História Perdida nas sombras. - Capítulo 13


Escrita por: e NicolleSanchez

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Lesbicas, Romance
Visualizações 264
Palavras 1.923
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Tanto queriam um pov da Eva e aqui está, alguns outros virão por aí..

Capítulo 13 - Memórias apagadas.


Eva POV:

Anteontem fiz vinte e três anos, estou ficando velha mais rápido do que imaginava. Desde o acidente que me fizera perder a memória tudo se tem passado rápido demais, acho que fica mais fácil seguir em frente quando não há nada que possa te puxar para trás. Mesmo que eu quisesse que algo me puxasse, não adiantaria, até minha própria mãe encrenca e só sabe criticar a Sarah, sendo que a Sarah foi a única pessoa que realmente teve um pouco a mais de paciência comigo e que não se importou em nada por eu não ter me lembrado dela, ela não insistiu para que eu forçasse aquela parte do meu cérebro como todos estavam pedindo. Às vezes eu sonho com uma mulher e com uma criança, um bebê, apesar de não poder identificar o rosto ou a voz que me são tirados, não me parecem um simples sonho, é como se aquilo tivesse acontecido de verdade. Há cenas que se passam em minha cabeça também e essas são com uma mulher que eu não me lembro de já ter sentindo tanta paz como eu sentia com ela, tudo parecia perfeito e colorido e o medo não entrava e ficava entre a gente. Éramos duas, três se contarmos com a bebê que parecia fazer parte de nossas vidas, mas a Sarah diz que era ela e que a bebê era só uma sobrinha.

— Bom dia, querida! — sussurrou uma voz rouca em meu ouvido e seus braços se envolveram em mim para um abraço apertado. — Dormiu bem, amor?

— Sabe que dormir. — virei-me para encara-la em seus olhos puxados. — Por que acordar ao seu lado, pode ser uma das melhores coisas do meu dia. Não estou dizendo que é a melhor, pode desmanchar esse sorriso bobo. — brinquei.

Sarah me puxou para si e me beijou, seu beijo era calmo e suas mãos deslizavam por meu corpo, causando arrepios em minha pele. Apesar do desejo que crescia aos poucos dentro de mim, não podíamos fazer nada, a não ser levantar da cama, tomar banho e partir para o trabalho.

— Vamos juntas? — insistiu pela terceira vez, querendo me puxar para dentro do banheiro com ela. — Eva, por favor!

— Amor, vai na frente. Se eu for tomar banho com você, vamos demorar bem mais.

Sarah hesitou por alguns segundos, mas foi tomar seu banho sozinha. Pela janela vi a minha vizinha Jéssica Platte saindo de casa com aquela moça bonita que trouxera para meu aniversário. Jéssica tem uma filha tão linda, não sei se é filha dela mesmo ou se é adotada, de qualquer forma nada disso importa, mesmo que fosse adotada ainda seria filha e eu sempre quis ter filhos. A lembrança do bebê quando me invade a mente me desperta esse desejo de ser mãe, mas a Sarah diz ainda não estar preparada para dar um passo tão importante na vida dela.

Jéssica entrou naquele carro bonitão com a “miss universo”, tudo bem que a moça é bonita, mas a Jess baba tanto que não consegue nem disfarçar. Eu não consigo entender porque me sinto tão bem quando estou com a Jess, ela me traz uma breve sensação de lar e segurança. Não há como não trazer também, seus olhos são capazes de fazer qualquer pessoa se perder no oceano que eles carregam.

— Agora é a sua vez, amor. — Sarah falou ao sair do banho. — Vou preparando nosso café da manhã enquanto toma banho.

Quando sair do banho, tomamos nosso café da manhã e fomos para o trabalho. Sarah trabalha em outra empresa, é produtora executiva, mas sempre faz questão de me dar uma carona. Queria comprar um carro, não gosto de incomodar ninguém, ainda mais quando ela está atolada de trabalho e acaba se atrasando para vir me pegar, mas meu trauma para dirigir um carro é tão grande que quando penso, logo desisto. Não há nada pior nesse mundo quando você perde você mesma, tudo o que você é e até o que tem, está na sua cabeça.

Peguei o elevador e fui para o andar onde já me aguardavam pacientes, fui entrando no set e dois funcionários vieram até mim para pegar minha bolsa e outro, para me oferecer um copo de água. Sentei-me na cadeira atrás da bancada do jornal e cumprimentei o produtor que era sempre tão amável comigo. De repente um funcionário entrou no set eufórico, chamando a atenção de todos. Ele se aproximou de mim com a revista que carregava nas mãos e me mostrou a notícia de primeira capa.

— “Platte dá entrevista exclusiva para Eva Morgan.” — citou o nome da matéria.

Era a primeira vez que eu aparecia em uma revista e fiquei boba ao olhar todo o conteúdo que ela trazia não apenas de mim, como da Jéssica. O que mais me chamou a atenção era que ela não estava sendo citada como uma criminosa, nem algo parecido, mas como alguém que amou e defendeu quem amava. Para mim, que ouvir falar sobre essa história à anos, nunca acreditei no arrependimento do John Wilson, penso como a Jéssica, se ele realmente quisesse seu perdão, pediria por uma visita sua e não fugiria da penitenciária por isso. Platte não tem um olhar assassino, pelo contrário, seus olhos parecem perdidos e há tanta dor dentro deles, ter ficado na penitenciária deve ter lhe custado muitas coisas além da sua liberdade.

— Parabéns, Eva! — gritou o produtor. — Noticia de primeira capa.

— Escutem! — falou o funcionário ao meu lado, que lia a matéria. — “Há quem diga que Eva Morgan é a mais nova queridinha dos jornais. Decidida e sempre tão objetiva no que apresenta, Eva vem conquistando seu espaço na televisão.” — ele fez uma pausa, procurando algum outro ponto importante. — “Estamos maravilhados com a capacidade dela, que apesar de ser tão jovem, demostra ser muito capaz para trazer sempre em primeira mão o que está acontecendo pelo mundo.”

Era muito bom ser reconhecida pelo meu trabalho e saber que as pessoas estavam enxergando o quanto eu estava me esforçando para conseguir transmitir da melhor maneira possível o que está acontecendo no mundo. Mas tudo isso tinha sido possível por causa da Jéssica Platte que me serviu de entrada para essa oportunidade e a matéria não era apenas pelo meu bom desempenho em entrevista-la, mas também como toda a história pelo o que ela tinha passado. Jéssica chegava até a ser admirada pelo colunista que escreveu sobre ela, usando palavras como “guerreira” e “mulher maravilha”.

— Será que posso ficar com essa revista? — perguntei a Carlos, que me entregou a revista e a pus em cima da minha bancada. — Obrigada, Carlinhos.

— Muito bem.. — começou o produtor. — Está preparada para entrar no ar?

— Sim, vamos com tudo.

Ao fim do jornal, me despedir dos meus colegas de trabalho e peguei o elevador. Estava fazendo muito calor, o tempo estava quente e tudo o que me vinha em mente era um sorvete bem gelado. Me dava água na boca só de imaginar. Fui andando pelas ruas até encontrar uma lanchonete ou sorveteria mais próxima, como eu tinha saído um pouco mais cedo que o normal, teria tempo para comer alguma coisa antes que a Sarah viesse me buscar.

Às vezes me sinto “presa” de certa forma, por que a Sarah age como se tivesse o controle sobre qualquer coisa, inclusive de mim. Sei que ela se preocupa comigo, mas eu só perdi a memória, não tenho mal de Alzheimer, sei me virar sozinha e fazer tudo. Ela me trata como alguém que precisa de cuidados, como se eu fosse alguém que não conseguisse nem mesmo ir para a casa sozinha. Raramente tenho momentos como esse, de sair sozinha e ficar assim, sem pressão nenhuma.

— Boa tarde, o que deseja? — perguntou a garçonete assim que entrei na lanchonete.

— Quero um sorvete, por favor. — falei exausta.

Sentei-me a mesa e fiquei ouvindo uma música antiga, porém, calma. Não sabia quem cantava, mas a voz do cantor não era desconhecida, apenas não conseguia forçar meu cérebro a lembrar. Quando a garçonete me trouxe o sorvete, agradeci e perguntei quem era o dono da voz que soava pelo Jukebox.

— Johnny Cash. — falou uma voz atrás de mim. Eu conhecia aquela voz, era familiar e.. — Vou passar a acreditar que você não é fã de músicas antigas.

— Jéssica.. — murmurei, sorrindo fraco. — Está me perseguido?

Ela se sentou em uma cadeira ao meu lado e fez menção para que a garçonete lhe trouxesse um sorvete do mesmo que o meu, flocos. Jéssica passou as mãos nos cabelos, os colocando para o lado com uma sensualidade fora do comum, talvez fossem seus olhos azuis destacados pelo lápis de olho que ela usava.

— Que abusada! — falou rindo. — Sinto te decepcionar, Eva. Mas não estou te perseguindo, essa é a minha lanchonete. Acho que a única perseguidora aqui é você.

— Você é a dona daqui? — ela assentiu. — Poxa, então você está super bem de vida. Sabe, é até bom eu ter te encontrado aqui, porque eu queria lhe mostrar uma coisa. — puxei minha cadeira para mais perto dela, Jess se aproximou ainda mais de mim de forma que a sua respiração chegava a bater em meu pescoço, me provocando arrepios. — Saiu uma matéria falando sobre a gente, basicamente sobre você.

— Saiu? — sua voz era tão baixa que estava difícil me concentrar no que queria lhe mostrar. — Onde está falando sobre a gente?

— Aqui.. — apontei com o dedo sobre o texto e comecei a ler: — “Jéssica Platte mostrou-se estar aberta para colocar pra fora tudo o que te angustiava ao longo dos quatros anos que ficou presa. A química entre a nossa jornalista número um e a presidiária mais comentada do estado, foi algo que surpreendeu a todos. Ambas se sentiram tão à vontade durante a entrevista que parecia ser uma conversa normal entre amigas. Eva Morgan ainda deixou claro sobre o que achava sobre o caso John Wilson, mostrando estar totalmente ao lado de Platte. A jornalista de ouro vem quebrando recordes de audiência desde que passou a fazer parte das nossas manhãs e como todos suspeitavam, sua entrevista com Platte é uma das mais comentadas e vistas do momento. Esperemos vê-las novamente em mais uma entrevista.”

— Parece que formamos uma dupla do barulho. E essa capa.. — sua mão tocou a minha na intenção de pegar a revista e olhar para a capa. — Você está absurdamente linda, e eu sair parecendo um ET.

Cair na gargalhada e Jéssica ficou me encarando com um sorriso no rosto. Tinha alguma coisa na forma como ela olhava para mim, seus olhos ficaram marejados e precisei me afastar um pouco dela para evitar que se formasse um clima estranho entre nós. Meu celular tocou, era a Sarah.

— Oi, amor. — falei ao telefone. — Sair um pouco mais cedo e vim tomar um sorvete na lanchonete mais próxima que encontrei.

— Eva, não gosto quando sai sozinha. — reclamou. — Onde fica essa lanchonete? Me fala que eu vou buscar você agora. Porque não me ligou? Eu teria ido te buscar na mesma hora.

Era esse tipo de coisa que eu tinha que aguentar toda vez que saía sozinha. Como eu não estava em casa, não era adequado que eu fosse discutir com ela na frente da Jéssica. Ninguém precisava saber que a minha mulher tentava me controlar e que muitas das vezes me tratava como criança. Passei informações de onde estava para que ela viesse me buscar, mas não dei o endereço da lanchonete, dei o da praça que ficava próxima.

Se Sarah souber que estou com a Jéssica, vai pirar.


Notas Finais


Tadinha da Eva, ein?


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