História Perfect Escape - Capítulo 11


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Categorias Ariana Grande, Christian Figueiredo, Lucas "T3ddy" Olioti, Mauro Nakada
Personagens Ariana Grande, Lucas Olioti
Tags Ação, Ariana Grande, Drama, Ficção, Lucas Olioti, Prisão, Romance, Suspense, T3ddy, T3riana
Visualizações 142
Palavras 5.446
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Luta, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá pessoas! Quase um mês sem capítulo novo hein, mas essa espera foi por causa de uma surpresinha que estou preparando para vocês rs. Enfim, aproveitem e escutem a playlist:

(Mudem a música conforme a mudança de ambiente)
•Meant to Be - Bebe Rexha ft. Florida Georgia Line
•Will I See You - Poo Bear
•Heartstrings - Jacob Lee
•Mask Off - Future
•...Ready For It? - Taylor Swift
•Colors - Halsey

Capítulo 11 - Surpresa! - Parte 1


Fanfic / Fanfiction Perfect Escape - Capítulo 11 - Surpresa! - Parte 1

A semana passou mais rápida que um foguete. Evitávamos sair de casa com medo se sermos pegos, afinal, éramos considerados “os mais perigosos do país.” Aquilo era só mais um rótulo para deixar a nossa procura mais fácil. Aos poucos me adaptei com a casa, meu quarto, não estar separada de Lucas e Jess por uma grade enferrujada. Era bom estar com pessoas que não eram tóxicas, que só queriam seu bem. Mas estava esquecendo de uma coisa:

Meus pais.

Eu estava com uma saudade enorme deles, queria ouvir suas vozes de novo, sentir o perfume de lavanda de minha mãe, o abraço de meu pai. Também sentia falta de Josh, mas não ter notícias suas era frustrante.

Ah... e Tracy. Nunca vou esquecer dos bons tempos no colegial, das nossas noites do pijama, das risadas nas aulas de física. Fui presa sem ao menos poder trancar a faculdade; fui para as grades e Tracy para uma faculdade. Mal posso esperar para vê-la e falar tudo que não falei durante esses anos.

Isso tudo em um sonho, que foi interrompido por algo pesado estar do meu lado na cama, passando a mão sob meus cabelos e os retirando do meu rosto.

Abri os olhos lentamente, não enxergava quase nada, devido a escuridão que estava. A cortina da varanda estava aberta, deixando as luzes de Los Angeles iluminarem o quarto, mesmo sendo o mínimo possível.

Um barulho insuportável começou a ecoar no quarto. Depois de alguns segundos tentando identificar o que era, finalmente vi que era um maldito despertador.

Bati várias vezes no criado-mudo que havia do lado esquerdo da cama, tentando achá-lo. Três batidas foram o suficientes para desligar aquele mini transformer infernal.

Olhei o relógio e havia esquecido:

Meia noite. 26 de junho. Sexta feira. Meu aniversário.

Tentei voltar a dormir e fingir que nada tinha acontecido, mas quando coloquei o relógio no criado mudo, acendi as luzes do quarto sem querer, levando um baita susto.

Lucas, Jess, Mauro e Christian estavam no meu quarto me observando. Que porra era aquilo?

– Surpresa! – Todos disseram em uníssono. Jess estourou um tubo de confete em minha cara, me fazendo acordar de vez.

– Mas que porra é essa? Sabem que horas são? – Perguntei, indignada por terem atrapalhado minha soneca sagrada.

– Sim, porque fomos nós que programamos o despertador para tocar a meia noite – Disse Jess, batendo o tubo de leve em minha cabeça.

Virei-me de lado para ver quem estava do meu lado e já era esperado: Lucas.

– Te acordei? – Perguntou ele, sorrindo maliciosamente. Ele estava todo arrumado – e gótico como sempre – Ele usava uma blusa preta escrita “Run It”, calça e um tênis preto. Mesmo ele estando simples ele parecia elegante ao mesmo tempo. Não só ele, mas como todos estavam bem vestidos.

– Imagina, só senti que dez sacos de cimento estavam do meu lado enquanto dormia.

– Não sou tão pesado assim – Ele riu, se levantado da cama, deixando ela dez vezes mais leve.

– Seu aniversário só está começando – Disse Christian, encostado na porta, me observando com um sorriso no rosto.

– Levanta, porque hoje vai ser incrível – Disse Mauro, retirando os edredons de cima de mim – Toma um banho e se arruma, estamos te esperando lá embaixo.

Todos saíram do quarto me deixando sozinha, com a cara amassada e o cabelo parecendo que tinha sido usado como vassoura. Fui para o banheiro e tomei um banho. A água quente descia sob meu corpo entrando em choque com o gelo que era meu corpo, me dando arrepios. Não estava entendo o porque de eles estarem fazendo isso, afinal, eu só estou ficando mais velha, nada demais.

Sai do banheiro e fui para meu closet, me deparando com um bilhete na porta do mesmo.

“Separamos uma roupa especial para você e ela está lhe esperando na arara no fim do corredor. Esperamos que goste. Feliz aniversário.”

Abri a porta e lá estava.

Uma arara com uma jaqueta preta com franjas juntamente com uma calça branca rasgada e um cropped preto com partículas de brilho prateado. Havia vários sapatos nas prateleiras para escolher, e fui direto em um coturno preto de veludo. Eu estava feita.

Me vesti, dei um jeito no meu cabelo e passei uma maquiagem para amenizar a cara de morta que eu estava. Como eu sentia saudade de passar o famigerado “reboco” no rosto.

Desci as escadas e lá estavam eles, me olhando impressionados. Principalmente Lucas.

– Você está linda – Disse ele, me olhando de cima abaixo. Confesso que fiquei envergonhada com seu olhar de “vistoria”, mas fiquei mais ainda perante ao elogio.

– Ah, obrigada – Respondi, girando meus polegares sem parar. Eu não estava acostumada a receber elogios.

– Eu que escolhi – Disse Jess, de braços cruzados me observando também. Ela estava linda, usando um cropped branco com uma calça jeans acompanhada de suspensórios branco e preto e um tênis prata. Nunca a vi vestida sem aquele uniforme horrível de CenterHood, e vê-la daquele jeito me fez ficar admirada com sua beleza.

– Vocês estão todos maravilhosos, deveriam ir para um concurso de beleza – Disse Mauro, sarcástico – Agora vamos para a garagem.

Garagem? Tínhamos uma garagem?

Entramos na porta da cozinha que até então eu nunca havia ido, e vi uma área de lazer gigantesca.

Havia uma churrasqueira do lado da porta, com uma bancada na sua frente. Uma piscina enorme e iluminada tomava conta de quase todo o local. Uma sinuca estava reservada em um cômodo exclusivo para ela. Cadeiras de praia estavam emparelhadas ao redor da piscina, me deixando com uma enorme vontade de me deitar ali e dormir até amanhecer.

Continuamos a andar até chegar em uma rampa em declive. Apenas vi um portão cinza que aparentemente estava trancado.

Christian colocou seu dedo em uma espécie de decodificador e voilá.

O portão se abriu e vi uma infinidade de carros e motos de diferentes tamanhos e cores. Eu estava literalmente em uma concessionária.

– Vem comigo – Disse Lucas, pegando em minha mão e me conduzindo para o fim da garagem, próxima a outro portão que havia ali.

Passei por uma Range Rover, um Porsche, uma Lambourghini e uma Harley Davidson; todas elas brilhavam de um jeito fascinante, pareciam que tinham acabado de serem polidas. Nem assaltando nove bancos pagaria o preço daquelas máquinas.

Paramos em frente a uma moto branca e preta, com acento de couro e suas molas vermelhas. Cheguei mais perto e vi seu modelo escrito nela: XJ6.

– Sobe aí – Disse Lucas, me entregando um capacete e pegando outro logo em seguida. Eu iria sair com ele?

– Nem ferrando que vou subir nessa moto com você – Neguei com a cabeça.

– Por que? Está com medo?

– De morrer batendo a duzentos e cinquenta quilômetros por hora na escuridão total? Sim.

– Qual é, eu tenho cuidado – Ele arqueou a sobrancelha, insistindo. O capacete preto estava em minhas mãos, brilhando como se estivesse me chamando. Olhei para Jess e a vi toda feliz em cima de sua Harley, deixando o ronco da moto mais e mais alto, ensurdecendo todos que estavam ali.

– Vamos Ariana, não temos tempo a perder – Lucas me cutucava, me tirando do transe. Como eu odiava ceder.

Coloquei o capacete e subi na moto, entrelaçando meus braços no tronco de Lucas, sentindo seus músculos ficarem rígidos ao meu toque. Era estranho admito.

O portão na nossa frente se abriu e Lucas aumentava mais e mais o ronco de sua moto, como se estivesse se preparando para uma corrida. Confesso que estava com medo de estar com ele encima de uma moto que a qualquer hora podia bater e nos jogar de cabeça em uma árvore.

Saímos pelos fundos da casa e uma Porsche branca parou ao nosso lado e os vidros fumê não mostravam nada, até abaixarem e revelarem os cachos californianos de Mauro ao lado de Chris.

– Hora de voltar para aquele velho lugar, Lucas. Vamos mostrar que você está de volta.

Velho lugar? De volta? Para onde estaríamos indo agora? Para alguma casa de prostituição?

Mauro e Christian foram na frente e saíram em alta velocidade, nos deixando para trás. Lucas aumentava a velocidade da moto, me fazendo me prender mais em seu corpo. Jess hora ou outra passava em nossa frente, mas sempre passávamos em seguida. Aquilo tinha virado uma corrida, literalmente.

O vento frio percorria meu pescoço, dando calafrios. Sentia os músculos de Lucas se contraindo a cada vez que o apertava. Uma sensação boa deixava os pelos de minha pele eriçados, querendo saltar para fora. Não nego que gostava daquela sensação.

A estrada era iluminada pela lua e alguns postes espalhados, mas via de longe o brilho no céu que Los Angeles deixava. Como eu amava aquela cidade.

– Se solta um pouco, abre os braços, sente a adrenalina! – Lucas aumentou o tom, devido o capacete estar abafando sua voz.

– Ficou maluco? Eu vou cair!

– Não vai! Eu prometo! Vai, abre!

Hesitei no começo, mas cedi. Cuidadosamente fui erguendo os braços, até eles estarem totalmente erguidos. O medo de cair era grande, mas Lucas também cooperava diminuindo a velocidade sempre que podia.

Voltei a me prender em seu tronco e senti a velocidade da moto diminuir cada vez mais até parar.

– Chegamos – Disse Lucas, retirando o capacete e descendo da moto, quase me levando junto.

– Que lugar é esse? – Perguntei, totalmente confusa com aquela situação. Estávamos em um cruzamento totalmente deserto, com refletores espalhados e várias pessoas que eu nunca sequer vi.

– Só o meu passatempo predileto – Respondeu ele, erguendo a sobrancelha junto de um sorriso de canto – Vem, vou te mostrar o lugar.

Acompanhei Lucas pelo lugar e era simplesmente a coisa mais estranha e interessante ao mesmo tempo.

Carros de diferentes tipos, Motos das mais altas as mais baixas, arquibancadas montadas dos dois lados, pessoas de diferentes raças e personalidades. Aquilo era a coisa mais diferente que já havia presenciado, mas não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo.

Uma voz masculina surgiu por trás de nós, me fazendo dar um pulo, assustada.

– Lucas! Quanto tempo! – Disse a voz, fazendo-nos virar na direção da mesma.

Um homem alto vestido de preto com olhos amendoados e cabelo escuro em um topete com uma bandana preta amarrada em sua testa cumprimentou Lucas, puxando-o para um abraço que fazia qualquer um ficar sem ar.

– Peter! Senti sua falta cara – Disse ele, se desfazendo do abraço e voltando a ficar do meu lado. Peter era incrivelmente alto, mais alto que Lucas. Mais um pouco e ele ficava da altura dos refletores que estavam ali.

– Ela é sua namorada? – Perguntou Peter, me fazendo gelar. Aquela pergunta de algum modo me fazia corar, esfriar a barriga. Como eu odiava isso.

– Ela e só minha amiga – Respondeu Lucas, pondo o braço em volta de meu ombro. 

Amigos. No fundo não queria que essa palavra nos definisse.

– Muito prazer, sou Peter – Disse o rapaz, estendendo a mão e minha direção, simpatizando.

– Ariana. Prazer.

O frio presente me fazia encolher, fazendo Lucas colocar seu corpo contra o meu mais fortemente para tentar me esquentar. Bom, parecia que eu estava sendo sufocada do que esquentada.

– Venham, vou apresentar o pessoal – Disse Peter, começando a caminhar na direção oposta, para as arquibancadas.

Não só havia arquibancadas improvisadas como haviam algumas barracas vendendo bebidas e afins. Dois telões improvisados feitos com projetores estavam em cada lado do cruzamento. Como isso era possível no meio do nada?

Conheci várias pessoas através de Peter, algumas simpáticas, outras, nem queriam olhar em meu rosto. Sempre haviam dessas.

Jess, Chris e Mauro estavam na arquibancada, conversando e bebendo alguma coisa que provavelmente era alcoólica em garrafas. Jess desceu rápidamente ao me ver, quase derrubando o líquido em cima de mim.

– Achei você – Disse ela, pegando em meu braço e Deus... que mão gelada – Tentei te procurar com os meninos e acabei desistindo. Ei, achei um garotos maravilhosos aqui, já adorei esse lugar.

Jess e seus ataques de piranhismo. Desde que o carinha que ela era afim na prisão morreu na cadeira elétrica, ela nunca mais deu esses ataques. Agora vai começar tudo de novo.

– Já estão aqui? Nem terminei de apresentar o pessoal – Peter surgiu do lado de Jess, como se ele surgisse de algum buraco negro e parado ali – Falta aquele pessoal – Ele apontou para um pouco longe da arquibancada, onde haviam homens e mulheres e dois carros que até então não havia identificado.

– Eles não – Disse Lucas, ficando sério de uma forma que me deixou assustada. O que tinha ali que o deixou assim?

– Qual é Lucas, aquilo não vai se repetir, eu garanto.

Aquilo o quê meu Deus? Eu estava confusa.

– Melhor não Peter – Mauro entrou na conversa e seus cachos bagunçados estavam mais altos que o normal – Não queremos conversa com eles e acabou.

– Tudo bem. Lucas, já vai começar, seu carro está esperando. Vamos.

Carro? Iria acontecer um racha?

– O que vai acontecer aqui? – Perguntei, puxando o braço de Lucas, exigindo uma resposta imediata.

– Depois lhe explico, agora tenho que ir. Me deseje boa sorte – Disse ele, pegando em minha mão e a soltando rapidamente depois.

– Boa sorte – Disse, sem ao menos saber o que ele iria fazer.

Alguns minutos depois de Lucas ter ido, Peter surge no meio do cruzamento com um megafone maior que sua cabeça.

– Eu sou Peter Manson e bem vindos de volta ao segundo racha do ano!

Todos nas arquibancadas vibravam como se estivessem acabado de ganhar na loteria. Estava me sentindo em um estádio de futebol em época de copa do mundo. Deus, eu estava surda.

– Vocês estão prontos para a volta do imbatível?

Todos falaram sim em uníssono e depois gritavam mais ainda. Quem era o imbatível?

– Depois de cinco anos... ele está de volta! Façam barulho para ele, o imbatível Lucas Olioti!

Um Mustang parou e um homem saiu do carro, puxando mais gritos de todos os presentes os telões mostravam a face mais pura e feliz ali presente: Lucas.

Ele estava feliz, dava para ver isso. Parecia que ele sentia prazer em entrar dentro de um carro e deixar o volante o levar para onde fosse. Ele sentia paz.

– Como se sente depois de cinco anos voltar pra onde se originou? – Perguntou Peter, dando o megafone para Lucas.

– Estou muito mais animado e espero que a polícia não me pegue de novo – Disse ele, rindo no final – Vamos agitar essa porra!

Resolvi me juntar a histeria que residia ali, afinal, todo líder precisa de apoio.

– Esta pronto para enfrentar de novo Tyler Young? – Peter perguntou novamente e a seriedade tomou conta do rosto de Lucas novamente.

– Com certeza. Mais pronto do que nunca para esfolar a cara dele na roda do meu carro.

A histeria aumentava ao ver a rivalidade entre os dois. Era por isso que Lucas não queria que Peter me apresentasse a aquele pessoal, pois Tyler estava lá.

Mais três carros se aproximavam da linha marcada branca demarcada no chão. O show iria começar.

Os corredores entraram dentro dos carros e os projetores mostravam as câmeras implantadas dentro dos carros ao vivo, mostrando a reação de cada um. Eu estava abismada com a forma que eles conseguiam improvisar tudo.

Todos ficaram calados para ouvir os roncos fortes e pesados dos carros. A fumaça subia em meio as rodas das mesmas, quase deixando sem visão. Que o racha comece.

Uma buzina alta foi acionada e os carros deram partida, saindo em alta velocidade, com câmeras espalhadas pela estrada, transmitindo tudo. Lucas estava sério, suando, como se estivesse preocupado. Cada curva fechada que era feita, Lucas agarrava o volante como agarrava as grades de CenterHood. Eu estava ficando preocupada.

Lucas ultrapassava todos os carros, deixando-os para trás, em alta velocidade. Um camaro verde o ultrapassava vez por outra, mas Lucas o passava. As voltas e curvas bruscas dos carros faziam os mesmos se baterem, quase retirando um da estrada. Se Lucas não tivesse cuidado ele acabaria com aquele carro e ele iria junto. Eu estava agoniada.

Nervosa, com as mãos suando, vendo as expressões de Lucas dirigindo e as dos outros corredores, eu estava a beira de explodir por dentro se aquilo não acabasse logo.

As câmeras captavam a velocidade do mustang e o camaro acirrados, prestes a chegar na linha de chegada. Eu gritava para Lucas ir mais rápido, que ele iria conseguir. E assim se fez.

Lucas ultrapassou a linha de chegada, a mesma onde começou. O carro parou bruscamente para fora da estrada e Lucas saiu do carro, pulando e gritando de felicidade. Todos foram para cima dele, comemorar sua vitória soltando confetes e histéricos. O sufoco passou, e eu estava orgulhosa.

– Lucas voltou com tudo pessoal! O imbatível voltou! – Berrava Peter no megafone, e todos gritavam em uníssono “o imbatível voltou” pulando ao redor de Lucas enquanto ele estourava um champanhe.

Quando a histeria abaixou e todos já haviam comemorado, fui até ele, e apenas o vi abrindo os braços para me abraçar. Meu corpo encaixava perfeitamente com o dele, harmônicos. O melhor lugar do mundo com certeza era seu abraço.

– Parabéns pela vitória. Estou orgulhosa de você – Minha voz estava abafada, mas audível. Eu transbordava de orgulho, querendo explodir e abraçá-lo até ficar sem ar.

– Obrigada anjo – Disse ele, se desfazendo do abraço – Esse momento é nosso. Vamos comemorar minha vitória e seu aniversário em outro lugar, precisamos nos divertir longe desses loucos – Ele pegava em meu queixo, acariciando-o de leve. Seus dedos macios sob minha pele faziam todos os pelos do meu corpo se eriçarem, arrepiando até a espinha. E era bom.

– Parabéns embuste – Disse Jess, batendo em seu ombro – Da próxima vez, vai ser eu contra você.

– Eu vou adorar – Disse Lucas, fazendo um hi-five com Jess. Como eu amava esses dois.

– Parabéns irmão – Disse Mauro seguido de Christian, o abraçando depois.

– Valeu caras, obrigado por me fazerem voltar.

Um rapaz pigarreou e nos viramos em direção a ele. Ele não era alto igual Lucas, mas era razoavelmente. Cabelo preto, coberto de tatuagens junto de seus olhos azuis nos encarando, fazendo Lucas dar um passo a frente de mim.

– Não foi dessa vez Tyler. Talvez daqui a uns mil anos você volte a ser bom. – Disse Lucas, cruzando os braços e o encarando de volta, sério.

Tyler. Era ele com quem Lucas tinha rivalidade, era ao ouvir seu nome que o sangue dele fervia, era dele que Lucas queria que eu ficasse longe. Agora tudo fazia sentido.

– Você tem sorte de eu não estar afim de brigar hoje, mas me provoca para você ver como eu quebro essa sua cara – Disse Tyler, se aproximando de Lucas, ficando cara a cara.

– Acho que quem vai apanhar não sou eu – Respondeu Lucas, com os punhos cerrados, pronto para meter um soco na cara do rapaz.

– Ei, ei, ei. Sem briga aqui ou vocês dois são desclassificados – Peter afastou os dois, o que quase não estava dando. Se não fosse ele, os dois estariam se quebrando na porrada ali mesmo.

– Toma cuidado, Olioti.

– Toma cuidado você, filho da puta.

– O que disse? – Tyler se virou bruscamente na direção de Lucas, com os punhos levantados pronto para atacar.

– EU JÁ FALEI, SEM BRIGA! – Peter interveio novamente, segurando os punhos de Tyler – Se quiserem brigar, briguem em outro lugar, aqui não.

– Quem sabe outro dia – Respondeu Lucas, puxando meu braço e me deixando longe de Tyler. Ainda bem ou quem iria acabar virando picadinho era eu.

– Fique longe desse cara – Disse ele enquanto andávamos de volta para a moto – Ele é uma versão barata de Gus. Fique longe dele.

– Eu já entendi – Respondi, de saco cheio daquele assunto – Para onde vamos agora?

– Isso é surpresa – Ele fazia suspense, me dando o capacete e subindo na moto e ligando-a – Quando chegarmos você vai saber.

– Você não faça jogos comigo, Olioti. Você vai se dar mal.

– Vamos ver.

Subi na moto e me prendi ao seu corpo, esperando chegar no local. Não fazia questão de abrir os olhos, gostava de sentir, de imaginar. O vento batendo em meus cabelos, fazendo aquilo parecer cena de filme, era maravilhosamente bom.

A moto estacionou e abri os olhos, retirando o capacete e vi pequenas casas, mas uma com um letreiro enorme escrito “Tattoo 24H” piscando em todas as cores, me deixando confusa.

– Você vai fazer uma tatuagem? – Perguntei, arregaçando as mangas de meu casaco e o encarando.

– Na verdade... é você.

– O quê!? Ficou maluco!? Nem fodendo! – Aumentei o tom, incrédula. Eu morria de medo de agulhas e não vai ser dessa vez que uma com tinta vai perfurar minha pele.

– Qual é, vamos. Não vai doer.

– Deixa de mentir, eu sei que dói porque já vi pessoas na prisão fazendo quando eu estava lá, e elas gritavam de dor.

– Vamos fazer um acordo: Você faz uma tatuagem e eu deixo você fazer o que quiser em mim.

Hesitei por alguns segundos. Eu odiava agulhas, elas podiam deixar de existir que não iria reclamar. Lucas havia deixado eu fazer qualquer coisa no corpo dele. Uma mão lava a outra. Então aceitei.

– Tudo bem, eu faço – Cedi, e vi seu sorriso se abrindo de uma forma que parecia que ia rasgar seu rosto.

– Ótimo! Mas tem uma condição: Eu escolho o que eu vou fazer e você escolhe o que vai fazer em mim, combinado?

– Combinado. Se você estragar meu corpo eu estrago o seu.

Entramos no estúdio e vimos vários desenhos de tatuagens de diferentes modelos e tamanhos. Havia também um lugar para piercings e afins. Acho que já sei o que vou fazer.

– E ai Francis! – Lucas cumprimentava um homem todo tatuado, que parecia ter mais ou menos nossa idade.

– E ai Lucas! Qual a boa de hoje?

– Eu trouxe uma amiga para fazer uma tatuagem e hoje é o aniversário dela e queríamos celebrar de uma forma diferente – Disse Lucas, pegando em meu ombro e apertando de leve.

– Claro! Vamos lá, tem vários modelos para escolher, fiquem à vontade.

– Ariana, pode ir para a maca, eu vou escolher aqui – Disse Lucas, indo para a bancada onde estava os modelos.

Obedeci e fui para a maca, com medo do que Lucas escolheria para mim. Tirei a jaqueta e só esperava pelo pior.

Em questão de minutos Lucas aparece correndo em direção a Francis com a tatuagem no papel, sorrindo. Francis teve a mesma reação, indicando que estava boa. A partir daí o medo começou.

– Vai ficar lindo nela. Onde quer colocar? – Perguntou Francis, apontando para meu corpo.

– Na costela.

– Lucas! Vai doer para caralho!

– Você não confia em mim? Vai ficar lindo, eu prometo – Disse ele me encarando com os olhos cheios de brilho. Aquele olhar de cachorrinho abandonado me fazia ceder, e mais uma vez cedi.

– Vire de lado Ariana – Pediu Francis. Virei de lado e ele pediu q eu levantasse um pouco o cropped para fazer a tatuagem. Assim fiz.

– Deixa eu ver o que você vai fazer – Disse a Lucas e ele se recusou a mostrar.

– Isso vai ser surpresa.

– Qual é!

– Nem adianta insistir. Pode começar.

Francis colocou o molde da tatuagem em minha pele, por volta da terceira costela esquerda. O papel gelado em contato com minha pele dava uma sensação horrível.

O som agoniante da máquina invadiu meus ouvidos, me fazendo murmurar dor sem ao menos a agulha ter encostado. Até que ela veio perfurando minha pele de uma forma absurdamente dolorosa.

A cada dois segundos soltava um murmúrio de dor. Minha mão direita estava livre, até sentir uma mão a segurando. Lucas estava segurando.

– Pode apertar quando estiver sentindo dor, eu aguento – Disse ele, sorrindo no final. Seu sorriso demonstrava o quão atencioso ele era, aquilo me trazia uma certa paz, e não queria perder aquela paz nunca.

– Pode me explicar por que você odeia tanto o Tyler? – Perguntei, apertando sua mão fortemente devido a dor.

– Longa história. Éramos amigos, e ele vacilou comigo.

– O que ele fez?

– Ele ficou com Esther durante meses e eu nunca soube. Apenas soube quando os peguei no flagra. Doeu muito, mas eu ainda amava Esther. Eu fui muito idiota em ainda ter ficado com ela depois disso tudo.

A experiência de Lucas com Esther não era a melhor. Não gostava de o ver ainda sentindo algo por ela, eu via quando seus olhos perdiam o brilho ao falar dela, remoendo o passado. Lucas precisava esquecer dela, e eu iria fazer isso, do modo fácil ou difícil.

– Você ficou com ela porque ainda a amava, e quando amamos uma pessoa, estamos dispostos a ficar com ela a qualquer custo – Disse, entrelaçando nossas mãos e apertando mais forte.

– Tyler é um babaca. Toda semana ele  e os amigos vem aqui e ficam contando as histórias nada interessantes dele sobre carros e mulheres – Disse Francis, revirando os olhos.

– Está vendo? Nem Francis gosta dele – Disse Lucas, nos fazendo rir e amenizando a dor.

Mais uns minutos e a dor continuava pulsando em minha pele, mas a tatuagem havia acabado. Graças a Deus.

Francis colocou um plástico sob a tatuagem e me deu instruções para cuidar dela, mas eu não a havia visto ainda.

Levantei da maca a procura de um espelho, e Lucas rapidamente entrou em minha frente, me impedindo ver.

– Espera. Fecha os olhos, por favor.

Tanto suspense em uma tatuagem. Pelo amor de Deus.

Fechei os olhos e deixei Lucas me conduzir. Paramos e o senti me deixando de lado para ver melhor.

– Pode abrir.

Abri e fiquei sem reação.

Bellissima. A palavra que meu avô sempre usava para se direcionar a mim, estava tatuada em minha pele, me deixando com os olhos marejados. Como eu sentia falta dele.

– Não gostou? – Perguntou Lucas, vendo meus olhos carregados d'água.

– Eu adorei – Respondi, sorrindo – Era o que meu avô falava para mim antes dele partir. Eu adorei Lucas – O abracei, grata por ele ter feito aquilo. A única forma de carregar meu avô comigo.

– Agora é sua vez. Trato é trato – Disse, batendo em seu levemente ombro.

– Tudo bem. O que quer fazer?

– Brincos.

– Você só me fode, Ariana – Disse ele, balançando a cabeça, rindo em seguida.

– Vamos Lucas, é a primeira vez que você faz algo aqui e não vou desperdiçar essa oportunidade – Francis empurrava Lucas para a mesma salinha que havia visto no começo. Eu ria do semblante desesperado de Lucas ao ir colocar os brincos. Aquilo estava sendo a melhor parte da noite.

Lucas já estava na cadeira, nervoso. Nem parecia que ameaçava pessoas quase todo dia.

– Como assim você nunca fez algo aqui ? – Perguntei a Lucas, curiosa.

– Sempre trouxe amigos para cá, mas nunca fiz sequer um risco na pele.

– Próxima vez que vier vou tatuar até sua cara – Disse Francis, rindo, pronto para colocar os brincos.

Os brincos foram colocados e o rosto de Lucas se contorcendo ao sentir a dor me fazia rir. Sei que era errado, mas não dava para controlar.

– Prontinho. Vou fazer de graça dessa vez, afinal é aniversário dela e não quero foder com a noite de vocês – Disse Francis, retirando as luvas – Podem ir, e Ariana, feliz aniversário.

– Obrigada Francis.

Acabamos indo para casa, estávamos cansados e apenas queria dormir mais um pouco, já que me acordaram bruscamente e mal tive tempo de comer direito.

Chegamos na garagem e o Porsche e a Harley estavam estacionados, sinal de que Jess, Mauro e Christian haviam chegado em casa.

As luzes estavam apagadas e tiramos os sapatos para evitar qualquer tipo de barulho. Subimos as escadas cuidadosamente para não acordar ninguém. Cheguei em meu quarto e abri a porta, vendo minha bela cama me esperando de novo.

– Antes de dormir, pode me esperar no seu quarto? – Perguntou Lucas, destrancando a porta de seu quarto.

– Hãm... Claro – Respondi, um pouco confusa. O que ele queria agora?

Entrei em meu quarto, fui para o closet e procurei um pijama, mas antes me olhei no espelho. A tatuagem estava tão linda e delicada, parecia que tinha sido preparada exclusivamente para mim. Nunca pensei que uma agulha com tinta me fez sentir tanta felicidade em um dia só.

Peguei um pijama listrado que havia encontrado, pantufas e tirei a maquiagem, meu rosto precisava respirar depois de passar massa corrida nela.

Sentei na cama e olhei o relógio: três da manhã. Era muita adrenalina para poucas horas.

Lucas entrou no quarto, descalço, sem a camisa e sentou em minha cama. Seu braço direito estava atrás do seu corpo, parecendo esconder algo. O que era agora?

– Eu iria te dar isso mais tarde mas eu não estou me aguentando de esperar – Disse ele, sorrindo entre as palavras ditas e ainda com o braço atrás do corpo. Para ele estar com um sorriso assim, ele só poderia estar com uma barra de ouro nas mãos.

Ele retirou a mão detrás do seu corpo e parando na minha frente, mostrando uma caixa de veludo preta que não era grande, nem pequena. Ele a abriu lentamente, e ao fazer isso, alguns brilhos apareciam devido ao reflexo das luzes. Meus olhos estavam fixados ao ver o que tinha dentro da caixa e quando ela foi totalmente aberta, fiquei perplexa:

Um colar de duas cordas de prata, com os pingentes em brilhantes, em um de coração em uma espécie de cadeado e o outro, uma meia lua, minha fase favorita dela. Eu estava completamente apaixonada por aquele colar.

– Feliz aniversário, Ariana – Disse ele, com a caixa em mãos, sorrindo de ponta a ponta, vendo o quão maravilhada eu estava diante daquele colar.

– Lucas... é lindo – Disse, passando os dedos suavemente entre os pingentes e levantando os cabelos fazendo sinal para ele colocar.

Lucas colocou o colar em meu pescoço, me permitindo sentir seus dedos quentes e macios sob minha pele novamente. Pus a mão no colar e ele havia encaixado perfeitamente. Eu estava encantada.

– Ficou lindo em você. Quando eu vi esse colar, a primeira pessoa que veio em mente foi você sabe? Combina com sua personalidade, seu jeito lidar com as coisas e... com sua beleza; mesmo estando assim, de pijama e sem maquiagem, eu ainda vejo beleza em você.

Ouvi-lo dizendo aquelas coisas para mim era simplesmente gratificante. Nunca me achei bonita o suficiente, mas ao ouvir aquilo, eu tinha certeza que eu era.

– Deixando claro que não roubei ninguém para pegar esse colar hein? – Disse ele, apontando para o colar nos fazendo rir. Ele tinha o dom de achar motivos para dar risada em absolutamente tudo, e eu gostava.

– Obrigada, Lucas – Disse, indo abraça-lo. Sentir sua pele nua e quente sob minhas mãos me dava uma sensação tão boa, me dava arrepios e ao mesmo tempo sentia meu sangue pulsar, cheio de adrenalina e calor. Eu estava satisfeita só de sentir aquele contato.

Me soltei levemente do seu corpo, mas seus braços, que estavam entrelaçados em minha volta, não permitiam eu ir muito longe, nos deixando cara a cara de novo, como em CenterHood. As respirações se misturando, os corações harmonizando, e quando percebi, Lucas estava se aproximando dos meus lábios. Não havia ninguém para nos atrapalhar, essa era a hora certa.

Seus lábios macios e carnudos fizeram contato com os meus, fazendo uma perfeita harmonia entre nós, como se fosse uma música. Cada vez que o beijava, cada movimento, meu sangue subia, me fazendo aproveitar cada segundo daquele beijo. Nossos lábios e línguas deslizavam suavemente, me deixando arrepiada até o ultimo fio. Sempre evitei dizer isso, mas eu havia esperado muito por aquilo.

Suas mãos agarraram minha cintura, me fazendo ir mais para cima dele, beijando-o cada vez mais. Sentia minha blusa subir e descer levemente, até Lucas me deitar e eu perceber que... Ai merda.

Interrompi os beijos que ele me dava em cada centímetro de meu corpo. Eu, vermelha, olhava para ele, que me olhava de volta com um olhar confuso.

– Acho que não estou pronta para aquilo – Disse, me encolhendo na cama e Lucas mudando sua face e entendendo o que eu queria dizer.

– Ah, claro. Mas por quê?

– Talvez em outra hora eu possa lhe explicar, agora eu só preciso dormir – Disse, evitando olhar para seu rosto. Eu estava muito envergonhada.

– Ei, não precisa ficar assim, eu não estou bravo ou seja lá o que você esteja imaginado como estou – Ele virou meu rosto para encara-lo levemente, me deixando ver sua face despreocupada – Pode ir dormir anjo, você precisa se energizar de novo, porque seu dia ainda não acabou.

– Obrigada, de verdade.

– Não há de que – Ele selou nossos lábios rapidamente e saiu de meu quarto e lá estava eu, sozinha de novo. Adrenalina e felicidade percorriam o meu sangue, me deixando elétrica demais para poder ir dormir, mas se haveria mais surpresas, eu teria de ir, a celebração ainda não terminou. Esse, com certeza vai ser o melhor aniversário de todos, e eu estou pronta para celebrar.


Notas Finais


Tá meio longo mas essa é só a primeira parte! Espero que tenham gostado! Deixem suas opiniões sobre o que vai acontecer, compartilhem, e me sigam no twitter caso eu poste algo sobre a fic: @t3ddysbae

Até breve <3


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