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História Perfect - Capítulo 8


Escrita por: vanelope-stars

Notas do Autor


Jesus, eu realmente não demorei tanto. Tô assustada KKKKKKKK
Eu amei tanto, mas tanto esse capítulo. Como sempre: eu não tenho o que dizer.
Aproveitem🌈💙

Capítulo 8 - O Amor É Natural.


Minha semana havia sido um pouco mais movimentada que de costume. Alguns acontecimentos nem foram comigo, mas me envolveram. Passei toda a noite de terça conversando com Jihyo sobre ela, sobre a faculdade, sobre a escola, sobre tudo. Dormimos juntos e ela fez um café da manhã especial pra mim quarta de manhã.

Estudei muito com Jimin na quarta, para a prova de quinta. Revisamos tudo e eu errei pouquíssimas coisas, então estava animado. Jimin me deu um pirulito de laranja como recompensa. Me senti sem jeito e perguntei se devia chupar aquele com vontade também. Ele riu e disse que sim. Me esqueci de dizer que ele tinha um sorriso bonito. 

Quinta, Yoongi foi a festa com Taehyung e encheu minha galeria com fotos dele usando chapéuzinho de festa, comendo bolo, com cara de tédio, sorrindo e uma fazendo cara de nojo pra uma criança que esbarrou nele. A legenda era: "Encostei no lixo". Ele e Taehyung flertaram, de acordo com ele, e eu recebi todos os detalhes por mensagens.

Quinta também foi o dia da prova de biologia, e quando a professora perguntou se eu tinha estudado eu percebi o quão péssimo eu devia estar em biologia. Eu disse que sim e ela me desejou boa sorte. Pedi pra tomar um copo d'água e passei um tempo fora da sala. Tomei água e respirei fundo até minha mente ficar vazia. Eu estava suando e tinha medo de esquecer tudo que tinha estudado, porém fiz a prova e me senti aliviado quando terminei. Não achei que tinha ido tão mal, mesmo não tendo certeza. 

Yoongi me abraçou na hora do almoço e disse que eu tinha ido bem. Ele também estudou comigo há alguns dias e disse que eu tinha melhorado. Jimin me viu no almoço e perguntou como havia sido. "Eu não sei… mas acho que não foi ruim. Espero estar certo." eu disse. Jimin falou que achava que tinha dado tudo certo. Também disse que podíamos dar uma pausa das aulas naquela semana para que eu descansasse. Não o vi mais depois daquilo. Passei todo o resto daquele dia com as músicas dele na minha cabeça.

Sexta, Yoongi, Jihyo e eu fomos ao cinema, comemos em uma lanchonete que gostamos e cantamos músicas no carro de volta pra casa. Sábado de tarde, Jihyo e eu fomos comprar presentes para o aniversário da Dada, que é hoje, domingo, porque sábado de noite ela voltaria para Busan. Ela comprou um disco de uma banda de rock que Dada gosta. Rodamos a cidade toda até achar. Eu escolhi como presente algo que achei que Dahyun gostaria, que combinava com ela. Não comprei, é algo que eu já tinha. E ela também ganharia seu buquê de rosas de praxe, que não podia faltar.

Na noite de sábado Jihyo voltou para Busan. Conversamos bastante antes de ela ir. Senti saudades antes do carro virar a rua.

Hoje eu acordei mais tarde e vim à floricultura. Aos domingos abrimos só de manhã e eu deixo meu pai de folga. Dahyun também geralmente me acompanha.

ㅡ Minha mãe disse que vamos ter bolo de morango. Você gosta de morango, não é, Jungkook? Eu prefiro limão, mas minha mãe não me deixou escolher. Acredita nisso? Eu não posso escolher meu próprio bolo! Ai, não aguento. Mas você gosta de morango, né? Ou vamos os dois formar a rebelião do limão?

ㅡ Rebelião do limão, Dada? Como foi que acabamos falando disso? ㅡ ri. Estava limpando o chão enquanto Dahyun checava algumas coisas no computador e reclamava sobre a crise do bolo.

ㅡ Você me perguntou se eu estava animada, oras.

ㅡ Não sabia que a reposta para "Você está animada?" era "Minha mãe não comprou o bolo que eu queria. Vou fazer uma rebelião por limões".

ㅡ Você nunca está do meu lado. ㅡ fez bico e deitou a cabeça no balcão. Ri e apertei a bochecha dela.

ㅡ Jeon?

A voz de Jimin surgiu de repente e o encarei um tanto assustado. Eu fico sem jeito sempre que ele aparece. Mas quando ele aparece de repente é pior. Pigarreei e fui atendê-lo.

ㅡ Olá, Jimin! Veio buscar sua flor?

ㅡ Sim. Quase me esqueci outra vez. Ela ainda está aqui? 

ㅡ Está sim. Espere! ㅡ fui até atrás do balcão e peguei alguns papéis com informações sobre a flor e o pedido de Jimin. Dahyun tinha voltado e mexer no computador, tentando manter a imagem. ㅡ  Ela está lá trás. Venha comigo.

Apontei para uma porta no canto direito, perto do balcão, e Jimin me seguiu até lá. Ele estava com roupas diferentes, não parecia tão formal. Uma camisa de lã vermelha e uma calça jeans preta. Sapatos pretos, bonitos, brilhantes. Eu senti o perfume dele quando ele passou a andar ao meu lado e o ar faltou. Ele estava tão elegante. Mesmo sendo tão simples... ele estava tão elegante. Como ele podia ter um porte tão impecável? Eu usava uma camiseta listrada junto de um macacão azul e o avental verde da floricultura. Minhas meias apareciam e tinham desenhos de baleias. Eu usava meus tênis amarelos e meus brincos com cerejas. Me sentia infantil.

ㅡ Me perdoe pela demora, passo muito tempo trabalhando.

ㅡ Não tem problema. ㅡ assenti com a cabeça pra ele, que sorriu. Estávamos na metade do caminho, entre algumas prateleiras, e eu parei. Ele deixou de andar também e me esperou. Lambi os lábios. ㅡ Seu sorriso também é lindo, hyung. ㅡ ele pareceu surpreso, mas sorriu grande. ㅡ Você me disse aquele dia, disse que meu sorriso era bonito. O seu também é, hyung.

ㅡ Você acha? ㅡ concordei com a cabeça. ㅡ Obrigado, Jeon.

Ele deu um passo a frente, puxou minha nuca e beijou a minha testa. Quando os lábios dele tocaram a minha pele meu corpo congelou. Meu coração começou a bater muito rápido, meus olhos saltaram. Quando ele se afastou e sorriu novamente pra mim, minhas mãos vacilaram e derrubaram os papéis que eu segurava. Eu me abaixei e comecei a juntá-los imediatamente. Jimin se abaixou a minha frente para ajudar. 

ㅡ Não precisa, eu posso pegar. ㅡ falei. Minha voz estava mais tremida do que eu queria.

ㅡ Eu quero ajudar. Tome. ㅡ ele juntou alguns papéis e se levantou. 

Quando fiquei de pé também, ele puxou minha mão e colocou os papéis que tinha recolhido sobre ela. Sentir seu toque outra vez me fez suspirar alto, alto o bastante para ele ouvir e eu ficar ainda mais constrangido do que já estava. Passei a mão na testa e agradeci pela ajuda.

ㅡ Vamos, é logo ali. ㅡ disse e Jimin concordou.

Fomos até a prateleira com a planta dele. Ela estava em um vasinho preto; ainda era bem pequenininha. Deixei os papéis que carregava no bolso do avental e peguei a flor.

ㅡ Ela ainda é bem novinha, então preste atenção no crescimento dela. E ela não vai com o vaso, vai embrulhada em papel, mas nós vendemos vasos também. Se quiser comprar, temos muitos modelos mais lá no fundo.

ㅡ Acho melhor comprar um, vai ser mais fácil de levar no carro.

Assenti e deixei a flor na prateleira. Fomos ainda mais no fundo, na parte de trás onde tem um grande jardim. Lá dentro ficam as flores encomendadas ou as mais vendidas, no jardim ficam todas as outras. Os vasos ficam bem ao lado; de vários tamanhos e cores. Pega bastante sol ali e as plantas adoram.

ㅡ A Cosmos cresce muito, então é melhor que o vaso seja temporário. Um jardim seria o ideal. Mas veja um bom lugar pra ela. Você mora em apartamento? Vai ser mais difícil assim. ㅡ perguntei enquanto andava até os vasos pequenos.

ㅡ Não, não. Eu me mudei recentemente pra uma casa no interior da cidade. Por isso demorei tanto pra vir, também. Muito trabalho com a mudança. Eu já tenho algumas plantas, mas quero ter mais na parte de trás de casa. Eu tenho bastante espaço pra jardim.

ㅡ Ah, assim que é bom! Elas têm mais espaço pra crescer. ㅡ sorri ao pegar alguns modelos de vasos. ㅡ Os pequenos são assim. Tem vermelho, azul, amarelo e verde. Temos apenas de plástico.

ㅡ Quero um vermelho. Como seus brincos.

ㅡ A-ah… certo. ㅡ não soube o que dizer mais uma vez e tive medo que ele dissesse "vermelho como seu rosto." Entreguei o vasinho a ele. ㅡ Gostou desse?

ㅡ Sim. Quanto é?

Falamos brevemente sobre o preço e eu expliquei a ele alguns cuidados básicos com a Cosmos, ele já entendia um pouco por ter outras flores. Eu sentia que ele encarava meus brincos e isso me deixou muito nervoso. Imaginei que ele só devia estar estranhando, pois não posso usar eles na escola. Os professores não gostam.

Andamos novamente até a parte de dentro onde estava a planta dele. Ele estava tão calmo, tão sorridente e parecia tão… inabalável e… Não sei! Tão natural… Como se estivesse em harmonia com tudo a volta dele. Isso me deixava tão…

ㅡ Aqui, coube direitinho. ㅡ disse após encaixar a mudinha no vasinho vermelho. "Perfeito" ele disse. ㅡ Sim, é uma flor linda.

ㅡ Eu não estava falando da flor.

Senti tudo esquentar e minhas mãos tremerem novamente. O olhei de canto, rápido. Ainda calmo, ainda inabalável. Como eu posso ser tão desestabilizado? A gente contrasta demais.

ㅡ P-pare. Vou acabar derrubando a flor.

ㅡ Desculpe. ㅡ sorriu.

ㅡ Bom, agora você paga no caixa com a Dahyun.

Voltamos até a parte principal da floricultura. Dahyun estava atendendo um cliente, então eu agilizei tudo para Jimin. Dei a ele os papéis com informações sobre sua planta junto de um panfleto com o número da floricultura. Ele pagou e eu dei a ele a muda dentro de uma sacola de papel.

ㅡ Jungkook, posso falar só com você um momento? ㅡ ele perguntou após pegar a sacola. Dahyun nos observou de canto. Eu concordei, ainda que estivesse nervoso.

ㅡ Tem alguma dúvida? ㅡ perguntei quando paramos do lado de fora, na calçada. Alguns clientes entraram. ㅡ Podemos ser rápidos? Não quero deixar a Dahyun sozinha.

ㅡ Não se preocupe, só vim avisar que vou viajar esta noite para Busan e volto quarta ou quinta, se tudo correr bem. Não poderei estar na escola, então nossas aulas vão parar por uns dias.

ㅡ Ah, certo. Tenha uma boa viagem e se divirta em Busan! Quando você voltar, me procure na escola. Se você quiser e tiver tempo para as aulas, claro. ㅡ lambi os lábios com medo de ter me expressado mal. Ele riu e colocou a mão no bolso.

ㅡ Esse é o segundo motivo para eu ter vindo aqui. ㅡ tirou um papel do bolso e me entregou. ㅡ Meu celular. Não terei que te procurar. Me ligue, Jeon.

Jimin sorriu e abriu a porta do carro, colocou o vaso de flor no banco da frente e sentou ao volante. Tudo enquanto eu estava paralisado com o papel na mão.

ㅡ Revemos tudo quando eu voltar. Até, Jeon.

Ele sorriu e saiu com o carro. Eu me agachei no chão e coloquei as mãos no rosto. Meu Deus, meu Deus... 

Ouvi uma buzina seguida de Jimin chamando meu nome. Olhei para cima ainda mais assustado. Meu peito se movia rápido.

ㅡ Não esqueça de estudar mesmo sem eu por aqui. Você deve ter tirado uma boa nota na prova, mas é sempre bom revisar.

ㅡ S-sim. Eu vou. ㅡ assenti com a cabeça após me levantar. Estava morrendo de vergonha. Jimin riu.

ㅡ Até daqui uns dias, então, Jeon.

Ele saiu com o carro mais uma vez e eu só entrei na floricultura depois de ver ele virar a rua.

Encarei o papel em minhas mãos com o número dele.

Deus…


{...}


ㅡ Ah, é você, Jungkook? ㅡ Sana abriu a porta e revirou os olhos. ㅡ Por que você ainda toca a campainha, garoto? É só entrar. Você praticamente mora aqui. 

ㅡ Costume, desculpe. ㅡ ela sorriu e me puxou para dentro. Me abraçou rápido e voltou a deitar no sofá. Deixei meus sapatos perto do tapete. ㅡ Onde está o Yoongi?

ㅡ Não sei. Espera aí. ㅡ pigarreou. ㅡ Yoongi! Olha o Jungkook aqui! ㅡ gritou. ㅡ Ele já vem, Kook. Pode sentar ou, sei lá, comer? Você sabe onde é a geladeira.

ㅡ Será que você pode parar de gritar? Que saco, Sana! Tem gente dormindo e eu estou limpando a cozinha! Quer que eu me assuste, escorregue e morra?! ㅡ Yoongi exclamou ao aparecer na sala.

ㅡ Que tom e tratamento são esses? Olha o respeito, menino! Eu te dei banho e te alimentei!

ㅡ Nem vem com essa, noona. ㅡ bufou e negou com a cabeça. Acenei pra ele. ㅡ Vem, Jungkook. Vamos no meu quarto.

Me despedi de Sana e segui Yoongi até o quarto dele. Estranhei as crianças não estarem correndo pela casa.

ㅡ Aonde estão seus irmãos?

ㅡ Kyungseok está na casa de um amigo, meus pais vão buscar ele depois. Jae está dormindo como o bom imprestável que é e Eunwoo está estudando pra uma prova de geografia. Não vai adiantar nada, porque ele é um idiota. Então vou tentar salvar ele depois. Afinal, o que seria dessa família sem mim?

ㅡ Nada. Você é a cola que mantém todos eles juntos. ㅡ ri ao entrarmos no quarto dele. ㅡ Não quer ajuda pra limpar a cozinha? Não quero atrapalhar.

ㅡ Não, relaxa. Já fiz quase tudo. E você não viria até aqui se não fosse importante demais. Então senta na cama e conta!

A cama de Yoongi era pequena e aconchegante, assim como tudo no quarto dele. O quarto era pequeno, tinha a cama de solteiro no canto direito, abaixo da janela, uma cômoda com uma tv em cima, uma estante com livros e alguns brinquedos no chão. Era amarelo pastel. Amarelo era sem dúvida a cor de Yoongi. Alegre, leve.

ㅡ E aí, o que foi? ㅡ ele perguntou após eu me sentar na frente dele. Tirei o papel do bolso.

ㅡ Jimin me deu o telefone dele.

ㅡ O quê?! ㅡ tapou a própria boca com um travesseiro para não gritar. Ri. ㅡ Como assim? Quando ele te encontrou?

ㅡ Ele passou na floricultura pegar a flor e… Foi tudo muito estranho, Yoongi. Achei que fosse explodir de tanta vergonha.

ㅡ Mas o que houve? Conte logo, homem!

ㅡ Grr! ㅡ grunhi e passei as mãos no rosto. ㅡ Eu levei ele para buscar a flor e ele sorriu, e uns dias atrás ele disse que eu tinha um sorriso bonito, eu queria retribuir e disse o mesmo pra ele! Aí… Aí ele beijou a minha testa.

Yoongi travou. Mal piscava. Colocou o travesseiro novamente no rosto e abafou o grito. Eu ri, mesmo com a situação sendo trágica.

ㅡ Continue.

ㅡ Aí eu travei! Eu derrubei uns papéis no chão e ele me ajudou a pegar. Fez questão de pegar na minha mão antes de devolver e… Yoongi, foi tão… Quente.

ㅡ Quente?

ㅡ Quente. ㅡ suspirei. ㅡ Não sei se porque ele é quente ou porque eu estava ardendo em vergonha. Talvez os dois. Enfim, depois disso fomos pegar um vaso para a flor dele, ele achou melhor porque ia levar ela no carro, e ele escolheu o vaso vernelho porque era vermelho como os meus brincos de cereja. Yoongi… Ai! Eu quase desmaiei.

ㅡ Eu tô quase desmaiando e eu nem estava lá! Continua! 

ㅡ Eu só continuei fazendo o meu trabalho e tentei não derreter. Aí eu coloquei a plantinha no vaso e ele disse: "Perfeito", e quando eu falei que a flor era linda, ele… ele... 

Aquela momento passou na minha cabeça como um filme. A voz dele, suave e doce, tão próxima de mim. A luz do sol que vinha da janela sobre nós, minhas mãos tocando a florzinha, que balançava com o vento. O modo como minhas mãos tremeram. O sorriso dele, a leveza com que pronunciou as palavras. "Eu não estava falando da flor." Até agora me fazia derreter e congelar.

ㅡ Ele disse: "Eu não estava falando da flor." ㅡ Yoongi mordeu o travesseiro. Seus olhos brilhavam, os meus estavam confusos. ㅡ Eu pedi que ele parasse com aquilo, porque eu acabaria derrubando a mudinha, ele se desculpou. Achei que tudo tinha acabado, mas ele me chamou pra conversar e avisou que vai viajar, que não vai me dar aulas por alguns dias, e quando eu pedi que ele viesse falar comigo quando voltasse ele me deu o número dele! Disse que eu não teria que esperar… Disse que aquele era um dos motivos pra ter ido à floricultura. Disse que eu devia ligar. ㅡ lambi os lábios. ㅡ Me agachei no chão quando ele saiu, mas ele voltou com o carro e disse que eu devia estudar, e eu só quis morrer por ele ter me visto daquele jeito. ㅡ suspirei. ㅡ O que eu faço, Yoongi? 

ㅡ Como assim? Liga pra ele!

ㅡ Agora?

ㅡ O quê? Não, não! Liga quando quiser falar com ele ou se ele não voltar logo. Liga se quiser.

ㅡ Mas eu não sei o que dizer!

ㅡ Jungkook... ㅡ tocou meus ombros. ㅡ Jimin está mesmo dando em cima de você. E não é de leve. Se você não gosta, diga. Mas se você também tem interesse nele, só… Só faça o que quer. Só fala o que quer falar e se não tiver nada pra dizer, diga a ele que o silêncio pode durar um tempo. Só diga pra ele o que quer. 

ㅡ Mas eu não tenho certeza do que quero.

ㅡ Então… Só se pergunte o que você quer dele. Veja o que nele te agrada, não sei. Mas relaxe. Vai dar tudo certo.


{...}


Da rua eu já pude ver as luzes acesas e ouvir as pessoas falando. Tinham algumas crianças na grama ㅡ acho que os primos da Dahyun. Eles me cumprimentaram e eu fui tocar a campainha, mas a porta estava aberta e eu dei de cara com vários parentes da Dada. Não soube como reagir e me apresentei após me desculpar. A senhora Kim apareceu no meio das pessoas e me puxou pela mão.

ㅡ Jungkook! Que bom que chegou. Dahyun está na cozinha toda cabisbaixa porque você "demorou".

ㅡ Lamento por demorar, eu vim andando. 

ㅡ Não se preocupe. Ela está na cozinha.

ㅡ Certo. Obrigado.

Ela saiu e eu fui até a cozinha, desviando das pessoas e pedindo licença, cumprimentando alguns conhecidos. Dahyun estava encarando o bolo de morango e cutucando ele com uma colher de plástico. Estava com um vestido amarelo, com o cabelo solto e usava os brincos de melancia que eu tinha dado a ela um tempo atrás. Combinavam com os meus de cereja que eu ainda estava usando. Deixei meu presente em cima da mesa e ela levantou a cabeça quando viu o ramo de rosas.

ㅡ Jungkook-ah! Você chegou! ㅡ ela correu e me abraçou forte. Retribui e mexi no cabelo dela.

ㅡ Feliz aniversário, Dada!

ㅡ Obrigada. De novo, já que você me parabenizou hoje de manhã.

ㅡ Eu trouxe o presente da Jihyo comigo. E Yoongi não pôde vir nem comprar um presente, mas te mandou parabéns e disse que te paga um sorvete quando te vir da próxima vez.

ㅡ Ah! Agradeça a eles por mim! ㅡ assenti. Ela já tinha me soltado. ㅡ Minha mãe quer que eu espere a hora de abrir os presentes, depois de comer o bolo. Mas eu não concordo nenhum pouco com isso, então…

Ela pegou os presentes que eu trouxe e saiu correndo, me puxando pela mão até o quarto dela. Trancou a porta e fez um sinal para que eu fizesse silêncio. Ri baixinho e me sentei no chão do quarto. Ela nem acendeu a luz para não dar suspeitas.

ㅡ Obrigada pelas rosas, Jungkook-ah. São lindas! ㅡ ela sorriu e colocou as flores no vaso com água que estava em cima da escrivaninha. Ela sempre esperava pelas flores. ㅡ Espero que a Jihyo não tenha comprado algo caro, nunca dei nada a ela. Me sentiria estranha. ㅡ falou quando voltou a se sentar no chão e pegou o embrulho retangular com o nome da Jihyo.

Ela abriu o papel de presente pelo canto, desfez o lacinho que Jihyo fez à mão, e tirou de lá um disco. Jihyo tinha me mostrado o que era, então eu sabia que a Dada gostaria. E ela gostou. Ficou dando gritinhos por segundos.

ㅡ Meu deus! Um Abbey Road! Eu não tenho aparelho pra ouvir, mas quem liga?! Meu deus, um Abbey Road! Eu vou achar um lugar bonito pra ele!

Ela se levantou e rodou o quarto todo até achar um lugar pra expor seu disco. Dahyun é fã dos Beatles desde que sabe o que é música. Ela e Jihyo compartilham esse gosto musical, então Jihyo soube exatamente o que comprar.

ㅡ Pronto! Depois eu acendo algumas velas e rezo em nome dele! ㅡ Dahyun disse após colocar o disco de pé na cômoda, encostado na parede. Sentou outra vez. ㅡ Agora, vamos ao seu!

Eu estava um pouco nervoso. Dada é muito especial pra mim e eu queria que meu presente mostrasse isso. Ela encarou a caixa com livros e seus olhos encheram de lágrimas. 

ㅡ Jungkook… Isso é…

ㅡ São os meus livros favoritos desde que eu era criança. Aqueles que você já emprestou de mim várias vezes. ㅡ sorri e tirei um deles da caixa. ㅡ Eles já passam mais tempo na sua casa do que na minha, então já eram seus também. Espero que não ligue pra não serem novos, eu tirei a poeira deles e estão bem… ㅡ ela me abraçou de repente e fungou baixo. A abracei também e fiz carinho em suas costas. ㅡ Eu queria te dar algo que mostrasse o quanto você importa pra mim.

ㅡ Jungkook… não acredito. Tipo, fala sério… ㅡ ela me soltou e mexeu na caixa. ㅡ O Pequeno Príncipe, Contos dos Grimm… Até seu livro de botânica! Jungkook, como… Aaa! ㅡ me abraçou novamente. ㅡ Eu adorei! Eu amei! É tão… Você. É perfeito, Jungkook. Muito obrigada.

ㅡ Por nada, Dada.

Ouvimos batidas na porta e fizemos silêncio, mas a senhora Kim sabia que a gente estava ali. Ela nos arrastou até a cozinha, pois já era a hora do parabéns. Todos cantaram e abraçaram Dahyun, depois ela cortou o bolo. Comi alguns pedaços no sofá da sala, ao lado das crianças, porque a cozinha estava cheia e Dahyun tinha que dar atenção a todas aquelas pessoas também. Só voltei a cozinha na hora dos presentes. "Eu forcei o Jungkook a me deixar abrir os presentes dele antes da hora e já guardei eles, então vocês não vão ver. Eu tenho ciúme. Tragam os de vocês! Vamos! Me papariquem!" ela disse e todo mundo riu ㅡ menos a mãe dela.

Ela ganhou muitas calcinhas dos tios e tias e a cara dela me fez quase explodir de tanta vontade de rir. Ela ganhou algumas jóias também, e livros sobre botânica ㅡ porque flores são mesmo a paixão dela. Estavam todos felizes e contentes, mas eu me senti um pouco sufocado quando todos começaram a conversar. Eu não conhecia muitas pessoas, e por mais receptivos que todos sejam, eu ainda me sentia perdido. Fui para o quintal atrás da casa, apoiei os braços no muro e encarei a lua. Tinha um vento frio, mas era fraquinho. Fazia os vagalumes terem que voar para fora da grama.

ㅡ Não está gostando da festa? ㅡ Dahyun apareceu de repente e parou ao meu lado.

ㅡ Não, não é isso. Está tudo maravilhoso. Eu só me senti perdido com tanta gente.

ㅡ Ah… entendo. ㅡ ficamos em silêncio por um momento. Os cabelos dela voavam. ㅡ Foi num dia frio assim… que eu me confessei pra você. ㅡ ela olhava o céu; parecia longe. Suspirei.

ㅡ Era de manhã. Até tinha sol e havia chegado sementes novas de rosas na floricultura.

ㅡ Você se lembra? ㅡ riu. Concordei.

ㅡ Eu nunca vou esquecer, Dada. Você quase me fez desmaiar. ㅡ ela riu de novo e bateu no meu braço.

ㅡ Eu sabia que você não gostava de mim. Mas parte de mim queria acreditar que você me daria uma chance de… amar você. Foi bobo, mas eu não me arrependo. Eu ainda te amo. Você sabe, não é? ㅡ concordei com a cabeça. Encaramos a cidade iluminada. ㅡ Mas agora eu não sou a única.

ㅡ Hm?

ㅡ Seu professor. ㅡ sorriu pra mim, rápido, e voltou a olhar pra frente. Acho que não conseguia olhar pra mim. ㅡ Ele olha pra você do mesmo jeito que eu olho. De um jeito ainda mais forte, eu diria. ㅡ eu paralisei e Dahyun percebeu. Riu e deitou a cabeça sobre o braço, que estava em cima do muro. ㅡ Você não viu, não é? Você nunca percebe, Jungkook-ah. Mas eu sei como são pessoas apaixonadas. Eu me reconheço em outras pessoas. Eu me reconheci nele… e em você também. ㅡ suspirou e seu sorriso sumiu. ㅡ Você fica nervoso quando ele aparece, Jungkook. Mas não é como era comigo. Você gosta desse nervoso. Você gosta quando ele te encara de um jeito que você nunca gostou que eu fizesse. Você deixou ele amar você, Jungkook. De um jeito que nunca vai me deixar fazer. 

Algumas lágrimas desceram pelas bochechas dela. Eu não pensei em nada pra dizer. Apenas me aproximei dela, encostando nossos braços. O som das pessoas rindo e conversando lá dentro era alto, mas eu ainda pude ouvir ela chorar e ela ainda pôde ouvir o meu "Me perdoe" baixo.

ㅡ Te perdoar pelo quê, Jungkook? ㅡ riu e limpou o rosto. Passei as mangas do meu casaco em suas bochechas. ㅡ Te perdoar por ter sido tão doce quando eu me candidatei ao emprego na floricultura? Te perdoar por me dar um bom dia tão animado todo dia? Te perdoar por sempre trazer as rosas mais bonitas pra mim ou me dar de presente seus livros favoritos? Como posso te perdoar por ter feito eu te amar, Jungkook? Você fez isso sem querer, sem ver, sem nem pensar. Você só foi você e eu… só fui eu. Não tinha outro jeito, Jungkook. Não tinha. Foi natural.

ㅡ Eu gostaria de gostar de você assim, Dada. Eu juro que queria. Você é maravilhosa e merece ser amada tanto quanto você me ama. ㅡ eu estava segurando o rosto dela. Ela riu outra vez e fungou.

ㅡ Como posso não me apaixonar quando você fala coisas assim? É tudo tão natural, Jungkook! Tão natural! Tudo que vem de você é tão natural. Você é tão… etéreo.

ㅡ Vai me dizer palavras bonitas agora? ㅡ sorri. Ela segurou minhas mãos.

ㅡ Você não me ama e eu entendo, Jungkook. Tudo bem, eu posso viver com isso. Mas outra pessoa te ama agora, e você gosta dela também. E por mais estranho que isso possa ser pra mim, que achei que ficaria enciumada ou até com inveja, eu estou contente, Jungkook. Estou contente porque… Você merece isso. Porque sei que tudo que vem de você é muito sincero e não consigo me sentir mal. Não consigo. Tudo que vem de você me faz feliz, Jungkook. Esse é um dos motivos pra eu te amar tanto. O que quero dizer é: aproveite isso. Ame aquele cara como eu amo você. E deixe ele te amar, porque você pode. Pode como nunca pôde pra mim.

Eu apenas concordei com a cabeça e a abracei forte. Os cabelos dela ainda estavam voando e eu tive que dizer o quão ela estava bonita. Ela riu e beijou minha bochecha. Voltamos para dentro da casa dela e comemos o resto do bolo antes de ser minha hora de ir pra casa. Eu fui andando, já eram umas 20:00. Papai queria que eu voltasse antes das 21:00.

Enquanto eu andava pela calçada e via a cidade iluminada, me senti muito pequeno. Eu era só mais uma pessoa. Nada em mim me fazia melhor ou diferente de todas aquelas pessoas andando ao meu lado ou dirigindo seus carros. Nada me destacava. Por que Dahyun tinha que me amar? Logo a mim? Tantas outras pessoas e acabou sendo justamente eu. Ela não merece isso. Mas acho que ela está certa: foi natural. O amor é natural. Seja ele recíproco ou não, romântico ou não, o amor é natural. Não podemos impedi-lo nem mudá-lo.

Por que é tão natural que as pessoas me amem, então? Será simplesmente uma coincidência? Meus amigos, minha família, Jimin… Será que não tinha outro jeito? 

O amor é assim tão natural a ponto de ser dado e provocado por pessoas sem nenhum significado a mais? Sem nenhum motivo além? Só por… ser? Ele não é seletivo, não é escolha, não é controlado.

Perdão, então, Dahyun. Não posso impedir isso, não posso te parar. Nem mesmo mereço isso.

Perdão, Jimin. Eu gostaria de ser alguém melhor e merecer seu coração.


{...}


Falei um pouco pelo celular com Yoongi quando cheguei e contei ao meu pai sobre a festa. Ele já tinha dado um presente à Dahyun de manhã. Foi um adiantamento de salário, pois ele não sabia o que dar. Ela ficou muito feliz.

Liguei o celular.

O amor é natural. É só natural. Está em todo mundo e em todas coisas.

Fui até os contatos.

Não podemos mudá-lo, não podemos impedi-lo.

Cliquei.

E ninguém pode matá-lo além de quem o porta. Só quem carrega o amor pode matá-lo, e às vezes nem o portador consegue.

Chamou uma, duas vezes…

O amor é natural e às vezes imortal. Ele é próprio e também coletivo.

Alô?

ㅡ Alô, Jimin?

Ele é meu e também é seu, Jimin.

Olá, Jeon.


Notas Finais


Abbey Road é um disco famoso dos Beatles. Aquele que eles estão passando na faixa de pedestre.
Enfim, o que acharam??????
Até🌈💙


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