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História Pensão Lu - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Ooi!
Meu wifi está horrível nesses dias e aí demorei um pouco; mas agora estou aqui, passando rapidão, para trazer um novo capítulo!
Espero que gostem ><
Boa leitura!

Capítulo 4 - Contato


- Q-Quem??? – Luhan comentou sem entender nada.

 

- Li Cheng! Ela estava lá... Estava... Lá. – Os lábios pálidos tremiam e a voz falhava. – E-Ela estava lá... Perto das roseiras... S-Sangrando! – A última palavra pareceu sair em sussurro de segredo, como se fosse pecado falar aquilo.

 

- O-O que?! – Luhan indagava sentindo-se cada vez mais confuso.

 

- E-Ela... Estava lá. D-De novo, lá fora... E e-ela pediu socorro... D-Depois eu... Eu ouvi... Passos. – Fechou os olhos novamente e levou as mãos trêmulas até a cabeça. – O pedido de socorro não... Não sai da minha mente...

 

- S-Sehun... Você... Precisa se acalmar!

 

- C-Como??

 

- Não sei... Mas precisa tentar. – Dizia pegando a mão do coreano. – Feche os olhos e tente respirar, eu estou aqui com você. – Pediu e viu o coreano fazer as ações que tinha aconselhado. – Melhor? – Perguntou após alguns minutos e ao constatar que a mão de Sehun já não tremia mais. E o coreano apenas assentiu com a cabeça dizendo que estava mais calmo. – Não quer ir tomar um banho e depois comer alguma coisa? Você precisa descansar...

 

- N-Não, eu quero... Quero ir embora daqui. Não quero voltar para aquele quarto... E se... Se ela estiver lá?!

 

- Ela não entra naquele quarto... – Luhan falou firme, como se tivesse muito conhecimento.

 

- O... O que? – Sehun o encarou confuso.

 

- Olha, eu não vejo essas coisas, como já disse. Mas a minha avó... Ela vê e vive dizendo que vê uma mulher de branco por aqui, principalmente lá fora. – Suspirou. – Eu já te disse isso; ela acha que é a Deusa chinesa... Mas, considerando o que você falou... Acho que não é...

 

- E... Por que você diz que ela não entra naquele quarto?

 

- Lembra quando eu disse que Li Cheng e o marido construíram a pensão, mas nunca a inauguraram como pensão de fato? E que meus avós foram os primeiros a ficarem aqui sem ser da família de Li Cheng? – Sehun acenou com a cabeça em afirmativo. – Os meus avós aumentaram a parte posterior ao casarão, mas essa é original... O máximo que fizeram foram reformas. E o quarto que você e Chanyeol estão é exatamente o quarto que meus avós ficaram... – Suspirou. – Minha avó sempre vê a imagem da mulher de branco aqui, principalmente no quintal, mas nesse quarto, ela nunca entrou. A minha avó disse uma vez que a viu parada na porta em frente do quarto, mas que nunca entrou...

 

- Você... Acha então que ela não entra no quarto... Por ter sido o que sua avó ficou?

 

- Foi o que pensei, assim que falou que viu a Li Cheng... Eu também não sei o que dizer; até alguns minutos atrás eu nunca imaginei algo assim e só pensava que era coisa da cabeça da minha avó...

 

- E-Eu também não sou o que pensar... Ou o que dizer. Eu só sei o que eu vi. Eu vi Li Cheng perto das roseiras e não estou louco, Luhan...

 

- Eu acredito em você. – Sorriu de maneira tênue e depois levou a mão até o ombro do coreano. – Acho melhor ir tomar um banho e depois comer algo para descansar. Foram muitas emoções para um dia...

 

-É, acho que sim...

 

- Eu fico com você, digo, fico no quarto enquanto você toma um banho e qualquer coisa é só me chamar. – Falou com as bochechas um pouco rubras, sentindo-se um pouco envergonhado de Sehun interpretar mal sua fala.

 

Mas o coreano estava tão transtornado que nem deu a devida atenção àquelas palavras, muito menos levou para segundas intenções – o que faria se estivesse em seu estado normal.

 

× ×

 

Após trinta minutos de banho, Sehun saiu do banheiro trajando um moletom cinza largo e uma blusa de algodão branca e lisa com mangas longas; ao redor do pescoço a toalha verde clara se passava e o coreano a usava para secar os cabelos escuros e úmidos. Em seu aspecto físico, parecia estar mais calmo porque não tremia e a cor havia voltado a seus lábios e ao rosto.

 

Luhan sabia que não era o momento para qualquer cantada ou sedução, mas não conseguia parar de encarar Sehun e o achar incrivelmente atraente daquele jeito com os cabelos desgrenhados e orvalhados, com algumas gotas escorrendo por seu rosto e terminando em sua boca rosada. Era difícil não pensar nessas coisas, por isso, usou de muita força de vontade para se focar em saber do bem-estar do coreano.

 

- Sente-se mais calmo?

 

- Sim... Graças a você. Obrigado. – Falou baixo enquanto deixava a toalha na cadeira da mesinha que tinha no quarto e caminhava até a beirada da cama onde Luhan estava sentado. – E me desculpe...

 

- Hm? Desculpar o que?

 

- A situação toda... – Suspirou e sentiu as bochechas arderem um pouco. – Sinto que passei uma imagem de uma criancinha assustada e realmente não era o que eu queria essa noite. – Sorriu sem graça. – Tinha programado algo completamente diferente de sair correndo gritando de medo por causa de um... Fantasma. – Grunhiu em revolta.

 

- O que exatamente tinha planejado? – Perguntou divertido, cruzando os braços e arqueando as sobrancelhas.

 

- Hm, usar a minha calça jeans que é meu trunfo na conquista... Conversas divertidas de casais e quem sabe... Quebrar algumas regras sobre o contato que você tem com hóspedes. Na verdade, só com um hóspede em especial, que sou eu. – Olhou de canto para o chinês que o olhava de maneira divertida, mas ao mesmo parecia tênue, o que tranquilizava seu coração. – A única coisa que posso afirmar é que não queria passar uma imagem de um bebê chorão assustado... Queria que me visse de maneira mais viril... – Riu sem graça e viu o outro gargalhar. – É sério... – Retrucou, dando um soquinho no ombro alheio. – Mas obrigado, por não me julgar como louco e estar do meu lado... – Confessou com um pouco de timidez.

 

- Sabe... Isso se encaixa nos moldes de “sedutor e viril” pra mim...

 

- Hm? Ficar assustado?

 

- Não... Ser honesto. Se permitir demonstrar como é e o que realmente sente. – Encarou Sehun com um sorriso de canto. – E tudo fica mais sedutor ainda com cabelos molhados e um moletom folgado... – Piscou e viu Sehun gargalhar. – Você me faz querer quebrar a regra e ser mais inconsequente desde que te vi, Sehun. – Olhou firme para o coreano que correspondeu com o ato.

 

De repente um silêncio se instaurou entre os dois, mas não era algo constrangedor. Os olhares se conectaram e ambos foram traçando em comum um caminho invisível que levava um à boca do outro.

 

Com um toque sutil as bocas se conectaram e como se ainda não quisessem iniciar algo brusco, lentamente foram se movimentando na intenção conhecer mais um do outro com aquele beijo. A mão esquerda do chinês imediatamente foi até a nuca de Sehun, parecendo querer unir mais as bocas enquanto o beijo ia aumentando de intensidade.

 

O coreano correspondeu ao avanço na intensidade e levou com gentileza foi deitando o menor na cama, beijando-o sempre que a movimentação não atrapalhava o ósculo; se ajeitaram na cama e por cima de Luhan o coreano ondulava seu corpo enquanto o beijo continuava.

 

Alternavam o ritmo do beijo, deixando-o calmo e em outros momentos mais intenso, um mexendo com o emocional do outro; novamente com a mão na nuca alheia, Luhan dedilhava seus dedos pela pele da nuca que se permitia exposta em um carinho singelo enquanto as línguas continuavam a se acariciarem em um compasso único e intenso, que poderia durar muito mais – como eles queriam – se não fossem interrompidos.

 

- Aha! Então é por isso que estavam demorando!! – A voz rouca de Chanyeol dizia ao abrir a porta de supetão. – Que falta de respeito hein, a gente esperando vocês lá embaixo e aqui em cima vocês se agarrando... Tsc... – Cruzou os braços encarando Sehun; ao seu lado estava Baekhyun que ria divertido da cena, apesar de parecer um pouco constrangido de flagrar seu amigo e chefe na cama com outra pessoa.

 

- Como se vocês não tivessem esquecido da gente até agora porque estavam se agarrando lá embaixo... – Deu de ombros e ajeitou a roupa, tentando manter a postura e esconder a vergonha; de soslaio viu Luhan se levantar a bater a mão no corpo como se limpasse de uma poeira inexistente. O chinês mantinha as bochechas rubras de vergonha e evitava encarar Chanyeol e Baekhyun. – Vamos esquecer isso e descer para jantar? – Passou a mão no cabelo e ajeitou precariamente, tentando agir o mais natural possível.

 

- Acho melhor a gente jantar mesmo. – Luhan concordou e caminhou na frente, saindo do quarto e também tentando agir naturalmente, atrás de si Sehun bufou para Chanyeol que sussurrou um “foi mal” e depois os quatro desceram para o jantar.

 

- Fiz curry japonês, espero que gostem... Acho que ainda está quente. – Luhan comentou assim que chegaram na cozinha e colocou Gohan e curry em tigelas.

 

Sehun pegou suas tigelas e sussurrou para o chinês um “Me desculpe por aquilo”, o mais velho apenas maneou a cabeça e sorriu como se respondesse um “está tudo bem”; e em poucos minutos de conversas aleatórias a vergonha dos dois por terem sido flagrados se dissipou e os quatro rapazes se conheciam e pareciam cada vez mais próximos.

 

Em um pouco mais de uma hora e meia de jantar, Luhan e Baekhyun descobriram que os dois hóspedes eram vizinhos e amigos desde a infância de ambos, que eram recém-formados e trabalhavam como programadores em uma startup; amavam viajar e sonhavam em desbravar outros países um dia.

 

Já Sehun e Chanyeol descobriram que Luhan era prematuro e numa viagem de seus pais à China ele nasceu, sendo naturalizado chinês, mas vivendo desde pequeno na Coreia e sempre morando na pensão de sua família. Por crescer na pensão, Oido acabou sendo seu segundo lar, lugar onde passeava e estudava – e foi onde conheceu Baekhyun.

 

Byun Baekhyun estudou com Luhan durante todo o ensino médio e depois entrou na mesma faculdade onde o chinês estudava gastronomia, sendo calouro do mesmo. Por motivos pessoais – que o coreano não quis revelar – ele precisou trancar a faculdade por um tempo e retornou depois; nesse tempo Luhan já havia se formado e viajado para alguns países, estudando diversas culinárias típicas.

 

Havia um ano que Luhan havia voltado e convidado Baekhyun para juntos comandarem a cozinha da pensão Lu, lugar que o chinês sonhava em transformar em um restaurante – o primeiro de uma rede.

 

- Sua família aceita essa ideia de transformar a pensão em um restaurante? – Sehun indagou curioso enquanto terminava de comer sua segunda tigela de curry. – Porque eles possuem um carinho grande por essa pensão, pelo jeito... – Completou ainda com a boca cheia.

 

- Então... – Baekhyun começou e olhou para Luhan que sorriu sem jeito. – Os pais do Luhan apoiam, a avó... Bem, ela ainda não sabe...

 

- Digamos que eu estou esperando o melhor momento para contar esses planos para ela... – O chinês sorriu sem jeito.

 

- Esse melhor momento é quando? Quando ela partir? – Chanyeol perguntou apoiando o queixo em sua mão. – AI! – Retrucou ao receber um tapa na cabeça por parte de Sehun.

 

- Isso é coisa para se falar?! – Sehun bradou.

 

- Não falei por mal...

 

- Está tudo bem e de certa forma Chanyeol tem razão... – Suspirou. – Eu só enrolo para falar com ela, com medo da reação. Sabe, ela tem um carinho muito grande por essa pensão... Tenho medo dela achar que não dou valor para a tradição da família que esse lugar se tornou com os anos.

 

- Até porque a avó do Luhan está ligada demais a esta pensão por causa da amiga dela, Li Cheng... – Baekhyun comentou despretensioso e não entendeu o espanto no rosto de Sehun e a preocupação no olhar de Luhan que apareceu rapidamente. – O que foi?! – Perguntou arqueando uma sobrancelha.

 

- A-Ah, nada. – Sehun respondeu, forçando um sorriso.

 

- Tem algo sim. Eu posso não conhecer muito você, Sehun, mas sua expressão mudou rapidamente e outra, eu conheço o Luhan. – Olhou para o chinês. – E sei que esse olhar de preocupação não é por nada... – Encarou com mais intensidade o amigo, que desviou o olhar. – Ahá, quando tem algo que ele não quer contar faz exatamente assim! – Apontou o dedo indicativo no rosto do chinês.

 

- Para com isso, Baekhyun. – Falou afastando o dedo do amigo com a mão.

 

- Ele está preocupado comigo... – Sehun interrompeu, suspirando em seguida.

 

- É por aquilo? – Chanyeol perguntou também preocupado e Baekhyun cruzou os braços em frente ao corpo, indignado.

 

- Só eu não sei o que está acontecendo? – Protestou.

 

- Eu não sei como você vai reagir sobre isso, não é a melhor conversa para se ter quando alguém está se conhecendo...  – Sehun suspirou. – Mas não é justo excluir você da conversa...

 

- Não é mesmo, então desembuchem.

 

- Eles estão preocupados comigo porque eu estou vendo... Estou vendo a... Li Cheng, aqui na pensão...

 

- O... Que?! – Baekhyun enrugou a testa e olhou com descrença para cada um dos três que estavam naquele jantar. – Mas isso é impossível, não tem ninguém aqui além da gente e da família do Luhan, e outra... Ela não vive aqui tem anos... Ninguém tem notícias dela, nem mesmo a Sra. Lu que seria a primeira que adoraria vê-la, então, por que logo você quem a vê?? Isso não tem sentido!

 

- Baekhyun... Ele não a vê de um jeito que todo mundo pode ver. – Luhan começou, encarando Sehun que apenas acenou com a cabeça, dando permissão para que o mesmo continuasse. – Ele... Vê o espírito dela...

 

- O... Que?! – Crispou os lábios e seus olhos incrédulos encaravam os semelhantes de Luhan. – Isso... Não existe! Olha, eu sei que você acredita nessas coisas, Luhan... Sempre gostou desses assuntos por causa da sua avó, mas... Isso é um absurdo!

 

- Eu queria que fosse... – Sehun comentou sussurrando. – Entendo que não queira acreditar, é difícil acreditar nisso tudo, eu sei... Mas é verdade. Eu neguei que conseguia ver espíritos por muito tempo e sei que fingir que não existe não vai fazer desaparecer, pelo contrário. Porque eu fiquei um tempo sem ver, mas tudo voltou agora.

 

- Como assim? – Chanyeol virou-se confuso para o amigo. – Você nunca me contou sobre algo assim antes!

 

- Não diretamente, mas lembra quando éramos crianças? Os amigos que você tinha ciúmes porque somente eu via?

 

- S-Sim... Até que um dia eu deixei de brincar com você e fui pra casa chorando... Minha mãe me disse que eram amigos imaginários e que era somente eu criar os meus também. – Chanyeol falou pensativo e completou. – Já... Era isso?

 

 - Sim... – Suspirou e virou o olhar para Baekhyun e Luhan. – Eu devia ter uns 6 anos e sempre via gente que os outros não viam, uma vez eu tinha ido viajar para casa dos meus tios com os meus pais e gritei na estrada que estava vendo uma menina sangrando; mas acontece que não tinha ninguém lá. Quer dizer, não tinha ninguém lá para os meus pais verem, só eu via. Meus pais acharam que eu tinha adormecido e sonhado, só que alguns metros mais pra frente da onde eu tinha visto a menina tinha realmente acontecido um acidente de carro e eu disse que tinha visto a menina de novo ali, e que ela acenava. – Respirou fundo. – Meus pais se preocuparam e conversaram com uma tia minha, irmã do meu pai, que é espírita e que conversou comigo; ela sutilmente me perguntou se eu via pessoas que ninguém mais via, e quando eu disse que sim, ela me respondeu que isso era um dom.

 

“Então ela me disse que essas pessoas precisavam de ajuda, por isso tentavam conversar comigo e que somente eu poderia ajudar porque era o único que podia vê-los; eu não entendia nada o que ela falava... Só entendi quando ela disse que eram pessoas que tinham morrido; eu comecei a gritar falando que não queria ver fantasmas e fiquei com muito medo. Meus pais brigaram com a minha tia e depois disso eu comecei a rezei para que não visse mais fantasmas. Não sei quanto tempo levou, mas de repente eu simplesmente não vi mais, cresci e esqueci disso... Até chegar aqui.” – Respirou fundo mais uma vez.

 

- Sehun acordou estranho dizendo ter visto uma mulher na chuva essa madrugada, de início pensamos que era uma hóspede que talvez chegou depois que a gente, fugindo da chuva, sei lá... – Deu de ombros. – Mas Baekhyun nos disse que não tinha ninguém aqui, foi quando começamos a ficar um pouco... Assustados. Mas ainda assim nada muito sério, até Sehun ver a foto da Li Cheng na recepção e ficar com ela na cabeça, depois, quando estávamos em Oido, ele me disse que Li Cheng era a pessoa que ele tinha visto, o que não fazia sentido porque aquela foto era antiga...

 

- Então disse para Chanyeol que ela devia estar velha, ou então... Estaria morta. E aí eu estaria vendo um fantasma... – Sehun completou. – Mas o pior foi agora de noite. Eu estava no quarto sozinho me arrumando para descer para o jantar, quando... Eu a vi de novo.

 

- De... De novo?! – Chanyeol encarou o amigo com um medo estampado nos olhos.

 

- Sim... Ela pedia socorro, olhava diretamente para mim e... Sangrava. – Soltou um sopro prolongado pelas narinas. – Eu realmente não posso negar o que estou vendo, sei que parece mentira, Baekhyun, mas não é.

 

- E o Baekhyun sabe que tem sentido isso, no fundo ele sabe, não é? – Luhan indagou encarando o amigo que nada disse. – Vamos lá, Baekhyun! Sabe que coisas estranhas acontecem aqui... Luzes acendem e apagam; coisas somem, barulhos estranhos... Fora as rosas. Elas sempre morrem! E é exatamente onde o Sehun a vê! E hoje aconteceu algo assim também, lembra do café da manhã que o bule antigo sumiu e a gente ficou doido correndo atrás?

 

- Verdade, sempre some algo... E com medo da vó Lu achar de novo que eu quebrei, saí correndo da cozinha e encontrei com vocês dois perto da cozinha para tomar café... – Apontou para Sehun e Chanyeol.

 

- Ah, por isso você estava estranho daquele jeito naquela hora... – Sehun comentou mais para si do que para os outros presentes, por isso ninguém o respondeu.

 

- Sempre some algo aqui... – Luhan falou continuando seu pensamento. – E tem mais, lembra o que sempre acontece com os gatos?!

 

- Gatos? – Chanyeol indagou confuso.

 

- Todo gato de rua que eu adoto se dá bem comigo no caminho, mas quando passam do portão da pensão pra dentro, eles ficam ariscos, o pelo fica espetados e as garras aparecem... Dias depois eles fogem daqui. Dizem que gatos são sensitivos... – Deu de ombros e voltou-se para Baekhyun. – Fora que minha avó sempre diz ver uma mulher de vestido branco por aqui...

 

- Sempre achei que era alucinação da vó Lu! – Baekhyun comentou e depois fez uma careta de reprovação. – Não acredito que tem um fantasma aqui! Preferia nunca saber e nunca acreditar... – Suspirou fundo.

 

- Viu?! Não sou o único medroso aqui! – Chanyeol comentou com Baekhyun que rolou os olhos e segurou um riso que não sabia ser de deboche ou de nervoso.

 

- Mas não tem sentido tudo isso... – Baekhyun continuou, ignorando Chanyeol. – Por que você que nem a conheceu a vê nitidamente e a avó de Chanyeol não?

 

- Vai ver o Sehun tem uma mediunidade maior que a minha avó. – Luhan deu de ombros. – De qualquer forma, ele a vê aqui na pensão, e pelo jeito ela está pedindo socorro para alguém tem muito tempo, se o Sehun é quem pode ouvi-la, então... É o único que pode ajudá-la.

 

- Mas como eu vou ajudá-la?! – Sehun indagou com certo nervosismo.

 

- Não tenho ideia... Mas sua tia não disse no passado que eles pedem ajuda e só você pode ajudá-los? E ela não pede ajuda? – Luhan indagou e viu o coreano acenar, consentindo. – Então, talvez ela não queira assombrar... Talvez ela esteja esse tempo todo querendo ajuda.

 

- E-Então, o Sehun vai ter que... Vai ter que entrar em contato com ela? – Chanyeol disse com uma careta que demonstrava todo o seu medo o que fez Baekhyun soltar um risinho baixo. – Mesmo com tudo isso você ainda ri de mim?!

 

- Desculpe... – O mais baixo falou abafando o riso. – É que mesmo com tudo isso, eu ainda acho fofo como você reage, parece que vai entrar no carro a qualquer momento e voltar para Seoul.

 

- Vontade não me falta, mas... – Encarou Sehun, que ficava pensativo fitando a tigela de comida vazia. – Pelo que conheço do Sehun... Por mais medo que ele possa sentir, ele quer ajudar, conheço o coração bom do Sehun. Ele pode ser bem rabugento, implicante, reclamão, tarado, babaca e preguiçoso, mas não é alguém que nega ajuda a ninguém, mesmo se for... Um espírito. – Comentou e soltou um riso soprado, encarando o amigo que sorriu sem graça.

 

- Eu não vou dar pra você... – Sehun respondeu tentando disfarçar seu jeito tímido.

 

- Viu, babaca... – Chanyeol falou revirando os olhos.

 

- Mas... Falando sério, se sou o único que pode ajudá-la... – Fechou os olhos e lembrou da visão dela sangrando e sussurrando socorro. – E ela está, nitidamente, pedindo socorro... Não posso simplesmente correr disso. Por mais que me assuste... – Comentou e sentiu um olhar pesar em si, levantou a cabeça e viu Luhan o encarar.

 

Os olhos do chinês brilhavam com certo encantamento, e um sorriso tímido moldava os lábios rosados; algo que Sehun não soube muito bem explicar, mas parecia que o mais velho estava o admirando naquele momento e pensar nisso fez Sehun se sentir muito feliz por dentro.

 

- Viu? Bom coração. – Chanyeol cortou o momento, e depois completou. – Certo, certo... Vamos dormir e descansar para então pensar em um plano e ajudar essa moça... – Chanyeol falava se levantando e batendo palmas, como se quisesse inflar ânimo nas pessoas.

 

- Da onde saiu essa coragem toda? – Baekhyun implicou, arqueando uma sobrancelha e o maior apenas fungou.

 

- E quer parar de bater palmas, daqui a pouco alguém aparece aqui. – Sehun falou preocupado.

 

- Meus pais estão em Oido... Foram mais cedo e por causa da chuva ficaram na casa de um amigo da família. Jongdae dormiu cedo, disse que estava com dor de cabeça. – Luhan respondeu e sorriu sem jeito. – Minha avó só escutaria se Chanyeol gritasse ao lado dela.

 

- Eu não vi seus pais desde que chegamos... – Sehun comentou levando um dedo até o queixo.

 

- Eles são mais ativos quando temos muitos hóspedes e como disse, eles saíram antes de vocês levantarem hoje e ficaram o dia em Oido, você não os viu por lá, Baek?

 

- Não. Acho que resolveram tudo cedo e foram para a casa dos Kim... – Baekhyun falou e em seguida se levantou e recolheu as coisas. – Olha, não sei nem o que dizer sobre isso o que falaram... Confesso que é difícil acreditar porque, bem, nunca tinha vivido isso... Mas também confesso que tem sentido principalmente depois que Luhan comentou das coisas estranhas da pensão... Porém, como disse o grandão, acho melhor a gente pensar amanhã em tudo, hoje foi um dia longo.

 

- Foi sim... – Sehun concordou, suspirando.

 

- Então, como essa mulher está atrás do Sehun... – Chanyeol falava enquanto caminhava para o lado de Baekhyun que já estava na pia lavando a louça do jantar. – E o Luhan parece que conseguiu acalmar bem o Sehun quando ela apareceu, já que o flagra dos dois juntos veio depois que Sehun a viu de novo... – Riu jocoso e viu Baekhyun prender um riso.

 

- Cala a boca, Chanyeol! – Sehun bradou irritado.

 

- Enfim... Ponderando isso tudo, eu acho melhor eu dormir com Baekhyun e Luhan e Sehun dormirem juntos.

 

- O que? – Sehun e Luhan comentaram em uníssono e Baekhyun apenas desligou a torneira e se virou para o maior.

 

- Está se auto convidando para dormir comigo? – Arqueou uma sobrancelha.

 

- O jantar já conta como segundo encontro, não? – Chanyeol falou sorrindo e se curvando até Baekhyun, roubando um selar rápido.

 

- Eu não acredito que depois de tudo que contei... Você está pensando em transar com seu affair... – Sehun falou rolando os olhos.

 

- Preciso acalmar a mente um pouco... – Deu de ombros.

 

- Pensando por esse lado, eu também. Foi muita informação para uma noite... – Baekhyun comentou jocoso, divertindo-se com a expressão de indignação de Sehun e Luhan. – Bem, amanhã a gente conversa mais sobre isso tudo... – Falou pegando na mão de Chanyeol e saindo rapidamente da grande cozinha da pensão ao ir caminhando para seu próprio quarto.

 

- Conto para eles que ela só não entra no quarto que eu e Chanyeol estamos? – Comentou divertido e viu Luhan formar uma falsa expressão de quem ia pensar.

 

- Não, deixa assim... – O chinês comentou rindo e dando de ombros.

 

× ×

 

No final das contas, nem Sehun com Luhan ou Baekhyun com Chanyeol conseguiram pensar em outra coisa que não fosse a conversa sobre o espírito de Li Cheng estar rondando a pensão; o casal de dois coreanos até tentou se entregar aos amassos e relembrar o momento de horas atrás no carro, mas a cada barulho no corredor ou do lado de fora da casa ambos se assustavam e simplesmente não conseguiam entrar no clima.

 

Por isso, com passos rápidos caminharam por toda a pensão até chegarem no quarto onde Sehun e Luhan estavam – estes, para a infelicidade de Sehun, estavam longe de uma noite tórrida aonde os hormônios falavam mais alto: o chinês empolgado com o tema sobrenatural ficava fazendo perguntas para Sehun enquanto este queria se enroscar no corpo alheio e esquecer completamente aquele tipo de assunto mediúnico.

 

Como não estava fazendo exatamente o que queria, Sehun nem achou tão ruim quando Chanyeol e Baekhyun bateram na porta e sugeriram que os quatro deviam passar juntos aquela noite.

 

- Então... – Baekhyun quebrou o silêncio que perdurava por uns 20 minutos, já que ninguém mais sabia o que dizer. O relógio marcava duas horas da madrugada e eles estavam cansados, mas não conseguiam dormir; queriam conversar, mas não conseguiam pensar em conversas que não fosse algo sobrenatural. – Vamos jogar “Eu nunca, eu já?”. – Indicou enquanto se sentava na posição de índio e ficava ao lado de Chanyeol que estava com os joelhos dobrados e os pés apoiados no colchão da cama.

 

- Acho uma boa ideia! – Chanyeol comentou e depois viu Luhan e Sehun acenarem em aprovação. – Eu começo. Eu já... Fiquei com mulheres.

 

- Eu já. – Luhan comentou e em seguida olhou para Sehun em expectativa da resposta, já que já tinha conhecimento da resposta de Baekhyun.

 

- Eu nunca. – Sehun respondeu junto de Baekhyun que também respondeu do mesmo jeito.

 

- Sério?? – O chinês indagou o coreano que apenas deu de ombros.

 

- Acho que Sehun é como eu; quando nasceu não saiu de dentro da mãe, mas já saiu do armário logo. – Baekhyun brincou fazendo os demais gargalharem.

 

- Babaca. – Luhan comentou negando com a cabeça.

 

- Mas ele não está de todo errado não. – Sehun comentou rindo. – Até os meus 16 anos eu não tinha interesse em ninguém, só gostava de estudar e participar do grupo de robótica do colégio, mas confesso que nessa época eu olhava mais os garotos que as garotas só que nunca me interessei propriamente...

 

- E eu ficava tanto com meninas quanto meninos na época, até começar um namorico e Sehun ficar com ciúmes. – Chanyeol completou rindo. – E foi a partir desse ciúme que a gente confundiu tudo e eu acabei sendo o primeiro beijo do Sehun... – Fingia orgulho e depois riu divertido.

 

- O que? – Luhan e Baekhyun perguntaram em uníssono. – Vocês ficaram?

 

- Na verdade, namoramos... Por quatro meses. – Sehun respondeu. – Mas no final a gente acabou terminando porque não estava dando certo...

 

- É, nós percebemos que funcionávamos perfeitamente como amigos e não como namorados, terminamos aquilo e voltamos a sermos amigos, hoje considero Sehun meu irmão mais novo.

 

- E Chanyeol é o irmão mais velho que nunca tive e sempre quis ter...  Aquilo no passado foi uma baita e divertida confusão. – Riu e deu de ombros.

 

- Irmãos? Que incesto... – Baekhyun comentou implicante e riu. – Vocês chegaram a...? – Deixou no ar e viu Sehun gargalhar.

 

- Não. Inclusive isso ajudou muito para o término, porque toda vez que a gente tentava era uma confusão. Nunca conseguíamos entrar no clima e sempre acabávamos rindo... E desistindo. Foi quando a gente descobriu que o amor sentido não era esse tipo de amor, não era pra isso... – Sehun respondeu e depois se jogou na cama. – Posso ser o próximo? – Perguntou e viu os demais concordarem. – Eu nunca sofri por amor.

 

- Eu nunca. – Os três responderam em conjunto.

 

- Somos todos insensíveis? – Baekhyun comentou rindo.

 

- Eu não acho que sou insensível, só nunca... Me apaixonei fortemente até agora. – Sehun respondeu despreocupado. – Depois do Chanyeol eu só namorei na faculdade, durou uns dois anos... E quando acabou, bem, acabou porque a pessoa com quem eu estava era na verdade apaixonada por outra, então eu já imaginava e esperava aquele dia. – Deu de ombros.

 

- Mesmo assim, não sofreu? – Luhan indagou.

 

- Kim Jongin era o Deus do curso, todo mundo era apaixonado por ele; eu simplesmente... Gostava dele. Ele era atraente, bom de cama e uma boa companhia... Mas eu sempre soube que ele apaixonado pelo hyung dele, Do Kyungsoo; que ia para o exército e por isso não deu esperanças para o Jongin. Jongin então decidiu esquecê-lo, e como estávamos próximos, tentamos... Durou uns dois anos e quando Kyungsoo cumpriu o tempo obrigatório, voltou e reapareceu para Jongin que descobriu que ainda o amava, então nós...Terminamos. – Deu de ombro. – Simples assim.

 

- Credo... – Baekhyun murmurou e depois cruzou os braços. – Eu ia xingá-lo todinho. – Deu de ombros. – Por essas coisas eu até criei uma regra de não me apaixonar, para não sofrer...

 

- Eu também tenho essa regra de não me apaixonar. – Chanyeol respondeu, sem encarar Baekhyun. – Eu coloquei a regra de transar somente depois do segundo encontro porque na minha cabeça ter um segundo encontro já seria atípico. Eu só queria sair, dar uns beijos e amassos e pronto, sem sentimentos... Não queria compromisso nenhum. E foi sempre assim... – Sentiu vontade de completar com um “até agora”, mas achou que era precoce demais em sentir aquelas coisas quanto mais em dizer, afinal, estava com Baekhyun por um dia e apesar de sentir que queria passar muito tempo com ele, tinha medo de estar sendo tudo muito rápido demais.

 

- Entendi... – Baekhyun comentou, tentando evitar de demonstrar que aquilo o afetou um pouco.

 

- Para mim vocês dois... – Sehun falava apontando de Baekhyun a Chanyeol. – Fazem isso com um clássico medo de se apaixonarem e sofrerem.

 

- Eu também acho. – Luhan concordou cruzando os braços em frente ao corpo e acenando com a cabeça. – Sempre falei isso para ele... – Completou e viu o casal de coreanos bufarem, mas nada responderem.

 

- E você, Luhan? – Sehun comentou sem conseguir esconder a nítida curiosidade sobre o chinês.

 

- Bem, eu já me apaixonei... Quando estava no exterior, nos envolvemos, mas não deu certo. Só que também não sofri quando acabou, acho que não é muito do meu feitio sofrer por amor... Se deu certo, deu. Se não deu, vida que segue... Eu acho. – Deu de ombros. – Na verdade até hoje só sofri pela gastronomia...

 

- Ah, isso é! Quando estava no exterior e o professor do curso começou a implicar com ele falando que ele fazia as coisas errado, Luhan me ligava xingando horrores e falando que ia desistir.

 

- Acho que foi a única vez que eu realmente chorei, achava que eu não ia conseguir... Até que um dia eu decidi parar de lamentar, fiquei a noite toda treinando e fiz aquele professor engolir as críticas junto com o prato perfeito que eu fiz... – Fez joinha e piscou para Sehun, que gargalhou.

 

- Dedicado e determinado... Gostei. – Sehun piscou e se curvou pra frente, roubando um selar do chinês que ficou um pouco surpreso, mas não evitou.

 

- Enfim... – Baekhyun comentou, cortando o momento dos dois. – Eu já bebi tanto de apagar e só acordar no dia seguinte...

 

- Eu nunca. – Chanyeol respondeu.

 

- Eu já... – Sehun comentou com uma careta. – Nunca mais faço isso, acordei com uma dor de cabeça do cacete no dia seguinte...

 

- Eu já. – Luhan respondeu, rindo do jeito infantil de Sehun.

 

- Você não é de beber? – Baekhyun perguntou virando-se para Chanyeol.

 

- Eu sou, mas moderadamente... – Deu de ombros. – Próximo é o Luhan.

 

- Eu nunca fui passivo. – Falou e viu os outros lhe encararem como se julgassem. – Que?

 

- Você não sabe o que está perdendo... – Sehun comentou com um risinho sacana e Chanyeol gargalhou.

 

- Não é porque eu nunca quis ser, eu já quis. Na verdade, tenho muita vontade e curiosidade, mas as pessoas com quem me envolvi só queriam ser passivas... – Deu de ombros. – Bem, pelo que falou, já foi? – Encarou Sehun curioso e esse assentiu sorrindo. – E vocês? Quer dizer o Baekhyun eu sei a resposta... – Riu jocoso e viu o amigo rolar os olhos.

 

- Eu já. – Chanyeol respondeu e encarou Baekhyun, nitidamente querendo saber a resposta dele.

 

- Eu já.

 

- Bem, sou o único... – Luhan suspirou.

 

- Eu posso mudar isso se quiser... – Sehun riu de maneira safada para Luhan que pigarreou nervoso. – Adoro sexo flex.

 

- Hm, é bom saber disso... – Piscou, ainda que tivesse ficado um pouco sem jeito. – Bem, eu nunca turistei muito... Quando viajei para fora do país foi para visitar parentes na China ou estudar gastronomia... E na Coreia só conheço Oido e Seoul...

 

- Você já foi! – Baekhyun bradou e o outro deu de ombros, fazendo os demais rirem.

 

- Eu já. – Sehun e Chanyeol responderam com aquele tom de obviedade, já que todo mundo sabia que eles eram mochileiros. – E ainda quero ir para o exterior... – Sehun completou.

 

- Eu nunca... – Baekhyun começou e deu um sorrisinho de canto, meio pervertido. – Nunca gozei só com um beijo. – Falou e ouviu os demais rirem.

 

- Eu nunca. – Todos responderam juntos.

 

- Eu nunca... Mas posso confirmar que já foi quase... – Baekhyun voltou ao assunto, encarando Chanyeol de canto de olho e sentindo as maçãs do rosto corarem um pouco.

 

- Uhhh, que declaração! Chanyeol garanhão! – Sehun implicou rindo e viu o amigo sorrir em uma mistura de alegria e ao mesmo tempo de timidez. – Eu também quero isso, vem cá Luhan... – Dizia abrindo os braços e indo para o lado do chinês, que esticou o braço e colocou a mão espalmada no rosto de Sehun.

 

- Sossega, homem. – Luhan falou brecando Sehun e fazendo os demais gargalharam.

 

Gargalhada essa que durou pouco, porque logo em seguida um trovão cortou os céus, fazendo os quatro se assustarem; mas apenas um – Sehun – ouviu algo ainda mais assustador.

 

“So...Socorro...” – A voz baixa e cheia de angustia voltava a suplicar por ajuda.

 

- É-É ela... Ela está... Pedindo socorro de novo... – Sehun comentou e viu Chanyeol e Baekhyun retesarem o corpo em susto.

 

- Já estava esquecendo disso... – Baekhyun falou suspirando. – Bem, se ela apareceu e está pedindo socorro, não é melhor ir logo?

 

- O... Que? Como vou fazer isso... Descer e encarar ela cara a cara? – Sehun perguntou assustado.

 

- Bem, não tenho outra ideia... Alguém tem?! Vamos acabar com isso logo e esquecer que essa pensão é assombrada, por favor... – Baekhyun dizia suspirando e se levantando. – Vocês não vêm?

 

- Eu também? – Chanyeol comentou apontando para si mesmo. – Mas quem ela quer é o Sehun!

 

- Ah, obrigado pelo companheirismo, cara... Muito obrigado por me oferecer para a assombração assim... – Sehun reclamava enquanto levantava e caminhava para perto da porta.

 

- Eu também vou. – Luhan dizia repetindo o gesto de Sehun. – Vai ficar sozinho aí, Chanyeol? – Falou divertido e viu o maior bufar e segui-los.

 

A chuva lá fora estava mais branda do que em outros momentos naquela noite, mas o vento estava forte e os trovões nas nuvens carregadas ainda eram assustadores, ambos sendo ouvidos nitidamente de dentro da pensão parecendo uma cena de filme de terror enquanto os quatro jovens desciam as escadas e caminhavam até a entrada principal.

 

Um relâmpago cortou o céu, clareando tudo e fazendo Chanyeol se sobressaltar no lugar que estava, murmurando algo como ‘não quero ir’, mas o mesmo foi ignorado por todos, inclusive por Baekhyun que foi o empurrando para fora assim que Luhan abriu o portão.

 

- O-Onde ela está? – Baekhyun perguntou dando uma olhada de 180 graus pela frente do quintal que era parcialmente iluminado pelas luminárias da entrada principal.

 

- Nas roseiras. – Sehun e Luhan comentaram juntos seguindo a intuição de cada um.

 

- Você está vendo-a também? – Chanyeol indagou baixo.

 

- Não, mas as roseiras sempre morrem, às vezes crescem e já aparecem podres, como se crescessem mortas... E é justamente onde Li Cheng plantou. Além disso, Sehun até agora só a viu ali... Então deduzi.

 

Ninguém mais perguntou nada e apenas se colocaram a caminhar porque para irem até as roseiras precisavam sair da sacada da entrada principal e virarem para a direita, rumo à lateral da pensão. Ficaram embaixo do toldo da pensão para se protegerem da chuva fraca, os três mais para trás enquanto que Sehun ficava mais à frente, encarando na direção da roseira.

 

E novamente, mas um relâmpago junto com um trovão cortou o céu e iluminou tudo ao redor deles.

 

- Já... Estão grandes e murchas. – Luhan comentou encarando as rosas que foram iluminadas pelo relâmpago e trovão. – Eu limpei tudo hoje e plantei de novo... Mas elas já estão grandes e podres...

 

Mais um relâmpago e outro trovão estrondoso e dessa vez os três viram uma silhueta embaçada na frente das rosas murchas enquanto que Sehun via com nitidez o que estava parado ali.

 

-O O QUE FOI AQUILO? – Chanyeol falou deixando o medo bem aparente e ao seu lado Baekhyun abraçava o corpo que teimava em tremer.

 

- É ela... – Sehun falou e ainda olhando de maneira fixa para frente viu a figura feminina caminhar de jeito lento e estranho para frente.

 

Seu corpo parecia estar torto e ela não conseguia ficar em pé, pois seu tronco era curvado pra frente com os braços pendurados ao lado do corpo; o vestido que nas primeiras vezes parecia de um branco bem limpo, agora estava sujo de terra e sangue além de estar todo rasgado e os cabelos antes alinhados agora estavam desgrenhados e também um pouco no rosto dela.

 

- A-Alguém está... Sentindo esse vento gélido se aproximando...? – Baekhyun falava passando as mãos nos braços desnudos visto que usava apenas uma camisa de manga curta. Ele não era muito friento, mas naquele momento estava sentindo cada osso seu tremer.

 

- E-Eu estou... E não estou gostando! – Chanyeol murmurou e agora também abraçava seu corpo por conta do frio.

 

- Ela está se aproximando... – Sehun comentou, dando dois passos curtos para frente. Não sabia exatamente o que fazer, mas sentia que tinha que insistir. – O que foi? Por que pede socorro? – Perguntava encarando a aparição que continuava caminhando a passos lentos.

 

De repente a mulher parou e levantou a cabeça; os olhos iam crescendo e ficando esbugalhados e a boca se repartiu como se a mesma fosse falar; mas tudo o que aconteceu foi a mesma ir abrindo a boca cada vez mais, como se o maxilar fosse se desprender do corpo, indo cada vez mais para o chão e desse buraco um grito agudo e alto se soltou.

 

- A-Ah! – Sehun levou a mão até os ouvidos e fechou os olhos. De repente o vento ficou mais forte e os morcegos começaram a voar todos ouriçados soltando barulhinhos agudos irritantes ao redor deles.

 

No susto, Sehun começou a correr para a frente da pensão e os demais o seguiram e acabaram correndo junto com ele, alguns – Baekhyun e Chanyeol – devido ao medo tinhas as passadas mais longas que a de Sehun e passaram na frente do mesmo para entrarem primeiro.

 

O último a entrar foi Luhan e ele rapidamente fechou a porta da entrada principal e mesmo que Luhan se sentisse mais corajoso que os outros nesse quesito sobrenatural, já que cresceu ouvindo isso de sua avó e achando até interessante esse tema; o medo era inevitável naquele momento e seu coração estava batendo tão forte que parecia que a qualquer momento ele estouraria o tórax e escaparia de seu corpo; o ar em alguns momentos parecia falhar e as pernas tremiam.

 

- Meu... Meu Deus! – Chanyeol disse deixando seu corpo cair pesado na poltrona da recepção. – Isso foi assustador... – Levou a mão trêmula até o peito, tentando controlar a respiração para estabilizá-la. Mas sem ter paz, logo Chanyeol viu as luzes piscarem incontáveis vezes e algumas coisas que estavam penduradas nas paredes caíam no chão, por vezes se quebrando. – Ah não... Ela está aqui?! – Levantou num súbito e se arrepiou todo ao ouvir um grito abafado de Baekhyun que estava olhando estupefato na direção do caminho que levava à área de refeição e consequentemente à cozinha.

 

- A-A-Aquilo são facas?!?! – Luhan murmurou ao ver duas facas parecendo flutuar no ar, saindo da direção da cozinha e indo até o balcão da recepção, aonde os rapazes estavam.

 

- AH, MEU DEUS! Ela... Ela pede ajuda e vai nos matar, é isso mesmo?!?! – Baekhyun esbravejava, saindo de onde estava e pulando atrás da poltrona, como se aquilo fosse protegê-lo.

 

- Se acalmem... – Sehun pediu se virando para os amigos, depois retornou a atenção na figura da mulher, sendo o único que via a mesma segurando as facas e parando na frente do balcão, bem em frente das paredes com fotografias antigas. – Ela está encarando as fotos... – Apontou com o dedo para a parede, mas seu olhar continuava fixo na aparição.

 

“So...Socorro...” – Um pequeno espaço se abriu entre os lábios secos e pálidos, fazendo o som sair e logo em seguida ela levantou os braços e jogou as facas, indo ambas na direção dos quadros com fotos, ambas tendo a ponta fincada no meio da testa de uma pessoa que estava nas duas fotografias.

 

- É o marido da amiga da vovó... O marido dela! – Luhan comentou estupefato.

 

- Ela o quer?! – Baekhyun comentou e depois virou-se para Sehun. – Fala que ele não está aqui e que ninguém sabe onde ele está, nem sabemos se ele está vivo! – Dizia desesperado, deixando o pavor tomar conta, principalmente quando as luzes voltaram a piscar.

 

Num súbito de coragem, Sehun se aproximou da mulher, ficando de frente para ela; encarando-a sem hesitar pela primeira vez. Pôde ver que os braços pálidos e sem vida começavam a ter cortes profundos e estes sangravam, o líquido vermelho escorrendo pelos membros; ao redor do pescoço uma marca de linha roxa aparecia e o rosto dela começava a ficar vermelho enquanto que seus olhos se abriam, ficando novamente esbugalhados ao passo que a boca se partia como se quisesse ar.

 

- O-O que? R-Respirar...? – Sehun falava confuso e por um momento pensou em desistir e correr, porque era angustiante e assustador demais ver a dor naquele rosto que se contorcia ao parecer relembrar o momento que perdia a vida, anos atrás.

 

Mas antes que pudesse de fato dar uma ação a seus pensamentos Sehun foi obrigado a ficar parado ali; sentiu uma queimação na pele semelhante quando se queimava com gelo e baixou os olhos vendo as duas mãos da mulher segurarem seus braços.

 

“So... Socorro...” – Sussurrou de novo, parecendo ficar cada vez mais sem ar.

 

De repente os orbes negros e sem vida da aparição pareciam telas e neles Sehun podia ver a imagem de uma Li Cheng ainda viva, correndo desesperadamente pelo quintal da pensão e cair no meio das roseiras. Gritava socorro e suplicava para alguém parar, quando de repente Sehun viu a imagem de um homem que se aproximou da mulher e lhe deu um tapa no rosto, em seguida com uma faca começou a desferir golpes nos braços desnudos; o sangue escorrendo pelos mesmos enquanto ela gritava de dor e pedia para parar.

 

- P-Pare! Pare! – Sehun repetia com lágrimas teimosas saindo de seus olhos e escorrendo por seu rosto. Não sabia dizer o que sentia, só que era angustiante ver tanta dor e sofrimento. – PAARE! – Gritou e junto com ele a mulher gritava, tão alto e angustiante que até Luhan, Baekhyun e Chanyeol ouviram, tendo os três tampado os ouvidos em desespero na tentativa de parar de ouvir aquele barulho horrendo.

 

Já Sehun, não conseguiu ver e ouvir mais nada, porque depois do grito angustiante do espírito o jovem só viu o breu, caindo em seguida no chão da sala de recepção.


Notas Finais


A fic tá acabando, faltam somente mais dois capítulos! Qual a história da Li Cheng? :x


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