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História Pelo olhar dele - ACOTAR - Capítulo 15


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Notas do Autor


E eu tardo, mas não falho. Espero que gostem. ❤

Capítulo 15 - Capítulo 15


Fanfic / Fanfiction Pelo olhar dele - ACOTAR - Capítulo 15 - Capítulo 15

Os dias se passaram e todos os dias as gêmeas me relatavam o estado deplorável da humana. Ela estava com um ferimento no braço, uma fratura exposta apodrecendo. Ela já não se alimentava da comida podre que a serviam e toda vez que ela via a “refeição”, ela vomitava num canto da cela.

 Me arrumei e decidi dar início a minha segunda fase do plano. Sai do meu quarto e vivi meu dia como qualquer outro dia naquele lugar. Me desgastei bajulando a Amarantha e exalando medo entre os feéricos. Quando voltei a noite para o meu quarto esperei até o momento perfeito e então atravessei até a cela dela.

Ela estava sentada contra a parede mais afastada da cela, estava acordando de um sono inquieto. O braço ferido pendia ao seu lado enquanto ela encarava a porta da cela, ou melhor, me encarava, enquanto eu ainda era escuridão. Senti medo vindo dela conforme minha escuridão ganhava mais espaço e minha forma corpórea se solidificava.

Sorri devagar de onde estava:

- Que estado deplorável para a campeã de Tamlin. – Sem entender, senti um aperto ao encará-la naquele estado miserável.

As gêmeas que se encontravam na sombra da parede se dissiparam, deixando-nos a sós.

- Vá para o inferno – ela disparou, mas as palavras não passaram de um chiado. Ela estava tão fraca que se tentasse se levantar, provavelmente cairia.

Cheguei mais perto e me agachei diante dela. A farejei e não consegui conter a careta depois daquele fedor. Estava começando a apodrecer e não sei como ela estava aguentando aquilo. Rocei os dedos em sua testa e vi que ela ardia em febre. Senti um embrulho ao ver aquela situação.

- O que diria Tamlin se soubesse que sua amada estava apodrecendo aqui embaixo, queimando de febre? – Será que ele faria alguma coisa? Ou seria a mosca morta que estava sendo? – Não que ele possa vir até aqui, não quando todos os movimentos são observados. – Tentei afastar meus pensamentos sobre o maldito Tamlin, não podia desviar do meu foco.

- Saia – ela disse escondendo o braço na escuridão.

Ergui uma sobrancelha diante da ousadia.

- Venho oferecer ajuda, e você tem a audácia de me mandar sair? – Por mais que não estivesse em sua mente, podia sentir a sua repulsão a mim.

- Vá embora – ela repetiu fazendo um esforço para falar e manter os olhos abertos.

Preciso ser mais rápido, ela não aguentará muito tempo.

- Ganhei muito dinheiro por sua causa, sabe. Imaginei que deveria retribuir o favor. – Não podia demonstrar o quanto estava preocupado com ela. Nem eu estava entendendo de onde vinha tanta preocupação, provavelmente vinha ao olhá-la e ver uma humana morrendo lentamente.

Feyre então recostou a cabeça contra a parede e aquele medo que senti quando cheguei já havia se dissipado e então me dei conta que pela primeira vez um ser fora do meu círculo íntimo não tinha medo de mim.

- Deixe me ver seu braço.

Ela manteve seu braço nas sombras.

- Deixe-me ver. – Grunhi e sem esperar sua reação, segurei seu braço pelo cotovelo e o forcei para a luz fraca da cela. Você pode ser teimosa, mas eu sou mais!

Ela mordeu o lábio para evitar um grito; mordeu com tanta força que até tirou sangue. Com certeza doía muito, mas se fazia de forte. Durona. Examinei o ferimento e, depois, com um sorriso nos lábios, disse:

- Ah, isso está maravilhosamente repulsivo. – Ela me xingou e eu ri. – Que palavras para uma dama.

- Saia – falou chiando, com uma voz frágil.

- Não quer que eu cure o seu braço? – Meus dedos se fecharam em seu cotovelo, para que ela se desse conta da gravidade.

- A que custo? – disparou de volta, mantendo a cabeça encostada na parede.

- Ah, isso. Viver entre feéricos ensinou a você alguns de nossos modos. – A observei esperando um retruco que não veio. – Faço um acordo com você – Disse casualmente e apoiei seu braço com cuidado no chão, mesmo assim deve ter lhe causado muita dor. – Curo seu braço em troca de você! Durante duas semanas todo mês, duas semanas de minha escolha, viverá comigo na Corte Noturna. Começando depois dessa confusa barganha de três tarefas.

Fui falando sem pensar muito. Por um momento me permitir imaginar como seria estar só com ela por alguns dias, longe dali... Como seria ter ela em minha corte com os meus amigos... afastei esses pensamentos. Esse acordo era somente para irritar Tamlin. Mesmo assim não podia evitar que algo dentro de mim se alegrasse com essa possibilidade. Por que eu iria querer a amante de Tamlin em minha Corte dos Sonhos, convivendo com meus amigos?

- Não. – Ela respondeu friamente.

- Não. – Já sabia que essa seria a resposta. – Mesmo?

- Saia – ela sussurrou.

- Você recusaria minha oferta, e pelo quê? – Ela não respondeu, e, então continuei. – Deve estar esperando um de seus amigos, Lucien, certo? Afinal de contas, ele a curou antes, não foi? – Seu olhar de raiva e descaso passou para surpresa. - Ah, não pareça tão inocente. O Attor e seus seguidores quebraram o seu nariz. Então, a não ser que tenha algum tipo de magia sobre o qual não nos contou, não acho que ossos humanos se curem tão rapidamente assim. – Fiquei em pé caminhando de um lado para o outro. – Do modo como vejo as coisas, Feyre, você tem duas opções. A primeira, e mais inteligente, seria aceitar minha oferta.

Ela cuspiu nos meus pés, mas continuei andando, lhe lançando um olhar de reprovação por conta do ato primitivo, porém corajoso. Ela realmente não tinha medo de mim.

- A segunda opção, aquela que apenas um tolo aceitaria, seria você recusar minha oferta e colocar sua vida e, portanto, a de Tamlin, nas mãos do acaso. - Parei de caminhar e a encarei, eu sabia que havia tocado em seu ponto fraco.

Encarar aqueles olhos azuis acinzentados movimentava algo dentro de mim.

- Digamos que eu saia daqui. Talvez Lucien venha ajudá-la em cinco minutos. Talvez ele venha em cinco dias. Talvez ele nem venha. – Ela continuou em silêncio, me encarando, sem me dar créditos. - Que isso fique só entre nós, mas ele anda escondido depois do vexame que deu em sua tarefa. Amarantha não está exatamente feliz com Lucien. – Ela demonstrou mais interesse, me olhando ressabiada. - Tamlin até mesmo interrompeu aquele estado emburrado para implorar que ele fosse poupado... Um guerreiro tão nobre seu Grão-Senhor.

Feyre me encarava como se quisesse puxar as palavras de dentro de mim para que elas saíssem mais rápidas.

- Ela obedeceu é claro, mas apenas depois de obrigar Tamlin a aplicar uma punição em Lucien. – A humana arregalou os olhos em desespero. – Vinte chibatadas.

A encarei ao dizer as últimas palavras e notei que ela começou a tremer. Ela estava começando a entender a gravidade da situação.

Dei de ombros para me fazer de indiferente, mas por dentro me corroía ao pensar que essa seria nossa única maneira de sobreviver a ardilosa.

- Então, a questão é realmente o quanto está disposta a confiar em Lucien, e o quanto está disposta a arriscar isso. – A cada olhar que trocávamos percebia que eu precisava ser mais dramático ou realista. Realista se encaixava melhor. – Já está imaginando se essa sua febre é o primeiro sinal de infecção. Talvez não tenha a ver, ou tenha. Talvez esteja tudo bem. Ou a lama daquela minhoca não estivesse cheia de imundície pútrida. Talvez Amarantha envie um curandeiro, e, quando isso acontecer, você estará morta, encontrarão seu braço tão infeccionado que terá sorte de manter qualquer coisa do cotovelo para cima.

Era como se eu pudesse sentir o estômago dela embrulhando. Ela tinha se dado conta da real situação.

- Não preciso invadir seus pensamentos para saber essas coisas. Já sei o que está percebendo aos poucos. – Me agachei novamente diante dela. Você está morrendo.

Senti um arrepio na nuca ao falar aquilo. Ela contraiu os lábios dentro da boca, preocupada, mas não o suficiente para aceitar ainda.

- Quanto está disposta a arriscar na esperança de que outro tipo de ajuda virá?

Ela me encarou, enviando todo o ódio que sentia por mim. Por mais que aquilo era desconfortável, continuei.

-  Então?

Feyre exibiu os dentes e tive vontade de rir pela coragem e estupidez.

- Vá. Para. O. Inferno.

Sem dar espaço para dúvida, agarrei o caco de osso em seu braço e o torci. Um grito saiu de dentro dela, violentando sua garganta. Ela se debateu, se contorceu, mas eu continuei segurando, girando pela última vez antes de soltá-lo. Aquilo doía em mim, mas foi necessário. Eu não podia arriscar a sobrevivência de todos pelo capricho dela. Ela precisava fazer parte do plano.

Sorri para a humana enquanto ela estava ofegante, quase chorando conforme a dor reverberava em seu corpo. Ela cuspiu na minha cara e eu apenas ri ao ficar de pé, limpando minha bochecha com a manga escura da túnica, segurando o ódio que senti. Me lembrei que ali eu sou o inimigo para ela e fiquei pensando nisso para não reagir.

- Esta é a única vez que estendo minha assistência – avisei parando à porta da cela. – Depois que eu deixar esta cela, minha oferta estará morta. – Ela cuspiu novamente e eu balancei a cabeça. – Aposto que também cuspirá na cara da Morte quando ela vier levá-la.

Comecei a me dissipar na escuridão incrédulo com tanta teimosia. Fui lentamente tornando meu contorno num borrão de noite eterna. Quando estava me tornando uma sombra, esperança me invadiu novamente.

- Espere.

Eu parei e então ela repetiu.

- Espere.

Ela faria aquilo, não por mim, nem por ela, pelo Tamlin.

Deixei a escuridão ir embora, sorrindo de alívio.

- Sim?

Feyre ergueu o queixo o mais alto que conseguiu.

- Apenas duas semanas

- Apenas duas semanas – ronronei me agachando diante dela, tentando conter a alegria que me preenchia.

- Duas minúsculas, pequenas semanas comigo todo mês é tudo que peço. – O meu plano verdadeiro não era tê-la realmente lá, somente despertar a fera primaveril, mas imaginar essa possibilidade, ver que ela finalmente confiou em mim para fazer um acordo, gerou sentimentos e sensações desconhecidas.

- Por quê? E quais serão os... serão os termos? – falou lutando contra a tontura.

- Ah – eu disse ajustando a lapela da túnica de obsidiana. – Se eu revelasse tais coisas, não haveria diversão, não é? - Ela não poderia saber o real motivo, pois nunca participaria disso por livre e espontânea vontade.

Feyre encarou seu braço destruído. Refletiu por algum momento, provavelmente analisando suas alternativas, confirmando se eu seria realmente sua única opção.

Então encontrou meu olhar e disse.

- Cinco dias.

- Vai barganhar? – Dei uma gargalhada rouca diante da ousadia. – Dez dias. – Barganhei de volta. Gosto desses joguinhos.

Ela me encarou novamente.

- Uma semana.

Fiquei em silêncio durante um longo momento. Não podia parecer que ela conseguiria se livrar do acordo, que eu a salvaria a qualquer custo. Sim, em último caso eu o faria. Deixei que meus olhos a percorressem mais uma vez, analisando aquele ser tão desprotegido e ao mesmo tempo corajoso.

- Uma semana, então.

- Estamos de acordo. – falou.

Depois das palavras dela a magia se cumpriu. Dei um sorriso selvagem diante da minha conquista.

Antes que ela conseguisse se preparar, segurei seu braço e comecei a curá-la. Os gritos dela ressoaram quando osso e carne se destroçaram, quando sangue escorreu para fora dela, causando uma dor rápida e ofuscante. Quando seu antebraço se reintegrou e a infecção se dissipou.

Eu estava sorrindo quando ela abriu os olhos, recobrando a consciência. A febre havia ido embora, assim como a dor de cabeça e lama. Foi como seu eu tivesse dado um banho nela. Foi quando ela encarou seu braço esquerdo e descobriu a parte do meu plano que irritaria o Grão-Senhor Primaveril.

- O que você fez comigo?

Fiquei em pé passando as mãos pelos meus cabelos escuros e curtos, mostrando indiferença.

-  É costume em minha corte que acordos sejam permanentemente marcados na pele. – Não precisava daquilo exatamente. O poder da minha magia, mesmo em dose reduzida, ia além daquela marca, porém Tamlin precisava ver aquilo.

A humana esfregava o antebraço e a mão esquerda, tentando tirar os redemoinhos e arabescos de tinta preta. Eu não havia poupado nem os dedos e a palma de sua mão, onde estava tatuado um grande olho felino.

- Faça isso sumir. – Ela disse e eu gargalhei. Ela achava que tinha algum poder sobre mim?

- Vocês humanos são mesmo criaturas gratas, não são?

Feyre observava a tatuagem, que de longe parecia uma luva de renda até a altura do cotovelo, perfeito para chamar a atenção de qualquer ser Sob a Montanha.

- Você não me disse que isso aconteceria.

- Você não perguntou. Então, como é culpa minha? – caminhei até a porta, mas me demorei um pouco a mais. – A não ser que essa falta de gratidão e de reconhecimento seja porque teme a reação de certo Grão-Senhor.

Paralisada e com o olhar perdido, com certeza pensara em Tamlin e em sua reação. Sim, ele se irritaria muito com isso. Mal sabiam eles que isso era só o começo.

- Acho que vou esperar para contar a ele quando chegar a hora, no entanto – eu disse que com um sorriso nos lábios ao observá-la descobrindo meu plano de perturbação a besta primaveril. – Descanse, Feyre.

Me transformei em nada além de sombra viva e sumi pela fenda na porta.

Assim que cheguei aos meus aposentos encontrei as gêmeas e a dispensei da vigia. Agora eu mesmo poderia observar a humana através do olho na palma de sua mão.

As gêmeas agora tinham outra missão: contatar Az e me trazer notícias de Velaris. Desde que Feyre chegara, não pude mandá-las até ele.

Logo que elas saíram, me deitei na cama e deixei a canseira me levar. Por estar com magia reduzida, qualquer esforço a mais que eu faça me causa muita exaustão.

De repente acordei de um sonho muito agitado, que bagunçava tudo dentro de mim. Feyre estava comigo e meus amigos do Círculo Íntimo, jantando na Casa dos Ventos, todos felizes, sorrindo, como se ela pertencesse aquele lugar.

Me sentei tentando acalmar meu coração acelerado. Não sabia por quanto tempo dormira, mas sabia que, de uma forma estranha, havia gostado do sonho. Por um segundo, esperei que fosse realidade.


Notas Finais


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