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História Pelo Espelho - Capítulo 2


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Capítulo 2 - O vermelho sangue.


A brisa daquele mundo era surpreendentemente calmante - magia - murmurou Tela - só pode ser magia. 

- Sim Tela, consegue sentir o cheiro? Tudo é suave, magia acalma os que moram nela - Lushar sorria com os olhos também, a jovem não conseguia deixar de notar como o temperamento dele suavizou quando chegaram a seu mundo original, seria a Terra tão ruim assim para os habitantes de fora?

- Eu notei uma coisa Lushar, por que me chama de Tela? Apenas minha mãe e irmãs me chamam assim, é muito estranho que você saiba disso - A conversa se desenrolava por cima do caminho de areia que levavam para a corte, e meu deus! Ela estava em outro mundo indo para um castelo cheio de gente estranha e desconhecida que poderiam fazer oque quisessem com ela. 

- Ora, você acredita que nós não procuramos saber como agir para que você se sentisse mais confortável? - Ok, a ideia de estar sendo observada causou um tremor nas mãos. 

- Claro, vocês provavelmente querem algo de mim, talvez usar minha magia? Talvez querem me matar para extrair ela! - Lushar a fitava com um olhar de incredibilidade.

- Tela, calma, você está paranoica, sim, nós queremos algo de você, mas não é sua vida e tens uma escolha sabe, não iremos te obrigar a fazer nada que não queira.

- Como posso saber que está falando a verdade? 

- Bom, todo lugar que magia esteja presente é cobrado um preço, não podemos mentir, logo pode acreditar em mim.

O silêncio abateu sob os dois por alguns minutos, uma colina íngreme se erguia a frente, os passos se tornavam mais difíceis e a respiração mais pesada. 

- Tome um pouco de água - Lushar lhe entregou um cantil que Donatela não fazia ideia de onde surgirá. 

Bebeu longos goles da água, sentindo seu corpo se restaurar um pouco, e percebeu que a colina não demoraria tanto assim para acabar. Com menor dificuldade após se refrescarem eles alcançaram o pico. Donatela não acreditava no que seus olhos viram. 

O reino de Alfanza era o mais influente de todo o continente, e sua vista fazia jus ao título. O castelo mais parecia com uma pintura, era todo entalhado em pedra lua branca que cintilava conforme o sol reluzia, cascatas de água reluziam como lua derretida e desaguavam em um lago translúcido que corria para oeste e sumia de vista. 

Para chegar ao palácio existia uma única ponte branca coberta em roseiras vermelhas como sangue, ao se aproximar Donatela notou uma quantidade exagerada de espinhos além de que algumas flores pingavam um líquido vermelho, parecido com sangue, um calafrio subiu pela espinha da garota, não parecia um lugar de seres agradáveis. 

- O que foi? Está pálida - Por alguns minutos observando aquele emaranhado das roseiras ela até se esqueceu de que não estava sozinha, o dia parecia ter durado uma semana e sentia os pés formando bolhas dolorosas. 

- Isso é sangue? - A risada estridente de Lushar a fez se sentir ridicula.

- Claro que não, essa rosas não são como as flores terrestres, é como se fosse… Seiva, sabe? Mas corre com as cores das rosas, agora vamos, o alto rei não gosta de esperar muito. 

Ao passar pela ponte Tela percebeu que o caminho parecia macio como um gramado, ao levantar os olhos alguém os esperava no final do caminho. 

- Lushar, você demorou, o rei está irado, os principes bêbados e eu com saudades - o rapaz parecia humano a não ser pelo fato de chifres saírem das laterais de sua cabeça empurrando seus cabelos loiros, os olhos serem de um negro sem íris e um rabo balançante que provavelmente entregará a alegria de ver Lushar - e aí está você, Tela, me chamo Malo, sou o parceiro do seu raptor - o sorriso exibiu longas presas manchadas de alguma substância vermelha, por deus tudo era parecido com sangue nesse lugar? 

- Malo é um dos filhos do rei Sirium, mas não está nem perto de ser herdeiro considerando que ele possui trinta e quatro irmãos e tem vinte e seis antes dele para alcançar a coroa. 

- Você gosta de lembrar que não sou herdeiro de coisa alguma, não é? - Trocaram olhares de uma piada interna que pairava entre os dois.

- Bom, é um prazer conhecer a realeza - Donatela estendeu a mão para comprimenta-lo mas recebeu olhares intrigados, sentiu as bochechas corarem, porém os dois apenas se viraram e começaram a caminhar para dentro do palácio - Achei que estaria cheio de guardas aqui na entrada sabe, barrando a gente e tudo mais - Tela disse as costas do casal.

- Mas está, minha cara, você só não consegue vê-los pois são da guarda silenciosa, são os homens escolhidos pessoalmente por meu pai de um clã que consegue ficar invisível, e eles são muito feios, é até melhor assim - Lushar deu um tapinha no braço do parceiro - Ai! é verdades, os machos têm uma aparência infernal e as fêmeas parecem os machos.

- Não seja maldoso com a aparência dos clãs, Malo - Ele olhou na direção de Tela - Eu sou de um clã chamado lubra, nós temos este aspecto pois vivemos próximos a costa do litoral e temos um certo domínio sobre a água e suas criaturas e minhas cores são azuis, Malo é do clã Farah, a mãe dele é uma diabrete mas o rei é fada por isso a mistura, o pai lhe passou o domínio sob o fogo e suas cores são pretas. 

- Como assim cores? 

- Todo clã consegue manifestar rosas com uma cor específica, lembra que as minhas eram azuis celeste? A da família real é em preto, por mais que a parte da mãe seja dominante na criança, sempre serão em preto. 

- Alguns dos meus irmãos têm rosas mescladas, assim como Luri, Mariuam, e o Seji, as mães deles são muito poderosas - Um riso nervoso saiu de Malo enquanto olhou para os céus como se pedisse proteção. 

 - A mãe não é mesma? - Tela se sentia um pouco tola por fazer tantas perguntas mas não poderia evitar, era curiosa e isso tudo era novo e até um pouco empolgante. 

- Não, o rei não se casa, ele pode ter várias consortes e assim aumentar o número de herdeiros e os poderes deles, é uma estratégia liberada apenas para a corte - Lushar parou abruptamente em frente a uma porta ornamentada que marcava o fim do salão de entrada - Tela, preciso que você se curve até tocar a testa no chão quando chegarmos a frente do rei, e tente se manter a calma, vão existir muitos machos e fêmeas que podem causar certa estranheza, mas eu e Malo estamos ao seu lado e nada de ruim irá acontecer, tudo bem? - Tela sentiu que uma grande amizade poderia nascer dos dois. 

- Claro, obrigada por explicarem tudo que pergunto e pela proteção. 

- Por nada,  o Rei está atrás dessa porta, aqui fica o salão do trono, é o primeiro cômodo que você deve passar para entrar no castelo, se prepare, as coisas vão ser um pouco… Sufocantes - O casal apenas trocou risos nervosos e empurraram o grande portal. 

O salão do trono era longo no qual tudo era branco como o resto do grande castelo, as paredes carregavam tochas com chamas largas e altas que roubavam o oxigênio da sala e preenchiam o local com uma fumaça densa provocando os olhos de Tela a lacrimejar, um grande tapete vermelho de um tecido que parecia grama fofa acabava aos pés de um grande trono de rubis que formavam uma grande fogueira e sentado nele estava o Alto Rei daquele estranho mundo.

 



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