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História Pequenas Mentirosas - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Capítulo 1: Laranjas, pêssegos e limas, ah, meu Deus


– Finalmente alguém comprou a velha casa dos Boyer – disse a mãe de Ale Muller. Era sábado à tarde e a sra. Muller estava sentada à mesa da cozinha, com os óculos bifocais acomodados no nariz, fazendo suas contas tranquilamente.

Ale sentiu a Vanilla Coke que estava bebendo fazer cócegas em seu nariz.

– Acho que uma menina da sua idade se mudou para lá – continuou a sra. Muller. – Eu já ia entregar uma cesta de boas-vindas para eles. Talvez você queira ir em meu lugar. – A sra. Muller apontou para a monstruosidade envolta em papel celofane num canto da cozinha.

– Meu Deus, mãe, não – desde que se aposentara do cargo de professora na Escola Fundamental de Rosewood, no ano anterior, a mãe de Ale virara uma dessas senhoras que fazem parte de comitês de boas-vindas. Ela juntou um milhão de coisas, frutas secas, uma daquelas coisinhas achatadas de borracha para abrir potes, galinhas de cerâmica (a sra. Muller tinha obsessão por galinhas), um guia das ruas de Rosewood, e um monte de coisas, e arrumara tudo numa enorme cesta de vime para desejar boas-vindas. Ela era o protótipo das mães suburbanas, quer dizer, sem a caminhonete utilitária. Achava que aqueles carros eram uma ostentação, além de uns grandes bebedores de gasolina, então, dirigia um Volvo obsoleto.

A sra. Muller levantou-se e passou os dedos pelos cabelos de Ale danificados pelo cloro.

– Você ficaria muito chateada em ir lá para mim, docinho? Talvez fosse melhor eu mandar Laura?

Ale deu uma olhada em sua irmã, Laura, que era um ano mais velha que ela e que parecia bem confortável, acomodada em uma poltrona deliciosa na frente da televisão, assistindo a Dr. Phil. Ale balançou a cabeça.

– Não, tudo bem. Eu vou lá.

Claro, Ale resmungava de vez em quando e, muitas vezes, até revirava os olhos. Mas a verdade era que ela fazia tudo o que a mãe pedia. Era uma excelente aluna, quatro vezes campeã estadual em nado borboleta e uma filha super obediente. Seguir as regras e atender aos pedidos era algo natural para ela.

E, lá no fundo, ela queria uma razão para ir à casa de Angelique mais uma vez. Enquanto o restante de Rosewood parecia começar a superar o desaparecimento de Angelique, três anos, dois meses e doze dias atrás, Ale não tinha superado nada. Mesmo depois de todo aquele tempo, não podia sequer olhar o livro da sétima série sem desejar se encolher em seu quarto e ficar quietinha. Às vezes, nos dias chuvosos, Ale ainda lia os velhos bilhetes de Angel, que guardava numa caixa de tênis Adidas, debaixo da cama. Ela até mesmo guardava uma calça de veludo cotelê Citizen, que Angel havia lhe emprestado, em um cabide de madeira no armário, mesmo que já fossem pequena demais para ela. Passara os últimos anos solitários em Rosewood, desejando outra amiga como Angel, mas o mais provável era que aquilo nunca mais acontecesse. Angel não havia sido uma amiga perfeita, mas mesmo com todos os seus defeitos, seria difícil substituí-la.

Ale se aprumou e pegou as chaves do Volvo no gancho perto do telefone.

– Volto daqui a pouco – disse, enquanto fechava a porta da frente.



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