História Pequeno Milagre - Capítulo 1


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Categorias Orphan Black
Personagens Cosima Niehaus, Dra. Delphine Cormier
Visualizações 176
Palavras 2.839
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Capítulo 1


Um novo dia.

Um novo começo.

Mais um.

Caminhando pela praia, Cosima Niehaus estava com a cabeça baixa e perdida demais em seus pensamentos para realmente notar o magnífico céu cor de rosa sobre as águas calmas da Baía de São Francisco. Ela havia sido aceita como residente da Emergência no UCSF Medical Center e estaria lá em algumas horas para começar seu primeiro dia de trabalho. Só que não havia o nervosismo típico do primeiro dia enquanto ela avançava ao longo da praia, afinal, ela tinha tido muitos recomeços antes. Esse seria seu quarto emprego nos três anos desde a morte de Shay... não, agora eram quase quatro anos. O aniversário de morte dela estava se aproximando e Cosima temia essa data. Tentando e falhando em não pensar sobre ela, tentando e falhando em não pensar constantemente sobre como a vida deveria ser, se elas tivessem tido tempo de vivê-la. Se ela tivesse se estabelecido no Toronto General Hospital, se a vida para ela não tivesse mudado tão dramaticamente, agora ela estaria se candidatando a cargos de consultora. Mas permanecer lá não havia sido uma opção. Havia lembranças demais para ela. Após seis meses de tentativas, Cosima havia percebido que não podia continuar trabalhando no mesmo local onde um dia trabalhara com sua esposa e tinha aceitado, depois de alguma autoanálise, que as coisas nunca mais seria as mesas. Elas nunca mais poderia ser as mesmas. Então, ela havia se mudado para Vancouver, o que pareceu certo por um tempo, mas após 18 meses, bem, aquele sentimento de inquietação havia começado novamente e ela mudou-se para outro hospital, em Seattle. Só que... era a mesma melodia, apenas numa canção diferente. O lugar era ótimo, as pessoas também...

Mas simplesmente não funcionou sem Shay. Então, ela decidiu-se por San Francisco, sua cidade natal, mais perto de sua família e entre seus velhos amigos.

Não, ela não estava nervosa sobre este recomeço. A diferença era que, desta vez, estava ansiosa por ele, pronta para ele, até mesmo animada com a perspectiva de seguir em frente. Já era tempo.

Ela tinha decidido viver perto da praia e fazer caminhadas rápidas ou correr toda manhã. Mas no terceiro dia após a mudança ela havia apertado o botão “soneca” de seu despertador algumas vezes.

Cosima aumentou a velocidade e começou a correr, sua estrutura dimunuta escondendo sua destreza e bem rapidamente ela alcançou seu destino: a casa na qual ela estava de olho havia algumas semanas.

Enquanto cumpria seu período de aviso prévio em Seattle, Cosima fizera a viagem até lá para encontrar um lar perto do hospital. Procurando pela internet e conversando por telefone com corretores de imóveis, ela havia se deparado com várias possibilidades a serem visitadas durante o final de semana, pois estava determinada em conseguir uma casa antes de começar seu novo trabalho, percebendo que, se fosse a dona de uma propriedade, tazves se mostrasse mais inclinada a acomodar-se por mais tempo.

O corretor tinha mostrado a ela um apartamento típico de solteiro, um novo empreendimento junto á praia, com vista maravilhosa para a baía e a cidade. Era claro e arejado e tinha todos os confortos modernos com a vantagem de uma grande varanda, o que seria bom quando ela recebesse a visita de suas irmãs e sobrinha. Ele realmente tinha tudo e Cosima quase o comprara naquele mesmo dia, mas, enquanto esperava na varanda, que o corretor separasse os documentos, Cosima viu a casa ao lado. Ela era mais antiga e se projetava um tanto a mais para dentro da praia que o bloco de apartamentos. O jardim, que tinha acesso direto à praia, era um oásis verde coberto de ervas comparado com a varanda de assoalho de lei e paredes claras que ela estava. Em vez de olhar para a magnífica praia, Cosima ficou encantada com o jardim do quase vizinho. Um enorme salgueiro projetava sua sobra em grande parte dele, havia um escorregador, um balanço e uma cama elástica ali, mas o que realmente chamou a atenção de Cosima foi o borco estacionado junto à lateral da casa. Um homem por volta de seus 40 anos que jogava água no barco com uma mangueira olhou para cima e acenou quando eles saíram para a varanda, e Cosima balançou a cabeça rapidamente num cumprimento, não percebendo que o homem na verdade estava acenando para o corretor e não para ela.

- Logo estarei com você, Doug – o corretor gritou, então, se sentou junto a uma mesa de vidro bem posicionada, colocando em ordem documentos e demais papéis e finalmente localizando o contrato.

- Ela está no mercado? – Cosima perguntou.

- Desculpe?

- A casa ao lado, ela está à venda?

- Ainda não – disse o corretor com um sorriso reservado – sente-se Dr. Niehaus e verificaremos os detalhes do contrato.

- Mas ela vai estar à venda? – Cosima insistiu.

- Talvez. Embora, realmente, ela não tenha nenhuma das características que a senhora especificou. Aquela casa precisa de várias reformas, ainda tem a cozinha original e o jardim está uma selva.

Só que Cosima não estava ouvindo e o corretor de repente teve aquela sensação deprimente e terrível de que ele estava perdendo o controle da venda que julgava certa.

- O conjunto de apartamentos recebe manutenção regular, possui academia de ginástica e piscina – ele ressaltou, reforçando o que presumiu serem os benefícios de viver ali para aquela mulher solteira, com título de doutora. Ele tivera tanta certeza que a pouca necessidade de manutenção era a chave para esta venda. Ele estava errado.

Cosima estava se dando conta rapidamente que grande necessidade de manutenção seria ótimo para ela. Estes eram um jardim e uma casa onde ela poderia se esquecer de si mesma, perdida em preocupações sobre consertos da casa e em passar óleo nas tábuas do deck. E que tal um barco? Seria muito melhor preencher o tempo livre que tinha reformando a casa ou ao ar livre, passeando de barco na baía, do que confinada às linhas modernas e polidas daquele apartamento ou queimando sua energia interminável numa piscina de condomínio. Pela primeira vez em muito tempo, Cosima se viu interessada em algo que não era trabalho e encarando a casa, ela quase podia vislumbrar um futuro, um verdadeiro futuro. Por isso, em vez de fechar negócio e se mudar para o luxuoso prédio de apartamentos, para o aborrecimento óbvio do corretor, Cosima assumiu o risco: colocou seus móveis num depósito e alugou uma das unidades de apartamentos baratos decorados no outro extremo da rua, preparada para esperar pacientemente até que a casa estivesse à venda.

Foi realmente vantajoso, Cosima pesou naquela manhã, enquanto caminhava ao longo do caminho de acesso à praia até a frente da casa. Em um curto espaço de tempo, o mercado imobiliário despencara e as incorporadoras estavam tendo problemas para vender os apartamentos de luxo. O preço já havia caído alguns milhares, assim, se nada acontecesse com a casa...

“À venda por leilão”.

Ela viu a placa e deu um sorriso ao ler que o leilão seria em breve, na verdade, em apenas algumas semanas. E havia uma “visita para inspeção” prevista para o fim de semana. Caminhando de volta para a praia, desta vez ela prestou atenção ao magnífico céu e na quietude da manhã, nas gaivotas sentadas como patos na água tranquila, no cão que correu para a água e as afugentou. E então ela a viu, em pé no oceano vítreo, a água na altura de seus joelhos, pernas afastadas e alongando-se, suas mãos estendidas em direção ao céu. Ela ficou parada e manteve a posição para depois, vagarosamente, abaixar os braços. E começou a fazer tudo de novo. Deus! Cosima revirou os olhos, ela estava em boa forma e tentava de maneira vaga se manter assim, cofiando principalmente em caminhar milhares de quilômetros dentro da Emergência do Hospital e em suas caminhadas na praia, mas isso que a mulher estava fazendo era “nova era” demais, aquele tipo de atividade feita para saudar o dia ou coisa parecida... por favor!

Ainda assim, Cosima admitiu que havia alguma coisa de espetacular sobre sua falta de inibição e algo sobre ela o fez sorrir enquanto caminhava.

E então, ela se virou e seu sorriso desapareceu quando ela se inclinou, ou melhor, praticamente dobrou-se em duas. Cosima viu o abdômen inchado e percebeu que ela estava grávida e visivelmente com dor. Ganhando velocidade, caminho rapidamente pela areia, tentando não parecer muito afobada, já que aquilo também poderia apenas ser parte da rotina de exercícios dela. Mas não era, ela estava caminhando com visível desconforto para fora da água rasa, ainda curvada em um ângulo estranho, e Cosima começou a correr, até alcança-la na beira do mar. Ela viu os cachos dourados no alto da cabeça dela enquanto ela, ainda dobrada, agarrava seus próprios joelhos.

- Você está bem? – Cosima perguntou preocupada.

- Ótima – ela gemeu e então olhou para Cosima. Os olhos dela eram cor de âmbar, um sotaque acentuado e estava rangendo seus dentes brancos – ioga idiota!

- Você está tendo uma contração? – Ela a estava examinando, mas não quis se aproximar e colocar a mão na barriga dela. Ela achou que precisava se apresentar primeiro – Meu nome é Cosima, e eu sou médica.

- Delphine... enchantè! – ela respirou fundo e relaxou aos poucos – eu não estou tendo uma contração, é só uma câimbra.

- Você tem certeza? – ela insitiu.

- Certeza absoluta! – ela se esticou e estremeceu, passando a mão no lugar onde sentira a pontada – são essas bobagens de “nova era” – Cosima não pede evitar um sorriso e, então, ela também sorriu – de acordo com meu obstetra, isso deveria relaxar tanto a mim quanto ao bebê. Só que é mais provável que acabe nos matando.

De repente, Cosima foi catapultada para o passado de novo. Exatamente como acontecia quase todos os dias, e todas as noites. Não todo o tempo, como antes, mas, já que haviam se passado quatro anos, com frequência demais para seu gosto.

- Bem, já que você está bem... – ela não terminou a frase e se virou para ir embora. De repente ela estava segurando a barriga com as duas mãos e expirando longa e lentamente.

- Isso – disse Cosima com firmeza – não é uma câimbra.

- Não – Ela fechou os olhos e desta vez Cosima colocou a mão no abdômen, sentiu o estiramento fraco ao redor do útero. Manteve a mão ali até que passasse, satisfeita em verificar que aquilo nada mais era do que uma contração Brazton-Hicks.

- É só o bebê praticando para o grande dia – ela sorriu – sinceramente, eu estou bem.

- Você tem certeza? – Cosima pressionou.

- Absoluta.

- Se elas se tornarem mais fortes ou, ficarem...

- Mais regulares... eu sei, eu sei – Delphine lhe deu um enorme sorriso. O sol estava alto agora e Cosima podia ver a pele de porcelana e seu rosto maravilhoso. E ela realmente tinha um sorriso incrível. – Bem, de qualquer modo, obrigado – ela disse.

- Sem problema.

Ela se virou e começo a caminhar ao longo da praia, na mesma direção que Cosima deveria ir, então a médica começou a caminha atrás dela e meio que a observava para ter certeza que não ia parar de novo, mas Delphine agora parecia bem. Ela vestia um short branco e uma camiseta regata branca justa, o corpo longo e curvilíneo por toda parte. Cosima sentiu um leve desconforto quando ela virou a cabeça para trás.

- Eu não estou seguindo você. Moro lá em cima – ela explicou.

- Que ótimo! – ela diminuiu o ritmo da caminhada – Onde?

- Num dos apartamentos pequenos ali no fim da praia.

- Desde quando? – ela pergunta interessada.

- Desde o final de semana.

- Então nós somos vizinhas – ela sorri – Eu sou Delphine Cormier, moro na Unidade 3.

- Cosima, Cosima Niehaus. Estou no número 22

- Então você está do lado calmo – Delphine revirou os olhos.

- Você tem certeza disso? – Cosima disse, levantando uma sobrancelha – Certamente não foi calmo nas últimas duas noites. Brigas, festas...

- Isso não é nada comparado aos meus vizinhos – ela retruca.

Elas estava lá, na frente da fileira de unidades de um dormitório que era o ponto de feiura num cenário tão encantador.

Sem dúvida, um dia uma incorporadora jogaria tudo no chão e construiria um prédio luxuoso ou um hotel, mas agora elas eram apenas fileiras de unidades velhas e bastante degradadas, que ofereciam aluguel barato e acesso à praia e, estavam cheias de mochileiros procurando um canto por algumas semanas e o eventual inquilino comum, o que era obviamente o caso de Delphine.

Ao chegarem à unidade dela, ficou claro que ela se destacava das outras, a pequena faixa de grama na frente havia sido aparada e havia vasos de girassóis na pequena entrada. Ficava claro que aquilo era um lar.

- Obrigado novamente pelo seu interesse – novamente ela deu aquele sorriso maravilhoso – e se você precisar de uma xícara de açúcar...

Cosima riu.

- Eu saberei aonde vir.

- Eu ia dizer que você terá que bater na porta ao lado. O médico acabou de me colocar numa dieta.

 Cosima riu novamente e acenou um adeus. Dirigindo-se para a sua unidade, entrou, ligou a cafeteira elétrica e observou em torno de si o interior sombrio antes de dirigir-se para o chuveiro fraco, imaginando se ele jorraria água quente ou fria essa manhã.

Ela esperava que o apartamento de Delphine fosse melhor que o dela. Era um pensamento estranho para aparecer de repente em sua cabeça, mas ela só esperava que fosse melhor, isso era tudo. Com certeza, do lado de fora ele era extremamente bem cuidado. Talvez o marido dela o tivesse pintado. E ela tinha esperanças de que a mobília dela fosse mais bonita do que a fornecida pelo senhorio. Ainda assim, isso não compensaria o barulho...

Saindo do chuveiro, ela podia ouvir seus vizinhos brigando novamente e, para Cosima, quanto mais cedo fosse o leilão, melhor.

Ela fez um pouco de café e sorriu novamente enquanto colocava açúcar nele. Delphine não precisava fazer dieta, ela tinha lá suas curvas sim, mas estava grávida.

Ela pensou naquele traseiro arredondado adorável, requebrando pela praia na frente dela, e apenas a imagem dela, tão clara em sua memória, deixou-a sobressaltada, então, ela imediatamente voltou sua mente para pensamentos mais práticos.

A taxa glicêmica dela estava provavelmente alta. Ela deveria estar no sétimo mês de gravidez, ou quase isso...

Ela forçou-se a empurrá-la para fora de sua cabeça, e não iria permitir-se outro pensamento com ela, mesmo assim, sentiu-se desconfortável quando, dirigindo pela escorregadia entrada de sua garagem, viu Delphine regando seus girassóis e acenando para ela.

Ela acenou de volta, um tanto relutante. Cosima não gostava de acenar para os vizinhos ou, apesar de sua brincadeira, aparecer para pedir açúcar ou procurando bater papo. Se Delphine não parecesse precisar de ajuda na praia, ela teria continuado direto na caminhada. Era exatamente como ela gostava que as coisas fossem.

“Uau!”

À medida que ela dirigia passando por ela, Delphine podia sentir seu rosto ficar vermelho mesmo enquanto ela, ah, acenava tão despreocupadamente.

Ela. Era. Linda!

Linda! Petit, com ombros delicados, as pernas torneadas e aquele cabelo castanho estiloso preso em um rabo de cavalo. E quanto àqueles olhos esverdeados... por que diabos não havia médicas como aquela onde ela trabalhava? E porque diabos estava tendo aquele tipo de pensamento sobre a jovem mulher que acabara de conhecer?

Então, ela parou de se sentir como uma adolescente e pensou o que aquela jovem médica tinha que a atraía tanto, talvez estivesse se sentindo solitária e sentindo falta de uma amiga para conversar, sim, era isso, sentia falta de companhia feminina para conversar um pouco.

Engraçado, por um momento ela havia se esquecido que estava prestes a se tornar mãe. Conversando com Cosima, batendo aquele papo enquanto caminhavam, por um momento ela havia esquecido que estava grávida, e tinha apenas se sentido como, bem, como uma mulher normal! O que ela era, claro, não havia nada mais feminino ou normal do que uma gravidez. Mas naquela manhã ela havia se sentido normal, feminina, corado, e dito todas as coisas erradas na frente de uma mulher muito sexy. ”Muito sexy?”, de onde isso tinha vindo? Delphine tinha suposto, embora ela não tivesse lido ou alguém tivesse dito isso, que o “botão fantasia” ficava desligado durante a gravidez, que se encontrava num estado de reclusão hormonal no qual os homens não eram atraentes e que você não flertava ou mesmo olhava duas vezes. E por seis meses havia sido daquele jeito... mas sentir-se atraída por uma mulher? Delphine começou a achar que seus hormônios estavam começando a confundi-la...

Não que precisasse se preocupar, Delphine disse a si mesma com firmeza. Nunca se sentira atraída por mulheres e não seria agora que iria começar. Um chute vigoroso de seus bebê a lembrou que naquele assunto ela não tinha escolha, dificilmente ela era candidata a qualquer tipo de romance, seja com homem ou com uma mulher.

 


Notas Finais


Essa é a adaptação de um estória antiga que li e achei que poderia funcionar com o nosso casal favorito. C & D em um universo alternativo ao da série. Me digam se vale à pena continuar.


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