até estar deitado sobre algo macio.

— Ela vai ficar bem? — Ouvi alguém perguntar.

— Acho que eles vão ficar bem. — Outra pessoa disse. — Mas precisamos leva-los, vamos!

Eu lutava para manter meus olhos abertos e minha mente acordada, mas algo me puxava para trás, e aos poucos, e me deixei ir.

¬___________________¬

Entreabri meus olhos pela segunda vez, tentando acostumá-los com a luz branca do local em que eu estava. Eu sentia uma dor aguda em meu braço, e notei que tinha um liquido branco sendo injetado em minha veia por uma agulha, minha cabeça doeu, e eu olhei mais ao redor. Eu estava em um quarto, aparentemente, de hospital, havia apenas a cama onde eu estava, aparelhos para exames, uma poltrona e uma escrivaninha. Forcei minha mente para me lembrar de algo, mas apenas sabia que Peeta e eu quase morremos, eu estava com meus amigos, então provavelmente eles nos ajudaram.

Mas a pergunta que não queria calar era: aonde eu estava?

A porta se abriu com um estrondo, e Johanna entrou por ela.

— Finalmente você acordou, pensei que dessa vez você ia. — Ela se aproximou, sentando-se perto de mim na cama.

— Onde estamos? — Arrisquei perguntar, e ela deu um empurrãozinho em minha cabeça. — Ai!

— Onde mais? Estamos no distrito 13. — Ela contou.

— Onde exatamente?

— Na base dos rebeldes. — Ela respondeu. — Já está na hora de você saber de algumas coisinhas.

Com a ajuda da Johanna, e sem nenhuma autorização de um médico, eu tirei a agulha de meu braço e me vesti com uma roupa que a morena trouxe para mim, era leve e confortável. Mas nada disso me importava, minha mente vagava com mil perguntas que eu queria fazer, sem saber exatamente para quem.

— Onde estamos indo? — Perguntei.

— Vamos encontrar os outros. — Ela respondeu. — Eles estão ansiosos para te ver.

Andamos por alguns corredores, e descemos uma espécie de elevador, até chegarmos de frente para uma porta.

— Preparada?

— Não exatamente. — Respondi e ela sorriu.

— Ótimo.

Johanna abriu a porta, e as primeiras pessoas que eu vi ali foram Gale e Finnick. Eles estavam sentados mais afastados, Gale falava com uma moça loira, alta e aparentemente linda, e eles sorriam um para o outro. Já Finn, ele estava apaixonadamente abraçado com uma mulher de cabelos castanho-avermelhados, ela sorria encantadoramente, enquanto apontava para algo em sua barriga. Outros rostos passaram a ser percebidos por mim, totalmente desconhecidos. E assim que meus olhos pararam em Peeta e nas duas outras pessoas com quem ele falava, eu senti o sangue ser drenado do meu corpo. Tudo ao meu redor parecia ter parado, e meu coração começou a bater forte, doendo em meu peito.

Como se todos fossem avisados que eu estava ali – mesmo eu não fazendo barulho algum –, todos pararam o que estavam fazendo e olharam para mim. Nenhum som era ouvido dentro da enorme sala. As pessoas que estavam com Peeta olharam para mim com emoção, e eu sentia uma vontade enorme de correr até eles. Mas meus pés não se moviam, nada no meu corpo se movia, e eu senti lagrimas quentes escorrerem pela pele do meu rosto.

Meus pais estavam vivos e sorrindo apenas alguns metros de mim.

— É... olá? — Johanna arriscou um cumprimento. Mas ninguém disse nada, alguns se encaravam entre si, mas isso não me era notado, meus olhos nem piscavam diante do casal que agora, vinham em minha direção. Sorrindo para mim, parecendo tão emocionados quanto eu.

Um tipo de flash passou por minha cabeça, enquanto eu ainda estava paralisada.

Tinha glitter nas ruas enquanto saíamos do edifício onde o testamento de meu avô havia sido lido, garotas levavam seus sapatos em suas mãos, e garotos saiam rindo carregando seus ternos, confetes estavam jogados ao chão por todos os lados, e eu tinha um livro em minhas mãos. Lembro de minha mãe apertar minha mão três vezes dentro do trem enquanto meu pai falava algo com ela, Prim brincava no banco ao meu lado, inerte a tudo que acontecia. Era o primeiro Natal sem o vovô, e ele havia deixado um presente para mim, era meu livro favorito, ele sempre o lia para mim em sua casa, enquanto preparava chocolate quente, lembro de ser apaixonada por Alice no País das Maravilhas. No final de cada capitulo, meu avô fazia questão de dizer: não importa o que aconteça, e o quanto você se perca, nunca esqueça de como voltar para casa.

E eu nunca pensei que fosse odiar tanto um livro. Mas no caminho para casa, o único sentimento que eu tinha era que queria me agarrar a essas memorias.

E eu me agarrei a elas, assim como elas se agarram a mim.

Senti meu corpo sendo abraçado, no mesmo instante que a voz conhecida de meu pai me chamou de “Kat”. Senti-me desabar em seus braços, chorando tudo que eu havia guardado todos esses anos, toda a tristeza, e o luto. Luto por pais que estavam vivos.

Como eu nunca soube?

— Mãe! Pai! — Chamei as palavras que a tanto tempo não saiam de minha boca. — Vo-vocês estavam mortos, eu... — Sentia o ar me faltar, sons que pareciam soluços escapavam de minha boca, e eu mal conseguia falar. — Snow disse...

— Shh, já passou minha menina. — Meu pai afagou meus cabelos. E eu afundei minha cabeça em seu ombro, sentindo o cheiro de seu perfume. Eu sentia tanta falta. — Snow não pode te machucar aqui. — Ele sussurrou, me acalentando. Mas eu sabia que ele estava errado.

Snow poderia me machucar em qualquer lugar.

— Tudo bem, é melhor vocês se sentarem. — Uma mulher se aproximou de nós, sorrindo gentil. — São muitas emoções e Katniss ainda está muito fraca.

— Tem ideia do quão irresponsável você foi? Ela quase morreu. — Antes de sair de perto de Johanna, ouvi uma voz como a de Peeta a repreendendo.

 

— Filha, como você se sente? — Minha mãe perguntou, acariciando minha mão.

— Eu nem sei como me sentir. — Falei. — Eu pensei que vocês estavam mortos. — Fechei os olhos. Estava notoriamente mais calma depois de tomar água, e algumas pessoas já tinham saído da sala, restando apenas desconhecidos e os que eu já conhecia. — Snow me mostrou os corpos queimados, disse que eram vocês.

— Snow mentiu, ele mentiu sobre muita coisa. — Meu pai olhou para Gale, que apenas assentiu.

— Eu sei disso. — Falei apenas. — Mas me diga, como isso tudo aconteceu? O doze foi bombardeado, como sobreviveram?

— Eu só tenho algumas memorias. — Meu pai começou. — Eu estava no meio da fumaça, procurando sua mãe e Prim, e de repente, Paylor surgiu e nos resgatou. — Meu pai contou, olhando para a mulher encostada a porta. — Passamos dois dias desacordados aqui, e quando eu acordei, soube que Snow tinha mandado um aerodeslizador pegar algumas crianças na escola.

Eu lembrava desse dia como se fosse ontem. 

Eu estava na escola, no meio de uma aula quando um aerodeslizador parou e alguns pacificadores mandou a professora colocar crianças para dentro da espaçonave. Eu, Gale e mais algumas crianças entramos. Mas não foram todas, nem metade da escola estavam lá dentro, quando fomos mandados para a Capital. 

— Sim, eu me lembro, eles nos mandaram para a Capital, e logo fomos informados do que havia acontecido. Eles cuidaram de mim, mas logo depois, disseram que estavam mortos. — Todos esses anos, como eu nunca soube?

— Nem todos foram pegos por Snow, eu estava na Capital quando tudo aconteceu, participando de um concurso de desenhos com os pais de Delly Cartwright. — Peeta se manifestou. Sim, eu me lembrava agora de vê-los sempre juntos no recreio e durante as aulas. 

— Minha família estava no 6, visitando uma parente nossa, só foram pegos quando tentaram retornar ao 12. Patrulhas que estavam no local os levaram para a Capital quando souberam que eram meus pais. — Gale falou. — Agora eu nem entendendo o motivo de Snow não ter simplesmente os matado. 

— Talvez para ter sua lealdade, já que ele tinha "salvo" sua família. — Johanna deu de ombros. — Ou talvez para usá-los contra você, ou por simplesmente motivo nenhum. Não dá pra entender Snow, nem tente. 

— Nós tentamos chegar até você, te buscar, mas a mansão de Snow... ela é impenetrável. — Mamãe falou e eu assenti.

— Eu sei bem disso.

— Você pode ser a preferida dele, mas não é a única. — Johanna se levantou. — Finnick, eu, e vários outros de nós passamos pelo mesmo que você, e alguns realmente perderam sua família, aquele velho desgraçado não vale o que come.

— Eu não entendo o motivo de nada disso. — Falei, afinal, como alguém poderia destruir quase totalmente três de seus distritos a troca de nada?

— Katniss, você era muito nova, não entendia isso, mas naquela época, os distritos estavam se emancipando da Capital, ninguém mais queria servir a Snow, ele basicamente enlouqueceu e destruiu os principais: O 12 e o 13. Por sorte, a base dos rebeldes no 13 já estava forte o suficiente para nos resgatar, mas não para enfrentar Snow. — Meu pai contou.

— É, mas isso foi há muito tempo atrás, agora estamos prontos. — Peeta falou e pela primeira vez e eu o encarei por alguns segundos. Ele estava pálido, e parecia exausto, mas o brilho em seus olhos azuis ainda estavam lá.

— Existem muitas coisas que você precisa saber, Katniss, mas, por hora, você deve apenas se recuperar, a dose de veneno em seu organismo foi bem mais alta do que no de Peeta, você não reagiu bem aos medicamentos. Achamos que íamos perder você. — Minha mãe falou e eu assenti.

Eu sabia que tinha muito mais por detrás disso, e eu sabia que Snow pagaria por cada mentira dita para mim.

— Eu tenho que matar Snow.


Notas Finais


Olá de novo!

Espero que tenham gostado de saber um pouco mais sobre o que aconteceu com os distritos, e como eu sinto que não ficou muito claro no capitulo: não, Snow não bombardeou o distrito 4 e 7, houve apenas um atentado em cada, que resultou ALGUMAS mortes, inclusive das famílias de Johanna e Finn.
Os únicos distritos que realmente foram bombardeados nessa fanfic foram o 12 e o 13, porém a base dos rebeldes no 13 permaneceu intacta para ajudar nossos rebeldes!

Talvez isso nem seja algo que tenha deixado vocês com duvidas, mas eu sou muita chata com detalhes, e quando não sinto que ficou bem explicado na cap, eu venho aqui pra deixar tudo nos eixos hahaha.

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E que a sorte, esteja sempre com você!


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