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História Perfect Lie - Capítulo 20


Escrita por: yilingdadepre

Capítulo 20 - Capítulo 20


Capítulo 20

 

Jingyi 

 

Naquela tarde, Lan Zhan e eu saímos pela cidade em busca de móveis para o meu apê. Não foi uma tarefa fácil, sobretudo porque meu irmão queria ir a uma dessas lojas de móveis planejados, mas levaria muito tempo para que ficassem prontos e eu estava com pressa para me mudar. Além de móveis planejados custarem uma pequena fortuna, é claro. Naturalmente, ele se ofereceu para pagar, emprestar a grana, qualquer coisa que me convencesse. 



— De jeito nenhum, Lan Zhan. Minha casa, meus móveis, meu dinheiro. 


— Mas seria o ideal, Jingyi — insistiu, me lançando um daqueles olhares persuasivos de executivo de comércio exterior. 



— Seria, se meu salário fosse a metade do seu. Quero me bancar. Sozinho. É por isso que eu estou saindo da sua casa, para viver por conta própria. E nem tenta — falei, quando ele abriu a boca para retrucar. 



— Você ficou louco da vida quando a mamãe quis te comprar uma TV logo que saiu de casa. Disse que daquele momento em diante teria apenas aquilo que pudesse pagar, e você ainda estava na faculdade e era um duro do cacete. 


Ele grunhiu, derrotado, colocando as mãos nos bolsos. 

— Tudo bem. O que quer ver primeiro? 




Não foi difícil encontrar a cama perfeita, o sofá ideal com uma chaise onde eu pudesse esticar as pernas, as barras para serem fixadas no banheiro, panelas e pratos, roupas de cama, uma estante. Em pouco mais de quatro horas, já havíamos comprado tudo, e o que não dava para levar seria entregue naquele fim de semana. 


— Você ainda não me disse quem escolheu para ser seu cuidador — meu irmão comentou ao sair da última loja, carregando duas sacolas enquanto eu equilibrava mais três no colo. A maioria delas já tínhamos levado para o carro. 



— Você não conhece ele. 

Lan Zhan me encarou sem acreditar. 

— Ele?  Um ômega ,alfa ou beta? 


— Ômega Por que não? Wei Ying tinha sugerido a Mazé e você não achou má ideia. 


— E esse ômega tem a aparência da Mazé? — perguntou, debochado. Como não respondi, ele continuou me olhando fixamente. — Jingyi, me diz que ele não é atraente. 


— Se eu vou ter uma babá, então acho justo que ele seja bonito.


— E eu acho que você devia voltar a fazer terapia. — Ele esfregou a nuca, meio rindo, meio grunhindo. 


Começamos a ir em direção ao estacionamento do shopping. No meio do caminho, porém, passamos em frente a uma joalheria. 


— Eu preciso entrar aqui um minuto. 

Lan Zhan me olhou desconfiado, mas assentiu. Mal passamos pelas portas automáticas e fomos abordados por um cara alto que sorria largamente. 


— Olá. Posso ajudar? 


— Eu queria dar uma olhada nos anéis — eu disse. 


— Anéis? — perguntou Lan Zhan, surpreso. — Pensei que você fosse comprar um relógio novo. 


— Não. Preciso de um anel.



Eu devia comprar um anel para o Fanxing certo? Homens sempre dão um anel para o noivo. Porque era para isso que eu entrara na vida dele, para fingir ser seu noivo. 


Era o que Berenice estava esperando. Eu não podia deixar uma mulher doente tão ansiosa. 


— Procura algo em especial? — o vendedor quis saber. — Nós temos uma coleção incrível de anéis masculinos. Você vai... 


— Não é para mim. É para um garoto. Alguma coisa discreta e delicada. 


— Ah, claro! — Ele me lançou uma piscadela. — Vou pegar os modelos para você dar uma olhada. Me acompanhem. — Ele nos levou até a mesa de vidro redonda, retirou uma das cadeiras para que eu pudesse me encaixar antes de correr para o balcão e começou a empilhar bandejas de veludo negro. 


— Então você vai comprar um anel para um garoto. — Meu irmão tamborilou os dedos no vidro e eu evitei olhar para ele ao aquiescer.


 — Quem é ele, Jingyi? Há quanto tempo estão juntos? 


— Não é ninguém que você conheça. E não estamos juntos. É só um amigo que faz aniversário por esses dias. — Dei de ombros, os olhos no fundo da loja, mas, mesmo sem olhar para o meu irmão, mesmo que ele não tenha dito uma palavra, pude sentir seu ceticismo. 


O vendedor retornou com as bandejas e muito tranquilamente me mostrou cada um dos anéis. Só que nada parecia certo. 


— Precisa ser mais discreto. — Cocei a sobrancelha. 


— Me fale um pouco dele — sugeriu o rapaz. 


— Isso, Jingyi. Fale um pouco de seu amigo. — Lan Zhan ainda me encarava, diversão e curiosidade estampadas no rosto. 


— Bom, ele não gosta de chamar muita atenção, é delicado e tão teimoso que chega a me dar dor de cabeça. Não ia gostar de nada grande, que enroscasse na roupa ou pesasse no dedo. Ele é, antes de mais nada, um homem prático. E acho que não ia gostar dessas paradas de coração, borboletas e estrelas, não. — Apontei para a bandeja que ele começava a levantar. 



— Conheço um garoto exatamente assim. E tenho o anel perfeito. — O vendedor vasculhou as bandejas. — Aqui. O que acha desse? 


O anel de ouro branco tinha o aro partido ao meio, as pontas se alongando um pouco para sustentar um pequeno brilhante. Era delicado, discreto e muito bonito. Exatamente como o Zheng Fanxing .



— O que acha? — Mostrei a Lan Zhan. 


No entanto, era a mim que ele examinava, com desconfiança. 


— Tem certeza que é só um amigo? 


— Deus do céu,Lan Zhan. É claro que sim. Você sabe que eu não tenho ninguém. 


— Você está mentindo. — ele me avaliou por um longo momento, tentando adivinhar o que eu estava fazendo. E parecia magoado por eu não lhe contar. Inferno. 


— Humm... Alguém quer um cafezinho? — O vendedor se levantou antes de obter uma resposta. 


— Me diz que esse garoto não é o Fanxing — exigiu meu irmão assim que ficamos a sós. 


— Não, não é ele. Esquece esse menino. E escuta, Lan Zhan, esse garoto é... Eu não sei, ok? Minha cabeça está meio bagunçada, e eu não ando me entendendo muito, ou o que estou fazendo. Só quero comprar um anel para ele. Só isso. 


Ele continuou me observando por um longo tempo antes de, por fim, suspirar. 


— Tudo bem. Só me prometa que não está se metendo em nenhuma confusão. 


— Não estou. O que acha do anel? 

Ele relanceou a peça. 


— É bonito. Mas não sou a pessoa mais indicada pra te ajudar com isso. Pedi Wei Ying em casamento com um anel de garrafa de água. 


Acabei rindo. E comprando o anel, para alegria do vendedor. Aquela joia tornaria tudo mais crível. 


E confuso, presumi. Porque eu queria FanXing. Claro que queria. Aquele sonho na outra noite não deixara claro o bastante ?


No entanto, ele também servira de alerta: eu havia chegado tarde demais. Então, a pergunta era: que diabos eu estava fazendo? 


Com o carro estacionado quase em frente à L&L, relanceei o relógio no painel pela sétima vez. Quase onze da noite e nada do Fanxing. 


Eu dividia a atenção entre a porta do prédio e a saída do estacionamento, e tinha quase certeza de que ele não passara por nenhuma das duas ainda. Seria mais fácil se ele não fosse tão teimoso e me ligasse, como eu tinha pedido. Mas é claro que não ligaria, então ali estava eu, bancando o maldito perseguidor. 


Corri a mão pelo rosto. Talvez Lan Zhan estivesse certo e eu devesse voltar para a terapia. 


Olhei para o relógio no painel outra vez. Onze e cinco. Onde ele estava? 

A porta de vidro automática se abriu e — finalmente! — ele passou por ela. 


A mochila pendia de seu ombro, escorregando a cada passo. Ele a ajeitou melhor, depois levou a mão no pescoço e começou a movimentar a cabeça, parecendo esgotado ao seguir para o ponto de ônibus. 

Bom, pelo menos eu poderia fazê-lo chegar em casa mais depressa. 


Dei partida e engatei a marcha. A avenida estava tranquila àquela hora da noite, de modo que foi fácil emparelhar com ele, bem perto do meio-fio. 


— Eu sabia que você não ia me ligar — reclamei, carrancudo, baixando o vidro. 


Ele se sobressaltou, mas assim que me reconheceu seus ombros relaxaram. 


— Eu disse que cancelaria o jantar. Ficou para o domingo, tudo bem? 


Concordei com a cabeça e destravei as portas. 


— Entra aí. 


Ele hesitou por um momento, e eu me preparei para a discussão, mas por alguma razão FanXing deu a volta no veículo, jogou a mochila no banco de trás e entrou. 


— Pensei que você tivesse dito que usaria camiseta branca. — Analisou minha camiseta azul enquanto passava o cinto de segurança pelo tronco. 


— Gosto de surpreender você. Como está indo o site? 


— Longe de estar pronto. — Ele

 fechou os olhos, deixando a cabeça pender no encosto do assento. — Queria que o dia tivesse mais horas. 


— Então, deduzo que você não almoçou hoje. 


— Comi uma barra de cereais. — Deu de ombros, me encarando. 


— Isso não é comida, Fanxing. Vou te levar pra comer alguma coisa de verdade. 


— Não precisa, Jingyi. Eu estou bem. 

Não, ela não estava. O cansaço transparecia em cada linha de seu rosto delicado. 


— Até parece que eu vou deixar você viver à base daquela ração nojenta. 


Ele virou a cabeça e suspirou. Um pequeno, quase imperceptível sorriso curvou sua boca enquanto ele fitava o nada. 


— Sabe o que eu queria agora? — perguntou. 


— Descobrir a cura do câncer? — arrisquei. 


Ele riu. 


— Seria bom, mas não é isso. 


— Encontrar um sistema totalmente imune a hackers? Saber se existe vida inteligente fora da Terra? 


— Não! — Riu outra vez. Eu gostava daquele som. — Eu queria alguma coisa com muita proteína. Não como nada assim há meses, por causa da tia Berenice. 


Um sorriso lento se abriu em meu rosto. 


Eu sabia que ele não era um garoto de salada! 


Além disso, Fanxing era uma daquelas pessoas que raramente se distraem. 


Se havia um problema a ser resolvido, tudo ficava em suspenso até que fosse solucionado, inclusive suas necessidades fisiológicas. Eu podia apostar que ele não iria almoçar no dia seguinte também. Era melhor entupi-lo de comida de verdade e deixar alguma reserva. 


— Seu desejo é uma ordem — falei, já fazendo a conversão.



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