História PENUMBRA - O Beijo Das Sombras - Capítulo 4


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Lendas Urbanas, The Originals
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Personagens Originais
Tags Anjos, Bruxas, Caçadores, Jeon Jungkook, Lobisomens, Min Yoongi, Sobrenatural, Suga, Vampiros
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Palavras 7.617
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Literatura Feminina, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa Leitura ✞

Capítulo 4 - Ameaça


Fanfic / Fanfiction PENUMBRA - O Beijo Das Sombras - Capítulo 4 - Ameaça

Debbie Akantha Hunter P.O.V

Demorei a conseguir pregar os olhos, mas quando consegui, os pesadelos me atormentaram. Lembranças do meu passado naquela casa me perturbaram por todo o resto da noite, até o amanhecer. Nós não precisamos dormir, só dormimos quando queremos recuperar nossas energias, mas podemos passar dias sem fazê-lo.

Assim que o Sol nasceu, levantei da cama e abri as portas da varanda, deixando o vento entrar. Senti os raios de Sol em minha pele fria e suspirei. Ainda não sei o motivo de meu pai ter me feito voltar, mas espero que seja algo realmente importante.

Observo a floresta calma e convidativa. Vejo em meu celular que ainda são 05:15 da manhã. Ninguém acordará agora e não sentirão minha falta se eu sair. Então, sem mais demora, tomo um banho, me arrumo e saio.

 

 

✞✞✞

 

Floresta – 05:00 horas

O clima fecha rapidamente. As nuvens cinza escuro cobrem o céu azul claro e o sol amarelo, que nasceu belo esta manhã, desaparece. Meu sorriso surge ao sentir o vento gelado e agradável. Ele se torna mais forte a cada minuto que passa, antecipando que uma tempestade está por vir, assim como gosto.

Escuto o barulho do trovão e corro livremente pela floresta, sentindo o vento se chocar contra o meu rosto. Brinco de pular e girar entre as árvores e me divirto com minha corrida solitária. Lembro-me de brincar aqui sempre que minha mãe reclamava comigo. Isso sempre me deixou melhor.

O som do trovão faz a terra estremecer e um raio corta o céu. Paro de correr e direciono meu olhar até ele. Contemplo a visão por alguns segundo, até que sinto uma presença não muito longe. Sorrio com o cheiro humano convidativo, mas outro me chama a atenção, fazendo-me seguir um caminho completamente diferente.

Corro em minha velocidade sobrenatural e chego ao local em segundos. Observo a figura alta e máscula, com um arco e flecha na mão, o corpo um pouco suado e uma camiseta sem mangas que deixa seus braços fortes a mostra. Sorrio ao reconhecê-lo.

Silenciosa, sento-me em um ganho de uma árvore alta, próxima. Observo seu treino com cuidado para que ele não perceba. Canso-me de olhar. Quero ver sua reação ao ver-me. Ao saber que estou de volta.

Debbie: Olá, Christopher! – digo e o vejo virar rapidamente, apontando seu arco e flecha para mim, assustado. Sua expressão é firme e claramente ele não demonstra seu susto, mas seu coração acelera e sua respiração torna-se nervosa.

Christopher: Debbie? – sua voz soa desarmada e surpresa, mas ele ainda mantém sua flecha apontada para mim. – O-O que faz aqui? – sorrio.

Debbie: Pretende me atingir com sua flecha, Christopher Steven Laughlin? – pergunto irônica e ele demora, mas baixa a flecha. – Está com medo?

Christopher: Eu não tenho medo de você! – diz firme.

Debbie: Sua boca diz isso, mas o seu coração diz outra coisa. – sorrio sarcástica e ele suspira, desviando o olhar. – Não sabia que eu estou de volta. Seu pai não lhe contou? – sorri com sua confusão.

Christopher: Não. Ele a viu?

Debbie: Não. Mas, meu pai já o informou que eu voltaria, certamente. – digo confiante. – Parece que você ainda é o velho e pacifico Christopher, que odeia armas afiadas e perigosas. – sorrio estreitando os olhos. – A vida não te ensinou que arco e flecha só servem como brinquedo? – digo aproximando-me de suas flechas, guardadas em uma bolsa e pegando uma para quebrá-la. Ao meu ato, ele cerra os dentes.

Christopher: Nem todos gostam de armas afiadas e cortantes como você, Debbie. – diz distante. – Armas erradas nas mãos de pessoas erradas causam morte.

Debbie: Minhas mãos são erradas? – provoco.

Christopher: Você ainda pergunta? – rio. – Sempre que alguém mortal cai em suas mãos, acaba morto.

Debbie: Admita que estava com saudades de mim, Primo Querido. – ironizo e ele revira os olhos.

Christopher: Não entendo a decisão do Tio Joseph de trazê-la de volta. – múrmura voltando a mirar em uma árvore. – Você é perigosa. – suas palavras me fazem rir.

Debbie: Também não. – suspiro. – Estou odiando estar de volta a este lugar. É realmente uma desgraça eu ter que estar aqui novamente.

Christopher: Se a desgraça é grande para você, imagine o tamanho da nossa, com a sua chegada. – diz soltando a flecha e acertando-a em cheio na árvore.

Debbie: É... Voltar para um lugar onde você é odiado é maravilhoso. – digo sem humor.

Ele se vira e me olha por um momento. Seu olhar é um pouco triste e analisador. Com certeza, ele busca alguma emoção em mim, mas já não tenho mais nenhuma. Isso eu posso afirmar com certeza.

Christopher: Você mesma causou isso. – diz com o olhar distante, depois me encara. – Você despertou o ódio de todos e você nem se importa com isso.

Debbie: Como pode ter tanta certeza de que não me importo? – faço uma pequena manha. – Me sinto extremamente magoada com isso. – mas não dura muito tempo, porque começo a rir de minha atitude ridícula. – Não me arrependo de nada que fiz. – digo ríspida. – Pessoas poderosas são odiadas. É o ciclo. Não poderia ser de outra maneira. Mesmo que eu fosse boazinha, ainda me odiariam. – sorrio de canto. – De qualquer forma, dou tanta importância a isso quanto à vida de um humano. – observo o lugar, desviando minha visão dele.

Christopher: Seu pai não lhe explicou o motivo de tê-la chamado?

Debbie: Não. Você sabe?

Christopher: Sei, mas não vou lhe dizer. Ele quem deve fazer isso.

Debbie: Tudo bem. Não quero que me diga. Apenas me explique porque você e a minha irmã estão vivendo como idiotas que fingem ser humanos? – pergunto de braços cruzados, encostada em uma árvore, como já estou há alguns segundos. Sua cabeça se inclina para me olhar por cima do ombro. – Isso é ridículo.

Christopher: Não é! – começa. – Nós só estamos tentando viver como pessoas normais, legais e felizes. Estamos tentando conviver com os humanos de maneira pacifica, não matando eles.

Debbie: Isso é ridículo. – repito, revirando os olhos. – Você não se torna amigo da caça, você a mata. – bufo. – Você acha que os humanos se tornam amigos das vacas antes de comê-las? Ou das galinhas? – faço um barulho debochado com a boca. – Puff, por favor!

Christopher: Nem todos querem ser monstros como você, Debbie. – diz um pouco irritado. – Estamos no século XXI, pare de viver no passado! Os seres sobrenaturais não provam mais seu poder sobre os humanos. Eles convivem em harmonia.

Debbie: Haha – rio em deboche. – Querendo ou não, Christopher. Escondendo ou não, vocês ainda são monstros como eu. É a natureza de vocês. Não é uma máscara de humano que vai mudar isso. – digo firme e ele se vira irritado, vindo até mim.

Christopher: Podemos não ser humanos. Podemos ser monstros. Mas, não somos estripadores insanos como você! – diz dando um murro na árvore atrás de mim, ao lado da minha cabeça. Eu sorrio, satisfeita por irritá-lo e conseguir sua atitude.

Ele se afasta, tentando controlar sua respiração e nervosismo. Eu me desencosto da árvore e caminho para longe dele, me afastando. Paro de costas ao ouvir sua voz novamente.

Christopher: Você deveria tentar ser uma pessoa boa. – ele ofega. – Deveria usar esse poder que você tem para ajudar os outros.

Inclino minha cabeça para o lado, para respondê-lo.

Debbie: Eu já tentei. – digo e percebo sua surpresa. - Mas não valeu a pena. – completo e sinto os pingos de chuva começar a cair. Desapareço antes que ele fale mais alguma coisa.

 

✞✞✞

 

Mansão – 08:30

Após caçar e ficar um pouco mais pela floresta, voltei para a Mansão. Onde encontrei um humano aflito quando cheguei. Jeon estava sentado no pé da escada, com as mãos na cabeça, aflito e preocupado. Ao ver-me, ele levantou e correu em minha direção, parando à minha frente com os olhos arregalados.

Jeon: Senhorita Debbie! – exclamou nervoso. – Você está bem? – perguntou ofegante.

Debbie: Estou. – disse simples. – Aconteceu alguma coisa? – pergunto sem dar muita importância.

Jeon: A senhorita sumiu muito cedo! – disse rapidamente. – Eu fiquei preocupado! Para onde foi?

Debbie: Eu tinha uns assuntos para resolver que não são de sua conta. – digo ríspida.

Mikael: Monstrinha, irmãzinha querida, não fale assim com o nosso pequeno Jungkookie. – disse meu irmão, descendo às escadas e sorrindo com a cena.

Debbie: Eu deveria tratá-lo como um bebê? – perguntei ironicamente.

A porta foi aberta atrás de mim e eu não precisei me virar para sentir a presença do meu tio. Reconheço seu cheiro, mesmo que já faça tempo que não o sinto.

Debbie: Olá, Tio Alaric! – digo ainda de costas. – Fiquei imaginando quando viria me ver. – virei-me de frente para ele e admirei sua expressão tensa.

Alaric: Olá, Sobrinha! – disse breve. – Entrem meninas! – disse para o lado de fora e duas garotas entraram. Não reconheço bem seus cheiros, porque já faz muito tempo, mas suas faces são conhecidas.

Lizzie: Olá Prima! – a loira diz séria. – Quanto tempo... – reconheço-as. São Elizabeth e Josie, as filhas do Tio Alaric e da Tia Josette.

Debbie: Eu quem o diga. – digo analisando-as, indiferente. – Quase não as reconheci. – completo. – Suponho que não tenham vindo apenas me ver.

Alaric: Seu pai está?

Debbie: Não sei. – digo simples e dou de ombros.

Alaric: Olá Jungkook! – diz e sorri para o garoto. Percebo sua simpatia com ele e estreito o olhar.

Todos babam esse humano?

Alaric: Joseph está?

Jungkook: Sim, Sr. Alaric. – responde sorrindo. – Ele está lá dentro. – avisa.

Joseph: Não estou mais! – anuncia aparecendo na sala. – Que visita maravilhosa! – diz sorrindo cortês.

Alaric: Vim tratar do assunto que me pediu.

Joseph: Certo. – diz assentindo. – Vamos todos ao meu escritório? – diz olhando para todos nós. – Jungkook, não precisa se preocupar. Ela já está segura. – diz ao humano, que assente e se retira após um longo olhar para mim. – Mikael, chame sua irmã. – meu irmão sai para cumprir a ordem. – Onde está o Steven?

Alaric: Ele já está chegando junto com Josette. – diz referindo-se a Christopher. Ele me olha. – Está caindo uma bela tempestade lá fora.

Debbie: Sim. Que clima maravilhoso, não acha? – pergunto erguendo o canto dos lábios em um sorriso discreto.

Sem demora, meu pai nos chama para sua sala, nós vamos. Esperamos até que todos cheguem. Quando Katherine, Mikael, Josette e Christopher chegam, penso que são os últimos e que meu pai começará, mas não é o caso. Esperamos mais um pouco e ao ouvir a porta ser aberta, meu olhar vai na direção dela e eu vejo quem eu menos esperava ver. Meu Tio Mikaelson quase nunca aparece para nos visitar. Raramente eu o via quando era pequena. Ele vinha uma vez no ano. Creio que no aniversário do meu pai e depois desaparecia. Isso acontece porque ele não é um Vampiro puro e legítimo como nós. O Tio Mikaelson é apenas meio irmão do meu pai. O pai dele é um Lobisomem, o que o tornou um híbrido. Ele sabe seu lugar e sabe que não é igual a nós, por isso ele não vem aqui.

Após sua entrada, percebo que mais pessoas estão do lado de fora e começam a entrar. Sua esposa, Marina Blackstone e seus três filhos. William Blackstone (o filho mais velho), Dayla Blackstone (a filha do meio) e Hillary Blackstone (a filha mais nova).

Observo todos eles entrarem. Lembro-me do meu pai dizer que meu tio negou o nome da família Hunter e só se considerava um Blackstone, nome que herdou de seu casamento com Marina.

Marina têm cabelos castanhos escuros e olhos castanhos claros. Dayla têm cabelos loiros com raiz escura e olhos castanhos claros, assim como a mãe. Hillary têm cabelos ruivos e olhos azuis, assim como os do pai. William têm cabelos castanhos escuros e olhos de mesma cor.

Eles me fitam ao entrarem, meu tio possui a mesma aparência, já que não envelhece. Ele tem cabelos loiros e olhos azuis. Ele tornou sua esposa Marina, híbrida há pouco tempo. Ela era apenas loba, já seus filhos já nasceram com a mistura de genes.

Debbie: Nossa! O que é isso? – pergunto rindo em deboche. – Uma reunião de família? O que é tão grave para que isso aconteça?

Alaric: Você vai saber. – diz sério.

Permaneço quieta, encostada no canto da parede com os braços cruzados, enquanto meu pai inspira fundo para começar.

Joseph: Já que todos chegaram, podemos começar! – ele diz e todos prestam atenção.

Percebo olhares curiosos em mim, mas ignoro.

Joseph: Todos sabem da ameaça evidente que está em Mystery Shadow. A Família Argent. Eles ameaçam a paz sobrenatural com sua escola que treina humanos para serem caçadores, assim como eles. – inicia. – Seu principal alvo é a minha família, mais precisamente a minha filha, Debbie Akantha Hunter. Eles querem vingança pela morte de Cassandra Argent, esposa de Christian Argent. – explica.

Mikaelson: E o que nós temos a ver com isso? O problema deles não é com a sua filha? – pergunta indiferente e eu reviro os olhos.

Todos aqui realmente me odeiam.

Joseph: Eles planejam não só exterminar a ela, mas também todos os seres sobrenaturais que vivem na cidade.

Mikaelson: Isso é um absurdo, Joseph. – diz com deboche em sua voz. – Nós somos inúmeros. Mystery Shadow é a cidade dos seres sobrenaturais. Nós somos a maioria aqui. Por que temer? Não são simples caçadores Argent que irão conseguir nos derrotar.

Joseph: Sei que somos maioria, Mikael. – responde sério. – Mas, não podemos subestimar nosso adversário. Ele é movido pelo ódio de uma perda e você sabe exatamente o que o ódio de uma perda pode causar em uma pessoa. – o meu tio se cala. – Contudo, a minha preocupação é com nossos filhos, que frequentam a escola humana e são alvos fáceis para eles.

Alaric: Não posso fechar minha escola apenas para seres sobrenaturais como você deseja, Joseph. – diz repentinamente. – O objetivo da escola Laughlin é fazer com que humanos e sobrenaturais convivam juntos e aprendam a respeitar uns aos outros.

Debbie: Os humanos da sua escola sabem que estudam com seres sobrenaturais, Tio Alaric? – pergunto interrompendo.

Alaric: Não. – responde baixo.

Debbie: Então, como pode dizer que eles aprendem a respeitar uns aos outros? – provoco. – Eles não podem respeitar o que não sabem que existe.

Joseph: Ela tem razão, Alaric. – diz meu pai, sério. – Quero manter meus filhos em sua escola, mas quero que seja um local seguro para eles. Não sabemos quais destes humanos estão envolvidos com os Argent. A qualquer momento um deles pode ser corrompido a atacar nossos filhos e matá-los.

Alaric: Por favor, Joseph! – protesta. – Mesmo que um humano atacasse seus filhos, ele teria mais a perder do que eles! Olhe só para seus filhos! São vampiros poderosos! Seus filhos não precisam temer os humanos! Com um estalar de dedos eles conseguem matá-los! Sem usar força! – diz indignado.

Joseph: Tudo bem. – suspira. – Devem estar curiosos pelo motivo o qual os chamei aqui. E pelo motivo de minha filha Debbie estar de volta, mesmo sendo o verdadeiro alvo deles.

Marina: Sim! Por que a trouxa para o lugar onde querem matá-la ao invés de mantê-la segura longe daqui? Não só a ela, mas todos nós. – diz com um de desprezo para mim.

Joseph: A resposta é simples. Recebi esta carta. – coloca um carta com papel envelhecido em cima de sua mesa. – Nela, Christian Argent ameaça claramente a minha filha, Debbie Akantha Hunter. Ele diz que vai matá-la para se vingar de mim. Para me atingir mais profundamente. Diz que vai matar toda a minha família, mas vai começar por ela. – meus olhos se estreitam diante de suas palavras. – Eu a trouxe, porque só quem pode protegê-la é a própria família! Só terei certeza de que ela está segura aqui!

Fui ameaçada e ainda voltei para o local onde um caçador louco quer me matar? Ótimo! Não poderia ser melhor...

Aliás, não muda muita coisa. Todo mundo aqui me odeia e metade, na verdade, todo mundo quer me matar. Mais um não faz diferença.

Debbie: Mais um? – pergunto sorrindo. – Que irônico... – debocho. – Não faz diferença.

Joseph: Akantha! – chama minha atenção. – Não brinque com isso! – suspira. – Apesar disso, não é só a minha filha que está em perigo. Todos os filhos de vocês são alvos dos Argent, e eles não vão parar até conseguir matá-los. – ergue seu olhar, encarando cada um presente. – Irmãos, a ameaça é clara e presente. Peço que todos nós fiquemos juntos, porque lutamos do mesmo lado, e atentos a tudo que acontecer.

Alaric: Concordo com você, irmão. Mas, não vou mudar a política da minha escola por sua vontade. – diz firme.

Josette: Nosso objetivo é ajudar os seres sobrenaturais a se encaixarem. Se pararmos esse projeto por causa dos Argent, não sabemos o que pode acontecer.

Mikaelson: Os seres sobrenaturais são poderosos. Não acho que precisamos nos esconder por causa de um simples bater de pé de um Caçador Argent.

Joseph: Não esqueçam que eles são muitos.

Marina: Mas nós somos mais. – fala pela primeira vez. – Meus filhos não vão se esconder e sentir medo de caçadores idiotas! Isso eu não vou permitir! – diz firme.

Kharis: Nós só queremos que todos fiquem seguros. – fala minha mãe pela primeira vez.

Solto um longo suspiro, chamando a atenção de todos para mim. Meus olhos, antes fechados, se abrem e encaram todos a minha volta.

Debbie: Vocês estão se vangloriando que seus filhos são fortes, porque eles são seres sobrenaturais, mas esquecem do principal. – pego três punhais entre os dedos e os mostro. Com rapidez, movendo apenas a mão que os têm, lanço-os na direção dos filhos mais velhos presentes. Todos são atingidos, menos Mikael, que segura meu punhal rapidamente, por pouco. – Eles não possuem técnicas. Habilidades. Não sabem nem empunhar uma arma. – sorrio irônica. – Do que adianta serem seres sobrenaturais, se são indefesos? Mansos? Animais domésticos? – debocho. – Nas mãos de caçadores treinados como os Argent, seus filhos vão virar picadinho. Não importa se são sobrenaturais. Então, é melhor perderem essa pose confiante que você tem.

Mikael: Ela tem razão. – diz meu irmão, olhando-me orgulhoso. – Os Argent são treinados e rápidos, assim como a Debbie. Não podemos ficar despreocupados e só esperarmos eles chegarem. Se fizermos isso, morreremos mais fácil que humanos.

Kharis: Violência não ajuda em nada. – diz ríspida, me olhando de canto.

Debbie: Não é violência, mamãe querida. – digo sorrindo de canto. – É autodefesa. Sem isso, não importa se tiverem 7 vidas, vocês morrerão. – digo lançando-os um olhar sério. – Principalmente os mais domesticados, que brincam de ser humanos. – digo referindo-me à Katherine e ao Christopher.

Joseph: O que pode fazer quanto a isso, Alaric? – pergunta meu pai, com um olhar orgulhoso direcionado a mim.

Sei que, embora Katherine pense que o nosso pai quer que pareçamos com os humanos e tentemos conviver em harmonia com eles, ele não quer nos transformar em humanos. Não quer que sejamos iguais a eles e não quer que imitemos seus costumes. Ele presa pela antiga natureza animalesca, furiosa e determinada dos vampiros. Ele não quer que sejamos animais domesticados para viver como criaturas calmas e submissas. Ele quer que sejamos com nossa natureza nos fez para ser. Vampiros. Quer que aceitemos isso, não que neguemos. Quer que nós aceitemos como quem verdadeiramente somos. Vampiros.

Alaric: Podemos ajudá-los com aulas de autodefesa.

Joseph: Ótimo! – diz levantando-se. – Creio que isso ajudará muito. – se aproxima. – Por hoje é só.

Todos assentem, com as palavras do meu pai, e depois saem. Eu permaneço, espero que todos saiam para que eu possa ir, mas quando ameaço sair, meu pai me para. Encaro seus olhos frios e percebo que ele está igual à como sempre foi. Seu terno sempre impecável. Sua postura sempre perfeita, como ele nos ensinou a ser. Sua delicadeza e educação. Sua formalidade. Ele não é só um homem ético de negócios, ele parece um rei. Para mim, ele sempre foi um rei. Por trás de sua aparência fina, há um vampiro cruel que mata sem expressão. Sem choque. Com rapidez. É isso, essa parte, que mais admiro nele.

Joseph: Desde que você chegou não conversamos direto. – inicia. – Está me evitando, filha? – seu olhar se estreita, mas sua face não expressa nada.

Debbie: Preciso? – digo despreocupada, porém firme. Mantendo minha postura.

Joseph: Não. – sorri brevemente, sem mostrar os dentes. – Sei que é difícil para você estar de volta a esta cidade. – diz aproximando-se de sua mesa, novamente, após me impedir de sair. Ele toca a madeira e permanece de pé, me observando, com seu olhar analisador. – Mas, sabendo que você está sob ameaça, não poderia deixá-la longe de mim. – explica.

Debbie: Voltar para esta cidade não é nada agradável para mim. Já deixei isso bem claro quando tentou, por inúmeras vezes, me convencer a voltar. – digo fria e indiferente.

Joseph: O Internato devia ser muito bom, já que você não queria voltar. – sentou-se.

Debbie: Me acostumei. – devolvo seu olhar analisador. Ele não sustenta e muda seu foco, colocando os dedos no queixo, pensativo.

Joseph: Debbie, sei que você é muito forte, mas não subestime os Argent. – diz rígido.

Debbie: Não se preocupe comigo, pai. – suspiro. – Sei que eles me querem, mas de todos que estavam nessa sala, eu sou a mais difícil que eles vão enfrentar. Não vai ser tão fácil assim. – ele sorri.

Joseph: Estava com saudades de você, filha. – me olha. – Desse seu jeito confiante e firme. Você não tem medo de ser o que é. Você se tornou ainda mais forte desde a última vez que nos vimos. – diz orgulhoso. – Isso me deixa muito satisfeito.

Debbie: Que bom, pai. – sorrio de canto. – Ao contrário dos meus irmãos, eu não simpatizo, nem tento ser uma humana. – sento-me a sua frente, cruzando as pernas e apoiando meus braços na cadeira. – Pode me explicar por que tem um humano na minha cola o tempo todo?

Joseph: Porque ele é seu assistente pessoal, filha. – diz simples. – Por que mais seria? – soa irônico.

Debbie: Pai, por favor, não sou mais uma criança. Aliás, você já sabe o que quase aconteceu com ele quando eu era uma criança e me aproximei dele. – digo séria. – Não o quero perto de mim. – digo firme. – Não preciso de um assistente pessoal. Não sei qual é o seu plano para mantê-lo perto de mim, mas não vai funcionar. Ele é inútil para mim. É apenas um humano fraco.

Joseph: Filha, não o subestime. Jeon Jungkook Domenico é mais poderoso do que você imagina.

Debbie: Puff! – debocho. – Está brincando comigo, Pai? Como um simples humano como ele pode ser tão poderoso?

Joseph: E por que não? – sorri de canto. – Jungkook é um menino muito simpático. Ele pode te ajudar não só com o seu autocontrole, como a sua convivência com outras pessoas.

Debbie: Acha que preciso de ajuda para conviver com outras pessoas? – rio soprado, em deboche. – Você não me conhece, pai? – balanço a cabeça negativamente. – Eu estou bem sozinha.

Joseph: Debbie, eu sei que não está. – diz firme. – Isolamento não é bom para ninguém. Nem para um vampiro!

Trinco os dentes. Ele parece preocupado. Ele está. Mas, isso não vai me fazer ceder. Levanto-me e espalmo as duas mãos na mesa, encarando-o com os olhos vermelhos sangue.

Debbie: SE O SENHOR NÃO TIRAR AQUELE GAROTO DE PERTO DE MIM, EU VOU MATÁ-LO! E NÃO DUVIDE, PORQUE O SENHOR SABE BEM QUE EU MATO. SEM HESITAR! – esbravejo, aumentando o tom de voz.

???: SE VOCÊ ENCOSTAR UM DEDO NELE, QUEM MORRE É VOCÊ! – ouço a voz raivosa atrás de mim e sorrio ao sentir o cheiro do sangue humano.

Viro-me e encaro o irmão de Jeon. Seu rosto ganhou um tom vermelho, por causa da raiva. Sua testa começa a formar pequenas gostas de suor. Seus olhos estão fixos em mim e seu olhar expressa a raiva que ele sente. Seus dentes estão trincados e seu maxilar está exposto. Uma de suas mãos, a que está na maçaneta, aperta-a com força e a outra está com o punho cerrado, provando que ele está nervoso.

Meu pai levanta-se rapidamente, ao perceber que o garoto está com o coração acelerado, o que faz seu sangue ficar mais quente e ser ainda mais atrativo para mim. Ele sabe que não tenho afeto por nada nem ninguém, nem hesito em atacar quando quero.

Debbie: Ora... Ora... Se não é o irmão do humano? – sorrio sarcástica. – Está nervoso? – provoco. – Com medo que eu prove o delicioso sangue do seu irmão?

Yoongi: V-você... – ele diz entre dentes. – Você não teria coragem de tocar nele!

Debbie: Realmente não? – solto um riso nasal. – O quanto você me conhece para poder afirmar isso? – ele permanece calado, mas está cada vez mais nervoso. – Mas, eu posso negociar o seu sangue ao invés do dele. De qualquer forma, vai ser delicioso. – meu pai se aproxima mais de mim, dou um passo em direção à Min Yoongi e ele me acompanha. Está com medo que eu o machuque, por isso, aproxima-se de mim e segura meu ombro.

Joseph: Yoongi, por favor, acalme-se. – diz calmo, mantendo sua postura. – Debbie só está estressada com a volta. Só isso. Ela não vai machucar o Jungkook.

Yoongi: Sr. Joseph, me desculpe, mas esta garota acabou de ameaçar o meu irmão. Tenho medo que ela o machuque! – diz acalmando-se.

Debbie: Eu adoraria furar aquela pele quente e suave com as minhas presas. – provoco e ele ameaça se aproximar, mas olha para o meu pai e para.

Joseph: Yoongi, saia daqui! Por favor. Conversamos depois! – diz e o garoto assente, saindo. – Não faça mais isso!

Debbie: Por que diabos o irmão dele não sabe e ele sim? – reviro os olhos. – Não quero ter que me esconder. Você sabe que não sou assim.

Joseph: É por causa da sua mãe. Ela...

Debbie: O protege? – completo. – Eu sei bem disso. – suspiro. – De qualquer forma, saiba que ele não vai estar seguro se continuar perto de mim.

Joseph: Você não pode machucá-lo, Debbie. – diz rígido. – É uma ordem minha e eu sei que você nunca me desobedeceria.

Debbie: Não posso garantir.

Saio de sua sala, deixando-o lá. Ao virar o corredor, dou de cara com o humano idiota. Jeon Jungkook Domenico. Que diabos eu fiz para merecer isso?

Jeon: Senhorita Debbie! – ele sorri para mim. – Precisa de alguma coisa?

Debbie: Preciso! – digo firme. – Sabe do que eu preciso? – ele nega. – Que você suma da minha frente! – digo ríspida e passo por ele, seguindo pelo corredor, mas paro ao ouvir seu fungado.

Viro minha cabeça para olhá-lo por cima do ombro e vejo que ele funga de novo. Meus olhos se estreitam e eu dou meia volta, parando em frente a ele, novamente.

Encaro sua face e vejo gotas de água caírem de seus olhos e rolarem por suas bochechas. Permaneço sem expressão. Meus olhos apenas o analisam, com cuidado. Ele está com a cabeça baixa e fita o chão.

Debbie: Qual é o seu problema? – pergunto curiosa.

Jeon: Eu fiz algo errado para a senhorita? – pergunta com a voz um pouco trêmula e baixa.

Debbie: Não. – digo simples.

Jeon: Então, por que não gosta de mim? – sua pergunta me faz refletir por alguns segundos.

Debbie: Por que se importa se não gosto de você? – pergunto indiferente. – Nós nem nos conhecemos.

Jeon: Porque... – ele funga. – Eu queria ser seu amigo. Dou uma risada debochada com suas palavras.

Debbie: Não quero amigos. – digo ríspida. – Não preciso disso.

Jeon: Por quê? – ele me fita e vejo que seus olhos estão marejados.

Debbie: O que é isso? – pergunto pegando uma gota de água que caí por sua bochecha. – Por que tem água em seus olhos? – pergunto e ele se surpreende. – Eles não estavam molhados antes...

Jeon: Porque eu... estou chorando... – diz simples e eu estreito o olhar, um pouco pensativa. – Você nunca chorou?

Debbie: O que é isso?

Jeon: Não sabe o que é chorar? – ele ri um pouco e passa a mão pelas bochechas, que ainda tinham resquícios da água. – Como assim você não sabe o que é chorar? – ri mais.

Debbie: O que é tão engraçado? – pergunto analisando-o, indiferente. – Pare de rir, garoto!

Jeon: Desculpe, mas o fato de você não sa... – ele para e me analisa. Sua risada cessa. Seu olhar é curioso e ele parece pensativo. – Você nunca ficou triste?

Debbie: Não tenho emoções.

Jeon: Como você pode não ter emoções? Todos os seres humanos têm emoções!

Exatamente! Eu não sou um ser humano!

Debbie: Exatamente! – reviro os olhos. – Não sou humana! – jogo a verdade, impaciente.

Jeon: Como você pode não ser humana? – ele ri e depois fica um pouco sem graça. – Bom... A gente chora quando fica triste. Sabe... Quando algo ruim acontece...

Debbie: Entendi. – digo distante. – Ficou triste? Por quê?

Jeon: Porque... Acho que você não gosta de mim e... Não sei por que... Acho que fiz algo errado... Mas não sei o que foi...

Debbie: Você não precisa que eu goste de você. – digo revirando os olhos. – Apenas faça o seu trabalho. Não precisamos ser amigo. Sem contar que você vai querer ser o amigo de todo mundo nessa cidade, menos o meu.

Jeon: Por quê? – pergunta confuso.

Debbie: Já disse, sou problemática. – digo por fim e saio. – Esqueça essa ideia ridícula! – desapareço de sua visão.

 

 

✞✞✞

 

 

Min Yoongi Domenico P.O.V

Estava prestes a virar o corredor, quando vi Debbie conversando com o Jungkook. Pensei em ir interferir, mas esperei e tentei manter a calma, afinal, ela ainda é a filha do meu patrão e eu preciso respeitá-la. Além disso, sendo uma vampira ela pode machucar o Jungkook a qualquer momento. Também não quero que ele desconfie da minha raiva dela o tempo todo.

Suspiro ao vê-la se afastar e me aproximo de Jungkook, com o olhar sério. Ele me encara e parece surpreso. Seus olhos me fitam, arregalados. A surpresa se vai e ele tem uma expressão triste em seu rosto. O analiso e suspiro novamente.

Yoongi: O que há com você...? – pergunto ainda analisando-o.

Jeon: Acho que... A Senhorita Debbie não gosta de mim, Hyung. – diz cabisbaixo.

Yoongi: Você não deveria se importar com ela ou com o que ela pensa sobre você. – ela inclina a cabeça para o lado e franze o pequeno espaço em meio às sobrancelhas.

Jeon: Você não gosta dela, não é Hyung? – ele me analisa. – Vi como você reagiu quando fui ao quarto dela ontem... Você estava... Nervoso...

Yoongi: Não quero que fique perto dela! – interrompo. – Não gosto dela.

Jeon: Por quê?

Yoongi: Ela é perigosa, Jungkook! – me aproximo dele, segurando seus ombros com firmeza. – Prometa-me que vai ficar longe dela. Você promete? – ele baixa o olhar, desviando-o de mim.

Jeon: Não posso, Hyung. – diz triste. – Meu trabalho é cuidar dela e ser seu amigo. Foi isso que o Sr. Joseph me pediu. Não posso descumprir suas ordens.

Yoongi: Aish! – inspiro fundo. – Se é assim... Apenas prometa-me que vai ficar perto dela somente quando necessário. Ela não quer ser sua amiga, Jungkook.

Jeon: Por que não?

Yoongi: Ela não quer ter amigos!

Jeon: Como sabe disso, Hyung? – desvio o olhar. – Hyung?

Yoongi: Eu apenas sei! – digo ríspido. – Prometa-me!

Jeon: Não posso, Hyung. – eu suspiro e esmurro a parede.

Yoongi: Por que você tem que ser tão teimoso, Jeon Jungkook?! – esbravejo, irritado. – Por quê?! Por quê?!

Estou tão nervoso que não espero que ele diga mais nada, apenas saio, cego de ódio, pelo corredor. Paro em frente à porta do quarto que tanto conheço. O quarto de Katherine. Bato na porta, mas estou tão impaciente, que não espero resposta e entro.

Katherine: Yoongi?! – ela diz surpresa, ao ver-me. Suas mãos cobrem a boca rapidamente, na esperança de que eu não a veja, mas eu já vi. A bolsa de sangue em cima da penteadeira explica tudo. Ela está se alimentando. Seus olhos estão vermelhos e, antes que ela cobrisse, vi sua boca suja de sangue. – O-O que está fazendo aqui? – pergunta envergonhada.

Yoongi: Eu bati, mas você não respondeu. Então, entrei. – digo desviando o olhar dela. Engulo em seco sentindo meu estômago embrulhado. Quero vomitar!

Katherine: Eu estava distraída... – diz ainda envergonhada.

Katherine e eu nos damos tão bem, que às vezes esqueço que ela é vampira e penso que ela é como eu, uma humana. Mas, a verdade não abandona a minha mente por muito tempo, porque sei que ela também é um monstro sugador de sangue. Comparada a sua irmã mais nova, ela é quase inofensiva, mas não deixa de ser um monstro. Ela não é humana e preciso sempre me lembrar disso.

Suspiro, frustrado. Ela é doce, linda, inteligente, gentil e educada. Ela parece uma garota normal. Como ela pode ser uma vampira? Como ela pode ser um monstro igual ao que matou os meus pais?

A verdade está fixa em cada lugar, em cada parede, cada espaço, cada cômodo desta casa. Ela está cheia de vampiros. Essa cidade está cheia de monstros. Criaturas sobrenaturais terríveis e incontroláveis. Monstros que ceifam vidas sem o mínimo remorso. Embora se escondam e finjam que são normais, humanos, sua verdadeira natureza está escondida e é cruel, demoníaca e monstruosa.

Lembro-me de quando descobri a verdade sobre eles. Sobre os Hunter. Sobre a Katherine.

 

FLASH BACK ON

Eu estava desconfiado, muito desconfiado. Digamos que a Mansão Hunter não é o lugar que você chama de “normal”, parece um lugar assombrado, daqueles que só vemos em filmes de terror. A princípio a achei normal, o Sr. Hunter se mostrou um homem de negócios que não nos deixaria morar de favor, então tive que oferecer meus serviços para proteger meu irmão. Ele aceitou, até aí, tudo normal.

O Sr. Hunter me apresentou sua esposa e filhos. Mikael, seu filho mais velho. Um garoto de cabelos platinados e olhos azuis. Katherine, a filha do meio. Uma garota de cabelos acinzentados com as pontas pretas e olhos verdes. Assim que meus olhos bateram nela, eu achei-a extremamente linda. Como uma garota poderia ser tão perfeita? Mas, logo percebi que não só ela era linda, mas uma pequena garotinha também. A filha mais nova dos Hunter, Debbie. A garotinha parecia ter a idade de Jungkook. Seus cabelos eram brancos, da cor da neve. Sua pele, pálida e delicada, como uma porcelana, quase mesclava com o cabelo. Ela nem parecia real. Parecia uma boneca perfeitamente esculpida para um colecionador. Sua postura correta e seu corpo completamente parado a faziam parecer ainda mais irreal.

Comecei a trabalhar na Mansão. Jungkook insistia em me ajudar, mas eu não deixava. Sabia o quanto ele estava abalado com a morte dos nossos pais. Por isso, sempre pedia para que ele descansasse, embora ele sempre insistisse dizendo: “Hyung, não quero que o Sr. Hunter nos mande embora, por favor, me deixe ajudar você.” Suas palavras me tocaram e fizeram com que eu me esforçasse mais para poder manter o meu emprego e o conforto que o Sr. Hunter nos dava.

De inicio, achei o trabalho normal, mas fiquei um pouco constrangido porque o Sr. Joseph Hunter e o Sr. Alaric Laughlin sempre me tratavam diferente dos outros empregados. Eu sabia que o acordo era que eu morasse aqui com meu irmão e que eles cuidariam de nós, mas só se eu trabalhasse para eles. De qualquer forma, parecia ser apenas um acordo superficial.

Observei e analisei o comportamento da família, porque sempre fiz isso com todos e também, muitas coisas fora do comum estavam me chamando à atenção. Além da minha mente, que sempre criava teorias assustadoras sobre a Mansão e seu aspecto mórbido e antigo, o falta de vitalidade na casa também me chamou atenção.

A Família Hunter sempre acordava cedo. Todos estavam de pé às 06:00 horas da manhã, em ponto, para o “café”. Mas, eles não tomavam café. Os Hunter só bebiam um liquido avermelhado em suas xícaras, que a cozinheira disse ser um chá especial. O Sr. Hunter e a Sra. Hunter saíam para trabalhar. Como pessoas normais, mas os filhos não iam à escola. Apenas passavam o dia em seus quartos. Ninguém descia para almoçar. À noite, todos estavam reunidos em um horário fixo, 19:00 horas, para o jantar. Eles comiam sempre a mesma coisa, bife mal passado e alguns vegetais.

Com o tempo, percebi que quase não via os filhos dos Hunter. Eu até tentava falar com Katherine quando a via, mas ela sempre estava apressada e sumia. Ela e Mikael eram os únicos que eu pouco via. Já a mais nova, Debbie, eu não via nem sequer sua sombra. Ela vivia trancada dentro do quarto e as empregadas levavam sua refeição, deixando-a na porta e saindo. Eu vi isso apenas uma vez, porque o Sr. Hunter, quando soube que subi ao segundo andar, me disse que eu não deveria voltar lá. Minhas tarefas ficaram restritas somente ao térreo e o primeiro andar. Nos jantares, a pequena garotinha também não estava presente. E tudo isso junto, me deixou ainda mais desconfiado.

Eu estava com medo. Algo no fundo do meu interior me dizia para tomar cuidado, que ali era perigoso. Sentia alguém me observando nas sombras. Sentia a presença de alguém me seguindo. Ouvia barulhos nos piso e rinchares nas portas. Alguém estava me observando, não era apenas uma pegadinha da minha mente. Foi então, que decidi investigar mais a fundo.

 

 

❧❧❧

 

Naquele dia, era tarde da noite quando me acordei. Fui despertado por uma presença, assim como a que me seguia de dia. Sim, eu também a sentia durante a noite. Eu ouvia os barulhos de seus passos no piso e sua respiração perto do meu rosto. O barulho que ela fazia quando passava pela janela e quando se aproximava, mas quando eu abria os olhos, ela não estava lá.

Olhei em meu relógio que ficava no criado mudo, ao lado da minha cama, e vi que eram 03:00 horas da madrugada. Levantei e decidi beber um copo d’água, já que estava sentindo uma ardência em minha garganta, completamente seca.

Abri a porta e segui pelos corredores, em passos lentos e silenciosos. A Mansão realmente me assustava, mas eu não gostava de demonstrar isso, preferia pensar que tudo era fruto da minha imaginação. Afinal, uma criança sempre imagina demais. Continuei andando, mas parei ao ouvir um murmúrio vindo do escritório do Sr. Hunter. Instigado pela minha curiosidade, me aproximei um pouco para ouvir melhor, silenciosamente.

Joseph: Fique longe daquele garoto! – o Sr. Hunter disse rígido. – Nenhum de vocês tem permissão para chegar perto deles. Entendeu?

Katherine: Papai, eu juro que não quero machucá-lo. – ouço a voz de Katherine, que é fininha e delicada. – Eu só estou curiosa sobre ele.

Joseph: Katherine, querida, ele não sabe sobre nós. Nem ele, nem o irmão. Eles não são como os outros empregados. Se você se aproximar demais do garoto Yoongi, pode ser que ele descubra você. Pode ser que perca o controle e não quero isso.

Katherine: Desculpe papai. – diz triste.

Joseph: Prometa-me que não vai mais fazer isso. – diz monótono.

Katherine: Sim, papai.

Joseph: Ótimo! Pode ir.

Engulo em seco e me escondo. Ouço a porta abrir e a garota sair. Ela começa a andar e desaparece pelo corredor que leva ao Hall. Eu suspiro aliviado e volto a seguir meu caminho em direção à cozinha. Mas, ao chegar lá, percebo que têm alguém me observando de novo. Desta vez, não quero permanecer com essa dúvida. Mesmo depois do que ouvi, aquela conversa estranha nada clara, eu preciso saber se é ela quem está me seguindo e observando.

Yoongi: Quem está aí? – pergunto engolindo em seco e fitando o escuro, onde sinto o olhar. – Katherine? – assim que termino de falar, alguém surge das sombras e corre tentando passar por mim, mas eu seguro seu pulso com firmeza. A garota se vira e quando eu encaro seus olhos verdes, percebo que é ela mesma. Katherine. – Você?

Katherine: E-e-eu... Não queria te assustar... Eu juro! – diz nervosa. – Por favor, me solte. Eu vou embora! – ela parece quase em pânico.

Vejo um reflexo vermelho em seus olhos e pisco para ver se é real. Ela desvia seu olhar, baixando a cabeça e escondendo seu rosto de mim com a outra mão.

Yoongi: Era você quem estava me observando o tempo todo? – questiono surpreso e ela assente, tímida. – Por que... Não olha para mim?

Katherine: Desculpe... – diz baixo. – Não queria te assustar... – sua voz soa triste. – Você deve me achar muito estranha agora...

Yoongi: Ninguém nunca me observou antes... – digo engolindo em seco, novamente. – Mas, não te acho estranha. Só fiquei assustado, porque pensei que era um monstro. – ela se arrepia, só então percebo que ainda seguro seu pulso. Sua pele é gelada e ela treme. – Mas... Por que estava me observando?

Katherine: Porque eu queria aprender mais sobre você. – diz tímida.

Yoongi: Aprender? Sobre mim? Por quê?

Katherine: Porque você é... diferente.

Yoongi: Diferente de quem?

Katherine: De mim!

E depois daquelas palavras, tudo mudou. Eu e Katherine começamos a conversar mais, escondido do Sr. Joseph, claro. Ele não queria que ela tivesse contato comigo, mas não saber o motivo disso só me deixava ainda mais curioso e com ainda mais vontade de descobrir o que há de errado com todos nessa casa.

Eu havia terminado tudo o que o Sr. Hunter me pediu para fazer. Assim, decidi ir encontrar Katherine. Eu me escondi de todos e fui até a porta de seu quarto, completamente silencioso, nem sequer bati, por esquecimento, e entrei. Deparando-me com a cena mais incomum de toda a minha vida. Katherine estava lá, sentada em sua cama, com uma bolsa de sangue nas mãos e a boca suja com o liquido viscoso e avermelhado.

Meus olhos se arregalaram e minha garganta secou. Não consegui pronunciar uma palavra. O motivo não foi nem tanto os demais detalhes da cena, e sim um que me chamou terrivelmente a atenção, seus olhos vermelhos. Os mesmos olhos que Jungkook sempre me disse ter visto no monstro que matou nossos pais. Eu nunca acreditava nele e pensava que esse detalhe era fruto de sua imaginação, mas descobri que era completamente real.

FLASH BACK OFF

 

Minha curiosidade me levou para um caminho sem volta. Minha mente humana e inocente, livre de qualquer conhecimento sobre o mundo oculto que estava perfeitamente escondido sob os meus olhos, foi perdida. A descoberta abriu portas que jamais deveriam ser abertas para um humano. E tudo isso só aconteceu porque entrei no quarto de Katherine, sem bater na porta e peguei-a se alimentando, exatamente como estava agora.

Katherine: Yoongi? – ela me desperta de meus pensamentos. – Você tinha algo a me dizer?

Yoongi: Sim! – digo lembrando-me. – É sobre a sua irmã... – começo, pigarreando e mantendo uma distancia segura dela. Ainda estou parado, na entrada de seu quarto, mas fecho a porta para que ninguém ouça nossa conversa. Embora seja quase impossível, já que todos nessa casa têm uma audição sobrenatural, menos eu e o meu irmão, claro. – Não a quero perto do meu irmão. – digo e ela suspira profundamente, limpando sua boca com um lenço e fitando seus olhos, agora verdes, em mim, em seguida.

Katherine: Desculpe-me, Yoongi. – sua voz é baixa e suave. – Eu tentei convencer o meu pai, mas ele não se importou. Ele não quis reconsiderar.

Yoongi: Você sabe o que ela acabou de dizer no escritório do seu pai?! – aumentei meu tom, irritado. Ela engoliu em seco e desviou o olhar. – Ela disse que vai matá-lo se ele continuar perto dela! Jungkook não tem culpa! Ele não sabe o que ela é e só quer ser amigo dela, porque ele é um garoto gentil e simpático! Ele não sabe o tamanho do perigo que está correndo! Perto desses monstros nós somos...

Katherine: Simples humanos indefesos. – completa. – Eu sei...

Yoongi: Desculpe... – passo a mão pelo cabelo, me acalmando. – Não quis dizer que você é como ela. Nem que todos são iguais. Só estou...

Katherine: Preocupado com o Jungkook. – completa mais uma vez. – Eu sei. Eu entendo. Mas, você não está errado. Isso. Ser esse monstro é uma maldição. Estou condenada a beber sangue não importa o quanto eu tente esconder. Envergonho-me disso. Envergonho-me muito. Mas, não posso mudar. Não importa o quanto eu use máscaras e tente esconder. Ela tem razão. Eu também sou um monstro. Assim como ela.

Yoongi: Katherine... – engulo em seco, arrependido por chamá-la de monstro. – Você não é como ela... Você é...

Katherine: Humana? Não, Yoongi! Não sou humana. – suspira. –Talvez você deva contar a verdade ao Jungkook, Yoongi. – me interrompe, levantando-se e vindo até mim. – É melhor do que ele continuar cego em frente ao perigo. Lidando com algo que ele não sabe que pode matá-lo em segundos. Não é justo com ele continuar escondendo isso.

Yoongi: Katherine, já discutimos isso. Eu já disse a você que não quero que ele saiba. Quero que o Jungkook continue com sua inocência. Além disso, saber que estamos vivendo todos esses anos com as mesmas criaturas que mataram nossos pais... Isso... Isso acabaria com ele!

Katherine: Mesmo que isso custe à vida dele? – ela coloca a mão sob o meu ombro, tentando confortar-me de que essa é a melhor escolha a se fazer.

Yoongi: Ele não vai aguentar. – digo apertando os olhos e baixando a cabeça. – Ele não vai suportar esse segredo. Descobrir isso vai custar muito para ele. Sua alegria e vitalidade são tudo o que me fazem continuar. Descobrindo isso, o Jungkook vai perdê-las. Ele não vai aceitar que estava perto dos monstros que mataram nossos pais o tempo todo. Ele não vai me perdoar por esconder isso dele.

Katherine: O Jungkook é um menino bom, Yoongi. – ela levanta minha cabeça, colocando suas mãos uma de cada lado do meu rosto, olhando-me no fundo dos olhos. – Ele vai perdoar você. – seus olhos estão fixos nos meus. – Mas, ele precisa saber que está correndo perigo. Precisa saber. – suspiro, encarando seus olhos.

Eu quero beijá-la. Mas, antes que cometa um erro. Desvencilho-me de seu toque e saio às pressas de seu quarto.

 

CONTINUA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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