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História Percy Jackson, Júlia Cooper e a Maldição do Titã. - Capítulo 6


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Notas do Autor


Hey, Peixinhos!

Capítulo 6 - SEIS - Um velho amigo morto vem visitar.


Percy.

Na outra manhã depois do café, falei para Grover do meu sonho. Nós sentamos na campina vendo os sátiros caçarem as ninfas da floresta pelo meio da neve. As ninfas tinham prometido beijar os sátiros se fossem pegas, mas eles raramente conseguiam. Geralmente a ninfa deixaria o sátiro ficar com a cabeça cheia de vapor, então ela se transformaria em uma árvore coberta de neve e o pobre sátiro bateria com a cabeça nela e uma pilha de neve seria despejada nele.

Quando eu contei a Grover meu pesadelo, ele começou a enrolar seu dedo no pelo desgrenhado de sua perna.

- Um teto de caverna desabou sobre ela? - ele perguntou.

- Isso. O que diabos isso significa? - Grover balançou a cabeça.

- Eu não sei. Mas depois do que Zoe sonhou...

- Uou. O que você quer dizer? Zoe teve um sonho como esse?

- Eu... Eu não sei, exatamente. Por volta das três da manhã ela veio à Casa Grande e exigiu falar com Quíron. Ela parecia realmente em pânico.

- Espere, como você sabe isso? - Grover corou.

- Eu estava meio que acampado do lado de fora do chalé de Ártemis.

- Para quê?

- Apenas para estar, você sabe, perto delas.

- Você é um perseguidor com cascos.

- Não sou! De qualquer maneira, eu a segui até a Casa Grande e me escondi num arbusto e observei a coisa toda. Ela ficou realmente perturbada quando Argo não a deixou entrar. Foi uma cena meio perigosa.

Eu tentei imaginar aquilo. Argo era o chefe da segurança do acampamento - um grande cara loiro com olhos por todo o seu corpo. Ele raramente aparecia a menos que alguma coisa séria estivesse acontecendo. Eu não ia querer fazer apostas em uma luta entre ele e Zoe Nightshade.

- O que ela falou? - eu perguntei. Grover fez uma careta.

- Bem, ela começa realmente a falar à moda antiga quando fica contrariada, então estava um pouco difícil de entender. Mas alguma coisa sobre Ártemis estar com problemas e precisando das Caçadoras. Aí ela chamou Argo de palhaço de cérebro fervido... Eu acho que isso é uma coisa ruim. Então ele a chamou de...

- Uou, espera. Como pode Ártemis estar com problemas?

- Eu... bem, finalmente Quíron veio com seus pijamas e sua cauda de cavalo com cachinhos e...

- Ele faz cachinhos em sua cauda?

Grover tapou sua boca.

- Desculpe - falei. -Continue.

- Bem, Zoe disse que precisava de permissão para abandonar o acampamento imediatamente. Quíron recusou. Ele lembrou Zoe que as Caçadoras deviam ficar até receberem ordens de Ártemis. E ela falou...

Grover engoliu em seco.

- Ela falou “Como nós vamos receber ordens de Ártemis se Ártemis está perdida?”.

- Como assim perdida? Como se ela precisasse de direções?

- Não. Acho que ela quis dizer desaparecida. Capturada. Sequestrada.

- Sequestrada? - eu tentei focar minha mente em torno dessa ideia. - Como você sequestraria uma deusa imortal? Isso é ao menos possível?

- Bem, é. Digo, isso aconteceu com Perséfone.

- Mas ela era tipo, a deusa das flores.

Grover pareceu ofendido.

- Primavera.

- Que seja. Ártemis é muito mais poderosa que isso. Quem poderia sequestrá-la? E por quê?

Grover balançou sua cabeça miseravelmente.

- Eu não sei. Cronos?

- Ele não pode já estar tão poderoso. Pode?

A última vez que nós vimos Cronos, ele estava em pedacinhos. Bem... nós na verdade não o vimos. Milhares de anos atrás, depois da grande guerra Titãs--Deuses, os deuses o fatiaram em bocadinhos com sua própria foice e espalharam os restos no Tártaro, que é tipo uma caixa de reciclagem sem fundo dos deuses para seus inimigos. Dois verões atrás, Cronos nos iludiu até a beira do precipício e quase nos empurrou dentro. No último verão, a bordo do navio de cruzeiro demoníaco de Luke, nós vimos um caixão dourado, onde Luke afirmou que estava convocando o Lorde Titã para fora do abismo, pedacinho por pedacinho, toda vez que alguém novo unia-se à sua causa. Cronos podia influenciar pessoas com sonhos e enganá-las, mas eu não conseguia ver como ele poderia sobrepor Ártemis fisicamente se ele ainda estava como uma pilha maligna de restos de casca de árvore.

- Eu não sei - Grover falou. - Eu acho que alguém saberia se Cronos tivesse se reconstruído. Os deuses estariam mais nervosos. Mesmo assim, é estranho, você tendo um pesadelo na mesma noite que Zoe. É quase como...

- Se eles estivessem conectados - eu disse. – Lia apareceu no meu chalé ontem à noite, ela sonhou o mesmo que eu.

- Júlia? Então ela também estava conectada. Ela já não sonhava a mesma coisa que você antes?

- Sim, quer dizer, alguns deles.

- Hum.

- Sabe, fazia um tempo que ela não ia até meu chalé. Ela sempre aparecia quando tinha tempestade.

Grover ergueu as sombrancelhas e sorriu estranho, parecia que tinha finalmente encurralado uma das suas latas e estava prestes a devora-la como um verdadeiro bode.

- Falando na Júlia, quando é que vocês vão se acertar?

- O quê? Não estamos brigados.

- Não, eu não quis dizer que estavam. Eu quero saber se vocês já se declararam – Grover começou a balançar as sombrancelhas.

Senti minha boca se abrir em descrença.

- O quê? – disse um pouco alterado, me sentando mais ereto. – Não tem nada para declarar, nós somos amigos!

- Mas querem ser mais que isso – Groverme acusou. – Sério, Percy, o acampamento inteiro já deve ter percebido o que rola entre vocês.

Senti minha cabeça rodar. Como assim tinha algo entre mim e Lia? O que o acampamento inteiro já tinha notado? Afinal, o que tinha para notar?

- Eu... Eu não – tentei falar alguma coisa, mas minha cabeça ainda girava.

- Escute, Percy – Grover colocou a mão em meu ombro. – Você está confuso, eu entendo. Não é fácil admitir que sente algo a mais que amizade pela sua melhor amiga de infância. Mas você tem que parar com isso, cara. Tem que se ajeitar logo e decidir o que vai fazer.

- Mas eu não...

- Você quem sabe, Percy – Grover se afastou um pouco e deitou na grama. – Só não machuque a Júlia, ela é minha amiga também.

Afirmei com a cabeça, mesmo que ainda estivesse confuso com essa conversa. Lia era minha amiga, eu gostava dela, nós crescemos juntos e passamos por muitas coisas juntos. Era normal me sentir melhor quando ela estava por perto, quando ela sorria, dizia coisas inteligentes e sarcástica, ou mesmo quando ela bagunçava meus cabelos e me fazia sentir segurança. O que tinha de mais nisso, afinal?

Por cima do gramado congelado, um sátiro derrapou nos cascos enquanto perseguia uma ruiva ninfa das árvores. Ela sorriu e cruzou os braços enquanto ele corria em sua direção. Pop! Ela se transformou num pinheiro escocês e ele beijou o tronco a toda velocidade.

- Ah, o amor - Grover falou sonhador e rindo em seguida.

Então voltei meus pensamentos sobre o pesadelo de Zoe, que ela teve apenas algumas horas depois de mim.

- Eu tenho que falar com Zoe – falei.

- Hum, antes de você fazer isso...

Grover tirou algo do bolso do casaco. Era algo dobrado em forma de árvore, como um folheto de viagens.

- Você se lembra do que disse, sobre como foi estranho as Caçadoras aparecerem do nada no Westover Hall? Acho que elas poderiam estar nos vigiando.

- Vigiando a gente? O que quer dizer?

Ele me deu o folheto. Era sobre as Caçadoras de Ártemis. A capa dizia, UMA SÁBIA ESCOLHA PARA O SEU FUTURO! Dentro havia fotos de jovens donzelas fazendo coisas de caçadora, perseguindo monstros, atirando com arcos. Havia legendas como: BENEFÍCIOS PARA SAÚDE: IMORTALIDADE E O QUE ELA SIGNIFICA PARA VOCÊ! e UM AMANHÃ LIVRE DE GAROTOS!

- Encontrei isso na mochila de Annabeth - disse Grover.

Eu o encarei.

- Não entendo.

- Bem, eu acho que... talvez Annabeth estivesse pensando em se afiliar. Talvez ela tenha falado com Júlia sobre isso, ela parecia bem pensativa depois que saíram da cabana de Ártemis.

Eu gostaria de falar que recebi bem as notícias. A verdade era que eu queria estrangular as Caçadoras de Ártemis uma donzela imortal de cada vez. O resto do dia eu tentei me manter ocupado, mas estava doente de preocupação com Annabeth ou pensando na minha conversa estranha com Grover sobre Lia. Fui à aula de arremesso de dardo, mas o campista de Ares encarregado me botou para fora depois que eu me distraí e arremessei o dardo no alvo antes que ele saísse do caminho. Pedi desculpas pelo buraco em suas calças, mas assim mesmo ele me mandou arrumar minhas coisas. Visitei os estábulos dos pégasos, mas Silena Beauregard do chalé de Afrodite estava discutindo com uma das Caçadoras, e decidi que era melhor não me envolver. Depois disso, sentei no depósito de bigas vazio e fiquei emburrado. Lá embaixo, nos campos de arco e flecha, Quíron estava conduzindo o treino com alvos. Eu sabia que ele era a melhor pessoa para conversar. Talvez ele pudesse me dar alguns conselhos, mas alguma coisa me segurou. Tive um pressentimento de que Quíron tentaria me proteger, como ele sempre fez. Ele poderia não me contar tudo que sabia. Olhei na outra direção. No topo da Colina Meio-Sangue, Sr. D e Argo estavam alimentando o bebê dragão que guardava o Velocino de Ouro.

Então me ocorreu: ninguém estaria na Casa Grande. Havia mais alguém... algo mais a quem eu poderia perguntar por orientação. Meu sangue estava zunindo nos meus ouvidos enquanto eu corria para dentro da casa e subia as escadas. Eu apenas tinha feito isso uma vez, e ainda tinha pesadelos sobre isso.

Eu abri a escotilha e entrei no sótão. A sala estava escura e empoeirada e bagunçada com tralhas, do jeito que eu me lembrava. Havia escudos com mordidas de monstros, e espadas entortadas no formato de cabeças de demônios, e um bocado de coisas empalhadas, como uma harpia estufada e uma brilhante píton laranja. Perto da janela, sentada num banquinho de três pernas, estava a múmia enrugada de uma idosa num vestido hippie tingido. O Oráculo. Eu me forcei a andar em direção a ela. Esperei a neblina esverdeada ondular para fora da boca da múmia, como da última vez, mas nada aconteceu.

- Oi - eu disse. - Hã, tudo em cima?

Eu estremeci com quão estúpido aquilo soava. Quase nada estaria para “cima” quando você está morto e preso no sótão. Mas eu sabia que o espírito do Oráculo estava ali em algum lugar. Podia sentir uma presença gelada no recinto, como uma cobra dormindo enrolada.

- Tenho uma pergunta - eu falei um pouco mais alto. - Preciso saber de Annabeth. Como eu posso salvá-la?

Sem resposta. O sol se esgueirou pela janela suja do sótão, iluminando as partículas de poeira dançando no ar.

Esperei mais.

Então me aborreci. Estava sendo ignorado por um cadáver.

- Tudo bem - falei. - Muito bem, vou dar um jeito por conta própria.

Eu me virei e bati numa grande mesa cheia de souvenirs. Parecia mais desorganizada do que na última vez em que estive aqui. Heróis guardavam todo tipo de coisa no sótão: troféus de missões que eles não queriam mais manter em seus chalés, ou coisas que continham memórias dolorosas. Sabia que Luke tinha armazenado uma garra de dragão em algum lugar aqui em cima - a que tinha deixado a cicatriz em seu rosto. Havia o cabo de uma espada quebrada etiquetado: Isto quebrou e Leroy foi morto. 1999. Então percebi um lençol rosa de seda com uma etiqueta presa a ele. Peguei a etiqueta e tentei ler:

LENÇO DA DEUSA AFRODITE

RECUPERADO NO PARQUE AQUÁTICO WATERLAND, DENVER, CO.

POR JÚLIA COOPER E PERCY JACKSON

Encarei o lenço. Tinha esquecido totalmente sobre ele. Dois anos atrás, Lia tinha tomado esse cachecol das minhas mãos e dito algo como, Ah, não. Sem magia do amor pra você!

Eu achava que ela tinha jogado fora. E agora aqui estava ele. Ela guardou isso todo esse tempo? E por que ela tinha escondido isso no sótão? Eu me virei para a múmia. Ela não tinha se mexido, mas as sombras através de sua face faziam parecer que ela estava sorrindo horrivelmente. Deixei cair o lenço e tentei não correr até a saída.

Naquela noite após o jantar, eu estava seriamente disposto a ganhar das Caçadoras no capture a bandeira. Seria um jogo pequeno: somente treze Caçadoras, incluindo Bianca di Angelo, e quase o mesmo número de campistas. Zoe Nightshade aparentava estar bem chateada. Ela ficava olhando com ressentimento para Quíron, como se não acreditasse que ele a estava obrigando a fazer isso. As outras Caçadoras não pareciam muito felizes, também. Ao contrário da última noite, elas não estavam rindo e brincando. Elas apenas se juntaram no refeitório, sussurrando nervosamente umas com as outras enquanto botavam suas armaduras. Algumas delas até pareciam ter chorado. Imagino que Zoe contou a elas sobre seu pesadelo. Do nosso lado, tínhamos Beckendorf e outros dois caras de Hefesto, alguns do chalé de Ares (ainda que parecesse estranho Clarisse não estar ali), os irmãos Stoll e Nico do chalé de Hermes, Lia – que parecia entediada demais para se quer prestar atenção em outra coisa a não ser sua espada - e algumas crianças de Afrodite. Era estranho que o chalé de Afrodite quisesse jogar. Geralmente eles sentavam pelos cantos, conversavam, e checavam seus reflexos no rio e coisas assim, mas quando ouviram que estávamos lutando contra as Caçadoras, ficaram ansiosos por participar.

- Vou mostrar a elas que “amor é inútil” - Silena Beauregard resmungou enquanto afivelava sua armadura. - Vou pulverizá-las!

Sobramos Thalia, Lia e eu.

- Vou ficar com o ataque - Thalia se voluntariou.

- Você fica na defesa.

- Ah. - Eu hesitei, porque estava para dizer a mesma coisa, só que invertida. - Você não acha que com seu escudo e tudo mais, você ficaria melhor na defesa?

Thalia já estava com Aegis em seu braço, e até nossos companheiros de equipe estavam dando um amplo espaço para ela, tentando não se acovardar diante da cabeça de bronze da Medusa.

- Bem, estava pensando que isso ficaria melhor no ataque - Thalia disse. - Além disso, você treinou mais na defesa.

Eu não estava certo se ela estava me importunando. Tive algumas experiências ruins na defesa do capture a bandeira. No meu primeiro ano, Annabeth me colocou como uma espécie de isca, e eu quase fui espetado até a morte com lanças e assassinado por um cão infernal.

- É, sem problemas - eu menti.

- Legal - Thalia se virou para Lia. – E você July?

Lia levantou o olhar de sua espada rapidamente.

- Você está bem?

- O quê? Ah, estou... estou bem – Lia balançou uma das mãos como se estivesse espantando uma mosca da sopa. – Eu fico no ataque.

Thalia a olhou desconfiada antes de ir ajudar algumas crianças de Afrodite, que estavam tendo problemas em vestir suas armaduras sem quebrar as unhas. Nico di Angelo correu até nós com um grande sorriso em seu rosto.

- Percy, Júlia, isto é incrível!

Seu elmo de bronze com penacho azul estava caindo em seus olhos, e sua placa peitoral era quase seis vezes maior. Imaginei se havia alguma maneira de eu ter aparentado ser ridículo daquele jeito da primeira vez que eu cheguei. Infelizmente, provavelmente havia. Nico levantou sua espada com esforço.

- Nós temos que matar o outro time?

- Bem... Não. – eu disse.

- Mas as Caçadoras são imortais, certo?

- Isso é apenas se elas não caírem em batalha. Além do mais...

- Seria incrível se nós apenas, tipo, ressuscitássemos assim que fôssemos mortos, então poderíamos continuar lutando, e...

- Nico, isto é sério. Espadas de verdade. Estas podem machucar.

Ele me encarou, um pouco desapontado, e percebi que tinha acabado de soar como a minha mãe. Uou. Não é um bom sinal.

Lia bateu de leve no ombro de Nico.

- Ei, está tudo bem. Apenas siga o time. Fique fora do caminho de Zoe. Nós vamos nos divertir muito. Tente não se machucar, ok?

Nico sorriu para ela, balançando a cabeça diversas vezes muito animado. Pela primeira vez em meses vi Lia sorrir tão boba quanto estava agora. Ela parecia nutrir um enorme carinho por Nico.

O casco de Quíron retumbou no chão do pavilhão.

- Heróis! - ele chamou. - Vocês sabem as regras! O riacho é a fronteira. Time azul -- Acampamento Meio-sangue -- devem pegar a floresta oeste. Caçadoras de Ártemis -- time vermelho -- devem pegar a floresta leste. Eu serei o árbitro e médico do campo de batalha. Nada de mutilações intencionais, por favor! Todos os itens mágicos estão permitidos. Para suas posições!

- Bacana - Nico sussurrou ao nosso lado. - Que tipos de itens mágicos? Eu fico com um?

Estava prestes a cortá-lo dizendo que não, quando Thalia falou: - Time azul! Sigam-me!

Eles se animaram e seguiram. Tivemos que correr para alcançá-los, e tropecei no escudo de alguém, assim eu não parecia muito como um co-capitão. Mais como um idiota.

Nós posicionamos nossa bandeira no topo do Punho de Zeus. É o aglomerado de pedras no meio da floresta oeste que, se você olhar do ângulo certo, parece um grande punho saindo do chão. Se você olhar de qualquer outro lado, parece uma pilha de excrementos de veado, mas Quíron não nos deixaria chamar o lugar de Pilha de Cocô, especialmente depois de ter sido nomeado para Zeus, que não tem muito senso de humor. De qualquer maneira, era um bom lugar para colocar a bandeira. A rocha do topo tinha seis metros de altura e era realmente difícil de escalar, então a bandeira estava claramente visível, como as regras falavam que tinha de estar, e não importava que os guardas não estivessem permitidos a permanecer a pelo menos nove metros de distância dela.

Coloquei Nico encarregado da guarda com Beckendorf e os irmãos Stoll, calculando que ele estaria seguramente fora do caminho.

- Nós vamos mandar uma isca pela esquerda - Thalia falou ao time.

- Silena, você lidera isso.

- Entendido!

- Leve Laurel e Jason. Eles são bons corredores. Faça um amplo arco em volta das Caçadoras, atraia o máximo que conseguir. Levarei o grupo de assalto principal pela direita e as pegaremos de surpresa.

Todos confirmaram com a cabeça. Soava bom, e Thalia falou com tanta confiança que você não podia fazer nada a não ser acreditar que iria funcionar.

Thalia olhou para mim.

- Algo a acrescentar, Percy?

- Hum, sim. Fiquem espertos na defesa. Nós temos quatro guardas, dois batedores. Isso não é muito para uma grande floresta. Estarei andando por aí. Gritem se precisarem de ajuda.

- E não deixem seus postos! - Thalia disse.

- A não ser que vejam uma oportunidade de ouro - acrescentei.

Thalia fez uma expressão de desgosto.

- Apenas não deixem seus postos.

- Certo, a não ser...

- Percy!

Ela tocou meu braço e me eletrocutou. Quero dizer, todo mundo dá choques estáticos no inverno, mas quando Thalia o faz, dói. Acho que é porque seu pai é o deus do trovão. Ela é conhecida por fritar as sobrancelhas das pessoas.

- Desculpe - disse Thalia, ainda que não soasse particularmente sentida. - Agora, está claro para todos?

Todos concordaram. Nós nos dividimos em nossos grupos menores. A corneta soou, e o jogo começou.

O grupo de Silena desapareceu na floresta à esquerda. O grupo de Thalia deu alguns segundos, então se lançaram pela direita – Lia acenou para mim e Nico.

Esperei algo acontecer.

Escalei o Punho de Zeus e obtivemos uma boa visão de cima da floresta. Lembrei de como as Caçadoras saíram de repente do bosque quando enfrentaram a mantícora, e eu estava preparado para algo assim - uma carga enorme que nos esmagaria. Mas nada aconteceu.

Captei um relance de Silena e seus dois batedores. Eles correram através de uma clareira, perseguidos por cinco das Caçadoras, conduzindo-as mais para dentro da floresta e para longe de Thalia. O plano parecia estar dando certo. Então eu mirei outro amontoado de Caçadoras dirigindo-se para a direita, arcos preparados. Elas deviam ter visto Thalia.

- O que está acontecendo?- perguntou Nico, tentando escalar ao meu lado.

Minha mente estava acelerada. Thalia nunca conseguiria passar, mas as Caçadoras estavam divididas. Com tantas assim em cada flanco, o centro deveria estar aberto. Se eu fosse rápido... Olhei para Beckendorf.

- Vocês conseguem proteger o forte?

Beckendorf bufou.

- É claro.

- Vou entrar.

Os irmãos Stoll e Nico me apoiaram enquanto eu corria em direção às linhas de fronteira.

Estava correndo a toda velocidade e eu me sentia ótimo. Salteisobre o riacho para dentro do território inimigo. Eu podia ver sua bandeira prateada acima, apenas uma guarda, que nem estava olhando na minha direção. Escutei lutas à esquerda e à direita, em algum lugar no bosque. Eu tinha conseguido. A guarda virou no último minuto. Era Bianca di Angelo. Os olhos dela se arregalaram enquanto eu lhe dava uma trombada e ela ia se esparramando pela neve.

- Desculpe! - gritei.

Arranquei da árvore a bandeira prateada de seda e parti.

Estava a dez metros de distância quando Bianca conseguiu gritar por ajuda. Pensei que estava livre. ZIP. Um cordão prateado passou pelos meus tornozelos e fincou na árvore próxima a mim. Um fio para tropeçar, disparado de um arco! Antes que eu pudesse ao menos pensar em parar, eu fui pra baixo duramente, estatelado na neve.

- Percy! – Exclamou Lia na minha esquerda.

- O que você está fazendo? – Brandou Thalia vinda da mesma direção.

Antes que elas me alcançassem, uma flecha explodiu aos seus pés e uma nuvem de fumaça amarela ondulou em volta de sua equipe. Eles começaram a tossir e a engasgar. Eu podia sentir o cheiro do gás por toda a floresta - o horrível cheiro de enxofre.

- Não é justo! - Thalia arfou. - Flechas de peido são antidesportivas!

- Cara – Lia disse com uma careta. – Quem peida assim?

Levantei e comecei a correr de novo. Apenas mais alguns metros até o riacho e eu teria o jogo. Mais flechas zuniram pelo meu ouvido. Uma Caçadora surgiu do nada e me golpeou com sua faca, mas eu desviei e continuei correndo.

Escutei gritos do nosso lado do riacho. Beckendorf e Nico estavam correndo na minha direção. Pensei que eles estavam vindo para me receber de volta, mas aí eu vi que eles estavam perseguindo alguém - Zoe Nightshade, correndo até mim como um leopardo, esquivando de campistas sem nenhum problema. E ela tinha nossa bandeira em suas mãos.

- Não! - gritei, e aumentei a velocidade.

Estava a meio metro da água quando Zoe passou de volta para seu lado, trombando comigo como medida de segurança. As Caçadoras se animavam enquanto os dois lados convergiam para o riacho. Quíron apareceu do meio das árvores, parecendo ameaçador.

Ele tinha os irmãos Stoll em suas costas, e ao que parecia os dois tinham tomado umas desagradáveis pancadas na cabeça. Connor Stoll tinha duas flechas cravadas em seu elmo como antenas.

- As Caçadoras vencem! - Quíron anunciou sem prazer. Então ele murmurou - Pela quinquagésima sexta vez seguida.

- Perseus Jackson! - gritou Thalia, apressando-se até mim. Ela cheirava a ovo podre, e ela estava tão brava que faíscas azuis tremeluziam em sua armadura. Todos titubearam e recuaram por causa de Aegis. Precisei de toda a minha força de vontade para não me acovardar. - O que em nome dos deuses você estava PENSANDO? - ela rugiu.

Cerrei os punhos. Já havia tido suficientes coisas ruins acontecendo comigo para um dia. Eu não precisava disto.

- Eu peguei a bandeira, Thalia! - balancei-a na cara dela. - Vi uma chance e aproveitei!

- EU ESTAVA NA BASE DELAS! - Thalia gritou. - Mas a bandeira tinha sumido. Se você não tivesse se intrometido, nós teríamos ganhado.

- Havia muitas em cima de você!

- Ah, então é minha culpa?

- Eu não falei isso.

- Argh! - Thalia me empurrou, um choque percorreu meu corpo e me jogou três metros para trás, dentro da água. Alguns campistas sobressaltaram-se. Um par de Caçadoras abafou risadas. - Desculpe! - Thalia disse, ficando pálida. - Eu não queria...

Raiva rugiu nos meus ouvidos. Uma onda emergiu do riacho, chocando-se na cara de Thalia e ensopando-a da cabeça aos pés.

Eu levantei.

- É - rosnei. - Eu não queria, também.

Thalia estava respirando pesadamente.

- Basta! - ordenou Quíron. Mas Thalia segurou sua lança.

- Você quer um pouco, Cabeça de Alga?

De algum jeito, estava tudo bem quando Annabeth me chamava assim - pelo menos, eu já tinha me acostumado - mas escutar isso de Thalia não era legal.

- Pode vir, Cara de Pinhão!

Levantei Contracorrente, mas antes que eu pudesse ao menos me defender, Thalia gritou, e uma explosão de raios caiu do céu, atingiu sua lança como um pára-raios, e teria chocado-se contra o meu peito, se alguém não tivesse sido mais rápido em me empurrar.

Caí sentado duramente. Havia um cheiro de queimado. Olhei para cima e vi Lia arfando, com o escudo em mãos e um pouco de sua roupa queimada.

- July! – disse Thalia vindo em sua direção.

- Thalia! - disse Quíron. - Já basta!

Coloquei-me de pé e desejei que o riacho inteiro se levantasse. Ele rodopiou, centenas de galões de água numa nuvem maciça e gelada em forma de funil.

- Percy! - Quíron protestou.

Eu estava prestes a arremessar tudo em Thalia quando vi algo entre as árvores. Perdi minha raiva e minha concentração de uma vez. A água se espalhou de volta na base do riacho, molhando Lia. Thalia estava tão surpresa que se virou para ver o que eu estava olhando.

Alguém... algo estava se aproximando. Estava imerso numa tenebrosa névoa verde, mas enquanto se aproximava, campistas e Caçadoras se sobressaltaram.

- Isto é impossível - Quíron disse. Eu nunca o tinha visto soar tão nervoso. -Aquilo... Ela nunca deixou o sótão. Nunca.

Ainda assim, a múmia esmirrada que carregava o Oráculo vacilou para frente até que ficou no centro do grupo. Neblina circundava seus pés, deixando a neve com uma doentia tonalidade verde. Nenhum de nós se atreveu a se mexer. Então sua voz sibilou na minha cabeça.

Aparentemente todos podiam ouvi-la, porque muitos apertaram suas mãos contra os ouvidos. Eu sou o espírito de Delfos, a voz falou. Orador das profecias de Febo Apolo, matador da poderosa Píton.

O Oráculo fitou a mim com seus olhos frios, mortos. Então ela se virou sem erro na direção de Zoe Nightshade. Aproxime-se, Buscadora, e pergunte.

Zoe engoliu em seco.

- O que eu devo fazer para ajudar minha deusa?

A boca do Oráculo se abriu, e névoa verde espalhou-se para fora. Eu vi a vaga imagem de uma montanha, e uma mulher em pé no pico árido. Era Ártemis, mas ela estava presa em grilhões, acorrentada às pedras. Ela estava se ajoelhando, suas mãos levantadas como para se defender de um atacante, e parecia que ela estava com dores. O Oráculo falou:

A oeste, cinco buscarão a deusa acorrentada, 

Um se perderá na terra ressecada,

A desgraça do Olimpo aponta a trilha,

Campistas e Caçadoras, cada um, brilha,

A maldição do titã um deve sustentar,

E pela mão do pai, um irá expirar.

Então, enquanto nós olhávamos, a névoa rodopiou e recuou como uma grande serpente verde para dentro da boca da múmia. O Oráculo se sentou numa rocha e ficou parada como se ela estivesse no sótão, como se ela tivesse sentado perto do riacho por cem anos.


Notas Finais


Peixinhos?


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