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História Pela primeira vez... - Capítulo 10


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Notas do Autor


Eu disse que voltava sábado ou domingo, não é? Cá estamos kkk
Obg pelos comentários e favoritos!

Capítulo 10 - Consigo Entender


Capítulo 9: Consigo entender.

Harry não fazia nenhuma matéria extra. Ele às vezes ia assistir algumas aulas de Astronomia à noite por puro prazer, mas, quando chegou, recebeu apenas a ementa básica para "não se complicar" na voz de Slughorn. Mas poucos lugares o faziam se sentir tão bem quanto os fundos do enorme jardim de Hogwarts, local onde os animais eram enfileirados para serem estudados em Trato das Criaturas Mágicas.

Naquele dia em específico, ele tentava fugir de Murta e Eileen. Murta porque realmente não conseguia deixar de falar sobre Tom e o quanto ele era apaixonante, Eileen porque continuava triste e Harry se sentia traído pela amiga não confiar nele — mesmo que ele também guardasse sua sujeira. 

Mas ali, naquele pedaço da grama verde, longe o suficiente do castelo e bem próximo do limiar da Floresta Proibida, o moreno sentia que estava enfim em paz. Conseguia pensar sem se preocupar com Dumbledore fuçando sua mente, conseguia respirar despreocupado, pois não havia os olhares dos sonserinos sobre si e conseguia de fato relaxar como gostaria. 

Caminhou até um lugar que considerou macio o suficiente, deitando no tapete natural e se preparando para morder a maçã que carregava na mão. Entretanto, mal fora capaz de sentir o sabor doce antes de ouvir um relinchar próximo que o fez abrir os olhos. Virou o rosto para entrada da Floresta, não muito longe dali, e se deparou com um enorme e magricela testrálio. 

Harry pensou em ignorar, mas levando em conta que o animal parecia estar o chamando — por mais louco que aquilo soasse — se dirigiu até ele, aproximando-se do primeiro daquela espécie que via em muito tempo. Encarou o focinho esquelético enquanto o testrálio cheirava sua mão vazia.

Uma memória de Luna veio na sua cabeça e ele tomou a atitude que a amiga tomaria: ofereceu a maçã para o bicho, que engoliu-a numa só bocada, para logo depois cuspi-la no chão e relinchar com raiva. 

—Ei, minha maçã! 

—Você vê eles também? 

Uma voz soou atrás de si, fazendo o sonserino ter um sobressalto. O cavalo relinchou ainda mais forte, passando pelo moreno direto em direção ao recém chegado, enfiando a fuça na cesta que o outro trazia. 

—Eu os vejo sim. — Harry respondeu, encantando demais com aquela presença para desviar a atenção.

—É claro. — O meio gigante pareceu levemente envergonhado — Você perdeu seus pais recentemente, não é? É óbvio que veria eles. 

O moreno observou Hagrid tirar algumas carnes da cestinha, enfiando uma a uma na boca do animal que comia sem regurgitar. 

—Ah, é verdade. Eles preferem carne. — murmurou o garoto, ainda chateado por ter perdido sua fruta.

—Sabe, eu não julgo você por ter machucado aquele garoto. — Pareceu não ouvir o lamento de Harry. — Eu teria feito o mesmo se tivesse mais coragem… só quem já viu pessoas importantes machucadas sabem a dor e o desespero que é.

Harry não conseguiu dizer nada, limitando-se a continuar observando enquanto o amigo alimentava a criatura faminta. 

Ele continuou:

—Eu perdi meu pai faz pouco tempo e eu não lembro da minha mãe… eu sou meio gigante. — O garoto analisou o rosto de Harry, possivelmente esperando uma reação negativa que não veio. — Foi muito triste ver ele da forma que morreu. Se eu encontrasse Fleamont sangrando no chão eu ia querer defendê-lo também… eu entendo suas atitudes.

Quando o meio gigante começou a fungar, lembrando bastante o Hagrid do futuro versão mirim, Harry teve que segurar suas próprias lágrimas. 

—Obrigado, Hagrid. Significa muito ouvir isso de você. 

—Oh, você sabe meu nome?

—Hãn… eu sou amigo da Murta e não há ninguém que ela não conheça nessa escola. 

Harry ouviu a risada áspera do outro. 

—Verdade. Aquela garota deve saber a linhagem até dos fantasmas do colégio. 

Os dois permaneceram num silêncio ameno. Harry encarando quem no futuro viraria um grande amigo e não conseguindo conter a nostalgia. O testrálio se afastou depois que a comida acabara e galgou até ser escondido novamente pela densa vegetação.

—Ei, Harry, eu não se você sabia, mas esse é o primeiro testrálio de Hogwarts. Ele não costuma aparecer assim para qualquer pessoa… alguns acreditam que eles dão azar, mas eu acho que esse em especial dá sorte. Talvez aconteça algo de bom para você depois de tantas complicações. 

O sorriso juvenil surgiu no rosto ainda sem barba. Um Hagrid de treze anos conseguia ser definitivamente fofo ao mesmo passo que conseguia ser monstruosamente grande. Ele já deveria estar com seus quase dois metros, tornando a imagem de Harry certamente mais mirrada.

Mas a aparência era o que menos importava naquele momento, porque o menino-que-sobreviveu precisou segurar fortemente seus impulsos de se jogar nos braços do meio gigante e chorar tudo que tinha guardado durante aquele tempo. Como pudera se esquecer de procurar ele?

—Hagrid! — chamou, quando o outro já estava rumando de volta. 

—Sim?

—Riddle sabe sobre Aragogue. Você deveria deixar ela livre… não sei, talvez ela se dê bem com a fauna da Floresta. 

Viu o outro ficar mais pálido. 

—Você acha mesmo, Harry?

—Sim. — Respondeu. — Não seria nada bacana se Riddle fizesse algo e pudesse jogar a culpa nela, não é? 

—Ele não faria isso!

—Ele é sonserino.

—Mas você também é! — O meio gigante se aproximou, com os olhos ainda meio arregalados. — O que diferencia você de Riddle? 

Harry ficou surpreso. Era a primeira vez que alguém, além dele mesmo, perguntava isso para si.

O que Dumbledore havia dito? "São nossas atitudes", não é?

—Nossas atitudes. — informou ele — Eu morreria por um amigo. — falou. — Riddle mataria qualquer um por puro egoísmo. 

Não soube dizer o motivo, mas, ao falar aquilo, Harry se sentiu mal, como se fosse uma grande mentira, como se nem ele acreditasse naquela frase mais. Tentou se poupar da auto repreensão que viria. Pensou até em reformular para Hagrid, mas não deu tempo.

Ele nem conseguiu ver se o meio gigante tinha aceitado aquela fala, já que o outro só se virou e partiu, parecendo um pouco aborrecido. Talvez ele devesse ter esperado mais um pouco, ter ganhado mais confiança, antes de soltar uma informação daquelas? Talvez… mas se tudo desse errado e Harry morresse tentando destruir o basilisco, ele não queria que Tom tivesse argumentos para colocar a culpa no amigo novamente.

Não… 

Se ele não conseguisse se proteger, protegeria os que eram importantes para si. 

Não conseguiu deixar de sentir um vazio mais uma vez, um bolo incômodo na sua garganta ao processar esse pensamento. Se sentia… injusto?

—O que está acontecendo? — pensou alto, balançando a cabeça e deitando novamente na grama verde. 

X--X--X

—Olá, queridos. Espero que nesse momento em que eu fiquei fora nada de muito grave tenha acontecido. Peço perdão a todos e irei me esforçar para manter o cronograma sem que ninguém se prejudique e para que todos possam fazer os exames com tranquilidade no final do mês.

—Professor, o que aconteceu com o senhor?

—Bom… é sigiloso, veja bem. — Slughorn inflou o peito como um pavão, aparentando estar extremamente extasiado com a atenção excessiva que recebia. 

No jantar da noite anterior, após todo aquele tempo sem notícias, Dippet anunciou enfim que Slughorn havia voltado. Harry se perguntou se era errado se sentir mal com a volta das aulas de Poções, apesar de estar feliz pelo professor estar vivo e bem.

—O senhor não pode nem contar um pouquinho? — Tom perguntou, sentado como sempre na frente da classe, com Abraxas e seus olhos frios ao seu lado. 

Harry reparou Slughorn inflar-se ainda mais, se é que era possível.

—Bem, o que eu posso dizer é que eu fui salvar algumas pessoas. — Ele falou misteriosamente. — Mas vamos a nossa poção de hoje. 

O moreno encarou com horror quando na lousa atrás do professor as palavras "poção da beleza" iam se desenhando. Ele não conseguiu impedir a memória de como ele e Rony produziram um lodo nojento ao invés de alcançar o desejado. Aquela era difícil, decididamente difícil. Gemeu em frustração.

—Ah, senhor Smith, quase me esqueço. Nós tínhamos combinado uma dupla não é? — Slughorn olhou ao redor da sala — Bem, por hora… Abraxas, teria como você por favor ceder sua cadeira para o jovem Smith? 

"não, não, não, não"

Observou o louro se levantando, pegando todos os pertences que possuía nas mãos e seguindo até ele.

—Não vai sair daí, Harry? Eu gostaria de me sentar. 

—Ahn...

—Sim, senhor Smith. Como está levemente atrasado na disciplina, melhor eu colocar você com o melhor pocionista da classe… Riddle vai com certeza te ensinar tudo o que você precisa saber. Esse é o ano dos Nom's e não queremos que eu precise usar meus contatos na Autoridade de Exames Bruxos novamente para deixar outro aluno repetir uma prova, não é? 

O professor riu e Harry quis muito acompanhar, já que era uma clara piada contra Walburga, mas não conseguiu. Ao invés disso, apenas engoliu em seco enquanto se dirigia para frente da sala, sentando-se ao lado de Tom.

—Oi, Harry, que bom te ver novamente. — falou o garoto.

—Oi, Tom. — respondeu, amuado. Não bastasse ter que ficar ansioso sobre as futuras reuniões do grupinho pré comensais, ainda tinha que ficar nervoso com as aulas de Poções agora. Ele não tinha sorte. Se perguntou se poderia azarar Hagrid por ter lhe dado uma mera faísca de esperança.

Quando já tinham obtido todos os ingredientes, Harry ficou olhando Tom que — por sua vez — também o encarava. O menino já se sentia desconfortável com aquela tensão, e ver Riddle rindo descaradamente não estava ajudando. 

—Sabe, — falou ele, pegando o pilão e adicionando as asas de fada que repousavam sobre sua carteira. — parece que você anda meio chateado ultimamente. 

—Parece?

—Sim, Harry, parece. Você pode transformar o gengibre em pasta, por favor? — perguntou, enquanto triturava as asas. 

Harry o olhou cético.

—Você quer que eu faça algo?

—Não achou que eu fosse fazer tudo sozinho, não é?

O moreno balançou a cabeça, colocando o gengibre no seu próprio pilão e esmagando-o com certa facilidade.

—Faça o movimento de forma giratória. — Apontou Riddle. — Vai esmagar mais fácil e liberar mais sumo. 

Hermione havia dito aquilo para ele centena de vezes, mas ele sempre esquecia. E ter Riddle tão perto estava mexendo com seus neurônios. 

—Então.... — falou, quando já tinha colocado as asas no caldeirão e estava cozinhando-as em fogo baixo. — vai me dizer por que anda incomodado? 

Os olhos negros de Tom estavam há alguns segundos encarando os verdes fixamente. O moreno se perguntou se o outro era capaz de perceber sua descrença pelo olhar.

Completou:

—Seja sincero, Harry. — Ele voltou a mexer o caldeirão, completamente alheio ao coração acelerado do menor. — Eu disse algo na reunião que te irritou? 

Harry se sentia estranho.

Quando estava perto de Voldemort no seu tempo sentia repulsa, repulsa e medo, muito medo. Aquelas sensações eram as que ele estava acostumado a ter que lidar, acrescentando a raiva e a dor vez ou outra. 

Mas com Tom era tudo diferente. 

Ele sentia desconfiança, o medo ainda estava ali, mas era um medo completamente diferente do usual. Não era aquele que o deixava congelado e com o corpo recheado de adrenalina. Não… o medo que sentia de Tom Riddle era menos enérgico. Ele não conseguia deixar de humanizar aquele garoto moreno porque, como já repetira para si mesmo diversas vezes, Tom naquele ponto da vida tinha feito bem menos mal para ele do que Draco Malfoy. 

"Mas logo, logo ele vai abrir a Câmara Secreta e ele vai matar Murta", dizia uma voz irritante na sua mente sempre e ele não conseguia argumentar contra aquilo.

—Aqui, já terminei com o gengibre. 

Viu o outro pingando as gotas de orvalho no caldeirão. 

—Obrigado. Mas você ainda não respondeu minha pergunta.

Tom parou de mexer na poção, virando o corpo na cadeira para que ficasse frente a frente com Harry. 

O menino-que-sobreviveu não conseguiu deixar de encarar aquele rosto ameno, e as feições do outro não pareciam irritadas, muito menos zombeteiras. Ele exalava a mais pura confusão e genuíno interesse. E isso era irritante!

Por que Riddle não olhava para Harry com raiva? 

Ele tinha que odiar Harry com todas as forças. Ele não tinha que sentir curiosidade, e o fato de Harry estar desconfortável não deveria ser algo que o incomodasse… não, ele deveria se sentir bem, ele deveria gostar do olhar de Harry refletir pavor, tristeza e nervosismo.

Não era esse Voldemort complacente que Harry esperava no passado. Ele esperava Tom Marvolo Riddle! Com aquele olhar superior que exibiu ao se mostrar para Harry na Câmara Secreta, logo após corromper ginevra. 

"Mas ele não abriu a câmara. Ele não fez horcruxes… ele não é Voldemort ainda"

—Por que eu estaria infeliz? — Harry respondeu enfim, reparando com a proximidade que o outro apresentava um leve corar nas bochechas provavelmente provocado pelo calor que o caldeirão emanava.  

Riddle riu, virando seu corpo novamente para a mistura e remexendo mais alguma coisa lá. Harry não conseguiu se impedir de reparar que se fosse ele já teria perdido totalmente o compasso da poção. Já nem lembrava mais que ingrediente deveria ser colocado, ou há quantos minutos ela estava fervendo.

—Não sei… eu venho refletindo sobre isso. Talvez esteja infeliz porque seus pais faleceram. — Mexeu algumas vezes em sentido anti horário — Mas, eu devo assumir, você não me parece tão abalado com isso. Então outras teorias começaram a surgir na minha cabeça.

—Quais teorias?

—Bem… talvez você esteja preocupado com alguma coisa. Seriam os Nom's? Não sei… talvez você esteja irritado porque Eileen não confiou em você. Talvez você tenha percebido que não gosta de estar na Sonserina… me diz, Harry, eu tô quente?

—Um pouco. 

Viu Tom rir, daquele jeito que era característico dele, com os olhos se fechando instantaneamente, enquanto uma ruguinha surgia na lateral da boca… aquele jeito que Harry só percebeu que reconhecia naquele momento. 

O moreno sempre teve problemas em observar Riddle, pois o mesmo sempre parecia meio plástico e forçado; era educado demais, divertido demais, arrumado demais… e aquilo não parecia refletir quem ele era de verdade. E se havia algo que irritava Harry naquele tempo, era como Voldemort se comportava como um ser perfeito e todos simplesmente o adoravam por isso. 

Lembrava de Dumbledore dizendo que o garoto tinha um charme implacável, mas, para Harry, era fácil distinguir quando ele estava sendo sincero de quando ele estava apenas manipulando tudo a sua volta.

Harry gostava de imaginar que tinha um dom para reconhecer as intenções das pessoas. Tanto que, assim que chegou em Hogwarts, percebeu que Malfoy não prestava. E ele se orgulhava de conseguir escolher bem suas amizades — ignorando fortemente que se apegara a Bartô Crounch Jr. Ele gostava de achar que tinha essa sensibilidade de ver o interior das pessoas. 

E, naquele momento, conversando com Tom Riddle enquanto faziam uma poção de beleza, ele entendeu perfeitamente o que estava o incomodando durante todo aquele tempo. O que fez ele se sentir mal ao pensar no que dissera para Hagrid na tarde anterior. O que o fazia odiar tão fortemente o órfão e o que fazia ele odiar e praguejar contra aquele homem que o trouxera da tristeza do futuro para a confusão do passado.

O que mais irritava Harry era que garoto não era lorde Voldemort.

Era irônico pensar sobre isso, pensar que ele gostaria muito que Riddle já fosse um assassino. Era de fato egoísta, mas assim seria mais fácil odiá-lo sem sentir culpa de estar sendo injusto.

Tom era ruim às vezes? Sim!

Provavelmente já tinha tomado ações e manipulado pessoas de uma forma que Harry dificilmente aprovaria? Sim!

Mas nada, nada, se comparava a forma aberta que ele se posicionava quando estava com Harry. Tom, ali, corado pelo calor da poção, estava sem máscaras. E Harry conseguia sentir isso.

Os sorrisos não eram falsos, a preocupação não era falsa. E, sinceramente, o motivo importava mesmo? Dumbledore nunca confiou que Tom Riddle tivesse salvação… talvez tudo que o moreno tenha mostrado ao professor tenha sido aquilo que ele mostrava às pessoas no geral. Mas Harry estaria sendo injusto se dissesse que Tom não era diferente com ele. 

Foi diferente na torre de astronomia.

Foi diferente em diversas vezes que trocaram palavras no salão comunal.

Estava sendo diferente na aula de Poções.

Será que Tom Riddle percebia que agia diferente quando estava sozinho com Harry?

Será que se Dumbledore visse como aquele garoto agia na presença de Harry, teria acreditado que um pouco de amor seria suficiente para salvá-lo? Logo o futuro diretor que acreditava que aquela emoção vencia qualquer coisa, que aquela emoção mudaria qualquer um… ele nunca demonstrou sequer confiar em Riddle, quem dirá qualquer emoção meramente quente.

O garoto teve vontade de rir, porque, durante todo aquele tempo, só pensou em Tom como um fardo. Pensou nele como algo que traria infelicidade para si próprio e — mesmo que houvesse engolido aquela história de salvar o órfão — ainda assim, não se abrira para fazer isso de verdade. 

Internamente, Harry não conseguia diferenciar Tom Riddle de Lorde Voldemort. Quantas vezes havia pensado nele como "o futuro Lorde das trevas"?

Não acreditou que demorou tanto tempo para perceber… ele estava ali não para ser um empecilho para Tom. Estava ali para se aproximar, mas não numa missão de espionagem. Ele tinha que se abrir para Riddle porque, até aquele momento, era a única pessoa que via o menino completamente real e palpável, completamente sincero.

Ele tinha que ser amigo de Riddle porque era o único que o outro se abria para tal. Não para ser um súdito, mas para compreender ele, para rir com ele, o único que Tom não usava sorrisos falsos. O único que via Tom Riddle como Tom Riddle, não como o grandessíssimo herdeiro de Salazar Sonserina. E, nessa idade, não era isso que Harry queria também? Que reconhecessem ele como Harry, só Harry e não "O menino-que-sobreviveu"?

"Pela primeira vez, acho que consigo entender"

—Está pronta! — falou, tirando Harry de seus devaneios. 

—Aqui. — Entregou a pequena garrafa de vidro, observando o colega enchê-la, para, logo após, encher outra. — O professor não costuma pedir só uma? 

—Essa não é para ele. Toma, bebe. — Enfiou o frasco próximo a boca do moreno. 

—Eu não vou beber isso! 

—Eu e Malfoy sempre revezamos para experimentar as poções…

—Eu não sou o Malfoy. Por que você não experimenta? 

—Porque da última vez eu fiz isso. Vamos, Harry. Só um golinho… é uma poção de beleza, que mal vai fazer? E você não me ajudou muito, também... ficou perdido em pensamentos durante um bom tempo. Vamos, bebe. 

O garoto resmungou, revoltado. 

"Amizade, Harry. Amizade. Não adianta ter uma epifania se você não vai aprender nada com ela"

Tomou o recipiente das mãos pálidas, ingerindo a poção em um só gole. 

O efeito foi gostoso de sentir. Seu corpo começou a esquentar em várias áreas, rosto, ombros, barriga, braços. Queria um espelho para poder se ver. 

Ia perguntar para o outro como estava sua aparência, mas não foi possível. Em um segundo, o professor havia andado do final da sala até estancar do lado de Harry, puxando o menor pelo braço e exibindo-o como um animal de zoológico.

—Excelente, Tom! Como sempre! Veja, turma, como Harry está bonito agora! 

O moreno observou as aprovações alheias a seu novo visual, se sentindo incomodado com o fato de todos agirem como se antes ele fosse um trasgo. 

Assim que possível, se jogou novamente na cadeira, desejando internamente desaparecer.

—Satisfeito, Riddle? 

Tom debochou: 

—Você está bem atraente, Harry. Mas essa cara amarrada não combina com beleza.

O moreno não respondeu. 

Evanesco — Viu o outro limpando o caldeirão. — Mas eu preferiria que não tomasse essa poção de novo.

X--X--X

Harry estava seguindo Riddle mais uma vez pelos corredores escuros na madrugada. Ele já estava bem cansado e perdera totalmente a esperança de que Tom acharia a câmara antes do fim das aulas. 

O garoto já havia terminado de olhar todo o quarto e terceiro andares e Harry observou quando, de longe, ele se sentou na escada com a cabeça apoiada nas mãos. Parecia bem desanimado, para não dizer desolado. 

O menino, habilmente escondido pela capa da invisibilidade, viu quando o outro puxou de dentro das vestes um papel e uma pena, anotando alguma coisa que Harry não conseguia enxergar.

Quando o moreno já estava quase voltando para sua cama — Riddle não parecia muito animado em continuar — foi surpreendido por um ligeiro movimento.

Parecia que algo havia subitamente se tornado claro em sua cabeça, e a movimentação rápida desestabilizou Harry. Este observou assustado quando o alvo desceu, indo enfim em direção ao segundo andar. Seria aquele o momento? Coçou a garganta nervoso, seguindo por onde o colega de dormitório tinha recém passado.

Harry estava perto quando Riddle se enfurnou nos corredores escuros, com a varinha produzindo um lumus fraco o suficiente para não acordar os quadros e ainda assim útil para caminhar sem cair ou tropeçar. Cada passo era dado com bastante cuidado, apesar de parecer incerto a cada cruzamento. 

"Ele ainda não sabe onde é", pensou Harry, respirando aliviado, após minutos sentindo o coração na boca.

Ele estava a uns bons três metros atrás de Riddle e com muita vontade de voltar a dormir. Naquele dia em específico, Tom havia acordado às três da manhã e estavam andando pelo castelo fazia cerca de duas horas. Estava claro para ele que o garoto se perdera e demoraria mais algumas semanas para achar a bendita passagem.

Quando cruzaram pela porta do banheiro do segundo andar, Harry prendeu a respiração, só para soltar novamente quando o moreno nem sequer olhou naquela direção, seguindo o caminho pelo corredor de forma nervosa. 

O moreno de óculos estava pronto para comemorar sua vitória quando absolutamente tudo deu errado: Riddle estava virando o corredor quando ouviu passos vindo de lá. Harry também os ouviu, mas não pôde realmente prestar atenção porque o que aconteceu em seguida o fez perder todo o sono. 

O lumus foi apagado e o garoto, muito esguio e flexível, correu em passos rápidos para porta aberta mais próxima: a do banheiro que havia acabado de deixar para trás.

Harry, por sua vez, apoiou suas costas na parede, mordendo a própria mão para abafar seu grasnar irritado. Observou com ódio quando o monitor chefe — um corvino — passou caminhando e coçando os olhos. Ele carregava um enorme recipiente coberto de comida e um coração inflável com os dizeres "me perdoe".

"Um idiota!", pensou Harry, acompanhando o movimento do garoto, que se arrastava em direção às escadas sem aparentemente notar o erro que cometera.

Quando viu que o intruso já estava longe, seguiu pela porta do banheiro, encontrando Riddle olhando perspicaz para a pia. 

—Segundo ao quarto andar. — disse ele, novamente com o nariz enfiado sobre um pedaço de pergaminho — Provavelmente subterrâneo. O monstro deve ser um cobra gigante… para passear por hogwarts sem ser visto… será que? — Deu uma risada abafada. — Como pude ser tão burro?

Harry viu com horror quando o garoto passou o dedo polegar pela pia, evidenciando um emblema de serpente. O sorriso que Tom Riddle exibiu era assustador para dizer o mínimo… a satisfação que ele demonstrava fez Harry se arrepiar da cabeça aos pés. 

O moreno viu quando o outro tirou um vidro do bolso, sorrindo para ele em êxtase.

—Eu realmente não acredito que tive que recorrer a você, mas… — Jogou o vidrinho vazio para o ar, apanhando-o em seguida sem deixar cair — Walburga merece um prêmio! 

"O que eu faço? O que eu faço?" 

O coração de Harry martelava desesperadamente. Ele não podia abrir a Câmara Secreta naquele momento! Harry tinha que matar o basilisco antes!

"Já sei!" 

O moreno voltou para o corredor, mirando na armadura mais próxima.

Bombarda — sussurrou, ouvindo o barulho absurdo que fora feito quando o material explodiu por todos os lugares. 

Viu Riddle se assustar, porém, enquanto Harry esperava que ele saísse correndo da cena do crime, o outro só encarou rapidamente a pia de mármore, sussurrando:

—Ainda devo ter uma ou duas horas, então... Me mostre a câmara. 

Quando tudo começou a estalar e se mover, Harry  sentiu-se extremamente estúpido… não que ele não se sentisse assim pelo menos três vezes ao dia.

"O que eu faço agora?", perguntou a si mesmo, quando um túnel abriu e Tom, sem pestanejar, se jogou dentro dele.  

 


Notas Finais


É isso gente
Hagrid&
Epifania&
Câmara Secreta
Vamos ver no que dá kkk
Beijus, até o próximo.

Ps: como estão nessa quarentena?


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