História Pequena Miséria - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias South Park
Tags Damien, Sobrenatural, South Park, Yaoi
Visualizações 14
Palavras 991
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - As vezes mentiras são necessárias


Pip me seguia a quase três dias.

Ontem eu perguntei porque disso, e ele disse que estava feliz por finalmente alguém ver ele depois de anos.

Não questionei, ele não incomodava e sempre ficava calado, sempre na dele. E eu entendo, porque eu também estive sozinho por anos. De um jeito diferente, mas estive.

É bom ter alguém por perto, mesmo que não seja de carne e osso.

Nesses três dias não consegui falar com o meu pai. Acho que ele tá me ignorando.

Foda-se ele.

Quanto mais tempo eu fico aqui, mais me lembro das coisas. Não com detalhes, é como se tivesse um monte de parte rasgada e queimada nas minhas lembranças.

E ainda não sei a minha idade.

Mas pelo menos de Pip eu estava começando a lembrar, e, puta que pariu, era tão bom só lembrar de alguma coisa.

O aquecedor estava desligado e eu via o vapor entre uma respiração e outra. Estava deitado na parte de trás da kombi, apoiando em algumas sacolas de roupas, e Pip no canto da minha visão, flutuando centímetros acima do chão.

“Não fui eu que te matei, certo?”

“Não… eu morri anos depois que você se mudou em um acidente de carro.”

E uma das coisas que puxei do fundo da memória foi a época que eu ainda tinha meus poderes, e usei eles para atear fogo em Pip.

Ele não parece muito ressentido com isso.

Quando foi que eu perdi os meus poderes mesmo?

“Eu sempre alimentei uma curiosidade desde que foi embora, quer dizer, para onde você foi depois?”

Parei e pensei nisso por um segundo.

“Não lembro.”

Tem alguma coisa que você lembre?”

Pip falou aborrecido, não posso culpá-lo, essa é a minha resposta pra todas as perguntas dele.

“Um pouco dessa cidade, do tempo que fiquei aqui e de você.”

Senti os olhos fantasmagóricos dele em mim, mesmo que não conseguisse ver para onde ele estava olhando, consegui sentir. Ele não piscava, não respirava e a pele transparente era meio cinza.

Quase totalmente estático se não fosse pelo cabelo, um pouco assustador também.

Logo continuei:

“Eu só sei que tenho sempre que fugir, que sempre tem alguém atrás de mim e querem me matar.” 

“Isso porque você é o anticristo?”

Dei os ombros, só pode ser isso.

“Acho que sim.”

E Pip se calou de novo. O cabelo dele se moviam lentamente e de um jeito não natural mesmo ele parado, parecia com aqueles fantasmas dos filmes.

Também me calei, porque pensei que ele não fosse falar mais nada.

“Mas porque você perdeu os seus poderes?”

Ok, essa era uma ótima pergunta.

“Não sei…”

“Acho que você não precisaria fugir tanto se ainda estivesse com eles.”

Aquilo fazia todo o sentido do mundo e uma raiva subiu pela minha garganta… Por que eu não tenho mais os meus poderes? Seria tão mais fácil se eu só ainda tivesse eles. 

Será que…

“Damien.”

“Que foi?”

“A polícia está lá fora.”

Ah merda.

Levantei e olhei pela janela, tinha uma viatura parada algumas vagas mais longe e um policial gordo estava chegando perto da kombi.

Desci do carro e Pip atravessou a parede, o policial me olhou de cima a baixo, havia desconfiança no jeito dele.

“Onde estão os seus pais, garoto?”

Não gosto de lidar com gente assim, policiais nunca me deixam em paz fácil. 

“Boa pergunta, senhor.”

Pip soltou um riso, mas, claro, só eu escutei. Agora o policial parecia mesmo preocupado. 

Será que esse aceita suborno?

--------------------

No fundo da kombi, em um dos sacos de lixo, eu achei um documento meu. Uma identidade.

Honestamente, ainda tô surpreso de realmente ter um, não lembro de nenhuma vez ter tirado um documento. E finalmente descobri a minha idade, 15 anos.

Pensei que eu tivesse um pouco mais que isso.

Os policiais não estavam me deixando sair da delegacia e pegaram o meu carro, porque eu não tenho carteira e nem a documentação da kombi.

E, na real, não tô preocupado.

Pip ainda estava por perto, flutuando e olhando o nada na sala de espera.

"Será que eles vão te devolver o carro?"

"Acho difícil." Não havia nenhum jeito de ficar confortável naquela cadeira, por um instante senti inveja do fantasma. "E também acho que perdi o dinheiro."

"Bem provável..."

De repente uma mulher entrou na sala. Ela usava uma roupa de trabalho, com cores escuras, e um óculos no rosto.

Assistente social, talvez?

"Olá Damien, meu nome é Emily, eu sou da assistência social."

"Oi..."

Olhei para ela com desinteresse e sem vontade de me levantar. Ela se sentou na cadeira do lado esquerdo.

"Eu mentiria se fosse você." Pip falou de repente, não era nada que eu não soubesse.

"Quando vocês vão me deixar ir embora?" Perguntei de um jeito grosseiro, ela não se afetou. "Não tava fazendo nada de errado."

"Nos dois sabemos que isso não é verdade, Damien." A mulher respondeu de um jeito mais afiado do que eu esperava. Mas que merda. "Sem carteira de motorista - pela sua idade você não pode nem dirigir - sem documento do carro e um monte de bebidas alcoólicas. Onde estão os seus pais?"

"Boa pergunta." Que vontade de dar um soco na cara dela. "Me avisa se você achar eles."

Estava começando a me arrepender de ter parado ali, acho que eu devia ter ido para o Alasca mesmo.

"Sinto muito Damien, mas desse jeito não podemos te deixar ir embora."

"Eu falei para mentir." Pip repetiu e eu tive uma ideia.

"Eles me abandonaram, ok!?" Falei fingindo raiva e fragilidade, e com o tom de voz mais alto. "Eu só tenho a kombi e o dinheiro, que os filhos da puta deixaram pra trás no dia que não achei eles em casa, será que vocês podem me devolver?"

Emily me olhou por uns segundos, parecia chocada com o que falei. Bem, que bom, eu quis causar isso mesmo.

"Muito convincente..."

Valeu, Pip.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...