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História Perfect - Capítulo 7


Escrita por: vanelope-stars

Notas do Autor


Eu amo tanto essa fanfic, meu deus. Não esqueçam que eu também posto ela no wattpad, passem lá dar uma força se quiserem. Mesmo user e nome.
ENFIM... Eu amo esse capítulo. Eu amo tudo.
Não tenho mais o que dizer.
Ah, sim, tem link nas notas finais. Leiam, viu?
Até💙

Capítulo 7 - Noona e Hyung


ㅡ Minha nossa! Desculpa, Jungkook! Desculpa!

ㅡ Tudo bem… ㅡ me sentei na cama e passei a mão na bochecha. ㅡ Quem nunca acordou com um tapa na cara às… ㅡ olhei a hora no relógio. ㅡ 06:50 da manhã? ㅡ fiz um "pff" e Yoongi bufou.

ㅡ Desculpe. Jihyo me assustou.

ㅡ E eu tenho culpa se você não acordou quando eu te cutuquei? Eu tinha que ir no banheiro. ㅡ ela se justificou. Estava escovando os dentes.

Dormimos todos juntos na minha cama. Yoongi tinha ficado na beirada, eu no canto e Jihyo no meio. Então ela não poderia sair dali sem Yoongi levantar primeiro. 3 pessoas em uma cama de solteiro é complicado.

ㅡ Mas precisava beliscar a minha coxa?!

ㅡ Sim. Você sabe que eu não resisto a essas suas perninhas gostosas, senhor Min. Se você bateu no Jungkook sem querer a culpa não é minha. Tá doendo, mano?

ㅡ Agora não. Já passou. Por que acordou tão cedo?

ㅡ Vou levar vocês pra escola, mas quero cozinhar. Vocês vão me ajudar. Vamos todos fazer comida para o papai. Agora levantem e vão tomar banho, vagabundos sujos!


{...}


Fizemos salada de frutas, sanduíches e vitamina de banana. E café, porque papai adora café. Ele sempre acorda cedo, então tivemos que convencer ele a ficar sentado enquanto a gente cozinhava. Ou quase todos nós, pois Yoongi queria ficar conversando com meu pai, e não ajudar. Jihyo deu um tapa na nuca dele que doeu em mim e disse: "Tá achando que vai explorar o meu pai na minha frente? Pega essa faca e corta essas bananas antes que eu corte a sua banana!"

Jihyo botava medo quando queria.

Nos sentamos juntos pra comer. Papai estava se divertindo mesmo com Yoongi enchendo o saco dele e Jihyo ameaçando enfiar um pedaço de mamão no nariz de Yoongi se ele não parasse.

ㅡ Ele tem falado com vocês? ㅡ Jihyo perguntou, curiosa e esperançosa. Negamos com a cabeça. Ela suspirou. ㅡ Comigo também não. Mamãe está preocupada.

ㅡ Todos estamos. Seu irmão sempre foi do tipo que não se importava muito com nada, mas não achei que um dia nós também seríamos parte do nada. ㅡ papai suspirou e tomou um gole de café. ㅡ Só espero que ele esteja bem. As ligações não dadas serão deixadas de lado depois de uns tapas na cara dele. ㅡ Jihyo riu e papai a acompanhou.

Não gostava de pensar nele. Yoongi sabia e segurou minha mão debaixo da mesa, me trazendo de volta do transe. Continuei a comer.

ㅡ Ah, mamãe pergunta de você também, Jungkook. Faz um tempo que ela não te vê. ㅡ Jihyo disse, mordendo um sanduíche. Assenti com a cabeça.

ㅡ Faz uns dois meses. Ela nunca tem tempo de me buscar e diz que é longe demais pra eu ir sozinho.

ㅡ E é. É Busan, Jungkook. Outra cidade. É uma hora de viagem de Daegu até lá. Não que seja tempo demais, mas ainda é longe. Da próxima vez que eu vir, eu te levo comigo, pode ser? Te deixo lá, meu quarto está vazio mesmo. Um final de semana. O que acha, pai? 

ㅡ Se ele quiser e não atrapalhar a escola nem nada.

ㅡ Mas e a floricultura, pai?

ㅡ Pensei que Yoongi fosse seu amigo pra poder trabalhar no seu lugar.

Yoongi arregalou os olhos e fez cara de indignado, eu e Jihyo rimos e eu concordei com a cabeça. Yoongi vivia enchendo o saco do meu pai, devia pagar isso com trabalho.


{...}


Abri o livro de física e senti minha visão tremer com tantos números. A professora explicava algo da última aula que eu não me lembrava e estudaria em casa depois. O menino que senta atrás de mim estava mordendo a caneta, eu ouvia o barulho. A menina do meu lado esquerdo estava rindo baixo de algo. Eu sentia frio quando ela fazia isso. Sempre achava que podia estar rindo de mim. Puxei mais as mangas e gola da camisa. Conti o impulso de tocar meu peito. Suspirei e encarei o livro mais uma vez. A voz da professora se misturava com o barulho das mordidas na caneta e a risada da garota. Arfei, senti mais frio. Um menino do fundo da sala me olhou por uns instantes.

O que ele estava olhando? Eu parecia estranho? Eu parecia, não parecia? Será por isso que a menina ao meu lado ria? Voltei a olhar a professora que apontava para uma equação em específico. Eu sabia resolver e tentei pensar apenas nisso. 

Abri minha mochila para pegar uma régua e vi o caderno que usava nas aulas com Jimin. Lembrei que o veria hoje. Mordi o lábio inferior e puxei mais a gola da camisa. Peguei a régua e encarei a equação.

Jimin. Jimin. Jimin. Jimin. Hoje. Jimin.

O que eu diria? O que eu faria?

A professora tossiu, o menino atrás de mim começou a bater a caneta na mesa. 

A equação. A equação, Jungkook. É importante. 

Copiei os números do quadro e tracei a linha que queria com a régua.

Jimin deve me achar doente agora. Doente. Estranho. Talvez como o menino do fundo ou a menina do meu lado?

Jimin. Jimin. Devo falar algo sobre ontem? Devo ignorar?

A equação. A equação, Jungkook.

Preste atenção. Preste atenção, Jungkook.


{...}


Tocava uma música, como de costume. Era leve, tocada por um violão, a voz do cantor também era suave. Todas as músicas que Jimin ouvia eram assim. Eu devia dizer que as músicas me distraem? Elas me deixam relaxado, ele sabe, certo? Deve saber.

Ele explicava algo sobre águas vivas. Eu ouvia sua voz, seu tom. Estava normal. Eu estava anotando. Ele havia me mostrado fotos e até feito um desenho. Ele fez uma mini água viva no quadro. Eu estava entendendo. Desenhei a água viva também.

Estava tudo bem. Por que isso me deixava inquieto? Jimin estava me tratando como sempre tratava. Isso era bom.

Isso é bom, Jungkook. Preste atenção. Pare de viajar.

ㅡ Jeon? Está entendendo?

ㅡ Hm? Estou, estou. Só estava pensando na música…

Ele sorriu e se abaixou ao lado da minha cadeira. Engoli em seco. Ele tirou o lápis da minha mão.

ㅡ Não coma o lápis, Jeon.

ㅡ Ah… Sim, sim. Me desculpe. Eu esqueço.

ㅡ É Only, o nome.

ㅡ Hm?

ㅡ Da música. Only. Sabe inglês? Entende o que ela diz? ㅡ neguei com a cabeça. Ele se levantou e começou a apagar o desenho da água viva. Cantarolava. ㅡ I was only falling in love, coming from the cold, buried under heat… Eu só estava me apaixonando. Vindo do frio, enterrado sob o calor. ㅡ olhou para mim quando acabou de apagar o desenho. ー É o que diz a música. Gosta dela?

Apenas concordei com a cabeça. Jimin olhou no relógio e disse que ainda tínhamos 10 minutos, que eu podia apenas dar uma olhada no que fizemos e perguntar o que eu não entendi. Reli tudo o que anotei. Avisei a ele que tinha entendido tudo e que depois de amanhã teria uma prova de biologia.

ㅡ Mesmo? Podemos estudar mais os temas que vão cair nela amanhã. ㅡ assenti. ㅡ Você está indo bem, Jeon.

ㅡ Obrigado, hyung.

Tinha algo em como Jimin sorria. Algo… Diferente, não sei. Tinha algo na voz dele, algo nos olhos dele, algo em suas músicas e letra bonita… algo nele. Algo que me deixava curioso e… calmo. Senti um frio na barriga e minha boca seca quando tentei falar. Mas eu tinha que falar. Fechei os olhos e respirei fundo, tomei um pouco de água.

ㅡ Vamos dançar.

Ele desviou o olhar dos papéis que segurava e me olhou. Deixou eles em cima da mesa. Encarei o chão e bebi mais água.

ㅡ Se você ainda quiser, claro… ㅡ olhei nos olhos dele por um momento. Sentia que estava começando a suar e desviei. Passei as costas da mão na testa.

ㅡ Você quer mesmo dançar, Jeon? ㅡ concordei com a cabeça. 

ㅡ Eu… Eu só não sei como. Não sei dançar. Mas… quero… quero dançar com você.

Jimin sorriu e andou até mim. Bebi mais água e segurei sua mão quando ele a estendeu. 

O calor dele não pareceu demais desta vez. Não senti vontade de chorar, não tremi nem quis fugir. Olhei para a mão dele segurando a minha e tentei deixar a mente vazia.

O que Jihyo estaria fazendo agora? E Yoongi? E papai? Eu tentava pensar nisso. Se eu pensasse no que estava fazendo tudo se desfaria diante dos meus olhos. Ele pediu que eu olhasse pra ele. Espremi os olhos com força antes de abri-los. Jimin estava calmo, tinha um sorriso pequeno e uns fios de sua franja caíam nas lentes dos óculos. Ele colocou minha outra mão em seu ombro e segurou minha cintura. Olhei o chão. Meu corpo estava queimando. Mordi o lábio outra vez. Eu estava suando? E se Jimin visse? Foi um erro. Por que pedi por isso? O ar sumiu de mim outra vez.

ㅡ Podemos parar quando você quiser.

ㅡ N-não… Eu tenho que fazer dessa vez. Eu quero… Eu só… Eu só tenho que focar.

ㅡ Focar não, Jeon. Relaxar. Relaxe. Ok? ㅡ assenti. ㅡ Jihyo é sua irmã, certo? Ela mora com você? ㅡ ele perguntou. Conduziu meu corpo para a esquerda.

ㅡ Sim, mas ela não mora comigo. Ela mora em Busan. 

ㅡ Mesmo? Eu nasci em Busan.

Fomos para frente, para trás. A mão dele era quente e aquecia minha cintura. Os olhos dele estavam fixos nos meus. Eram tão pequenos e os meus eram tão grandes…

ㅡ Eu também. Meus pais são de Busan. Nos mudamos pra cá há uns anos. Eu e meu pai.

ㅡ Sua mãe e irmã não?

Ele segurou minha mão no alto e me girou. Ri quando ele me pegou e voltamos a mesma posição de antes.

ㅡ Não. Meus pais se divorciaram e eu e meu pai viemos pra Daegu, minha mãe e Jihyo ficaram em Busan. Mas ela morou com a gente por um tempo.

ㅡ Ela já faz faculdade, certo? 

ㅡ Sim. Ela cursa advocacia.

ㅡ Entendi. Já sabe o que quer cursar?

Jimin me girou mais uma vez, eu ri mais uma vez. Ele ficou atrás de mim e segurou minhas mãos, me levava para os lados e mexia meus braços. Eu sentia que estava fazendo desenhos no ar e ria.

ㅡ Não tenho certeza. Acho que botânica. Quero cuidar da floricultura com meu pai.

ㅡ Ah, vai estudar mais biologia? ㅡ rimos. Jimin ficou de frente pra mim, segurou minha cintura novamente e eu coloquei as duas mãos em seus ombros.

ㅡ Sei que é um pouco irônico, já que eu sou horrível em biologia… Mas gosto das flores. Meu pai diz que levo jeito com elas.

ㅡ Você me atendeu muito bem no dia que eu fui. Acho seu pai está certo.

ㅡ Obrigado. ㅡ enrubesci com o elogio. ㅡ A-ainda vai pegar sua flor?

ㅡ Ah, sim! Anda tudo tão corrido que esqueço. Essa semana passo na floricultura.

Assenti com a cabeça. Jimin tinha movimentos tão leves. Eu não sabia o que fazia, mas tentava imitar ele. A música que estava tocando agora era a mesma que tocava nos fones dele ontem. 

ㅡ Que música é essa, hyung?

ㅡ Best part. Uma das minhas favoritas.

ㅡ É bonita. Todas as suas músicas são. ㅡ ele sorriu e eu desviei o olhar.

ㅡ Obrigado. Acho que elas combinam com nossas aulas. Não concorda? ㅡ assenti.

ㅡ Elas me deixam calmo, hyung.

ㅡ Não precisa me chamar de hyung. ㅡ riu. Giramos mais uma vez.

ㅡ Me sinto mal se não chamo, hyung. ㅡ Ele riu mais uma vez. Sorri, sem jeito.

ㅡ Eu tenho só 21, sabia? Escuto algumas músicas antigas e uso roupas velhas mas não sou tão idoso assim. ㅡ rimos. Ele segurou minha cintura com as duas mãos e apoiou o queixo no meu ombro. Fiquei nervoso.

ㅡ A Jihyo também tem 21, hyung. Não acho vocês velhos. 

ㅡ Eu sei.

A respiração dele batia no meu pescoço. A música acabou, o silêncio ficou no ar por alguns segundos. Notei as mãos de Jimin ao meu redor. Eram pequenas.

ㅡ Suas mãos são bonitas, hyung.

Jimin riu mais uma vez, me girou e me deixou de frente pra ele. Ainda segurava minha cintura. Outra música tinha começado.

ㅡ Você é todo bonito, Jeon.

Meu rosto esquentou muito e senti minhas pernas fraquejarem. Engoli em seco, minha voz quase não saía. Meu coração acelerou.

ㅡ Você também é muito bonito, hy-yung.

ㅡ Mesmo? ㅡ concordei com a cabeça. ㅡ Obrigado, Jeon.

O alarme do celular de Jimin soou. Era hora de irmos. Me separei dele e comecei a guardar minhas coisas. Meu rosto ainda queimava e eu me sentia estranho. Mas não estava passando mal, estranhamente não estava.

ㅡ Vamos? Te dou carona.


{...}


ㅡ Amanhã estudamos mais o que for cair na prova, em específico. Eu tenho uma noção do que é e de como começar, mas é bom se você prestar bastante atenção na aula pra me dizer do que a professora falava. Pode ter algo fora do meu plano.

ㅡ Sim. Não vou esquecer, hyung. Obrigado pela carona.

ㅡ De nada, Jeon. Até amanhã.

ㅡ Até, hyung.

Sorri e saí do carro. Acenei pra ele do lado de fora. Ele sorriu grande e ligou o carro.

ㅡ Seu sorriso é lindo, Jeon. Me mostre mais vezes.

Não soube o que responder e só vi o carro ir. Meu rosto estava quente e eu comecei a suar de novo. Mas me sentia contente também.

Seu sorriso também é lindo, hyung.

Eu diria amanhã.

Entrei em casa, Jihyo estava sentada na mesa, via algo em seu notebook. Yoongi não estava ali e estranhei isso. Ele sempre passa o dia todo aqui quando Jihyo está.

ㅡ Yoongi foi pra casa?

ㅡ Sim. Os pais saíram, ele tem que olhar as crianças. Aliás, faz um tempo que não vejo Sana e os irmãos dele. Nem aquele restaurante bonito perto da casa dele. Que tal passarmos lá? Damos um oi a todos e jantamos depois, no restaurante.

ㅡ Tudo bem. Agora?

ㅡ É, agora mesmo. Vai tomar um banho! Xô, xô!

Revirei os olhos e ela deu um tapa no meu braço quando passei por ela. Deixei a mochila no chão do quarto e tirei meu celular do bolso. Tinham mensagens de Dahyun.


Dada 🌹: Oi, Jungkooook - 17:45

Dada🌹: Sem pressa nem nada, mas esse fim de semana é meu aniversário - 17:46

Dada🌹: Você vem, não vem? Por favor, não esqueçaaaaaaaa! Preciso que você venha - 17:46


Eu: Não vou esquecer!!!!!! Vou sim, não se preocupe - 18:15


Deixei o celular de lado e fui tomar banho. Não podia esquecer de separar algumas rosas bonitas para dar á Dahyun. Eu tinha dinheiro guardado para um presente, mas eu sempre dava uma flor a ela também. Nos conhecemos na floricultura, passamos a maior parte do tempo juntos lá, todos os nossos assuntos nasceram em meio às flores. Elas eram especiais. Esperava que Dahyun gostasse do meu outro presente também. Mesmo que eu não tivesse certeza ainda de qual seria.

A água quente caiu na minha cabeça, escorreu pelo meu peito e minha cintura. Minha cintura… Jimin a tinha segurado.


{...}


ㅡ Sua vagabunda! Como ousa pisar em Daegu sem me avisar?! ㅡ Sana exclamou, alto, abraçando Jihyo quando entramos na casa dos Min.

ㅡ Eu queria fazer surpresa! ㅡ Jihyo respondeu, deixou um beijo no nariz de Sana.

ㅡ Se eu soubesse que você vinha teria tirado meu pijama e vestido uma roupa de marca!

ㅡ Cala a boca! ㅡ Jihyo riu, puxando a amiga para outro abraço.

Eu passei por elas e fui até Kyungseok, o mais novo dos irmãos de Yoongi, e o cumprimentei. Ele é muito quieto, só me mostrou um sinal de positivo e me abraçou rápido. Jae, o segundo mais novo, correu em disparada até mim quando me viu. Estava só de calção e camisa, sem sapatos, mesmo com todo frio que fazia.

ㅡ Jungkook, meu irmão! Que saudade! ㅡ abraçou minhas pernas.

ㅡ Também senti a sua. Onde está Yoongi?

ㅡ Quem? Não conheço.

ㅡ Jae! ㅡ ri e bati na cabeça dele. Ele bufou.

ㅡ Ele está na cozinha, fazendo o jantar. Eunwoo está ajudando. Vem, eu te guio!

Jae saiu me puxando pela mão até à cozinha como se eu não tivesse estado ali milhões de vezes. Yoongi estava mexendo em mil panelas, enquanto Eunwoo cortava alguns legumes na mesa. Tinha muita fumaça e cheiro de comida.

ㅡ Mano, meu mano chegou. ㅡ Jae avisou.

ㅡ Eu ouvi a gritaria da Sana quando Jihyo entrou e, também, vi quando você largou a panela que pedi pra segurar pra mim, pra ir ver o Jungkook! Seu irresponsável do caralho! É assim que você quer ter uma vida? Largando seu irmão em meio às panelas? Você sabe que Eunwoo tenta, mas o único forte dele é a beleza! No resto ele é um cu e tu ainda me deixa aqui com ele! 

Ele reclamava, apontando para o irmão com uma colher. Estava usando um avental e um pano de prato no ombro. Eu achava cômico e fofo quando ele repreendia os irmãos. Eunwoo fez bico quando ouviu o que Yoongi falou dele. Acenei pra ele, que fez um coração com as mãos pra mim.

ㅡ Ai, olha, eu nem me surpreendo mais. Isso é bem coisa tua, bem coisa da Sana! Foi ela quem você puxou! Dois vagabundos que não me ajudam em nada! E por que eu estou perdendo meu tempo discutindo? Vem aqui pegar essa panela antes que eu te cozinhe e te dê para os cachorros comerem!

ㅡ Ai, hyung! Você é muito estressado! ㅡ Jae reclamou, indo pegar a panela que Yoongi pediu.

ㅡ E como que eu não vou ser? Hein? Me diz como não vou ser se eu que faço tudo sozinho nessa merda de casa? E não faz cara de choro pra mim que eu te deixo sem comida também! ㅡ bateu nele com o pano de prato. Bufou, olhou pra mim. ㅡ Oi, Jungkook. Jihyo queria ver a Sana? ㅡ assenti. Yoongi mexeu as batatas na frigideira.

ㅡ Fazia muito tempo que elas não se viam. Jihyo quer ir comer naquele restaurante da esquina, então acho que não vamos jantar aqui. Mas posso ajudar se você quiser.

ㅡ Ah, você pode segurar essa panela pro hyung! ㅡ Jae falou, me mostrando a panela. Yoongi bateu nele.

ㅡ Deixa de ser aproveitador! O Jungkook é de casa, mas não é teu escravo, cacete! Você ajudaria muito se cortasse salada junto com o Eunwoo, Jungkook. Ele demora muito.

Concordei e fui até Eunwoo, o último irmão mais novo. Kyungseok é o mais novo de todos, com 6 anos, Jae tem 11 e Eunwoo tem 15. Yoongi tem 3 irmãos, sem contar a Sana, que tem a idade de Jihyo. Ele cuida de todos eles porque a Sana é muito desajeitada e despreocupada. Os pais de Yoongi não confiam muito nela, então sobra tudo pra ele.

ㅡ Oi, Jungoo. Fazia tempo que você não vinha. ㅡ Eunwoo disse, quando me aproximei dele e comecei a cortar tomates.

ㅡ É. Yoongi vive lá em casa, então eu nunca tenho chance de vir.

ㅡ Ele gosta de ir pra se livrar da gente. Não me magoa, mas é verdade. ㅡ ri e toquei o ombro dele.

ㅡ Ele ama vocês. Você sabe.

ㅡ E você, Eunwoo, sabe que o Jungkook não tá na sua. Então nem comece a se jogar pra cima dele e corta essa salada! ㅡ Yoongi ralhou, mexendo o macarrão em uma panela grande.

Eunwoo ficou vermelho e murmurou "Hyuung!" para Yoongi, que respondeu com: "Hyuung nada! Para de viadagem, que quem tem que te aguentar falando de como o "Gukkie" é isso e aquilo sou eu! Então trate de parar de babar pelo Jungkook e cortar essa salada, ou eu vou aí cortar você!"

Eunwoo bufou e fez bico, voltando a cortar tomates. Fiquei sentido pela carinha de triste dele.

ㅡ E você não console ele, Jungkook! Você está aqui pra cortar salada e ser meu confidente, não pra consolar menino iludido!


{...} 


Saímos da casa de Yoongi um pouco antes do jantar, Jihyo e Sana já tinham conversado, além de todos os meninos terem matado a saudade dela também. Nos sentamos em uma mesa, pedimos a comida e esperamos. Era um restaurante com paredes de vidro, tinham cadeiras do lado de fora, podiam ser vistas do lado de dentro. Eu e Jihyo sentamos numa mesa no canto, perto dos vidros. Ela estava quieta, olhava para o nada e às vezes mexia no cabelo. Não tinha tomado nenhum gole de sua cerveja ainda.

ㅡ Você sente fala dela? ㅡ questionei. Ela respondeu "hm?" ㅡ Da Sana. Sente falta?

ㅡ Não, é passado. Só… ㅡ sorriu. ㅡ Fazia tanto tempo que não falava tanto com ela. E ela ficou tão bonita de cabelo loiro! ㅡ sorri e concordei com a cabeça. ㅡ Tipo, é impossível não se sentir rendido. Não sinto falta daquela época, só… só dela. Dela. Dela eu sinto. ㅡ sorriu e bebeu um pouco da cerveja. ㅡ É bom saber que ela está bem. Ela está namorando aquela menina que estuda jornalismo com ela, aquela que encontramos uma vez na rua e elogiou seu cabelo. Lembra? ㅡ assenti.

ㅡ Mina.

ㅡ Mina. ㅡ suspirou. ㅡ Nostalgia. ㅡ fechou os olhos e bebeu mais cerveja. ㅡ Mas e você? Não namorou ninguém no tempo que estive fora? A sua menina da floricultura, como estão?

ㅡ Você sabe que eu não gosto da Dada assim.

ㅡ Sim, mas sentimentos mudam. E ela ainda é tão caidinha por você… 

ㅡ Já superamos isso. Estamos bem sendo só amigos.

ㅡ Se você diz. E o Eunwoo?

ㅡ Noona, pelo amor de deus! Ele é irmão mais novo do Yoongi! Ele tem 15 anos! Eu me sinto um pedófilo só de pensar! ㅡ enfiei o rosto nas mãos. Ela riu.

ㅡ E o Jimin?

Congelei, tirei as mãos do rosto e a encarei.

ㅡ Como assim?

ㅡ É, e ele? Não tem nenhum tipo de interesse? Não tem que ser romântico. Tesão também existe.

ㅡ Ji! ㅡ amassei um guardanapo e joguei nela. ㅡ Você sabe que eu não sinto essas coisas! Vamos mudar de assunto. 

Tomei um gole do meu suco de manga. Meu rosto estava quente e eu queria que a comida viesse logo.

ㅡ Tá, mas, poxa, eu sou irmã mais velha! Eu existo pra futricar a sua vida e te envergonhar! Você trouxe o assunto da Sana, eu tenho direito de trazer um também!

ㅡ Mas eu não tenho vida amorosa, noona! As únicas pessoas que eu vejo são Yoongi e Dahyun. Os dois são meus amigos.

ㅡ E o Jimin.

Bufei. Suguei o canudinho, acabei com metade do suco do copo. Comecei a brincar com as mãos. A comida veio; nós agradecemos e começamos a comer.

ㅡ Falar dele te deixa desconfortável? Você fica tenso quando eu menciono ele. 

Jihyo sempre sabia o que eu estava sentindo, até quando eu não sabia. Gostaria que ela não soubesse, não sempre. Aí não se preocuparia tanto. Suspirei e comi um pouco da minha batata assada.

ㅡ Você sabe que pode me dizer quando algo te incomoda. Eu não vou brincar com algo que te machuca.

ㅡ Não é isso… É… É que… ㅡ mordi o lábio. Ela tocou minha mão. Suspirei. ㅡ Yoongi… Yoongi acha que ele dá em cima de mim às vezes. Mas eu não entendo nada de flerte e fico muito confuso. Não sei como interpretar o jeito como ele me trata. Tenho medo de confundir tudo. 

ㅡ Já falou com ele sobre isso?

ㅡ Não. Mal consigo falar perto dele às vezes. Ele é tão… grande.

ㅡ Você é mais alto que ele, Jungkook.

ㅡ Não! Não grande assim! Grande, Ji! Como pessoa. Ele é muito grande. Me deixa sem ar.

Ela mordeu a borda do copo de cerveja. Os lábios formavam um sorriso contido e ela ficou em silêncio. Comi mais batata e perguntei "O quê?" de boca cheia.

ㅡ Você gosta dele.

Quase não mastiguei o pedaço de batata, por pouco não engoli inteiro. Enrubesci e encarei a comida, tomei mais suco. Me sentia com febre. Como ela podia sugerir algo assim?

ㅡ Você gosta. Sabe que gosta. Não está apaixonado, mas gosta. Não notou ainda ou só não quer admitir?

Não sabia como responder. Lambi os lábios e puxei as mangas da camisa. Eu não sei o que sinto por Jimin. Não tenho nada contra gostar dele, só… só é estranho pensar que gosto de alguém. Logo alguém como ele! Alguém tão… grande! Meu deus! Cobri o rosto com as mãos de novo e bufei. Logo alguém como ele…

ㅡ Maninho?

Descobri o rosto e cortei a batata no prato. Meu coração estava mais calmo, mas pensar no que Jihyo havia dito fazia ele ficar todo nervoso outra vez. Gostar do Jimin hyung… logo do hyung!

ㅡ Logo do hyung, noona? Por que sou tão idiota? 

ㅡ Então gosta mesmo? ㅡ sorriu grande, animada. Encheu a boca com bolinho de arroz. ㅡ Fico feliz por você! Jimin parece ser legal. Mesmo que ele não goste de você, não vai te magoar.

ㅡ Meu deus, noona! Nem fala disso. Não fala que ele pode gostar de mim. Isso me deixa com dor de barriga.

ㅡ Você prefere ter um amor unilateral, então? Nada contra. Só achei que você esperaria algum retorno.

ㅡ Eu nem sei como digo bom dia pra ele, Ji! Imagina se sei o que espero ou não! ㅡ passei a mão na testa. Estava nervoso. ㅡ Eu não espero nada. Eu… Eu só quero aprender biologia nesse momento. Talvez eu nem veja ele mais depois disso, e tudo passe. Não quero me precipitar. Só de pensar já começo a suar.

ㅡ Tudo bem, calma, calma. Não tem que pensar nisso agora. Vamos mudar de assunto antes que piore. Vai ir mesmo comigo até a casa da mamãe da próxima vez?

ㅡ Sim, acho que sim, mas… quero… Quero falar uma última coisa antes de mudar de assunto. ㅡ ela concordou com a cabeça. ㅡ Eu… Eu dancei com ele hoje.

O bolinho de arroz caiu dos hashis dela. Ficou me olhando, sem dizer nada. Mal piscava. Aquilo me deixava ainda mais sem jeito.

ㅡ E… Como foi?

ㅡ Bom. Foi… bom. Eu me diverti.

Jihyo abriu um grande sorriso e segurou minhas duas mãos. Suas mãos estavam quentinhas, suas unhas grandes me arranharam um pouco, sem machucar. Ela respirou fundo.

ㅡ Sei que você nem percebeu direito, mas isso foi um grande, um grande passo, Jungkook! Você está sempre se superando e nem nota… Você está progredindo, Jungkook. De verdade! Não tenha medo! Não tenha medo de amar. Não tenha medo de tudo dar errado! Não tenha. 

Ela respirou fundo e bebeu mais cerveja. Não sabia bem aonde ela queria chegar, mas estava animada e eu gostava de ouvir. Jihyo sempre tinha bons conselhos.

ㅡ Sei que você tem seus medos e inseguranças, sei que não são pequenos e te machucam. Mas eles são uma parte, só uma, uma parte de você. Tem todo o resto de você. Todo o resto maravilhoso! Você todo merece ser amado, Jungkook. Suas fraquezas merecem amor, seus defeitos merecem amor. Você merece amor. Merece dar amor, receber amor. Então não tenha medo disso! Ame em segredo, conte pra tudo mundo, faça o que quiser! Só… ㅡ acariciou minhas mãos. ㅡ Só não deixe que seu medo te impeça de fazer as coisas que quer e viver as coisas que merece. Eu te amo. Eu te amo e só quero que você fique bem. Não quero dirigir de volta pra casa com medo de como você ficou. 

Teve silêncio, Jihyo fungou. Senti meus olhos ficarem molhados também. Ela passou as costas da mão direita nos olhos. Piscou algumas vezes e olhou pra mim.

ㅡ Você já está grande, Jungkook. Tão, tão grande! Você não é mais o menininho que corria pra minha cama no meio da noite. ㅡ soltou minhas mãos e passou as suas nas bochechas. Não conseguia manter o rosto seco. Eu também não. ㅡ E cada vez que te vejo fico tão mais orgulhosa, tão mais feliz, te amo tão mais. E sei que você não deve ver assim, mas… Às vezes sinto que não te acompanho. ㅡ sorriu, seus olhos já estava vermelhos. ㅡ Você cresce tão rápido e às vezes você fala coisas como "Dancei com ele hoje. Foi bom. Eu me diverti" e eu fico, eu fico… Ahh! Eu fico sem reação. Porque ainda acho que você é meu maninho, meu pequeno Jungkookie. E você sempre vai ser, mas só pra mim. Eu, papai, mamãe, Yoongi, todos sabemos como é difícil pra você. Mas todos nós, te garanto, todos nós nos surpreendemos com você. Porque ainda achamos que você é indefeso e pequeno. Mas você não é. Você também é grande, Jungkook. Você é uma das pessoas mais grandes que eu conheço. Não se subestime.

Ouvir de alguém como Jihyo que eu era uma grande pessoa era algo sem tamanho, sem peso, sem cor. Não tinha definição. Ver alguém como ela me amando tanto e me vendo de um jeito tão incrível me emocionava. Eu deixei a comida de lado e andei até ela, a abracei com força e chorei. Chorei de tanto que a amava, de tanto que estava agradecido, chorei na falta de palavras. Ela sabia, ela sempre sabia. Acariciou minhas costas e fez carinho no meu cabelo. O calor dela ainda era tão aconchegante, o cheiro dela ainda era o cheiro dela. 

ㅡ Eu te amo, noona.

ㅡ Eu sei. Também te amo, meu dongsaeng. Muito. Mas vamos acabar o jantar. Temos que comer antes que esfrie!

Eu concordei e ela beijou minha testa. Me sentei novamente e continuamos comendo. Jihyo devia estar certa, eu confiava nela. Eu não me via como alguém grande, mas devia aproveitar as coisas boas que eu tinha, sem medo, sem duvidar de mim. Devia fazer mais as coisas que eu queria. Mesmo que fosse difícil, eu devia me dar mais tempo pra me divertir. 

Mais tempo para amar, mais tempo para…

Mais tempo para dançar.

Mais tempo para entender e aproveitar o que quer que fosse que eu sentia pelo Jimin hyung. 

Eu não era mais tão pequeno e merecia mais vida do que estava tendo. Eu merecia mais… mais…

Hyung? Talvez mais hyung? 

Talvez mais hyung.

Hyung… Eu ainda tinha que dizer que ele tinha um sorriso bonito. 

Eu ainda tinha que dizer que ele tinha um sorriso bonito.

Espere um pouco, Jimin hyung, só um pouco. Eu ainda tenho muita coisa pra dizer.


Notas Finais


Link da fanfic no wattpad: https://my.w.tt/UxdNZsqZr5
Link de uma foto do Eunwoo, porque ele é o Eunwoo do Astro: https://pin.it/7LY25pY
Menino lindo, lindo.
Foto da Sana, caso não conheçam ela: https://pin.it/1po2rWJ
E ATÉ MAIS! 💙


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