História Perdida nas sombras. - Capítulo 14


Escrita por: e NicolleSanchez

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Lesbicas, Romance
Visualizações 293
Palavras 2.008
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 14 - Meu novo mundo.


Eva POV:

Despedi-me de Jessica com dois beijinhos no rosto e fui caminhando para a praça onde tinha combinado com Sarah. Odeio isso de ser monitorada por ela o tempo todo. Tudo o que eu faço tem que ser com ela junto, até as tarefas mais simples como ir ao mercado ou receber visitas em casa. Se Sarah não estivesse ao meu lado, já era motivo pra brigas. Sinto que isso tudo me sufoca. Eu poderia ter um pouco mais de liberdade, certo? Afinal, sou uma mulher de vinte e três anos de idade, não uma criancinha de cinco.

Sentei em um dos bancos para esperar, mas em menos de um minuto minha querida esposa já estava sentando a mão na buzina, atraindo a atenção de todos que passavam pelo local.

— Você enlouqueceu, foi? — rosnou assim que eu entrei no carro. — Eu já disse que você não pode sair sozinha, Eva.

— Dá um tempo, vai. Eu só saí pra tomar um sorvete, está calor.. — revirei os olhos.

— E não podia ter esperado eu chegar pra te buscar? Você tem essa mania de querer desobedecer minhas ordens..

— Suas ordens? — questionei. — Desde quando você manda em mim, Sarah? Eu não sou uma criancinha.

— Desculpa, amor. É que me preocupo com você, poxa. — abriu um sorriso largo para mim.

Eu até tentava ficar brava com Sarah, mas às vezes é meio impossível. Ela pode ter todos os defeitos do mundo (e quando eu digo “todos”, é porque são todos mesmo), mas ela é minha esposa e cuidou de mim durante todos esses anos, dando assistência em tudo o que precisei. Até mesmo quando eu sofri aquele acidente e esqueci-me de sua existência, ela não desistiu de mim. Pelo contrário, continuou ao meu lado até eu me recuperar. Quer dizer... Até hoje eu não recuperei a memória de fato, mas com o tempo, aprendi a gostar novamente de Sarah.

Quando chegamos em casa, Dabria também estava chegando com a filha de Jessica. Pareciam estar voltando da escola, a julgar pelo uniforme que a menina vestia e o cabelo desarrumado, provavelmente de tanto correr e brincar. Acenei para as duas que prontamente retribuíram, com um sorriso no rosto.

Não sei por que, mas gosto da Dabria. Eu sei que ela é ex-namorada da Sarah e só isso já seria motivo suficiente para odiá-la, mas... Não. Alguma coisa dentro dela me diz que tudo o que Sarah me disse não era bem verdade. Sem contar que, se Dabria fosse mesmo uma “ex” louca, qual o intuito dela ficar cuidando de mim durante todo o tempo em que estive internada no hospital? E mesmo depois que eu saí, ela continua cuidando de mim, de uma forma ou de outra. Às vezes ela vem aqui em casa só pra perguntar como eu estou ou se já me alimentei. Isso não é atitude de quem quer destruir sua vida, não é?

— Falando com essa Dabria de novo, Eva? — Sarah me arrancou dos meus pensamentos. Nem percebi que ainda olhava na direção onde Dabria e a criança estava. — O que já conversamos sobre isso, amor?

— Que a Dabria é perigosa, quer destruir nosso relacionamento e blábláblá. — respondi entrando em casa, para cortar logo esse assunto.

— Você age como se fosse uma criança, sabia? — resmungou, vindo logo atrás de mim.

— Deve ser porque você me trata como uma. — rebati.

— O que você disse, Eva?

— Que não entendo esse seu ódio todo pela Dabria. — me virei de frente para ela, parando para fitar seus olhos. — Se vocês já namoraram, não tem motivos para existir tanto rancor assim.

— Ah, princesa.. Não vamos entrar nesse assunto de novo, né? — desconversou. Sarah sempre faz isso quando eu questiono alguma coisa sobre Dabria e a relação que elas duas tiveram.

Depois do almoço, Sarah retornou ao trabalho e me deixou em casa sozinha. Pois é, ela gasta o horário de almoço dela vindo me trazer em casa. Eu já até tentei argumentar com ela que isso era perda de tempo, mas quem disse que a japa me escuta? Sarah sabe ser bem teimosa quando quer, mas sei que não faz por mal. Tudo o que ela quer é o meu bem, certo?

Como eu praticamente sou impedida de sair de casa por ela, acaba que minhas tardes se resumem basicamente a ficar em casa. Eu tento enrolar, buscar coisas diferentes pra fazer, mas tem uma hora que simplesmente bate o tédio e a gente começa a pensar em tudo o que não deveria. E era isso o que eu estava fazendo agora.. Pensando em um certo alguém de cabelos loiros quase castanhos, olhos azuis e um cheiro que seria capaz de tirar qualquer mulher do sério. Ah, se eu pudesse...

Espera aí.. O que eu tô pensando? Eu sou uma mulher casada. Eu amo minha esposa e é com isso o que eu tenho que me preocupar. Com a Sarah. Nada além disso.

Mas aquele cheiro...

— Amor? Você está bem? — ouvi a voz de Sarah me chamando.

— O que? — abri meus olhos e pisquei diversas vezes até realmente enxergar minha esposa na minha frente. — Ah, oi amor... — sorri brevemente pra ela. — Que saudade que eu estava de você. — menti.

É, eu menti para Sarah sim. Eu não estava com saudades dela. Não que eu não a amasse.. Não é isso. Mas é muito ruim você estar pensando em uma pessoa e do nada aparecer outra na sua frente.

— Eu também estava com saudades da minha princesa. — sorriu, deixando uma trilha de beijos no curto espaço entre meu ombro até minha boca.

Automaticamente, a imagem de Jessica veio na minha mente. Era como se fosse ela ali me beijando, me tocando.. Deixei que minha mão fosse até seu cabelo e entrelacei meus dedos nele, mantendo seu corpo ainda mais junto do meu.

Grudei meus lábios no dela e deixei que me beijasse com toda vontade que ela também sentia. Eu puxava tanto seu corpo pro meu que sentia que poderíamos nos fundir uma a outra ali mesmo. Abri um pouco minhas pernas e ela prontamente se encaixou entre as mesmas, pressionando seu sexo ao meu, que já começava a dar sinais de vida. Arfei

Não conseguia raciocinar muito bem. Tudo o que eu pensava e queria era que ela me fizesse dela ali mesmo, no sofá da sala.

— Amor, que fogo... — Sarah sussurrou, parando o beijo para tirar minha blusa.

Foi como se um balde de água fria tivesse sido jogado em cima de mim. Tirei seu corpo de cima do meu e parei para olhar dentro de seus olhos puxadinhos. Não eram os azuis que eu tanto queria..

 Eu não posso acreditar no que eu tinha acabado de fazer. Eu.. Beijei minha esposa pensando em outra. Mais precisamente, pensando em Jessica, a pessoa que Sarah mais odeia na face da terra.

— Vou colocar a mesa do jantar, amor. — dei um selinho rápido e saí o mais rápido possível pra cozinha, deixando uma Sarah atordoada e sem entender nada no chão da sala.

Céus! O que estava acontecendo comigo?

Terminamos o jantar e Sarah me disse que lavaria a louça, já que eu tinha cozinhado. Fui até a sala verificar meus e-mails no celular, mas quando peguei o mesmo, haviam centenas de mensagens de colegas e familiares me parabenizando por ter saído na capa de uma revista famosa pela primeira vez. Sarah me irritou tanto com aquela história de não poder sair sozinha que eu acabei me esquecendo completamente desse detalhe importante. Corri até minha bolsa e ela estava lá, linda, com todas aquelas letras berrantes e uma foto minha e de Jessica durante a entrevista que ela me deu. Caramba! Eu já estou trabalhando há um tempinho como jornalista, mas nunca tive um reconhecimento tão grande assim. No máximo, uma notinha na última página de um jornal de quinta e olhe lá.

— O que tem de tão interessante nessa revista pra você estar sorrindo dessa forma, amor? — questionou Sarah, entrando na sala.

— Ah, Sarah... Você não vai acreditar! Eu saí na capa da revista New Daily. — corri até onde ela estava com a revista nas mãos.

Sarah pegou a edição de mim e analisou a mesma por alguns momentos. Pela expressão em seu rosto, parece que ela não curtiu muito. Talvez fosse pelo fato de ser uma entrevista com a Jessica.

— E você está tão feliz assim só por isso, Eva? — esbravejou, balançando o exemplar na minha frente a centímetros do meu rosto.

— ISSO? Isso aqui é a minha carreira, Sarah. Pela primeira vez eu estou saindo na capa de uma revista famosa e você não me deu nem os parabéns.

— Parabéns? — seu tom de voz foi mais agudo que o normal. — Se tem alguém nessa sala que merece os parabéns, esse alguém sou eu, Eva. Nada disso aqui teria acontecido se não fosse por mim.

— O que você disse, Sarah?

— Isso mesmo que você entendeu. Que você só saiu na capa de uma revista famosa por minha causa. Fui eu quem te colocou no lugar que você está hoje. Se não fosse por mim, provavelmente você ainda estaria servindo café e sendo marmita de diretor, Eva. Se você é uma jornalista famosa, você tem que agradecer a mim, não a essa vadia assassina de quinta.

Não sei o que me deu, mas quando Sarah acabou de falar, minha mão acertou seu rosto com tudo, deixando a marca dos meus cinco dedos no mesmo. Quem ela pensa que é pra falar assim comigo?

Tentei abrir a boca pra falar alguma coisa, mas era inútil. Qualquer coisa que eu falasse pioraria ainda mais a situação e minha cabeça já começava a dar algumas leves pontadas. Será que essas dores nunca teriam um fim? Eu precisava sair daqui...

Passei a mão nas chaves de casa e sem trocar uma palavra com Sarah, caminhei até a porta, abrindo a mesma em seguida.

— APOSTO QUE VAI CORRENDO SE CONSOLAR COM AQUELA VAGABUNDA! — gritou no mesmo instante em que passei pela porta de casa.

Eu não sabia o que estava acontecendo. Sarah sempre foi muito ciumenta e às vezes até um pouco paranoica, mas desde que Jessica apareceu em nossas vidas ela simplesmente surtou. Se eu ao menos soubesse o que estava acontecendo.. Eu nem sequer a reconhecia mais. Ela nunca tinha me tratado daquela maneira. Nunca tinha falado daquele jeito comigo, fazendo eu me sentir uma inútil que só tem um bom emprego porque a esposa é uma executiva. Eu sei. Sei que não sou nada do que ela disse. Sei que se hoje tenho um bom emprego como jornalista e apareci na capa de uma revista importante é porque tenho capacidade para isso e trabalhei duro esses anos todos para que isso acontecesse.

Ainda sem saber que rumo tomar, deixei meu corpo cair sentado no meio fio e ali fiquei, abraçada a mim mesma. Antes que eu pudesse perceber e controlar, lágrimas brotavam de meus olhos e escorriam livremente pelo meu rosto.

Senti a presença de alguém sentando ao meu lado e envolvendo os braços em meu corpo. Imediatamente pensei que fosse Sarah arrependida do que tinha dito, mas aquele cheiro.. Ah não!

— And big girls don’t cry.. — cantarolou com a voz doce em meu ouvido. Não pude deixar de evitar o riso.

— Sabe... Acho que tem alguma coisa errada comigo então. — levantei um pouco a cabeça, entrando na brincadeira. — Porque desde que eu virei big girl, tudo o que eu faço da vida é cry.

Foi à vez de Jessica rir. Ela fica ainda mais linda quando está sorrindo. Seus olhos ficam mais iluminados e a duas covinhas tímidas aparecem. Não sei por que, mas sinto que já tive algum momento muito parecido com esse. É como se a presença de Jessica me deixasse livre pra ser quem eu realmente sou. Sem pressão, sem regras... Apenas eu.

— Vem, vamos sair daqui. — suas mãos puxaram as minhas e eu simplesmente deixei me levar, ainda vidrada naqueles dois oceanos que ela carrega no lugar dos olhos.

Ah Jessica... Se você soubesse que eu nem ao menos sei nadar.


Notas Finais


É, bem que dizem que o que é seu, a vida se encarrega de levar até você.. Até depois, môzamores!


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