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História Perfect - Capítulo 12


Escrita por: vanelope-stars

Notas do Autor


OLÁ, MINHAS BORBOLETAS!!!

Sim, vou chamar vocês de borboletas. Quem amou, que bom. Quem não amou, não é meu problema.

Gente, esse capítulo tem 15k. Eu NUNCA escrevi tanto na minha vida. Leiam isso com a ALMA!!

Depois do capítulo tem umas coisinhas que queram que vejam.

Enfim, aproveitem! 💐

Capítulo 12 - Serpente Se Alimentando De Serpente


Encarei a mensagem por longos segundos. O que eu queria? Eu sabia, não sabia? Havia como dizer sem parecer tão precoce quanto eu me sentia? Eu não soube. Fiz um voto de fé.

Eu: 

Eu quero ficar com você, hyung. Não me importa como. Você não tinha dito algo sobre uma festa? - 21:13

 

Jimin: 

Sim, uma festa com colegas. Você quer ir? - 21:13

 

Eu: 

Eu quero se você quiser. - 21:13

 

Jimin: 

Eu não quero que faça o que eu quero, Jeon, quero te satisfazer. O que você quer fazer, só você, somente sua vontade? - 21:14

Sentei na cama de Yoongi e suspirei. Minha testa estava suando. Mordi o lábio. Eu devia mesmo dizer? Eu não queria soar desesperado. Mas eu estava. Não, não estava desesperado. Sedento seria uma palavra melhor. Eu estava sedento. Jimin queria tanto assim matar minha sede? Suspirei, sabendo que não adiantava fugir. 

Jimin não queria me guiar e não daríamos passo algum se eu não apontasse a direção. Era o que ele queria: que eu me impusesse, que eu dissesse. Jimin hyung me respeitava e respeitava minhas decisões. Essa sensação me deixava em êxtase.

Para ele, eu não era um rapaz recém saído da adolescência ou apenas um aluno atraente e fácil de seduzir. Para ele, eu era… era…

Eu: 

Eu quero transar com você, hyung. - 21:14

Me joguei na cama, deixei o celular de lado. Rolei e enfiei o rosto nos travesseiros. Gritei abafado e soquei o colchão. Feliz, constrangido, ansioso, nervoso, apaixonado. Eu estava me diluindo. O celular apitou.

Jimin:

Então iremos transar, Jeon. Em que horário passo te pegar? - 21:14

 

Eu:

Qualquer um, hyung. Não tenho planos. Estarei em casa depois do almoço. - 21:15

Mas eu acho que também gostaria de ir à festa, hyung. Tem como fazermos as duas coisas? - 21:15

 

Jimin:

Está me perguntando se podemos festejar e fazer sexo no mesmo dia? É claro que sim, Jeon.  - 21:15

A festa começa às 20:00. Podemos sair bem cedo de lá. O que acha? - 21:15

 

Eu:

Acho ótimo, hyung! Então você passa lá em casa às 20:00? - 21:15

 

Jimin:

Um pouco antes. 19:45? Quero dar um passeio de carro com você. - 21:16

 

Eu: 

Certo, hyung! Vou adorar. O que devo vestir? É uma festa de que tipo? - 21:16

 

Jimin: 

É bem casual, uma reunião pra beber um pouco e conversar. Tem música e podemos dançar. Ninguém lá irá te olhar estranho, conheço todo mundo. - 21:16

Pode usar a roupa que quiser e usar os brincos que quiser. Sei que estará lindo. - 21:16

Meu coração disparou e minha boca secou. Arfei, tomado de extrema anestesia. Senti que desmaiaria ali. Eu estava prestes a entrar no mundo dos sonhos.

Eu:

Certo, hyung. Vou vestir algo legal. - 21:17

Cocei a sobrancelha, receoso antes de digitar. 

Eu:

Posso usar maquiagem? - 21:17

 

Jimin:

Pode usar o que quiser. Seja você, Jeon. Eu vou adorar. Será uma bela flor. - 21:17

 

Eu:

Não diga essas coisas, eu começo a tremer. - 21:17

Ouvi Yoongi me chamando e me apressei em acabar aquela conversa antes que eu ficasse tão inebriado que precisaria de banho frio.

Eu:

Yoongi está me chamando. Falamos depois. Te espero amanhã, hyung. Até! - 21:18

 

Jimin:

Até, Jeon. - 21:18

Suspirei e deixei o celular no bolso. Logo em seguida Yoongi adentrou o quarto, bufando.

ㅡ Kyungseok queimou a mão tentando pegar uma colher de cima da panela. Acredita? Preciso achar um band-aid ㅡ reclamou, andando até o guarda-roupa e abrindo a última gaveta. ㅡ Por que está aqui? Eunwoo te traumatizou, foi?

ㅡ Não. Ele foi amável. Eu estava falando com Jimin.

Yoongi, se pudesse, teria virado o pescoço todo como na icônica cena de "O Exorcista". Levantou de súbito, fechou a gaveta com um chute após ter pegado um band-aid e ficou diante de mim, me analisando com aqueles olhos curiosos.

ㅡ E do que falaram? ㅡ perguntou.

ㅡ Ah… sobre sairmos juntos amanhã.

ㅡ Então vai rolar? Você vai ter uma noite de amor tórrido e quente como um dia de verão com o Sr. Park?

ㅡ Meu Deus, Yoonie…

ㅡ E eu estou equivocado?

De outro cômodo, veio um grito de Jae avisando que seu irmão mais novo ainda chorava e que Eunwoo estava prestes a desabar num rio de lágrimas também. Yoongi bufou.

ㅡ Ai, tenho que dar um jeito nas crianças. Mas depois, depois do jantar, quando estivermos sozinhos, não me poupe detalhes! ㅡ Me apontou dois dedos, correndo em seguida, gritando com os irmãos.

Ri e olhei meu celular. "Até, Jeon". Ah, eu estava nas nuvens!

 

{...}

 

O jantar foi ótimo, pois a comida de Yoongi era mesmo incrível. Os meninos lavaram a louça enquanto eu ajudava Yoongi a ajeitar alguns livros em seu quarto. Sana estava limpando o chão da cozinha.

ㅡ Então vocês vão mesmo foder? Que ódio, todo mundo transa nessa caralha, menos eu ㅡ Yoongi ralhou, tirando o pó de um exemplar de "Diário De Um Banana". Ele tinha um gigantesco carinho por todos os seus livros e pertences em geral.

ㅡ Ah, mas você e Taehyung podem estar perto disso. Ele não deu sinais de interesse? ㅡ Continuei com o assunto. Guardei um dos livros da pilha sobre a estante pequena acima da cômoda.

ㅡ Não chegamos nesse nível de flerte. Nem beijinhos demos, Jungkook! Eu só sofro! Queria pular logo para a parte em que estamos casados, morando no Havaí.

ㅡ Você realmente se ilude, hyung.

ㅡ Calado! ㅡ Bateu com um livro na minha cabeça. ㅡ Quem não tem algo real precisa se iludir, Jungkook. É o que faz quem não é carente de amor romântico como você.

ㅡ Só você mesmo, hyung. É cada coisa.

ㅡ E estou mentindo? Você viveria calmamente se pudesse transar algumas vezes por semana e regar algumas plantinhas.

ㅡ É, é verdade. ㅡ Ri e reposicionei mais livros.

ㅡ Eu não. Eu preciso de calor humano, de elogios, de provas de amor e mais dessas coisas bregas, melosas e chatas que vemos na tv. É ruim, mas é verdade. Não é como se eu fosse me humilhar por amor, também. Eu sei meus limites. E se você precisa se humilhar pra ser amado, então por que bosta de pessoa você se apaixonou, né?

ㅡ Acho que sim, hyung. Nunca passei por isso, mas suponho que está certo.

ㅡ Claro que nunca passou. Você gostou de quantas pessoas? Duas? Tirando o Jimin.

ㅡ É. Aquele menino da escola e a Momo.

ㅡ E você não se apaixonooou desse jeito. Você teve só um crushzinho no menino. Atração de verão, nem pensava nele. A Momo que mexeu um pouco com você. Você vivia saindo com ela. E, ainda assim, quando ela se mudou e sumiu do mapa, você nem chegou a chorar. Uns dias e você estava na pista de novo.

ㅡ Mas não havia o que fazer com a Momo também, hyung. Ela se mudou. Eu ia fazer o quê? Obrigar os pais dela a voltar à casa antiga?

ㅡ Pois é. Quase uma história de amor. Deve ter algum filme com esse nome. Enfim, acabamos. ㅡ Suspirou, admirando os livros bem arrumados. Sorriu enquanto passava a mão sobre eles. ㅡ Vou ver como os meninos e a tosca da minha irmã estão se saindo e já volto. Quer uma noite da comida?

ㅡ Acho melhor não. Às vezes passo dois dias inteiros com dor de estômago e amanhã vou sair com Jimin.

ㅡ Verdade. Tem que estar de cu bem limpo, também. É melhor não se encher. Vai que fica constipado e tem que cagar lá?

ㅡ Ai, que horror, Yoongi! Vira essa boca pra lá.

ㅡ Mas é! Você tem que estar pronto. Enfim, vou lá. Pode me esperar aqui se quiser. Vamos ver pornô.

ㅡ Eca.

Yoongi riu e beijou minha bochecha antes de sair. Me deitei em sua cama, escutando seus dizeres aos irmãos e irmã. "Estou vendo pó bem ali, bem ali. Alguém tem que varrer. E esse copo está com resto de suco. Quem foi o imbecil que lavou isso? Vamos, vamos, eu quero nomes!", e coisas assim. Reli minha conversa com Jimin. Ainda estava ébrio demais por ele.

Yoongi voltou com um pote de sorvete e duas colheres. Deitamos lado a lado em sua cama e vimos "The Midnight Gospel".

ㅡ Seu pai sabe que você e Jimin vão sair?

ㅡ Não. Quer dizer, ontem eu disse a ele que estava considerando transar com Jimin e tal. Então ele não vai se surpreender.

ㅡ Ai, senhor Jeon, tão liberal.

ㅡ Igual sua mãe. Ela que te deu seu primeiro vibrador, Yoongi.

ㅡ Shiu! Não estamos falando de mim. ㅡ Encheu a boca com sorvete e fechou os olhos, arrependido. Engoliu. ㅡ Seu pai já conhece o Jimin? Sei lá, eles deviam ser apresentados. Seu pai é amigo, mas também é muito cauteloso. Eu não brincaria com ele. Muito menos se tratando de você. Ele cortaria Jimin em pedacinhos se ele te fizesse mal.

ㅡ É, eu sei. Também farei isso com o Sr. Jung se magoar papai. E eu vou apresentá-los. Quero que se conheçam. Ai, tenho que resolver com Jimin o que fazer com nossos boatos. Não quero mais Jisung no meu pé.

ㅡ Ele foi intimidar você hoje? ㅡ Virou o rosto na minha direção. Lembrei que não tinha contado ainda sobre Hoseok. ㅡ Você me disse que foi ele mesmo quem começou a falar.

ㅡ Sim, ninguém mais sabia além dele. Não tem mais opções.

ㅡ E ele foi reclamar com você por causa de algo que ele mesmo fez? ㅡ Yoongi riu seco e comeu mais sorvete. Sua expressão gritava por uma intervenção. Deixei meu sorvete de lado e me sentei. Parecia que os problemas nunca acabariam.

ㅡ Não foi bem assim, hyung. Ele… ele me procurou depois que a aula acabou.

ㅡ E disse o quê? ㅡ Yoongi sentou também, deixando seu pote de sorvete sobre o colo. Suspirei.

ㅡ Ele me puxou para trás dos muros, onde ninguém podia ver, e me mandou parar de falar dele. Eu disse que era ele quem estava espalhando, e não eu. Ele acabou falando mal de você e nós discutimos.

ㅡ Discutiram? Você discutiu, Jungkook? Não pode estar falando sério. Você não conseguiria trocar três palavras coerentes com ele. Ele é um troglodita.

ㅡ Ele me bateu.

Yoongi paralisou. Seu rosto não dizia mais nada. Suspirei novamente, sabendo que levaria anos para explicar e acalmá-lo.

ㅡ Porém não machucou, hyung. Mesmo, está tudo bem. Foi só um soco no estômago, depois que eu vomitei…

ㅡ Calma, calma. Ele te socou? Explique, Jungkook. E nada de "mas".

ㅡ Aish! Ele me socou quando eu disse que era ele quem estava empenhado a implicar comigo. Eu vomitei e comecei a chorar, ele me deu água e… e aí… ㅡ Comecei a gargalhar. Meu hyung não entendeu. ㅡ Quando ele tentou me bater de novo, Hoseok apareceu e bateu nele. Ai, foi a coisa mais aleatória que aconteceu comigo. Ele simplesmente surgiu e deu um monte de socos no Jisung enquanto… ai, enquanto xingava umas palavras estranhas. Saímos juntos da escola. 

ㅡ Ele simplesmente apareceu? Ele não estava com medo de você?

ㅡ Sim. Ele disse que estava me procurando quando flagrou eu e Jisung, então interviu. Conversamos na rua e acho que está tudo bem entre nós. Ele disse que não sabia que alguém estava vendo a gente naquele dia e que se sentia atraído por mim, mesmo sem entender muito bem. A mudança dele de escola já estava prevista e por isso ele me beijou, meio que queria "resolver" isso. Ele se desculpou. Hoseok é até bem legal, se você ignorar o quanto ele é… estranho.

ㅡ Eu te deixo sozinho por meia horinha e você confronta um homofóbico, apanha, tem crise, é salvo por um anti-herói de infância, vira amigo dele e combina de foder com o professor? Jesus, Jungkook. Você parece um canal de notícias.

ㅡ Foi muita emoção pra mim também. Por isso quis ainda mais vir pra cá. Queria descansar, hyung. Minha vida anda uma loucura.

ㅡ Eu estou vendo. E você vai entregar Jisung agora, não vai? O cara bateu em você, Jungkook. Não é mais um olhar torto, uma piadinha de mau gosto. Foi assédio, foi agressão física. Ele te fez ter uma crise, Jungkook. Você acha que sua saúde é uma piada?

ㅡ Você estava certo. ㅡ Encarei o sorvete, comi uma grande colher. ㅡ Ele gosta de mim, hyung. Ficou claro quando comecei a passar mal. Ele me deu água quando pedi e se ofereceu pra me levar até em casa.

Yoongi franziu a testa e me encarou com uma expressão de indignação.

ㅡ Ele fez o quê?! Que cínico, idiota! Meu Deus, eu… Eu vou quebrar aquele escrotinho na porrada da próxima vez que encontrar com ele!

ㅡ Não vai não, Yoongi. As coisas já estão ruins o bastante. Vou falar com Jimin, tá bom? Ele vai me ajudar a falar com a escola. E não me olhe assim, hyung. Sabe que ninguém lá vai me defender se souberem que sou bissexual. É capaz de apoiarem Jisung, ainda. Com o apoio de Jimin, eu tenho uma chance de, pelo menos, ganhar distância dele.

ㅡ Isso é ridículo. Me deixe resolver! Juro! Cinco minutinhos comigo e ele some do mapa!

ㅡ Yoongi!

ㅡ Jungkook, foda-se o que você acha. Eu não vou te prejudicar, entendeu? Eu jamais tomaria uma decisão que te colocasse em risco, e você sabe. Eu vou quebrar aquele menino na porrada, Jungkook. Não estou nem aí. Você tem empatia por ele? Ótimo. ㅡ Deitou e pegou novamente o pote de sorvete. Encheu a boca e me apontou a colher. ㅡ Eu também tenho. Sou totalmente capaz de compreender a realidade dele, se ele estiver disposto a me mostrar e mais disposto ainda a mudar. Mas isso não apaga o fato de que ele se comporta como um escroto, e eu já cansei disso. Foda-se! Eu cansei! Eu vou bater nele e nem você, nem a minha família, nem mesmo seu professor armado, vai me impedir. Eu vou bater nele. Cabe a você aceitar.

ㅡ Yoongiii! Assim você me deixa preocupado e arrependido de te contar essas coisas!

Yoongi sentou outra vez, ainda me apontando a colher, de boca cheia e disse:

ㅡ Se eu ouvir murmúrios que indiquem que você está me escondendo coisas, eu acabo com você, Jungkook. Sabe o que eu vou fazer? Vou chorar copiosamente ate você se corroer de culpa! Então continue me contando. E sorte sua que eu não saio correndo avisar seu pai, senão até Jihyo estaria sabendo. Ou pior: a sua mãe.

Arregalei os olhos. Meu corpo todo gelou.

ㅡ Já imaginou, meu caro dongsaeng? Sua mãe? Sua mamãe sabendo o que andam fazendo com você? Jimin acusa por você, seu pai se dispõe a te defender a todo custo, Hoseok avança de repente, eu quebro aquele escrotinho de merda no meio e Jihyo me encobre, mas a sua mãe faria muito pior. Você sabe que ela é tão boa em enganar e manipular quanto uma sucuri é boa em esmagar. Ela conseguiria  convencer a minha mãe de que eu sou um marginal.

ㅡ Eu sei, Yoongi. Afinal, é a minha mãe. Eu conheço ela.

ㅡ Sua família toda tem esses genes meio perigosos. Até você. Acho que Seokjin é o único "normal" entre vocês.

ㅡ É… O hyung é muito neutro e paciente. Ele me ajudaria agora. Ele sempre ajudava.

ㅡ Ele não está, mas eu sim. Toda a sua família e até a minha. Até Eunwoo brigaria por você. Consegue imaginar, hein? Meu irmão matando Jisung a facadas? ㅡ perguntou, em tom brincalhão. Acabei rindo. ㅡ Ele mataria. Jae e Kyungseok também. Sana cortaria ele em pedacinhos com aquelas unhas enormes. Jungkook, quando você vai entender? Nós morremos e matamos por você. Não tente nos impedir, nós te amamos. Faremos tudo por você, porque você é tudo pra nós.

 

{...}

 

Valquíria, a pastor alemão dos Min ㅡ que nem sempre estava em casa, já que sumia por dias e voltava quilos mais gorda ㅡ estava correndo ao redor de nós dois no quintal. Às vezes parava e me lambia dezenas de vezes e retornava a correr. Ela era muito amável. 

Eu e Yoongi estávamos deitados na grama. Os pais do hyung haviam chegado tarde, comido um resto do jantar e ido dormir. Sairiam bem cedo no dia seguinte. Para não corrermos o risco de fazer barulho à noite e atrapalhá-los, eu e Yoongi fomos conversar do lado de fora.

ㅡ Como está Dahyun? Faz tempo que não a vejo.

ㅡ Está bem. Continua bem animada com a floricultura. Acho que tem mais chances de papai deixar o negócio pra ela do que pra mim.

ㅡ Também não duvido. Meus pais deixariam o que pra mim? Eu não quero ser dono de lanchonete. Acho que vai ficar tudo para o Kyungseok, porque Jae sem dúvidas vai ser artista, doido daquele jeito. Eunwoo vai ter que se virar, não tem talento nenhum. E Sana? Brr! ㅡ Soltou o ar com força. ㅡ Sei lá no que vai dar.

ㅡ E você vai ser físico.

ㅡ Vou. Vou dedicar todo o resto da minha vida aos números e à ciência. Vou aparecer na sua casa depois de resolver as maiores questões do universo e você vai me servir um bom chá enquanto fala das suas plantinhas novas e de seus novos livros eróticos prontos para serem publicados.

ㅡ Isso é exagero, hyung.

ㅡ Você sempre teve vontade de escrever um livro e metade dos livros que você lê são eróticos.

ㅡ Eu tenho gostos peculiares, você não entenderia.

ㅡ Então me mostra.

Rimos e batemos um no outro. Yoongi rolou para cima de mim e me abraçou. Acariciei seu cabelo.

ㅡ Ai, eu te amo tanto, Jungkook.

ㅡ Eu também te amo, Yoongi.

ㅡ Não. ㅡ Levantou a cabeça e olhou nos meus olhos. ㅡ Eu realmente te amo.

ㅡ Exato. Eu também. Eu realmente te amo.

ㅡ Nós nos amamos.

ㅡ Sim.

ㅡ Estamos apaixonados.

ㅡ Vamos casar.

ㅡ Eu aceito.

Dei um selinho nele. Yoongi ficou vermelho e riu, dando tapas no meu ombro. Rolamos de novo, desta vez fui eu a ficar por cima.

ㅡ Não é como se fosse nosso primeiro beijo, hyung.

ㅡ Shh. Não estraga o momento. Estamos comprometidos agora. ㅡ Colocou o dedo nos meus lábios. Mordi. ㅡ Jungkook!

Yoongi gargalhou outra vez. Nos sentamos na grama, cara a cara. Ele colocou meu cabelo para trás e beijou meu nariz. Sorri para ele, sabendo que entenderia meu pedido. Ele juntou seus lábios com os meus por alguns segundos.

Yoongi hyung era um doce. A pessoa mais doce que eu conhecia e cada toque dele em mim mostrava o quanto me amava, o quanto me envolvia em sua camada protetora de açúcar. Todos os nossos atos, fossem eles abraços ou o próprio sexo dito, eram e seriam sempre tomados de um intenso carinho, de uma forte ligação que não tinha maneira certa ou errada de demonstrar. 

Ele estava certo. Estávamos apaixonados, nos amávamos. Mais do que nunca, e eu sentia que para sempre.

A palavra amizade não nos cabia, éramos mais. Sempre seríamos.

ㅡ Será que Jimin gostaria de nos ver assim? ㅡ perguntou ele, baixinho, e riu depois.

ㅡ Não sei, Yoongi. Mas qualquer pessoa que queira me amar deve saber que virá depois de você ou ao seu lado. 

ㅡ Se vocês casarem, iremos os três para o altar.

ㅡ Claro que iremos!

Segurei as bochechas dele após darmos risada outra vez e beijei com carinho todo o seu rosto. Ele me abraçou, e eu soube que o amor era um pouco mais do que eu achava que era.

Eu amava Jimin de um jeito imensurávelmente diferente de como amava Yoongi. Jimin era… Jimin era meu despertar selvagem e quase divino para o mundo. Era minha paixão, meu tesão e minha liberdade.

Yoongi era minha casa, meu abrigo, meu pilar reluzente e não importava o que fazíamos ou faríamos, nada nunca mudava. Talvez eu e ele tivéssemos nascido para sermos amigos, para estarmos juntos. Ou talvez fôssemos apenas duas pessoas que se encaixavam muito bem. Fosse o que fosse, eu amava.

O amor era mesmo natural e eu queria morrer afogado nele.

 

{...}

 

ㅡ Banho nos safados!

Acordei com um jato de água na cara, me assustei e empurrei Yoongi da cama, ele caiu ㅡ e eu caí em seguida ㅡ e saiu correndo com o chinelo na mão atrás de Jae, que fugia animadamente com sua arminha d'água. Caído sentado no chão, cocei os olhos e chequei o horário. Oito em ponto. Oito da manhã de um domingo. Até eu, que amava Jae como um irmão, senti vontade de lhe dar um bom cascudo. Voltei para a cama e tentei dormir de novo. Jae estava chorando porque Yoongi estava batendo nele. Fingi que não ouvi.

Yoongi costumava ㅡ em dias de escola, quando os meninos se recusavam a levantar ㅡ, acordar Jae e Eunwoo jogando um copo cheio d'água no rosto de cada um e gritar: Banho nos safados, preguiçosos, burros, imprestáveis! Supus que Jae estava se vingando com menos vocabulário.

Ele passou soluçando até seu quarto, chamando por Eunwoo. Cobri minha cabeça com a coberta, abafando o som do choro alto. Alguém se deitou atrás de mim e me abraçou; me virei. Era Kyungseok.

ㅡ Barulho ㅡ ele falou.

ㅡ Eu sei. ㅡ Ouvi Yoongi prosseguir reclamando e mais sons de agressão física altamente violenta. ㅡ E vai piorar. Tapa os meus ouvidos e eu tapo os seus.

ㅡ Tá bom, hyung.

Me virei de frente para Kyungseok e tapei sua orelha livre com minha mão e ele fez o mesmo em mim com sua mãozinha. Mandamos um beijinho um para o outro e dormimos ao som de choro, surra e reclamações de Sana, que havia acabado de acordar.

 

{...}

 

ㅡ Hyung, por que está chorando?

Ele estava parado na porta do meu quarto, chorando, desolado. Levantei-me com velocidade e corri até ele, enxuguei seu rosto.

ㅡ Por que está triste, hyung?

Ele continuou chorando. Entrei em desespero e o abracei com força. Ele não retribuiu, somente continuou a chorar.

ㅡ Seokjin hyung! Seokjin hyung, para de chorar!

Uma mão segurou meu ombro; era Yoongi. Ele negou com a cabeça e me puxou. Tentei argumentar, dizendo que precisava ajudar meu hyung. Yoongi somente disse:

ㅡ Eu sou seu hyung.

 

{...}

 

Acordei com o coração acelerado. Minha primeira visão ao abrir os olhos foi meu peito suado. Eu estava arfando. Me sentei na cama e senti uma forte vontade de ir ao banheiro. Corri, esbarrei com Sana no caminho; ela pareceu preocupada.

Apoiei a mão na parede enquanto urinava. Minha cabeça estava girando. Lavei o rosto após lavar as mãos e me olhei no espelho. Grande erro.

Eu estava suado como um maratonista, era visível o quanto eu estava afetado. Tive medo de repente de ter pesadelos, caso dormisse na casa de Jimin, e acordar assim. Não queria que ele me visse daquele jeito, mesmo que já tivesse me visto em estado pior. Bufei e saí do banheiro. Sana e seus quatro irmãos mais novos estavam me esperando.

ㅡ É… o que foi, gente?

ㅡ Você está bem? ㅡ perguntaram em uníssono. Assenti com a cabeça. Cada um emitiu suas próprias palavras de alívio e se dispersou pela casa, voltando às suas atividades. Ri enquanto voltava ao quarto.

Peguei uma roupa para tomar banho e vi que horas eram. 11:45. Nossa, eu tinha dormido muito. Kyungseok nem estava mais na cama quando acordei.

Quando estava quase entrando no banheiro, Yoongi perguntou se podia conversar comigo. Falei que sim e ele se sentou na privada enquanto eu me lavava dentro do box. O vidro embaçado não me tornava invisível, por isso hyung sentou de costas para mim.

ㅡ Você estava suado. Teve um pesadelo?

ㅡ É, acho que sim. Foi estranho. Seokjin estava chorando e não dizia nada. Você não me deixou consolar ele e me disse que meu hyung era você. Foi quando acordei com vontade de fazer xixi.

ㅡ Só isso? Você não fez nenhum barulho, como naqueles pesadelos pesados que tinha um tempo atrás.

ㅡ É. Não foi assustador, só me deixou… nervoso. Não entendi por que sonhei com isso. Fazia semanas que eu não sonhava com o hyung. ㅡ Enfiei meu cabelo cheio de espuma debaixo do chuveiro. ㅡ Acho que foi por causa de nossa conversa de ontem.

ㅡ Foi porque eu te beijei?

ㅡ O quê? Não. ㅡ Dei risada enquanto fazia espuma com o sabonete. ㅡ Seus beijos nunca me trariam pesadelos, Yoongi. Acho que foi por causa daquilo que você disse sobre bater em Jisung e sobre todo mundo querer ajudar. Acho que meu subconsciente te vê como alguém capaz de substituir Seokjin.

ㅡ E você acha isso?

ㅡ Não. Não quero ser seu amigo pra você ocupar furos, hyung. Você não é só um consolo temporário. Acho que só… Acho que meu sonho quis me dizer que você é tão importante quanto ele pra mim. Sei lá, também. Não entendo disso.

ㅡ Bom, é melhor que tapar buraco. Você me viu batendo no Jae?

ㅡ Não, mas eu ouvi.

ㅡ Aquele filho de uma não-putinha! Nossa, acabei com ele! Nunca mais vai se aproximar do meu quarto. Kyungseok estava tão lindinho dormindo com você. Fiquei até com dó de acordá-lo.

ㅡ Foi você que o tirou de lá? Ele estava tapando meus ouvidos.

ㅡ E você os dele. E sim, fui eu. Ele ainda está tomando xarope pra gripe, então tem que levantar mais cedo. Aliás, se começar a tossir, venha aqui que te dou xarope. Vai que ele te contaminou.

ㅡ Ai, Yoongi hyung, não fala isso. Tenho uma festa e um encontro hoje, não posso ficar doente. Imagina se contamino a festa toda e Jimin ainda? Que horror.

ㅡ Ah, é! Hoje você vai tirar as teias de aranha. Quer fazer a chuca aí no meu chuveiro?

ㅡ Pelo amor de Deus, hyung!

 

{...}

 

ㅡ Eu até te levaria, mas aqui tá foda. Se eu sair vai incendiar.

ㅡ Não se preocupe, Yoonie, eu chego rápido. Desculpe não poder ajudar mais. Disse a papai que voltaria antes da tarde.

ㅡ Não esquenta, você ajudou muito no almoço. ㅡ Yoongi suspirou e brincou com a porta aberta. ㅡ Vá logo, antes que chova. Hoje vai chover, tô sentindo.

ㅡ Chover no dia em que Jimin vai me levar pra sair. Nossa, quem podia esperar por isso? ㅡ Rimos. Ajeitei a mochila nas costas. ㅡ Até mais, hyung. Te aviso quando chegar.

ㅡ Até, baby!

ㅡ Ridículo!

A porta foi fechada e comecei a andar até em casa. Tinha um sol gostosinho. Papai e Jihyo haviam me mandado mensagens de bom-dia. Jimin me deu oi e Dahyun me mostrou uma foto de um vestido azul novo que tinha comprado. Isso me fez lembrar de alguns brilhinhos com que ela fazia maquiagem às vezes.

Eu: 

Dada, você ainda tem aqueles brilhinhos que grudava nas bochechas? - 13:14

 

{...}

 

Tive uma grande surpresa ao passar na rua da floricultura para ver papai. Momo estava lá. Estava parada na porta, espiando pelo vidro. Fiquei animado e corri até ela, a abraçando por trás. Seu corpo deu um solavanco e ela se virou rápido, rindo ao me ver. Pulou no meu colo e me abraçou com força.

ㅡ Jungkook! Aah! Eu estava com tanta saudade! Há dias quero passar aqui pra te ver, mas fugir dos meus pais tem sido difícil.

ㅡ Eu sei, eu sei. Nossa, faz tanto tempo que não te vejo! ㅡ A apertei forte e senti o cheiro de seu cabelo. Ainda era tão bom! Coloquei-a no chão. ㅡ Você está tão linda, dongsaeng. Mais ainda!

ㅡ Para com isso! Olha só pra você! Está tão alto e parece tão saudável. Deixou o cabelo crescer. Ah, senti tanta saudade! ㅡ Ela me puxou para perto de novo. Suspirou pesado. ㅡ Quero te contar tanta coisa, mas não posso agora. Deixei meus pais no shopping e tenho que voltar rápido. ㅡ Se separou um pouco de mim e me entregou um papel que tirou do bolso da saia. ㅡ Vim te dar meu número novo, pra que você possa me ligar. Marcamos um dia para conversar! Quero te contar tanta coisa.

ㅡ Você não teve um filho meu e manteve em segredo, né?

ㅡ Não, não. Graças a Deus, não! Só quero matar a saudade. Ah, Jungkook, como senti sua falta!

Nos abraçamos de novo. Tentei sentir cada detalhe com atenção. Era nosso reencontro, finalmente, e eu não queria perder nada.

ㅡ Acho que não tenho que te dizer que lamento por tudo.

ㅡ Não mesmo. Eu também fui responsável. Devia ter sido mais atento à sua vizinha fofoqueira.

ㅡ É… ㅡ Momo riu e findou mais uma vez o abraço. Suspirou. ㅡ Tenho que ir. Por favor, me mande mensagem assim que possível! Quero muito te ter de volta, Jungkook-ah.

ㅡ Eu nunca deixei você, Momo.

Ela me mostrou o sorriso por que me apaixonei tempos atrás e me abraçou uma última vez antes de ir. Observei que ela ainda corria de modo engraçado e espiei o interior da floricultura. Papai estava sozinho, regando algumas flores. Não era mais horário de trabalho e ele estava ali por puro prazer e também para organizar qualquer tarefa que tivesse sobrado. Bati no vidro e ele abriu pra mim. O ajudei a molhar algumas plantas.

ㅡ Foi bom no Yoongi?

ㅡ Foi, foi. Eu também consegui ajudá-lo com algumas coisas, como prometi. Foi bacana. Ah, aliás, Jimin me chamou para uma festa e… uma passada na casa dele hoje à noite. Eu posso ir?

Papai abaixou os óculos e me olhou de cima a baixo. Riu soprado e voltou a molhar as flores.

ㅡ Sem eu conhecer bem ele, não.

ㅡ Vou apresentar vocês. Ele é legal, pai. Você vai gostar dele. E não é todo dia que tenho com quem sair!

ㅡ Mentira! Você já teve filas de pretendentes!

ㅡ Pai! Os irmãos de Yoongi não contam!

ㅡ Aish… Bom, você não é mais criança e Jimin tem sido bom com você. Se eu gostar dele e souber onde vocês vão, tudo bem. Me diga que não vão fazer sexo...

ㅡ Não vamos fazer sexo.

ㅡ Ai, vocês vão… ㅡ Apoiou a testa no vasinho de flor e suspirou. Mordi o lábio. ㅡ Tudo bem. Eu sou adulto, seu pai, eu criei três crianças, eu posso lidar com isso. Eu sou maduro. ㅡ Pigarreou e voltou a examinar as folhas da planta. ㅡ Você vai dormir lá, né?

ㅡ É provável.

ㅡ Que merda… ㅡ Apoiou a cabeça novamente e suspirou. O abracei de lado e disse "Vai passar, pai". ㅡ Perdão, é o meu lado superprotetor, ciumento, infantil e pai falando.

ㅡ Eu sei. Vai passar. Vai passar. Quer mais ajuda com as plantas? Eu só saio à noite.

 

{...}

 

Dahyun chegou em minha casa às 19:15. Eu já tinha tomado banho e escolhido uma roupa que gostava para sair. Faltava apenas os "detalhes". Pedi para que ela colasse aqueles brilhinhos debaixo dos meus olhos e me deixasse tão bonito quanto ela. Ela disse: É impossível te deixar mais bonito, Jungkook. 

Tive medo de acabar a magoando por estar pedindo ajuda para me arrumar para sair com Jimin. Dada, no entanto, ficou feliz em poder me maquiar e conversar mais comigo. Eu estava apaixonado e ela se alegrava por mim. Eu a amava tanto…

ㅡ Jimin é um cara de muita sorte. E é bom que tenha coração forte, senão vai cair duro ao te ver. Que roupa escolheu? ㅡ Uma camisa azul e uma calça branca. Vou usar com aqueles sapatos pretos. Sabe? Aqueles com flores.

ㅡ Os de salto? ㅡ Dada arregalou os olhos. Assenti com a cabeça, enrubescendo. ㅡ Vai ficar lindo, Jungkook. Nossa… tenho que te ver pronto!

ㅡ E vai. Jimin só vai chegar lá pelas 19:45. Eu vou ficar pronto e esperar. Tenho medo. Por causa dos filmes, sabe? Quando um cara chama outro pra sair só pra implicar com ele? Não acho que Jimin faria isso, mas minha barriga gela.

ㅡ Se ele não vier, nós saímos. Você não vai ficar tão lindo por nada. Farei questão de te levar pra sair.

ㅡ E onde vamos caso eu leve um bolo?

ㅡ Clube de swing.

ㅡ Uau! Incrível! Vamos sim.

ㅡ Vamos.

Dada teve que parar de me maquiar porque começamos a rir. Papai veio ver como estava eu ficando e disse que eu estava lindo. Agradeci, porém como era meu pai podia ser uma mentira de boa intenção. Eu confiava em Dada, entretanto. Sabia que estava seguro em suas mãos.

Quando ela acabou já era 19:30. Pedi licença e me vesti. Estava tão nervoso. Eu nunca tinha saído com alguém daquele jeito.

Eu e Momo saíamos bastante, contudo nós só tomávamos sorvete quando podíamos. Às vezes assistíamos filmes. E no dia em que tínhamos combinado de enfim transar, eu só apareci na casa dela na hora marcada enquanto a família não estava. Não teve festa, não teve uma grande tensão ou preparação. Só aconteceu ㅡ embora nossa primeira vez tenha sido bem mais que "só"; foram muitas as noites em que sonhei com o corpo dela despido abaixo de mim.

Era diferente com Jimin. Iríamos sair, dar uma volta de carro, ir à casa dele e aí… Merda, eu ia explodir.

Esperei na sala com Dahyun. Ficamos vendo um filme qualquer. Eu já tinha confirmado tudo com Jimin e ele estava vindo, pedi que tocasse a campainha e entrasse um pouco, pois meu pai queria conhecê-lo. Exatamente assim ele fez. Veio a campainha; não ouvi por conta do som da televisão. Papai abriu a porta; meus dedos agarraram minha calça. Ouvi a voz dele dizendo boa noite. Virei geleia, comecei a suar, meu coração disparou. E Dahyun me salvou.

ㅡ Não deixe seu pai sondá-lo. Vai assustar o homem ㅡ ela sussurrou no meu ouvido. 

Fui puxado de volta para a realidade. Dada estava sorrindo. Se ela podia estar ali por mim, se pôde me ajudar, me apoiar, assim como Yoongi disse que todos faziam e fariam, então eu podia me levantar e fazer algo. Eu podia agir como a pessoa importante que diziam que eu era, que viam em mim. Que eu era, em algum canto, em alguma sombra. 

Dentro de mim havia algo, algo que podia fazer tantas pessoas me amarem. Eu andava em pele de carneiro assustado, no entanto sabia… talvez desde sempre…. talvez bem lá no fundo…

Jimin despertava meu lado selvagem. Eu tinha um lado selvagem. Eu era mais que uma casca que treme, havia em mim algo grande prestes a sair, e eu senti que Jimin seria meu primeiro despertar para o mundo fora das armadilhas da minha mente e machucados do coração. Ali, naquele momento, enquanto andei até ele na porta, eu soube que já não era mais o mesmo e que jamais seria outra vez.

ㅡ Boa noite, Jimin hyung.

Jimin me olhou de cima a baixo e eu não relutei, não me escondi. Eu estava ali justamente para que ele me descobrisse, tocasse e amasse a besta ou anjo que eu guardava no peito. Eu queria que ele me tirasse de dentro da minha pele ao tocá-la, ao beijá-la.

Se tudo se iniciava no sexo, eu estava pronto para ser novamente concebido como um novo eu que me esperava após pertencer momentaneamente a Jimin.

ㅡ Boa noite, Jeon. Você está magnífico. Nem sei se mereço andar ao seu lado esta noite.

ㅡ Não diga isso. Só estou assim para poder andar ao seu lado esta noite.

Ele sorriu. Eu senti que ele sabia, sabia que eu estava ali de verdade! Ele sabia que eu não estava fugindo! E ele me aceitava. Resquícios do meu receio escorreram e foram pelo ralo. Eu já não tinha certeza de muita coisa, na verdade, tinha certeza apenas de uma:

Eu queria Park Jimin. Tanto quanto ele me queria. E eu teria Park Jimin. Tinha certeza que sim. Ele também me pertenceria.

ㅡ Bom, quero conversar com você antes que saiam ㅡ disse papai, tirando eu e meu futuro amante de nossa troca de olhar crepitante. Olhamos ao mesmo tempo para meu pai.

ㅡ Claro, senhor Jeon. Vim justamente para isso. Sua casa é belíssima, aliás. Tanto por dentro quanto por fora. Seu jardim é impecável.

Papai fechou a mão esquerda em punho. Elogiar as flores era o ponto fraco dele. Logo ele, que queria se fazer de durão estava alii… querendo passar horas só falando das plantinhas. Resistir a essa tentação fez papai pigarrear e convidar Jimin à cozinha. Fomos os três, após Jimin cumprimentar Dahyun, e nos sentamos.

Papai pediu o número de Jimin e também o endereço de onde estávamos indo. Achei amável o modo como ele disse que poderia me buscar. Mesmo com trinta e oito eu ainda seria o caçula.

O que surpreendeu papai foi Jimin tirar do bolso um papel onde tinha seu número, o endereço de sua casa, o endereço da casa onde a festa iria acontecer e também um número de um amigo dele que estaria por lá e que era de confiança, caso ele não atendesse ao celular. Também explicou que eram festas pequenas e fechadas, só para conversar, comer e dançar. Havia bebida, mas ele disse que não beberia nada, porque estava comigo. Disse que sairíamos cedo e iríamos direto à sua casa. Papai podia ter se contido, todavia não o fez e perguntou:

ㅡ E Jungkook vai passar a noite lá?

Fiquei corado e prendi o riso. Era tão óbvio que assim que eu passasse pela porta o sexo seria certo que o questionamento só serviu para deixar o clima cômico.

ㅡ Se ele quiser voltar, eu trago ele. Caso não, sim, ficaremos por lá ㅡ Jimin respondeu.

Meu pai suspirou, se levantou e disse a Jimin que havia sido um prazer conhecê-lo e que podíamos ir. Me despedi de Dahyun e segui com Jimin para fora de casa. Meus sapatos me deixavam alguns centímetros maior que ele. Ele pareceu gostar.

Estava tão lindo… Calça jeans preta, botas, camiseta verde de manga comprida e um colar. Ele parecia tão caro.

Eu estava com uma camiseta de manga comprida também, mas azul. Minha calça branca era um pouco justa e isso me dava calafrios. Eu estava usando os brincos de cereja que ele gostava. Esperava que ele gostasse de mim inteiro.

ㅡ Você está realmente um encanto, Jeon. Mais do que nunca se assemelha ao divino. De fato, o deus a quem quero me reverenciar.

Suspirei, pois nem tínhamos entrado no carro e ele já estava mexendo comigo. Encarei-o, me afundando ainda mais naquele azul celeste composto de bater de asas…

ㅡ Você também está lindo, hyung. Eu não poderia ter melhor acompanhante.

Ele sorriu e tocou minha bochecha. Deitei o rosto em sua palma, olhando-o nos olhos. Eu não sabia onde estava o meu medo, o tinha perdido ao achar os olhos de Jimin.

ㅡ Adorei seus sapatos. Combinam com você.

ㅡ Obrigado, hyung.

ㅡ Vamos entrar logo, ou perdemos a festa.

Sentei no banco do carona como de costume. Jimin ligou a música. Aquela eu conhecia.

ㅡ Strangers In The Night?

ㅡ Sim. Acho que é apropriado. ㅡ Sorriu. O carro saiu pela rua. ㅡ Quais suas expectativas para hoje, meu caro Jeon?

ㅡ Você.

ㅡ Eu? ㅡ Me olhou de relance, mantendo os olhos na rua. Mordi o lábio. 

ㅡ Você, hyung. É o que eu quero hoje. Quero você.

Fizemos contato visual por poucos segundos. A expressão de Jimin passou de sedutora para analítica. Isso teria me assustado se eu não estivesse tão bêbado por seja lá o que aconteceu comigo ao vê-lo chegando em minha casa. Jimin sorriu. Não foi sedutor, não foi dotado do peso do poder. Foi simplesmente feliz. Voltou a olhar a rua.

ㅡ Queremos a mesma coisa, então. É isso o que eu desejo de você. Tudo.

 

{...}

 

O passeio de carro foi agradável, calmo. Era a música? Era o amor? O que era que estava me deixando tão leve? Eu sentia que podia sair do corpo.

Seria aquilo o divino de que Jimin falava? A criatura mística que me tornei no seu abraço no banco de trás do carro noites antes? Eu não sabia.

O carro estacionou num condomínio bonito, caro, ao que parecia na primeira impressão. Subimos de elevador até um apartamento. Jimin bateu e uma mulher usando apenas um top vermelho e calça jeans abriu. Ela se alegrou ao ver Jimin e o abraçou, fez menção em fazer o mesmo comigo e permiti, para não deixar uma sensação estranha no ar. Jimin tocou minhas costas. Ele sabia que eu não gostava de tanta proximidade de repente.

Meu estado anormal me ajudou a levar aquilo com afeição. Entramos na sala do apartamento. Tinha música, pessoas conversando em todos os lados. Todas tão calmas. Todas sorriam ao nos ver. Fazia sentido que fossem próximas de Jimin. Todas pareciam abertas e amáveis.

De longe vi o rapaz que suspeitei ser o namorado de Jimin certa vez. Ele acenou pra nós. Jimin e eu nos sentamos em um sofá.

ㅡ Viu? É tudo muito… ameno. Só faremos o que você quiser ㅡ disse ele.

ㅡ Eu gostei daqui. O pessoal parece legal. Quem é o rapaz que acenou pra nós?

ㅡ Namjoon, meu ex-namorado.

ㅡ Ah… Suponho que apenas por hoje esse ex-papel seja meu? ㅡ perguntei em tom divertido. Jimin sorriu daquela forma diferente outra vez.

ㅡ Espero que não só por hoje.

ㅡ Eu também.

Algumas pessoas sentaram perto de nós e puxaram um assunto qualquer. Uma garota dali estudava botânica e de repente me vi envolto, conversando com ela sobre samambaias. Minhas mãos ainda suavam e eu estava hesitante, mas era uma sensação somente incômoda, tornava o momento agridoce, não desesperador.

Jimin mantinha seu braço ao redor de minha cintura, e eu deitei em seu ombro. Daquela maneira, aproveitamos a música enquanto o grupo agora conversava sobre filmes clássicos. Eu me calei, apenas relaxando perto de Jimin e observando aquelas pessoas.

Alegres, livres, espontâneas… Yoongi gostaria delas. Talvez um dia, talvez com mais esforço, eu pudesse ser como elas e não ter mais momentos desesperadores, tampouco agridoces.

ㅡ Seu coração tem um ritmo tão gostoso… ㅡ falei a Jimin. Ele me olhou e mexeu no meu cabelo. 

Percebi que era a primeira vez que fazíamos algo juntos. Percebi que não sabia quem ele era e que estava tentando dizer quem eu era. Tínhamos que nos conhecer. Vi que a música tinha razão. Éramos estranhos na noite.

ㅡ Meu coração só acelera quando você me beija ㅡ confessou ele.

ㅡ Eu gostaria de testar essa teoria.

ㅡ É um fato. Comprove por si mesmo.

Olhei ao redor, temendo a reação que viria. Jimin me tranquilizou outra vez. "Estamos seguros. Ninguém aqui irá nos julgar. Vá em frente", ele disse. Então, eu fui. Me ajeitei ao seu lado, segurei seu rosto com uma mão e com a outra toquei seu peito. Juntei nossos lábios, ele me procurou com a língua, nossa união estava feita.

Realmente, nada parecido com beijar Yoongi. Eu não tinha fervido daquela forma com Yoongi.

Senti o peito de Jimin se mover sob minha palma. Esquentei e esquentei mais. Ele me beijava como se eu fosse um anjo. Perto dele, eu me sentia, às vezes, um anjo.

ㅡ Realmente… ele acelera ㅡ falei quando nos separamos.

ㅡ E é só por você.

Nos encaramos. Foi meu coração a disparar dessa vez. Jimin arfou. Aquilo me satisfez da forma como nada mais no mundo já havia feito um dia. 

ㅡ Vamos dançar, hyung… Está tocando In Your Eyes.

Ele apenas assentiu. Levantamos e fomos para o meio da sala. Vi uma mesa com bebidas e senti sede.

ㅡ Tem algo sem álcool? ㅡ indaguei.

ㅡ Sim. Tem refrigerante lá. Pegue um.

Andei até a mesa e peguei um copo com refrigerante de laranja. Vi Namjoon de longe, comendo um doce. Ele acenou pra mim. Retribuí com um aceno de cabeça. Foi esquisito, mas ele era fofo. 

Quando me virei para a direção onde estava antes, tomei um susto. Jimin estava dançando sozinho. O tipo de coisa que eu morria de medo de parecer ridículo fazendo. Ele estava de olhos fechados, se movendo sozinho. Ele era deus, eu no máximo era um querubim.

Caminhei até lá devagar, hipnotizado por ele. Tomei o refrigerante todo em um gole, o copo estava vazio quando finalmente me aproximei de Jimin. Deixei o copo pequeno de lado, sobre um móvel qualquer que não olhei muito. Uma mesinha, talvez.

Não disse nada. Segurei suas mãos, as coloquei ao redor da minha cintura. Ele abriu os olhos. Era o refrão da música. Jimin me segurou, eu espalmei seus braços, toquei seu pescoço. Dançamos juntos. Sem regra, sem plano certo. Corpo e corpo. Ele olhou nos meus olhos ao descer a mão até as minhas nádegas. Fechei os olhos e ri baixinho, encostando a cabeça no peito dele. Fiquei sem jeito porque estava excitado, e ele sabia. Sabia sim, pois seus dedos se atreveram a adentrar minha coxa, se atreveram a vagarosamente tocar as curvas do meu quadril, e seu dedo indicador foi destemido o bastante para puxar um pouco minha calça e encostar de leve na minha pélvis. Suspirei, aspirando seu perfume.

ㅡ Podemos ir agora se você quiser. Podemos acabar em casa ㅡ sussurrou no meu ouvido. Concordei com a cabeça. ㅡ Então vamos.

Segurei sua mão, nos despedimos do dono do apartamento, que eu nem havia conhecido ainda. Saímos com certa pressa e no elevador… Merda, no elevador não pude me impedir de morder o lábio e ficar bem perto dele.

Jimin se tornou feroz de repente. Pensei, realmente pensei por um momento que ele estava com raiva de mim. Todavia, não, não era isso. Descobri que não era raiva quando ele me ergueu do chão, me segurou pelas coxas e beijou meu pescoço de uma forma que jamais imaginei ser tão boa.

Eu gemi, tombei a cabeça para trás, agarrei o cabelo de sua nuca. Ele deu um beijo molhado em minha garganta. Eu quis gritar. O elevador abriu, ele me soltou de repente. Saímos rápido, as pessoas esperando para entrar nos olharam com reprovação.

Nós não ligamos, rimos enquanto corremos até o estacionamento. O salto estava me atrasando, então segurei os sapatos na mão, correndo na frente de Jimin. Cheguei antes no carro, sentei no capô e fui tirado de lá com um abraço forte e uma frase que quase me matou:

ㅡ Segure um pouco. Eu odiaria saber que nossa primeira vez foi nesse estacionamento.

Ele faria? Faria bem ali? Dentro do carro como disse da outra vez?

ㅡ Lá em casa você disse que me satisfaria dentro do carro…

ㅡ Sim, um boquete e uma punheta, só pra te fazer esfriar. Não é isso que quero hoje. O que quero fazer, Jeon, faremos na minha casa. Na minha cama, no meu sofá, no jardim ou onde você quiser. Mas lá, onde temos espaço, onde temos tempo. Onde eu posso amar você ao lado da janela iluminada pela lua ou lá fora, debaixo das estrelas. Onde poderei te levar para o chuveiro, se você deixar. E onde posso te confortar, esquentar e te ver dormir. Não estou falando de saciar essa sua ereção, estou falando de nós dois em loop, estou falando de tocar o céu. Estou falando do divino.

Sem palavras, ofegante, próximo da combustão, eu concordei de novo e de novo com a cabeça e entramos no carro.

Nem mesmo a música calma pôde me impedir de prosseguir caminhando até o vesúvio. Não havia volta. Fosse uma besta ou um deus, algo em mim acordou.

 

{...}

 

Passamos pelo belo portão, pelo caminho até a garagem. Através do vidro, um jardim quase edênico se revelava. Não escondi meu choque e Jimin não se surpreendeu, a primeira coisa que fez quando saímos do carro foi me guiar até a grama.

Segurando os sapatos, eu sentia com clareza a grama me espetando. As nuvens estavam se fechando, alguns minutos e viria a chuva para encobrir as estrelas. O terreno era enorme. Rodeado de plantas, de flores altas, lindas. Vi facilmente a Cosmos crescendo próxima ao muro. Belíssima! Havia um caminho de pedras lisinhas em todas as entradas, que levava ao jardim. Me virei na direção oposta a da garagem e observei a casa.

Também não contive meu "Uau…" ao ver a construção. Dois andares, as janelas invadidas por flores que saíam das videiras que cobriam parte das paredes. Era um paraíso.

ㅡ Quer ver como está a Cosmos? ㅡ questionou Jimin, parado atrás de mim. Assenti. Ele fez um sinal com a cabeça e seguimos. ㅡ As visitas de borboletas dobraram de quantidade. Ela faz exatamente o que prometia.

Nos ajoelhamos na grama de frente para a flor saudável e bonita que se projetava para longe do solo, em busca do mundo, do ar, do sol, da vida. Toquei algumas pétalas. 

Uma mariposa azul surgiu das folhas, voou ao redor da minha mão e desapareceu na noite. Eu e Jimin a vimos partir juntos.

ㅡ Acho que é assim quando se é mais do que pensa ㅡ ele falou, observando o inseto voar.

ㅡ Como assim?

ㅡ Eu estava buscando a Cosmos porque queria mais borboletas, porém as mariposas também têm aparecido com mais frequência. ㅡ Ele olhou pra mim. ㅡ É o que acontece quando se é uma flor muito bonita, Jungkook. Atrai mais do que queria, porque ninguém resiste.

Sorri e concordei com a cabeça, aceitando sua premissa. Me levantei e caminhei pelo jardim, fascinado pelas cores escurecidas que pincelavam tudo ao meu redor. Jimin segurou minha mão.

ㅡ Vamos entrar. Quero te mostrar a casa.

Eu acatei mais uma vez, impressionado demais para pensar. Entramos pela porta de vidro da cozinha. Era espaçosa, em tons de branco e cinza. Depois chegamos à sala extremamente aconchegante. Tinha um gato no sofá.

ㅡ Ah, esse é o William, Jeon. Ele é da vizinha, mas aparece tanto aqui que é meu também. Não toque na cabeça, ele não gosta. Se quiser fazer carinho, ofereça sua mão.

Levantei a mão para o gato cinza de tamanho médio, que me cheirou, miou e pulou do sofá. Se esfregou nas pernas de Jimin e foi carregado no colo até um canto na cozinha, onde Jimin o deu comida. Jamais imaginei Jimin cuidando de um animal. Na verdade, eu imaginava pouco dele porque não tinha base. Éramos estranhos mesmo. Estranhos que estavam prestes a se conhecer muito bem.

ㅡ Vamos subir ㅡ avisou ele, apontando para a escada.

O chão do corredor era liso e de madeira reluzente. As portas tinham desenhos talhados que eu não entendia. Jimin abriu uma das portas e disse que era seu quarto. Perdi o ar outra vez.

Era grande. No mínimo metade do andar de cima devia ser somente seu quarto. Uma grande cama, estantes com dezenas e dezenas de livros, fotografias de flores e citações de livros espalhadas nas paredes. Uma porta que dava para um escritório e outra que levava a um lindo banheiro. Tinha um tapete macio debaixo da cama. Branco e fofinho; me fez cócegas quando pisei. Havia um sofá de madeira com almofadas debaixo da janela e Jimin me deixou sentar nele. Sentei de lado, apoiei o braço na borda da janela e encostei o queixo no cotovelo para admirar a vista. O jardim era ainda mais bonito visto de cima, era possível tocar a videira com os dedos. Nenhuma casa próxima se igualava em beleza.

ㅡ Parece que você gostou.

ㅡ É tudo lindo demais, Jimin. O jardim, a videira, a casa em si. Seu quarto… Deus, ele é magnífico. Nem posso imaginar como é acordar aqui todos os dias e no quanto deve ter custado.

ㅡ Eu realmente quis deixar tudo o mais parecido comigo possível, por isso levou um tempo para ajeitar tudo em seu devido lugar. E o preço foi irrisório comparado ao valor real que todas essas coisas têm pra mim.

ㅡ Você parece apegado ao que é seu.

ㅡ E sou. Tudo que me pertence é tesouro, Jeon. O que eu possuo me define.

ㅡ Então você é um belo jardim, um bocado de livros e fotografias?

ㅡ Eu sou apaixonado por flores ㅡ falou, andando na minha direção ㅡ, estudante de literatura, obcecado por gravar momentos ㅡ sentou de joelhos no sofá, com uma perna de cada lado do meu corpo ㅡ e escravo do quão lindo é seu rosto com essas bolinhas brilhantes.

ㅡ Está dizendo que me possui?

ㅡ Estou dizendo que acho que você está perto de me definir mais do que todos os itens anteriormente citados. ㅡ Aproximou seu rosto do meu, encarou meus olhos, fez-me embebedar de amor. ㅡ Você é uma parte intrínseca da minha crença no hedonismo e na minha certeza de que todas as pessoas são fracas diante da tentação.

ㅡ Eu sou uma tentação? ㅡ questionei, em tom baixo, totalmente absorvido.

ㅡ Você é um demônio, Jeon. Por isso é tão angelical. Divino o bastante para me fazer crer na felicidade verdadeira, intenso demais para não deixar um rastro de destruição quando vai embora. Estou encantado, estou fascinado, estou apaixonado.

Fechei os olhos e puxei Jimin pelos ombros, afundei a cabeça em seu pescoço e senti seu perfume como se fosse oxigênio e eu estivesse debaixo d'água. Incapaz de dizer a ele que entendia suas palavras ao mesmo tempo em que não sabia nada sobre elas. Eu entendia, Deus, eu sentia que cada palavra dele vinha de mim! Mas também estava perdido, não sabia articular a menor das sílabas. Um paradoxo mortal me rondava quando ele se aproximava. 

Ele era isso. Uma dúvida, uma confusão, certeza, meu medo e a liberdade, o amor, o tesão e tinha o cheiro da minha solidão. E eu estava perdidamente apaixonado por ele.

ㅡ Tenho tanto a dizer, Jimin, mas as palavras me faltam… Como, me diga você, que conhece tão bem os sinônimos de amar, como posso descrever o quanto estou provando do inexplicável e que sou mais que grato e feliz por isso sem acabar gaguejando e dizendo coisas estúpidas?

ㅡ Nada que provém de você é estúpido ㅡ respondeu, rindo. ㅡ Todos os seus dizeres serão filosofia pra mim.

ㅡ Mas não sei como… não tenho como… Grr, eu sinto demais para poder dizer!

ㅡ E eu sinto demais para não dizer. Não vê, Jeon? Somos iguais. Há alguma essência em nosso cerne que nos torna semelhantes, que nos impede de resistir. Me diga, Jeon, me diga, o que está sentindo? O que quer sentir?

ㅡ Eu… Eu me sinto bebendo do paraíso, como se fosse morrer e… como se estivesse renascendo. Parece que tudo é impossível de pegar, mas que… mas que você está aqui. Não sei. Não sei! É etéreo, eu acho.

ㅡ É maior que nossa compreensão. Quem explica o amor? Quem explica esse magnetismo que me faz querer me alimentar da sua pele?

ㅡ Não há necessidade de explicação. É… ㅡ sorri, fechando os olhos de novo ㅡ é natural. O amor é natural. Acontece.

ㅡ Podemos comprovar que polos iguais não se repelem. Podemos contradizer a ideia de que dois corpos não ocupam o mesmo espaço. ㅡ Entrelaçou seus dedos aos meus. ㅡ Como podemos estar em espaços diferentes se somos iguais? Se somos o mesmo? Me encho dessa certeza a cada vez que te vejo e cada vez que você se mostra pra mim. Não há espaço, não há porém ou força que nos afaste. Um passo equivalendo a mil. Vamos nos perder, Jeon, vamos nos perder. Eu irei. Você irá me definir a ponto de não sobrar nada do homem que fui ou sonhei em ser um dia. Eu vou me perder para me tornar você assim que você me deixar te possuir. 

Todos os meus sentidos se misturaram, tudo o que eu sabia foi cruzado, o mundo levou duzentos nós até que eu não lembrasse meu nome e perdesse os reflexos. O que ele estava me dizendo? E o que eu estava prestes a responder? O que era aquilo? Porra, por que a cada vez que nos víamos tudo se tornava ainda mais claro? Por que eu tinha quase certeza de que assim que tirasse a roupa e o sentisse se empurrar para dentro de mim estaríamos mais que casados?

O que era aquilo? O que era ele? O que era eu? O que era aquela coisa bonita, irresistível e mágica que nós dois nos tornávamos juntos? 

Eu só sabia o que eu sentia. E o que eu sentia era um avassalador desejo de devorar Park Jimin ao mesmo tempo em que ele me tornaria dele. Serpente se alimentando de serpente.

ㅡ Mas… e se eu também quiser te possuir?

Ele sorriu. Mais que feliz, mais que compreensivo. Ele exalou tudo o que me tornava seu subordinado.

ㅡ Nesse caso… ㅡ seu tom era baixo ㅡ não haverá ruína, pois nenhum de nós terá que sumir. Seremos eternamente uma junção única, as duas partes base de uma criatura. Donos um do outro, submissos um do outro.

ㅡ Apaixonados um pelo outro…

ㅡ E sedentos por um pouco de prazer.

Eu ri porque não havia mais maneira de fugir ou temer. Eu e Jimin jamais iríamos nos esquecer, mesmo que um de nós morresse naquela noite. Tínhamos feito algo indizível juntos, nos tornado algo invisível e chamativo demais. E depois daquilo, cedemos ao que tanto nossos corpos pediam.

Puxei seu rosto, o beijei com vontade enquanto era guiado até a cama. Sussurrei um pedido para que ele apagasse as luzes. Fiquei sozinho na cama, me despi e ele andou no escuro até a mesinha de cabeceira, deixando seus óculos ali, após isso veio até mim, tirando a camisa. Ele se enfiou entre minhas pernas, e lhe fiz o favor de abrir seu zíper, de abaixar sua calça, que ele logo tirou. 

Eu não usava nada. Nada além de dois brincos de cereja e uma porção de brilhos presos nas bochechas.

Jimin se afastou, se desvencilhou do restante das roupas, quando voltou a ficar perto de mim, seu pau raspou na minha coxa. Eu gemi com ardor.

Ele se colocou por cima, encheu-me de beijos enquanto eu descobria seu corpo com as mãos, finalmente matava a sede. Apreciei suas curvas, notando como tê-lo em cima de mim era tão bom quanto estar por cima de Momo e pensando se ela havia sentido o que eu sentia naquele momento. Impossivel, eu concluí. Ninguém além de mim, que não estivesse exatamente na mesma situação que eu e com meu ponto de vista, saberia o que eu sentia. Ninguém entenderia o quanto era mais espiritual que carnal e como tinha infinitamente mais a ver com corpo do que com alma. Era ilógico. Eu não liguei.

Segurei a bunda dele. Tão gostosa, meu Deus… Tão farta e macia. Firmei minhas unhas nela como se pudesse me prender ali.

Jimin prosseguia beijando meu peito, chupando minha carne. Vez ou outra ele se impulsionava para frente e nossos falos raspavam um no outro. Eu quase gritava, me contorcendo debaixo dele.

ㅡ O que você quer, Jeon? Como você quer? Onde você quer? ㅡ perguntou-me como se eu fosse capaz de responder. Neguei com a cabeça.

ㅡ Não sei. Não faço ideia. Quero que você me diga.

ㅡ Quer me foder?

Perdi a consciência, adormeci num raso e curto coma.

ㅡ Como?

ㅡ Me foder. Você quer? Quer meter em mim? Trocamos de lado agora.

ㅡ Não… Eu… ㅡ fiquei rubro repentinamente ㅡ eu não sei.

ㅡ Você é virgem?

ㅡ Não ㅡ neguei com a cabeça ㅡ, não sou, hyung. Eu já transei com uma menina uma vez. Já estive por cima, hyung. Eu quero que você me mostre como é estar embaixo.

ㅡ Tudo bem. ㅡ Ficou de joelhos na cama. Seu corpo brilhou sob a luz dos postes vinda da janela. Vi um rascunho iluminado de como era seu pênis. Amei-o também. ㅡ À sua esquerda tem a mesinha de cabeceira. Na primeira gaveta você vai achar camisinhas e lubrificantes. Tem um vibrador pequeno também. Pegue o lubrificante pra mim.

Obedeci à risca e imediatamente. Entreguei em suas mãos o tubo prata de lubrificante. Eu estava tão duro quanto era possível estar.

ㅡ Gosta dessa posição? Deitado?

ㅡ Eu… eu acho que prefiro estar de costas. Ser visto me incomoda.

ㅡ Eu amo seu corpo.

ㅡ Mas eu ainda não.

Ele sorriu e fez um sinal com a mão. Fiquei de quatro na cama, estava vermelho quase escarlate, contudo nada arrependido. Valia a pena. 

Jimin retornou. Beijando minhas costas, ele cutucou minha entrada com um dedo. Desejei esconder-me nos travesseiros, tamanho era o constrangimento. A parte da penetração não era tanta novidade pra mim, que tinha cinco dedos em cada mão e uma quantidade razoavelmente grande de tesão repentino na madrugada. A novidade eram os dedos melados de lubrificante de Park Jimin me tocando, tentando entrar em mim. Aquilo era uma puta novidade. Eles entraram, dois deles. E eu repeti a mim mesmo que aquela vergonha indevida sumiria.

ㅡ Você já se tocou assim? Sabe como gosta? ㅡ Assenti com a cabeça. ㅡ Me mostre como.

ㅡ Eu gosto quando esfrega, hyung. Devagar. Gosto até mais do que quando mete.

ㅡ Hmmm… desse jeito?

Ele moveu os dedos para a frente e para trás, para frente e para trás, sem tirá-los totalmente, me massageando com graça. Respondi positivamente a ele, murmurando baixinho que daquele jeito estava muito gostoso. Ele mordeu minha nuca, fez trilha de beijos até minha espinha. Eu ouvia os estalos com deleite, tentava captar o máximo de detalhes possível, mas era em vão. Eu estava tão imerso e eufórico que não conseguia gravar nada de uma vez. Eram todos os aspectos e estavam misturados, por isso eu estava arfando, por isso eu estava me diluindo. Jimin estava me matando.

ㅡ Você tem um corpo lindo, Jeon… ㅡ ele sussurrou contra a minha nuca. ㅡ Suas curvas são paradisíacas. Acho que te amo mais ainda. 

ㅡ M-mas você nem pode me ver, hyung…

ㅡ Eu posso te sentir. Isso é o essencial.

"O essencial é invisível aos olhos", eu me lembrei. Teria feito um comentário bacana  com uma resposta boa o bastante se pudesse. E naquele momento, não podia.

ㅡ Você vai se cansar assim. Fique de bruços ㅡ ele pediu, e eu obedeci. ㅡ Assim… Ah… Vê como consigo te tocar melhor?

Jimin deixou um beijo no meu cóccix e depois se colocou sobre mim, quase se deitando. O calor do peito dele se chocou com minhas costas. Seus dedos ainda indo e vindo, num ritmo gostoso. Eles estavam quentes e eu sabia que estava os esquentando ainda mais. Sentir o volume, sentir ali, me acariciando com tanta certeza ㅡ pois, sim, os toques de Jimin eram inundados de certeza ㅡ, me fazia ficar ainda mais envergonhado e sedento.

Sedento por ele dentro de mim, se esfregando em mim, gozando em mim. Derrubando seu esperma no meu peito, no meu rosto. Apenas pensar me fazia salivar.

ㅡ Hy-hyung… eu posso te chupar depois?

ㅡ Quando eu acabar aqui?

ㅡ É. Aliás… até quando iremos?

ㅡ Pretendo te fazer gozar antes de prosseguir. Estou aberto aos seus adendos.

ㅡ Hm… mas… mas eu quero te tocar também.

ㅡ Terá que ficar de frente, então. Poderei ver mais de você.

Suspirei, subitamente irritado com o andar das coisas. Era tão injusto que eu não pudesse simplesmente fazer o que queria porque tudo me deixava desconfortável. Era tão injusto não poder ter uma imagem clara de Jimin só porque não queria que ele tivesse uma imagem clara de mim.

Eu não queria uma repetição, um replay dos arrependimentos com Momo. Eu tinha que… eu tinha que passar por aquilo para ganhar Jimin.

Eu queria Jimin, eu queria o possuir por completo, me alimentar dele. E para isso tinha que me mostrar um predador diante dele.

ㅡ Tudo bem, Jimin hyung. Vamos trocar. Me deixe ficar em cima.

Jimin se afastou de mim, deitou no lugar onde eu estava assim que me sentei na cama. Olhei para ele iluminado apenas pela luz da janela. Seus olhos eram intensos… O castanho do cabelo lhe caía bem. Seu peito era uma escultura. Babando, me sentei sobre seu colo, chupando seu pescoço com a mesma fome que ele teve há minutos. Compreendendo onde eu queria chegar, ele voltou a me foder com seus dedos enquanto eu tocava seu tórax, beijava seu pomo-de-adão e impulsionava o corpo para frente para poder sentir o raspar gostoso de seu pau entre as minhas coxas. Seu pau com o meu. Sim, era assim que devia ser.

ㅡ Hmm… pode meter agora, hyung… 

ㅡ Como quiser.

Jimin hyung estava ofegante também e seu coração batia muito rápido. Era porque eu estava beijando ele, como ele disse.

Ele meteu fundo seus dedos, me socou com maestria e eu arranhei seus ombros. Desci a boca, mordi seu mamilo esquerdo. A resposta dele foi um aperto em minha cintura com sua mão livre. Gostei daquilo e continuei. Lambi seu mamilo, fiz círculos com a língua e apertei o direito, puxando um pouco com o polegar e o indicador. Jimin gemeu com certa urgência.

ㅡ Dói, Jeon…

ㅡ Desculpe…

ㅡ Não, não há problema. Eu gosto assim. Faça de novo.

Fiquei confuso mas logo sorri, entendendo que meu hyung gostava de toques ácidos. Chupei e mordi seu mamilo enquanto ainda me divertia machucando um pouco o outro. Jimin metia com cada vez mais facilidade seus dedos em mim e eu ficava cada vez mais ansioso. Queria fechar as coxas ao redor de seu pênis e me esfregar. Foi o que fiz. Me coloquei mais para trás e mexi minhas coxas pra cima e pra baixo, as fechei devagar. Prendi Jimin entre minhas pernas e gostei disso. Ele também gostou.

Adquiri a noção de que eu tinha duas mãos e Jimin tinha um pau. Minha mente explodiu. Segurei seu pênis com a mão direita e masturbei bem devagarinho enquanto mordia de leve a pele de seu pescoço. 

ㅡ Você gosta assim, hyung? Gosta ㅡ arfei ㅡ quando eu faço assim? Como você gosta da punheta, hyung?

ㅡ Gosto mais forte ㅡ respondeu sem ar. Colocou mais um dedo em mim. Gemi e me contraí.

ㅡ A-aah… assim? 

Segurei seu falo mais forte e movi a mão mais rápido. Jimin tinha um tamanho gostoso, ou talvez eu que estivesse apaixonado demais, mas me tornei admirador da sensação de seu pau escorregando na minha palma. Subia e descia, subia e descia… Eu fazia como costumava fazer comigo. Eu gostava mais devagar e com aperto mais forte, mas o hyung não, então fiz o que podia para acatar seu pedido exatamente como me foi dito.

ㅡ Sim… assim… e você, Jeon, gosta assim? Gosta quando eu meto forte assim? ㅡ Respondi com um murmúrio; estava ocupado chupando seu pescoço. Jimin tombou a cabeça para o lado. ㅡ Ah… nos entendemos tão bem.

Jimin parou de socar por alguns segundos para me abrir um pouco, isso me faz pensar que talvez ele já quisesse trocar seus dedos pelo membro quente e duro em minha mão. A ideia me agradava demais, porém eu não queria ainda. Não antes de poder descobrir se gostava ou não de lhe fazer um boquete ㅡ e eu chutava que a resposta era sim.

ㅡ Jimin… Jimin, não faça assim, não ainda… Eu quero te colocar na boca.

ㅡ Eu sei, eu sei. Não se preocupe. Só estou fazendo isso porque gosto de sentir como você está apertado ainda.

ㅡ Eu aguento bem mais que seus dedos, hyung… ㅡ Mirei seus olhos. Ele estava corado de tesão. ㅡ Eu já me testei e sei, talvez meio por cima ㅡ arfei outra vez; seus toques mal me deixavam falar, minha voz tremia ㅡ, meus limites. Aguento você, hy-hyung…

ㅡ Eu sei que sim. Caralho, Jeon, eu sei que sim.

Ele me olhou com aquela raiva estranha outra vez e me beijou. Segurou minha nuca com a mão livre e tive que me segurar em seus ombros, porque o beijo unido aos seus toques dentro de mim me tirou do eixo. Eu estava derretendo. Por Deus, eu ia explodir e sabia disso. 

Jimin mordeu meu lábio, Jimin chupou meu lábio, Jimin me beijou de novo e de novo. Eu segurei seu pênis e tentei manter o foco e não me distrair tão facilmente por estar sendo tão perfeitamente fodido e bati bem forte pra ele. Bem rápido, como ele gostava. Gemi contra sua boca, sentindo que a realidade estava sendo rasgada. Ele moveu o quadril para cima. Fodeu minha mão.

Como, repito: como sentir seu pau fodendo minha mão podia ser tão bom? Como?

Aquilo me fez grunhir e me vingar, mordendo seu lábio desta vez. O beijei com a mesma avidez que me foi dada e segui masturbando-o, me contraindo contra seus dedos e sabendo que estava cada vez mais perto de gozar em nós dois.

ㅡ Vou te mostrar uma coisa… ㅡ ele sussurrou no meu ouvido.

ㅡ O… o quê?

Jimin tirou minha mão de seu pau e o juntou com o meu, nos masturbou ao mesmo tempo. Tremi, gemi, xinguei, movi o quadril e aproveitei finalmente da delícia que era me esfregar nele. Juntei minha mão com a sua e segui seu ritmo.

ㅡ Jimin… Hmmm… Porra… Eu vou gozar…

ㅡ Eu… eu também…

Ele me socando, merda, merda! Ele acertava minha próstata em cheio. Nossas mãos juntas nos dando prazer ao mesmo tempo. Nossos caralhos grudadinhos… Foi demais pra mim. Mordi o ombro de Jimin e choraminguei alto enquanto sujava nós dois de porra. Jimin pareceu ficar ainda mais próximo do orgasmo quando me viu gozar em nós dois e me beijou enquanto ainda mantínhamos a masturbação. Foi enquanto eu tremia pelo orgasmo e por seus toques contínuos que ele gemeu alto pra mim e gozou também.

Paramos. Os dois sem ar. Eu me deitei em seu peito, meu coração pulava como o dele. Jimin passou a mão no meu cabelo e, tropeçando nas letras, questionou:

ㅡ Quer me chupar agora?

E não havia resposta além de:

ㅡ Sim.

Me sentei novamente na cama, esperando pelos próximos atos dele. Percebi que estava chovendo, uma chuva fraquinha e relaxante. Jimin sorriu ao olhar para a janela.

ㅡ Nosso cupido está consumando nossa união.

Sorri também, me sentindo cheio de borboletas. Jimin se inclinou para mexer na mesinha de cabeceira. Mesmo no escuro seus traços se revelavam únicos. Meus. 

ㅡ Eu não vou poder sentir seu gosto, Jimin hyung?

ㅡ É o que você quer?

ㅡ Sim. ㅡ Concordei com a cabeça. ㅡ Quero sentir seu gosto quando chupar você. Mas se você não quer, eu entendo.

ㅡ Não, tudo bem. Sei que está curioso. E eu faço exames regularmente, não posso passar nada pra você.

ㅡ Acho que também não posso, já que eu e Momo perdemos a virgindade juntos.

ㅡ Então tudo bem. ㅡ Ele riu. ㅡ Usar camisinha é o tipo de coisa que seu pai diz que você nunca deve esquecer?

ㅡ Sim.

ㅡ E ele está certo, mas se ele perguntar, diga que abrimos uma exceção, e só uma.

ㅡ Acho que ele vai querer pular os detalhes, na verdade. Mas direi a ele que está tudo bem caso questione.

ㅡ Ok. Eu estou pronto.

ㅡ Eu… eu posso te colocar na boca agora?

ㅡ Pode. ㅡ Ele se deitou outra vez e fez um gesto. ㅡ Faça de mim seu experimento, Jeon.

Ri, engatinhando até ele. Senti um arrepio ao me aproximar e lembrei de que estava nu. Engoli em seco e fechei os olhos. Não podia pensar naquilo, não mais.

ㅡ Você está bem?

ㅡ Eu estou com medo, mas jamais deixarei de estar se sempre fugir.

Jimin sorriu e acariciou meu queixo. Suspirei. Achei que ele entendeu o que eu temia.

ㅡ Você é muito corajoso, Jeon.

ㅡ Eu acho que não tenho mais escolha, hyung.

Nos olhamos fixamente e demos um último beijo antes de eu me abaixar e encarar com ansiedade e dúvida seu pênis ainda ereto. Havia um pouco de esperma ㅡ não sabia se meu ou dele, provavelmente de nós dois ㅡ, mas isso não me incomodou. O segurei pela base, como antes, comecei uma punheta do jeito que Jimin gostava e somente pensava em como iniciar a parte oral.

Eu não queria engasgar logo de cara, não sabia se conseguiria engolir ele inteiro, não fazia ideia do que fazer com a boca. Contudo, eu sabia lamber e foi assim que comecei.

Lambi todo o esperma perdido. Não era tão salgado quando já havia ouvido falar. Depois, lambi a glande. Em movimentos circulares, apenas com a ponta da língua e depois com ela toda. Jimin disse que estava gostando, e eu disse "Eu não tenho ideia do que estou fazendo, hyung", então ele riu e respondeu: Mas está fazendo certo.

Tudo bem, pensei, ele está gostando. Ele está gostando e eu não tenho que ficar pensativo sobre isso, eu não tenho que me encher de inseguranças. Eu já vim até aqui, eu já fiz tudo isso. Eu já fiz mais do que já sonhei em fazer. Eu desabrochei e não posso retornar a ser um botão.

Eu não podia me esconder de novo. O medo existia, existia sim. Havia sido ofuscado durante minha efusão, mas ainda morava em mim e eu estava inseguro. Confiava em Jimin, todavia também esquecia vezes demais que algumas pessoas jamais me fariam mal e me pegava morrendo ao imaginá-las me repelindo como tantas outras fizeram. No entanto não podia ser mais assim. Nunca pôde, na verdade, porém agora podia menos ainda.

Talvez pela manhã eu me escondesse nas cobertas, talvez à tarde eu mal conseguisse ver Jimin de tanto medo de descobrir que seu amor era mentira, mas, se fosse o caso de eu querer fugir, eu já teria me mostrado e desfrutado de um belo momento que jamais seria tirado de mim. E se o caso fosse Jimin me enganar, eu ainda teria ido longe, eu ainda teria ultrapassado meus limites. Não haveria arrependimento.

Mais calmo, me esforçando para estar mais seguro, eu parei de apenas lamber e suguei a cabecinha do pau de Jimin. Ele soltou um gemido baixinho. Suguei e vagarosamente fui engolindo, centímetro a centímetro. Não coube tudo, porém era um avanço.

Movi a cabeça, chupei tudo que consegui. Jimin disse que estava muito gostoso daquele jeito. Fiquei constrangido e feliz.

Chupar Jimin estava me deixando bastante excitado e eu senti que teria que me masturbar mais tarde. Não queria tirar meu foco dele. Eu só desejava afogar no seu sabor.

Eu chutei certo: Chupar meu hyung muito me alegrava. Me animei. Movendo a cabeça mais rápido, arrisquei a deixá-lo tocar minha garganta e engasguei um pouquinho, todavia não era nada demais e segui em frente.

ㅡ Ah… você faz muito bem, Jeon… juro que não estou exagerando ㅡ falou Jimin ㅡ, você está mesmo se saindo muito bem. Vou foder sua boca.

Arregalei os olhos e senti meu pau pulsar ao ouvir aquilo. Não tive tempo de assimilar, pois Jimin moveu o quadril para cima assim que acabou de falar. Engasguei de novo. Dessa vez, eu gostei.

Lambi toda a extensão do pênis diante dos meus olhos, cada cantinho, suguei a cabeça com vontade até ver Jimin gemer pra mim e engoli de novo. Com ele fodendo, ficava melhor.

A chuva tinha ficado mais forte. O cupido estava gostando bastante do que estávamos fazendo. Pensar nisso me fez mais uma vez sair do corpo e perder alguns receios. Relaxei. Relaxei como Jimin sempre me pedia para fazer.

Compreendi melhor naquele momento o que era relaxar. Não era apenas uma diferença de ritmo cardíaco, era a paz e inércia. Seria por isso que ele queria tanto que eu ficasse calmo? Talvez Jimin realmente pudesse me ver por dentro, me sentir, como dizia, e sempre soube que atrás de tanto medo havia um deus.

Segurei meu pau com a mão esquerda; não suportava mais. Jimin alcançando minha garganta era demais para que eu não me tocasse.

Eu estava suado, já havia derretido uma vez e faria de novo. Jimin estava na minha boca. Seu caralho estava na minha boca. Merda, como eu gostava disso. Seu gostinho, quando pulsava, o relevo das veias sob minha língua… O sexo oral não devia ser pecado, e sim um ato de benevolência, porque eu estava adorando e me recusava a acreditar que algo tão prazeroso pudesse ser proibido.

Jimin aumentou a velocidade e eu já tinha me acostumado a engasgar. Fazia um estalo bonito quando ele metia bem forte. "Ploc". Era incrível.

Meu pau pulsava em minha mão, me molhava. Quanto mais de Jimin eu tinha, mais fraco ficava. Entretanto eu estava o devorando! Mais literal do que metaforicamente. E estava amando.

ㅡ Jeon, eu estou chegando perto…

ㅡ Tudo bem, hyung ㅡ disse ao tirá-lo da boca e continuar o masturbando. ㅡ Pode gozar na minha boca. Fico feliz que esteja gostando.

Voltei, engoli tudo de uma vez. Aumentei a velocidade da punheta que fazia em mim mesmo. Com a outra mão, eu masturbava Jimin quando cansava de engolir e só continuava a lamber e chupar sua glande. Tudo era bom. Tudo era nosso. Eu estava renascendo.

Tive um orgasmo. Gemi contra o pau de Jimin e melei minha mão de esperma. Fiquei sem ar, tive que me afastar para respirar e tossir. Escorri. Manchei o lençol dele. Ver minha porra caindo de meus dedos até o colchão me fez congelar, arregalar os olhos para Jimin. 

Me senti sujo, me senti atrevido, me senti… digno de alguns tapas. Quis pedir desculpas, mas também tinha gostado tanto que não via culpa. Foi um colapso. Minha vergonha estava lutando contra o tesão, e o tesão ganhou.

Chupei Jimin com ainda mais ganância, consegui enfiar tudo na boca. Ele fodeu. De novo, de novo, de novo enquanto eu me segurava e controlava a respiração. Ele gemia, puxava meu cabelo, forçou minha cabeça para baixo. Seu falo entrou mais fundo. Nem achei que podia. Eu ia pedir por uma pausa. Eu ia.

Desisti quando vi Jimin se contorcendo, chamando por mim. Suando, queimando, derretendo… morrendo e renascendo.

Era verdade. Nós éramos iguais.

Fechei os olhos, aguentei mais um pouco e recebi meu prêmio: um gemido alto e arrastado, um puxão de cabelo, Jimin tendo espasmos e alguns jatos de esperma que engoli rapidamente me descendo direto para o estômago. 

Puxei o ar com força ao me sentar. Tentei recolocar a cabeça no lugar, juntar as partes de mim que haviam se espalhado. Eu estava uma bagunça. Meu cabelo estava uma bagunça. A maquiagem devia estar borrada e as pedrinhas bonitas que brilhavam em minha face estavam dispersas. Tive certeza de ver algumas delas salpicando a pele de Jimin. Apenas o deixaram mais lindo.

Citando ele… ele estava a própria tentação após o orgasmo. Após o orgasmo que eu o tinha dado. Eu me senti o rei do mundo.

ㅡ Você… gostou disso, não foi? ㅡ perguntou ele, sorrindo. Me estendeu a mão e me trouxe para perto dele quando a segurei. Me deu um selinho. ㅡ Você foi perfeito, Jeon, perfeito. Foi incrível.

ㅡ Você acha mesmo, Jimin hyung?

ㅡ Sim. Eu adorei. ㅡ Passou o polegar pelos meus lábios. ㅡ Eu estava certo ao não subestimar o que sua boca podia fazer.

ㅡ Hyung! ㅡ Bati em seu peito, envergonhado. E orgulhoso também. ㅡ E agora, Jimin?

ㅡ O que você quer agora?

ㅡ Você sabe o que eu quero.

ㅡ Sei. ㅡ Riu. ㅡ Sei sim. Só queria ter certeza.

ㅡ Você tem. Sempre tem. Me conhece, mesmo sem me conhecer. ㅡ Deitei-me sobre seu peito, beijei seu queixo. ㅡ Você me sente, hyung. E eu sinto você. E nós vamos transar.

ㅡ Nós já transamos, Jeon.

Liguei os pontos. Era verdade!

ㅡ Oh, é mesmo! ㅡ Olhei para ele, chocado. ㅡ Nós transamos. Sexo oral é sexo. Eu transei com você, Jimin hyung.

ㅡ Transou sim.

ㅡ Meu Deus! Nem tinha me ocorrido! Vamos transar de novo.

Jimin riu alto e me segurou, rolou na cama e me deixou por baixo. Me olhou de cima. Olhou somente nos meus olhos. Como se soubesse que era ali que devia se concentrar….

ㅡ Se me quer tanto assim dentro de você, eu entrarei.

ㅡ Ótimo. É o que eu quero. ㅡ Me ajeitei de modo mais confortável na cama e segurei-lhe pelo pescoço. ㅡ Me foda de novo, Jimin. Pela segunda vez hoje.

ㅡ E será nossa última vez?

ㅡ Não sei. Não sei ainda. Só sei que não posso sair daqui sem isso.

Jimin encostou o rosto na minha clavícula e suspirou. Arrepiei.

ㅡ Então talvez eu não deva foder você. Assim você não irá embora.

Tantas coisas aconteceram comigo naquele momento que nem era possível citar. Foi um compilado enorme de reações internas que me paralisou, e depois de virar pedra, respondi no automático, como se eu já houvesse nascido com a resposta.

ㅡ Me foda de novo e terei ainda mais motivos para voltar.

Jimin abriu um sorriso enorme e beijou meu pescoço com carinho. Dei a resposta que ele imaginava, supus.

ㅡ Você parece sempre saber o que vou dizer, hyung…

ㅡ Não. Eu só espero por você. Espero ansioso pelas suas palavras, e você sempre me torna mais que feliz ao responder algo ainda melhor do que o que eu queria.

ㅡ Só você mesmo pra se surpreender comigo.

ㅡ Não ㅡ olhou-me nos olhos ㅡ, somente alguém completamente idiota para não se surpreender com você. Você está além das previsões do próprio tempo.

ㅡ Não me elogie assim. Jamais responderei à altura.

ㅡ Te elogio assim porque minhas palavras são minha única tentativa de tentar chegar à sua altura.

Neguei com a cabeça e mordi o lábio. Park Jimin era impossível. E eu amava estar tão longe do provável.

ㅡ Pare, hyung. Vai me deixar com vergonha.

ㅡ Então eu devo pular logo para a parte em que fodo você?

ㅡ Sim. Depois disso prometo que ouvirei bem seus elogios. Sei que algum deles me fará chorar, e não é esse o momento para lágrimas.

ㅡ De fato. Abra um pouco as pernas. Eu não vou demorar.

Separei as pernas, fechei os olhos, não me acanhei ao respirar fundo por vários segundos. Mantendo a calma, ajeitando as emoções, tentando não me apaixonar ainda mais, tentando evitar tudo de ruim. Ouvi o som de mais lubrificante, embalagem rasgada, o afundar do colchão na minha frente. Prendi o ar.

ㅡ Eu quero tanto te beijar inteiro, Jeon… Não sabe o quanto tudo isso significa pra mim.

Soltei o ar. Abri os olhos e vi Jimin ajoelhado, sorrindo pra mim com o cabelo bagunçado, o corpo suado e com manchas do que um dia foi minha maquiagem. Ele me mostrou seus dedos novamente lubrificados e eu sorri também, novamente de olhos fechados e pronto para aquilo.

O mesmo processo se repetiu. Dois dedos se empurraram para dentro e desta vez foi Jimin a mordiscar meus mamilos. Senti-lo me chupando e puxando com os dentes foi um presente.

Ele moveu seus dedos como eu disse que gostava e me abriu com cuidado. Foi questão de minutos. Minutos de um silêncio mais que relaxante. Momentos em que os únicos sons de dentro do quarto eram meus murmúrios de prazer e a onomatopeia quase muda dos dedos de Jimin deslizando para dentro de mim. Os ruídos de fora eram a chuva, cada vez mais intensa e o balançar de árvores pelo vento.

O céu se enchia de relâmpagos e raios, brilhava em azul. Azul como as borboletas, azul como a mariposa que voou entre nós no jardim. Azul como as borboletas dentro de mim e azul como as nuvens de chuva do dia em que eu e Jimin nos conhecemos. A chuva estava ali outra vez, e o céu era azul quase o dia todo. O azul sempre estaria ali para nos lembrar de que nós ainda não tínhamos acabado.

Talvez nunca acabasse. Talvez não durasse nem mais um momento. Mas o eterno já não era maior que aqueles segundos em que Jimin perguntou "Você está bem?" no meu ouvido enquanto me alargava com seus dedos e disse-me, com uma paz que só ele tinha "Será agora. Caso se sinta mal, diga na hora. Pode me morder e arranhar se quiser".

"Não tema, Jeon, eu jamais na vida machuquei uma flor."

Não tema, Jeon.

Eu jamais na vida machuquei uma flor.

Não tema.

Eu jamais na vida…

Jeon.

Jamais na vida machuquei uma flor.

Não tema, Jeon…

Eu jamais na vida machuquei uma flor.

Não tema, Jeon. Eu jamais na vida machuquei uma flor.

Não houve forma de continuarmos sem que eu desabasse em lágrimas. Eu chorei enquanto Jimin me penetrava, enquanto me beijava, chorei enquanto beijei sua mandíbula com todo o amor que podia caber em mim. 

Um trovão cortou o céu. O quarto inteiro se iluminou com o relâmpago. Pudemos ver um ao outro claramente durante aquela explosão entre as nuvens. O mundo caía ao chão lá fora e nós nem podíamos dar atenção de tão presos um no outro.

Nos beijamos. Nos abraçamos. Ele sussurrou palavras bonitas pra mim enquanto eu me sentia arder pela invasão. Ele estava de camisinha, tinha deslizado com bastante rapidez, mas ainda era grande demais para não causar um incômodo, por menor que fosse.

ㅡ Me avise se quiser parar.

ㅡ Você sabe que não vou querer. Não pare. Eu te imploro para que não.

O abracei de novo. Esperamos um tempo até aquele desconforto passar. Apenas ouvimos a chuva se derramando sem medo sobre o telhado. Devia estar frio do lado de fora; eu estava quente abaixo de Jimin.

ㅡ É tão bom abaixo de você..

ㅡ É muito bom em cima de você também. 

Sorrimos. Movi o quadril para os lados, descobrindo se ainda doía ou não. Doía pouquíssimo.

ㅡ Está bom?

ㅡ Não dói quase nada. Mais um pouquinho e você pode se mexer.

ㅡ Tudo bem. ㅡ Esfregou seu nariz no meu, me fazendo rir. ㅡ Eu te amo, Jeon.

ㅡ Eu também te amo, Jimin.

Outro trovão. Nós gargalhamos, pois parecia um recado, e devia ser. O dei sinal verde. Jimin se afastou de meu rosto e chupou meu mamilo direito enquanto fazia seu primeiro movimento. Saiu… e voltou. Fez estalo quando nossas peles se chocaram. Arfei baixinho e pedi por mais. Ele repetiu de novo e de novo. E a cada vez era melhor.

Perdi meus dedos em seus cabelos macios, que eu puxava a cada vez que ele me acertava em cheio. Seu peso sobre mim era aconchegante e seu pênis dentro de mim era algum tipo de afrodisíaco.

ㅡ Até seu cheiro me deixa exaltado ㅡ contou Jimin, cheirando meu cabelo. ㅡ Como consegue ser tão perfeito, Jeon?

Não respondi. Rodeei seu quadril com minhas pernas e o prendi, o forçando a continuar fodendo. Era aquela a minha resposta, e ele podia entender como quisesse.

Ele entrava e saía tão fácil e era tão bom. Eu gemia e grunhia e murmurava e pedia mais e dizia que o amava e ele me beijava, me dava mais, e dizia que me amava também. Eu arranhava suas escápulas, apertava seu pênis, sussurrava que estava adorando. Ele me mordia, me fodia mais rápido, dizia que também estava amando. Era nosso ritmo, nosso próprio jeito, nosso amor. Era único e eu não podia estar mais feliz.

ㅡ Hmm… mete ali de novo… ㅡ pedi enquanto beijava seu orelha.

ㅡ Aqui? ㅡ Ele socou o lugar certinho e eu revirei os olhos.

ㅡ Si-sim, bem aí. Não pare…

ㅡ Nunca.

Chupei seu pescoço mais uma vez. Ele devia estar cheio de marcas da minha boca, e eu, da dele. Estávamos brincando tanto um com o outro, deixando sinais de posse e de carinho. Era uma mistura de bom e ruim, possessão e liberdade, dor e prazer. Lambi o local que chupei, apreciando com calma o gosto de sua pele.

Eu estava perdendo a luta para o cansaço. Após aquela foda, eu apagaria em um sono profundo. Eu não sabia se Jimin dormiria, mas tinha certeza de que ele também estava exausto. Não que isso tenha nos feito parar, pelo contrário: nos fez ter ainda mais empenho, pois não queríamos perder nada daquele momento e se fosse para cair sem forças na cama, que fosse por realmente não suportar mais.

ㅡ E-eu já sonhei tanto com nós dois assim, Jeon… tanto, tanto. E é tão me-melhor que nos sonhos… Porra, vamos foder pra sempre.

ㅡ Vamos… Vamos, hyung…

ㅡ Fica assim comigo… ㅡ Nos beijamos bem devagar. Eu sofria solavancos abaixo de seu corpo. ㅡ Fi-fica pra sempre assim comigo…

ㅡ Fico. Eu… eu fico, Ji-Jimin hyung. Eu fico.

E após nos olharmos com atenção, demos outro beijo longo e apaixonado. Segurei  seu rosto e ele se impulsionou com força. Trocamos saliva enquanto eu grunhia baixinho e a cama rangia. Quem iria ouvir? Éramos só nós. Podíamos fazer quanto barulho quiséssemos ou pudéssemos. E estávamos fazendo.

Aumentando o grau da febre do amor e do tesão, eu estava mais uma vez prestes a gozar. Aproveitei para me contrair ao redor de Jimin e ele gemeu em resposta.

ㅡ Eu… eu vou…

ㅡ Eu sei ㅡ ele disse ㅡ, também vou…

ㅡ Vamos juntos de no-novo, hyung… ㅡ pedi. Ele me beijou.  

ㅡ Vamos.

Foi mantendo um ritmo intenso de estocadas e acertando o lugar certo que Jimin alcançou o orgasmo em cima de mim e antes de mim. Eu gozei um pouco depois, ao vê-lo sem ar e corado de tanto esforço. Foi lindo demais. Ele tremeu, seu rosto tremeu sob meus dedos e ele parou de meter por alguns segundos devido aos espasmos. Eu o abracei forte quando cheguei no limite. Chamei por ele e sujei seu abdômen com a comprovação de que tudo tinha sido perfeito.

Abraçados, buscamos ar e trememos juntos. Quando nos separamos foi somente para nos abraçarmos de lado e descansar. Pelados, molhados, cansados, satisfeitos. Foi assim que ficamos. E, gradativamente, cedemos ao sono.

A chuva estava passando e o azul escuro tomava o céu que perdia as nuvens. As mariposas deviam estar bem escondidas e as flores estavam recebendo água pura. O mundo se encaixou. 

As bestas ou demônios estavam dormindo debaixo de suas peles de anjos ou deuses. Dois corpos mortais estavam unidos em uma só criatura mística. As metáforas e o literal eram um só. Não havia algo que pudesse mudar aquilo. Jamais. 

A partir dali, aquela era a verdade.


Notas Finais


Assim era o sapato de que o JK falou:
https://pin.it/38cNbGl

Horrível e a cara dele 😭😭💕

E isso é pra quem quer chorar vendo a janela do Jimin:
https://pin.it/3J7GZnt


Então... O que acharam? jsjsSMSKSN
Até!! 💌💕


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