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História Perdi-me em ti - Capítulo 3


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Capítulo 3 - O tal em que reencontrei aqueles rostos


Fechei a porta de casa. Terminara a semana de uma forma excelente. Foi a primeira semana que dei aulas no Colégio. Os miúdos muito acolhedores, compreensivos. Uma semana inesquecível. Decidi caminhar pela cidade à noite e sentir as luzes multicolores da rua a cintilar perante os meus olhos. Comprei uns itens pela rua, terminei a noite com um gelado e segui para casa.

O fim-de-semana passou por mim sem eu dar por isso, com todo o trabalho de preparar aulas. A partir daí, os meses seguintes foram um rodopio muito gratificante. Tudo era trabalho e eu não sentia o fardo dele na minha alma. Fazia aquilo por gosto, os alunos a querer aprender mais e mais, o seu entusiasmo. Um paraíso.

 

 

QUATRO MESES DEPOIS

Hoje no Colégio houve uma reunião com todos os professores de línguas estrangeiras. A única informação que nos foi fornecida foi para todos comparecermos. Já na reunião, foi apresentada uma proposta de trabalho agregada ao Colégio para ensino de línguas estrangeiras a um grupo de pessoas, cujos idiomas requeridos eram: Inglês, Francês, Espanhol e Português. O agente presente na reunião que pretendia um professor de línguas estrangeiras pediu que lhe enviássemos o formulário e que, dois dias depois, os candidatos comparecessem numa entrevista presencial.

Ponderei. Ponderei muito. Mas enviei. Dois dias depois, fui à entrevista. O edifício era enorme, perdia-me nos seus inúmeros andares. Subi e fui recebida calorosamente por dois homens que me encaminharam para uma sala, onde me sentei e onde me fizeram a entrevista. Respondi a várias perguntas e a tudo o que queriam saber. Ouvia uma música de fundo no andar de cima e tumultos com os pés. A verdade é que não sabia o que saíria dali, mas fui completamente honesta quanto aos meus requisitos.

Três dias depois, recebi uma chamada. Fora selecionada. Faria parte de uma equipa de professores de línguas de um grupo de indivíduos, os quais iríamos conhecer nessa mesma tarde. Desloquei-me para o mesmo edifício e entrei numa sala com mais quatro professores estrangeiros. Instantaneamente, conhecemo-nos e dialogámos. Entre todos os murmuros, ecoava um nome: idol, idol, idol...

Imediatamente percebi onde estava. Perdida entre os meus pensamentos, ouvimos vozes a entrar pela sala e todos nos levantamos. Aparentemente, grupo ao qual iríamos ensinar línguas. 

Ouvi uma voz grave a vozear 그녀, (ela).

Reparei nos rostos de cada um daqueles homens. E a minha memória não me atraiçoava. Eram eles. Do hotel. E este foi o dia em que comecei a acreditar no destino.

Sentaram-se na mesa redonda connosco. Apresentaram-se como 방탄소년단 (Bangtan Sonyeondan) e ouvimos cada um deles. Senti durante aqueles cinquenta minutos de reunião os olhares de alguns deles a lavarem-me o corpo. Assinámos papéis e ali também assinava uma nova etapa. Entregaram-nos horários e dois dias depois, começaríamos com as formações. 

A sala concedida para as aulas tinha uma só mesa retangular e ampla, onde todos estavam sentados quando cheguei, atrelados aos seus cadernos e canetas na mão. Apresentei-me e recolhi deles a sua melhor apresentação em português.

- Eu sou Hoseok.

- Eu Yoongi.

- Olá, meu nome es Jungkook.

- Meu nome Jin.

- Jiminá! (risos)

- Olá, meu nome é Namjoon, eu sou líder.

- E o calado do fundo...? - perguntei eu.

- Olá, sou Taehyung.

- He is Mr. Lindo! - disse Hoseok.

O calado, reservado, de nome Taehyung, esboçou um sorriso envergonhado, sem querer alongar a brincadeira. Sentir-se-ia pouco à vontade com a minha presença. Ou faria mesmo parte dele.

- Nada mau. Estou aqui para ouvir os vossos maiores erros, as vossas maiores inquietações numa língua estrangeira. Só conseguirei ajudar-vos se forem honestos com as vossas dificuldades. Se chegarmos a esse ponto, serão muito bem preparados. - disse, com voz trémula de nervosismo, tentando combatê-lo com o sorriso dos meus olhos.

Entre apontamentos e cópias, a aula terminou e respirei fundo. Arrumei o computador e regressei a casa. Lá, como um gato, curiosamente pesquisei aquele grupo na internet. E rapidamente percebi onde me tinha metido. O bom e o mau. Nessa noite, deitei a cabeça cheia de pensamentos na almofada e, a tocar Blue Room de Chet Baker, adormeci com as feições de cada um deles gravadas na minha memória. Nessa noite sonhei até o sono se cansar...



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