História Penumbra - Capítulo 4


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Categorias Saga Crepúsculo
Personagens Personagens Originais
Tags Beau, Edythe
Visualizações 27
Palavras 5.336
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Fantasia, Ficção Científica, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - 2. Lucca


2. Lucca

(POV Edythe)

Amor é fogo que arde sem se ver,

é ferida que dói, e não se sente;

é um contentamento descontente,

é dor que desatina sem doer – Camões.

A casa de Carine era enorme.

Abrigava confortavelmente todos os nossos primos e nos mesmos.

Tanvir me abraçou de lado e me guiou até o andar superior, me instruindo a me trocar pois a chuva tinha me deixado molhada.

Não se preocupe, rainha... Ele só está emocionado. Hector parecia saber quer eu lia seus pensamentos.

Resolvi seguir o Conselho de meu amigo, que piscou e desceu. Tomei um banho e me troquei, ainda com o rosto dele na mente. Tão furioso e irritado... Beau tinha realmente se ferido com a minha partida.

Desci e os dois lobos olhavam com seriedade para fora de casa. Suas mentes estavam observando os amigos de matilha que estavam caçando Victor para proteger um tal de Lucca.

Eu irei mata-lo.

Se acalme Camila...

Ele ousa tocar em meu noivo, rei. Isso É imperdoável.

Não se esqueça de quem Lucca é.

E então as mentes voltaram a se concentrar nas buscas. Era interessante como todos eles compartilhavam a mente. Fascinante. Funcionavam como um conjunto.

Seja o que for, Beau era um belo lobo negro com brilhantes olhos azuis. Maior que todos os seus amigos novos, sua postura de líder era visível. A voz dele era muito proeminente, uma ordem que todos estavam compelidos naturalmente a seguir.

Quis me bater. Mesmo que não fosse isso que eu queria (ele sempre nessa vida imortal), perdi todo esse crescimento dele. Muito mais maduro, muito mais complexo. Beau estava mais evoluído em seu comportamento.

Ainda era o mesmo divertido e carinhoso Beau. Mesmo que sua fúria dirigida a mim tivesse tentado ocultar. Sua frase explicando que Joshua me contaria tudo era carregada com delicadeza.

Suspirei. Nem tudo estava perdido.

- ... Eu fui abandonado no leste do Japão num templo budista. – Joshua explicava enquanto eu chegava na ampla sala. – Meus pais eram viciados vindo da Noruega e tentaram me vender a Yakuza. – sorriu. – Mas um líder de um dojo budista me acolheu.

- Fascinante. – Carine disse com um sorriso.

Hector ainda estava olhando para a floresta enquanto ignorava solenemente os olhares irritados de Royal.

Ele era magro e alto, mas seus olhos eram negros e carregavam certa... promiscuidade. Se eu fosse humana, não deixaria minha carteira perto dele. Parecia uma raposa preste a te enganar.

O cabelo escuro era arrepiado, O nariz sutilmente arrebitado e seu rosto era quadrado. Toda sua postura era elegante. Vestia um terno e em seus dedos ele carregava uma série de joias e anéis.

- O que ele está fazendo? – Eleonor olhava para o lobo confusa.

- Ele está observando Beau...

Já posso sentir o cheiro de Victor...

Escute com atenção, Lorena...

Maldito moleque, venha aqui.

E então a imagem ficava rápida para acompanhar.

Beau flanqueou uma grande área enquanto corria. E quando chegou na clareira eu ofeguei.

- Edythe? – Jessamine perguntou com preocupação.

Um exército.

Meu corpo agiu sem que eu comandasse. Mas rapidamente eu estava travada no lugar. Joshua e Hector me seguravam me olhando com os olhos brilhantes. O preto reluziam em dourado e o cinza em um azul claro.

- O rei nos disse para te proteger... – Hector sorriu como uma raposa.

- Esse exército nem é tão grande.

- Beau esta enfrentando um exército? – Earnest perguntou em choque.

A raposa sorriu para meu pai com gentileza.

- Não se preocupe. – seu sorriso ampliou. – Ele é muito mais forte de que um exército de recém nascidos.

Jessamine duvidava e eu queria correr para onde ele estava. Mas Hector me obrigou a olhar sua mente e eu pisquei ao notar que nesses breves segundos em que conversávamos, ele já tinha destruído de 5 a 7 vampiros.

- Como?

- Formidável, não?

Edythe?

- Ele está... destruindo o exército... sozinho.

Alternando de lobo, para homem com formas ferais, ele desmembrava, decapitada e cortava seus inimigos. Era como se eu visse uma dança. Suas garras perfuravam o peito e estômago de pedra dos vampiros e abriram para o estilhaçar como vidro. E então ele saltava se tornando o lobo negro, esmigalhando os vampiros que o atacavam.

Seu alvo? Uma concentração de vampiros no meio do campo na colina onde estavam. Vampiros que era jogados pelo alto enquanto urravam de dor.

- Ele é bom. – Tive que me acalmar. – Muito bom.

A cena se seguiu até que ele conseguiu furar o bloqueio dos vampiros e entrar no entro da concentração. Lá, no meio da confusão, eu vi algo que me deixou em completa confusão.

LUCCA. A mente de Beau soou tão forte que fez Joshua ranger os dentes.

Hector ficou repentinamente serio e ele se aproximou da janela.

Um garoto de no máximo 8 anos estava no centro dos vampiros recém nascidos enquanto eles avançavam contra ele. O garoto apenas sorria gentilmente e se desviava, e com um movimento fluido, ele jogava o recém nascido para o alto, sempre arrancava algum de seus membros.

Esse era Lucca?

Pai!

Meus olhos se arregalaram e eu caí de joelhos. Carine estava ao meu lado no minuto seguinte.

Lucca! Beau chamou em puro alívio. Pule em minhas costas. Suas patas deslizaram pelo terreno enquanto ele rosnava para o exército de mais de 10 vampiros recém nascidos.

E então tudo se fechou para mim.

Hector estava na minha frente. O sorriso era educado e ele tentava pensar em como me explicar o que eu tinha acabado de ver.

- Edythe? – a voz de minha mãe carregava sua preocupação. – O que aconteceu? Algo com Beau?

Archie procurava no futuro algo que pudesse ter acontecido. Jessamine se preparava para seguir o cheiro dele e Eleonor se perguntou se ele precisava de ajuda.

- Ele está bem, Carine. – Hector soou gentil. – Ela apenas descobriu sobre Lucca.

- Lucca? – minha mãe rapidamente se lembrou que ele tinha ido resgatar essa pessoa.

Seu... filho.

- O filho dele. – Os ofegos de todos eram audíveis.

Ele... tem um filho?

- Como...?

- Engravidou uma vampira. – eu podia sentir meus olhos saindo da órbita.

- Isso é impossível.

Hector riu sem humor nenhum. Pare de se preocupar, rainha. Beau não pode transar com ninguém além de você. Não depois do vínculo. E vocês o tiveram antes mesmo dele ser um lobo.

- Esse é o problema de vocês vampiros. – Ele brincou. – Pouco sabem sobre vocês próprios...

Royal o olhava com desespero e pude ver que Hector o deixou levantar ele pelo colarinho de seu terno.

- É impossível. Somos pedras vivas. O corpo de uma vampira precisa mudar para carregar uma criança.

- É melhor me largar, cara. – ele disse friamente. – Você não sabe de nada sobre a sua própria espécie e isso é ridículo.

Royal estava furioso. Pois sempre tinha sido seu sonho construir uma família. Sempre tinha sido seu maior arrependimento: perder a oportunidade de constituir uma família.

Eleonor se aproximou dele, ainda que surpresa, tocou seu ombro.

- Vamos ouvi-lo, Roy.

Ele ainda estava em completa surpresa quando soltou o lobo ao chão. Que o encarava com tédio. Ele é realmente chato como nas lembranças de Beau.

- Como... Isso é possível? – Carine sussurrou assombrada.

Earnest a abraçava e olhava Hector com seriedade.

- Um lobo pode engravidar uma vampira por que temos a mesma carga gênica. 25 cromossomos. E por que não temos nenhum gene exclusivamente dominante, não dá parte que nos torna lobos.

Ainda não vejo... os olhos dela se arregalaram. Dupla dominância?

- Você é médica.

- O que ele quer dizer, Carine? – Royal exigiu enquanto minha mãe processava a informação.

Acondroplasia em vampiros? É por isso? Como...?

- Hector-kun quer dizer que... vampiros não engravidam vampiras... por conta de um problema chamado dupla dominância. – Royal arregalou os olhos. – É uma barreira do vírus de vocês. Ele quer uma evolução... Sempre. Híbridos sempre são mais fortes que os pais.

Sim. Era uma lógica biológica. Uma Mula era muito mais forte e resistente que um burro e um cavalo. Ainda que estéril.

- Vírus? – Perguntei.

- Sim. – Joshua respondeu. – A única coisa capaz de modificar as células a nível de DNA. Um vírus. – ele deu os ombros.

Novamente era lógico.

- Então... é impossível... – Royal resmungou baixinho.

Ele teve a esperança ainda que remota de que pudesse ter uma família com Eleonor. Sua mente estava completamente acabada.

Hector o olhava e então começava a rir.

- Cara, o rei tinha razão de não entender você.

- O que você está falando vira lata? – rosnou meu irmão.

- Beau e Caim inventaram sangue sintético. Engravidaram uma vampira por inseminação. – listou. – Seja mais positivo, hermano. Não duvido que ele arranje um jeito de fazer isso.

Royal arregalou os olhos.

- E, rainha... – me olhou entediado. – Por que cargas d'água você acha que ele fez isso tudo?

Archie começou a rir. Já adorei esse cara, Edy.

- Eu...

- Por você, é claro. A nossa rainha sem rosto. – ele bufou. – Ao menos você é bonita. Vê se não faz besteira.

Camilla já te odeia. E ela é noiva de Lucca... então tenta não fazer besteira.

Ri baixinho.

- Tudo bem.

- Joshua, eu ainda estou vendo a batalha... explique pra eles. – zero saco pra isso.

- Hai.

- Como descobriram isso?

- Pra te explicar eu primeiro preciso que você entenda uma coisa. – ele a olhava com seriedade. – Caim, o criador dos Vampiros, teve uma motivação muito nobre por esperar Beau.

- O que você quer dizer? – Earnest perguntou. – Ele que começou os estudos, essa motivação é em relação a Beau?

- Não necessariamente. – Joshua respondeu suspirando. – Ele sempre soube que era possível que nossas espécies... gerassem descendentes. – Tomou folego. – Nós, lobos, podemos nos reproduzir somente com os de nossa espécie e com a de vocês. Vocês só podem engravidar humanos e suas fêmeas podem engravidar de nossos machos.

- Tem alguma razão para isso? – Jessamine questionou interessada.

- Carregamos um vírus. – explicou. – Um vírus que quer que nos vivamos. Alguns parasitas causam a morte do hospedeiro, outros apenas o enfraquecem... poucos querem que o hospedeiro sobreviva e fique forte. – sorriu. – É uma coisa de sobrevivência. Esse vírus quer isso. Pra que permitir uma gravidez que deixa uma fêmea vulnerável para ter um vampiro se vocês podem simplesmente morder alguém? O vírus achou que era...

- Um desperdício biológico de energia, modificou nossas células para que fossemos incompatíveis com a nossa própria espécie. – Carine completou o raciocínio. Fascinada que aquilo realmente fazia sentido.

Nunca foi um veneno... e sim um vírus...

- Exatamente. – Joshua explicou. – Esse vírus deseja sempre uma... evolução. Por isso ele reduz a função de seus órgãos. Elimina toda o sistema excretor. E coloca absorção completa e direta de nutrientes... fora que usa toda a energia gerada, por isso são mais fortes e mais rápidos.

Ah, sim... Isso faz sentido. Carine meditou mais composta. Explica por que queremos sangue... ali está diluído todos os nutrientes que são carregados pelo corpo para um humano. Apesar de ser parecido com um parasita, a questão era simplesmente fascinante.

- Foi ai que Beau e Caim conseguiram o sangue sintético. – Archie parecia animado ao ver o amigo galgando tanto conhecimento.

- Exato. Quando entenderam que era uma coisa simples... foi mais fácil reproduzir.

Incrível.

- E nos estudando seu rei descobriu sobre a gravidez? – Elena perguntou.

Eu notei que os Denali estavam calados e então foi o que eu notei o real motivo disso. Os irmãos estavam um pouco abalados. Eles eram conhecidos como os Íncubos... pois dormiam com sua presa antes de as matar. Sempre resultavam em morte, e foi também o que ascendeu a humanidade em seus corações. Eles amavam suas parceiras... e então decidiram parar de as usar e de se alimentar dela.

Podermos ter... engravidado alguém?

Deus...

Hector riu. Os Denali os olharam assustados.

- A resposta é sim. – Vectra irá adorar conhecer o pai depois de 500 anos.

- O que? – eles disseram assombrados.

- Tanvir tem uma filha meio humana meio vampira. – ele disse.

Pisquei surpresa e então li sua mente. Ela era o imprinting dele... seu Akio Ito. O amor e quase devoção por ela estava estampado em sua mente como uma marca permanente.

Mas ele não falaria nada disso.

Tanvir estava quase morrendo. Olhando em choque para o rosto de Hector. Joshua chegou perto dele e bateu em suas bochechas, o encarando com um sorriso gentil.

- Ela é uma mulher esperta... bebeu sangue durante a gravidez... o que foi o suficiente para encontrar Caim. Ele acompanhou de perto tudo e a transformou quando o bebê nasceu.

- Filha...

- Sim. - Joshua disse divertido. – Vectra o nome dela. A mãe Clarice e Caim acharam por bem manter as duas escondidas...

E aqui vai o motivo da guerra...

- Onde... o que...? – a mente dele parecia derreter.

Cara. Isso é real. Klaus pensava em desespero. Eu tenho filhos também?

Eu... eu fui o que mais se envolveu com humanas. Ivan estava apavorado. Mas... nenhuma sobreviveu. Eu acho.

Era engraçado. Carlos ria dos 3.

- Meu Deus. Tanvir... quantos anos de pensão atrasada, mi amigo?

- 500. - Hector respondeu. Já o chamo de sogro?

- Dios mio... – Carlos riu. – Você será preso.

- Amor... pare de implicar com Tanvir. – Elena disse divertida, mas parecia abalada com a situação. – Continue...

Joshua sorriu enquanto voltava a sua explicação.

- Caim sempre sobe que essas coisas eram possíveis. – retomou. – Vampiros machos engravidavam humanas, mas ele nunca soube se as fêmeas vampiras podiam engravidar. Parecia impossível. Até... – Abel achar Beatrice. – Quando Abel se envolveu com Beatrice, achou que era mais um dos muitos casos que ele teve ao longo da história. – riu. – Abel tinha nadado até a américa, dormido com as nativas... gerando o que vocês chamam de Quileutes...

Arregalei meus olhos e abri meus lábios. Era possível ter ciúmes de uma coisa dessa? De uma reencarnação?

- Caim tinha transformado Marcus, ele queria um poder político que disciplinasse seu mundo sem que ele tivesse essa obrigação. – meditou. – Então quando Marcus montou essa estrutura, Caim foi conhecer... Nem preciso dizer que Suplicia se encantou com ele, não de uma forma romântica, ela tem Aro no fim das contas. – ele sorriu. – Ele é poderoso, carrega muitos... dons. Telecinesse, se ocultar nas sombras e ainda pode controlar qualquer vampiro.

O primeiro... pode ser pela idade, ou ainda por conta de ser o vírus original... Carine parecia fascinada com a ideia de conhecer melhor sobre si. Ela era, no fim das contas, uma grande pesquisadora.

- Ainda não vejo como ele pode ter descoberto isso.

- Ele descobriu que lobos podiam engravidar vampiras quando Abel engravidou Beatrice. – senti minha cabeça rodar e uma leve pontada de desespero.

Uma certa tristeza se apoderou de minha alma e eu queria chorar se conseguisse.

- É claro. – Jessamine me olhou preocupada. – Os Volturi não gostam de impurezas...

- Não exatamente todos os Volturi. Marcus é devoto de Caim e Suplicia sua maior fã. – ele sorriu. – Para eles, a exigência de que lobos fossem mantidos em seu canto era... somente um afeto familiar. – ele ficou sério. – Caius, entretanto, morria de medo de Abel. – sua mente foi levada para quando Beau abriu as portas do salão dos Volturi. – Abel era conhecido por não aceitar os desaforos. Então quando ele engravidou a irmã de Caius...

- Tramou sua morte.

- Com ajuda de Aro e Athenedora. Athenedora não sabia, nem muito menos Aro, com o dom de Suplicia, seria quase impossível esconder isso. – ele sorriu. – Mas ele teve uma ideia de mestre: fez Athenedora e Aro verem Abel transformado perto do corpo de Beatrice, e com uma encenação com Caius... foi o suficiente para que ela determinasse a guerra...

- Caim não tinha como provar? – Earnest perguntou.

- Ele tinha ido resgatar a mãe de Vectra, sempre avido por saber, ele queria conhecimento... a noticia de uma humana que estava gravida de um de nos era...

- Irresistível.

Eu estava em choque. E uma raiva queimava dentro de mim contra os Volturi. Claro que eles nunca iriam rever o que tinham feito. Na verdade, eu suspeitava, que Beau mostrou as provas do complô e exigiu a paz ou a morte de Caius. Ainda não me parecia justo. Eles deveriam sofrer pelo que fizeram com Abel e Beatrice.

Mas antes que eu pudesse se quer pensar sobre toda a situação, eu senti Hector e Joshua se retraírem e ficarem tensos. Suas mentes se abriram para o bando novamente.

BEAU! Eu me senti inerte.

Hector, se acalme.

Diga isso tendo de conter a Rainha, minha irmã. Ele rosnou enquanto andava para lá e para cá.

As imagens eram rápidas demais.

- O que está acontecendo? – Eleonor perguntou.

- Um recém nascido atacou Beau. – Joshua cuspiu enquanto me segurava. – Ele está morto, Rainha, o vampiro morreu.

- Me solte. – crispei.

Hector fechou a mente do bando e me encarou com irritação. Fique quieta, não complique mais as coisas, rainha. E então sua mente começou a processar e a rever as imagens.

Beau estava jogando todos corpos na pilha que seria queimada. Lucca estava no colo de Camila enquanto observava o trabalho do pai. Quando foi pegar um dos corpos jogados ao chão, um vampiro se jogou contra ele, o pegando pela costela. Todos reagiram rapidamente, quando ele apertou as costelas de Beau, que urrou em dor, Lorena já estava com olhos brilhantes e ferais ao lado do vampiro. Um rapaz loiro que eu não conhecia estava do outro lado, o cortando no meio enquanto o puxavam.

Mas não tinham impedido que Beau tivesse as costelas quebradas. Caindo no chão enquanto gemia em dor e se contorcia no chão com isso.

- Dr. Cullen... - Hector assumiu a posição de beta da Matilha rapidamente. – Beau teve quatro costelas quebradas.

Minha mãe piscou e rapidamente se colocou no lugar de médica.

- Eu estou...

- Já estão trazendo equipamentos... Nossa regeneração é quase 20 vezes mais rápida que de um humano. – ele disse e tirou o celular do bolso.

Me olhou rapidamente o que me fez estranhar. Ele parecia um pouco constrangido.

A mãe de Lucca está vindo buscá-lo. Esclareceu e eu me retrai.

Mesmo que agora eu soubesse que era possível que minha espécie gerasse descendentes, o ciúmes que queimou em mim era mais intenso que o sol. Franzi meus lábios, ficando irritada. Mas sabia que não era justo. Ela e ele não tinham nada. Entretanto, minha parte raivosa era de que sussurrada que ela tinha roubado a experiência de tornar Beau um pai. Essa deveria ser minha função, não a dela.

Edythe? Jessamine me encarava com assombro. Eu podia ver que a raiva do ciúmes era intensa.

- A mãe de Lucca vem buscá-lo. - Archie disse rindo baixinho.

A imagem estava nítida em sua mente: ela era uma bela ruiva de olhos azuis quase que brancos. O cabelo cor de fogo era intenso e brilhoso. Seu rosto era perfeitamente mais maduro do que eu. Insegurança tomou conta quando tive de admitir que ela e ele combinavam. De repente, eu queria a matar.

Lucca era a cópia perfeita de seu pai e isso era uma das poucas coisas que me trouxeram para a razão.

- Katherine estamos na casa de Carine Cullen. – a voz de Hector me tirou do meu transe.

- Oh, então a princesinha da razão já veio rastejar por ele?

- Não torne minha vida mais difícil, Kate. – Hector suspirou. – E ela é a rainha. Gostando ou não.

- Sabe que não me importo. – Mas então sua voz se tornou mais seria. – Victor machucou Lucca?

Minha raiva diminuiu ao ver o tom de leoa raivosa quando uma de suas crias eram machucadas. Seu tom era tão cortante quanto diamante. Isso eu poderia entender. Se fosse eu no lugar dela, Victor seria apagado da existência. Ele já iria morrer por ter posto Beau em risco. E agora minha motivação era aumentada: ele tinha ferido alguém que ele amava.

Não haveria perdão pra algo assim.

- E alguém consegue por as mãos nesse moleque sem que ele queira? – Riu o beta. – Ele atraiu o exército. Nem raptado foi.

- Eu terei uma seria conversa com ele...

E então eles conversaram sobre coisas que não quis ouvir.

Minha mãe e Joshua estavam arrumando equipamentos que tinham chegado rapidamente. Eu tinha que admirar o trabalho em equipe que eles faziam. Um raio x e medicamentos dos mais potentes eram postos a mesa.

No andar de cima, os Denali estavam discutindo como abordariam o tema da filha de Tanvir para que ela viesse, junto de sua mãe, para a família deles.

Royal estava com Eleonor, pensando em tudo que tinha sido dito para ele: era possível ter uma família.

Ri, seu desgosto em ter de apoiar Beau para isso era evidente.

Earnest e Jessamine ajudavam Carine e Joshua. Archie estava ao lado de Hector olhando para a floresta, ainda incomodado por não conseguir ver Beau direito.

Eu não sei quanto tempo ele vai demorar...

Hector olhava para meu irmão com curiosidade. O vidente. E então ele imaginou o que aconteceria se Beau o tornasse membro da Matilha.

Isso é possível. Ele só precisa tomar um pouco de sangue do Rei e pronto. Teríamos um vidente. Mas sua mente rapidamente voltou para o monitoramento da chegada de Beau.

Foi quando ouvi a chegada de mais um carro. Hector rapidamente se arrepiou e Joshua me olhou enquanto ligava a máquina de raio x portátil que eles tinham trazido.

A família dela ao menos tem bom gosto. O tom feminino e seguro era realmente melódico.

Era... Katherine.

Archie me olhou divertido. Vendo que ela bateria em nossa porta em alguns segundos.

- Quer que eu faça as honras?

- Por favor. – eu disse e sabendo que iria causar animosidade.

Ele abriu a porta antes que ela batesse. Katherine arregalou os olhos por um instante e então sorriu agradecida por um segundo.

- Olá. – Archie cantarolou com animação.

Ela assentiu em silêncio.

Olhos amarelos... eles ainda não provaram o SyntecB. E então sua mente se perguntou quem seria Edythe Cullen. Ela varreu os olhos e se perguntou se era Jessamine. Ela? Não. Aliança.

Então seus olhos pousaram em mim. O sorriso era um tanto quanto maldoso.

Olá.

E então sua mente foi para algo que me desarmou completamente.

Estava em Forks. Olhando para seu pai com cenho franzido. Seu pai... Era Caim.

De muitas formas, ele um homem que parecia ser comum demais. Tirando por seu cabelo branco como a neve e os olhos vidrados de vampiro na cor verde esmeralda, ele parecia ser um homem normal de 43 anos.

O poder que ele carregava vinha de sua postura.

Katherine me mostrou com cuidado como eles olhavam para a casa de Beau enquanto tiravam todo e qualquer rastro de seus cheiros. Enquanto Charlie e Beau carregavam a camionete dele com suas coisas.

Ela focou seus olhos em Beau. Admirando sua beleza, mas notando como ele parecia... morto. Os olhos azuis estavam sem o brilho típico, o corpo estava muito mais magro que o comum e ele parecia apagado.

Sua culpa. Ela disse amargamente enquanto eu me encolhia. Quando você se foi, não apagou sua presença, o matou.

- Edythe? – Earnest chamou me segurando e então olhou para a vampira que sorria tranquilamente. – Por favor...

Hector e Joshua estavam do lado dela no segundo seguinte.

- Acho melhor parar de fazer o que você está fazendo, Kate...

- Vai defende-la, Hector?

- Beau ordenou que a protegêssemos.

Ele é um bobo. Bufou ela e sua mente recuou nas lembranças. Você não o merece.

Assenti duramente me sentando calada.

E antes que a tristeza daquela verdade pudesse me tomar, corações e passos estavam se aproximando. Katherine rapidamente foi para fora, sua mente toda voltada em Lucca.

Lá fora, ela o tomou em seus braços. Murmurando que ele nunca mais deveria fazer o que tinha feito.

- Mas eles ameaçaram o papai e a rainha...

Sua voz era infantil.

Os cabelos eram rebeldes como os de Beau, e seu rosto pequeno e delicado era todo de meu amor. Tão bonito e delicado. Bondade irradiava de sua face. Assim como sua fácil infantilidade. Ele tinha belos olhos azuis. Grandes orbes azuis brilhantes como o céu limpo.

Foi impossível não o adorar.

Eliot, Hunter, Lorena e Jason carregavam o corpo de Beau em seus ombros. Ele respirava com dificuldade e decidi que não poderia ficar inerte. Eu também era médica... Eu também iria ajudar minha mãe.

Hector abriu a porta que dava para a floresta. E somente uma leve surpresa ao notar que todos estavam nus. Imagino que pela transformação, suas roupas foram perdidas. Mas minha atenção foi rapidamente para o corpo de Beau.

Ele estava mais quente do que o normal. Fervia. Além de estar sujo e suado.

Eu irei preparar o raio X. Carine disse quando me olhou guiando os lobos para colocá-lo devagar na maca improvisada. Cheque... Tudo. Eles disponibilizaram todo um laboratório.

O cheiro dele estava ainda melhor do que minhas lembranças. Era tão mais potente que minha boca se encheu de veneno. Seus olhos estavam me encarando em concentração profunda de evitar transparecer dor.

- Consegue falar? – perguntei profissionalmente.

Ele acenou negativamente.

Separei seus braços, ignorando que ele também estava nu. A preocupação vencendo a onda de desejo, toquei devagar seus músculos definidos para sentir as costelas se movendo. Ele estava se regenerando.

Carine chegou. Colocando a máquina de Raio X em posição. As chapas sairiam diretamente num computador.

Merda, se curaram rápido demais. Seus olhos atormentados me encararam. Teremos de quebrar...

E eu saí da sala improvisada. Olhei com tormento para a matilha, que estava vestida e com rostos preocupados.

Os olhos azuis de Lucca me encararam com uma súplica. Me pedindo para curar seu amado pai que tinha se machucado por tentar resgata-lo. Era um pequeno garotinho de 8 anos.

Assenti para ele e voltei. Carine explicava para Beau que teria de quebrar suas costelas. Que talvez a morfina não fizesse efeito já que seu metabolismo era muito mais rápido.

Foram 5 ampolas, ele parecia apenas sonolento mas não tinha capotado. Um humano teria morrido.

- Ele ainda vai sentir dor.

- Eu o seguro. – eu disse mantendo minha preocupação em segurança.

Ela assentiu enquanto Beau me olhava com olhos nebulosos pela morfina.

- Edythe... - murmurou enquanto minha mãe tocava suas costas e se preparava para as quebrar no ângulo correto.

- Estou aqui... – Murmurei segurando seus ombros. – Estou aqui...

- Lucca?

- Com Katherine... – murmurei macia. – Beau... vai doer.

Ele assentiu segurando com firmeza a mesa de madeira maciça. Seus lábios estavam franzidos. Acenei para minha mãe que me olhou em desculpas. Sua mão apertou a lateral de Beau e quebrou a costela exatamente como ela queria.

Eu tive de me forçar a ficar calma enquanto ele urrava. A morfina já tinha sido consumida?

PAI!

Beijei sua testa tentando o acalmar.

- Já vai terminar. – ele ofegava e gemia enquanto acenava.

Suas tatuagens ainda estavam seu corpo, mas notei que ele carregava cicatrizes. Fiquei ainda com mais raiva de mim mesma, eu devia o ter ajudado.

- Mais 3... – Carine disse.

- Rápido. – ofegou.

E assim foi. Minha mãe as quebrou em menos de um minuto. Beau gritou potentemente em dor enquanto seu corpo tentava estremecer. Eu o mantinha no lugar, até que a dor inicial passasse.

Carine injetou nele o triplo da dose inicial de morfina e lentamente ele foi se acalmando. Seu pulso era como uma bateria de tão rápido. Os olhos semi abertos enquanto ele ofegava e relaxava na mesa. Lascas caiam de seus dedos enquanto ele soltava a mesa.

Limpei seu rosto delicadamente enquanto Beau se entregava ao sedativo.

Ajudei Carine a enfaixar seu peito para que as costelas se unissem da forma correta. Ela possível ver elas se moverem por debaixo da carne, era fascinantemente assustador.

- Beau... – acarinhei seus cabelos enquanto ele dormia com a dose cavalar de sedativos.

- Precisamos o colocar no sofá.

Eu abri toda a divisória improvisada enquanto minha mãe terminava de vestir seu pesado corpo. A adrenalina corria em mim enquanto eu observava ela o limpar com álcool asséptico. Sua face estava concentrada.

Joshua entrou e rapidamente a ajudou. Estendendo as roupas que a equipe tinham trazido.

- Ele vai acordar em poucas horas.

Assenti sem ter muito o que dizer.

Hector tocou meu ombro e então foi levá-lo para o sofá. O movimento era tão rápido e preciso que ele mal respirava. Assim que foi colocado, Lucca saltou do colo de sua mãe. Indo para o lado do pai e se sentando no chão ao lado de sua cabeça.

- Obrigado. – ele disse olhando para mim e minha mãe.

Sua bondade era tão boa que eu pude sentir todos de minha família se derretendo aos poucos com sua clara fofura.

- Não por isso... – Carine mexeu em seu cabelo. – ele vai acordar em poucas horas.

- Okay...

Earnest sorriu para o jovem e se perguntou se ele comia como um humano ou ainda como nos. Todos olhávamos fascinados em como aquele híbrido era interessante.

- Katherine? - MEU pai a cumprimentou. – Ele não está com fome? Posso ir buscar algo....

Ela piscou e então sorriu.

- Não precisa se preocupar. – ela disse. – Assim que Beau acordar ele irá comigo...

- Entendo. Fiquem a vontade. – Earnest sempre seria o mais gentil de todos.

Ele sempre quis uma família enorme. E Beau era da família.

Lucca era muito bem vindo em nossa casa.

Ri baixinho. Ele estava fascinado.

Hector se virou para sua equipe.

Eram 7 no total. Duas garotas e 3 homens mais ele e Joshua. Uma matilha poderosa.

- Vigiem a casa de Beau.

- Pode deixar, Pallea... – Lorena disse. – Eu e Hunter iremos cuidar disso.

- Ok. Eu, Eliot e Joshua ficaremos aqui...

- E eu e Camila?

- Para a Nocturn. – nossa boate esta apenas com novatos... seria burro deixar ela sem proteção.

- Beleza...

- Envie um carregamento de SyntecB. – ele pediu.

Sua irmã o olhava com profunda irritação.

- Camilla...

- Eu vou no lugar de Milla, Hector... seria crueldade pedir que ela se afastasse de Lucca. – Joshua disse com um sorriso.

Camilla o abraçou enquanto olhava com um amor que eu não podia mensurar para Lucca. Nada que fosse... puro. Era isso. Sua mente era cheia de carinho para o garoto que era seu companheiro. Era incrível.

Hector se virou para mim.

- Está na hora....

Sua matilha deu leves risinhos enquanto se despediam e saiam. Eliot sorriu gentilmente.

Eu o conhecia de algum lugar apesar de não me lembrar. Ele parecia um nativo americano...

Camilla correu para se sentar ao lado de Lucca. O olhando com devoção, mexendo em seu cabelo com carinho.

- Quer assistir algo, cariño?

Earnest sorriu rapidamente e estendeu o controle da televisão para ela.

Hector me chamou mentalmente.

- Rainha... enquanto o rei está se recuperando... acho que está na hora de você entender tudo...

- Comece...

- Fica melhor se você ver... – ele sorriu prepotente. – Tenho a habilidade de ver memórias... – Pisquei devagar. – E projeta-las para alguém... – o escudo mental de Beau... Ele o controla facilmente agora.

- Você viu as memórias de Beau?

- Não quer saber como ele se envolveu com Caim.

O bufar de Katherine era debochado.

- Ela teria visto se não fosse tão controladora... – eu rangi os dentes.

- São ordens de Beau. – Eliot disse para ela. – Seguimos o que ele fala.

- Ele é bobo. – ela deu os ombros.

Me foquei em Hector.

- Como?

- Eu toco sua mão e você vai desmaiar... mais ou menos. – ele sorriu arregaçando as mangas. – Se sua família quiser visualizar... só basta tocar em você.

E me estendeu a mão.

Eu encarei Archie. Que tocou meu ombro e foi tudo que eu precisava.

Segurei a palma quente de Hector e então tudo escureceu.

E eu estava no dia mais difícil de minha vida.

Mas eu via através dos olhos de Beau.



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