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História Pequena curandeira (Marcas de ontem) - Capítulo 63


Escrita por: Rainha_de_Mirkwood

Notas do Autor


Aqui vai mas um capítulo.

Capítulo 63 - O guardião


— Não há como ter contato com eles, Luna disse que não sabe como fazê-lo.

— Ela está sem quem a defenda, quanto a seus interesses... – voltou sua mirada a humana adormecida – Desassistida!

— Espere aí, está me tomando pelo quê?! – seu filho estava nitidamente indignado, sabia que se expressava de maneira aberta, era sua prerrogativa, mesmo assim ficou insatisfeito.

— Por um elfo multimilenar e muito perspicaz... – retorquiu – Fosse apenas isso...

— Certo e o que vossa alteza sugere? Se não posso estar em contato com sua família? Não pense que desistirei dela por esse protocolo... – a queria em sua vida e nem mesmo considerava a possibilidade de deixá-la.

— Eu?! – mil e uma ideias vieram a sua mente, era estranho, mas queria protegê-la – Que outra pessoa zele por ela! Precisa que a representem... – era algo cultural quando a corte era iniciada deveria haver o aceite da família, era algo mais voltado para a parte feminina do casal, sendo que nem mesmo haveria proposta sem a prévia aprovação da família do homem proponente, seu pai não tinha um membro da família acima de si próprio, nenhuma autoridade sobre ele, de modo que apenas o comunicaria, já que na qualidade de filho a única coisa a fazer era avisá-lo.

— Quem no reino faria isso? – havia leve zombaria em sua fala, jamais confiaria a segurança e bem-estar da mortal sobre um elfo aleatório, duvidava que qualquer um fizesse tal papel de forma genuína.

— Então que seja eu! – foi no impulso que o disse, porém não pretendia voltar atrás em suas palavras.

Fitou seu filho absorvendo o que ele tinha sugerido, ele tinha assim tanta empatia pela pequena dama? Deu um sorriso fraco, se ele dispusera a cuidar dos interesses da mortal certamente a aceitava em um nível não esperado.

— Deseja realmente desempenhar tal papel? – a postura do jovem elfo mudou, seu apoio corporal, desviava o olhar.

— Acho justo que eu o faça! – devolveu, sentou-se novamente na cadeira onde estava anteriormente sentado – Ela é sumariamente boa, tinha compreendido isso anteriormente apenas pela aura e o próprio olhar... Mas no julgamento percebi que vai um pouco além disso. Tem mais uma coisa... – encheu seus pulmões de ar procurando uma maneira de liberar aquela informação sem ser recriminado.

— Que seria? – era interessante assistir Légolas escolhendo palavras e ponderando sobre algo que parecia ser instintivo.

— Há um tempo queria comentar sobre isso com o senhor... – voltou-se para a cama – Ela realmente dorme? Digo não nos escuta?

— Dificilmente escutaria, esse sedativo é potente e ela é bastante sensível as medicações do reino. Sobre o que gostaria de falar e não o fez? – estava muito intrigado, seu unigênito costumava dizer quase tudo que vinha a cabeça.

— Eu sei que é um tabu não falar sobre a rainha... – suspirou reunindo coragem – Mas não há possibilidade de abordar esse assunto sem fazê-lo. Há semanas sonho com ela, sou sempre muito pequeno, por vezes apenas uma criança de colo, eu ouço sua voz, sinto seu calor... – seus olhos marejaram de leve, mas logo afastou seu lado mais emotivo – Sei que comentei sobre ter sonhado com minha mãe e que ouvia a voz da mortal antes, realmente pensei ter ouvido por diversas vezes. Mas a questão dos meus sonhos é que ao passo que sei, vejo e sinto que é minha mãe, algo nela torna-a sua lua...

— Como? – praticamente debruçou-se sobre a mesa de tão inquieto que ficou.

— O cabelo ruivo e sedoso se torna escuro e cacheado, o cheiro é levemente alterado... Suas vozes são praticamente a mesma, se fosse apenas isso eu acreditaria que estou levando muito a sério meu subconsciente e a relação que ambos possuem. – emendou, procurou ser mais coeso – Mas há mais, até mesmo o que ela diz por vezes se choca com que antes sonhei e interagi com a rainha... Entende?

— Oh... Desde quando? – questionou, lembrava-se de quando foi mencionado que sonhava com sua mãe, a sensação antes que teve de que não contava o todo agora se afirmava.

— Antes que chegasse no reino apenas a escutava, mas depois se seguiram-se os sonhos. É como se ambas se fundissem em uma só, ou ainda como se sempre tivessem sido apenas a mesma pessoa e essência... – despejou a informação.

— E o que pensa disso tudo? – dentro de si algo repuxava, ligava alguns pontos, seus sonhos com a pequena dama as vezes que a sondou e viu coisas a respeito de Calen, era uma avalanche de coincidências, talvez não fosse assim tão aleatório.

— Sinceramente acho confuso, ao mesmo tempo que não há nexo, reconheço que há algum. E o que sinto perto dela é estranho... – coçou a própria nuca, percebeu a tensão de sua própria musculatura.

— E o que sente? – instigou seu herdeiro.

— Familiaridade... Quando a vi a primeira vez simpatizei bastante, mas logo percebi isso, quando a vi ferida e por todo esse tempo, percebo que importo muito mais do que seria esperado. Ela fala coisas tão similares a ela... – os olhos de seu pai brilhavam, era difícil de decifrá-lo, mas parecia haver alguma apreciação. – A está cortejando a sério?

— Estou... – confirmou.

— Certo, cuidarei dos interesses dela, isso quer dizer que o senhor terá de cumprir todas as etapas, se ela está sob minha proteção deve cuidar bem dos detalhes. Preciso dizer que sou rígido... – riu divertindo-se, nunca pensou que teria que desempenhar tal papel com seu pai – Sua preciosa lua agora tem quem zele por ela... – sorriu sem crer o quanto isso era piegas. – Seu guardião...

— Que assim seja... – aceitava tudo aquilo com a maior naturalidade que conseguia, ainda que em seu interior uma série de dúvidas tivessem surgido, que tipo de ligação a pequena dama tinha com eles? Já imaginava que era algo mais profundo que o imaginado a princípio, mas agora tinha certeza de ser algo ainda maior. Seu filho estava assumindo o papel de família, quando uma criança élfica ficava órfã alguém assumia a responsabilidade de cuidar e protegê-la, era mais ou menos isso que ocorria no momento, fêmeas costumam ser protegidas por sua família, é o correto a se fazer, garante sua integridade física e mental.

— Ainda é bastante cedo, ela vai dormir algumas horas... – o olhar do rei estava na frágil figura adormecida em seu leito.

— Quer eu prepare o jantar? – ofereceu-se o jovem elfo, estava verdadeiramente curioso, a corte era tão recente e queria ter um momento junto de sua futura “madrasta” era estranho imaginar que alguém ocuparia esse lugar, era tão incomum que isso existisse, haviam aqueles que casavam por arranjo e conheciam seu amor verdadeiro depois, mas isso ainda era bastante raro, resultava em separação, outros que amavam e ficavam viúvos nunca voltavam a se casar, podendo manter parceiros, porém nunca um conjugue. Assistiu seu pai ponderar alguns segundos.

— Tudo bem... Faça algo bem nutritivo! – sugeriu já pensando nas necessidades atuais da pequena dama.

— Farei, mas não garanto sobremesa tão boa, o pão de mel que deixou antes de ontem estava ótimo, era receita dela, certo?! – seu pai assentiu – Bem vou fechar algumas pendências, até mais tarde.

Respirou fundo, encarava os papeis sobre a mesa, fechou os olhos e lembrou-se dos momentos que esteve com ela, era até mesmo difícil de acreditar que acontecera. Molhou a pena na tinta, escreveu três estrofes de forma tão fluída, pensava em que tipo de reação ela teria quando entregasse o manuscrito... Um lamento escutou.

Levantou-se se dirigindo até sua cama, sentou-se ao lado da mortal, sua face adormecida tinha passado de tranquila para nitidamente expressão de dor. Queria acordá-la, mas sabia que não resolveria, estava sedada. Passou a mão por sua fronte, ela sussurrava algo muito difícil de compreender. Entrelaçou seus dedos aos dela, sondaria, embora algo em si mesmo dissesse que deveria evitá-lo, talvez conseguisse guiá-la para um lugar seguro em sua mente.

Houve tanta névoa dessa vez que chegava a considerá-la de fato densa, até que escutou vozes.

— Ele a ameaçou! – era Luna, em seu olhar havia tristeza e sombra de desespero.

— Não filha, ele apenas está bêbado... – reconheceu a mulher de lembranças anteriores da mortal, fora a mesma a dar a notícia do falecimento de seu avô.

— Seja honesta consigo mesma, beber é motivo para tudo que ele fez e faz?! – estava exasperada – Quantas vezes ele usou a embriaguez como desculpa para algo?

Um alto som ambiente sobressaltou ambas as humanas, era claro que Luna tinha ficado trêmula, algo tinha caído.

Thranduil botou os olhos sobre a figura do homem, não era alto, muito pelo contrário, mas tinha o porte físico que certamente denotava grande força física, similar ao que acontecia com os anões, mas era nitidamente um humano. Alguns traços faciais bastante parecidos com o de sua lua, era muito provavelmente seu pai, bastante alterado, leu em seu olhar algo extremamente desagradável.

— Disseram que você com certeza está tramando contra mim... – estava colérico, dirigia-se a mulher que julgava ser a mãe da sua humana.

— Pai... – ouviu a pequena dama se dirigir ao homem, parecia suplicante.

A movimentação foi consideravelmente rápida, o homem tentava intimidar a mãe de sua adorada, por toda a postura que viu era nítido que em segundos agrediria, o apoio dos pés do mortal o deu certeza disso. Levou mão a própria espada, dessa vez estava armado, mas aquela era apenas uma lembrança.

— Não! – a pequena curandeira tinha impedido o que seria provavelmente um soco, o segurou com dificuldade, as duas mãos segurando o mesmo braço do homem, rompeu-se o adorno de pulso do homem. – O senhor vai sair dessa casa hoje! – o tom era firme e estremeceria até mesmo alguém mais ameaçador.

O barulho de vidro sendo quebrado, uma garrafa escura agora estilhaçada segurada pelo gargalo.

— Corre... – disse tentando segurar o homem para que sua pudesse mãe entrar no banheiro e trancar-se.

A figura diminuta que era Luna parecia ainda menor naquele momento, todo malabarismo que a viu fazer para conter o homem o inquietou, não havia a mínima possibilidade daquilo acabar bem.

— Ah... – sangue pingava no chão, ofegante pelo esforço feito agora era inundada pela dor, gritou por socorro e em breve ao portão batiam pessoas. – Vá embora daqui! – segurava o choro, precisava manter-se firme.

Luna sangrava, o rei sentiu seu sangue gelar, ela tinha sido ferida por seu pai, o sangue caía no chão de forma abundante, lembrava de ter ouvido que seu pai a havia machucado, agora dimensionava pelo que teve de passar. Enxotado dali com a ajuda dos vizinhos a mortal finalmente respirava melhor.

— Desculpe... – era a voz da genitora da mortal – Venha vou cuidar de você, mas precisará ir ao hospital.

— Da próxima eu posso não conseguir ajudá-la... – sua voz estava embargada.

O elfo passou a mão por seus cabelos de forma ansiosa, se antes tinha aversão ao homem, apenas por ter escutado que não era bom, agora inflamava-se, asco, indignação e a ponta do que viria ser ódio em si brotaram. Era compreensível que em seu sono estivesse tão abalada.  

Foi lançado de forma rápida para outro cenário, reconheceu de imediato o lugar onde estava, aquele cenário ficava próximo a uma gruta, era dentro de seus domínios, mas tinha certeza que a pequena dama jamais esteve ali, uma memória sua se embaralhando ali? O mais provável.

— Alef... – arrepiou-se ao escutar aquela voz, embora muito parecida com a de Luna era claramente Calen. – Isso não é problema seu! – era bastante firme.

— Pense bem... O príncipe não pode ser seu, afaste-se antes que seja tarde demais... – Thranduil via o médico élfico a sua frente, nitidamente menos experiente do que era no momento.

— Acha que não sei disso?! – suspirou – Eu preciso estar perto dele, vou aproveitar cada momento que eu puder dispor...

— Céus... Já entregou seu coração? – estremecera.

— Quase... – admitiu.

— Então o evite, suplante isso antes que seja irreversível... Sabe meus pais se dispuseram a você sabe... – era constrangedor ter essa conversa, mas era necessário.

— Chega dessa conversa! Ele ficou de ensinar-me mais um pouco sobre esgrima! – vibrava com a possibilidade de passar algumas horas com Thranduil.

O rei estava pasmo com as cenas que assistia, não eram um fragmento de sua memória, nunca presenciou tal cena, nem mesmo dela tinha conhecimento de ter ocorrido. Tinha realmente boas razões para detestar Alef, sabia que ele nutria sentimentos pela rainha, mesmo assim era desagradável ver tudo isso. Se questionava como tinha acessado isso, lembranças suas não eram, o médico élfico estava acordado a essa hora e mesmo se estivesse adormecido não seria simples sondá-lo.

— Luna? – a conclusão a que chegou o fez desconectar-se de si mesmo e tudo a sua volta tremulou, estava novamente acordado ao lado de sua lua. Fitou a face adormecida da mortal, não parecia estar sofrendo como antes, agora tinha certeza que as coisas que vira da rainha ao sondar Luna não eram provenientes de si mesmo, mas como a pequena curandeira tinha acesso a essas coisas? A resposta era óbvia em seu interior, embora fosse totalmente sem nexo a seu ver, precisava aconselhar-se devidamente com alguém que isso compreendesse, seus pensamentos foram levados a Galadriel, talvez devesse ter com a elfa.

Seu coração estava bastante acelerado, primeiro tinha visto uma memória de Luna, pensou nas dificuldades que teve que passar, ao que tudo indicava nada estava muito bem antes daquilo tudo... Ela insistira com sua mãe e parecia ter sido ignorada, desejava de verdade conhecê-la um pouco mais, no momento achava um tanto improvável que ela dissesse algo a esse respeito, mas a conheceria de forma gradual, tinha paciência e interesse genuíno sobre tudo que a envolvia.

Enfiou-se no banheiro, pelo horário já estava na hora de seu banho, seria frio dessa vez, escolheu o fazer no chuveiro frio mesmo, cerrou os olhos, aquele dia tinha sido tão atípico, tinha passado boa parte da madrugada preocupado, quando finalmente adormeceu sonhou Luna e Calen feridas, ambas aparentavam ser uma só, uma pessoa, somado ao que sondou há poucos minutos.

“É como retornar para casa...” A fala da mortal rodopiou em sua mente, praticamente o açoitando, com as teorias que tecia e que iam contra sua lógica predominante. Sua pergunta fixa voltou, poderia amar novamente? Tudo em si gritava que era exatamente isso que acontecia no momento. Vestiu uma camisa folgada, preta, seus cabelos estavam soltos e permaneceria sem coroa, terminou de arrumar-se e voltou até o quarto, a pequena curandeira tinha trocado de posição em seu sono, sinal de que dormiria somente mais um pouco.

Continua...


Notas Finais


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Vamos jogar, essa é a hora da verdade!!! Quem leu as notas finais escreva nos comentários a palavra chave; CORAÇÃO


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