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História Pelle d'Agnello - Jeon Jungkook (BTS) - Capítulo 2


Escrita por: e OrionProject


Notas do Autor


Era para eu ter aparecido no sábado? Era.
Mas eu estive ocupada e acabou não dando certo kkkkkkk sorry
Eu fiz duas versões desse capítulo porque estava indecisa mas de fato essa ganhou no final.
Eu nunca escrevi cenas de guerra então relevem por favor 🤞💕
Espero que gostem, nos vemos nas notas finais!

Capítulo 2 - Capítulo II


Fanfic / Fanfiction Pelle d'Agnello - Jeon Jungkook (BTS) - Capítulo 2 - Capítulo II

Gällivare, Sweden.


— Fiquem dentro de casa. — meu pai fala com voz de comando e tremo de medo, aperto a mão da minha mãe com mais força. 

— Não, eu vou com você! — ela diz se aproximando o marido mas este a afasta de si. 

— É perigoso demais lá fora, você precisa ficar com ela, precisa protegê-la! — o mais velho fala segurando minha mãe pelos ombros, sinto as lágrimas inundar meus olhos.

 — Por favor… tome cuidado… — ela diz lhe dando um beijo necessitado. 

Ele vem em minha direção com um olhar melancólico e beija a minha testa, logo em seguida para pela porta e nunca mais volta. 

A pequena cidadela estava em chamas, as casas feitas de madeira se reduziam a pó em poucos minutos. As pessoas gritavam pelas ruas desesperadas e corriam tentando se salvar, mas as ruas já estavam cobertas de sangue e os invasores não tinham piedade de ninguém. Minha mãe me puxou pelo braço e correu pela casa até sair pela porta dos fundos, afastou os vasos de plantas com certo esforço e espalhou a areia do chão com as próprias mãos, sujando seu vestido favorito, ela puxou a tábua de madeira e desceu primeiro, eu fui atrás de si. Nos escondemos ali trancando a alavanca e colocando algumas coisas no percurso para impedir caso alguém tentasse entrar. Minhas pernas tremiam de medo e minha cabeça estava cheia de pensamentos ruins, ela acendeu uma vela e sentou no canto acolhendo-me em seus braços: 

— Yeoreum… fique calma, tudo vai ficar bem. — ela disse acariciando meus cabelos. 

Seu cheiro característico de uva me deixava mais confortável, encarei seus olhos negros e segurei suas mãos, nós precisávamos ser fortes: 

— Você sempre foi uma garota muito esperta. — ela disse com um sorriso sincero nos lábios. — Sempre fez tantas perguntas e foi corajosa, mas existem certas coisas que estão fora da nossa capacidade de compreensão, e entre elas está você

Franzi o cenho confusa afastando meu corpo do seu, os dedos trêmulos acariciaram meu rosto em um carinho materno e cheio de significados: 

— O-O que você está dizendo, mãe? — ela fechou os olhos com força ao ouvir a última palavra. 

— Yeoreum você…é especial. — ela abraça meu corpo com força, como se precisasse ter certeza de que eu estava ali. — Mas nunca foi nossa, de verdade

Arregalo os olhos assustada: 

— O que você quer dizer? Mãe, pare de dizer coisas sem sentido! — digo alterada, minha mente envolta em um turbilhão de sentimentos. 

— Você foi um presente da deusa para nós, eu…nunca pude ter filhotes e mesmo assim ela me mandou você. — a mulher diz chorando em meu ombro, sinto o ar faltar em meus pulmões mas não percebo que é porque ela está me apertando com muita força. Minhas mãos fracas contornam sua cintura sem saber o que fazer. 

— Mãe… — respiro fundo. 

— Yeoreum-ah, eu farei de tudo para lhe proteger

Um baque na porta nos faz tremer de susto, me viro em direção a entrada de nosso esconderijo e vejo uma fresta de luz entrar por entre a madeira. Outro baque fez com que o móvel que segurava a porta se movesse consideravelmente, corro até ali colocando minha pouca força para deixá-lo no lugar: 

— Consigo sentir o seu cheiro há kilômetros de distância. — o homem atrás da estrutura fala e arregalo os olhos sentindo um nervosismo crescer dentro de mim. Encaro minha mãe em seguida e ela faz um sinal de silêncio com o dedo, engulo em seco: 

— Você gosta de brincar? Tudo bem então… — ele solta uma risada doentia e ouço a madeira estalar acima de mim. — Isso torna as coisas mais interessantes. 

De repente aquilo se tornou pesado demais para que eu pudesse aguentar, a primeira tábua de madeira se rompe e a força descomunal do alfa inimigo empurra o móvel para cima de mim até que eu perca o equilíbrio e sucumba embaixo dos escombros. Vejo a sombra da minha mãe no chão entre as brechas e ela parece levantar os braços para cima: 

— T-Tudo bem, você me achou. — a mais velha diz tentando manter a calma, pisa sobre o móvel destruído e sinto a dor do peso maltratar meu corpo, seguro um gemido. 

 Ela sobe as escadas danificadas sentindo cada parte do seu corpo relutar no processo, o homem não parece feliz ao vê-la, seus olhos são vermelhos como o de seu lobo, seus braços e rosto são cobertos de cicatrizes horrentas, ele parece assustador. Ele respira fundo o ar ao redor da ômega a sua frente sentindo o cheiro dela, mas ao abrir os olhos seu queixo treme em ódio: 

— Mentir não vai ajudar vocês. — ele diz com voz de comando e com um único golpe joga a mulher longe. Ouço o grito da minha mãe e fecho os olhos com força, preciso sair dali o mais rápido possível, me esforço o máximo mas o peso não me permite mexer sequer um centímetro da peça. 

Ouço os passos descendo a escada e o alfa coloca o pé em cima da estrutura soltando uma risadinha: 

— Você é tão estúpida… mas é extremamente divertido ver as duas tentando se esconder de mim. — ele coloca mais força fazendo a madeira perfurar minha pele, grito de dor.

— Arggggg!!! PARE! — Imploro com os olhos cheios de lágrimas, minha mente começa a se esvaziar e não consigo pensar em nada. 

Ah! — minha mãe grita pulando mas costas do alfa e o empurrando escada abaixo. Os dois caem em cascata e ele vai para cima dela enforcando-a com as mãos, ouço ela se engasgar com o próprio sangue mas minha mente não consegue processar nada que está acontecendo. 

Meu pai aparece completamente machucado e agarra o alfa inimigo começando a lutar contra ele. Minha mãe se apoia nos cotovelos e cospe o sangue com dificuldade, ela se arrasta até mim me ajudando a sair debaixo dos escombros. De repente ela solta a estrutura e uivo de dor, minhas pernas continuam presas, a mais velha tem os olhos encharcados de lágrimas e corre em direção aos dois alfas, o invasor pega o pedaço de madeira e o parte no meio perfurando o peito do meu pai e o prendendo na parede. O sangue do mais velho desce pela sua boca e inunda o chão abaixo de si. Cubro a boca com as mãos apavorada e minha mãe corre até ele sendo golpeada novamente: 

— Mãe!!!!!! — grito em desespero e estendo a minha mão para si, tentando alcançá-la. 

— Vocês são tão irritantes. — o homem cheio de cicatrizes a prensa contra o chão novamente, sufocando-a com as duas mãos até que ela não consiga mais respirar.

— Pare! Pare por favor!! — grito até sentir minha garganta arder. As lágrimas caem pelo meu rosto e puxo os pés com toda a minha força enquanto tento me aproximar dele. — PARE!??! NÃO! MÃE!!! MÃE

Sinto uma dor extrema em minhas pernas e não ligo se quebrá-las na tentativa de sair dali, minha pele já está em carne viva. Meu corpo começa a ser envolto de uma fumaça, o ar frio ao meu redor começa a entrar em ebulição em reação ao alto calor da minha pele. Meus olhos se nublam em lágrimas e vejo o braço da minha mãe bater no chão de barro sem vida: 

— Não se preocupe, você será a próxima. — ele diz limpando o sangue que escorria em sua testa. 

Sinto cada músculo do meu corpo responder a provocação e aquela vontade assassina que demorei tantos anos para controlar toma conta da minha mente até eu esquecer até mesmo quem eu sou. Começo a salivar e as presas furam minha gengiva de forma agressiva, ele me olha em seguida e um sorriso surpreso se forma em seu rosto: 

— Ah não acredito! Você vai mesmo tentar lutar comigo? Que gracinha.

Meus olhos mudam de cor se tornando um prateado quase branco. Sinto meus músculos tensionarem com o início da transformação, minhas roupas se rasgam quando o lobo toma a forma, agora a pelagem branca e macia cobre meu corpo e o frio castigante do inverno já não me incomodava mais. Meu cheiro doce se espalhou por todo o pequeno cômodo, tão forte que fez o grande alfa a minha frente ficar tonto, minhas pernas já não estavam mais presas nos restos do antigo armário da estufa. Rosnei sentindo o sangue quente percorrer pelas minhas veias e a risada do homem preencheu o esconderijo: 

— Eu nunca vi um lobo tão pequeno! Você espera mesmo me derrota-r… — interrompo sua fala quando subitamente pulo sobre sua cabeça numa velocidade descomunal e afundo minhas presas em seu pescoço até ouvir seu pescoço quebrar. 

Ele ainda tenta me impedir usando sua força de alfa para me afastar de si, mas ele não esperava que eu fosse tão rápida. Aquele criminoso sequer conseguiu me acompanhar com os olhos, antes mesmo que percebesse já estava morto. A sensação do seu sangue quente inundando minha boca era acolhedora e doentia, eu nunca tinha derrotado um inimigo antes por isso nunca soube qual a sensação de fazer algo do tipo. Terminei de arrancar aquele membro do seu corpo e o carreguei na minha boca saindo do porão e andando pelas ruas devastadas da cidadezinha. Mesmo depois da transformação meu corpo continuava queimando, os olhos brilhavam em ódio, prateados como a própria lua, minha consciência humana havia se perdido há muito. O sangue do invasor continuava pingando entre minhas presas e saber que o meu cheiro estava se espalhando livremente pelas ruelas me deixava ainda mais animada para continuar com aquilo. Eu estava abertamente exibindo minha caça pela primeira vez desde que nasci, meu ego inflando meu peito e tornando a respiração pesada. Relaxei o maxilar vendo aquela cabeça rolar até os pés de outra ômega, Mi-ah me olhou amedrontada, seu cabelos assanhados e cinzas de fogo compunham sua imagem pós-apocalíptica, ela puxou o manto de Seokjin chamando sua atenção: 

— Yeoreum… Ei? — ela chamou e meus olhos se desviaram para a garota, meu lobo apenas ficou encarando sua figura desconfiado. — Ei! Sou eu Jang Mi! 

— Yeoreum? — Seokjin perguntou desconfiado entrando na frente da esposa com medo de que eu pudesse machucá-la, seus olhos cravaram nos meus como se estivesse me desafiando.

Mas eu nunca machucaria Jang Mi, jamais! Tomo meus sentidos novamente chacoalhando minha cabeça e ela se aproxima de mim olhando feio para o marido: 

— Ei, o que está fazendo aqui sozinha? — ela observa meu pêlo manchado com o sangue de um alfa e parece ficar enojada. — Temos que ir para um lugar seguro, agora! Vamos chamar os seus pais. 

Ela se põe a andar até a casa e rapidamente contorno a garota impedindo que ela ande: 

— Ya! Temos que ser rápidos! 

Balanço minha cabeça negativamente e ela me encara confusa, seus olhos estão cravados nos meus tentando ouvir algo telepaticamente: 

— Por quê você não diz nada? — ela pergunta irritada e bate o pé com força no chão. 

Uma lágrima desce em meu rosto e uso uma pata para tentar disfarçar, os dois se olham confusos, A Jang observa a cabeça no chão novamente e parece se dar conta do que aconteceu, seus olhos se arregalam assustados e ela toca minha pelagem com certa preocupação, seus braços contornam minha cabeça em um abraço desajeitado e ela diz entre lágrimas: 

— Eu sinto muito, muito mesmo…

— Hey! Parece que temos companhia! Vamos! — Seokjin diz ao ver três invasores no início da rua, provavelmente estavam seguindo o casal. — Mi-ah, suba na Yeoreum! 

Ele dá apoio para que a esposa consiga subir sobre meu torso e em seguida se transforma em lobo também correndo logo atrás de nós duas. Entro em uma casa sendo destruída pelas chamas e com a minha agilidade não sentimos nem um pouco dos efeitos das chamas: 

— Ei! Você está tentando nos matar? — ouço a garota reclamar logo acima e reviro os olhos parando em seguida.

Seokjin vem logo depois com um semblante assustado, uma madeira cai logo atrás de si impossibilitando a passagem dos nossos perseguidores. Encaro os dois com razão e seguimos caminho: 

— Eles estão por toda parte!  Saquearam as casas, queimaram nossas reservas de comida e assassinaram nosso líder! — A voz de Jin se faz presente em minha mente. — Não podemos mais ficar aqui, não temos força militar para combatê-los, os alfas das fronteiras foram pegos de surpresa durante a madrugada. 

— Para onde iremos? — pergunto confusa desviando de outros focos de incêndio. Havia muitos corpos nas ruas. 

— Seria melhor ir para o norte da cidade, vamos despistá-los quando adentramos a floresta e depois seguimos para oeste, longe de outros clãs. — o mais velho e experiente explica e nós duas concordamos com a cabeça. — Mas precisamos achar os outros, precisamos reunir o máximo da matilha antes de ir. Três pessoas seria inútil caso encontrássemos mais deles na fronteira. 

— Acho que tem alguém ali. — digo telepaticamente e me aproximo do garotinho deitado na neve. — Ele não está morto! 

Jang pula e pega o pequeno filhote no colo montando-o no meu dorso, logo em seguida a garota também se acomoda: 

— Vamos, Jungkook disse que iria proteger todas as pessoas que pudesse no entorno do castelo. — o lobo cinza sai na frente em disparada, eu o sigo na mesma velocidade. 

— Kim Seokjin! — dois alfas feridos aparecem ao nosso lado e começam a correr junto conosco. — Não adianta, o castelo caiu! O líder foi assassinado! 

— O QUÊ? — O Kim o olha assustado e daquela distância já podíamos ver o pequeno castelo ao longe, uma fumaça preta emanava de si. — Não pode ser! Onde estão todos? 

— Fugiram para o norte. — o alfa mais velho avisa e me surpreendo. 

— Jungkook…. — o lobo cinza diz e o outro concorda com a cabeça.

— Sim, ele fez o melhor por todos. Não adiantava lutar em menor número. Se formos agora talvez possamos alcançá-los.

— Mi-ah! Segure-se firme! — digo ouvindo passos logo atrás de nós. 

— O-Ok… — a garota diz olhando para o fim da rua e vendo a silhueta de outros lobos. — Vamos ver o que você tem! 

Sinto minha pele inteira queimar novamente e meu corpo fica ainda mais leve, inclino a coluna colocando impulso nas patas dianteiras e praticamente pulando sobre uma estrutura de pedras que se projetou a nossa frente. Os outros dois alfas tiveram certa dificuldade para nos alcançar: 

— É uma ômega! Ataquem! — um lobo castanho aparece ao meu lado direito e traço um caminho com os olhos.

Entro perigosamente em uma brecha de uma casa destruída e em um salto alcanço o telhado da mesma seguindo cuidadosamente por cima do muralha de pedras que cercavam a fronteira, o inimigo era mais lento e acabou ficando para trás, os três alfas o derrotaram rapidamente: 

— Desce logo, eu tenho medo de altura. — Mi-ah fala e o faço, tocando o solo molhado com as minhas patas. 

A corrida continua até chegarmos em uma área mais afastada da cidadezinha, haviam muitos inimigos atrás de nós. Sinto aquele cheiro entre tantas árvores e pegadas lupinas espalhadas pelo solo, como se formasse uma trilha invisível e com isso guio meus colegas seguindo na frente. Era o cheiro de Jungkook: 

— Yeoreum! — Jin fala mas não dou ouvidos. 

— Não se preocupe, ômegas são boas de gravar cheiros. — O alfa mais velho diz. — Temos outras coisas para nos preocupar agora.

Os perseguidores já estavam perto de nos alcançar, e eles tiveram que dar um jeito em alguns deles, pedindo que nós duas seguíssemos em frente e que logo nos alcançaríam:

— Espera por eles! 

— Mi-ah! Quanto mais tempo ficarmos paradas seremos alvos fáceis! Eu sou rápida mas não sou forte, não posso lutar contra um alfa com você e esse filhote em cima de mim! — digo irritada por tantas reclamações da garota. — Confie no seu esposo pelo menos uma vez. 

Ela se mantém calada dessa vez e agradeço mentalmente por isso, a Jang deita a cabeça em meu tronco por conta dos galhos de árvore e seguimos o percurso. Reduzo a velocidade me sentindo cansada e logo os outros nos alcançam, o cheiro do lúpus se espalhava por tantos lugares que me perco. Encontramos cadáveres e presumo que houve a luta ali, ouvimos um grito fino e ficamos em alerta, aquilo certamente ainda não acabou. Seokjin segue frente abrindo caminho entre a mata, em segundos ele agarra um ômega inimigo pelo pescoço e o mata em uma só mordida chamando atenção de outros lobos. Eles caem para cima iniciando um conflito violento, mas diferentemente do que penso não vejo ninguém da nossa matilha, muito menos Jungkook. O Kim é golpeado na costela e grune de dor, rola pela grama espessa e bate em uma árvore com força, levantando com dificuldade. Mi-ah aperta meu pêlo com mais força, e entro em posição de ataque, o alfa velho entra na frente impedindo que o inimigo pudesse machucar ainda mais o Kim e lhe dando um curto tempo para se recuperar do baque. Eles ficam frente a frente procurando uma brecha para uma mordida, se apoiam em suas patas traseiras e ficam tão altos quanto as árvores daquele lugar, ele usa a força para arremessar o inimigo longe e com muito esforço consegue, saltando em cima do invasor logo em seguida para finalizar o ataque, ele só não imaginava que um quinto alfa iria aparecer e se meter em seu duelo, cravando as presas em sua pata e arranhando seu rosto profundamente. Estávamos em menor número e não parecia que iria acabar bem, encaro Seokjin em expectativa e o mesmo já está de quatro novamente, lutando com outro lobo inimigo. Me sinto inquieta e arranho o chão com minha garras afiadas, quero fazer alguma coisa mas ao mesmo tempo me sinto incapaz. Meus sentidos se despertam e agacho rapidamente assustando Mi-ah que soltou um grito fino, um lobo negro e enorme salta por cima de nós duas golpeando um alfa inimigo e o reduzindo a pedaços de carne em poucos segundos. Ele rosna violentamente amedrontando seus inimigos que recuam assim que vêem a grande criatura, seu cheiro invade minhas narinas e engulo em seco. Jeon Jungkook estava lutando bravamente e mostrando que nem mesmo três alfas eram suficientes para igualar sua força. Ele era ágil, forte e poderoso, foi o componente essencial para aquela pequena vitória: 

— Jungkook. — Jin diz feliz por ver o mais novo. 

— Hyung! Você está bem? — ele pergunta telepaticamente com um semblante preocupado e se aproxima do outro cheirando e lambendo seu pelo. 

— Ei! Pare com isso! — o Kim reclama envergonhado pelo exagero do mais novo e me faz rir. 

Na verdade Jungkook estava tentando curá-lo. 

— Hu-hun! — Jang Mi pigarreia alto para que notem sua presença. — Eu estou bem aqui! 

— Jang Mi! Que bom que está bem. — o mais novo respondeu simpático para a garota e logo em seguida seus olhos caem sobre os meus, seu sorriso desaparece. — Yeoreum, o que aconteceu? 

— E-Eu estou bem. — digo um pouco sem jeito, minha pelagem branca estava coberta de sangue e minhas patas estavam cheias de lama. — Esse sangue não é meu. 

Ele concordou com a cabeça confuso e piscou algumas vezes, voltando a conversar com Seokjin sobre os planos. Sinceramente era estranho falar com ele depois de tanto tempo, Jungkook havia se casado há cerca de um mês e agora vivia com sua própria ômega. Apesar de ter ficado muito triste no começo eu acho que isso foi o melhor para nós dois, ela é de uma família boa e influente na aldeia, era tudo o que ele precisava para virar o novo líder da matilha. E além disso nós dois nunca demos certo apesar de termos tido tanto tempo e tantas chances. Era mais agradável estar perto dele agora que o garoto havia marcado outra ômega, eu não me sentia mais incomodada ou competitiva, quase como se tivéssemos voltado a ser aquelas crianças que gostavam de brincar juntos na floresta, e apenas: 

— Não existe um lugar seguro. Estamos fugindo para o norte, eu voltei porque senti o cheiro de vocês, mas temos que ir agora, eles estão nos esperando. — o Lúpus avisou com seriedade e concordamos com a cabeça. 

Meu lobo continuava em constante alerta apesar de estarmos em um número bom e isso estava me deixando confusa. Rosno involuntariamente por me sentir ameaçada e balanço a cabeça tentando afastar aqueles pensamentos ruins: 

— Ei! É melhor você descansar agora. — Mi-ah desceu do meu tronco com o garoto em seus braços e retirou o manto que a cobria. — Pegue! Use isso! 

Estava relutante com a ideia mas por outro lado eu sentia que ia desabar a qualquer momento, peguei a peça de roupa com a boca e me distanciei do grupo rapidamente enquanto saia da forma do lobo e cobria meu corpo nu com a manta. Coloquei o capuz para que não pudessem ver meu rosto machucado e voltei ao lado deles: 

— Venha! Pode vir comigo! — Jungkook alerta e concordo com a cabeça me aproximando de si. 

Foi involuntário, assim que subi sobre o Lúpus apoiei meu corpo em seu dorso e agarrei seu pescoço com certa força, simplesmente adormeci por cansaço logo em seguida. 

Assim que acordei estávamos em uma espécie de acampamento improvisado e a noite já havia caído, a escuridão cobria a floresta como um todo. Eu estava deitada sobre uma cama de feno e couro, meus tornozelos e braços estavam enfaixados e minha cabeça doía fazendo com que o mundo girasse a minha volta: 

— Tia. — o garotinho que resgatamos mais cedo tinha os dois olhos brilhantes focados em mim, eu tomei um pequeno susto com sua presença. Ele estendeu um cantil com água. — Finalmente acordou...

— Obrigada… — agradeço e bebo tudo que consigo, nem sabia que estava com tanta sede. — Ei, qual o seu nome? 

J-Jimin. Park Jimin! — ele responde com a boca formando um biquinho e recebe novamente o objeto. 

Suas bochechas eram enormes e rosadas deixando sua aparência ainda mais fofa. Seus cabelos loiros e lisos caíam sobre seus ombros pequenos e ele aparentava ter uns 10 anos de idade. Era uma gracinha:

— Você estava aqui esse tempo todo? — pergunto deitando novamente e observando as estrelas que iluminavam o céu.

— E-Eu estava protegendo você. — ele diz e me surpreendo com suas palavras doces. Dou uma risada e o olho em seguida. 

— Obrigada Jimin-ah. — ele concorda com a cabeça e levanta, correndo até a outra ômega perto da fogueira e puxando seu vestido para chamar-lhe a atenção.  

Mi-ah agacha para falar com o garoto e me olha em seguida, acenando com a mão. Ela parecia ocupada servindo comida para os sobreviventes e percebo também que alguns alfas não estavam entre nós, provavelmente haviam formado um perímetro para proteger o grupo reduzido. 

Sentei abraçando minhas pernas e observei os tornozelos novamente me dando conta de tudo que aconteceu hoje. Chorar foi inevitável naquele momento, as cenas que se reproduziram em minha mente pareciam um pesadelo. Meus pais estavam mortos, seus corpos largados em um porão frio e sombrio, suas almas perdidas em algum lugar do mundo. 

E eu estava completamente sozinha agora.

Todos estavam me olhando melancólicos  naquele momento, os alfas machucados e ômegas em completo silêncio. Mi-ah se limitou a apertar o tecido desgastado do vestido rosa enquanto via minha dor transbordar em lágrimas pelo meu rosto. Olhei para a lua que se projetava acima de nós, grande e poderosa, uivei sentindo a minha garganta arder de dor. Eu só esperava que eles estivessem em um lugar melhor agora:

— Tia, não chora. Vai f-ficar tudo bem... — o pequeno Jimin aparece ao meu lado com uma carinha triste e o olho em seguida o puxando para um abraço.

Era uma criança tão gentil e amorosa, não merecia vivenciar uma guerra. Mas eu certamente não era a única a perder a família, o pequeno Park também parecia completamente sozinho. 

A gente passou cerca de cinco horas ali e eu pude descansar o suficiente. Arranjei trapos para vestir: algumas roupas masculinas que foram esquecidas mas que me serviram quase perfeitamente. Minhas cicatrizes haviam desaparecido completamente também, a Jang veio sentar perto de mim parecendo igualmente cansada, ela só dormiu quando viu Seokjin retornar da guarda, os dois se aconchegaram ao nosso lado e adormeceram. Jimin os seguiu logo depois. Aproveitei a falta de sono para encher o cantil de água novamente em uma reserva limitada que instalaram no acampamento improvisado. 

Jungkook havia ficado bom em esconder sua presença, mesmo naquele momento eu não havia notado que ele estava bem do meu lado, exatamente como aconteceu mais cedo na floresta: 

— O-O que foi? — pergunto observando seu rosto envelhecido pelo cansaço.  

— Preciso da sua ajuda. — ele diz e concordo com a cabeça um pouco surpresa pelo pedido repentino e misterioso. 

— Jungkook-ah… — Sun Byun apareceu ao nosso lado e tocou o ombro do marido que segurou um rosnado de dor. — Você precisa descansar agora mesmo!

— Por favor. — ele pediu me olhando novamente, seus olhos cansados tinham um certo brilho agora e só então eu entendi o que ele quis dizer. 

— C-Certo. — eu respondo atônita a situação, sinto meus neurônios trabalharem com certa dificuldade. 

Ele desabotoa a camisa de linho e a deixa cair no chão revelando seu tronco machucado, arranhões e hematomas estavam por toda parte:

— O quê você está fazendo?? — a ômega pergunta incrédula e me olha em seguida como se exigisse alguma explicação, não pude esconder minha vergonha.

— Não se preocupe, ela tem o mesmo dom que eu. — o Jeon diz com calma e paciência, sua voz prestes a sumir de sua garganta. Pela deusa! Ele está prestes a desmoronar! 

— Ok, ok. — digo ficando ainda mais nervosa.  — Sente-se por favor. 

A Byun não pareceu muito à vontade com a ideia mas assim que lambi a mordida no braço do lúpus e esta começou a desaparecer ela ficou realmente surpresa. Agachou ao meu lado e me encarou confusa: 

— O que é você? — seus olhos redondos me fitavam curiosos e inocentes, sorri insegura. 

— Nada demais. — respondo um pouco constrangida. Era estranho o fato de estar lambendo outro lobo, ainda mais um alfa comprometido.  — Rápido, segure ele! — digo quando o vejo adormecer.

A ômega se apoia atrás do garoto, deitando o corpo descomunal do lúpus na grama úmida pela neve. Ele adormeceu completamente, seu rosto sujo de fuligem e sangue seco ficava ainda mais assustador com seus cabelos negros assanhados para todos os lados possíveis, aqueles lábios que outrora eram rosados e macios estavam secos e esbranquiçados. A pouca luz de uma fogueira distante brincava em seu rosto aplastado enquanto o mais velho parecia intensamente imerso em seu sono.

 Assim que terminei de fazer  aquele mesmo procedimento em todos os machucados do lúpus deixo os dois a sós: 

— E-Espere! O que eu faço agora? — a ômega pergunta e viro para trás nos calcanhares observando seu rosto confuso.

— É só...esperar… eu acho… — digo confusa e dou de ombros. — Permita-o descansar.

— Certo… obrigada Yeoreum… — A Byun diz e a encaro surpresa por tamanha delicadeza.

— Por nada, estou aqui para ajudar. — sorri simpática e voltei para perto dos outros. 

Mais algumas horas se passaram e o silêncio tomou o pequeno acampamento, eu aproveitei para cochilar um pouco mas até mesmo as fogueiras se apagaram com o frio da noite. Além de tudo ainda estávamos no maldito inverno, não havia animais para caçar na floresta, as árvores estavam secas e sem frutos, incluindo o clima insuportável. Não havia mantas suficiente para tentar me aquecer então a única solução que consegui pensar foi me transformar em lobo de novo e tentar aproveitar a pelagem espessa da criatura. E foi exatamente o que eu fiz, mas dessa vez não rasguei as roupas, tomei o cuidado de tirá-las antes. A forma de lobo mudava minha mente completamente porque aumentava minha sensibilidade para com o mundo a minha volta. 

Meu lobo era como um sexto sentido humano, e ele estava apitando freneticamente me fazendo ficar assustada. Encarei a floresta ao redor da pequena clareira escondida que nos instalamos e vi as copas das árvores se mexerem com o vento impiedoso. Eu sabia que havia guardas por toda parte, mas eu continuava inquieta. A sensação era que nós precisávamos sair dali o mais rápido possível, cutuquei Seokjin que tomou um susto assim que me viu: 

— O quê? O quê? Eles estão aqui? — o mais velho perguntou assustado e acabou por acordar a Jang.

— Estou com uma péssima sensação. — digo e ele parece confuso com o que acabara de ouvir, seus olhos saem dos meus e ele observa a floresta logo atrás de mim cautelosamente. — Está quieto até demais. 

— O quê? — Mi-ah pergunta e ele faz um sinal de silêncio com a boca. 

O vento sacode as árvores novamente e meu corpo treme em um arrepio inexplicável: 

— Droga! Estamos cercados! — ele diz e Mi-ah arregala os olhos levantando rapidamente. — Pegue o Jimin! 

Tudo vira um alvoroço em questão de segundos, eram tantos olhos vermelhos que não conseguia sequer contar, eles avançaram sem rodeios, não pouparam ômegas, crianças ou idosos, eram bárbaros e cruéis. Vejo tudo acontecer novamente, a mesma cena horripilante de mais cedo, eu simplesmente não entendo a razão disso tudo… O que fizemos de errado para merecer tamanho infortúnio? Ver meus pais morrerem daquela forma injusta e dolorosa... um casal de bom coração proteger com a própria vida um filhote que sequer carrega seu sangue…

— Yeoreum temos que ir para oeste! — ouço Seokjin dizer de longe mas meus olhos lupinos estão fixados em um alvo específico. — Yeoreum!!

O cheiro doce de pêssego começa a se espalhar rapidamente pelo campo de batalha, diferentemente do cheiro de um alfa ele não amentronda ou impõe uma presença forte, ele chama a atenção de todos, seduz, confunde a mente dos alfas jovens e fracos e os deixam mais lentos. 

A verdade é que o desejo de um lobo também pode levá-lo à ruína. 

Alguns alfas invasores caem naquele feitiço e começam a disputar entre si: garras e presas afiadas rasgam as peles uns dos outros enquanto os uivos de dor preencheram o ar a nossa volta, o sangue manchava a neve branca. Digo: 

— Vou distraí-los enquanto posso, sigam o percurso planejado que eu os alcançarei! — digo e Seokjin me olha assustado com a ideia, seus olhos perpassam pelos inimigos mas ele não consegue entender o que estava acontecendo, a Jang parecia próxima a loucura ao ouvir minhas palavras.

Não! Nem pense nisso! — ela se altera e rosno para si em discordância. 

— Jang! É melhor ouvir a Yeoreum! Hey! Você sabe o que está acontecendo aqui! — o Kim diz desesperado, chacoalhando os ombros da garota que enche os olhos de lágrimas enquanto me olha. 

Mi-ah abraça a criança assustada com mais força e dá as costas para mim com dor no coração, sobe no tronco do marido e juntos procuram uma brecha oportuna para a fuga. Minha mente humana está em estado de choque pela recente conversa e aos poucos o lobo toma o controle, sinto como se nunca mais fosse vê-los de novo e guardo cuidadosamente aquela imagem em minha memória, como nosso último adeus. Quando vejo os três sumirem na paisagem branca passo a responder apenas aos instintos e necessidades. Um alfa descontrolado pelo desejo parte para cima de mim e esquivo agilmente o deixando irritado, por pouco ele não crava suas garras em meu rosto, rosno para si ameaçadora e o mesmo se surpreende com tal atitude: 

— Yeoreum! — um guarda das fronteiras interfere e começa a atacar o inimigo com vigor. 

Salivo, aquele alfa sabe que estou o provocando. Seus olhos avermelhados como sangue não saem dos meus um segundo sequer durante a briga, e quanto mais perigoso o jogo fica mais prazeroso parece ser. De repente sou arremessada a alguns metros e me choco contra a neve gelada uivando de dor: 

Jungkook! — grito consigo extremamente irritada pelo golpe inexplicável com que ele me atingiu.

— Você está tentando se matar? — rebate com a maldita voz de comando e sinto um amargo surgir em minha garganta.

Como ele ousa? Rosno para si e ele avança me ameaçando contra um tronco de árvore: 

— Pare com isso agora! Siga a Jang e o Kim! — ele ordena e minhas orelhas abaixam involuntariamente. 

— Não grite comigo! — digo e o Lúpus me olha surpreso pela audácia, era extremamente proibido desobedecer a ordem de um líder. 

Corro em sua direção colocando impulso nas patas traseiras, e me choco no ar contra o alfa que tentava atacar Jungkook pelas costas e ambos vamos ao chão em lados diferentes. O inimigo rosna de dor ao cair por cima de uma pilha de lenha, seu pêlo acobreado e pontudo incomodou minha pele, chacoalho a cabeça pela recente loucura e entro em posição de ataque novamente como se nada tivesse acontecido: 

— Você é bem corajosa para uma ômega. — ouço ele comentar, um filete de sangue desce pela sua testa e ele saliva caminhando na direção contrária enquanto me encarava ameaçador. 

Jungkook se posiciona bem atrás de mim, seu olhar cai sobre o inimigo e sinto um arrepio percorrer meu corpo. Sua presença parecia ter se expandido, alcançando até mesmo os alfas mais distantes daquele campo de batalha, a grandiosidade do Lúpus se revelou como nunca antes e todos podiam sentir o perigo que ele representava. Um assassino nato, capaz de derrotar uma matilha inteira caso perdesse o controle. Jungkook não seria capaz de deixar de lado sua essência bondosa em prol da sobrevivência da matilha, seria? 

Na minha cabeça começou a passar flashbacks daquele garoto que me ajudava a levantar toda vez que eu caía quando brincávamos de pega pega na floresta, do seu sorriso dentuço e olhar inocente. Agora ele parecia inteiramente assustador, seus olhos vermelho-sangue impunham medo em qualquer um que ousasse se meter em seu caminho, o corpo descomunal estava ereto em uma postura autoritária e seus músculos pareciam ainda maiores daquele ângulo. Respirei fundo sentindo seu cheiro invadir minhas narinas, minha mente parecia ainda mais nublada agora: 

— Jungkook… — digo olhando para si e ele sequer me olha de volta, sua atenção parece completamente focada em seus inimigos.

Eu não conseguia imaginar o que poderia acontecer ali, mas de qualquer forma eu não poderia impedi-lo. Dei meia volta ficando atrás de si vendo outros olhos acompanharem cada movimento que eu executava e acabei por lembrar que meu cheiro estava tão forte quanto o dele. Jungkook foi o primeiro a se mover, pegando dois alfas de uma vez só e afundando suas presas na carne alheia, nem mesmo quatro alfas comuns conseguiam lidar com o Lúpus. Gravei minhas garras no rosto de outro inimigo abrindo espaço entre a multidão e troncos retorcidos de árvores, me enfiando entre espaços pequenos e fugindo da forma que dava, e lá de longe eu podia ver o lúpus cercado, completamente sozinho, a minha direita muitos outros lobos pertencentes a nossa aldeia estavam fugindo assim como eu. Contudo, Jungkook continuava lá, lutando bravamente, senti uma dor em meu peito ao ver o garoto sendo abandonado até mesmo pela própria família. Dei as costas aquela cena decidida a aceitar o destino, mas quando ouvi ele uivar de dor ao ser atingido por um inimigo me vi automaticamente refazendo todo o percurso de volta, tão rápida quanto o vento, de forma que nem mesmo minha mente conseguia acompanhar meus atos aparentemente imprudentes:

— Não! Yeoreum! Que menina teimosa! 

Antes que pudesse me dar conta eu já havia passado por cima dos troncos de novo, pulando sobre o alfa de pêlo castanho claro que o machucou e cravando minhas presas em sua pele, usando toda a força da minha mandíbula para estraçalhar a carne alheia enquanto ouvia seus grunhidos sôfregos, até que eles desaparecessem no ar frio a nossa volta. O sangue quente escorreu pela minha boca lupina e senti meus olhos arderem assim que vi o Lúpus sendo esmagado logo a frente. O impulso das patas traseiras foi o suficiente para me lançar no maldito, rolando consigo e batendo em outros lobos que estavam próximos, mas tirando de cima do Jeon uma boa quantidade de inimigos: 

— Jungkook! — grito mentalmente e ele me encara enfurecido. 

Ele simplesmente terminou o serviço, esmagando a criatura com sua força descomunal e rosnando alto para assustar a todos que recuaram um pouco. Repentinamente o maior veio em minha direção, gravando suas presas em meu pescoço e me carregando involuntariamente por cima dos cadáveres, ele desviava freneticamente dos inimigos enquanto adentrava na floresta fria e outrora silenciosa. Sua respiração estava descompassada, Jungkook estava praticamente banhado em sangue e seus machucados se espalhavam por toda a sua tez:

— Eu sei correr, ok? — digo me debatendo e ele aperta ainda mais os dentes em minha pele me causando um desconforto.

Ouço os passos dos nossos inimigos logo atrás de nós e o encaro preocupada:

— É mesmo? Não está aparecendo… — Jungkook diz debochado e encaro seus olhos agora dourados, ele ficou curioso com meu silêncio. — O quê?? 

— Seus olhos. — digo assustada com a mudança de personalidade do mais velho. 

— Os seus também... Achei que já tivesse se acostumado com isso. — ele diz curto e direto enquanto continua correndo como um louco pela floresta, dando uma volta no terreno.

Ele me solta de repente e o encaro surpresa. O Jeon chacoalha a cabeça retirando de cima de si uma boa camada de neve acumulada e o pêlo negro e espesso volta a cor original:

— Acaba aqui. — seus olhos voltam ao normal.

A figura do negra do Lúpus não parecia mais tão assustadora, sua respiração quente formava uma nuvem ao redor do seu rosto todas as vezes que ele expirava. A neve continuava caindo em nós e por trás de si eu pude ver os lobos saindo da floresta, meu olhar de desespero caiu sobre Jungkook mas o garoto parecia conformado com o que estava para acontecer. Seu olhar era caloroso e não saia do meu um segundo sequer, era como se tivéssemos acabado de nos encontrar e ele estava feliz em me ver, me ergui novamente me aproximando de si, meu coração estava acelerado. Lambi seu corpo por impulso e ele fez o mesmo comigo, era como se uma descarga de energia tivesse me atingido, todas as dores desaparecem e até mesmo o barulho que incomodava meus ouvidos lupinos cessou:

— Fique atrás de mim. — o Jeon ordenou e o encarei nada feliz, ele bem sabia que isso não funcionava comigo. Revirou os olhos e se corrigiu. — Fique ao meu lado.

Minhas orelhas se levantaram por impulso e não consegui disfarçar meu contentamento com a fala do garoto. Os lobos já nos cercavam e atrás não havia mais para onde correr, era o fim do terreno e apenas a paisagem do vale congelado se mostrava exuberante. Não era assim que eu imaginava morrer, na verdade eu sequer pensava sobre isso e agora o cheiro do Lúpus era o único que eu conseguia sentir ainda que houvessem tantos outros alfas diante de nós. Eles vieram de uma vez só, seus rosnados assustadores ecoaram na clareira e os últimos pássaros abandonaram a copa das árvores. As garras de Jungkook fatiavam seus inimigos, arrancando a pele e carne alheia, sua respiração ficava mais intensa e seus olhos vermelho-sangue cada vez mais escuros. Aos poucos ele perdia sua essência humana e eu estava ao seu lado, assistindo-o morrer lentamente para virar uma criatura horrenda e impiedosa. Os cadáveres dos inimigos se amontoavam no chão ao seu redor e parecia que o Jeon estava subindo na pilha, ficando mais alto e mais perigoso. Subitamente eu o perdia de vista, sendo engolida pela multidão de lobos sedentos que vinham para cima de mim com as piores intenções, até que minhas garras ficaram insuficientes, minhas mordidas não faziam mais efeito no inimigo e o ar a minha volta ficou rarefeito. Um alfa cinza cravou as presas em meu pescoço e minha visão ficou escura como a noite, senti minhas forças se esgotarem no segundo seguinte e caí na neve quase sem vida, era meu fim, eu estava inteiramente machucada e alguns dos meus ossos quebrados, chacoalhei minha cabeça esperando que minha visão voltasse e assim que abri os olhos havia um filtro vermelho compondo a paisagem, um filete de sangue descia pelo meu rosto e Jungkook havia desaparecido de vez. Uivei o mais alto que podia esperando que ele respondesse e sem que eu pudesse perceber ele estava ao meu lado, caiu cansado depois de ser atingido por um golpe e me olhou rapidamente forçando seu corpo a se erguer no segundo seguinte. Um outro alfa pulou sobre mim me atingindo e quebrando mais alguns dos meus ossos e fui arrastada por alguns metros na neve fria deixando um rastro de sangue. Rosnei de dor ao tentar me levantar e Jungkook ouviu soltando um uivo baixo, estávamos no fim da linha, ele se ergueu de novo para um último golpe mas não tinha forças para lidar com cinco alfas ao mesmo tempo, me desvencilhei dos outros invasores e me aproximei do Jeon para tentar ajudá-lo, já estávamos cercados por todos os lados. Desviei de algumas garras violentas mas a onda de força que se impôs sobre mim foi suficiente para me tirar o equilíbrio e me fazer escorregar na neve. Jungkook sentiu logo depois, descendo barranco abaixo, arranhando o solo na tentativa de se segurar mas era em vão, já estávamos caindo em queda livre a uma velocidade relativamente alta.


Notas Finais


O que vocês acharam?????
Eu tô em surto com esse capítulo kkkkkkkkkkkkkkk
Jimin é a coisa mais fofa dessa fic! Sim ou não?
Bjs até o próximo!


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