1. Spirit Fanfics >
  2. Perfect >
  3. Minha Fada

História Perfect - Capítulo 6


Escrita por: vanelope-stars

Notas do Autor


Oi, então, EU SENTI TANTA FALTA DE PERFECT, MEU DEUS, MEU DEUS. Eu tenho mais fanfics pra atualizar e priorizei elas, mas aqui estou!
Tem links nas notas finais, ok?
Leiam com atenção e cuidado.
Até💌

Capítulo 6 - Minha Fada


You're just too good to be true,

Can't take my eyes off of you.

You'd be like heaven to touch...


Eu cantarolava enquanto escovava os dentes. Essa música não sai da minha cabeça desde ontem e não sei bem o porquê. Eu não devia estar tão animado numa segunda de manhã, na verdade, devia, eu acho. Faz bem começar a semana com bom humor, só não é tão comum pra mim.


I wanna hold you so much,

At long last love has arrived,

And I thank God I'm alive.


Lavei o rosto e meus olhos encontraram meu reflexo. Meu olhar passou por todo o meu rosto em um segundo e desviou rápido. Eu comprimi os lábios e saí do banheiro, tentei pensar em outras coisas. Vesti minhas roupas e minhas botas quentinhas, penteei o cabelo e fui tomar café da manhã.

Paralisei. Meu coração ficou descontrolado quando ela sorriu pra mim. Olhei meu pai numa pergunta muda: "Isso é real?", e ele riu. Ela está aqui… meu deus!

ㅡ Jihyo! ㅡ corri e a abracei forte. Ela riu alto e me apertou mais forte. Beijou minha testa inúmeras vezes e mexeu no meu cabelo. Eu senti vontade de chorar quando senti o cheiro dela. ㅡ Não acredito que você veio mesmo! Achei que estaria ocupada demais com a faculdade por mais um mês. ㅡ falei quando ela me soltou do abraço. 

ㅡ Eu sei, eu sei! Eu também pensei, mas eu achei uma brecha no tempo e como poderia não vir? Senti falta do meu maninho. ㅡ apertou meu rosto com ambas as mãos até espremer bem minhas bochechas para poder beijá-las várias vezes. Soltei um gritinho e abracei ela mais uma vez. O cabelo dela cresceu…

ㅡ Por que não me disse que ela viria, pai? Eu teria acordado mais cedo pra ficar com ela! Tenho só alguns minutos antes de ir pra escola! ㅡ bufei.

ㅡ Mas eu também não sabia. Ela só bateu na porta de repente! ㅡ ele disse e riu, mordeu um pedaço de seu pão com manteiga.

ㅡ Nem se preocupe com isso, Gukkie. Eu saí de lá de madrugada, acabei de chegar e acho que vou dormir o dia todo. Me acorde quando chegar da escola, ok? Quero fazer várias coisas com você! ㅡ bateu os pés cobertos por grandes botas pretas no chão e apertou minhas bochechas de novo.

ㅡ Você vai ficar até quando? Estava me esperando acordar? Pode ir dormir, Ji. Eu espero você acordar pra fazer o que você quiser. 

ㅡ Mas nem! Eu quis te esperar acordar porque queria te ver logo e porque vou levar você e o Sr. Min até a escola. Na volta, eu durmo. Vou ficar alguns dias e vou te levar sim! ㅡ tocou meu nariz com o dedo indicador. Eu sorri mais uma vez e beijei todo o rosto dela.

Nos sentamos juntos para comer e senti que tinha 15 anos de novo. Senti que Jihyo ainda estava acabando o ensino médio, que ela estaria em casa quando eu voltasse da escola e viria para o meu quarto na madrugada quando estivesse entediada. Senti que ela apareceria na minha cama quando me ouvisse chorar e me contaria histórias bonitas que ela inventaria na hora, cheias de animais místicos e muita magia, como ela sabia que eu gostava. Me faria fantasiar, fantasiar com fadas que faziam as flores nascerem e com gênios de lâmpadas que realizariam meus desejos. Senti que ela cuidaria de mim de novo, mas eu sabia que não seria assim. 

Eu sabia que a vida real não era como nas histórias que ela me contava. Eu sabia que nenhuma fada aparecia no meu jardim quando as flores estivessem morrendo e que nenhum gênio de lâmpada tiraria minha dor em um estalar de dedos. Eu sabia que o tempo com ela não seria eterno, assim como nenhum dos meus momentos mais felizes seria. Mas eu não via mal em aproveitá-los como se fossem durar para sempre.

Eu não vi problema em acreditar em magia enquanto tomava café da manhã, porque minha fada estava sentada na minha frente, e eu não precisava de mais nada para me sentir em uma realidade mística. 

ㅡ Cabelo de pote, nós vamos dividir a cama! Espero que o Sr. Min não vá dormir aqui hoje. Quero a cama só pra mim e você! ㅡ me apontou o dedo, fingindo uma expressão de raiva.

ㅡ Não sei se ele vem, mas quando te ver, vai querer vir. Sabe que você é mais irmã dele que a própria irmã dele. ㅡ falei enquanto comia meu sanduíche.

ㅡ Aish! Tudo bem então. Vamos os 3 dividir a cama. Mas você fica no meio e eu no canto! Ele que lute pra não cair da beirada!

Eu ri e meu pai me avisou que era hora de ir. Peguei minha mochila e fui saindo; quando abri a porta, Yoongi estava chegando.

ㅡ Quando eu vi esse carro preto do outro lado da rua, eu quase gritei! ㅡ ele exclamou a Jihyo antes de correr até ela e pular em cima dela. Os dois caíram no chão. ㅡ Por que não me avisou que a Rainha da cocada estava por aqui, Jungkook?! Traíra! ㅡ jogou uma pedrinha em mim.

ㅡ Ele não sabia. Eu quis fazer surpresa. ㅡ ela se levantou e ajudou Yoongi a ficar de pé também. ㅡ Vou ficar aqui alguns dias e tenho muitos planos! Acho bom que os dois arranjem tempo pra mim, viu? ㅡ concordamos e ela sorriu enquanto pegava a chave do carro no bolso. ㅡ Entrem, vou levar os dois pra escola.

ㅡ Você? Não sei se fico feliz porque você vai me levar ou triste porque vou ser levado sem um devido café da manhã. ㅡ Yoongi disse e fez um biquinho.

ㅡ Relaxa, Sr. Min! Tem um pacote de fast-food lá dentro que eu não comi na viagem, deve estar em bom estado e vai matar a sua fome.

Yoongi disse um "Oba!" antes de abrir a porta do carro atrás do pacote de comida. Eu e ele brigamos por quem iria sentar na frente com a Ji, mas ele acabou cedendo pra mim e foi para o banco de trás. Nunca faltava assunto com Jihyo, então o caminho não foi silencioso nem vazio.


You're just too good to be true,

Can't take my eyes off of you…


Ainda estava tocando na minha cabeça.


{...}


Jihyo se despediu de nós dois com beijos na testa e um abraço da minha parte. Eu e Yoongi entramos na escola e as aulas foram tranquilas. Nada fora do normal, nada que me deixasse com os nervos à flor da pele. 

ㅡ Jungkook, Jungkook, Jungkook, Jungkook, Jungkook, Jungkook! ㅡ Yoongi veio correndo e repetindo meu nome quando eu saí da sala para ir ao refeitório. ㅡ Você não vai acreditar!

ㅡ O quê?

ㅡ Ele falou comigo por vontade própria! ㅡ exclamou. Os alunos tinham que desviar de nós, já que estávamos parados no meio do corredor. Yoongi me puxou pelo braço até o refeitório e continuou a falar. ㅡ O Garoto Que Não Fala falou comigo por vontade própria! Meu deus, Jungkook! Meu deus! 

ㅡ E o que ele disse?

ㅡ Ele disse que meu cabelo estava bonito e que minhas mãos eram bonitas! Ahh! ㅡ ele estava quase pulando. ㅡ Primeiro sua irmã aparece e me dá fast-food e agora meu crush fala comigo! Esse é o melhor dia da minha vida!

Fiquei feliz com a animação dele. Nos sentamos na mesa de sempre e Yoongi continuou contando sobre como tinha sido inesperado e como queria que ele e o garoto se aproximassem mais. Eu ouvia e negava com a cabeça às vezes; ele fica adorável quando está feliz. 

ㅡ Yoongi, não quero te atrapalhar, mas não é aquele garoto que está vindo pra cá de que nós estamos falando? ㅡ perguntei ao ver o garoto se aproximando da mesa. Fingi que não tinha visto e deixei que Yoongi falasse com ele.

ㅡ Oi, Yoongi. ㅡ o garoto disse quando parou ao lado da nossa mesa. Yoongi estava sem reação, eu estava tentando não rir.

ㅡ O-oi.

ㅡ Eu tenho uma festa de aniversário pra ir, mas só vai ter crianças e não quero ficar sozinho. Quer ir comigo? 

Entendi o que Yoongi quis dizer com ele ser intrigante. O garoto estava sendo gentil e mesmo assim parecia quase inexpressivo, tinha um sorriso mínimo. Yoongi ficou alguns segundos sem dizer nada.

ㅡ Ah… Claro. Quando é?

ㅡ Quinta da semana que vem.

ㅡ Certo. Certo. ㅡ concordou com a cabeça. ㅡ Eu vou. ㅡ sorriu. O garoto sorriu também e se virou para mim. Engoli em seco.

ㅡ Quer ir também? ㅡ me perguntou.

ㅡ Eu agradeço… mas minha irmã está visitando a cidade e não sei até quando ela vai ficar… quero ficar com ela, então acho que não posso. ㅡ ele assentiu.

ㅡ Qual seu nome?

ㅡ Jeon… Jeon Jungkook.

ㅡ Sou Kim Taehyung. ㅡ sorriu. ㅡ Quinta. ㅡ disse a Yoongi, que concordou, e aí foi embora.

ㅡ Jungkook, eu quero muito gritar de tão feliz, mas eu não posso, então considere o meu sorriso o grito mais alto desse mundo. ㅡ ele sorriu grande e mexeu os braços. Eu ri porque ele estava mesmo adorável.

Eu estava sorrindo e meus olhos encontraram Jimin do outro lado do refeitório. Ele estava parado, encostado na parede. Estava olhando diretamente pra mim e sorriu.


You're just too good to be true,

Can't take my eyes off of you…


Tinha voltado a tocar.


{...}


ㅡ A ideia de termos mais bactérias do que células no corpo te assusta? ㅡ Jimin perguntou enquanto andava pela sala. Eu estava estudando algo sobre microorganismos.

ㅡ Um pouco. É estranho pensar em vários outros seres vivendo dentro de mim… Me faz pensar em parasitas. ㅡ Jimin riu com a minha resposta.

ㅡ Estudos sobre isso são feitos e refeitos para serem mais precisos, e quanto mais esses estudos são feitos mais podemos ter uma ideia de como o corpo humano é cheio de surpresas e como não sabemos tanto quanto achamos que sabemos. Então não pense nas bactérias como seres invadindo seu corpo, pense como uma maravilha biológica. ㅡ eu assenti e voltei a olhar o livro.

Tocava uma música na sala que eu não conhecia. Parecia ser antiga e me lembrava musicais. Estava correndo tudo bem na aula, tive que fazer apenas uma pausa para respirar e isso era uma grande coisa pra mim. Estar calmo perto de alguém era uma grande coisa pra mim.

Jimin tinha um jeito especial de falar e agir. Ele parecia ter todas as respostas do mundo, e eu sentia uma estranha vontade de lhe fazer todas as perguntas do mundo.

Tinha algo no jeito como ele andava, sorria e me olhava. Ele parecia tão… poderoso. Isso me deixava assustado, mas ele também era tão calmo que eu não conseguia sentir medo. Eu não sei explicar, eu sei que é o que sinto. Ele se sentou em cima da mesa, ao lado do meu livro. O olhei e ele puxou minha mão.

ㅡ Não coma seu lápis. ㅡ riu.

ㅡ Ah… ㅡ só então percebi que estava mordendo meu lápis. Ele sorriu e, pela primeira vez, eu correspondi sem me sentir acanhado.

ㅡ Só tem mais 10 minutos de aula, podemos parar se você quiser. Acho que progredimos.

ㅡ Acha que eu progredi?

ㅡ Você progrediu, Jeon.

Algo no tom dele não parecia estar falando sobre a aula. Eu achei estranho, mas ignorei. Devia ser só coisa da minha cabeça. Olhei meu caderno mais uma vez e dei uma lida rápida em tudo que tinha feito. Estava bem mais organizado e bonito. Jimin colou um adesivo de flor na folha que eu olhava. Levantei a cabeça para encará-lo.

ㅡ Bons alunos ganham recompensas. ㅡ sorri e concordei com a cabeça.

ㅡ Obrigado.

Jimin voltou a andar pela sala. Eu encarei o adesivo no meu caderno. Tinha uma flor azul bem bonitinha. Fechei o caderno e comecei a guardar tudo na mochila. Eu estava fechando o zíper da mochila quando a música que tocava acabou e outra começou.


You're just too good to be true…


Meus olhos se arregalaram. É aquela música! Eu não lembrava o nome dela, não lembrava aonde tinha ouvido, mas deve ter sido aqui! Jimin deve ter tocado ela outro dia, e eu não percebi.

ㅡ Hyung, qual o nome dessa música? ㅡ perguntei, tentava disfarçar minha euforia.

ㅡ I love you baby. Por quê?

ㅡ Passei o dia com ela na minha cabeça e não lembrava que música era nem onde tinha ouvido. Deve ter sido aqui.

ㅡ Já toquei ela outras vezes. ㅡ se aproximou de mim. ㅡ Você sabe a letra de cor? ㅡ neguei com a cabeça. Jimin me estendeu a mão. Fiquei confuso, mas a peguei. Jimin sorriu e me levantou da cadeira. ㅡ Vamos dançar.

ㅡ C-como? ㅡ meu rosto esquentou e eu engoli em seco. ㅡ E-eu não sei dançar, hyung. 

De repente o calor da mão dele se tornou algo forte demais pra mim. De repente só o fato de estar ali com ele me fez começar a suar.

ㅡ Não tem ninguém nos avaliando e eu não vou te julgar. Eu só quero uma dança, mas vou entender e não insistir mais se você não quiser também.

Minha respiração saiu um pouco do controle e eu senti minhas pernas fraquejarem. Queria poder dizer sim, queria poder dizer que dançaria com ele. Queria poder dizer que seria divertido, que eu estava me divertindo. Queria dizer muitas coisas, mas não consegui nem controlar minhas mãos quando elas começaram a tremer. Não consegui controlar as lágrimas que se acumularam no canto dos meus olhos e, principalmente, não pude controlar como fiz Jimin mudar de muito feliz para preocupado.

Nunca pude controlar isso, nunca pude fazer ninguém feliz, ainda não posso. Nunca vou poder

ㅡ Jeon? Jeon, você está bem? ㅡ ele soltou minha mão e me fez me sentar novamente. Eu não consegui responder. Estava entrando em crise e envergonhado por toda a situação. ㅡ Jeon, Jeon, olhe pra mim. ㅡ Jimin se ajoelhou na minha frente e pegou sua garrafa d'água em cima da mesa, a abriu e me deu. ㅡ Vamos, beba um pouco. Está tudo bem, está tudo bem.

Peguei a garrafa, mas estava tremendo demais. Jimin colocou suas mãos por cima das minhas para me ajudar a segurar a garrafa. O calor de suas palmas me fez gemer. Ele guiou minhas mãos, e eu consegui beber a água. Tomei quase a garrafa toda e minha respiração foi voltando ao normal. Eu ainda sentia vontade de chorar e ainda tremia, mas estava melhorando.

ㅡ Está melhor? Tem algum remédio com você?

Neguei com a cabeça e deixei a garrafa na mesa novamente. Passei as costas das mãos nos olhos para limpar as lágrimas acumuladas ali. Quis perguntar o porquê de ele ter achado que eu tinha algum remédio comigo. Me senti óbvio demais. 

Ouvimos batidas na porta e Jimin foi abrir. Era Jihyo. Ao ouvir a voz dela meu corpo todo relaxou e as lágrimas caíram.

ㅡ Ji… ㅡ mormurei o apelido dela. Ela me viu e correu até mim muito rápido, se ajoelhou na minha frente como Jimin havia feito e segurou minhas mãos.

ㅡ Jungkook, Jungkook, respira, respira, maninho. Você lembra? Tem que tentar manter o controle. 

ㅡ S-sim… ㅡ minha voz estava embargada. 

Eu desejei sumir. Desejei nunca ter nascido, desejei não estar ali, desejei com todas as minhas forças que Jimin não visse isso. Mas ele estava bem ali, estava parado na porta. Eu não tinha coragem de olhar pra ele, eu não tinha coragem para encarar a expressão dele. Já tinha acabado aquela música e pensar nela me fazia querer vomitar agora. Senti que meu corpo ia entrar em combustão e comecei a chorar mais ainda. Jihyo segurou meu rosto com as duas mãos e fechou os olhos com força antes de beijar a minha testa. Ela queria chorar também. 

Aquilo estava me matando. Estava me cortando de dentro pra fora e eu queria gritar até passar. 

ㅡ Não é melhor levarmos ele a enfermaria? Talvez algo lá possa ajudar. ㅡ Jimin disse. Eu não queria ouvir a voz dele. Ouvi-lo me dava vontade de fugir.

ㅡ Não, esses locais deixam ele mais nervoso. Você tem… Tem… Fones de ouvido, alguma coisa assim? Música ajuda.

Jimin correu até sua bolsa e tirou de lá seus fones de ouvido junto de seu celular. Conectou o fone ao aparelho e veio até mim novamente. Se ajoelhou ao lado de Jihyo e colocou os fones em mim; a música começou a tocar e eles começaram a conversar mais baixo para que eu não ouvisse. A música estava alta, então eu realmente não podia ouvir. Não queria ouvir, não queria abrir os olhos, não queria estar ali.

Estava tocando uma música suave. Era parecida com todas que Jimin ouvia. Eu estava de olhos fechados e tentei me concentrar na música. Senti quando as mãos de Jihyo me deixaram e as de Jimin tomaram seu lugar. Não quis abrir os olhos ainda, não queria olhar Jimin ainda. Só fiquei de olhos fechados e ouvi a música. Minha cabeça não parava de dar voltas e voltas, já estava doendo. Iria demorar para que minha mente ficasse vazia e eu pudesse descansar.

Os dedos de Jimin acariciaram minha mão. As apertou e tocou devagar. Eu tentei não pensar em nada, eu tentei não ficar ainda mais nervoso quando entrelacei meus dedos aos dele. Tentei não me desesperar quando não houve reação da parte dele. Mas logo seus dedos abraçaram os meus também e ele continuou a fazer carinho na minha mão com o polegar.

Não sei quanto tempo isso durou, sei que eu parei de chorar em algum momento e que minhas mãos pararam de tremer. De repente só tinha aquele nó apertado dentro de mim, mas ele era suportável. As mãos de Jimin me soltaram e senti as unhas compridas de Jihyo tocarem meu pulso. Ela deixou um comprimido em minha mão; eu abri os olhos. Ela estava sorrindo e segurava a garrafa d'água de Jimin. Eu coloquei o comprimido na boca e o engoli rápido com a água. Ela pareceu ficar mais aliviada e tocou minhas mãos com carinho outra vez. Me perguntei se ela havia ido até lá em casa buscar aquilo ou se havia comprado. Concluí que ela devia ter comprado, já que sua saída foi rápida e era um pouco longe até lá em casa. 

Ela e Jimin apenas sentaram e esperaram assim como eu. Alguns minutos depois, eu senti. Senti meu corpo ficar um pouco mole e sabia o que vinha agora, aquele relaxamento e cansaço. Jihyo disse algo para Jimin que eu não ouvi por ainda estar com os fones de ouvido dele, mas quando ele me ajudou a levantar, eu entendi. Ele me segurou pelo braço esquerdo e Jihyo pegou minhas coisas e fomos andando até o carro dela. Eu não tremia mais nem suava e todo meu desespero virou um cansaço induzido pelo remédio. 

Jihyo abriu as portas do carro e colocou minha mochila no banco de trás enquanto Jimin me ajudou a me sentar e colocou o cinto de segurança em mim. Ele diminuiu o volume da música e percebi que ia pegar seus fones e celular de volta. A música parou e ele pegou seus aparelhos, os colocou no bolso e olhou para Jihyo.

ㅡ Ele vai ficar bem?

ㅡ Vai. Ele só tem que dormir um pouco e vai estar melhor quando acordar. ㅡ ela disse enquanto ligava o carro. ㅡ Obrigada pela ajuda, Jimin. 

ㅡ Não tem o que agradecer. ㅡ ele me olhou. ㅡ Fique bem, Jeon. ㅡ sua mão tocou a minha por um momento e eu a segurei antes que ele se afastasse. Ele me esperou dizer algo; eu engoli em seco antes de falar.

ㅡ E-eu quero dançar, Jimin. ㅡ falei. 

Estava um pouco afetado pelo efeito do remédio e não me senti tão nervoso quando disse isso, mas ainda me fez um embrulho no estômago. Eu quis dizer tantas outras coisas também. Mas ainda não me sentia pronto pra isso. Eu disse tantas outras coisas com aquelas 4 palavras. 

ㅡ Nós vamos dançar, Jeon. Eu prometo.

Foi o que ele disse antes de largar minha mão e fechar a porta do carro. E enquanto Jihyo saía do estacionamento da escola, eu me encostei no banco e relaxei um pouco, pude cair no sono mais aliviado.

Jimin havia entendido todas as palavras que eu não disse.


{...}


 Acordei com Jihyo me cutucando e dizendo que a gente já tinha chegado. Eu apenas concordei e tirei o cinto de segurança, ela destravou a porta, e eu saí depois de pegar minha mochila no banco de trás.

ㅡ Vamos? ㅡ concordei. ㅡ Qual de nós vai contar? ㅡ suspirei antes de responder.

ㅡ Eu conto. Não é porque você está aqui que tem que responder por mim.

ㅡ Não é isso, Jungkook. ㅡ ela suspirou e coçou a cabeça. ㅡ Tome um banho, ok? Eu conto. Não porque tenho que responder por você, mas porque quero. Sei que faz tempo que fui embora, mas não abri mão do meu papel. ㅡ me olhou. ㅡ Me deixe ser a sua irmã. Me cuidar do meu irmão.

Eu só concordei com a cabeça e a abracei de lado. Ela encostou a cabeça na minha e entramos assim em casa. Nosso pai nos deu as boas vindas e disse que logo serviria o jantar. Eu fui tomar um banho como Jihyo sugeriu e a deixei na cozinha com ele. Deixei meu celular tocando música enquanto eu tomava banho. Não queria ouvir o tom de voz dela quando contasse nem o de meu pai reagindo. Só tentei aproveitar a água quente.

Desejei que gênios da lâmpada existissem, pois aí eu pediria aquilo que sempre quis desde que era criança.

Eu pediria para ser forte como Jihyo.


{...}


Quando meu pai estava servindo o jantar, Yoongi apareceu com sua mochila, o que sinalizou que ele iria dormir aqui. Ele se sentou na mesa com a gente e comemos e conversamos todos juntos. Meu pai não fez perguntas demais, apenas perguntou se eu estava bem. Eu agradecia tanto por ele não invadir o meu espaço. Depois que acabou o jantar, Jihyo me puxou para o meu quarto porque queria conversar comigo. Eu não queria conversar, mas não refutei porque era com ela.

ㅡ Eu acordei mais cedo do que queria e por isso fui te buscar. Achei que a gente poderia passar na sorveteria ou algo assim. ㅡ ela começou. Estávamos os dois sentados na cama, Yoongi estava tomando banho.

ㅡ Eu sinto muito por estragar seus planos.

ㅡ Não, não é isso, Jungkook. Só queria explicar porque apareci lá de repente e… O que exatamente aconteceu, Jungkook? ㅡ eu podia ver nos olhos dela como ela estava preocupada. Isso me fazia me odiar ainda mais.

ㅡ Ele não te disse?

ㅡ Sim. Mas eu quero ouvir a sua versão. Ele também não sabia o que tinha acontecido direito.

Suspirei e tentei achar as palavras que eu queria. Nenhuma delas parecia servir. Nenhuma delas era forte o bastante para deixar Jihyo calma. 

ㅡ Ele me convidou pra dançar… ㅡ mordi o lábio. ㅡ E eu… Eu só… Entrei em pânico. Ele… Ele tinha tanta postura e estava tão feliz e… e eu só pensei no quão horrível seria se ele me visse dançar. No quanto ele estava perto de mim e no quanto isso me deixava sem ar. Ele… Ele é incrível, Ji. ㅡ encarei os lençóis. ㅡ Ele é um professor incrível e um cara muito legal, e eu sou só Jeon Jungkook. E eu senti que nunca poderia fazer nada como ele fazia. Eu não saberia dançar como ele assim como não sei biologia como ele. E senti que não importava o quanto eu quisesse dançar, eu nunca faria direito. E de repente minha mente já tinha ido longe demais e eu não conseguia nem respirar. 

Ela me olhava atenta, ainda que preocupada ou mal, ela nunca perdia o controle. Ela sabia exatamente o que fazer e como fazer. 

Jihyo é tudo o que eu gostaria de ser e nunca serei.

Ela se aproximou de mim e me abraçou. O cheiro dela me invadiu de novo e eu afundei mais o rosto, tentando sentir o suficiente, tentando não perder nada, tentando aproveitar cada segundo com ela ao máximo.

ㅡ Você está certo. Você é só Jeon Jungkook. E é por isso que Jimin quis dançar com você, e é por isso que Yoongi passa mais tempo aqui que na casa dele, é por isso que papai ainda acorda feliz de manhã. É por isso que eu dirijo de madrugada. Tudo isso acontece porque você é só Jeon Jungkook. Você não precisou de mais nada pra fazer todos nós amarmos você. Você não precisa ser nada além de Jeon Jungkook, e eu espero que um dia você entenda isso.

Acho que eu estava errado, acho que Jihyo falava a verdade quando contava suas histórias de fadas e unicórnios. 

Jihyo é real, meu pai é real, Yoongi é real, Jimin é real. Do que mais eu preciso para acreditar em magia?


Notas Finais


Link com a tradução da música que o Jungkook ouviu: https://youtu.be/zk2ewxRmxog
Aqui, é assim que eu imagino a Jihyo: https://pin.it/2ybyeqcvizzayh
Aquele cabelinho bem castanho pelo ombro😔😔😔
Eu amo a Jihyo, meu deus, alguém dá um prêmio pra ela.
Espero que tenham gostado. Até, até 💌💜


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...