História Peguei Você (mitw) - Capítulo 6


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, LGBT, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 6 - Why can't you just kiss me?


↽↖Why can’t you just kiss me?↗⇁

Os olhares se cruzaram durante aqueles segundos de silêncio. Tarik gostaria de dizer algo útil, mas sua garganta de forma estranha parecia ter trancado seu ar num ato de surpresa pela presença de Linnyker. Sua língua gentilmente passou entre os lábios, e o ar voltou a circular pelas suas vias respiratórias, chegando aos alvéolos onde acontece a hematose, assim, o gás carbônico saiu pela boca entreaberta, numa temperatura mais quente.

Mikhael abriu um pequeno sorriso, percebendo o nervosismo do garoto diante dele. As mãos trêmulas de Pac estavam sobre seus joelhos em seus respectivos lados, com as pontas dos dedos um pouco pressionadas contra seu jeans, fazendo a carne ficar esbranquiçada. Mike queria tirar a tensão dele.

— Prefere jogar xadrez sozinho? — Mikhael arqueou a sobrancelha, perguntando de forma gentil e humorada.

— Oh, n-não. — pigarreou o mais novo, olhando para o tabuleiro, pensando em sua próxima movimentação — Você ainda é bom nisso? — fez sua jogada.

— Eu ganhei três medalhas de ouro nos três anos do ensino médio nos campeonatos de xadrez. — Link diz movendo uma peça — Você talvez não lembre disso.

— Lembro sim, três vezes consecutivas. — coçou a nuca — Eu só pensei que talvez não praticasse mais tanto quanto no passado. — mordeu o lábio inferior, sentindo o coração disparado. Tarik se perguntou o motivo de estar tão nervoso. Era apenas a droga de um jogo de xadrez.

— Eu realmente não pratico tanto como fazia no passado. Mas achei justo te fazer companhia.

As peças continuavam movendo-se, e quando Pac se deu conta, uma de suas peças foi derrubada por Linnyker.

— Acho que você não perdeu nenhum pouco da sua habilidade “xadrezinhense”. — riram.

↽↖↗⇁

Xeque-mate. — Mike resmunga após vencer o jogo, com um largo sorriso no rosto.

— Não sou suficiente pra você. — Pac ri baixinho, guardando as peças e se levantando, levando consigo o tabuleiro também, na direção da estante.

— Você é bom, sim. — Linnyker se pôs em pé, dando passos arrastados até as vidraças — Oh, o dia está bonito hoje. — colocou as mãos dentro dos bolsos de sua calça jeans.

— É, está sim. — Pac foi até o mais velho, de forma tímida.

— Poderíamos sair pra fazer alguma coisa à tarde, se você prometesse se comportar e não sair correndo de mim. — olhou de canto para Pacagnan.

— Jura?! — Tarik quase engasga — Sair? Tipo… Ir para algum lugar na cidade?

— Sim. Você tem sido um bom garoto, Pac. Se você se comprometer em não sair de perto de mim, nós podemos. Terá que ir disfarçado, não dá pra arriscar que alguém te reconheça na rua.

— Obrigado! — Tarik nem se dá conta de quando se joga nos braços de Mikhael, o abraçando.

Ficou constrangido de início, mas sua tensão passou quando os braços tatuados do mais velho o envolveram da mesma forma, fazendo um breve carinho em suas costas.

— Onde quer ir? — Linnyker pergunta assim que se afastam.

— Ao cinema, talvez? Qualquer lugar. — deu de ombros — Como vou me disfarçar?

— Ahn… Vou ligar pra um amigo meu trazer alguma coisa, peruca, roupas, sei lá. Vamos dar um jeito nisso, tudo bem? — tocou o ombro de Pac.

— Sim, ótimo.

O rosto de Pacagnan parecia iluminado, como o dia ensolarado lá fora. Ele estava radiante, o que o deixava ainda mais lindo aos olhos de Mikhael.

A proximidade de seus corpos era significativa. Os dedos de Linnyker dedilharam do ombro de Pac pelo seu pescoço, até chegar na lateral de seu rosto. Impressionou-se com a maciez daquela pele. Quando ia afastar seu toque, Pac deu um passo, ficando cara a cara com Mike.

Ambos pareciam hipnotizados nos olhos um do outro, e seguiam os instintos. Mikhael aproximou o nariz da bochecha de Pacagnan, arrastando-o de forma delicada ali, sentindo o cheiro do garoto.

Tarik fechou as suas pálpebras, tocando com as duas mãos no peito do mais velho. Sua respiração estava falha, sentindo a leve barba de Mike raspando por sua bochecha, fazendo assim um arrepio correr por toda sua pele.

Os narizes acabaram se tocando, e os dois abriram os olhos. O som de suas respirações um pouco alteradas era música no ambiente. Mikhael arrependeu-se, mas já esperava que não resistisse aos encantos de Pac em algum momento, e faria algo fora do planejado.

Não deveria ter inalado aquele perfume natural.

— Me beije. — sussurrou Tarik. Mikhael espantou-se, deixando claro sua surpresa. Jamais imaginaria que Pacagnan pediria para ser beijado por ele. Era loucura — Mikaé, me beije. — pediu novamente, agora ficando rubro. Estava com medo de ser rejeitado pelo mais alto, sabia que era isso que merecia, mas seria infeliz se acontecesse. Havia chegado tão longe para nada.

— Eu posso fazer isso, mas eu não devo. — Linnyker sussurrou em resposta. O semblante de Pac foi de tímido para envergonhado, com grande decepção estampada nos olhos — Está fazendo isso por medo e hesitação, Tarik. Você não me quer de verdade. E está tudo bem.

— Foi pra isso que me trouxe aqui, não é? Me fazer ficar apaixonado ou interessado em você, pra depois me rejeitar e me mandar embora. Da mesma forma que eu fiz. — seus lábios tremeram, e Pac abaixou o rosto, sentindo seus olhos arderem.

Não queria chorar, não ali na frente de Linnyker. Sentiu-se pequeno e humilhado. Suas mãos afastaram-se do peitoral do mais alto, ficando caídas ao lado do seu corpo. Em sua mente, dizia para si que merecia isso.

— Não, do que está falando? Eu nunca quis fazer vingança nenhuma, Tarik! — Mike defendeu-se prontamente — Eu já disse porquê te trouxe aqui. — um ar pesado saiu pela sua boca, enquanto uma mão ficava no ombro de Pac, e outra fazia carinho nos cabelos escuros do garoto — Você não está apaixonado por mim, Tarik. Você está com medo e carente. Não quer me beijar porque sente alguma atração, quer me beijar como forma de defesa, porque acha que se me agradar, eu não vou te machucar. Ouça, não precisa fazer isso. Minha intenção não é te ferir de qualquer maneira.

— Não tem nada a ver com isso. — os olhos vermelhos de Tarik se direcionaram aos turbulentos de Mikhael — Você tem alguma coisa… Você veste uma capa de imã que sempre me traz de volta pra você.

— Você nunca esteve comigo pra ter voltado, Pac.

Eu era apaixonado por você na escola, Mike.

Os dois ficaram calados, encarando-se. Mikhael não conseguia dizer nada. Sua língua havia travado diante da lágrima que descia quente pela bochecha do rapaz em sua frente. Pacagnan arrependeu-se de ter contado o fato. “PÉSSIMA IDEIA”, gritou sua consciência. Ele precisava aprender a calar a boca tanto como deveria calar seu coração.

As coisas não deveriam ser assim. De repente, tudo saiu do controle. A sanidade de um viciado, e o controle de um dominador. O trem saiu do seu curso dos trilhos. A chuva caiu no deserto. Eva não comeu a maçã, foi Adão.

Linnyker afastou as mãos de Tarik, e virou-se lentamente, andando para fora da pequena sala do piano. Desceu as escadas, indo na direção da cozinha, deixando Pacagnan cair de joelhos sobre o carpete, sozinho, levando as mãos para o rosto e deixando seus soluços e lágrimas falarem por ele. Hora errada para abrir a boca.

Tudo saiu da sua ordem natural.

↽↖↗⇁

Alguns longos minutos haviam se passado desde que Mikhael sumiu da vista de Pac, talvez uma hora ou mais. Tarik, no entanto, permaneceu encolhido no chão, com a lateral do corpo apoiada contra a vidraça e seus braços envolvendo seus joelhos.

Havia chorado muito além do necessário. Seus olhos vermelhos e rosto inchado deixava claro que suas lágrimas vieram por vários outros motivos também.No meio do desespero, acabou recordando de mil e uma desgraças, o que só piorou tudo.

Estava mais calmo, mas seu peito ainda tremia e alguns soluços escapavam. O momento havia sido intenso e libertador. Pela primeira vez, ele tinha chorado todas as suas dores.

Ouviu alguns passos próximos dele e virou o rosto, observando Mike entrar no local com uma bandeja de alumínio. Nela, havia uma xícara com água quente e um saquinho de chá mergulhado, um potinho com pedras de açúcar, uma pequena colher e biscoitos com gotas de chocolate sobre um pratinho raso.

Mikhael agachou-se próximo de Pac, soltando a bandeja diante do garoto, e cruzando as pernas, olhando para o dia lá fora através da vidraça.

— Ouvi você chorando muito. Está melhor? — perguntou Linnyker, fitando Pac, que respondeu apenas com um aceno de cabeça — Foi por minha culpa? — Tarik não mantinha contato visual, seus olhos estavam baixos. Ele apenas negou balançando a cabeça — Preparei um chá e fiz biscoitos com gotas de chocolate pra você. — Mikhael apontou para a bandeja — Quer que eu te deixe sozinho? — Pac novamente negou, pegando um biscoito.

Linnyker ficou em silêncio, analisando o outro com atenção.

— Por que não deve me beijar? — Pac questionou repentinamente.

— Ham? — franziu o cenho.

— Quando eu pedi que me beijasse, disse que podia mas que não deveria. — olhou para as órbitas emblemáticas de Mikhael — Por que não deve me beijar? — Linnyker umedeceu os lábios, pensando em uma forma gentil de falar com o mais novo — Você está namorando alguém? É isso?

— Não. — Mike balançou a cabeça negativamente — Só não sou homem pra você, Tarik.

— O que quer dizer com isso? — deu um gole no seu chá — Eu não sou “suficiente” pra você?

— Você é muito mais que suficiente pra qualquer coisa, Tarik. — olhou para seu quintal verde — A questão é que… Você não conhece sobre mim. Pode ser perigoso se envolver, e eu não quero te machucar.

— Por você fazer parte de uma gangue? — Mike o olhou com o canto dos olhos.

— Não faço parte de uma gangue. — riu.

— Mas parece. Pelo jeito que fala, é como se uma bomba fosse detonar. O que pode me machucar?

— Nada em específico. Você só pode acabar não gostando da forma que eu gosto de manter meus relacionamentos.

— Pode parar de falar em códigos e me explicar de uma vez por todas qual é a dificuldade em me dar um beijo? — Tarik perguntou perdendo sua paciência. Irritado, mordeu seu biscoito esperando uma boa resposta.

— Eu sou um dominador, Tarik. — Mike disse de uma vez por todas, no mesmo tom alto que Pac havia usado anteriormente. Pacagnan franziu o cenho, observando os traços no rosto de Mikhael.

— O que isso quer dizer? — agora, falou mais baixo.

— Eu faço as regras. Meu submisso segue elas. Eu cuido das coisas para ele, e ele faz o que puder para me agradar.

— Isso me soa como daddykink. — Tarik encolheu-se nos próprios ombros — Meus amigos falavam sobre isso.

— É quase, mas o submisso não precisa se comportar como baby. No meu caso, me agrada muito daddykink. — Mikhael estava sério, impassível.

— Me conte mais sobre isso de dominador. É aquilo com chicotes, não é? — Mike dá um riso.

— Você sabe alguma coisa, mas muito superficial. — olhou para Pac — E é por isso que não devo beijar você, Tarik. Eu gostaria que fosse meu. E você não se encaixa para ser meu.

— Oh… — o garoto olhou para seu chá — Então, sim. Eu sou insuficiente para você.

— Não, você não é insuficiente. Você só não é o que eu preciso, e eu não sou o que você espera. — Mikhael passa os dedos pelos cabelos de Pac — Você disse que era apaixonado por mim na escola. Eu não entendi.

— Eu era sim. Só não podia deixar ninguém perceber ou saber. Meu pai me mataria se eu me envolvesse com outro garoto, você sabe, ele é extremamente homofóbico. E andar com você, acabaria com minha reputação, que era tudo o que eu tinha. Eu saía com garotas contra minha vontade, apenas para que não descobrissem que eu era homossexual. — Tarik deu de ombros, pegando outro biscoito — Eu tinha uma queda por você, te achava fofo com aquele jeito desengonçado e nerd.

— Você me achava desengonçado?

— Sim. E olha onde estamos agora. — mordeu o doce, mastigando enquanto mantinha contato visual com o mais velho — É muito difícil esse lance de submisso?

— Talvez. Depende se você for um bom garoto para seu dominador. — Mikhael esboça um sorriso — Você só precisa manter em mente que seu Dom nunca te machucaria por mal, nós seguimos uma conduta. A dor deve vir por prazer do submisso e do dominador, com ambas as partes de acordo. Não para simplesmente machucar e causar sofrimento, contra a vontade do submisso. Isso se chama estupro, e é crime. O BDSM está longe disso se for bem conduzido.

— Entendo. — Pac suspirou — Por que acha que eu não conseguiria? — arqueou a sobrancelha, apoiando totalmente suas costas contra a vidraça.

— Não acho que não conseguiria. Só não sei se te agradaria a ideia.

— O que eu ganho agradando você e sendo obediente?

— Eu. — respondeu Mike simplista — E todo o resto vem junto. Você não precisaria mais esquentar a cabeça com as coisas, como dominador, eu cuidaria de tudo pra você.

— Uhm…

Mike percebeu que de repente, Pac estava absorto, mergulhado em pensamentos.

— Por que se interessa tanto em saber? — Linnyker.

— Eu gostaria de ser seu submisso. — abraçou novamente suas próprias pernas. Mikhael apenas gargalha — O que foi? Por que está achando graça?

— Você não pode estar falando sério, Tarik. — os dois se encaram por longos segundos e o semblante humorado de Mike vai embora — Oh, não, você está falando sério.

— Qual o problema?

— Você não entende nada sobre isso.

— Eu posso pesquisar, e você pode me ensinar também. — Tarik usou um tom óbvio.

— Ok, mas por que esse interesse tão aleatório? Você não sabe o quão sério o BDSM é. — Linnyker esfrega o rosto com as mãos — Tarik, estamos morando juntos há o quê? Praticamente duas semanas? Você sabe que está apenas passando por uma confusão emocional e física, Pac! Está sem usar entorpecentes há um bom tempo, e a falta dessas substâncias mexem com seu organismo, você é um viciado! — Mike estava alterado. Sentia-se nervoso por terem trazido o assunto à tona.

— Eu apenas me interesso em descobrir como é, e me interesso por você, Mikhael! — Tarik quase grita — Eu sinto atração por você, ok? Você me afeta. Você me deixa vulnerável. Eu nunca precisei ir atrás de alguém que eu gostasse, e você está tornando tudo mais difícil quando olha pra mim, claramente querendo me beijar, e não o faz por causa da droga de um fetiche! — um breve silêncio se instala.

— Não é apenas um fetiche, Pac. É um modo de viver que eu não consigo evitar. — a voz de Mike sai muito mais baixa do que o esperado — Eu não quero discutir com você. — seu tom era de súplica ao mais novo — Eu amo você, Pac. E você é quem complica tudo quando esquece das pessoas ao seu redor e pensa apenas em si mesmo. — suspirou — Se você fosse meu, ficaria sem se sentar direito por uma semana.

Mikhael se levantou, saindo do local novamente, andando para seu escritório, batendo a porta ao entrar. Tarik sente a temperatura do seu corpo se alterar. Estava tudo tão no alto, depois desabou, e de modo súbito, subiu de novo.

De pernas bambas, ficou em pé, pegando a bandeja e tomando coragem de carregá-la para o andar de baixo, deixando-a na cozinha. Estava meio estático pelas palavras finais de Linnyker.

Nada estava bem explicado. Ainda tinham louça suja para lavar. Pacagnan gemeu, passando as mãos pelo rosto que ainda estava inchado pelas lágrimas anteriores. Seu peito doeu. Já não sabia mais qual era seu lugar.

Sentiu algo macio entre seus pés e ao olhar para baixo, fitou o meigo gatinho preto que vivia pela casa. Deu um pequeno sorriso pegando o animal no colo, acariciando os pêlos macios dele.

— Acho que você é a única e verdadeira companhia amigável neste lugar, não é? — murmurou para o gato — Eu só queria beijar seu dono. Mas ele é chato pra caralho. — suspirou, caminhando para fora da casa, seguindo ao quintal onde ficava a piscina. Sentou-se numa cadeira de sol com o guarda-sol armado, o protegendo, e largou o gato sobre sua barriga — Você é lindo. Qual seu nome? — fuçou a pequena coleira do bichano — Billie? Que nome estranho pra um gato. — sorriu, ouvindo o ronronar dele.

De repente, uma melodia melancólica veio do piano um bocado distante. Pacagnan fechou os olhos, sentindo um misto de sentimentos vindo da música, sabendo quem estava tocando.

Linnyker devia estar se sentindo uma bagunça tanto quanto Tarik.



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