História Perdidas No Fogo - Capítulo 10


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Categorias Malhação
Tags Lica, Limantha, Malhação, Samantha, Viva A Diferença
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Palavras 3.376
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, LGBT, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Pansexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


A música citada aí no meio é Fashion - The Royal Concept
(não se acostume e nem se empolguem k)

Capítulo 10 - Como Sam Não Sabe Brincar


    Lica se levantou da bancada algum tempo depois e se jogou na festa. Não sabia exatamente como iria chegar até Samantha - como iria chegar até a boca de Samantha - mas no começo também não tinha certeza se o faria, mas um pouco das garrafas coloridas a ajudou a resolver esse problema, então, ela jogou na mão do álcool e foi.

    Óbvio que não era apenas uma questão de querer beijar Samantha. Dar um beijo rápida em Samantha no meio da festa não ajudaria Lica a se aproximar dela em nada, Samantha iria lhe beijar e continuar vivendo sua vida como se nada demais tivesse acontecido e em circunstâncias normais isso era tudo que Lica desejaria. Mas não naquela noite, porque as coisas haviam mudado, afinal.

    -Mais uma, Lica? - Anderson perguntou quando Lica se aproximou da bancada. Eles estavam fazendo um rodízio costumeiro de barmans e bargirls, praticamente a cada trinta minutos ou a cada convite para um beijo, a pessoa era substituída.

    -Não dá outra garrafa pra ela não. - Tina disse surgindo de baixo da bancada. - Você tá indo muito rápido senhorita Gutierrez. Onde tá tentando ir, pra lua?

    -Ha ha ha. - Lica disse com ironia calibrada.

    -Tô falando sério. - Tina disse se inclinando na bancada e ficando próxima de Lica. - Tá precisando tomar coragem pra fazer o quê?

    Tina encarou Lica com atenção e Lica sabia que aquele olhar não cessaria até que Lica se justificasse muito bem. Qualquer coisa que ela dissesse, sendo verdade, ou não, iria fazer Tina começar um questionário procurando a verdade - ou uma verdade maior - então Lica simplesmente disse.

    -Samantha Lambertini.

    Tina continuou olhando Lica, tão estática que Lica quase perdeu a certeza de que qualquer coisa havia mesmo saído da sua boca. Segundos depois, Tina piscou algumas vezes, seus olhos castanhos ficando maiores a cada piscada que ela dava. Ela entortou o rosto com um meio sorriso, esperando que Lica começasse a rir junto com ela e tudo virasse uma grande piada. Então parou de sorrir, e encarou Lica seriamente mais uma vez, tão perto de Lica que ela achou que fosse ganhar um beijo.

    -Por quê?

    -Por que não?

    -Por que sim? - Tina respondeu simplesmente.

    Lica não sabia o que havia de errado nisso. Gabriel parecia completamente a favor da ideia, mas ele não sabia de tanta coisa quanto Tina sabia porque ele estava ali havia menos tempo. Talvez Gabriel não houvesse presenciado nada que aconteceu entre Lica e Samantha porque as interações das duas eram estranhas demais para que nada nunca houvesse acontecido, mas com certeza Tina saberia.

    -Porque eu nunca beijei ela ué. - Lica disse simplesmente dando de ombros, tentando demonstrar o quanto ela não achava aquilo um grande ponto em sua vida. Mesmo que achasse.

    -Nunca? - Tina perguntou semicerrando os olhos.

    O corpo de Lica tremeu por um segundo, ficando gelado com a possibilidade de ela estar jogando o jogo errado.

    -Nunca. - Lica reafirmou, mas com um terço da certeza que tinha antes.

    -Nunca. - Tina concordou se afastando de Lica e sua expressão era a mais ilegível possível.

    -Essa é a conversa mais estranha que a gente já teve. - Lica disse enquanto Tina colocava uma garrafa em frente a menina e a abrindo. - E agora você está me dando bebida, é, realmente tem algo errado. O que foi?

    Tina respirou fundo e limpou suas mãos no pano em seu ombro.

    -Nada demais. Eu e as meninas estávamos conversando esses dias e a gente ficou se perguntando porque vocês estavam tão estranhas entre si. - Tina disse enquanto abria uma garrafa para si mesma. Lica ponderou um pouco antes de responder, não só porque todas as suas perguntas precisavam ser muito contrometradas, mas também porque sabia que não era isso que Tina queria realmente responder. - Agora eu sei que é porque você voltou dos mortos apaixonadinha pela Samantha.

    Lica encarou Tina e revirou os olhos.

    -Quando foi que eu querer beijar alguém significou que eu estava apaixonada por essa pessoa?

    -Para tudo temos uma primeira vez. - Tina disse dando de ombros.

    -Ata. - Lica tomou um gole da sua bebida. - Eu e a Samantha não estamos estranhas uma com a outra por causa do vírus do amor, Tina.

    -Ainda é a treta que vocês tiveram antes do acidente? - Tina perguntou delicadamente. O cérebro de Lica deu um pulo e ela se esforçou para não demonstrar isso. - Ou foi uma das outras trezentas que vocês resolveram voltar e rediscutir?

    Lica ficou em silêncio por um tempo, se obrigando a tomar quase a metade da sua garrafa porque não havia outro modo de preencher aquele silêncio sem se denunciar. Ela e Samantha eram inimigas?

    -Nenhuma das duas coisas. E não é porque a gente brigou que a gente vai continuar brigando.

    -Cê que sabe. - Tina disse dando de ombros. - Mas se você beijar ela hoje e aparecer brigada com ela segunda-feira no colégio, a gente vai expulsar vocês duas do grupo.

    Lica riu e encarou sua garrafa por algum tempo sem saber o que dizer. Ainda estava organizando a sua pasta de fatos conhecidos sobre Samantha e descobriu que encontrar mais coisas não significava exatamente estar mais perto de saber tudo. Não sabia como fazer perguntas que lhe dariam as respostas que queria e resolveu não confiar no seu cérebro bêbado.

    -’Se’? Se eu beijar a Samantha?

    -Isso te ofende? É claro que você vai conseguir, não é? - Tina perguntou rindo e Lica ergueu a garrafa a desculpando. - Me desculpa, Senhorita Beijei A População Da França. - Lica riu, esse era o sétimo apelido feito sobre o assunto. - E em breve a da Vila Mariana, sua próxima vítima vem aí.

    Samantha apareceu se encostando na bancada ao lado de Lica e pedindo duas garrafas para Tina. Tina respondeu que estava sem o que Samantha queria e precisava ir buscar lá em cima, de onde Lica estava ela sabia exatamente que não havia acabado e sorriu pra amiga quando ela se virou para subir as escadas em agradecimento.

    -Curtindo a minha festa? - Lica perguntou para a garota.

    -Bebida e comida de qualidade, a banda que tocou até que era mais ou menos, acredita? - Samantha disse fazendo Lica rir. - Mas devo admitir que existe um ponto fraco.

    -Ah é?

Samantha assentiu. Seu cabelo estava parcialmente preso na lateral de modo que um lado do seu rosto estava completamente exposto e o outro ganhava algumas mechas caídas. Seus movimentos eram leves e fluídos como qualquer pessoa que ainda não estivesse perto de cair devido ao álcool, mas ela falava de um modo lento e inesperadamente encantador. Aquela era Samantha flertando ou era só Samantha quase bêbada?

-Faltam bocas. - Samantha disse em um quase sussurro. - Se é que me entende.

-É, eu acho que entendo.

-É claro que entende. - Samantha disse com um sorriso largo fitando Lica.

Lica se sentiu parada, simplesmente isso, parada. Não estava congelada, não havia parada no tempo, o tempo estava passando, as coisas estavam acontecendo, só ela que estava ali sendo encarada por Samantha. Ela não conseguia se ser o agente ativo agora, não conseguia fazer nada, estava passivamente sendo encarada por Samantha. Era só isso que conseguia e era só isso que queria fazer.

-Oi, Sam. - Uma voz surgiu ao lado das duas, era um menino que Lica nunca havia visto por mais que alguns flashes de segundo pelos corredores. Ele se virou para Lica e disse: - Oi, Lica. Bem vinda de volta. - E Lica aceitou que era um novato, mas antes de ter a chance de responder, ele se virou para Samantha e ignorou a existência de Lica. - Tem um amigo meu…

-Começou errado. - Samantha disse rapidamente rindo. - Brincadeirinha. - Ela disse jogando o cabelo para o lado, mas Lica sabia que não era uma brincadeira totalmente. O menino riu de modo nervoso e Lica se sentiu um pouco melhor vendo como ele se sentia ao ser encarada por Samantha. Parecia que ele estava falando com Jesus. Lica não havia agido assim, havia? - Continua.

-Ele quer ficar contigo.

-Hm. - Samantha tirou os olhos do menino e olhou para os lados por um segundo, provavelmente procurando o menino em questão. Lica conseguiu o enxergar do outro lado do Galpão também, discrição não era o forte. - Eu já tenho planos pra essa noite, Lucas.

-Eu não chamo Lucas. - O menino disse rapidamente. Lica tapou a boca rindo.

-Eu sei que não. O seu amigo chama Lucas.

O menino a encarou em silêncio, claramente confuso e surpreso e Samantha sorriu para ele antes de se virar novamente para a bancada. O menino evaporou assim que ela parou de lhe encarar.

-Por que você sabe o nome dos novatos?

-Eu não sei o nome deles. - Samantha disse rindo. - Mas ele tava tão nervoso que seu tivesse respondido que ele chamava Lucas sim, ele ia dizer ‘okay’.

Lica riu, provavelmente era verdade.

Tina voltou com as duas garrafas de seja lá o que Samantha iria beber agora e colocou em cima da bancada na direção da menina.

-Acho que nunca te disse isso antes, - Samantha disse pegando as garrafas e se virando para Lica. - mas seja bem vinda de volta.

-Eu tenho certeza que nunca disse. - Lica ergueu sua garrafa a encostando á de Samantha. - Muito obrigado.

-Certeza? Pra ter certeza tem que prestar muita atenção.

-Em você? - Lica perguntou fazendo o seu primeiro movimento com 100% de confiança na noite. Precisava ter certeza de que não era só mais um novato nervoso perto de Samantha. - É, tenho certeza sim.

Samantha sorriu, talvez surpresa, mas de fato feliz. Lica notou que ela havia entendido completamente, é claro que ela entenderia. Resolveu sair enquanto ainda estava por cima.

-Nos vemos na pista, Sam. - Lica disse erguendo a garrafa com um sorriso.

-Nos vemos na pista, plano. - Sam disse se virando na direção oposta.

Lica assistiu Samantha se virar e ficou se perguntando se Samantha havia acabado de decretar que iria beijá-la essa noite ou se estava apenas bêbada e dizendo coisas sem sentido.

    

 

Lica não teve interesse em ter certeza, contaria que a resposta era positiva e iria assim mesmo. Admitia que não queria que as coisas corressem exatamente assim exatamente pelo seu medo de ser só mais um plano de uma noite de Samantha. Ela não iria simplesmente ter todas as memórias de seus momentos - pelo visto brigas - com Samantha no instante em que beijasse Samantha. E pelo nível de interesse que Samantha resolveu demonstrar tão do nada, com certeza ela só estava bêbada e não interessada.

Mas Lica a viu dançar durante a noite, a viu dispensar muitas ciladas e se fosse interesse, Lica estava lisonjeada, se fosse álcool, Lica também  não estava sóbria.

 

Festa foi e festa vem, chegaram ao melhor momento onde só o grupo de amigos restava sentado pelos pufes ou deitados pelo chão do Galpão, com as últimas latas e os últimos salgadinhos.

    -Já sei o que a gente devia fazer! - Tina disse ficando de pé e pelo seu nível de animação com a suposta atividade todo mundo já sabia o que ela iria sugerir. - Karaokê.

    Normalmente alguém se recusava e chamava a atividade de idiotice, mas ninguém reclamou dessa vez. Estavam sãos o suficiente para saber que uma parte não sabia cantar e a outra sabia até demais, mas também estavam bêbados na porção certa para saber que isso não faria diferença nenhuma. Não era sobre cantar, era sobre a performance.

    Tina e Anderson arrumaram tudo e como de costume também, foram o primeiro par. Sempre iam duas pessoas porque quem estava sentado fazia questão de fotografar e gravar vídeos, logo, passar essa vergonha em dupla era extremamente mais confortável. As pessoas tinham a chance de escolher a música, mas caso demorasse demais, alguém apertava o botão do aleatório e aí era só rezar.

    Tinderson - encenou? cantou? performou? eu realmente não sei que palavra usar -     ‘Shake It Off’ e como não havia chance alguma de Anderson tentar imitar a voz de Taylor Swift, Tina cantou com habilidade por alguns segundos até que Anderson começou a rebolar o que deveria ser a coreografia e nem mesmo Tina conseguiu fazer algo além de rir.

Felipe e MB subiram em seguida e como estavam bêbados mais que o resto, não conseguiram segurar o controle para escolher a música - e talvez não conseguissem ler também. Alguém apertou o aleatório e eles tiveram um tempo de qualidade questionável cantando Fogo e Paixão, ou o que quer que estavam fazendo.

-O ship deles tem um nome? - Samantha perguntou sobre as risadas. Ela estava deitada ao lado de Clara e consequentemente perto o suficiente para que Lica conseguisse apreciar a sua risada. - Por que eu acho que deveria.

-Realmente. - K1 concordou batendo palmas sarcásticas. - Eu acho que se ninguém parar eles, eu vou ser chifrada.

-Relaxa, K1, o MB tem bom gosto.

Antes da música acabar MB meio que caiu do pequeno palco em direção aos pufes e por isso consideraram a apresentação encerrada. Clara e Samantha subiram para fazer a apresentação mais que clássica de Frozen - elas adoravam cantar aquela música e não precisavam de um karaokê pra isso. Lica nutria algum tipo de ódio pela animação e provavelmente era porque elas estavam sempre assistindo o filme de novo com um volume irritante no quarto ao lado do seu.

Lica se afundou no pufe onde estava, agora com mais espaço e assistiu a apresentação tentando demonstrar o menor nível de interesse possível, afinal, já havia visto aquilo um milhão de vezes, mas havia algum tipo de iluminação diferente caindo sob Samantha ou pelo menos era o que gostava de pensar. Antes que percebesse, a apresentação havia acabado e Guto subiu para cantar com Samantha alguma coisa que provavelmente os dois já haviam cantado outras milhões de vezes. Gabriel pulou no palco no meio da apresentação porque se sentiu no direito de demonstrar que também era melhor amigo de Samantha e daí pra frente, todo mundo se perdeu.

Lica percebeu que não estavam mais gritando qualquer que fosse a música que houvesse ‘cantado’ juntos e resolveu dar um passo adiante, afinal, a noite estava acabando. Ajudou Gabriel a descer o pequeno degrau do palco porque sua visão não era mais tão confiável e subiu parando ao lado de Samantha.

Samantha encarou Lica surpresa e lhe estendeu um dos microfones.

-Vai cantar uma comigo? - Ela perguntou com um olhar que indicava preocupação.

Lica assentiu e ficou preocupada por um segundo. Samantha provavelmente estava surpresa de ver Lica ali em cima querendo cantar com ela porque elas tinham uma história conturbada de brigas - que Lica não sabia a natureza, mas provavelmente era algo estúpido já que ia e voltava tanto. Lica talvez devesse ter ficado surpresa e confusa ao ver Samantha flertando com ela na bancada do bar. Era muito suspeito se parasse pra pensar, Lica não havia notado porque não sabia, porque não havia estado de fato nas discussões.

Lica aceitou o microfone e se virou para o controle para escolher que música cantariam. Havia pensado em várias músicas daquela lista - que ela já mais que conhecia - que iriam deixar ela exatamente na situação que precisava com Samantha. Iria ser benéfico para o plano se elas se beijassem em frente á todo mundo, mesmo que Samantha quisesse ignorar o acontecimento depois, MB não permitiria.

-Já estou te dando a honra de cantar comigo, Lica. - Samantha disse acompanhando Lica. Samantha também tinha alguma espécie de plano correndo na sua cabeça e mesmo que agora Lica suspeitas um pouco da natureza de suas intenções, não teve muito o que fazer quando a menina se aproximou e passou as mãos ao redor da sua cintura para chegar no controle. - Eu escolho a música.

Lica simplesmente aceitou, sentindo o queixo de Samantha se apoiar no seu ombro enquanto ela usava o controle. Samantha finalmente conseguiu a música que queria e Lica sorriu com alívio e empolgação quando a música começou a carregar.

-Boa escolha, Sam.

Samantha assentiu com uma piscadela e aquele não era o diálogo mais longo que as duas já haviam tido, mas era definitivamente o momento em que as duas mais se entenderam. Até aquele momento aquele era o único diálogo que elas haviam tido em que nenhuma das duas estava se perguntando ‘o que aconteceu entre a gente?’. Até aquele momento, apenas. Até a música começar.

Quando a música começou, tudo mudou.

De fato o plano de Lica - também de Samantha - era muito bom. Enquanto cantavam parecia que haviam acabado de se conhecer e que haviam começado a se conhecer muito bem. Não havia um histórico de briga, rixa ou decepções. Na verdade a única coisa que as duas conseguiam enxergar uma na outra era proximidade e desejo de mais proximidade. Cada uma classificava proximidade de modos diferentes, mas as duas proximidades envolviam contato.

-Lovin’ you ain’t easy, but I’m not gonna leave you no, no, no.

A voz de Samantha era especialmente bonita ali de tão perto e Samantha era incrível mais atraente assim de tão perto. E enquanto cantava, tudo que Lica queria era que aquela letra fosse exatamente o que Samantha escreveria se tivesse que dizer alguma coisa a Lica.

-Just gotta groove on.

Não havia uma coreografia, mas havia uma sincronia entre as duas. E isso era muito melhor nos padrões das duas. Elas estavam realmente apresentando a música, levando o karaokê ao nível dueto da disney e deixando todo mundo muito confuso com o que realmente estava acontecendo.

-I gotta just get gone. - Samantha cantou rodeando Lica no pequeno palco.

Algumas pessoas estavam confusas mas encantadas, felizes que talvez elas finalmente houvessem feito as pazes definitivas do que aconteceu no dia do acidente. Ninguém sabia o que era de fato que havia acontecido, mas sabiam que havia sido algo grande. Se aquela apresentação toda era o símbolo da amizade delas, talvez demorasse um tempo para que brigassem por outro motivo idiota e simplesmente ficassem de boa no meio tempo.

-But you really turn me on. - Lica cantou novamente com uma piscadela discreta.

E outras pessoas - um grupo seleto - sabia que elas não estavam cantando amizade. Que aquilo ali em cima não era sentimento de amistosidade. Aquilo era claramente algo um pouco mais interessante.


 

-Então - Samantha disse após descer do palco com um sorriso em direção a Lico. - Eu suponho que com todos os olhares, com a música e com a estranha necessidade de conversar comigo somente hoje… Que você queira me beijar, no mínimo. - Ela disse dando de ombros.

-No mínimo? - Lica riu mesmo que Samantha estivesse completamente certa. Lica também tinha um pouco de orgulho naquela área, Samantha não estaria fazendo um favor ao beijá-la. - Não é nada mais que isso.

-Uhum, soa convincente. - Samantha disse jogando o seu cabelo. - Fico feliz que você queira me beijar.

-Ah é? - Lica perguntou imaginando que haveria mais um longo jogo além disso.

-É. Mas tem um problema com o seu plano. - Ela disse se aproximando de Samantha. - Quem disse que eu quero te beijar?

Teria soado no mínimo rude se Samantha não precisasse de um espaço tão pequeno entre elas para se expressar. Aquilo deixava claro que ela queria lhe beijar, aquilo e toda aquela música sobre se colar uma na outra e metáforas que não cabem nesse horário. O que Samantha estava fazendo era simplesmente deixar claro que caso ela não quisesse, Lica não conseguiria nem sobre feitiço.

-Você. - Lica respondeu se inclinando e diminuindo o espaço entre as duas também. Lica sabia que elas não iriam se beijar ali, seus amigos estavam bêbados, mas não cegos e Lica sentia que Samantha não queria fazer aquilo ali. - Afinal, eu sou seu plano.

Samantha sorriu e Lica poderia ter riscado o nome de Samantha de sua lista naquele instante porque não havia confirmação maior de interesse do que aquilo.

 


Notas Finais


O ser humano ás vezes tá perdido nas dorgas.


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