História Pelo Sangue da Rainha - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Tags Amor, Guerras, Medieval, Reis
Visualizações 4
Palavras 2.341
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Nossa, eu havia esquecido de continuar essa história. Mas como houve comentários lindos da PugcornioComP e ela fez a lindeza de favoritar a história, então eu dei continuidade hahaha.
Espero que gostem.

Capítulo 2 - Um


Fanfic / Fanfiction Pelo Sangue da Rainha - Capítulo 2 - Um

ELES estavam sentindo a boca seca. Todas as juntas doíam, assim como cada osso do corpo. Poderiam dizer que estavam à beira da morte. O som do trinco ecoou pelas paredes cinzentas e úmidas daquele lugar quase vazio. O barulho das botas pareciam um martelo na cabeça de ambos, assim como o clique suave dos saltos.

Deuses, eles estavam mortos.

A porta da cela se abriu e ambos se encolheram quando a mulher furiosa parou frente a eles.

— Eu os procurei por todos os buracos fétidos deste reino e desloquei guardas a procura de vocês dois. — Riu sem humor, apontando para ambos. — Quem poderia imaginar que estariam na prisão, enjaulados por beber como gambás e estarem fazendo balbúrdia nas ruas?

A voz da mulher apenas fazia a dor de cabeça aumentar. E eles nem mesmo podiam manda-la calar a boca porque ela era a mãe e eles sabiam o final que este caminho os levaria se o fizessem.

As masmorras.

Há quem conta que, em um determinado tempo, você deseja a morte com tanto afinco que se torna louco. Muitos preferem morrer do que ficar nas frias masmorras do castelo. E os irmãos não eram diferentes dos outros. Internamente eles torciam por uma sentença branda ou a morte pela forca de uma vez. Se fosse para morrer, então que fosse logo.

Ledo engano.

— Apenas estávamos nos divertindo.

— Irei fingir que não o ouvi dizer coisa alguma vindo de você. — Ela analisou um de seus anéis e voltou a olhá-los. — Ou sabe deuses o que seria capaz de fazer com sua vida, Porthos.

— Nos deixar ainda mais deploráveis? — Porthos questiona com um resquício de coragem. — Sinto decepcioná-la, majestade, mas nosso estado é pior. Estamos moribundos e rogando pela morte. 

— Você é sempre tão dramático, querido. Nem parece o duro e determinado príncipe prestes a casar.

Petrus riu, tossindo no final quando a garganta seca arranhou. Que bom que alguém achava seu casamento engraçado enquanto ele achava tudo uma loucura sem fim.

— Eu esperava que com meu comportamento péssimo, o tratado fosse revogado.

— Sua esperança é realmente inspiradora, querido, mas isso não vai acontecer. Contanto que você não morra, seu pai não irá revogar nada.

— Então faça com que Petrus se case.

Sarabi relanceou um olhar para o filho mais novo e viu a pequena centelha de esperança em seus olhos. Aquilo doía mais nela do que nele. Balançou a cabeça e gesticulou para que o guarda avançasse.

— Você é o herdeiro. E, mais uma vez, só seria poupado se morresse. E você sabe, querido, se desejar com muito afinco eu posso realizar sua prece com uma faca fina em sua jugular. É só pedir.

Porthos engoliu em seco e balançou freneticamente a cabeça em negativa, fazendo Sarabi assentir com um enorme sorriso no rosto enquanto o guarda puxava seus filhos pútridos do chão. 

— Ótimo! Agora, levem essa carcaça imunda para casa, tomem um banho e estejam prontos. O casamento é em quatro períodos e eu não quero vocês atrasados.

Ambos apenas gemeram, derrotados.

Levantar-se foi um esforço hercúleo e fazer os pés não tropeçarem foi ainda mais difícil. Se arrastaram para fora da prisão da cidade, apertando os olhos fechados para o sol forte. Era um dia muito propício para um casamento em Angor, segundo a rainha. O que deixava Porthos ainda mais irritado.

Ele queria estar agora sobre seu cavalo, caçando algum porco selvagem ou um veado de cascos de ferro. Mas ele estava ali, caminhando para o palácio como se estivesse prestes a encarar a forca. Entortou a boca com desgosto ao passarem pelos portões altos que separava o pátio real da cidade e cruzou os braços quando a carruagem parou.

— Oh, pelos deuses sagrados, desfaça essa cara amarrada. — Sarabi bateu as mãos no vestido e se empurrou para fora, olhando-o da porta. — É um casamento, não uma sentença de morte.

— É uma aliança. É quase a mesma coisa. — Porthos saltou para fora, seus pés oscilando sobre a calçada. Talvez ele ainda estivesse um pouco bêbado.

— Ao contrário da corda no pescoço você a terá em seu dedo anelar.

— Se um dia meu cavalo pisotear sua cabeça oca, não será culpa minha. — Porthos cuspiu para o irmão.

Petrus somente encolheu os ombros com descaso enquanto Sarabi os observava com cenho franzido. Como um ataque de cobra venenosa, suas mãos se enroscaram nas orelhas de ambos e puxaram para baixo, fazendo-os grunhirem.

— Ai! Ai! Ai!

— Mãe, somos grandinhos para...

— Estou farta desta besteira de vocês. São homens, ajam como tal por pelo menos até o final do casamento. Não façam o rei Thaddeus se arrepender de unir sua única filha a um imbecil completo que nem mesmo sabe amarrar os cadarços quem dirá governar dois reinos e um irmão com conselhos inúteis.

— Desculpe, mãe — disseram em uníssono.

— Subam, se arrumem e estejam no pátio dos fundos no ciclo marcado. Ou juro, por todos os deuses, que vou picá-los vivos e jogar para os leões de fogo do seu pai.

Os irmãos estremeceram, sabendo que ela poderia fazer aquilo. A rainha Sarabi havia cumprido muitas de suas ameaças e promessas, menos a de mata-los. Mas eles não estavam inclinados a tirar isso a prova.

Massageando as orelhas doloridas, ambos subiram a escadaria correndo e desapareceram no interior do palácio. Porthos franzia as sobrancelhas profundamente, pensando em tudo o que sua mãe havia dito. Não somente nos últimos períodos, mas também em toda sua vida de vinte e cinco ciclos.

Ele teve muito tempo para pensar no que estava acontecendo naquele dia. Nos preparativos, nos acordos. Ele viu o rei Thaddeus perambulando pelo palácio diversas vezes, conversando com seu pai em vozes baixas. Entretanto, ele nunca mais vira a princesa. Apenas lembrar da forma como ela os havia olhado, como sequer disse uma palavra durante a curta conversa e como havia dito adeus a ele de uma forma dura o deixava frustrado. Ele ia se casar com um bloco de gelo vindo da área central, uma mulher revestida em pedra firme e impenetrável.

Suspirou, sabendo que a partir do momento que o sacerdote decretasse em nome dos deuses que eles eram marido e mulher, tudo estaria feito, com ou sem consumação. Uma assinatura de tratado vale mais do que a virgindade de uma mulher marcada nos lençóis.

— Ansioso para o enlace, senhor?

Porthos tirou sua cabeça das nuvens e fitou seu servo sempre muito disposto a ajuda-lo. Tirou a camisa imunda e cheirando a mijo bêbado, jogando-a no canto de seu quarto. Estava tão imerso que sequer havia percebido que já estava em seus aposentos.

— Desculpe, Edep, mas não. Isso é muito ruim?

Edep o olhou com ternura, pois além de servo ele também fora praticamente sua babá e de seu irmão, e recolheu as roupas jogadas e ajudou-o a entrar na banheira de água fria. Afinal, o banho havia sido preparado há muito.

— Creio que sim. Esse casamento foi planejado há muito por seus pais e é aguardado por todo o reino. Foram muitos ciclos esperando e estamos ficando sem armas e produtos que utilizam da mistura do minério.

— Se o casamento estava arranjado, porque não disponibilizar o comércio de uma vez? — Porthos resmungou.

Edep se escusou de responder. Ambos sabiam o motivo de tudo isso e que Porthos estava apenas divagando como sempre fazia.

O príncipe jogou os braços ao redor da banheira e deixou a água fria amortecer as dores de seu corpo e tirar o suor de cerveja que o impregnava. Para sua idade, ele era bastante avançado mentalmente quando queria. Os treinamentos, algumas incursões até a barreira para deter alguns párias e demônios saídos da boca do Abismo o fizeram mais duro e determinado.

Porthos poderia ser infantil às vezes, mas na maior parte ele era um guerreiro nato. Pronto para a batalha. Mas a única que ele pensava não conseguir ganhar era o seu próprio casamento.

 

***

 

Do outro lado do palácio, mulheres corriam como loucas pela sala. Tules, flores, vestidos e tecidos eram jogados para todos os lados enquanto o pó da maquiagem era espalhado pelos rostos.

Um grande circo montado.

Sentada em seu banquinho, ela olhava pela janela, oculta entre as cortinas, e observava o pátio dos fundos sendo arrumado. Cadeiras colocadas em fileiras longas, os músicos testando os instrumentos, mais flores sendo colocadas em vasos e a grande cúpula do gazebo jogava sombras sobre as almofadas coloridas jogadas ao pé da mesinha improvisada para altar. Era tudo tão colorido, tudo tão vivo que lhe doía os olhos. Estava acostumada com o cinza, branco e cores tão pálidas quanto ela.

Não sabia lidar com o vermelho vibrante do vestido das camareiras, ou com o verde da grama e o céu tão azul. Cerrou os olhos ao ver o bolo de camadas gritantes passar pelo pátio, desviando por pouco de um cão solto e cadeiras fora do lugar. Sim, era como um circo itinerante onde ela era a atração especial.

— Não fique franzindo muito o cenho, querida, ou terá rugas antes da hora.

Faye ergueu os olhos para sua mãe no centro da sala e arqueou as sobrancelhas. Sua mãe estava envolta por um longo vestido azul escuro com lindas flores no mesmo tom bordadas nos ombros e braços, pelo busto com decote simples e até sua cintura e descendo em longos ramos, como um véu por cima do tecido grosso. Era realmente lindo.

— Pensei que durante o casamento a senhora usaria as cores de nossa casa.

— Mudança de planos. — Entortou a boca quando a costureira puxou um pouco mais o vestido em sua cintura. — Seu pai acha que devemos ser menos... Monótonos.

— Eu gosto de ser monótona. Isso mantém meus olhos enxergando. — Ironizou.

A rainha Amélia a olhou brevemente, os cantos de sua boca se franzindo e não a deixando saber se reprimia um sorriso ou uma reprimenda. Ela preferia pensar no sorriso.

— É a casa deles, nada mais educado do que usar algo de acordo. E se continuar sendo tão azeda, seu futuro marido irá murchar em uma casca seca ao seu lado.

Faye revirou os olhos e apoiou o queixo em sua palma. Seu futuro marido. Não gostava de lembrar dele. Da forma como ele a olhara ao se apresentarem, do desenho de suas sobrancelhas ao se levantarem sutilmente. O contorno dos lábios entreabertos, os olhos na cor de mel quente cercado por cílios grossos e escuros, nariz largo combinando com seu rosto de maçãs fortes.

Definitivamente, não gostava de se lembrar dele. Ou mesmo pensar se ele mudara tanto com o tempo que não se viram. Era parte dos tratados. Apresentados uma vez, os noivos não se viam até o dia do casamento. Era uma lei inútil como tantas outras e Faye sempre recebia reguadas nas costas das mãos e braços quando rolava os olhos ou dormia durante as aulas.

A senhora Vellard costumava ser muito cruel.

Um suave toque na porta fez Faye erguer os olhos das pinturas sendo feitas em seus dedos e viu quando duas camareiras entraram com um enorme pacote. Amélia exclamou alto, saindo do banquinho da costureira e puxou o vestido com as mãos para não tropeçar. A curiosidade de Faye a agulhou nas costas quando sua mãe exclamou ainda mais alto ao abrir o pacote cheio de papeis.

— Faye, querida, você irá ficar tão linda!

Engoliu em seco ao ver sua mãe puxar o vestido para fora, o branco neve brilhando contra a luz suave do sol que entrava pelas janelas. Os cristais na barra brilhavam, como lágrimas perdidas. A saia não era tão bufante, o que fez Faye suspirar de alívio brevemente. As lágrimas de cristais subiam pela cintura, se misturando a desenhos intrincados bordados que se prendiam em seus ombros e deixavam suas costas nuas.

O manto branco que seria colocado sobre sua cabeça tinha as mesmas lágrimas, mas era mais acentuado, formando uma cascata brilhante. Um tapinha em seu joelho indicou que os desenhos haviam terminado e ela poderia se vestir. Levantou-se com cuidado, os longos cabelos dourados presos em tranças finas que se uniam na nuca em um trança mais grossa. A tiara fina e prateada era um fino destaque sobre sua cabeça.

Com cuidado e ajuda, Faye foi posta dentro do delicado vestido, o manto peso em sua garganta a deixando com ombros pesados. De angústia, medo e ansiedade. A rainha Amélia pousou as mãos ao redor de seu rosto e acariciou a bochecha com o polegar.

— Você é forte e corajosa. Você é minha filha. Você é o bem mais precioso no mundo e o príncipe de Angor verá isso assim que colocar os olhos sobre você a caminho do altar. — Amelia sorriu e ergueu o queixo de sua filha com a ponta dos dedos. — Pelo sangue que há em mim, pelo sacrifício dos antepassados.

— Pelo sangue que há em mim. — Faye murmura.

— Boa menina.

Amelia se afasta e indica com o queixo que estavam prontas. As portas se abrem ao mesmo tempo em que os sinos da torre maior soam, os badalos deixando o coração de Faye tropeçando em sua garganta. Atravessaram os corredores em silêncio, seus sapatos causando o mínimo ruído até mesmo nas escadas de mármore escuro. Os sussurros de seu vestido combinavam com os murmúrios dos empregados e dos convidados no jardim.

Faye viu seu pai se aproximar, a roupa oficial esticada em seu peito largo cheio de medalhas e o manto cinza chumbo pendendo em seus ombros. Ele ergueu a mão virada para baixo e Faye depositou a sua sobre a dele. Um pequeno buquê com lírios brancos foram colocados em sua mão e arqueou suavemente a cabeça ao ver um único lírio negro destoando do arranjo. A cerimonialista que lhe entregara o buquê tocou suavemente sobre a flor e sorriu.

— Com os cumprimentos do noivo.

Faye arqueou as sobrancelhas, sem saber se aquilo era um bom ou mal sinal. Entretanto, ela não teve muito tempo para pensar. As portas se abriram, os músicos iniciaram a música e o sol ofuscou sua visão por um breve momento. Seu casamento iniciara e ela não conseguia respirar.


Notas Finais


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