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História Peguem A Pipoca Otários Pois Vamos Rumo Ao Apocalipse - Capítulo 9


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Capítulo 9 - Tarde De Filmes


Fanfic / Fanfiction Peguem A Pipoca Otários Pois Vamos Rumo Ao Apocalipse - Capítulo 9 - Tarde De Filmes

 Era um dia frio, como se Elsa estivesse cantando Livre Estou pelas ruas, acompanhada por Jack Frost, e caía uma leve garoa que armava os cabelos das mulheres que passaram chapinha pela manhã. Alguns comércios se mantinham fechados, pois, era véspera de Halloween.

 

Os vendedores ambulantes andavam pelas ruas, gritando seus produtos. Vampiros iam ao centro, aproveitando que o sol não estava brilhando forte no céu para comprar suas blusinhas por 9,99. Fantasmas faziam textos militando no Ghostwitter. Os lobisomens armavam uma luta de MMA nas florestas.

 

Tudo estava completamente normal.

 

Vincent caminhava pelos corredores da SCC, achando estranho o fato dali estar silencioso, tirando apenas a voz de um Poltergeist gemendo algum funk pesadão ao fundo.

 

O clima pesado estava no local a cerca de duas semanas, desde o dia em que Rafaela havia chegado informando sobre morte da irmã.

 

Claro que foi um choque, e uma notícia muito triste para todos, principalmente para os texugos que viviam atacando Laura, e para Dave que, com isso, simplesmente pediu um tempo do trabalho e se mandou para algum lugar que nem mesmo Bryan fazia ideia de onde.

 

Após caminhar por todo o local, notando que havia poucos funcionários jogando truco por aqui, outros escutando Marília Mendonça por ali, e ainda alguns que tentavam domar um cachorro de três cabeças, cuspidor de fogo, finalmente chegou a enfermeira, onde encontrou Luna sentada, concentrada em um computador. Sem tirar os olhos do aparelho, a menina disse:

 

— Seja lá o que estiver sentindo, toma um dipirona que passa.

 

— Que?

 

— “Que?” o que, cacete, não entendeu ou quer que eu… — a garota ergueu o olhar e, ao notar que era o Ceifeiro sorriu animada. — Ah, é você! Oi, Vin! Já chegou?

 

Vincent assentiu, se aproximando da jovem.

 

— Tá fazendo o que aí?

 

— Escrevendo Fanfic Yaio sobre o Bryan e o Samuel.

 

— Ata. — Vincent murmurou. Não queria detalhes daquilo. — Cadê todo mundo?

 

— O Bryan tá na sala dele, o Samuel saiu com a Paola, e o Dave… Bom, ele não aparece aqui desde… Cê sabe. — Luna respondeu, enquanto digitava, alternando entre olhar para o Ceifeiro e para o computador.

 

— E você está no lugar dele?

 

— Sim. Não é tão difícil. É só fazer como o pessoal do SUS, e dizer que qualquer coisa é virose, e mandar o paciente tomar Paracetamol ou Dipirona.

 

— Ata.

 

— … E o restante está tudo fazendo ronda pela cidade. Sabe como é, né? Amanhã é trinta e um de outubro. — a jovem completou, pegando uma caixinha de Toddynho de cima da mesa e bebendo um gole. Suspirou, esfregando a ponte do nariz. — … Eu odeio essa data.

 

Vincent franziu o cenho e, se sentando na cadeira, a encarou.

 

— Por quê?

 

— Perdão?

 

— Por que odeia o Halloween? — questionou, ignorando as ratazanas mutantes jogando futebol do outro lado da sala.

 

— Por nada, não. — forçou um sorriso. Não queria se lembrar daquilo. Não de novo. Balançou a cabeça em negação, afastando qualquer pensamento, e logo mudou de assunto. — Enfim eu vou na casa da Rafa agora. Ela não respondeu minhas últimas vinte mensagens, e eu tô ficando preocupada… Tá a fim de vir comigo, Vin?

 

— Não.

 

— Que ótimo! Então vamos logo! — Luna exclamou, ignorando completamente o que o Ceifeiro disse e, se levantando, agarrou o braço dele.

 

Vincent bufou, mas não reclamou em momento algum, enquanto era arrastado. Já do lado de fora da empresa, ao andarem pela calçada, algo se clicou em sua mente, e encarou a garota que andava no meio da rua, já que ela era pouco movimentada e as calçadas eram cheias de buracos (o que não fazia sentido, porque as ruas também estavam todas esburacadas).

 

— Por que o Bryan deixa os funcionários saírem a hora que quiserem?

 

— Ele não deixa. Eu saio porque quero, mesmo se é contra as leis da empresa… Não é como se ele tivesse coragem de…

 

A fala de Luna foi interrompida quando, de repente, um trenzinho da alegria a atropelou, a jogando a uns dois metros a frente, e fugiu em seguida.

 

— Santa capivara! Você está bem? — Vincent questionou preocupado, e foi até a mulher.

 

— Tô ótima! — Luna exclamou, se levantando com a ajuda do homem, e espanou a poeira da roupa. — Eu tenho histórico de atleta!

 

— Ata.

 

Após fugirem da formiga gigante com patas de aranha e cara de capivara, finalmente chegaram ao seu destino.

 

Luna enfiou o dedo na campainha e não o tirou de lá, até escutar um “Já vou, caramba! Se quebrar a campainha você vai pagar!”

 

Ao abrir a porta, Luna deixou o queixo cair, e nem era pelo fato de uma tarantula de seis cabeças estar dançando forró na esquina, mas sim por ver o estado da amiga.

 

— Por Odin! O que aconteceu com você?!

 

— Nada, por quê?

 

— Cê parece que foi atropelada pela Carreta Furacão três vezes seguidas e ainda levou uma rasteira da vida. Sério, que cara é essa? Parece uma mistura de zumbi maconheira com um panda cachaceiro!

 

Rafaela semicerrou os olhos. Inacreditável

 

— Você é um amor, Luna!

 

— Obrigada! — Luna sorriu feliz e, ignorando o tom sarcástico da amiga, a empurrou para o lado, e arrastando Vincent pelo braço, adentrou a residência.

 

A dona da casa fechou a porta e suspirou, encostando a cabeça nela. Respirou fundo e seguiu a garota que já havia chegado na sala.

 

— Mas que droga é essa?! — Luna arregalou os olhos, e indicou as inúmeras garrafas de cerveja espalhadas pela sala. — Me diz que foi o Night que pegou essas coisas, e não você!

 

Rafaela cruzou os braços.

 

— Para de drama. Eu não bebi tudo…

 

— Ainda bem!

 

— … Só metade.

 

Luna a encarou, sem acreditar, então suspirou, se aproximando da amiga.

 

— Rafa… — murmurou, segurando as mãos dela, e olhando no fundo de seus olhos. — Você sabe que pode contar conosco para o que precisar. A gente se importa com você… Não é mesmo, Vin?

 

Vincent não respondeu, pois, estava sendo atacado por um texugo.

 

— Que seja! — a dona da casa revirou os olhos, se livrando das mãos da garota e indo em direção a cozinha. — Por que veio aqui?

 

— Porque fiquei preocupada.

 

— Tá, mas porque o emo gótico mal feito tá aqui?

 

— Porque essa doida me arrastou junto. — Vincent respondeu, simplesmente se materializando ao lado das garotas.

 

— Ah, que ótimo… — murmurou sarcástica.

 

O Ceifeiro a encarou, com uma sobrancelha erguida.

 

— Te incomoda tanto assim a minha presença, querida?

 

— Eu não sou sua querida.

 

Rafaela retrucou entredentes, mas Vincent apenas lhe lançou um pequeno sorriso cínico, o que fez ela sentir vontade de socar aquele lindo rosto dele.

 

— Que tal a gente assistir um filme? — Luna propôs, quebrando o clima e ignorando a ratazana dançando Break em cima da pia. — Sim? Ótimo! Vin, vai lá pra sala escolher algum filme. — pediu, antes mesmo de receber uma resposta e, educadamente, deu uma voadora nas costas do ceifeiro, o jogando no outro cômodo. Sorriu, se virando, e encarou a amiga, que mantinha uma interrogação estampada no rosto. — Que foi?

 

— Nada não. — Rafa murmurou, desviando o olhar do minotauro que batia contra a janela.

 

— Tá, então eu vou tentar fazer pipoca.

 

— Vai botar fogo na minha cozinha?

 

— Óbvio.

 

— Ata.

 

Rafaela se virou, e foi para a sala. Ao chegar lá, viu Vincent sentado no sofá, e Night que pulou no colo dele. Suspirando, o homem pegou o gato, e o colocou no chão mas, logo o felino pulou novamente em seu colo. Três vezes o Ceifeiro colocou o gatinho no chão, e em todas, o animal subiu em seu colo novamente. Rafa achou a cena fofa, e sorriu ligando a televisão. Por fim, Vincent se cansou e deixou o gato deitar em seu colo.

 

A mulher pegou o controle, colocando na Netflix e decidindo qual filme veriam. Resolveu colocar um que ela e Laura queriam muita assistir, mas nunca tinham tempo.

 

Laura…

 

Como havia deixado sua irmãzinha morrer? A única família que ela tinha?

 

“Cuide uma da outra.” sua mãe havia pedido antes de partir. Sentiu o coração apertar, e os olhos marejarem. Não havia conseguido cumprir a única coisa que sua amada mãe lhe pediu em vida. Era sua culpa, sua maninha estar morta…

 

Não, não era. Não foi ela que esfaqueou Laura. Não foi ela que a assassinou. Foi aquela bruxa.

 

Quem era aquela bruxa? Não fazia ideia da resposta, nunca a tinha visto antes. Mas aquela tatuagem, o desenho de um selo… Tinha algo de familiar nela. Onde já havia visto aquele símbolo?

 

E as coisas que ela disse… Não fazia sentido…

 

Ou fazia?

 

Não. Óbvio que não. Ela deveria ser louca.

 

Mas se não fosse?

 

Dane-se! Sendo louca ou não, uma coisa era certa: nem que isso lhe custasse a vida, mas iria matar aquela bruxa desgraçada!

 

Ela era a culpada.

 

Mas…

 

E se não tivesse chamado a irmã para ir trabalhar naquele dia? Talvez se tivesse a protegido… Ou se tivesse ido sozinha… Talvez…

 

Talvez Laura ainda estaria viva.

 

— Eu a vi.

 

Rafaela demorou um pouco para perceber que Vincent falava com ela. Piscou confusa, e passou a mão no rosto, limpando disfarçadamente uma lágrima que escorrera.

 

— O-o que?

 

— Sua irmã. — Vincent informou, e a jovem o encarou sem entender nada. — A alma dela, no caso, antes dela descer de tobogã direto para o inferno… — ele explicou, sensível como sempre. — Ela pediu pra você não ficar triste por ela, e nem se culpar.

 

— Ela disse isso?! Com essas palavras?!

 

— Não. Na verdade, ela disse: “Fala pra desgraça da minha irmã tomar vergonha na cara, e parar com fogo no rabo e de chorar! Eu sei que ela vai ficar se culpando, mas não é culpa dela! Diz pra ela que, se ela não parar de se auto-culpar, eu vou puxar a perna dela a noite!”

 

A caçadora conseguia imaginar claramente a irmã dizendo isso. Sorriu fraco, e se assustou levemente, quando Vincent se aproximou, e passou a mão pela bochecha dela, limpando suas lágrimas.

 

— Ela ama você.

 

Se encararam. Tão perto um do outro… Rafaela olhou no fundo dos olhos deles. Azuis com algumas nuances verdes. Tão gélidos quanto os flocos de neve da Elsa, e tão misteriosos, como se escondessem algo… Sua mão fria em seu rosto quente, havia causado um arrepio por todo o seu corpo. Como alguém conseguia ser tão frio?

 

— Eu sei.

 

Vincent torceu a boca em um meio sorriso, e se afastou dela, no mesmo segundo que escutou som de passos.

 

— Um gnomo apareceu e comeu toda a pipoca, então eu fiz brigadeiro… Só que uma ratazana apareceu e jogou truco comigo. Ela venceu e queria o doce, porém, eu matei ela, mas uma Fênix surgiu de repente, e roubou o brigadeiro, então trouxe salgadinho pra gente comer.

 

Luna reclamou, e se jogou no meio deles, colocando as pernas no colo de Vincent, mas, sem querer, quase matou Night esmagado, o que fez eles perderem uns cinco minutos, até que Rafaela conseguiu tirar o gato de cima da amiga, frustrando a tentativa de homicídio do felino para com Luna.

 

Após esse pequeno imprevisto, finalmente puderam assistir o filme em paz, além de maratonar mais quatro filmes de três horas cada, com algumas interrupções, principalmente por Night tentando afogar Luna no vaso sanitário, ou por eles dois tacarem um minotauro pela janela, logo após tentarem sacrificar uma jaguatirica para alguma entidade cósmica desconhecida.

 

Quando o último filme acabou já eram quase dez horas da noite, Luna estava na cozinha, provavelmente lavando a louça, ou assaltando a geladeira pela centésima vez, ou ainda ensinando um duende a falar francês. Vincent não se importou em saber e, enquanto os créditos do filme que ninguém presta atenção realmente nos nomes porque estamos nem aí pra isso, notou que Rafaela dormia ao seu lado.

 

Os cabelos dela estavam levemente bagunçados, como a juba de um leão, e baba escorria do canto da sua boca, enquanto roncava de um jeito que parecia o motor de um trator ligando, e dormia em uma posição como se tivesse caído do sétimo andar e torcido todo o corpo. Vincent achou bem fofo, por mais que não fosse jamais admitir isso em voz alta.

 

Ficou a observando durante alguns instantes. Com certeza o corpo dela iria doer inteiro no dia seguinte, caso continuasse ali. Entrou em um um conflito interno sobre o que fazer e, por fim, suspirou e se levantou.

 

Com cuidado, a pegou no colo no estilo noiva e, subindo as escadas, entrou na primeira porta que estava aberta notando ser um quarto. Delicadamente a colocou na cama, tomando cuidado para não a acordar, e a cobriu com uma coberta. Instintivamente, levou a mão até o rosto dela, tirando uma mecha de cabelo da cara. Era muito fofa.

 

— Burguês safado a gente deita na porrada… — a garota murmurou, enquanto dormia.

 

Realmente, muito fofa.

 

Apagou as luzes, e saiu do quarto, dando uma última olhada nela antes de fechar a porta. Algo se clicou em sua mente.

 

Desde quando ele acha os humanos fofos?!

 

Respirou fundo. Certo, isso era estranho. Ao se virar, Vincent tomou um susto, e encarou Luna que mantinha um sorriso como o do Coringa na face. Como essa garota chegou tão rápido?

 

— Esse é meu modo ninja de ser. — ela sussurrou, como se tivesse lido os pensamentos do homem, e sorriu, ignorando a ratazana jogando vôlei na ponta da escada. — Enfim… Faltam poucas horas para o Halloween começar então… Acho que temos trabalho a fazer.



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