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História Perank - Primos - Capítulo 4


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Notas do Autor


Dscp demora gente, vou tentar postar o próximo capítulo em menos tempo

Capítulo 4 - Inocência


- O que você fazia da vida? - Frank puxou assunto. - Sabe, antes de ser preso?

Estavam os dois no quintal, aproveitando a brisa da noite enquanto terminavam de comer o bolo que Tia Héstia havia feito. Zhang tinha esperanças de que, com o vento, seu primo pusesse alguma roupa, porque seu tanquinho tornava difícil de focar em outras coisas. Pro seu azar, Percy nem mesmo parecia estar ficando desconfortável. Mas internamente, um pequeno pedaço dele agradecia a oportunidade de ter essa visão.

- Bico. - Jackson respondeu, com a boca ainda cheia de bolo. - Trabalhava de garçom na maior parte do tempo, mas também levava os cachorros pra passear, aparava a grama, limpava os prédios por dentro, limpava piscinas... - terminou de mastigar e engolir. - Tudo o que dava pra fazer.

- Garoto versátil. - O paisagista elogiou, risonho. - Pensa em fazer faculdade?

- Queria ter entrado na Escola de Belas Artes da UFRJ, mas afundei no penúltimo Enem. - o punk confessou. - Eu já tinha repetido de ano uma vez e a escola que eu estudava não ensinava muito, aí eu fiz pré-vest comunitário ano passado. Mas eu fui preso antes que pudesse fazer a prova.

Percy parecia ter ficado triste com esse último detalhe, então Frank tentou pensar num meio de voltar a conversa pra um tom agradável.

- Bom que agora você pode tentar de novo com um aluno nota 10 pra te ajudar a estudar! - Zhang revelou. - Esquenta com o Enem não, eu também tive esse azar de não passar. Eu até tinha a matéria em dia, mas fiquei muito nervoso e não consegui me concentrar.

- A Annabeth e o Grover também passaram por isso, é tenso essa coisa de ansiedade né? - Jackson perguntou.

- Pra caramba. Eu não tenho Transtorno de Ansiedade, mas de vez em quando rola uns momentos tensos.

- Eu tenho Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade e Dislexia. Acho que eu tinha uns nove anos quando o médico falou isso. Antes eu tomava o remédio tranquilo, mas quando o dinheiro apertou lá em casa, eu parei de tomar.

- E o seu pai não dava dinheiro?

O punk riu.

- Meu pai pagou um salário mínimo de pensão até eu repetir de ano, depois cansou.

- Cara babaca. - o paisagista se indignou. - Ele tem outro filho que ele também trata assim?

- Se tiver, é um que também já foi fichado, meu pai odeia que a imagem pública dele seja manchada. Mas os outros filhos ele trata muito bem, tipo o Tyson. Ele é meio lento e não enxerga direito, mas meu pai paga professores particulares pra ele.

- Bom que ele ainda tem um lado humano. Mas isso é injusto! Porque ele também não te acolheu?

- Acho que porque eu não sou filho da nova mulher dele, Anfitrite. Ele preferiu me esquecer, tirando uma ou duas vezes.

- Bem, azar o dele! - Frank afirmou. - Você é muito legal, cara!

Percy ficou sem jeito, mas sorriu.

- Qual curso você queria fazer, por sinal? - Zhang quis saber.

- Artes plásticas. - Jackson respondeu. - Desenho, pra ser mais específico. Eu quero muito poder ganhar a vida com isso.

- Qual tipo de desenho você faz?

- Vou te mostrar.

Dito isto, o punk foi pro andar de cima, provavelmente pra pegar um desenho na mochila, e voltou com alguns papéis em mãos. O paisagista estendeu a mão para pegá-los, mas o de olhos verdes não entregou.

- Promete que não vai julgar, tá bom? - Percy pediu, corando.

Frank ficou surpreso. Seu primo não havia demonstrado vulnerabilidade dessa forma até então. A expressão no seu rosto e a tensão nos seus músculos mostravam a que a insegurança era real nesse quesito. Mas isso não era motivo pra pensar pouco de Jackson ou da sua arte. Pelo contrário, Zhang admirou ainda mais o primo pela confiança em mostrar algo que ele mesmo não tinha certeza se estava bom.

- Prometo. - olhou nos olhos do punk enquanto dizia.

Percy entregou os papéis ao paisagista e esperou sua reação. Frank nem mesmo teve que fingir, os desenhos eram muito bons! Eram histórias em quadrinhos, com temática de super-herói. A maioria era colorida, mas apenas em tons frios, como verde, azul e roxo. Não haviam diálogos, mas era possível entender a maior parte do que estava desenhado. Zhang também notou que o protagonista tinha olhos verdes, e não pôde evitar de perguntar:

- Ele seria um alter-ego seu?

- Pode-se dizer que sim. - Jackson admitiu. - Perry Johnson e seus amigos.

- Seriam o Grover e a Annabeth aqui do seu lado?

- Eles mesmos. O Grover é um baita ativista ambiental. Vai pra tudo quanto é ato, mesmo tendo que andar com muletas. Ele seria o Gabriel, que hipnotiza as pessoas tocando música na flauta.

- E a Annabeth?

Era a sua namorada? quis perguntar.

- Nossa, por onde começar? - Percy ficou em dúvida, com um brilho nos olhos. - Uma vez, aos doze, eu fugi de casa, porque meu padrasto tava bêbado. Só que eu tava muito doente e desmaiei na porta da casa dela. Foi aí que a gente se conheceu. O pai dela me deixou passar a noite e, na manhã seguinte, ela falou que eu babava enquanto dormia. - sorriu com uma ponta de saudades no rosto.

- Que fofura... - o paisagista tentou não transparecer o ciúme. Acho que ele só é hétero desconstruído mesmo, lamentou. - Vocês estão juntos desde então?

Jackson olhou pro primo com um ar de surpresa. E depois riu muito, tanto que se engasgou com um restinho de bolo que estava comendo. O sinodescendente ficou sem-jeito com aquilo tudo, até seu primo poder falar de novo.

- Todo mundo que me ouve falar dela pensa isso, acho que eu sou ótimo em romantizar a nossa história. - o punk riu mais um pouco. - A gente até teve certa química ao longo dos anos, mas ela curtia muito um garoto errado, Luke Castellan. Depois que ele morreu, a gente até deu uma namoradinha de três meses, mas eu sou gay demais pra ela e ela é lésbica demais pra mim.

- Já li tanto sobre isso na internet... - Frank riu um pouco, talvez de alívio. - O gay e a lésbica que se pegaram no passado antes de se descobrirem e se assumirem.

- Nessa época eu realmente tava tentando me convencer que era hétero, viu? A Annabeth me desconstruiu muito sobre isso. Não é à toa que o poder da Annie Bell, dos meus quadrinhos, é super-inteligência.

- E o seu super poder? - Zhang indagou.

- Congelar as coisas. - Percy revelou. - Eu ia fazer o Perry controlar a água, mas eu achei meio chatinho desenhar a água, então eu troquei pra gelo. Fora que esse poder é bem melhor

- Como assim? - o paisagista perguntou.

- Imagina poder congelar uma boa memória pra poder ficar admirando ou congelar algo ruim antes que acontecesse. - Jackson propôs. - Não ia ser demais?

- Então o Perry Johnson congela até o tempo? - Frank quis confirmar. - Meio apelão, mas acho legal poder congelar bons momentos.

- Congela! - o punk comandou, apontando a mão pro primo.

- Quê?

- Congela! Estou usando meu super-poder em você!

- Okay. - Zhang entrou na brincadeira. - E agora?

- Agora você não pode reagir à isto! - Percy exclamou, avançando em direção ao primo.

O paisagista mal teve tempo de registrar o que houve. No segundo seguinte, seus lábios estavam formigando e Jackson havia se levantado. Seu cérebro ficou um pouco embaralhado e demorou um pouco pra que ele entendesse que fora beijado pelo próprio primo. O punk não o olhava, já se encaminhando para cima. Antes que pudesse se conter, Frank gritou:

- Espera!

Percy continuou subindo as escadas, ignorando o primo. Frank se levantou e o seguiu, encontrando-o no banheiro, colocando a pasta de dente na escova. Talvez estivesse um pouco aceso, mas preferiu não olhar pra baixo e descobrir que estava com um volume depois do primo já ter visto.

- O que foi aquilo? - Zhang quis saber, se apoiando no batente da porta.

- Selinho de primo. - Jackson respondeu, antes de enfiar a escova na boca e ficar cantarolando.

O paisagista abriu a boca para responder, mas fechou logo em seguida. Parece que o punk está realmente disposto a fazer coisas de primos com Frank. Queria esconder o vermelho na bochecha, que podia sentir quase ardendo de tão intenso, mas nem sabia o porquê. Afinal, ambos subiram as escadas correndo e era por isso que até Percy havia corado, certo?

Zhang decidiu que estava cansado demais pra continuar pensando e entrou no banheiro, respirando fundo e tirando a roupa, de costas pro primo. Se ele pode ficar confortável pelado na minha frente, pensou, eu devo ser capaz de fazer o mesmo. Abriu a porta, entrou no box, e antes que fechasse, pôde jurar que viu Jackson lhe secando pelo espelho. Fechou os olhos e ignorou o formigamento lá embaixo, girando bastante a torneira. Precisava muito de um banho frio.

Depois de sair do banho, foi a vez do punk tomar mais uma ducha enquanto o paisagista escovava os dentes. Colocou o pijama e foi dormir, estando exausto mentalmente. Lidar com o medo antes de conhecer o primo, além dos seus flertes e insinuações o deixaram um pouco sobrecarregado pro primeiro dia. Se esse ritmo se mantivesse, estaria pegando o próprio primo antes que Tia Héstia voltasse de viagem (o que, se parar pra pensar, era a melhor opção).

Pegou no sono, mas não teve tempo de sonhar antes de ser acordado pela mão de Percy no seu ombro.

- Primo! - Jackson sussurrou. - Posso juntar nossas camas?

- Por quê? - Frank perguntou, sonolento.

- Não tô conseguindo dormir sozinho. Ainda tô acostumado com a cadeia.

- Tá, só não ronca no meu ouvido. - Zhang permitiu, doido pra voltar a dormir.

O rangido da cama sendo arrastada o incomodou, mas não tardou a dormir novamente. Acordou novamente no meio da noite com o punk lhe abraçando por trás e, embora tenha se assustado, não fez questão de sair dali. Ficar de conchinha com alguém não é tão desconfortável como dizem, afinal. Contudo, demorou um pouco mais pra cair no sono dessa vez. Percy estava tendo uma ereção e era difícil sossegar a mente com o pau do seu primo roçando na sua bunda.


Notas Finais


Lavem as mãos e FIQUEM EM CASA PORRA


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