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História Perdidos e Caídos - Capítulo 18


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Capítulo 18 - Dezoito


Distantes um dos outros, prontos para enfrentarem o que o destino os reservasse. Cada um dos seis estava disposto a desafiar o mundo se fosse preciso, pois agora já não restava mais nada a esperar, o tempo era seu inimigo, e seus corações seu maior aliado nessa última prova.

Na mente dos três deuses Elementais restantes havia apenas duas certezas, a primeira: os dois deuses que deixaram só irão acordar quando o tempo enfim terminasse. A segunda: eles irão conseguir vencer isso, mesmo que isso custasse algum preço. Embora todos rezassem para que não tenha.

Cada um deles agora seguia um caminho.

Um caminho que só eles próprios poderiam traçar.

E que jamais podem voltar atrás.

Quando seus pés enfim pararam, o ruivo já estava bem distante da floresta, mas ainda assim a conseguia ver ao longe, tinha retornado ao penhasco onde outrora esteve a alguns dias atrás, quando ainda o tempo não era tão desesperador quanto é agora. Enfim percebeu o quão ingênuos estavam sendo, acreditando que tudo daria certo sem problema algum, que conseguiriam enfrentar as provas sem se perderem, agora já não tinha mais certeza.

Por um pequeno momento, o dono de belos olhos acastanhados se agachou para descansar, pois de nada adiantaria caminhar sem rumo tentando encontrar uma forma de provar a Deusa da Sorte o quão digno era, o quão verdadeiro é o seu sentimento, sendo que nem mesmo ele próprio acreditava fielmente nisso. Enquanto observava o chão pensativo, como se este fosse a coisa mais interessante da terra, o ruivo reparou que a alguns metros longe de si, uma fita azul repousava no rochedo, e ele reconhecia bem de quem ela pertence.

Isso fez com que Kang YuChan se recordasse dá cena que vira a pouco tempo e de como seu coração por instante pareceu que iria se quebrar ali mesmo diante de todos. O aperto em seu peito fora tão forte que quase o fez perder o ar, teve que se equilibrar em seu companheiro para que pudesse manter-se em pé, mas não era como se as duas pessoas ao seu lado estivessem muito diferentes, ao contrário, uma delas estava pior do que todos. Ao ver do ruivo, quando os olhos do outro ficaram tão brancos quanto a neve, e que este fora bater com toda sua força na barreira formada, foi quando teve certeza que o moreno amava o loiro como se ambos fossem um só ser e um só corpo.

Levou uns instantes para que pudesse se recompor, mas assim que andou até a barreira e observou os dois caídos dentro dela, não pode deixar de prender seus olhos naquele que ele sabia, havia tocado seu coração como nenhum outro algum dia teria tentado fazer. Ao vê-lo ali caído em um sono profundo, preso no reino dos sonhos, um instinto escondido o dizia que deveria estar ao seu lado, que se partisse o estaria condenando, mas para sua infelicidade, não havia outra escolha.

Seus pensamentos transmitiram o nome do outro até seus lábios, mas nenhum som ousou sair, era como se toda a sua voz tivesse sumido, e mesmo que buscasse por ela, mesmo que ela estivesse bem a sua frente, não a conseguia transmitir. Seu ser queria gritar, bater com toda a sua força até a barreira se quebrar e se isso não fosse o bastante, usufruir de seu poder e fazê-la queimar, até não sobrar nada além de cinzas. Mas aquilo era apenas o que queria, o que almejava, longe demais de seu alcance, pois ele sabia que além de estar fraco, não tinha poder ou força suficiente para se comparar com a Deusa que prendeu, seu...

O pensamento havia terminado aí, YuChan não conseguia terminar a frase, pois a palavra amigo já não se encaixava mais, já não tinha sentido. Chan sabia que a ligação entre ele e o outro estava bem longe disso, sentia que seja lá o laço que ele e o dono de cabelos azuis e olhos tão belos e duvidosos quanto o mais implacável oceano, estava além do que qualquer amizade pode representar, era diferente, e acima de tudo especial, possuía um nome como era de esperar, ele só não sabia confirmar qual.

Foi então que entendeu.

O Deus do fogo, levantou-se depressa de onde estava sentado e antes de partir, observou as ondas do mar batendo bruscamente contra o penhasco, como se fossem uma aviso de quem as domina. Foi o suficiente para ter certeza de que estava fazendo o certo, de que o caminho que escolheu o levaria até a resposta que tanto precisava, que o levaria até a conquista da missão mais difícil e perigosa que enfrentará.

Ao amarrar a fita azul em seu pulso, Chan o fechou com força e levou a mão até o coração, como se aquilo o pudesse trazer calmaria antes da tempestade que estava preste a traçar. Seus pés voltaram a se mover, mais rápidos do que antes, seu tempo era curto demais para duvidar de sua decisão, sua razão já estava longe, seu coração o comandava dessa vez, em seu pensamento, todos os seus conselhos do seus companheiros o guiam a seguir, mas em seu coração.

Apenas um Deus reside.

Ele havia enfim entendido o que deve provar, não sabia como o faria, mas sabia que descobriria, mas primeiro precisava voltar até aquele lugar.

O lugar onde tudo começou.

Quem conseguisse ver de perto, se surpreenderia, pois os olhos do Deus do fogo estavam tão vermelhos quanto o mais cruel fogo.

Porém, se dividiam no mais belo laranja, revelando o misto de suas emoções.

Kang YuChan estava ardendo. Ardente de vontade.

E de um desejo incontrolável.

.

Diferente dos outros ele havia ficado, não conseguia deixar o templo da Deusa da sorte, não enquanto seu amado se encontrava preso no lugar simplesmente não podia deixa-lo, não outra vez, quando se declarou, ele havia prometido que nunca mais o deixaria, cumpriria a promessa até o fim dos tempos.

Em silêncio, Kim Sehyoon, se permitiu chorar, deixou as lágrimas doces e quentes caíssem sobre sua face, seu presságio estava certo, ele sabia que algo de ruim aconteceria e que não poderia impedir, mas como desejou estar errado, como muitas vezes antes, seus ventos não traziam boa sorte. Com aquele pensamento, o Deus do vento se viu forçado a se recordar, da primeira noite que amou o Deus do raio, de como sentiu que ele era o homem para quem faria juras de amor todos os dias da sua, e como fugiu assustado quando estava tão perto de realizar isso.

Naquela noite, quando retornou ao seu próprio templo, o único pensamento que se passava em sua cabeça era como iria explicar sua saída repentina ao outro quando este o perguntasse na manhã seguinte, a resposta era clara, não sabia. Poderia lhe cair o mundo, mas jamais conseguiria explicar exatamente o que lhe aconteceu, não porque não soubesse, mas porque ele próprio tinha dificuldade de entender. Não fugiu de ByeongKwan apenas por medo do que aquilo um dia poderia significar, fugiu pois os ventos o diziam que era o certo, que não devia chegar mais perto, seu próprio talento o implorava a se afastar, e Sehyoon se viu forçado a escutar.

Foi então que o estranho aconteceu, todas as vezes que buscava falar com o loiro, seu poder tinha sinais que iria se descontrolar, e um Deus Elemental sem domínio sobre seu elemento, traria problemas tanto a terra quanto aos céus. Quanto mais seu elemento parecia não querer ser controlado, mas o Deus do vento ficava irritado, pois ele queria estar convivendo com o dono de seu coração, mas não podia, não enquanto seu poder não estivesse totalmente sobre seu controle, afinal, Sehyoon jamais se perdoaria se acabasse machucando ByeongKwan, preferia passar a vida afastado longe de seu amor, do que com a certeza que seu elemento poderia machucá-lo.

Mas o destino parecia ter o dado uma nova chance, pois quando ocorreu a queda, seu poder que antes o atormentava fora silenciado e não havia sinais de que iria despertar tão cedo. Aquilo, acreditou, era sua chance de concertar tudo, mas nem tudo era um mar de pétalas de rosas, não, os espinhos estavam tão presentes quanto podia imaginar, teria que ser muito mais do que sua palavra para retornar sua relação com o Deus do raio, pois o Deus do vento conhecia bem a personalidade de Kim ByeongKwan para saber, que ele teria que reconquista-lo se quisesse estar ao seu lado de novo.

A felicidade havia tomado o peito do Deus do vento quando tinha conseguido retomar ao menos a amizade com o outro, Sehyoon estava ciente de que desejava muito mais do que aquilo na relação de ambos, e via que ByeongKwan também desejava o mesmo. Mas naquele momento, a insegurança ainda era seu pilar, foi somente durante a segunda prova, que ele conseguiu tomar coragem para tomar alguma atitude em relação a tudo aquilo, ao entender que a ganância que seu coração sempre iria almejar, é o amor que ele e ByeongKwan podem se dar.

Mesmo com todos os avanços na relação que havia feito desde que caíram, uma última coisa ainda o assombrava, seus poderes, quando a Deusa da morte os disse que sua recompensa seria a volta parcial de seus poderes, os espinhos que antes desviará, se prenderam fortemente a si. Sehyoon tinha sentido o vento voltar a se conectar com ele, sentiu seus poderes agitados, temeu que o que no passado ocorrera retornasse mais forte do que nunca, mas dessa vez ele estava mudado, acima de tudo decidido.

O vento não surgia dele, ele já existia desde sempre, da mesma forma do que todos os outros elementos. Assim como cada Deus Elemental possui sua própria natureza, os elementos que eles comandavam também tinham a própria. E o vento...

Era o mais imprevisível de todos.

Não se sabia quando o vento mudaria, nunca se tem um aviso prévio quando tal evento ocorre e é por isso que de todos os cinco elementos, era o mais difícil de se manter sobre controle. Era isso que Kim Sehyoon temera.

Mas agora não mais.

Se antes a insegurança era como um de seus pilares.

Agora era a confiança.

A confiança de que nada, nem ninguém iria o impedir de dar ao loiro todo o amor que ele merece.

Pois sim, ele o amava.

E sempre irá ama-lo.

De pé, e sem mais lágrimas, o Deus do vento encostou sua testa sobre a barreira, seus olhos agora de um branco tão claro quanto as mais belas nuvens, estão fixos na única pessoa que amou e amará, não sabia dizer o quão forte era seu amor, mas sabia que com ele podia enfrentar o mundo. Observou de longe ByeongKwan preso em um sono que ele não sabia quando o loiro de olhos âmbar irá acordar, mas que tinha certeza que irá despertar.

A lembrança de uma música o invadiu, e não hesitou em canta-la para seu amado, mesmo que ele não pudesse ouvi-lo, ainda assim a cantou.

"Mesmo que eu não tenha confiança

Mesmo que eu tenha um pouco de medo

Nos muitos dias que ainda estão longe

Mesmo que pareça estúpido

Mesmo que eu fique hesitante

Eu gosto das coisas que me encontram naquele lugar

Dentro das muitas preocupações

Eu vivi em um estado amarrado como aquele

Oh, desta maneira eu escrevo uma carta para mim mesmo

Eu ficarei ao seu lado

(Eu ficarei ao seu lado, eu ficarei ao seu lado)

Oh, Eu ficarei ao seu lado*"

Quando terminou de cantar, o Deus do vento sentiu seu peito queimar, como se algo em brasa estivesse sendo marcado ali contra sua vontade, ao abrir a camisa para ver o que estava acontecendo com seu corpo, a surpresa fez um sorriso brotar em seu rosto, trazendo a esperança ao seu coração.

Ele havia conseguido.

A marca do coração reside em seu peito.

Com pressa, o Deus encarou seu amado com a esperança que este acordasse, mas o Deus da energia ainda estava preso no reino dos sonhos. Mas quando tentou tocar a barreira que o impedia de chegar perto, ela já não estava mais lá, sem perder tempo, Sehyoon correu para o lado de ByeongKwan e segurou sua mão, ao sentir um leve aperto, soube que o outro sentia que estava ao seu lado agora.

"Eu acredito em você Byeong, vamos não desista, sei que você consegue vencer essa prova, todos nós conseguiremos e voltaremos aos céus, então não desista, por favor, lembre-se eu estou aqui, seu Wow está aqui, e ele jamais o deixará"

Ao que antes parecia impossível, agora parecia estar mais perto de se tornar realidade.

No reino dos sonhos, as palavras do Deus do vento viajaram até chegar ao seu destino.

Em um mundo, onde apenas relâmpagos existiam, a mensagem vou repetida várias e várias vezes até chegar até aquele a quem foram destinadas.

O Deus dos raios, Kim ByeongKwan.

Quando a melodia antiga soou aos seus ouvidos, o loiro não teve chance de dizer nada, apenas de se entregar a música. Assim que sua consciência se recobrou, ByeongKwan se viu não no templo da Deusa da Sorte, mas sim, em um mundo vasto e vazio, onde ao redor de si os relâmpagos caíam, um após o outro, as vezes perto de mais, as vezes longe o bastante para ouvir somente o trovão, mas nunca o atingiam, pois era imune a eles.

Confuso, o Deus procurou olhar buscar ao redor algum sinal de qualquer existência que não fosse a própria e a encontrou, mas odiou o que viu. Alguns metros longe de si, ele o viu, reconheceria o de qualquer lugar, mesmo de costas, mesmo a quilômetros longe de si, ainda assim o reconheceria.

Lá estava, Kim Sehyoon.

Mesmo sabendo que quem via a sua frente não era nada mais nada menos do que uma ilusão do reino dos sonhos, ainda assim, parecia real demais para deixa-lo, principalmente quando percebeu que seus raios o tinham como alvo, e que de pouco a pouco estavam chegando mais perto. Desesperado para chegar até o outro e impedir que fosse atingido, ByeongKwan correu com todas as suas forças para se aproximar, mas parecia impossível completar tal ato, pois toda vez que chegava um pouco perto, um relâmpago o bloqueava, e cada vez mais Sehyoon se afastava.

Porém, o loiro prosseguiu tentando, mesmo quando todas as suas forças pareceram se esgotar, Kim ByeongKwan não desistiu de tentar, mas nem mesmo seu esforço foi capaz de impedir que o pior acontecesse. Quando ficou a pouco mais de quatro metros de Sehyoon, o raio o atingiu, bem na sua frente, o Deus da energia viu a pessoa que mais amava no mundo desaparecer em um piscar de olhos por seu próprio elemento. O grito preso em sua garganta e ardência em seus olhos devido as lágrimas era um claro sinal de seu desespero assumindo todo o seu ser.

Então, o que antes era recheado do estrondoso som dos mais cruéis e impiedosos trovões, ficou no mais absoluto silêncio.

Não havia mais relâmpago algum no céu, não havia nada, além de si próprio.

Caído no chão, derrotado, o otimismo que sempre o ergueu, ruiu.

ByeongKwan se viu perdido e sem chão, e como a muito tempo suprimiu tal emoção, ele o deixou se dominar por ela.

Pelo medo.

Foi como se todo seu ser estivesse sendo esmagado. Sendo destroçado.

Em meio ao caos que ameaça o dominar, ByeongKwan desejou apenas não estar sozinho, desejou que Wow estivesse ao seu lado o consolando, mas este havia partido, partido para nunca mais voltar. Deixando cada vez mais se entregar ao desespero, seu fio de esperança parecia estar perto de se romper quando ao som de uma música que ele bem conhecia, o loiro fechou os olhos e mergulhou em suas próprias memórias.

A primeira lembrança que teve, para sua surpresa, não foi de sua vida passada, muito menos do dia em que chegou aos céus, mas sim do dia em que foi apresentado a quem hoje considera seu namorado. Não havia muito tempo que ByeongKwan tinha ascendido, mas também não demorou a fazer amizades, desde sempre era alguém comunicativo e que de fácil interação, embora isso pudesse causar alguns desentendimento que levavam a situações complexas, porém o dia em que o conheceu não fora assim.

Sehyoon era um tanto receptivo com as pessoas a sua volta, de começo ByeongKwan invejava como os deuses e deusas gostavam da companhia do outro como se este fosse uma celebridade a ser conquistada, mas então, ao passar um tempo com o Deus, entendeu o porquê todos gostavam dele e quando menos percebeu, começou a gostar do dono de cabelos pretos tanto quanto gostava de si. Para o Deus do raio, Sehyoon se tornara uma espécie de rival, o tipo de Deus que almejava ser um dia, por isso, decidiu que deveria se aproximar mais do outro e conhecê-lo melhor, só não reparou, quando curiosidade, tornou-se atração.

Quanto mais próximos ficavam, mas ByeongKwan via necessidade em estar próximo do outro, como se ele fosse uma droga feita especialmente para si, e não deixou de perceber que depois de um bom tempo, o sentimento estava cada vez mais recíproco, o loiro demorou a compreender bem o que estava ocorrendo consigo, e gostaria que não tivesse descoberto da pior forma possível. Após a noite em que ele e o Deus do vento fizeram amor pela primeira vez, ByeongKwan teve certeza que o que sentia pelo outro já não era mais amizade ou simples atração, não, ele estava apaixonado.

Mas sua felicidade durou pouco.

Quando menos esperou, o Deus do vento havia o deixado sem dizer uma só palavra, havia o abandonado, sem o dar alguma resposta plausível. Porém, o Deus da energia jamais iria esquecer da vez que pegou Sehyoon o espiando ao longe, como se quisesse falar contigo, porém não tivesse coragem para tal, mas assim que o outro reparou que havia sido pego, partiu sem dizer nada, mas o que havia marcado tal encontro, foi os olhos do Deus do vento. Estavam tristes, mesmo não estando mais próximos do que antes, ByeongKwan sabia que havia algo de errado, algo impedia Sehyoon de estar perto de si, ele só não sabia o quê.

Desde então nunca parou de procurar a resposta.

Quando desceram a terra, de primeira havia ficado chateado de ter perdido a corrida do Deus Marcial Maior, a maioria achava que ele apenas queria se divertir, em principal Sehyoon que recusara o convite sem pestanejar, quando tudo que ByeongKwan queria era ter uma oportunidade sem volta para que ambos pudessem conversar. Mas a chegada na terra acabou se tornando mais proveitosa do que imaginara e serviu para enfim reaproxima-los, a esperança de estar ao lado do Deus do vento reascendeu em seu peito.

Mas agora, todos os momentos juntos parecia um sonho distante demais.

A consequência da prova não abandonava seus pensamentos mesmo se quisesse. Havia prometido permanecer ao lado de Sehyoon para todo sempre, que jamais o abandonaria, que mesmo que ficassem na terra, iria estar ao lado dele sempre, mas agora o medo se instalará em seu peito.

Pois era iminente que poderiam se separar. Pois um deles poderia não passar.

Caso não conseguisse, mas seu amado sim, ByeongKwan não poderia prende-lo a si, seria um mortal, sua vida em breves anos se iria, e a promessa que haviam feito um ao outro, se romperia.

Seu choro doloroso era o único som que pairava sobre o lugar.

Como viveria sem seu amado?

Sem Wow?

Essa eram respostas que temia mais do que tudo no mundo, pois mesmo seu lado otimista não poderia ir contra a possível realidade que se mostrava a sua frente. Porque mesmo que escondesse bem, por vezes seu medo do futuro aparecia, mas aquela era a primeira vez que o consumia.

Então, os altos sons dos trovões retornaram, cada vez mais fortes e poderosos do que nunca, como se estivessem tentando bloquear qualquer som que não fosse o próprio. E de fato era isso, mas o desejo da mensagem era mais forte do que os relâmpagos que caíam, pois a única coisa capaz de cortar os raios.

Era o vento.

E Kim ByeongKwan o ouviu, em alto e bom som.

Seu amado estava ao seu lado no reino fisiso, o dizendo belas palavras, e duas delas ressoam mais do que as as outras ditas antes.

"NÃO DESISTA"

Como se seu fio de esperança fosse restaurado, ByeongKwan teve certeza do que deveria fazer. Ao fechar os olhos, concentrou em padronizar a respiração descompensada e se acalmar por inteiro, quando voltou a abrir os olhos, o que antes era um vasto local escuro e assustador, agora era um campo verde sem fim, e o céu brilhava no seu mais belo azul, e não muito longe de si, a pessoa que mais amava no mundo o aguardada, de frente para si, e estendendo a mão.

O Deus da energia caminhou até o Deus do vento receoso de que este desaparecesse outra vez e que dessa vez não pudesse alcança-lo, mas assim que tocou na mão do parceiro, viu que enfim seu pesadelo tempestuoso havia terminado.

ByeongKwan enfim havia achado a resposta para todas suas perguntas.

O medo sempre estaria presente.

Mas isso não o impediria de viver o que tanto almejava ao lado de quem ama.

Ao contrário, sua sinceridade sobre tal realidade é o que fazia ter a mais absoluta certeza.

Que o amava.

Ontem, hoje e para sempre.

Então, sobre a ardência em seu peito, com a marca do coração se completando, representando que havia terminado a prova. O reino dos sonhos começou a de dissipar e quando menos reparou estava de volta a realidade, de volta ao templo da Deusa da Sorte.

Kim Sehyoon que não saira de seu lado desde que conseguira entrar de novo no templo se assustou quando seu amado levantou-se apressado, agora desperto, como se tivesse acabado de acordar de um pesadelo, e não duvidou que pudesse ser esse o caso. Quando os olhos âmbar foram de encontro aos seus ônix, o Deus do vento mal teve tempo para pensar, pois fora surpreendido por um beijo urgente do outro e recheado de significado, não tardou em retribuir aumentando a intensidade, o ato só foi interrompido quando o ar fez falta, quando Sehyoon fez menção em dizer algo, o loiro foi mais rápido.

"No momento, só quero saber de uma coisa Kim Sehyoon, sua resposta é sim?" Indagou ByeongKwan encarando firmemente os olhos do outro que de primeira não entendeu o que o loiro quis dizer, mas após se lembrar da conversa que tiveram uma noite atrás, não hesitou em responder.

"Sim, minha resposta sempre será sim" o beijou feliz, beijo esse prontamente retribuído, mas diferente do outro, este estava repleto de um sentimento, o qual era a resposta do enigma da Deusa da sorte.

Amor.

Puro e verdadeiro.

Era só isso que precisavam.

Apenas um do outro, para o que der e viesse, durante toda a eternidade.

Para sempre WowKwan.

.

De primeira ele não soubera o porquê a estava a seguindo, porque seus caminhos estavam se cruzando e o porquê não desviara, só sabia que devia continuar, nem que isso o levasse longe de seu real objetivo, algo o dizia que ela precisava dele tanto quanto ele precisava dela.

Era como se o passado estivesse voltando, o deixando um aviso, um aviso que a muito tempo ouviu e que voltara a ouvir, se era o certo a se fazer ou não, ele já não sabia dizer. A ruiva a sua frente parou de andar, a muito ela já sabia que estava sendo seguida de perto, mas foi só quando chegaram na parte mais aberta da floresta, que resolveu se virar e enfrentar aquele que a tinha seguido.

"Por que está aqui?", A resposta demorou a soar, contudo não tardou a vir.

"Porque não acho que encontrará o que procura sozinha, e como alguém que um dia já foi seu confidente, sei que você está nervosa e que quer se descontrolar um pouco aqui apenas para aliviar um pouco o que pesa em seu coração, pois eu sinto o mesmo todos os dias, mas desde que cheguei a terra percebi que quanto mais eu guardo isso somente para mim e não compartilho com mais ninguém, me prendo ainda mais, então eu lhe dou um conselho que você havia me dado, se confia, se sente que pode conta-lo, então o faça, estou certo, Soa, ou devo chama-la de Taeyeon?"

Ao ouvir seu nome verdadeiro sendo dito, a imortal não deixou de se surpreender, até onde sabia ninguém mais além de seu próprio irmão tinha ciência sobre seu passado, mas estava enganada, ele sabia, e ela foi boba por não perceber que ele poderia saber.

Um sorriso singelo apareceu em seus lábios antes de responder.

"Eu o permito, Lee DongHun"

Sobre um vento gélido que tocou-lhes, na memória de ambos passado e presente se chocam, e uma velha mensagem os fazia o recordar de quem eram um para o outro.

"Destinos se entrelaçam mesmo em estradas distintas"

...



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