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História Pela Janela - Capítulo 49


Escrita por: e Tatapp


Capítulo 49 - Índole III


- Ele te respondeu? - Danilo quis saber enquanto tentava lembrar do número da casa.

Forçava a própria memória tentando rever o dia no ano anterior, a única vez em que foi visitar. Naquele momento desejou ter Maitê sentada ao lado, porque de uma forma ou de outra aparecia com uma solução mirabolante que resolvia todos os problemas. Essa, digamos, magia dela o encantava igual em cada ocasião,  deixava que acreditasse na melhor das possibilidades também no problema passageiro, no arco íris depois da tempestade.

 

- Não respondeu não…

- Tio para o carro - Disse o mais velho com pressa, ele praticamente pulou pra fora quando o veículo ameaçou estacionar. 

 

Kauê olhou espantado, permaneceu no banco sem saber exatamente o que fazer em primeiro momento enquanto seu irmão falava a um desconhecido.

 

Do outro lado da cidade…

 

Maitê tocou a campainha na casa de Clair de forma alongada, ignorou o horário porque estava nervosa demais pra ficar constrangida. 

 

- Clair! - Chamou lá de baixo, perto da janela alta do quarto da moça, onde rapidamente viu agitação. A própria veio atender - Eu vi sua mensagem, Dan foi resolver - Falou baixo enquanto caminhavam pela casa quase toda apagada.

- Eu não posso sair daqui agora, não com minha mãe em casa - Disse fraquinho, magoada assim que encostou a porta do quarto. 

- Sua mãe foi dormir já? - Quis saber.

- Ainda é cedo pra dormir, jantamos há pouco, ela está lendo no quarto, saberei que foi dormir quando vier me dar boa noite - Explicou tornando a deixar seus óculos sob a mesa de cabeceira - Eu pedi ao Nico que viesse aqui comigo pra jantar, queria apresentá-lo oficialmente como meu namorado, porque tudo parecia bem durante o torneio, torcemos todos juntos, conversamos nós quatro. Ele aceitou, mas foi só fechar a porta da frente que a postura foi outra.

 

A loira observou calada em primeiro momento, revia situações suas onde sua sogra fazia de tudo e mais um pouco pra deixá-la desconfortável. Ela ajeitou a alça da bolsa que trazia no ombro ouvindo o relato.


 

Cerca de meia hora no passado…

 

Nicolas estava sentado à mesa ao lado da namorada no lado esquerdo da mesa. À direita os pais da moça. Por alguns minutos ouve-se apenas barulhos dos talheres de metal arranhando o prato, olhares eram trocados mas nada surgia disso. Até que Flávia decidiu mudar isso.

 

- Então, nós estamos pensando em passar as férias fora da cidade - Comentou, seu marido concordou terminando de mastigar - Só não decidimos pra onde ir.

- Achei que fossemos pra casa da vovó - Puxou o copo de suco.

- Esse ano pensamos em mudar um pouco, até porque nós dois estaremos de férias integrais no mesmo período - Limpou a boca com um guardanapo.

- O que sugere nick? - Clair perguntou ao namorado pra não ficasse de fora da conversa. Ele ficou animado com isso, puxou o celular e começou a procurar fotos.

- Eu já fui em alguns lugares bonitos fora da cidade, vou achar umas fotos aqui…

 

Para o jovem casal não teve peso algum, mas a cara de desgosto dos anfitriões ali ficou mais nítida ainda, até porque sentiram que ele estava se convidando além de reprovarem o uso de celulares na hora do jantar. Clair esqueceu dessa regra.

 

- Então, nós vamos esperar um pouco pra decidir - Disse o homem tentando ser sutil - Já aconteceu de algo atropelar tudo e adiarem minhas férias.

- Entendi, nossa, que chato isso - Nicolas comentou casualmente e guardou o celular.

Faz parte. O cargo pede às vezes - Respondeu descontraído

V- ou confirmar as minhas quando assinar o papel - Respondeu a dona da casa, um pouco menos simpática - Aí nós três decidimos.

 

A última parte foi bem direta, afirmando que de forma alguma ele estava incluído no passeio. Nicolas ficou sem graça e quieto, Clair indignada.

 

- Mãe, precisa?- Reclamou a moça .

- Me respeite, eu só deixei claro pra ninguém aparecer com as malas - Falou áspera.

 

O rapaz entendeu como uma boa hora de ir embora se levantou e saiu. Clair não rebateu o argumento da mãe imediatamente. No fundo só ouviu comentarem:

- Badidinho sem educação.


 

Presente…

 

- O que você esperava Clair? - Indagou um tanto seca, tentava não parecer que a estava julgando sem sucesso.

- Que meus pais entendessem ou pelo menos respeitassem a minha escolha - Rebateu a morena em sua defesa, nervosa, com os olhos estreitos - Porque a gente está feliz, se gostam de mim deviam estar também não é? - Sua companhia bufou.

- Vai achando que tudo é sobre afeto - Comentou sarcástica. Por experiência própria concluiu que às vezes se tratava de controle, não que fosse esse o caso, mas viu assim. A cada nova história tinha mais repulsa da geração anterior, porque vestia todos de seus pais, e enxergava o egoísmo que notou neles em cada um dos com idade igual ou superior - E então você ficou aqui - Disse quase afirmando.

- Não posso sair assim - Clair confirmou, sentindo-se covarde, porque em momento algum foi capaz de elevar o tom e questionar a mãe, não apoiou mas ficou calada e desde o bater da porta da frente remoía-se de culpa.

- Nem vou comentar essa parte - Maitê falou áspera, havia tanto a acrescentar mas de  que adiantaria apontar falhas de um outro naquela hora? No que isso contribui pra resolver? Após filtrar seus comentários nessas duas perguntas preferiu ficar quieta.

- Acho que sei o porque a Amanda simplesmente sumiu - Clair disse com ironia, espontânea, algo que não esperava dizer, menos ainda achar válido - Não é tão sem sentido assim.

- Nunca disse que era, até porque os dois tem mais de dezoito - Maitê confirmou, porque em segredo já tinha desejado sumir no mundo tantas vezes, colocar uma mochila nas costas e aceitar o desafio de viver feliz erguendo-se do zero com seu próprio esforço. Teria feito se estivesse sozinha, porque sabendo do quão ruim eram as possibilidades faltava coragem pra arrastar Danilo a menos que ele mesmo sugerisse - Mas eu avisaria meu irmão, Dan o dele.

- Eu não ia te ligar mas… Só não sabia o que fazer - Disse perdida - Desde a confusão do vídeo as coisas ficaram tão… Sei lá, doidas…

- Você mostrou o vídeo pra ela? - Perguntou mesmo que soubesse a resposta.

- Você mostrou o vídeo pra mais gente e um deles postou, simples - Clair não estava pensando em teorias, conspirações ou esquemas, apenas tentava se situar naquele dia que tinha tudo pra ser bom mas acabava desastroso. 

- Mostrei sim, não nego - A loira confirmou já defensiva.  

- Olha, a culpa não é sua - A dona do quarto tratou de explicar, querendo evitar o terceiro equívoco, porque não suportaria outra briga - Acho que não tem jeito suave de contar isso… - Suspirou - E agora não sei o que faço.

- O que quer fazer? - Maitê indagou séria - Eu posso te dizer o que eu faria mas bom, não sou você.

- Tá aí o problema - Seu olhar focou a janela enquanto a cortina era agitada pelo vento - Ela ficou chateada e com razão. Ele saiu aborrecido com todos os motivos, tô errada em não agir quando foi preciso...

- Mas o que você quer fazer? - Repetiu a pergunta - Clair, ela é sua amiga, se é importante a amizade dela então corra atrás - Aquilo lhe parecia tão óbvio, faria isso sem pensar duas vezes e chegava a ser um teste de paciência ver outros tão receosos de agir - Porque se ficar assim vai parecer outra coisa. 

- Ela me bloqueou - A morena argumentou, quase chorosa. 

- Não seja por isso. 

 

A loira mexeu rapidamente no celular,  ao tirá-lo do bolso, foi caminhando em direção a porta fazendo sinal a moça atrás.

- Wendy, já está em casa? É, estou perto, posso passar aí? - Clair arregalou os olhos e negou com a cabeça, coisa que sua companhia ignorou. - A ham. Tchau.

- Agora você vem comigo - Falou quase afirmando e saiu do quarto - Olha, não faz eu me arrepender disso.

- Ela não quer falar comigo - Argumentou baixo mas teve certeza que a loira conseguiu ouvir.

- Ai você me espera do lado de fora - Argumentou - Não vou te obrigar a vir e nem posso, mas ainda acho que deveria. Ela chegou do hospital agora pouco com os mais novos e a tia.

 

Parte dela queria acrescentar que com sorte achariam Nicolas também mas evitou, porque a mãe de Clair poderia estar ouvindo esse tempo todo e atrapalhar novamente.


 

- Quando falou sobre se arrepender - Clair falou assim que desceram em frente a casa da amiga. Sua mãe deu carona até a esquina e combinou de buscá-la uma hora depois. Maitê olhou  por cima do ombro enquanto caminhava esperando o restante da frase, curiosa pra saber do que se tratava - Se arrepende de ter se tornado legal? - Comentou quase aleatoriamente.

- Me senti a bruxa má da escola - A loira foi sarcástica.

- Só tinha a fama - Retrucou a morena arrumando sua armação.

- Enquanto for a fama e não a aparência estou no lucro flor - Argumentou Maitê e riu um pouco, não que tivesse muita graça mas o nervosismo pedia isso, porque novamente estava ali recebendo elogios que seu interior rejeitava. Só faltava ouvir que Luan saiu às pressas porque assistiu o tal vídeo também.

 

Ela apertou o passo tentando se desvencilhar da paranoia, ser consciente que tinha errado sim mas não tornava o deslize ligado a cada coisa ruim que aconteceu dentro do dia. Apertou a campainha e logo encontrou uma expressão cansada recoberta de gentileza da dona da casa, como uma futura vovó que chega com biscoitos na sala.  Os olhos ainda avermelhados denunciavam um choro recente, discreto.

 

- Meninas, a Wendy está vindo mas podem entrar - Clair respirou fundo e vacilou o passo mas foi puxada sutilmente pelo cotovelo. 



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