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História Perfect Lie - Capítulo 19


Escrita por: yilingdadepre

Capítulo 19 - Capítulo 19


Capítulo 19

 

Fanxing

 

Às cinco da manhã eu já estava em minha mesa. Era estranho andar pelos corredores ouvindo apenas o som dos meus tênis contra o piso de linóleo. 


Abrindo o programa no servidor, constatei que Ivan não havia feito muito progresso depois que eu fui embora, apesar de ter ficado até a meia-noite, segundo os registros de atividades. 


Trabalhei com afinco até as oito, quando o pessoal começou a chegar. 

Ivan apareceu meio que de ressaca, despenteado e desalinhado como eu nunca tinha visto antes. 


— Como estamos? — ele quis saber ao se largar em sua cadeira. 


— Longe de terminar. Vou dar seguimento ao sistema de compra. Você fica com o estoque? 


— Não vamos conseguir! — Ele apoiou os cotovelos na mesa, a cabeça entre as mãos. — Simplesmente não vamos. Temos que encarar os fatos. 


— Se você ficar aí, só reclamando, não vamos mesmo. 


Américo não perguntou como estávamos nos saindo ao passar por nossos cubículos, mas eu sabia que ele acabaria ficando impaciente se não disséssemos alguma coisa logo. 

Mergulhei no trabalho pelo resto do dia, e até Samantha, sempre a primeira a querer me distrair, entendeu que eu não tinha tempo para nada e pegou leve, atormentando Inácio, seu parceiro no banco de dados. 



Eu estava tão absorto no que estava fazendo que perdi o almoço, e só saí do meu transe no fim da tarde, quando o burburinho no terceiro andar se tornou alto o bastante. 


— O que tá pegando? — sussurrei para Ivan, que mantinha o rosto virado para seu computador, embora seus olhos tentassem acompanhar a conversa de Américo e Samantha a poucos passos dali. 


— Não entendi muito bem, mas parece que é sobre aquele rolo do ano passado. Do Minshan. Descobriram alguma falcatrua nova. Em Munique dessa vez. 


— Ah. Pensei que já tivessem resolvido tudo isso. 

Minshan, o advogado e homem de confiança de seu Fengmian, dera um golpe milionário apresentando um testamento ilegítimo. Tudo foi descoberto e ele acabou preso depois de ter tentado matar Wei Ying, mas seu advogado alegou demência e agora ele estava em uma clínica para doentes mentais. 


— Pelo jeito ainda tem muita sujeira para desenterrar. — Ivan deu de ombros. 


Minha vista começou a embaralhar. Tirei os óculos e esfreguei os olhos. 


— Preciso dar uma parada. Quer que eu traga alguma coisa? — ofereci. 


— Café seria ótimo. 


— Tá. Volto já. 


Estava distraído ao entrar no elevador, e só reparei que Lan Zhan estava ali dentro quando já era tarde demais. 

— Ah. Oi, L-Lan Zhan — cumprimentei, as bochechas esquentando.


— Oi, Fanxing— respondeu. Fiz menção de apertar o botão do térreo, mas ele já estava aceso. Fixei os olhos no painel metálico, desconfortável. Olhar para ele era constrangedor, pois me lembrava, com muito mais detalhes do que eu gostaria, da cena na beira da piscina. E que eu havia beijado o irmão dele na sala da minha casa. E que tinha uma boa chance de isso acontecer de novo, graças à minha incapacidade de manter a boca fechada. Por que eu menti para tia Berê? Por que eu sempre achava que podia resolver tudo, quando era óbvio que não conseguia nem mesmo colocar a porcaria de um site no ar a tempo?


 Por que eu aceitei que Jingyi fosse meu namorado de mentira? 


Refletindo agora, Ivan teria sido perfeito para o papel. Ele nem teria cogitado a hipótese de me beijar.


 Jingyi devia fazer aquilo de caso pensado, apenas pelo prazer de me irritar, já que obviamente eu havia detestado beijá-lo. Ficou muito claro que não mexeu comigo. Nem um pouco. Qualquer um podia perceber isso. Sentir aqueles lábios macios e quentes sobre os meus não despertara a mais remota faísca em mim. E aquelas mãos ridiculamente fortes tocando minha pele? Não senti absolutamente nada. Nothing. Nichts! 




— Você está se sentindo bem? — Lan Zhan perguntou


. — T-tô ótimp. Por quê?


 — Você está meio corado. Parece febril. Talvez deva dar uma passada na enfermaria. Está rolando um surto de gripe.


 Todo o meu fluxo sanguíneo se concentrou nas bochechas. 


— Ah... tá. — Não consegui pensar em outra resposta.


 — Como está sua tia? 


— Bem. — Fico feliz com isso. Ele permaneceu olhando para a frente, e eu achei que a interação havia terminado. Estava errado. 


— Não sabia que você e o Jingjy eram amigos — ele comentou. 


— Humm... Pois é. Pelo canto do olho, vi surgir um meio-sorriso muito parecido com o de Jingyi. 


As portas se abriram. Lan Zhan se afastou, todo cavalheiro, para que eu passasse. Eu me mandei o mais rápido que pude e ele tomou a direção oposta à do refeitório, graças aos céus. Fui direto para a máquina de refrigerante, depois pegar o café de Ivan. Joyce, a secretária do sétimo andar, e Janine, a coordenadora do RH, estavam ali. Sorri educadamente para elas e esperei que pegassem suas bebidas. Janine tinha um jornal nas mãos.


 — Nossa, estou começando a ficar preocupada com esse maníaco do cinema. É o quarto ômega que ele ataca e ninguém consegue pegar o cara. 


— Outro estupro? — É, e dessa vez ele bateu tanto na vítima que a pobrezinha entrou em coma. E olha o retrato falado dele. Não parece um cara normal? Joyce deu uma olhada. 


— Pois é. A gente se deixa enganar pelas aparências. Olha só o seu Minshan. Não dá para acreditar que aquele homem de aparência tão bondosa pudesse ser tão vil. — Joyce adicionou um sachê de adoçante ao seu café. 


— Inacreditável mesmo. Parece que, quanto mais procuram, mais sujeira encontram.



 — Meu coração fica apertado. Sabe, Janine, o seu Fengmian não merecia uma traição dessas. Não mesmo. — O que vão fazer agora, com essas novas informações? 


— Não sei. Ouvi por alto que o seu Qiren convocou uma reunião com os diretores de todas as empresas do conglomerado. Deve acontecer nos próximos dias. As auditorias vão recomeçar, e eu aposto que muita gente vai rodar. Wei Ying está uma fera, mas, até aí, quando aquele menino não está? 

Elas se viraram. Eu cheguei para o lado, saindo do caminho. 



— Pobrezinho, Joyce. Ele tem se esforçado tanto... 


— Eu sei. Nem parece o mesmo maluquinho que eu treinei no ano passado. 


Apertei o botão do café preto e aguardei. Amaya entrou no refeitório com os braços cheios de pastas, o cabelo negro balançando nas costas. 


— Ei, por que não retornou minha mensagem? — foi dizendo. 


— Desculpa, May. Alteraram a data de lançamento do site. Acabei não vendo. 


— Ah, eu soube disso! Por isso queria saber como você está se virando. 


— Na maior correria. Nem lembrei de almoçar hoje. Acho que vai ser assim até segunda. Mas o que anda rolando aqui na empresa? O TI inteiro estava de cochichos. Acabei de ouvir a Joyce e a Janine conversando sobre auditorias. — Apontei para as duas, sentadas a uma das mesas. 


Minha amiga fez uma careta. 



— O seu Minshan não só deu um desfalque ainda maior do que se imaginava como descobriram que ele tinha alguns comparsas nas empresas internacionais. Especialmente na filial da Alemanha. Wei Ying  está soltando fogo pelas ventas. E perdido. Nem o seu Qiren sabe em quem pode confiar. Estão falando em reestruturação. 


— Mas só lá fora, né? 


— Por enquanto. — Ela deu de ombros. — Vamos torcer pra ser. 


Meu celular vibrou enquanto esperávamos o elevador. Equilibrei meu refrigerante e o café para poder dar uma espiada na tela. 


Por que Jingyi estava me mandando mensagem em pleno expediente? 

Decidi averiguar. 


Ao abrir a mensagem, uma foto dele, descabelado e com o tórax nu, preencheu a tela. Engasguei e quase me queimei com o café. 


Oi, namorado! Q hrs te pego? 


— Que foi? — Amaya perguntou, dando tapinhas nas minhas costas. 


— Nada. — Pedi que ela segurasse a bebida de Ivan enquanto digitava uma resposta. 


Não sei. E não me chame de namorado nem me mande fotos suas pelado! 


E o jantar da sua tia? (Tô de short, só ñ dá pra ver.)


Eu tô atolado hoje. Vou ligar pra ela e cancelar. (Ñ faça mais isso.)


Ok, então vou esperar uma msg sua p/ ir te pegar. (O q? Devo tirar o short na próxima?)


Não preciso de carona. (E vc é um idiota!)


Ele simplesmente ignorou minha última mensagem. 


Vc prefere q eu use camiseta azul ou branca?



Qualquer cor serve, desde q vc não esteja pelado! 


Outra foto chegou. Dessa vez apenas do rosto de Jingyi exibindo o sorriso mais malicioso do mundo. 


Vc precisa parar de pensar em mim pelado. E eu me referia a hj à noite. 

Ele só podia estar brincando, ou tentando me enlouquecer. E só estávamos “namorando” havia dois dias! 


O celular voltou a vibrar. 

Sua resposta elaborada disse muita coisa. 


Branca então. 

Eu ñ tenho tempo p/ te ajudar a escolher roupa. O site tem que estar pronto na segunda e ainda falta tudo! E eu NÃO estava pensando em vc de jeito NENHUM. 


Fica calmo. Vc vai conseguir terminar o site. Se ñ conseguir, ngm consegue. Até tarde. 


Fiquei olhando para o telefone por um instante, piscando sem entender. 

— Que foi? Por que você está sorrindo assim? — Amaya quis saber, desconfiada. 


— Eu não tenho a menor ideia, Amaya. A menor!



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