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História Perdição no Paraíso - O Segredo dos Deuses - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


Boa noite amorins :)
Bem, esta semana o capitulo sai um dia mais cedo, pois amanhã trabalho >.>
Como podia não ter tempo, decidi postar agora.
Em todo o caso, espero que gostem :)
Boa leitura

Capítulo 7 - Capitulo VI


Fanfic / Fanfiction Perdição no Paraíso - O Segredo dos Deuses - Capítulo 7 - Capitulo VI

Santorini, Grécia – Tempos Atuais

A noite já se avistava longa naquela cidade a beira mar. Na enorme mansão de Poseidon, apenas uma luz ainda permanecia acesa, vinda de um quarto em particular. Encostada na parede, junto a janela, Thetis esperava ansiosamente os seus companheiros. Na sua mão repousava uma caneca com chá e a qual fumegava de tão quente que estava. Desde muito jovem que ela havia sido recrutada por Kanon para servir Poseidon e independentemente de tudo o que havia acontecido no passado, ela criara laços praticamente inquebráveis com todos eles. O mesmo se podia dizer da parte dos rapazes e até do deus, que viam nela o refugio feminino que nunca tiveram. Para eles, Thetis era muito mais que uma companheira de armas ou até uma amiga. Nela, eles viam uma irmã, algo delicado que devia ser protegido, mesmo que a mesma não precisasse.

Ansiosamente, ela olhou para o relógio em cima da mesa de cabeceira, o qual marcava duas da manhã. Com um suspiro pesado, ela levou a boca a caneca, bebericando um pouco do seu conteúdo. O céu encontrava-se estrelado e a lua brilhava fortemente, dando-lhe um certo conforto quanto a viagem deles. De repente, o som de um carro, a adentrar por entre os portões da mansão, chamou a sua atenção, fazendo um pequeno sorriso desenhar-se no seu rosto. Sem perder tempo, ela pousou a caneca em cima de uma mesinha e saiu a correr pela porta, ansiosa por os ver novamente. Desde do torneio – há um mês atrás – que ela apenas tinha notícias deles pelo telefone. Vestindo um pijama de flanela cor-de-rosa e umas pantufas com orelhas de coelhinhos, ela desceu as escadas, parando a meio ao ouvir a porta a abrir-se.

- Pois é, pois é… - Imediatamente, a voz de Kanon fez-se presente no hall de entrada. – Se não houvesse cerveja queria ver como era.

- Eu acho que tenho umas quantas lascas na mão! – Reclamava Baian.

Parada no meio da escada, ela apenas sorriu, assim que os seus olhos bateram nos seus meninos.

- Meninos! – Disse ela, fazendo os quatro calarem-se imediatamente.

Com cara de totós e sorrisos bobos na cara, eles olharam para ela, como se a mesma fosse clorídrico para os seus olhos.

- Olá amora! – Saudaram eles em uníssono, completamente derretidos.

- Vamos fazer pouco barulho sim? – Pediu Thetis, enquanto descia o resto das escadas suavemente. – Temos convidados e já está tudo a dormir.

Atrás dos marinas encontravam-se os seis cavaleiros de ouro, que haviam viajado com eles e os quais ficaram com cara de estúpidos ao ver como eles mudavam de postura com ela por perto.

- Abracinho de grupo? – Pediu ela, abrindo os braços.

Imediatamente, os quatro marmajões que serviam Poseidon, abraçaram ao mesmo tempo a sereia, sentindo saudades dos mimos dela.

- Tive saudades vossas! – Soltou ela no ar com a voz embargada. – Vocês estão bem?

Ao soltarem-se do abraço, ela analisou cada um deles ao detalhe, ficando um pouco estupefacta ao olhar para Io.

- Que te aconteceu? – Perguntou ela aflita. – Estás todo arranho.

- Pergunta aí ao Baian! – Respondeu o general de Scylla, olhando de lado para o companheiro.

- O que fizeste? – Perguntou ela ao general, com um semblante inquisidor. 

- Nada! – Afirmou Baian com cara de anjo. – Só o atirei para o meio de umas meninas…

- Só?! – Resmungou Io, muito indignado. – Achas pouco? Olha a minha cara!!

O general de Scylla quase o fulminou com o olhar, enquanto apontava para nos ligeiros arranhões no seu rosto.

- Ponto meninos… - Interveio Thetis, antes que eles brigassem e acordassem alguém. – Já passou… Io vai para cima, toma um banho e eu já lá vou desinfetar-te esses arranhões.

- Tenho fome! – Reclamou Kanon, por não ter atenção.

- Thetis, estou queimado do sol! – Disse Isaak, mostrando os seus ombros cobertos pelo casaco, também ele querendo um pouco de preocupação.

- E eu tenho soninho! – Queixou-se Baian.

- Está bem, está bem… Um de cada vez. – Mediante tantas queixas, Thetis logo tentou por ordem na situação, como se falasse com crianças ciumentas. – Baian, tomar banho e cama.

- Quero leite quente com chocolate! – Pediu o general de cavalo-marinho.

- Sim, eu já levo! – Respondeu a sereia. – Isaak, sobe com eles e toma um banho também, já lá vou passar um creme nesses ombros.

Sem reclamar, os três generais assentiram com a cabeça e subiram rapidamente para o andar superior, deixando Thetis com Kanon e com os cavaleiros.

- Vocês venham comigo… - Pediu ela, seguindo em direção a cozinha.

- Tenho fome! – Reclamou o general de dragão-marinho mais uma vez.

- Eu sei Kanon… - Respondeu ela, enquanto caminhava, nem se dando ao trabalho de olhar para ele. – Eu ouvi a primeira.

Muito calados trás deles, os cavaleiros entreolhavam-se, recriminando os generais pelo comportamento mimado. No entanto, lá no fundo, sentiram uma pontada de inveja, pois da parte deles não tinham ninguém que se preocupasse daquela forma.

- Não me importava de uma Thetis no santuário! – Comentou Máscara da Morte baixinho para Saga.

- Acho que ninguém se importava! – Respondeu o geminiano, sem desprender o olhar dela, que seguia tranquilamente a sua frente.

- Se formos a ver bem, todos os lados têm alguém que cuide deles, menos nós. – Concluiu Aiolia. – Estes têm a Thetis, os de Asgard têm a Hilda e a Freya… E os espectros têm a Pandora, mesmo ela sendo um cascavel!

- A gente tem a senhorita Athena! – Afirmou Aphrodite de forma inocente, recebendo um olhar de canto dos restantes.

- Essa nem dela sabe cuidar! – Constatou Shura. – Eu gosto muito da deusa, mas as vezes…

- Pois! Eu acho que o Kanon tem razão… - Disse Saga, enquanto coçava o queixo. – A gente serve mesmo o lado negro da força.

E com este breve comentário, eles chegaram a cozinha, ficando boquiabertos com a quantidade de comida em cima da mesa. Se já o luxo da mansão os deixara admirados, aquilo definitivamente era a cereja no cimo do bolo.

- Fiquem à vontade… - Disse Thetis, enquanto tirava uma caneca do armário. – Depois o Kanon indica-vos onde vão dormir!

- Porque eu? – Perguntou ele, já com a boca cheia.

- Não se fala com a boca cheia. Onde estão os teus modos? – Com aquela repreensão por parte da sereia, o general engoliu em seco, por se sentir intimidado. – Vais ser tu, porque eu estou cansada e ainda tenho de ir tratar dos outros três. Por isso comam e cama.

- Fica tranquila… - Disse Saga de forma muito cortes. –  A gente desenrasca-se, com ou sem o Kanon.

- Obrigada querido. – Respondeu Thetis com um sorriso. – Então é assim, Aiolia ficara com o Aiolos, que se encontra no segundo quarto do lado direito. Máscara da Morte e Aphrodite, vocês ficarão no quarto ao lado. Aldebaran e Shura, primeiro quarto a esquerda, assim que sobem as escadas. Kanon, o Saga fica contigo…

- Como assim? – Reclamou novamente o general. – Eu não quero levar com o chulé dele!

- Tomaras tu, ter a minha limpeza! – Rematou Saga, não gostando muito do comentário do irmão. – Não me faças falar, Kanon!

Com um copo de suco na mão, para ajudar a empurrar a comida, Kanon mostrou a língua ao irmão, a qual ainda tinha restos de comida.

- Que nojo! – Reclamou Aphrodite, chegando mesmo a levar a mão ao peito.

- Kanon! – Mais uma vez, Thetis o repreendeu. – Comporta-te!

O general de dragão marinho nada respondeu, rindo apenas de forma travessa, perante a indignação dos presentes.

- Pode deixar querida… - Interveio Aldebaran, com um sorriso afável. – A gente se vira, tal como o Saga disse. Não precisamos do capeta do Kanon para nada. Vai lá descansar.

- Obrigada! – Agradeceu ela, enquanto tirava a caneca de leite do micro-ondas e juntava um pouco de chocolate. – Não demorem aqui, pois amanhã têm de se levantar cedo!

- Para que? – Indagou Kanon, já com a pança cheia.

- Vamos para a Turquia. Foi por isso que eles vos mandaram regressar. – Informou Thetis, enquanto tentava pegar uma maleta de primeiros socorros num armário alto. – Maldição!

Perante a dificuldade da moça, Saga aproximou-se e esticou o braço, pegando com facilidade a maleta. Com um sorriso encantador, o cavaleiro entregou aquilo a ela, enquanto recriminava mentalmente o irmão por ser um folgado.

- Obrigada! – Disse ela, devolvendo o sorriso e apercebendo bem da diferença entre os dois irmãos. – Bem meninos, comportem-se, pouco barulho e não se esqueçam de estar prontos ás nove horas manhã. Tudo o que precisam estará nos respetivos quartos. Tenham uma boa noite.

Com a maleta numa mão e a caneca de leite com chocolate na outra, Thetis retirou-se em direção ao andar superior da mansão. Já os cavaleiros e o general ficaram por ali, comendo mais um pouco e aproveitando para jogar conversa fora, fazendo suposições a cerca do intuito da viagem.

Um bom tempo se passou, quando Thetis finalmente acabara de cuidar daqueles meninos grandes. Ensonada, ela saiu do quarto de Io, levanto na mão o kit de primeiros socorros, com intenção de o voltar a colocar no lugar. Ao chegar na cozinha viu Saga ainda ali, arrumando a sujeira que os colegas e o irmão haviam feito, nem dando conta da presença dela.

- Saga, deixa ficar isso… - Pediu ela ao entrar ali, apanhando o cavaleiro de surpresa. – Amanhã as servas arrumam.

- Não custa nada… - Respondeu ele, enquanto lavava o último parto. – Além do mais, estou sem sono.

- Insónias frequentes? – Perguntou ela, puxando uma cadeira e subindo nela, para conseguir arrumar a maleta.

- É… - Afirmou ele pensativo.

- Sei como é! – Constatou a sereia, observando-o detalhadamente. – Mas devias procurar descansar um pouco e deixar os demónios, que te atormentam, arrumados.

Sorrateiramente, Thetis encostou-se ao balcão, mesmo ao lado da pia. Com aquela proximidade, ela não pode deixar de admirar as semelhanças que Saga tinha com Kanon. Contudo, havia algo de muito diferente nele, que realmente a chamou a atenção. O seu olhar era triste e meio apagado, bem diferente do general de dragão-marinho.

- Desde que Athenas nos trouxe a vida novamente, que tem sido assim. – Confessou Saga, enquanto limpava as mãos. – Mas acho que o sentimento é geral, visto que todos nós passamos pelo mesmo tormento no inferno.

- Não consigo nem imaginar e dá-me um nó no estômago, só de pensar que um dia poderei ir para lá. – Revelou ela, com um semblante sério. – Nos primeiros meses que Poseidon trouxe os generais, acordei várias vezes com eles aos gritos durante a noite... Nos primeiros dias fiquei tão aflita, que nem sabia o que fazer.

- Imagino que eles tenham conseguido ultrapassar isso! – Afirmou Saga, encostando-se ao lado dela. – Pelo menos tinham alguém ao lado deles.

Com aquela afirmação, Saga referia-se a ela de forma subliminar, deixando apenas no ar com um sorriso galã.

- Fiz o que pude… O Kanon e o Krishna acho que foram os menos afetados! – Revelou ela, ao lembrar aqueles tempos. – Já o Baian, o Kaasa e o Isaak não lidaram tão bem com isso, mas com o tempo acabou por passar… Mas o Io foi o que mais sofreu. Cheguei a passar noite em claro, pois ele acordava a tremer, todo suado e completamente petrificado.

- Sério? – Saga ficou um tanto admirado, pois achava que ele seria o mais forte de espirito. – Ele parece sempre tão alegre.

- Ele esconde muito o que sente e tenta manter sempre um sorriso diante das dificuldades. – Continuou ela. – Do seu jeito, ele lá tentou superar esse tormento. Treinava como um loco todos os dias, começou a estudar medicina veterinária e chegou mesmo a voluntariar-se para ajudar os mais necessitados. Tudo isso para se manter sempre ocupado e não pensar nos tempos em que esteve no inferno.

- É de louvar a sua força de vontade! – Constatou Saga, desviando o olhar para ela e a observando com atenção.

- Em todo o caso, pensem que talvez Hades seja mais benevolente para a próxima. – Finalizou Thetis, ao desencostar-se do balcão. – Bem, eu vou dormir. Tem uma boa noite Saga.

- Boa noite… - Respondeu ele, ficando a vê-la afastar-se, em direção a saída da cozinha.

Mediante as palavras de Thetis, Saga sentiu-se menos sozinho e apercebeu-se que, no final das contas, todos eles haviam passado pelo mesmo. Embora não fosse um assunto discutido entre cavaleiros, todos eles haviam arranjado a sua própria forma de contornar os seus tormentos. Na visão do geminiano, aquele horror que passaram, no fundo serviu para os tornar em pessoas melhores. Um bom exemplo disso era Máscara da Morte, que muito embora continuasse um capeta de língua afiada, era agora capaz de mostrar que no fundo tinha bom coração.

Com as palavras de Thetis na mente, Saga sorriu e foi também se deitar. Ao entrar no quarto do irmão, encontrou-o a ocupar boa parte da cama de casal e a ressonar, tendo apenas os boxers vestidos. Com aquela visão do inferno, o cavaleiro de gêmeos revirou os olhos e amaldiçoou a sua sorte, enquanto se deitava ao lado do irmão e lhe dava umas patadas para ganhar espaço na cama.

 

Olimpo – Inicio dos Tempos

- Vamos Hécate! – Gritou Poseidon autoritário. – De novo!

Deitada no chão, a deusa lançou para ele um olhar de revolta, por não ser capaz de contornar aquela montanha de força bruta. Fazia já algum tempo, que eles haviam iniciado os treinos e tal como prometera, Poseidon havia-se mantido profissional, focando-se apenas nos exercícios e no desenvolvimento dela. Por uma questão de segurança, ele não voltara a tentar algo com ela ou até mesmo fizera qualquer tipo de insinuação, embora muitas vezes a sua vontade fosse agarra-la e capturar os seus lábios, que se tornavam cada vez mais chamativos.

Com alguma dificuldade, o deus havia conseguido arranjar algo para que ela pudesse vestir durante o treino, alcançando assim uma maior liberdade nos seus movimentos. O conjunto, que ele havia conseguido desviar, era composto por as famosas saias de couro e um corpete reforçado. Como era de esperar, as curvas definidas e as pernas torneadas de Hécate chamavam a sua atenção, fazendo-o engolir em seco por várias vezes. Contudo, Poseidon manteve-se forte perante os seus desejos e vontades, tentando ensina-la da melhor maneira que conseguia.

Para completar o figurino, um escudo e uma espada verdadeira juntavam-se ao uniforme. Visto que ela usaria uma arma daquelas durante a guerra, Poseidon achou que seria boa ideia começar a habitua-la com o peso do duro metal. Naquele dia em particular, o deus estava extremamente exigente, pois tentava a todo custo desviar a sua atenção da silhueta dela. Aquela era já a quarta vez que ele a atirava para o chão, fazendo-a cuspir a fina areia que lhe entrava na boca. Com um olhar mortal sobre ele, Hécate levantou-se e respirou fundo, voltando a colocar-se na posição defensiva que ele lhe havia ensinado. Com o escudo a frente do corpo e a espada apontada a ele, a deusa avançou com tudo, usando o máximo de velocidade que conseguia.

Como era de esperar, Poseidon defendeu-se do ataque dela, levantando apenas o braço esquerdo, onde o seu escudo repousava. Embora a força física dela ainda fosse fraca, naquela hora o deus notou uma melhoria desde que haviam começado, algo que o fez sorrir orgulhoso. Sem grande esforço, ele a empurrou para trás, pois para todos os efeitos ele estava desarmado. Contudo, daquela vez ela não caíra na areia, mantendo-se firme perante ele. Um pouco farta de ser constantemente derrotada por ele, Hécate atirou o escudo para o chão, pois na sua mente aquilo atrapalhava-a mais do que ajudava.

Colocando as duas mãos sobre o cabo da espada, ela a ergueu e analisou atentamente Poseidon, tentando encontrar uma brecha naquele monte de músculos suados. Sem piedade, ela voltou a lançar-se sobre ele, empregando mais força em cada ataque. Mediante a ferocidade dela, o deus viu-se obrigado a defender-se com mais afinco, preferindo esquivar-se do que usar o escudo. Recorrendo a sua agilidade, Poseidon rodou o corpo para o lado, assim que ela o acatou, ficando bem atrás dela. Rapidamente, ele agarrou o seu pulso e a encostou ao seu corpo, deixando que as suas narinas sentissem o doce cheiro daquele cabelo negro. Naquela hora, o seu coração fraquejou, mas ainda assim tentou manter-se concentrado para não deitar tudo a perder. Com cuidado, ele torceu um pouco o pulso dela, forçando-a a largar a espada. Devido a dor que ele lhe infligira, Hécate reclamou e fraquejou instantaneamente. Aproveitando aquela abertura, Poseidon livrou-se do seu escudo e rodeou rapidamente a cintura dela com o braço, a arremessando para o chão. Tendo cuidado para não a magoar, ele foi até a baixo junto com ela, deitando-a no chão sob o seu corpo.

- Todo o ataque perfeito, tem uma defesa exemplar… - Disse ele calmamente, mantendo o seu olhar preso no dela. – Talvez devesse começar por aí.

- Aquele escudo é demasiado pesado! – Reclamou ela, experimentando um calor súbito apoderar-se de si, ao sentir aquela mão forte ainda na sua cintura.

- É uma questão de hábito… - Respondeu ele, enquanto engolia em seco, ao vê-la ofegar.

Mesmo com aquela resposta, a deusa não se mexeu ou reclamou para que continuassem, pois naquele momento preferiu perder-se nos belos olhos do deus. O seu coração disparou, assim que se permitiu apreciar a beleza de Poseidon mais de perto e o mesmo também não se importou, pois a cada dia que passava ficava mais louco e desesperado por tê-la.

- Hécate? – Balbuciou Poseidon, mordendo ligeiramente o lábio inferior.

- O que foi? – Perguntou ela, nem se apercebendo no olhar de luxúria que ele abatia sobre si.

- Desculpa por isto! – Pediu ele, deixando-a um pouco confusa.

No entanto, antes que ela pudesse dizer alguma coisa, o deus baixou a sua cabeça em direção a dela. Imediatamente, os lábios de ambos se selaram na mais perfeita harmonia. Ali, deitados na areia, apenas o som do mar os acompanhava naquele baile. Contrariamente ao que ele pensava, Hécate correspondeu ao beijo, deixando que a boca dele a dominasse por completo. Toda a frieza ou até mesmo a força de vontade abandonou o seu corpo, pois quanto mais ele a beijava, mais o seu corpo o procurava. Por mais que negasse a si própria, Poseidon mexia com ela de uma forma incompreensível, fazendo-a mesmo ansiar por aquela altura do dia, cuja atenção dele seria apenas sua.

No meio daquela sintonia, o deus simplesmente se aconchegou sobre o corpo dela, deixando que as suas mãos traçassem cada linha daquela cintura, que lhe roubava o raciocínio. Por entre ofegares e leves gemidos, as suas línguas batalhavam dentro da boca um do outro, tentando ganhar aquela luta sem vencedor, saboreando assim o doce néctar daquele beijo. Todo o Universo pareceu parar naquele momento, mostrando a ambos que havia muito mais do que aquilo que eles conheciam. Um sentimento novo para ambos, que os deixava sem ar, sem fome e sem sono.

Deixando-se levar pelo calor do momento, Poseidon deixou a boca dela, passando para o seu pescoço, na ansia de saborear o gosto daquela pele cálida e apetecível. Os dedos de Hécate, logo entrelaçaram os sedosos fios de cabelo do deus, tamanho era o prazer que ele lhe dava com aqueles simples e singelos toques. Arrepios percorreram o seu corpo, como se fossem pequenos choques elétricos, fazendo aumentar o calor no seu intimo. Vendo-a rendida em seus braços, Poseidon ajeitou-se entre as suas pernas, querendo muito mais do que simples beijos, como se a sua vida dependesse disso. Contudo, um flash de sanidade atingiu a mente da deusa, ao lembrar dos conselhos de Thanatos e de muitos outros. Um medo súbito apoderou-se do seu peito, tornando cada toque dele uma verdadeira tortura.

- Poseidon! – Ela o chamou, ofegante e apreensiva. – Pare, por favor…

Diante daquele pedido, o deus apenas levantou a cabeça, deixando o pescoço dela com dificuldade. O olhar de ambos se cruzou, revelando um semblante confuso por parte dele.

- Fiz alguma coisa de errado? – Ele perguntou, sem saber bem como reagir naquela hora.

- Não… - Afirmou ela, com um ligeiro sorriso. – Apenas não quero sofrer por sua causa!

Aquela revelação deixou Poseidon frustrado, pois imediatamente se deu conta que a sua fama o perseguiria para sempre. Delicadamente, ela pousou as suas mãos sobre o peito dele, empurrando-o para trás. Por seu lado, Poseidon não tentou rebater aquela decisão, acatando imediatamente a vontade dela. Atónito, ele sentou-se na areia, vendo-a levantar-se rapidamente e sair dali, sem olhar uma única vez para trás. Não demorou muito, para que Hécate desaparecesse por entre a vegetação, que delimitava aquele reino do senhor dos mares. Com olhar fixo naquele ponto, Poseidon fechou os punhos, sentindo um certo desconforto ao ser rejeitado, coisa que jamais havia acontecido.

 - Ainda serás minha um dia… - Disse ele a si próprio, abrindo um sorriso confiante.

Pesadamente, o deus levantou-se e tirou a escassa roupa de treino que trazia, caminhando até ao mar e deixando que a água fria banhasse o seu corpo nu. No meio das ondas, Poseidon acalmou o seu espirito e relaxou a sua mente, deixando que a correnteza levasse o calor que sentia sempre que pensava nela.

Por seu lado, Hécate saiu o mais depressa que conseguiu daquele lugar, sentindo o seu coração bater fortemente. Sem saber o que pensar ou que fazer, ela correu até ao Panteão, onde supos que Thanatos estaria. As suas mãos tremiam, assim como as suas pernas, revelando o nervosismo que se havia apoderado dela. Pelo caminho, ela foi ajeitando o vestido e o cabelo, tendo apenas tempo de esconder a roupa de treino num arbusto. Ao chegar ao seu destino, a deusa logo viu os dois gémeos rodeados por ninfas, os quais riam e aproveitavam para tirar casquinha com algumas delas. Sem pensar duas vezes, ela foi até ao deus da morte, quase nem o reconhecendo, devido a safadeza que ele havia adquirido.

- Thanatos? – Ela o chamou seriamente, com a voz trémula.

Ao ouvir a sua voz, o deus olhou para o lado com um sorriso de alegria estampado no rosto, enquanto uma ninfa lhe fazia uma massagem. Contudo, o sorriso logo desvaneceu, ao ver que alguma coisa de errado acontecia com ela.

- Bons olhos a vejam, senhorita! – Disse Hypnos, que bebericava um pouco de vinha, totalmente relaxado entre algumas ninfas.

- Está tudo bem? – Perguntou Thanatos, um tanto apreensivo.

- Senhor Hypnos! – Ela o saudou por cortesia, voltando imediatamente a sua atenção para Thanatos. – Preciso de falar contigo! Importas-te de vir comigo…

- Não vê que ele esta ocupado? – Indagou uma das ninfas, cujos cabelos eram acastanhados e o corpo fazia inveja as restantes.

- Eu não falei para si! Responda apenas quando lhe pedir a sua opinião… – Rebateu Hécate, mal-humorada, deixando o deus em alerta. – Thanatos, por favor…

- Claro! – Rapidamente, ele levantou-se do seu lugar, deixando as ninfas um pouco frustradas.

Sem perder tempo, Hécate agarrou a mão do deus da morte e o puxou para fora daquele lugar, caminhando apressadamente por entre os corredores.

- O que se passa Hécate? – Perguntou Thanatos, começando a ficar preocupado.

- Aqui não… - Respondeu ela, continuando a puxa-lo para um lugar mais isolado.

Por alguns minutos, os dois caminharam em silêncio até chegar a uma pequena gruta, a qual se encontrava por de trás das cascatas do monte Olimpo. Ali, onde ninguém os podia ouvir, Hécate largou a mão do deus e começou a caminhar de um lado para o outro, parecendo uma barata tonta.

- Posso saber o que te incomoda? – Questionou ele, achando muito estranho aquele comportamento.

- O Poseidon beijou-me! – Constatou ela, muito exaurida, como se estivesse em pânico. – E agora?

- O que? – Perante aquela revelação, Thanatos ficou muito sério a olhar para ela.

- Ele beijou-me e tentou… - Hécate fez uns gestos com a mão, deixando nas entrelinhas as reais intenções do deus dos mares.

- Como é que é? – Aquela última parte em nada agradara Thanatos, fazendo-o fechar os punhos. – Vou-lhe partir aqueles dentes!

- Não, não… - Tentou a deusa acalma-lo rapidamente. – Não aconteceu nada. Eu pedi que ele parasse e ele parou.

- Mesmo assim! Olha o estado em que estás… - Constatou o deus da morte, não desprendendo o seu olhar do dela. – Estás toda a tremer, ele assustou-te… Quem ele pensa que é?

- Thanatos, o pior disto tudo é que eu gostei… - Com aquela revelação, Hécate tapou o rosto com as mãos sentindo-se envergonhada.

Mediante aquelas palavras, o deus quase se engasgou, não esperando que ela dissesse uma coisa daquelas.

- E agora? – Perguntou ela, notoriamente desesperada. – Eu sinto umas coisas estranhas quando estou perto dele, quando o vejo e até mesmo quando ele fala para mim. Como é que eu faço para parar isto?

- Oh bolas! – Thanatos bateu com a mão na sua testa, já prevendo que algo assim poderia acontecer. – Não podes fazer nada…  Vocês têm noção dos problemas que podem arranjar, se algo do género se souber?

Perante aquela pergunta, Hécate não conteve mais as forças nas suas pernas e deixou o seu corpo ir até ao chão, ficando ali a olhar para o vazio.

- Hécate, afasta-te dele! – Aconselhou Thanatos, sentando-se ao seu lado. – Essa atração apenas te vai trazer sofrimento.

- Porque ele é como é. Já sei… - Respondeu ela, num fio de voz.

- E não só…  Acredito que ele até possa mudar, pois já deu provas disso. – Completou o deus da morte, observando atentamente a amiga. – Mas há muito mais por trás. Chronos jamais aceitará uma união entre vocês e por consequência, o teu pai também não.

- O que te faz pensar assim? – Questionou Hécate, olhando para ele em busca de uma resposta.

- Tenho ouvido coisas… - Revelou Thanatos, vagamente. – Chronos tem intersetado todos aqueles que tentam ter-te como esposa. O filho não será diferente, principalmente se ele souber que te estás a desviar do teu dever…

Ao ouvir aquilo, a deusa sentiu um vazio no peito, ao dar-se conta que a sua vida era controlada por todos os lados. No entanto, ela queria poder sentir os lábios de Poseidon novamente e quem sabe, até mesmo perder-se nos seus braços.

- Gostaria de poder dizer-te outra coisa, mas… - Completou o deus da morte, ao ver o olhar dela ficar um pouco vazio.

- Não sabia que tinha alguém interessado em mim… - Disse ela vagamente. – O meu pai sabe disso?

- Penso que não… - Respondeu Thanatos vagamente. – Em todo o caso, esse terreno é demasiado perigoso e instável. Já Poseidon, por si só, é imprevisível. Por isso, até que esta guerra esteja arrumada, tem muito cuidado e foca-te em encontrar forma de prender Caos.

Mediante aquele conselho, a deusa nada respondeu, abanando apenas com a cabeça. Aquela vida começava a revelar-se injusta demais, fazendo-a fraquejar sob o farto que tinha em seus ombros desde de pequena. Com um suspiro de real desanimo, ela encostou a cabeça no ombro de Thanatos, sendo rapidamente abraçada por ele. Com um braço sobre os ombros dela, o deus a puxou para perto de si, deixando que a mesmo repousasse no seu peito. No aconchego da morte, Hécate permitiu que algumas lágrimas rolassem pelo seu rosto, por se sentir tão sozinha numa situação como aquela.

Continua… 


Notas Finais


Bem, com essa parte do Olimpo, quase dava para fazer uma outra fic, não fosse ela necessária para entender a história.
Mas adiante...
Qual é Thanatos? Dá aí uma força... Só mesmo para desanimar o que já esta desanimado XD
Mas enfim, espero que tenham gostado.
Não esqueçam de deixar comentário, pois eu gosto de saber o que pensam.
E já agora, muito obrigado para quem tem acompanhado até aqui.
Bjnhs


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