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História Pequeno Universo - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Dividindo brinquedos


Acordou com o barulho de chave da porta do quarto de Bakugou sendo aberta. Coçou os olhos a tempo de ver o amigo entrar e trancar, ligando as luzes, tirando o casaco, jogando a mochila. Só então reparou em Deku, sentado de pernas cruzadas no chão do quarto, com o cabelo verde-escuro mais bagunçado que o normal e os olhos pequenos da soneca que estava tirando.

- O que você estava fazendo aí? - Perguntou enquanto mexia na escrivaninha.

- Te esperando… aí acabei cochilando. - Midoriya se esforçou para sair do little space. - Que horas são?

- Quase seis, daqui a pouco vão servir o jantar. - Comentou olhando o relógio. - Na verdade, a janta vai ser besteira, vão fazer uma festinha para receber o transferido, vai ser um saco. - E então presta atenção no little. - Você deveria ter usado a minha cama, Deku idiota.

- Estava com medo que você brigasse comigu. - Acabou falando em um tom infantil que atraiu a atenção de Kacchan.

- Eu não iria brigar com você por isso! Pelo menos usasse o tapete, cara de brócolis. - E apertou o nariz de Deku que reclamou. - Vamos dividir a cama de qualquer forma.

- Vamos?! - Midoriya arregalou os olhos.

- Sim, não tem muito espaço aqui pra outro colchão ou um futon, então é melhor dormirmos juntos. - E dá de ombros. - Não é grande coisa, nós fazíamos muito isso quando éramos pequenos.

- Mas nós crescemos… - Sua voz saiu quase num sussurro.   

- Tem certeza? - Kacchan sorri vitorioso quando Deku o olhou alarmado. - Deixa eu ver as suas coisas!

- Que coisas? 

- Não se faça de desentendido, Deku! Eu quero ver suas coisas de little!

Ele levou um tempo para processar. Kacchan não parecia bravo, ao contrário, estava genuinamente animado em se envolver com o little space de Deku. Seu olhar mostrava confiança, nenhuma presunção como se tivesse descoberto uma fraqueza. No final, o loiro não estava com nojo, mas sim curioso como Midoriya nunca tinha visto desde que eles tinham uns quatro anos.

Deku pegou a caixa no meio dos edredons no fundo do armário, então ele e Kacchan sentaram no tapete para olhar. Espalhou tudo pelo chão como nunca tinha feito, então começou a contar para o amiguinho o que cada coisa era:

- Essa é minha mamadeira, eu tenho essas chupetas. - Pegou uma e colocou na boca. - Minhas roupinhas e esse daqui é o meu coelhinho. Eu gosto muito de abraça ele de noiti, ele tem um cheirinho bom.

- Só isso? - Kacchan pergunta meio maldoso. - Eu tenho muito mais!

O loiro foi até o próprio armário, tirando de lá uma caixa organizadora de plástico preto. De uma vez, Kacchan virou-a no chão espalhando diversos brinquedos entre pelúcias de diversos bichinhos, blocos de montar, soldadinhos de plástico e jogos de lógica para crianças. Alguns livros infantis estavam perdidos no meio disso, com copinhos de treinamento e mamadeiras, chupetas e mordedores, entre outras coisinhas. Deku só teve tempo de salvar o seu coelhinho antes do tsunami de coisas de little o atingir.

- Viu só! Eu tenho muito mais! - Kacchan se exibe de do mesmo jeito que fazia quando os dois eram crianças.

- Você também é bebê?! - Deku perguntou chocado, mas bem curioso, não esperava isso do amigo.

- Não! Eu já sou um menino grande! O que tem? - Kacchan ficou vermelho, desviou o olhar, como se tivesse com medo do que Midoriya poderia achar.

Deku não conseguiu segurar sua felicidade, ultrapassou a pilha de brinquedos e abraçou Kacchan o levando ao chão consigo. O loiro até tentou xingar, empurrar o amiguinho, mas acabou deixando que o bebê chorão o abraçasse aliviado. Passaram um bom tempo no chão até Deku se recompor minimamente e sentar sobre as pernas do lado do outro.

- Não chora, Deku… - Consolou com um bico, como se tentasse dizer que não se importa de verdade. - Seu bebê chorão!

- É que… - E soluçou fundo. - Eu nunca tive um amiguinho pra compartilhar brinquedos… estou muito feliz, Kacchan!

- Que bom! Por que o meu Daddy não deixa eu espalhar meus brinquedos! Você vai ter que me ajudar a recolher se quiser brincar também!

- Vuxê tem um Daddy, Kacchan?

- Tenho! Algum dia eu te mostro… voxê quer? – O amiguinho pensou e então concordou a cabeça, seria legal conhecer mais pessoas que praticam DDLB. - Mas se você chegar perto dele eu te bato!

Deku concordou e jurou de dedinho que não “chegaria perto” do misterioso caregiver do amigo. Então os dois littles começam a colocar as coisas de Kacchan de volta na caixa para esconder a transgressão das regras do loiro. O trabalho levaria pelo menos uma hora, já que cada vez que achavam alguma coisa interessante começavam a brincar e se esqueciam de tudo.

- Quantos anos você tem, Deku? - Perguntou depois de parar a guerra de dinossauro de pelúcia, que o outro estava perdendo e ameaçando chorar.

Deku colocou quatro dedos na mão.

- E vuxê, Kacchan?

- Eu tenho cinco! - Disse orgulhoso, mas ao ver a confusão do amiguinho, acrescentou um dedo na mão alheia. - Você nem sabe contar! Eu sei contar até o dez!

Deku riu admirando o loiro que parecia tão cheio de si em ser mais velho e saber mais coisas. Mesmo se exibindo, às vezes falando que era o melhor, Kacchan era protetor com o amiguinho, ajudou-o a se vestir naquela manhã e agora fazia a maior parte do trabalho de organizar. Mas mesmo assim o incluiu, dando créditos para o menor quando colocaram as duas caixas juntas no armário.

- Já está na hora do jantar. - Fala checando o relógio de parede. - Precisa ir no banheiro, Deku? - O outro balança a cabeça que não. - Então vamos.

Kacchan ofereceu a mão para o outro segurar enquanto não houvesse ninguém pelos corredores. O moreno se aproximou, encostando a cabeça no ombro do amigo de infância, rindo sozinho de ter o seu vazio preenchido. Talvez ainda não soubesse o suficiente sobre DDLB, afinal se surpreendeu em ser cuidado por um little mais velho.


Notas Finais


Introdução ao ponto feita, agora vamos para o desenvolvimento da história
Próximo capitulo: Festinha
Postagem: 22/03


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