História Peregrina - Capítulo 44


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Categorias Saga Crepúsculo
Personagens Alice Cullen, Angela Weber, Aro Volturi, Bella Swan, Carlisle Cullen, Charlie Swan, Edward Cullen, Emmett Cullen, Esme Cullen, Jacob Black, Jasper Hale, Jessica Stanley, Leah Clearwater, Mike Newton, Personagens Originais, Rosalie Hale, Sam Uley
Tags Aventura, Crepusculo, Fanfic, Romance
Visualizações 289
Palavras 2.231
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá pessoal, agora é para valer, estou com com cronograma e vou tentar postar dia sim dia não, preciso terminar essa historia para me dedicar mais a uma que eu tenho. Então vou engatar a 5 marcha.
Espero que gostem!
Beijão EJ!
PS: Prestem atenção aos sinais.

Capítulo 44 - Passado


43. Passado

— Não trouxe nada para comer? — Pergunto. Não senti nenhum cheiro de comida no carro.

— Não, eu come bem antes de sair de casa, e como você não come... não achei que seria.. não trouxe. — Ele assentiu com a cabeça e desviou o olhar.

— Me fale mais sobre você. — Sussurro não deixando que ele fuja da conversa, preciso que fale para que quando chegar a minha vez possa ser bem destoante as informações trocadas.

Ele dar um pequeno sorriso e olha para mim. Seus olhos castanhos que prendem aos meus e eu posso vê-los brilhar um pouco. Ele está mesmo feliz.

— Eu nasce aqui. Vivi aqui, fora vira um lobo gigante de vez em quando não há muito a contar. — Ele dá de ombros. — Estou mais interessado em você.

— Imagino que sim. — Falo dispensando sua ideia com um aceno de mão. — São só você e seu pai?

— Tenho mais duas irmãs mais velhas. Rebecca está no Havaí com o marido e Rachel em um colégio interno. Ela ganhou uma bolsa.

— Sua mãe?

Ele abaixa a cabeça e balança de um lado para o outro, não precisa ser nenhum gênio para entender a mensagem. Sinto uma pontada de dor em meu peito e inspiro fundo tentando me acalmar.

— A minha também. Há poucas semanas, na verdade.

— Sinto muito.

— Eu também. — Não falamos nada por alguns segundos, nem olhamos um para o outro, ficamos ambos em nossa dor. Apenas um pequeno momento que não pode ser compartilhado com ninguém.

Quanto volto a levanta a cabeça ele me encara. Dou um pequeno sorriso. Não sei o porquê. Talvez para me livrar do clima tenso e pesado, ou apenas pelo modo gentil que ele me olha.

Estou acostumada a olhares de homens, mas eles nunca são tão gentis ou quase puro como o que ele está me lançando agora. Esse negócio de imprinting deveria ser estudado. Duvido que qualquer um dos lobos olharia para alguém da minha espécie desse jeito se tivesse escolha.

Talvez eu deva investigar sua mente um pouco mais, parece um bom material de pesquisa.

— Quando isso aconteceu? — Ele levanta a sobrancelhas. — Quando você se transformou pela primeira vez?

— Alguns meses. Logo depois que eu fiz dezesseis.

— Doí? — É uma pergunta boba. Eu vi os ossos dele. Sei que deve doer.

— Doí, mas não tanto quanto parece. As primeiras vezes são mais doloridas.

— Deve ter sido bem assustador.

— Não, Sam estava lá. Ele já sabia que iria acontecer. Acho que por ter sido o primeiro ele via os sinais. Ele me disse o que esperar. Os outros me ajudaram também. — Sinto que ele não está tão inclinado a falar como parece. — E você?

— Eu?

— Você pode saber tudo sobre mim, se olhar em minha mente. Por que não me fala sobre você?

Dou de ombros novamente.

— Não costumo usar os meus dons tão levianamente. Se posso perguntar, eu o faço.

— Por que?

— Tenho muitos dons. Usa-los me deixa cansada.

— Vampiros ficam cansados?

— Os normais raramente. Há situações, mas é preciso muito esforço. Eu sou diferente. Fico cansada. Tenho dores de cabeça. Tudo por causa dos meus dons. Então eu procuro não usa-los, se ficar muito cansada preciso me alimentar com mais frequência.

Sinto ele ficar tenso quando falo a palavra “alimentar”. Não achei que fossemos chegar a essa parte tão rápido, mas na verdade é minha melhor cartada.

Se tem algo que eu vi na mente dos lobos é o desprezo deles pela minha espécie e eu como qualquer vampira me alimento. Os Cullen escolhem seu meio, mas eu não largaria o meu.

E o Jacob sabe disso, eu não esconde dele meus olhos vermelhos em nenhum momento, só o faço para humanos novos. Até mesmo meus funcionários acham que eu gosto de usar lentes vermelhas. Se eles soubessem que o castanho é uma lente em vez do contrário.

— Vamos ter que falar sobre isso em algum momento.

— Não precisa ser agora. — Ele se movimenta no banco parecendo mais desconfortável e grande do que antes.

— Você perguntou sobre mim. Essa é uma parte bem importante da minha vida agora. Você é o que come lembra?

Ele continua calado e não olha para mim. Acho que agora é minha vez.

— Eu sou da Louisiana. Tenho uma irmã mais nova e duas sobrinhas que parecem ter a minha idade, mas no caso são mais velhas do que eu. Parei de envelhecer aos dezenove. Eu não via nenhuma delas desde que eram bebês, quando eu precisei me mudar. E eu não planejava vê-las, até que minha mãe... até que minha mãe nos deixou, eu estava aqui. Foi uma loucura, mas eu fui até ela, sem proteção nenhuma, sem me importar com a minha aparência. Com os olhos ainda vermelhos.

Ele voltou a me olhar quando comecei a falar, parece hipnotizado por minhas palavras.

— Quando você foi... quando você mudou?

Suspiro e puxo um pouco de ar, o passado nunca está muito longe em minha mente.

— Eu era babá. Aos 19 em 1963. — Ele não parece tão assustado com a data, não devia mesmo, eu falei que sou velha. — Estava voltando para casa tarde. Morávamos na periferia, eu precisava andar muito. — É a memória mais bem preservada que eu tenho de quando era humana. Elas não são muito boas, estão sempre borradas e manchadas, os meus sentidos eram tão pobres na época, quase não consigo mantê-las em minha mente, ao passo que consigo distinguem mínimos detalhes de minha vida após a transformação. Essa noite é a única exceção. Lembro dela quase que perfeitamente. — Ainda me pergunto o que garotos tão ricos faziam naquela vizinhança. Eu os conhecia é claro. Trabalhava para suas famílias há pelo menos dois anos. Eu cuidei de seus irmãos e irmãs. Me recuso a acreditar que estam lá apenas por mim como diziam.

— Eles...

— Sim. Quase todos. Eram quatro. E então... então a segunda pessoa mais importante da minha vida pareceu. Meu criador. — Ele agarra a mesa quando falo. Por que? — Ele salvou a minha vida. Não que essa tenha sido a intenção dele. — Dou um pequeno sorriso lembrando do pior e melhor momento da minha vida. Distraidamente levo a mão ao meu braço, ainda tenho as marcas de seus dentes e unhas. — Ele queria apenas se alimentar e ali estávamos, em um beco escuro e longe de qualquer ajuda. Ele matou todos eles tão rápido. Apenas apertou cada um contra seu corpo e mordeu seus pescoços com tanta força. Nós mal registramos o primeiro a morrer, ele não emitiu nenhum som. Barnes. Era o que estava mais afastado, seria o último da fila. Depois o Phillip. Eu vi o Phillip morrer. Ele olhava para mim quando meu criador o segurou pelo pescoço por trás. Sabe o Phillip não era alto, meu criador também não, mas ele o ameaçou tão alto e tão longe. Depois foi o Luís. Tinha sido o primeiro e tentava me segura contra o chão. Ele aranhou os meus ombros quando foi arrancado de perto de mim. E por último o Joseph. Ele ainda estava tentando entender o que estava acontecendo, não investia mais contra mim. Apenas ficou parado como um idiota.

O tempo todo Jacob olhou para mim. Não disse nada. Eu encarava seus olhos também, mas não via ele. Via a cena toda outra vez. Eu revivi ela muitas vezes durante esses anos. Hoje mal penso nela mais do que cem vezes. Pelo menos conscientemente. Sabe, há muito espaço da minha mente e um pedaço está eternamente preso aquela noite. Acho que é por isso que é uma memória tão boa.

— Ele nem se deu ao trabalho de tirar o Joseph de perto de mim, se ajoelhou atrás dele e o mordeu. Minha roupa ficou cheia do sangue dele e eu só conseguia me arrastar enquanto olhava meu criador devorar o sangue que jorrava da garganta do Joseph. Não sei bem o que eu senti naquele momento. Alivio, pavor, surpresa, tudo passo tão rápido e em menos de um minuto ele já havia arremessado o Joseph do outro lado do beco. Ele olhou para mim. Mais tarde ele disse que estava esperando. Esperando que eu implorasse pela minha vida como os meninos fizeram, mas eu apenas sorri ele disse, não lembro de ter sorrido, mas meu criador me falou que eu sorri olhando para o sangue em minhas roupas e depois olhei para ele. Eu havia ouvido, mas mal registrado os gritos deles. Gritos que eu própria havia proferido alguns minutos antes, mas para ele nada, apenas um sorriso. Para o loiro incrivelmente lindo que havia matado quatro homens em menos de dez minutos eu não fiz nada, não disse nada. Apenas olhei para ele e o vi lentamente se aproximar de mim.

“Levantei o braço, um reflexo inútil. Ele o segurou com força arrancando sangue com suas unas e então me mordeu. ”

Dou um pequeno sorriso. Coloco o braço na mesa e puxo meu casaco, mostrando as marcas de dentes.

— A nossa transformação dói como inferno. Queima por dentro. Você é consumida em brasas por quase ou mais de três dias. E mesmo assim eu ainda agradeço pela dor, agradeço pelas cicatrizes.

— Por quê? — Olho de verdade para o lobo desde que comecei a falar, ele parece mais fascinado do que qualquer um dos sentimentos que estão passando pelo seu rosto.

Pisco os meus olhos, sentindo a falta das lágrimas novamente, é a primeira vez que falo sobre isso em voz alta.

— Porque ele matou aquela garota. Enquanto ele sugava eu olhava para ele, sem dizer nada, então por um milagre ele olhou para mim. Perguntei algum tempo depois por que ele parou? Por que não me matou? Ele me disse que matou, ele viu uma parte de mim indo embora, mesmo assim eu ainda olhava para ele. Ele olhou para mim e eu parecia mais agradecida do que com medo. Me falou que nunca havia visto um olhar como o meu. E eu possivelmente deveria estar mesmo. Ele havia matado os quatro. Eu sou grata por isso até hoje. — Inspiro fundo, puxando um pouco mais do ar salgado. — Ele soltou o meu braço. Tirou o casaco e rasgou a manga dele e enrolou a ferida. Me segurou nos braços e eu desmaiei. Quando acordei foi com a dor da transformação.

“Como eu disse, ele matou a garota que eu fui, ele arrancou o medo da minha vida e me tornou uma mulher poderosa, ou pelo menos me ajudou e muito para que eu chegasse onde estou hoje.”

— Onde ele está agora? — A voz dele rangeu com um pouco de hostilidade.

— Ele se foi duas semanas depois.

Ficamos em silêncio por um momento. Ele não parece saber o que falar e eu não faço ideia porque contei a ele algo que nunca disse a ninguém. Bem eu nunca tive a chance... não é como se muitas pessoas que eu convivo saibam que eu não sou mais humana... mas bem eu nem contei ao Cullen, não a estória inteira.

— É por isso que... é por isso que você mata pessoas? — Ele fala as palavras em um sussurro quase arrastado demais para a sua voz grossa, como se não acreditasse em suas próprias palavras.

— Por que você come carne? Por que come frutas? Eu sinceramente não sei Jacob. É do que minha espécie precisa para viver, é instintivo.

— Mas os Cullen... eles não matam pessoas.

— Eu sei. É muito louvável os Cullen se manterem longe de pessoas, pessoas boas. Muitos de nós matam qualquer um que encontrarem. — Ele se encolhe com a minhas palavras, mas eu posso ver que é de raiva. — Tudo no mundo tem o seu predador. O homem é predador dele mesmo, é tão inimaginável que tenha outra espécie que se alimente dele?

Ele não fala nada. Parece que estou conseguindo alcançar o meu objetivo. É uma pena que eu tenha de expor tanto da minha natureza, ele vai acabar tão traumatizado que não chegara a dez quilometro de mim. É verdadeiramente uma pena.

O lobo é um bom ouvinte.

Sinto um arrepio na minha nuca antes de sentir o cheiro.

Estou tão imersa na nossa conversa e no cheiro do Jacob que não notei antes. Três como ele estão se aproximando, na verdade está a pouco mais de quarenta metros de nós, perto do carro dele. Se não fosse por isso eu sentiria o cheiro antes.

Noto que o Jacob tem um cheiro diferente. Acho que tanto tempo de proximidade me deixou notar a especificidade. Quero dizer, todos tem um cheiro único, eu saberia diferencia cada um só pelo cheiro, mas o do Jacob está mais destacado do que antes. Quase não fede tanto agora.

Tem também o fato de eu estar a favor do vento, ou seja, eles capitam o meu cheiro a mais tempo, mas a pela minha visão e audição, deveria ter sido capaz de ouvi-los a mais tempo.

— Seus amigos estão aqui.

Ele se vira seguindo meu olhar.

— Eles não parecem felizes. — Esse pode ser considerado o eufemismo do século. Eles estão fervilhando de raiva.

— Você fez algo errado? — Paul, Quill e Sam se aproximam cada vez mais. Jacob se levanta e se coloca na minha frente. Tarde demais, eles já me viram a um tempão.

— O que ela faz aqui? — Sam rosna as palavras para mim. Pena, eu pensei que ele seria o menos irritado com toda a situação.

É, não vou entrar na água afinal.


Notas Finais




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