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História Pequena curandeira (Marcas de ontem) - Capítulo 29


Escrita por: Rainha_de_Mirkwood

Notas do Autor


Mais um capítulo. Nesse eu coloquei uma quebra temporal, começa no presente e depois segue o flashback do mesmo dia. Fiz isso para dar dinamismo, espero que tenha ficado coeso, eu aviso o momento em que se inicia o flashback.
Sem mais, boa leitura!

Capítulo 29 - Inconveniente


Tempestade corria a toda velocidade, era incrível o quanto o animal podia ser tão rápido, Luna não era uma amazona experiente, mas conseguia manter-se em sua cela. Estavam sendo perseguidos, não sabia em que direção guiar o corcel, mas confiava que os instintos dele ajudariam a ambos. Tinha pouca certeza do que espreitava, estava sozinha com o cavalo, se perdera da pequena comitiva, seu coração estava disparado, suas chances não eram das melhores.

O corcel desviava de arvore com extrema facilidade, quase não sentia sobre si a humana, dava tudo de si, dele dependiam duas vidas, a própria e da humana, tinha algum senso de responsabilidade sobre ela. A cada vez que as presenças se aproximavam mudava o rumo, estava repleto de adrenalina. Até que percebeu que estava cercado, era impossível ver a criaturas, mas as sentia, tomando direção a única brecha que conseguiu achar freou de forma brusca. Foi por pouco, muito pouco, quase tinha caído em um buraco, estava salvo, mas a humana, essa voou de sua cela.

— Aah... – Luna caíra em péssima posição, olhando para cima via Tempestade, seu braço esquerdo ardia, provável abrasão, devia estar sangrando, com muita dificuldade levantou-se.

Tempestade relinchava, batia os cascos contra o chão, a humana estava em problemas, as presenças vinham em sua direção.

— Por favor... – Luna entendia o que devia se passar com o animal, ele tinha seu instinto de autopreservação, mesmo assim permanecia ali. Precisava fazer algo por ambos, se ele continuasse ali seria pego e possivelmente morreria junto dela. – Volte ao castelo, tente pedir ajuda... – não sabia até que ponto ele tinha entendido, mas o animal parou de resistir e foi embora. Respirando fundo tentou se acalmar, o que poderia fazer por si mesma? Quase nada, mas pelo menos o cavalo poderia se salvar, caso isso acontecesse a procurariam, se ainda estivesse viva...

O lugar era pouco iluminado, a copa das árvores não permitia que o sol passasse em sua plenitude, analisou o lugar onde estava e não era exatamente um buraco, havia uma inclinação de um lado e do outro, não era regular. A que parecia menos íngreme poderia tentar escalar, procurou por um lugar onde se segurar e havia parte de uma raiz, agarrou com força e deu o impulso, conseguiu chegar a metade do caminho quando escorregou e voltou a estaca zero, mas dessa vez com mais um machucado. Outra vez tentou montar uma estratégia e conseguiu cair outras duas vezes, se continuasse assim nem precisaria de criatura para dar cabo a sua vida. Sorriu com amargor da situação, tentou pela quarta vez, estava indo melhor que das outras vezes, tentava não pensar em uma queda maior que anteriores, que possivelmente aconteceria.

— Consegui... – acabou sussurrando para si mesma.

Arale estava no chão, ofegante, tinha matado uma aranha, não era uma guerreira, embora soubesse o básico para sua sobrevivência. Estava sozinha, se perguntava como estariam as outras, mas sua real preocupação era com a humana, a essa altura poderia estar morta, Teladriel estaria bem, era boa em fugas e escapes, as outras duas elfas eram bem melhores que ela e sua prima. Reunindo energia levantou-se, estava sem sua montaria. Orientou-se, precisava pedir ajuda, sua maior esperança era no caminho encontrar Luna.

Teladriel tinha conseguido abater duas aranhas, estava ofegante, não era tão simples lidar com elas, trataria de se esquivar e voltar ao castelo, não havia a mínima condição de sobreviver se ficasse assim exposta. Era um pouco triste deixar as outras por conta própria, mas primeiro sua vida, além disso dificilmente morreriam, no máximo se machucariam. A humana, lembrou-se dela, provavelmente a essa altura estaria morta, quanto a isso era totalmente indiferente, era uma mortal, pouco importava e se a deixou sozinha foi com total pensamento lógico, antes se salvar do que morrer junto de alguém assim irrelevante.

A noite estava cada vez mais próxima, Thranduil tentou se distrair com seus afazeres da tarde, estava inquieto com a curandeira fora, destacara duas guerreiras excelentes para ir com ela, junto de Arale, deveria ser o suficiente para garantir sua segurança, mesmo assim ainda se preocupava. O fato de ser humana não desqualificava a pequena dama, mas o trazia receio e medo, machucá-la era fácil, sua vida era extremamente frágil, deixou claras instruções para chegar e antes de sol se por. A noite na floresta das trevas era ainda mais perigosa que o dia.

Flashback on

Era bem cedo, ainda estava escuro e Arale acordou a mortal, sabia que no dia anterior as coisas tinham ido mal, tivera uma discussão terrível com Teladriel, sua prima estava pondo em risco sua posição, no momento a elfa estava tão satisfeita em estar junto da humana, queria manter-se nessa função, amava sua prima, mas sabia que ela podai se exceder, sobretudo no que se tratava do soberano.

— Que horas são? – Luna perguntou, estava entre a consciência e o sono.

— Umas quatro, precisa se arrumar, vamos sair assim que o sol nascer. – disse já agilizando todo processo, o banho estava preparado e servira o café da manhã, nesse dai seria suco de pêssego, bolo de limão e maçãs.

— Tão cedo... – saiu como um zumbi de sua cama, dormira mal naquela noite.

— O rei quer que voltemos antes do sol se pôr, então temos que nos apressar. – justificou. Na noite anterior recebera um bilhete que dizia que sua mãe não estava bem, saúde de ferro tinha, não estava ferida, no fim das contas não era nada, Felicera esclareceu que Teladriel tinha providenciado o equívoco, ficaria mais alerta a sua prima, afinal ela somente prejudicaria a si própria, percebia aos poucos que o rei realmente adotava uma posição defensiva no que concernia a mortal.

— Tudo bem... – empurrando as cobertas para longe começou a se preparar, não demorou tanto no banho como costumava, a roupa que usaria seria de equitação.

Levaria algumas maçãs consigo e já tinha pequeno estoque de balas de hortelã, se ia montar Tempestade, seria bom lhe fazer um mimo. Estava tão animada com o fato de rever Beorn, que o sono que sentia seria tranquilamente ofuscado. Seguiu junto de Arale até o estábulo, viu os olhos inteligentes do corcel.

— Bom dia! – acariciou a crina, o animal abaixou a cabeça – Já sabe que vamos sair hoje, não sabe? – vendo que ele já contava com a cela, deu para ele uma bala de hortelã.

Teladriel chegou no momento em que a humana dava a bala para o equino, observou com atenção, aquele cavalo devia ser muito dócil, concluiu, aquele estábulo não era o que tinha contato direto. A mortal estava vestida de maneira um tanto simples, mas era evidente que tudo fora confeccionado diretamente para ela, nenhuma elfa teria aquelas dimensões, olhando os pés da mesma percebeu, eram bem pequenos e a bota de material nobre, o tecido da roupa de equitação também era de qualidade. As roupas que Teladriel usava eram comuns em seu material, fazia de tudo para ter um bom corte e compensar a matéria prima barata, por dentro havia desdém, mesmo com toda aquela roupa a mortal não se comparava a ela.

— Só falta Evy... – uma elfa chamada Hale.

— Então já estamos quase prontas, meninas essa é Luna, o rei nos incumbiu de cuidarmos dela, devemos protege-la e trazê-la de volta ilesa. – Arale iniciou a explicação, sabia que todas haviam sido instruídas antes disso, mas era bom salientar.

Ao ouvir aquela explicação Luna sentiu-se estranha, quatro elfas foram escolhidas para ir com ela até Beorn, se estavam lá para garantir sua segurança... Não imaginava a princípio que fosse necessário tanto trabalho, pelo menos quando o rei mencionara que não seria apenas ela e Arale pensara em mais uma pessoa.

O fato do monarca estar tão interessado assim no bem estar da ridiculamente pequena humana, deixava Teladriel alerta e um tão ríspida, mas tentaria se conter, afinal algo em tudo isso poderia aprender, se o rei se fixava nela, em alguma coisa ela devia se destacar e o que quer fosse era passível de ser aprendido.

Evy recebera com a prazer a missão, fora comunicada diretamente pelo rei, confiava nela como guerreira, isso inflou seu ego, apesar de sempre evitar Légolas e o rei, ser assim valorizada a faria cumprir sua tarefa com maior afinco.

Na hora da saída pouco as elfas conversaram, apenas se cumprimentaram e por vezes faziam alguma observação, ao lado direito de Luna estava atenciosa Arale, mas a sua esquerda se encontrava Teladriel. Para a humana a cena da véspera ainda pulava a sua frente, foi extremamente indigesto ver aquela beldade no colo do rei, sabia perfeitamente que ele não devia nada a ela, não eram namorados, o mais próximo seria ficantes, mas a real é que não tinham nada definido entre si. O monarca a tinha seguido e tentado justificar, parecia achar que devia algo a si mesma, mas sabia que não era esse o caso. A pergunta em sua cabeça permanecia, o que diabos ele pensava dela? O que significava no fim das contas?

— Como ele é com você? – perguntou Teladriel, estava curiosa e não sabia como abordar a humana.

— Teladriel, que tipo de pergunta é essa? – repreendeu Arale.

— Não perguntei nada demais... Não é? – prosseguiu.

— Gentil... – foi tudo que conseguiu dizer.

— Ah não, seja sincera o rei é muitas coisas, mas gentil não é uma delas! – queria a verdade, as outras elfas a olharam com indignação, ela estava abertamente falando de seu soberano, decidiram não interferir, se Teladriel queria se ferrar, que o fizesse sem a interferência de ninguém. – Sem timidez, somos todas do sexo feminino, não vamos te recriminar. – tentou ser polida, na esperança de algo proveitoso vir disso.

— O quer tanto saber? O que em minha vida é de seu interesse? – Luna não estava gostando de como aquela conversa se encaminhava.

— Estamos falando de sexo, querida... Pensei que estivesse evidente! – despejou de uma vez, ouviu uma das outras tossir, mas ignoraria isso.

— Sexo... – sem acreditar no que a outra tinha dito fechou o semblante – Minha intimidade em nada te diz respeito.

— Quanta timidez... – pouco satisfeita continuo ela mesma – Hale já esteve com sua majestade, assim como eu. No meu caso ele sempre foi tão intenso, me tomava com força, urgência, eu ficava dolorida por dias. Hale com você ele também era assim, não era? Lembro de ter comentado comigo.

— Sua intimidade também não me interessa... – sem mais um pingo de paciência respondeu – Você é simplesmente vulgar, além de inconveniente, se puder parar de falar em... Relações, eu ficarei grata.

— Ah que sensível... – deu de ombros, noutra hora abordaria de outra maneira. Teria o rei não dormido com a mortal? Geralmente quem com soberano consumava, usava isso para vangloriar-se, todas na expectativa de ter algo mais sério, quem sabe virar sua noiva e em seguida rainha, o posto estava vago para ser tomado, então qualquer uma poderia ambicionar.

‘Inconveniente!’ pensou Luna, o papo da elfa era incomodo, saber que antes ela deitara com Thranduil não foi uma surpresa grande, mas ainda era ruim de imaginar. Outra coisa que estranhou na fala de Teladriel, foi ela dizer que o rei não era gentil, isso soava muito estranho, era verdade que alguns momentos ele podia ser frio, mas eram pontos isolados e ultimamente isso não acontecia, fora sincera ao dizer que era delicado. Tempestade embaixo de si mesma bufou, parecia nitidamente impaciente, que bom que ele tinha um partido nisso tudo. Riu com a ideia do corcel ser justo e tomar seu lado. Um relincho foi ouvido após seu riso, afagou a crina do animal.

Continua...


Notas Finais


Finalmente a viagem começa, né?!
Estava de rosca, mas agora vai, vou tentar explorar a viagem ao máximo, já que foi tão difícil chegar nela.
O que acharam do capítulo?

Vamos jogar, essa é a hora da verdade!!! Quem leu as notas finais escreva nos comentários a palavra chave; TIMIDEZ


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