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História Pela segunda vez - Capítulo 9


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Notas do Autor


Gente pelo amor de Deus se puderem, fiquem em casa... Se vocês não estiverem no grupo de risco do vírus, evitem mesmo assim, por que pode ter gente idosa ou com doença cronica na familia que não vão aguentar caso contraiam. Sejam responsáveis não só pela vida de vocês, mas pela vida de quem amam.

Que que custa passar um alcool em gel e ficar o dia em casa lendo minhas fanfic? Tenho 3, se organizar direitinho e ler cada uma em 5 dias, vocês conseguem passar a quarentena ok asodjasdaisjdioas (e olha que tem um monte de escritora foda por esse site p vcs aproveitarem viu)

sem me prolongar mais, boa leitura <3

Capítulo 9 - Freud e Breuer e Anna O.


Fanfic / Fanfiction Pela segunda vez - Capítulo 9 - Freud e Breuer e Anna O.

Freud tinha uma paixão por casos de psicopatologias “inexplicáveis” e Breuer era especialista em temas relacionados a histeria. Juntos, eles deram inicio ao que mais tarde seria chamado de psicanálise. E o que fez com que seus caminhos se cruzassem? A história de uma mulher.

— Eu não estou dizendo “ei, Sakura, eu sou doente, por favor esqueça tudo o que eu fiz e vamos voltar a ser amigos”. Não pense isso, por favor. Eu só queria ter a chance de me explicar, e pedir desculpas por tudo. — O homem não parecia saber para onde olhar ou o que fazer com as mãos, tentava estalar os dedos, mas nenhum deles parecia funcionar, ficou com muito medo, como nunca mais tinha ficado antes. — Eu quero pedir perdão pelo que eu falei mais cedo, por ter te jogado contra a parede, você sabe... Você não tem absolutamente culpa nenhuma por nada do que aconteceu. E é óbvio que você sabe disso.

A histeria era considerada uma doença de mulheres que inventavam estar sentindo dores ou incômodos físicos apenas para chamar atenção, já que nenhum dos exames dava em nada. Mas Freud e Breuer acreditavam que não era isso. Eles viam além dos outros, queriam ir a fundo. Foi então, que conheceram Anna O.

É claro que seu nome não era esse, mas para todos os efeitos, vamos fingir que sim. Ela era rica, inteligente e culta, mas sofria do que eles chamavam de histeria. E de repente, seu pai adoeceu e ela dedicou todas as energias a cuidar dele. Foi aí que tudo começou.

— Não me entenda mal, não queria fugir da responsabilidade, fui embora por medo. Eu sei que devido às circunstâncias, pareci mais um homem que não assumiu a responsabilidade que deveria, e você estava certa de pensar isso, afinal nunca dei explicação alguma. E ao invés de tentar concertar tudo, eu só me prolonguei ainda mais nessa loucura toda, e estou perdendo um tempo precioso.

Sakura sentiu as pontas dos dedos gelados e provavelmente estava com uma cara ridícula. Ainda não tinha digerido o "como ainda fosse apaixonado por você". O fato de Sasuke nutrir qualquer sentimento por ela (mesmo que no passado) jamais passara pela sua cabeça, ela o imaginava como alguém totalmente apático.

— Eu sei que pode parecer rude o que eu vou dizer, mas não entenda mal. Não acho que TOC seja um empecilho para criar uma filha autista. Você acha?

Sasuke sorriu, já esperava essa pergunta. Só não achava que seria a primeira que ela faria. Ele passou os dedos pelo volante parado e se mexeu, inquieto, buscando a melhor forma de explicar aquilo.

— Na verdade, o TOC é mais uma consequência, sabe. Eu vivi algumas coisas bem chatas quando criança e comecei a apresentar quadros de Estresse Pós Traumático.

— O que fizeram com você?

Ela tinha medo da resposta. Tinha medo por que, se o pai dele teve coragem de deixar Mikoto numa cadeira de rodas, o que mais ele poderia fazer com uma criança a ponto de deixá-lo com sequelas terríveis? Sasuke coçou a nuca.

 

— Que merda é essa, menino? — Fugaku perguntou, segurando o braço pequeno e gordinho do filho, que choramingava. Mikoto terminou de fechar a porta e então o olhou.

— Uma coleguinha mordeu e ele não quis ficar na escola, não parava de chorar.

Algo perfeitamente normal para uma criancinha de seis anos, certo? Errado.

— Era só o que me faltava. — Ele soltou o braço do filho bruscamente e então encarou a esposa, que devolveu o olhar da mesma forma. Mikoto casou com um baita machista, mas sempre soube se impor. — Vai crescer igual ao outro?

Itachi estava no quarto, e a mãe ficava aliviada por ele não ter que ouvir aquele tipo de comentário só por ser um garoto sensível. Ela cruzou os braços.

— Pare de cobrar tanto de duas crianças tão novas!

— Ah, faça-me um favor. Olha isso. — Ele apontou para Sasuke, que já tinha começado a chorar de novo, segurando o braço com a marca de mordida. — Ele apanhou pra uma menina! Meu filho apanhou pra uma menininha de seis anos, que tipo de homem ele vai ser quando crescer?

— Olha, eu não sei, mas espero que não seja como você.

Silêncio.

— Você não me respeita, mesmo. — Esbravejou. Ela respirou fundo e tentou manter a calma, como sempre fazia. Era um anjo.

— É claro que respeito, assim como você deveria fazer com seus filhos. Ele está chorando, você está assustando ele! Sasuke, vem aqui. — Ela se ajoelhou e o chamou, e Sasuke deu uma corridinha na direção da mãe, mas foi parado pelo braço do mais velho.

— Engole o choro. — Fugaku disse, olhando o filho pelo canto do olho. Sasuke soluçou mas não conseguiu parar de chorar. — Eu disse pra engolir o choro, seu...

— Não fale com ele desse jeito. — Ela deu dois passos para a frente.

Eles se encararam, e Sasuke tremia mais que uma vara verde, nenhum deles disse nada. O único som que ouviram foi o do choro da criança assustada.

O mais novo foi arrastado pelo braço escada a cima na direção do quarto, Fugaku iria enche-lo de porrada se não o colocasse de castigo trancado até passar a raiva (desnecessária) que estava sentindo. Mikoto foi atrás, gritando com o marido para que deixasse de ser tão idiota, mas tudo o que ela dizia era ignorado, como o de costume.

Quando foi que tudo chegou àquele ponto? Como foi que se casou com um homem tão babaca?

Ele soltou o braço de Sasuke quando chegou ao andar de cima e colocou as mãos nos quadris, o olhando com raiva. Sasuke sentou no chão e começou a chorar alto. Ao mesmo tempo que a mulher tentou se aproximar e foi impedida por Fugaku, Itachi abriu a porta do quarto para entender o que estava acontecendo. Seu irmãozinho no chão chorando e ele gritando coisas ofensivas para o coitado, enquanto tinha o braço estapeado por Mikoto, já que ele estava a segurando e impedindo de ir até o filho.

Fugaku olhou para Itachi.

— Você não tem vergonha na cara de dar um exemplo de merda pro seu irmão?

— Queria que ele batesse na menina de volta? É isso que um homem como você faz, papai?

Mais uma vez, silêncio.

— O que disse? Alguma vez já me viu batendo em uma mulher, moleque insolente? — Gritou, alto.

— Fugaku, se acalma, olha o escândalo que você está fazendo! — Mikoto gritou, esperneando para que ele soltasse seu braço. — Me larga!

Os quatro estavam muito perto da escada.

Sasuke já nem sabia mais o que estava fazendo, só queria que tudo parasse, seus olhos inchados escorriam e ele sentia o rosto quente.

— Por que você só grita com quem é mais fraco que você? Por que não grita assim com o tio Madara? Ele vive falando merda e você nunca disse nada! — O filho mais velho falou alto, indo até Sasuke e tentando o acalmar.

— Você vai levar o que merece. — No momento em que Fugaku soltou o braço da esposa e foi direto com o punho cerrado na direção dos filhos, ela foi em cima dele.

E num flash quase que inexplicável, Sasuke viu sua mãe ser arremessada contra a escada e bolar até atingir o chão, desacordada.

 

Sakura abriu a boca involuntariamente.

— Ele... Ele está...

— Preso. — O Uchiha disse, sem olhar para ela. A chuva já tinha até passado, mas nenhum dos dois saiu do carro. — Quando isso tudo aconteceu, eu entrei em estado de total choque e todas as memórias desse dia se apagaram da minha cabeça. Quando minha mãe percebeu isso, ela fez o Itachi e toda a família esconder de mim. Disseram que ele foi embora quando eu nasci, e eu não tinha outra escolha a não ser acreditar. Aí eu o perdoei. Pelo menos até descobrir a verdade.

No dia 15 de abril de 1881, o pai de Anna 0. morreu. Esse foi o trauma mais grave de todos os que já experimentou na vida. Depois de várias e várias situações incômodas, como mudança de personalidade, alucinações e sonambulismo, aconteceu com ela algo que ajudou nos estudos de Breuer. Seu corpo não permitia que ela bebesse água. E sobrevivia apenas comendo frutas hidratadas como melões e outras. Depois de quase seis semanas tentando entender o motivo de seu corpo não deixar que ingerisse água, Anna O., em uma sessão de hipnose, resmungou sobre sua dama e o cachorro dela (que descreveu como nojento), e do dia que o viu bebendo em um copo.

— Então, quer dizer que o Shisui te levou pra ser hipnotizado?

— É, ele também não sabia dessa história. — Sasuke batucou com os dedos na própria coxa e então a olhou. Ela olhou nos seus olhos.

— Então...?

— A cena se repetiu na minha cabeça de novo, e aí eu tive um ataque de pânico. Fiquei me sentindo exatamente como quando tudo aquilo aconteceu. Sabe, uma sensação forte de impotência? Eu era uma criancinha e tinha um cara enorme gritando comigo e com a minha mãe e colocando a culpa de tudo em todos nós, e aí ele jogou a minha mãe da escada, e na hora eu lembro de ter achado que ela tinha morrido. — Sasuke parou de respirar, mas logo voltou e então seus olhos encheram de água. — Sabe o que ele disse pro Itachi?

Sakura negou com a cabeça.

— O que foi?

— Ele disse “a culpa é sua”.

— Sasuke...

— Não, não... Escuta... Até eu ir pra essa sessão de hipnose, que eu vou confessar, que não colocava fé nenhuma... E até hoje ainda acho isso meio esquisito... Mas antes desse dia eu achava que tinha que tomar esse monte de remédio por que eu nasci com defeito, e eu sentia tanto por ter que dar essa tristeza pra minha mãe... Ela sempre olhava pra mim de um jeito diferente, com dó, e eu já escutei várias vezes ela comentando com outras pessoas que eu era a cara do meu pai, era um saco. E aí chegou um momento em que tudo começou a se embolar dentro da minha cabeça, logo quando eu achava que eu estava na melhor fase, tava na faculdade, tinha meu melhor amigo, tinha você. Eu realmente era louco por você. — Ele deu uma risada espontânea, mas triste. Sakura de um sorriso triste e amarelo.

Eles respiraram fundo quase ao mesmo tempo, olhando pro nada.

— Mas, então... Você sabe que poderia ter me contado isso, não sabe? Sasuke, eu me formei pra cuidar de pessoas, eu tenho que ser empática e...

— Não falei por que eu fiquei com medo. Sabe, tem uma coisa que o Itachi me dizia sempre, e eu nunca entendia, mas que começou a fazer sentido pra mim depois da hipnose. Nossa cabeça quer a todo custo esquecer o que o deixa desconfortável, e quando não consegue, ele repete. E repete e repete e repete.... É uma forma de tentar dar conta.

— O que você quer dizer com isso?

Sakura o viu limpar os olhos e mover a cabeça negativamente.

Mas acontece que um cachorro bebendo água não foi o que a fez ter aversão por beber água. Foi o sentimento de nojo que teve ao ver o cachorro bebendo no copo da sua dama inglesa que fez seu cérebro relacionar aquilo com a enorme angústia de perder seu pai, que estava sendo velado naquele momento. E por isso, algo muito pequeno, fez seu subconsciente se bagunçar daquela forma.

— Toda vez que eu lembrava do que aconteceu, agia de forma violenta e então me arrependia depois. Eu cheguei a brigar com o Itachi até tirar sangue do nariz dele, e uma vez quase o empurrei da escada num reflexo. O TOC só piorou por causa dessas coisas, eu fiquei com medo de fazer alguma coisa com você, por isso, no dia que você me disse que estava grávida, eu tinha tentado me afastar com outra desculpa. Imagina se eu tivesse feito com você o mesmo que meu pai fez, ou pior? Eu nunca me perdoaria.

— E você preferiu ir embora sem dizer nada? Sasuke, tudo seria tão mais fácil se você tivesse conversado com a gente. Seu irmão é psicólogo, a Ino é psicóloga, eu não sou uma maluca incompreensiva, e a Sarada... Bom, aparentemente ela está do seu lado.

— Eu queria muito ter ficado, queria ter acompanhado o crescimento dela desde o comecinho, mas sempre tive medo. Sabe, meu TOC não é só uma compulsão de estalar os dedos. Eu realmente queria que fosse só isso. É tanta coisa difícil de explicar, eu jamais poderia te pedir pra me entender. Por isso eu resolvi guardar esse segredo. Por que é difícil pra mim, e é difícil pra quem está perto de mim, foi difícil pra minha mãe e pro Itachi, e eu não queria que a minha filha tivesse que lidar com a própria condição mental e com a do pai ao mesmo tempo. Nem queria que vocês duas corressem o risco de um descontrole meu. O Itachi insistiu que eu abrisse o jogo pra você, então voltei decidido a te contar, mas só se me perguntasse.

Sakura suspirou e olhou para a janela, vendo que já estava chovendo de novo, só que tão fraco, que apenas dava pra notar com muita atenção.

— E o que espera que eu faça agora que sei?

— Eu não sei. Só queria te contar meus motivos. Não estou pedindo pra ter pena de mim ou fingir que nada disso aconteceu, eu tenho noção da merda que eu fiz. Só queria que você conseguisse me perdoar algum dia.

— Eu preciso pensar. — Sakura abriu a porta do carro e suspirou, antes que saísse, ele segurou seu braço, delicadamente.

— Todo o tempo que eu passei fora foi pra me tratar desse comportamento agressivo. Não precisa mais se preocupar com isso. — Ela olhou para a mão dele em seu braço e assentiu com a cabeça. — Obrigado por me ouvir.

— Por favor, não venha atrás de mim, espere que eu vá falar com você.

Ele abaixou o olhar enquanto a soltava e voltou a rodar a chave, ligando o carro.

 


Notas Finais


Oi, tudo bom? Eu tava aqui vendo os comentários dos 3 ultimos capítulos e percebi que vocês estão mandando ver nos textoes (eu amoooooo) mas não pude responder tudo por conta da faculdade, mas com essa quarentena, eu vou ficar muito tempo revesando entre estudar, fazer trabalho e atualizar a fanfic, então talvez dê certo ler os comentários grandes e talvez responder eles hehehehe


desculpem a demora nas ultimas att, eu realmente tento postar o mais rapido possivel, mas nunca pensei que fazer psicologia seria tão tão tão cansativo mano pqp


eu peço que qualquer dúvida que tenham sobre as informações passadas, vocês comentem aqui, ou se preferirem, mandem uma mensagem, eu vou adorar conversar sobre <3

sobre alguns comentários, eu percebi que uma boa quantidade de leitores se interessam muito no itachi e que ele ta sumido, e gostam muito da relação da sakura com ele, e tal, então, fico feliz em informar que os próximos capítulos vão ajudar vocês a saber mais sobre como esses dois se relacionam <3

e pra quem se interessou pela historia da Anna O., eu recomendo muito que leiam a respeito, e se vcs se interessam por psicologia, gestalt ou psicanálise, vale muito a pena dar uma olhadinha nesse link aqui:

https://artigosdepsicanalise.wordpress.com/2016/07/28/o-caso-anna-o/


obrigada pela atenção, tenham um bom fim de dia e se cuidem, por favor, lavem as mãos, principalmente entre os dedos, e se puderem pegar um solzinho, façam isso, vai valer mto à pena



até a próxima atualização, amo vcs <3


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