1. Spirit Fanfics >
  2. Pequena Vila de Velha Colheita >
  3. O Caminhante

História Pequena Vila de Velha Colheita - Capítulo 1


Escrita por:


Capítulo 1 - O Caminhante


Era uma bela noite, em meio uma floresta silenciosa mergulhada em penumbra, para realizar uma imigração.

Um jovem rapaz de capa, cabelo bagunçado e uma lamparina a óleo caminhava sobre um velho caminho na floresta. 

Parecia que havia atravessado um portal para outro mundo, para uma nova realidade. Ele sentia que havia algo de estranho naquele lugar. Não que andar de noite deixe de ser estranho, ainda mais em um bosque sem nenhum animal fazendo barulho.

Olhou para o lado e para o outro. Parecia que a floresta engolia-o por inteiro, sufocando e estreitando cada vez mais uma passagem de terra cinza, antes larga, agora quase invisível.

Sua luz se assemelhava com uma explosão de uma bomba durante o limiar de uma noite qualquer. Iluminava todo o raio em que sua luz conseguia alcançar, mas fora deste, pura escuridão. Era como se sua lanterna separasse o escuro do totalmente iluminado.

Divagava em seus pensamentos. Não se lembrava de onde havia vindo, por pensar nisso. Qual o motivo de ter andado até agora em linha reta, se sequer lembra o que ele planejava fazer? Qual era seu nome?

Assim como a escuridão olha de volta para você ao se adentrar nela, a luz do sol de uma fragil manhã começava, lentamente, adentrar sua retina e iluminar até mesmo seus pensamentos.

Sim, eu sou o Wirt.

De onde eu vim, ainda não lembrarei por agora. Mas a luz fraca de um sol distante, impossibilitado de deter a escuridão que mesmo decadente, ainda me cerca, uma hora conseguiria realmente me acordar de um sono eterno.

Eu sou sonâmbulo e estou andando por horas em uma só direção? Me recuso a aceitar isso. Quanto mais penso de onde eu vim, pior fica minha noção de realidade.

Enfim, uma casa bem perto dessa floresta. Com suas luzes acesas, me rememora um navio da costa oeste. 

Cortando as vinhas e um mato denso no meu caminho com uma pequena foice, sem querer acerto um esquilo.

Morto, despenca sobre minha cabeça. Pego o seu corpo, mas não tinha esquilo algum. Talvez eu esteja delirando.

Enfim, o sol está clareando cada vez mais o meu dia, e acabo chegando perto da residência. Por volta de umas cinco e meia da manhã, já havia certa movimentação.

A residência era simples, tendo uma pequena mureta como delimitação e um andar. Era de madeira, assemelhava-se com um templo normal japonês. O som de passos ecoava, rangendo a madeira de acordo com a distância. 

Tomando certa coragem, chamo por alguém. Atitude um pouco desesperada. Sinto dores musculares, talvez uma enxaqueca e muita sede, acompanhada de uma deliciosa fome.

Por quanto tempo eu estive andando?

Um garota, de forma tímida, me atende.

--Olá, bom dia, visitante. O que te traz para esta terra?.- Seu cabelo curto e negro como a penumbra da floresta em que eu caminhava me encantaram. Ao reparar que a designação era "terra", percebi imediatamente uma pequena plantação do lado da casa.

--Eu não vim roubar, mas sim pedir comida dessa sua pequena terra. Por favor, estou faminto e com fome. Não lembro de minha casa ou família, e tudo que eu tenho é uma pequena foice e um lampião.

A garota me olhou curiosamente. Vestia um agasalho amarelo e meias listradas, ao passo que eu usufruía apenas de uma camisa de manga longa e um colete por cima dela, andando descalço e com um prego no meu pé que, de tanta fome, não me importava mais.

--Eu me chamo Coraline. E quando digo terra, digo desta pequena vila. Nunca te vi, logo, é um invasor de minha vila.- Ela falou sorrindo, em tom de brincadeira.-Meus pais vão logo sair de casa, mas eu conversarei com eles para que possamos te abrigar. 

Ela virou e abriu mais a entrada, me convidando para entrar. Eu iria realizar o ato de retirar os sapatos antes de entrar na casa, mas foi o incoveniente fato de não ter sapatos que me interrompeu de fazê-lo.

A casa era muito tradicional. Com muitos quadros, algumas estátuas e lâmpadas modernas que nunca vi, o toque final de beleza se dava em seus quartos. Haviam 5 quartos, pela minha contagem, e todos possuiam seus estilos. Coraline me apresentou os quartos, exceto os de seus pais. 

De forma pouco invasiva, tentei conhecer mais da bela garota que me acolheu de tão bom humor.

--Coraline, você tem um nome bonito. Nasceu aqui? Basicamente não sei nada desse lugar frio e silencioso.

Ela me olhou com um lindo sorriso. Parecia que eu era inocente demais para ela, ou talvez apenas curioso e estranho. 

--Vindo de um garoto tão diferente como você, temo que suas perguntas sejam para te alocar aqui. Meus pais saíram antes de eu te convidar, apenas não quis te assustar.. ficar a só com alguém que nunca viu.

O desvio de foco da conversa foi tão brusco que me assustei mais do que o normal. Comecei a ter minha visão mais enfraquecida, quase desmaiando. O jeito que ela percebeu o meu pensamento foi incrível.

--Para comer neste momento temos um macarrão instantâneo e um pouco de leite oriundo da melhor vaca da vila. Senta-te e espere que eu lhe preparo a cortesia.

Sentado em meio aquela cozinha, brilhante e repleta de utensílios praticamente me cegava por completo. A cadeira era, entretanto, a única coisa desconfortável. Totalmente dura e sem almofada. Mas eu não ligo, nunca tive o privilégio de sentar em uma dessas pelo menos.

Ao ouvir os estalos da madeira, o aparelho que esquentava um pote com nome de macarrão instântaneo e a Coraline assoviando, tive um surto de idéia.

--Coraline, posso morar com você?- Minha pergunta foi polida e sutil. Para mim, uma vez que ela simplesmente soltou a sua xícara ao chão e eu tive que pegá-la com o meu braço totalmente esticado.

--Me perdoe! Eu fui pega desprevinida, mesmo. Me desculpe, eu tenho que pensar nisso. Meus pais costumam viver realmente fora, então meio que é melhor para o escritor descrever as nossas cenas.

Eu me deparei com uma forma incoesa em meio a sua frase, e descobri que eu não estava mais na mesa, e ouvi o som de uma xícara quebrando no chão de madeira.

Eu simplesmente..

Fechei os olhos.




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...