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História Perfect Lie - Capítulo 21


Escrita por: yilingdadepre

Capítulo 21 - Capítulo 21


Capítulo 21

 

Fanxing  

 

Liguei para casa, para me certificar de que estava tudo bem com tia Berê e avisar que eu iria chegar ainda mais tarde. No entanto, ela atendeu o telefone aos prantos. Meu coração começou a trovejar no peito, mas ela então falou:


— Ah, Xing, Sidney Poitier está acabando comigo. A Magda nem consegue falar de tanto que chora. 

Soltei um longo suspiro aliviado, colocando a mão sobre o coração para que ele se aquietasse. 


— Quando só o coração vê? — arrisquei.

 

— Sim! Ele está tão maravilhoso neste. Você ainda está na empresa, meu amor? 


— Acabei de sair. Estou indo jantar com o Jingyi , tá bem? 


— Claro. Só vou terminar de assistir ao filme e vou para a cama. Aproveitem! 


Desliguei e guardei o aparelho no bolso do jeans. 


— Tudo bem com ela? — Jingyi  quis saber. 


— Sim, mas ela está chorando por causa de um filme. Quase me matou de susto. 


— Sua tia é uma figura. — Ele riu. 

Chegamos a uma rua bastante movimentada, repleta de restaurantes e bares. Era noite de sexta-feira, então demorou um pouco para que encontrássemos onde estacionar. Havia apenas duas vagas destinadas a deficientes e ambas estavam ocupadas. Procurei naqueles carros o adesivo azul que havia na traseira e no para-brisa de Jingyi , mas não encontrei. 


Aquilo me irritou um pouco. Não era justo que Jingyi  tivesse que fazer malabarismos para sair do carro porque algum preguiçoso não quis ter o trabalho de fazer o que ele estava fazendo agora: procurar uma vaga. 

Depois de encontrar um espaço para o seu Honda, Jingyi  abriu a porta e começou a montar a cadeira. Observei o entorno, as calçadas movimentadas, as luzes dos letreiros, o falatório misturado a músicas de todos os estilos. 


— Você não costuma sair muito, acertei? — Ele encaixou uma das rodas na cadeira, mas sua atenção estava em mim. Uma mecha negra lhe caiu sobre os olhos, e tive que apertar os dedos para conter o desejo de afastá-la.



— Não nesse tipo de lugar. 

Quando ele terminou, eu o acompanhei de perto, a ponto de minha mão esbarrar em seu braço uma vez. Mesmo o breve contato fez aqueles arrepios subirem por minha coluna. Eu realmente precisava ir ao médico para cuidar daquela alergia. 


O restaurante que ele escolheu não ficava tão longe, e mesas haviam sido colocadas do lado de fora do prédio de dois andares. Jingyi , porém, preferiu entrar. E eu entendi por que ao sondar o pequeno salão. Era mais intimista, o som baixo e agradável e a luz na medida certa. Havia retratos em branco e preto de famosos pugilistas e lutadores em ação, luvas vermelhas penduradas aqui e ali, a réplica de um cinturão sobre a imensa TV, ligada em um canal esportivo. 

Um garçom passou por mim com uma bandeja repleta de fritas. Meu estômago roncou alto, se retorcendo dolorosamente. Acho que Jingyi  ouviu, pois abriu um daqueles meios-sorrisos. 


Havia um longo sofá fixo na parede e mesas quadradas em frente a ele, mas Jingyi  preferiu as mesas redondas mais ao centro. 

— O que vai querer? — perguntou depois que eu me sentei e o garçom trouxe o cardápio. 


— Humm... — Dei uma olhada rápida, ajeitando os óculos. Os sanduíches tinham nomes como Duplo Maguila, X-Foreman, Popó Bacon, Holyfield Super Cheddar, Anderson Silva-Tudo, Muhammad Ali Veggie. — Sei lá. O mesmo que você. 


— Tem certeza? Você já sabe que eu não brinco com comida. — Ele arqueou uma sobrancelha, num desafio descarado. 

Fechei o cardápio e o deixei sobre a mesa. 


— É, mas eu tô azul de fome. Não tinha percebido que estava tão faminto assim. 


Aquele sorriso de canto de boca deu as caras. 


— Tudo bem. — Ele chamou o garçom e pediu dois sucos de laranja. — Vamos querer também dois Master Tyson com batatas Uppercut. Capricha no bacon! 


Depois de anotar o pedido, o garçom se retirou. Então aquele silêncio esquisito pairou sobre a nossa mesa. 


— Então... — comecei. 


— O que você... — ele disse ao mesmo tempo. 


Acabamos rindo. As bebidas chegaram, para meu alívio. Nunca fui muito bom em manter uma conversa, então agora tinha algo para fazer, em vez de tentar puxar assunto. 


— O que você ia perguntar? — ele quis saber. 


— Nada de mais. Só o que você faz na Fundação Fengmian. 


— Sou professor de informática daquela molecada. E técnico nas horas em que a coisa dá pau. Claro que não sou nenhum ph.D., como você. 


Lancei a ele um olhar mordaz. 

— Não sou técnico de informática. Sou programador. 


— Ah, eu sei disso. — A diversão lhe chegava aos olhos. — Você me disse que faz programas logo na primeira vez em que falou comigo. 


— Rá-rá. Essa foi engraçada. Muito mesmo. Ninguém nunca usou essa piada comigo antes. 


— Não deu pra resistir. — Ele encolheu aqueles ombros largos, chamando minha atenção para eles e a camiseta básica azul, que não devia parecer grande coisa em qualquer outra pessoa, mas nele ficou espetacular. Que droga! 


— A proposta de Wei Ying é que aquelas crianças tenham o suporte que as famílias não podem dar. De curso de computação e línguas a culinária. Elas escolhem o que vão querer. Só precisam apresentar o boletim da escola com notas azuis e sem faltas.



— É um projeto muito bacana. 


— É, sim. Pretendo introduzir algo mais complexo, mas ainda não estou pronto. Preciso terminar meu curso primeiro. 


— O que você está fazendo? — Peguei um guardanapo de papel e comecei a dobrá-lo, deixando o logo da lanchonete no centro. 


— Retomei o curso de design de games. 


Uau! 

— Isso é... legal. — Era mais que legal. Era incrível! — Nossa! Legal mesmo! 


— Sua surpresa chega a ser uma ofensa, moço. — Ele levou a mão ao peito. Largo e rígido, como eu agora bem sabia. 


— Desculpa, não era a minha intenção. — Senti o rosto esquentar, então me concentrei em desdobrar o guardanapo. — É que você não parece ser do tipo que... 


— Vai para a faculdade? 


— ... leva alguma coisa a sério. 

Ele apoiou os cotovelos na mesa, cruzando os braços, e se inclinou para mim. Meus olhos imediatamente foram atraídos para aqueles ombros de novo. 


Para com isso! Para com isso agora! 

Peguei meu suco e tomei um gole. Daquele momento em diante, ele seria o único lugar onde eu poria os olhos. Pronto. 


— Quando você me conhecer melhor — ele disse —, vai perceber que faz uma ideia muito errada sobre mim. 


— Não quero te conhecer melhor. 


— Por quê? Do que você tem medo, Fanxing ? 


Por quê? Meu corpo andava enlouquecendo toda vez que eu chegava perto dele e eu odiava a sensação de não estar no comando de mim mesmo. 

Mas eu jamais diria isso a ele. Por sorte, o garçom apareceu com nossos hambúrgueres e a atenção de Jingyi  se voltou para a comida. 


Soltei um longo suspiro ao contemplar meu prato. 


— É claro que você pediria alguma coisa do tamanho de uma casa... 


— Eu te disse que nunca brinco com comida. — Abriu um guardanapo e o enfiou na gola da camiseta. 


— Eu devia ter imaginado... Então você pretende atuar em qual área quando terminar o curso? — Tentei pegar o sanduíche, mas era realmente enorme e ameaçou desmoronar. Fiz mais algumas tentativas. 


— Deixa eu te ajudar com isso. — Puxou meu prato. Cravou o garfo no centro daquele monstro e o cortou ao meio antes de empurrá-lo de volta para mim. 


— Obrigado. 


— Disponha. Respondendo a sua pergunta, pretendo montar minha própria Ubisoft. 


— Ah! — Consegui segurar um pedaço do sanduíche, um pouco atrapalhado. — Você sonha se tornar o maior nome na indústria de games.



— Na verdade eu sonho um dia entrar na Wikipédia e ler: Lan Jingyi  , designer de games, empresário, magnata. — Ele pegou seu sanduíche inteiro. Para aquelas mãos imensas não era um grande desafio. 


— Já comecei um projeto de game. Qualquer dia te mostro. E você, o que sonha? — Deu uma bela mordida. 


— Ah, ser o próximo Américo estaria de bom tamanho. — Belisquei o pão e levei um teco à boca. Estava quentinho, macio a ponto de derreter em minha língua. 


— Quem é Américo? — Jingyi  quis saber, abocanhando mais um pedaço. 


— Diretor do meu setor na L&L. 


Duvido que isso vá acontecer tão cedo. Em primeiro lugar, porque o Américo é bom, apesar de um pouco conservador; em segundo, porque tem pelo menos oito profissionais tão bons quanto ele no andar de TI. A Samantha, por exemplo. Ela é muito fera. 


— Talvez apareça alguma coisa no futuro. 


— Talvez. — Levei o sanduíche à boca e... Minha Nossa Senhora! Uma explosão de sabores me fez fechar os olhos e gemer contente. — Ah, meu Deus, Jingyi ! 


Ouvi-o grunhir baixinho. Abri os olhos e encontrei os seus fixos em meu rosto, o maxilar trincado. 


— Que foi? Tá sujo? — Esfreguei o guardanapo na bochecha. 


Ele balançou a cabeça, meio rindo, meio gemendo. 


— Fanxing , vamos estabelecer algumas regras. Você não pode ficar gemendo desse jeito e esperar que eu pense em hambúrguer. 


Joguei o guardanapo nele. 

— Idiota. — Mas tive que conter o riso. 


— Só estou falando. Do mesmo jeito que, se você diz para um cara que está toda molhado, não importa o contexto, o cérebro dele frita e ele não pensa em nada além de... 


— Tá! Tá bem! — Meu rosto pegou fogo. — Você não pode esquecer que eu disse isso? 


Aquele sorriso inteiro, que lhe chegava aos olhos, deu as caras. 


— De que jeito, se foi a coisa mais sexy que você já me falou? — Ele pensou por um instante e acrescentou: — Depois de “alguma coisa com muita proteína”, é claro. 

Acabei rindo, o embaraço cedendo aos poucos. 


— É impossível manter uma conversa séria com você. 


— Você estava muito tenso. Só estou querendo te distrair. Estou conseguindo? — Ele esticou o braço e tocou minha mão. Estremeci com o contato, e juro que vi algo perpassar seus olhos. Será que ele também tinha sentido aquele arrepio? 


— Sim. — Suavemente, puxei o braço para junto do peito, esfregando de leve o ponto em que ele havia me tocado e que agora formigava. 

Uma emoção cruzou seu rosto, mas não pude decifrar qual era, já que ele voltou a atenção para o prato. Eu fiz o mesmo. 


— Esqueci de contar — ele disse um tempo depois. — Consegui um apê. Até comprei móveis e aquelas coisas todas de que uma casa precisa. Vou me mudar neste fim de semana. 


— Legal! Precisa de ajuda com a mudança? 


— Fanxing . — Aquela emoção retornou. Gostaria de ser melhor em ler as pessoas para entender o que ela significava.


 — Você não conseguiu tempo nem para almoçar hoje! 


— Ajudar a levar algumas caixas não vai me deixar menos atolado. — Dei de ombros e mordi o sanduíche. Deus do céu, aquilo era o próprio pecado em forma de comida. 


Jingyi  sustentou o olhar, e senti um formigamento esquisito perpassando minha pele, como se ele estivesse me tocando. Ele desviou o olhar para o prato, a testa franzida, então pigarreou de leve. 


— Agradeço a oferta, mas eu me viro.


Não tem muito o que levar mesmo. A maior parte da mobília é nova e vai ser entregue lá. — Ele se remexeu na cadeira. — Mas, se estiver tudo bem para você, eu pretendo contar para os meus pais que estou por conta própria na semana que vem. Surgiu um jantar na casa de um dos diretores, e o Lan Zhan e o Wei Ying vão ficar fora a noite toda. Assim vocês não se cruzam. Não quero que o meu irmão saiba sobre nós. Aliás, eu tenho que pensar em outro nome para você. Lan Zhan ficou meio desconfiado depois que te viu na academia. Se a minha mãe disser que o cuidador se chama Fanxing , ele vai juntar tudo num instante. Qual é o seu nome do meio? 


— Não tenho. É só Fanxing  ,Zheng Fanxing mesmo. Jingyi ... — Abandonei o sanduíche no prato. — Não sei se vou conseguir convencê-los. Não sou bom em enganar as pessoas. 


— Mas eu sou ótimo nisso. Deixa tudo comigo. Você só precisa aparecer. — Ele inclinou a cabeça para o lado, me estudando. — Acho que você devia ir até o meu apartamento antes disso. 


— Seu apartamento? — Minhas sobrancelhas se arquearam, os óculos escorregaram para a ponta do nariz. — Por quê? 


— Se você vai se passar por meu cuidador, precisa saber pelo menos onde fica o banheiro, ou meus pais jamais vão acreditar na nossa história. 



— Sim, mas... — Ficar sozinho com ele em seu apartamento? Não parecia uma boa ideia. 


— Mas o quê, Fanxing ? Você tem medo que eu possa te atacar com a vassoura? — zombou. — Se for isso, pode ficar tranquilo. Você está a salvo. Ainda não comprei uma vassoura. 


— Isso é um alento, Jingyi . — Tentei conter o riso. Bem que eu tentei. 


Apesar da expressão divertida, detectei certa apreensão naqueles olhos ridiculamente dourados. Ele estava preocupado que eu não fosse cumprir minha parte no nosso acordo. E seria muita cretinice, já que tudo o que ele estava fazendo era ser meu namorado de mentira, me pegando no trabalho e me levando para jantar em lanchonetes maneiras e tal. 


— Tá, vou ver se consigo dar uma passada — falei. — Assim que eu aprontar o site, vai sobrar mais tempo.

 

— Obrigado. — Ele soltou uma longa expiração. — Sei que você anda cansado, mas é importante. 


— Eu sei. — Tirei os óculos e esfreguei os olhos. — Não acredito que a diretoria fez isso, Jingyi . Não vai dar tempo! 


— Se não der, eles vão saber que você fez o seu melhor. Vai ficar tudo bem. 


Até parece. 

— E a moça da agência? Deu notícias? — Ele voltou a comer. 


— Sem o distrato ela não pode fazer nada. Mas o Dênis ficou de falar com um advogado. 


Ele levava o sanduíche à boca, mas se deteve no meio do caminho. 


— Quem é Dênis? 


— É o meu melhor amigo. 

Por alguma razão, tive a impressão de que ele não gostou de ouvir aquilo. 


Estranho. 

Terminamos com os sandubas — eu comi apenas a metade do meu — e pedimos a conta. Ele não deixou que eu pagasse a minha parte, como da outra vez. 

Enquanto voltávamos para o carro, percebi que Jingyi  ia mais devagar, quase parando, então acompanhei seu ritmo, as mãos na alça da mochila para evitar esbarrar nele sem querer e aquela alergia se intensificar. A noite estava fresca. Uma brisa suave agitava meu rabo de cavalo. Olhei para o céu estrelado, sem nem uma única nuvem. É, não iria chover naquela noite. 


Não sei por que me senti triste ao constatar isso. 


Entrei no carro e esperei que Jingyi  desmontasse seu equipamento, acompanhando com os olhos o trabalho dos músculos de seu braço. Ele era tão bonito, tão gracioso apesar de todos aqueles músculos, que fazia uma coisa simples, como desmontar uma cadeira, parecer um espetáculo muito, muito interessante.


Quando terminou, levou a mão à ignição, mas não deu partida. Uma bela mão, aliás. Tinha que ser, para fazer conjunto com aquele braço forte e todos os seus contornos. E os ombros também, mesmo aquele com as cicatrizes, eram belos. E tinha o peito, reparei, correndo os olhos por ele. 


Largo e maciço. E que agora subia e descia mais rápido que o normal. 

Ergui a cabeça para entender o que causava aquela súbita mudança e encontrei seus olhos cravados em mim. E reluziam com tanta intensidade que algo dentro de mim deu um salto mortal. 


Eu quis perguntar por que ele me encarava daquele jeito, mas como faria isso, se agora era o meu peito que subia e descia depressa e eu não era capaz de encontrar minha voz? 


Meus batimentos cardíacos agora erráticos retumbavam alto em meu ouvido, e aquele frio na boca do estômago inexplicavelmente fez um calor repentino inflamar todo o restante de mim. 

E piorou quando ele estendeu a mão e amparou meu rosto. Foi nesse instante que eu percebi que a distância entre nós era menor do que deveria ser, que eu havia me aproximado dele sem me dar conta, e mesmo assim não consegui me obrigar a retroceder. Não podia. Seu toque amplificou as sensações, e tudo o que eu pude fazer foi me deixar hipnotizar por aquele olhar cristalino agora revolto, como se o mar dentro deles estivesse de ressaca ou em meio a uma tormenta. 


Observei, totalmente confuso, minha mão se elevar e tocar seu queixo, a aspereza da barba curtinha pinicando a ponta dos meus dedos. 


Ele fechou os olhos. 


— Fanxing ... 


Prendi a respiração ao ouvi-lo sussurrar meu nome. E ainda não respirava quando ele se inclinou para mim e seu nariz resvalou em minha bochecha. O calor de seu corpo, tão próximo do meu, me envolveu e me deixou tão tonto que tudo o que eu pude fazer foi levar as mãos a seu cabelo macio e me agarrar a ele, como tinha feito naquele dia na piscina. 


Só que dessa vez seus lábios quentes e suaves se apertaram contra minha bochecha, o canto da minha boca e por fim meus lábios. A explosão de sensações me pegou de guarda baixa — eu nem sabia que aquele tipo de coisa existia, para começo de conversa! Deve ter sido por isso, pela curiosidade, que entreabri os lábios e levei a língua de encontro à dele. 


Jingyi  usou o braço livre para rodear minha cintura, afundando os dedos na carne de minhas costas, ao passo que eu agarrava seu cabelo com mais vigor, querendo trazê-lo para ainda mais perto. Ele deixou escapar um gemido rouco que me arrepiou dos pés à cabeça. 


Sim, eu também achei aquilo certo. 

Muito certo! 


E era tão melhor do que eu havia imaginado. Tão mais quente e vivo e molhado e maravilhoso. 


Ele continuou me beijando até eu perder o fôlego, até eu perder a consciência de onde estava, até não restar um único pensamento coerente. 


Então libertou meus lábios, mas pressionou a boca contra a minha mais uma vez. E outra ainda. E novamente. 


Tomado por todas aquelas sensações, minha cabeça pendeu para a frente, se alojando em seu pescoço. Seus dedos acariciaram minha nuca enquanto eu tentava recuperar o fôlego e a consciência. 

Foi como despertar de um sonho bom. 


Jingyi  deve ter sentido o mesmo, pois seu corpo se retesou, a carícia em minha nuca cessando. 

— Acredito que você quer ir para casa agora. — Sua voz estava rouca.



Concordei com a cabeça, e precisei de um minuto para conseguir me aprumar e soltá-lo. Estava envergonhado demais por ter perdido o controle, confuso ao extremo sobre todos aqueles sentimentos, meu corpo ainda nadando em um tipo de adrenalina que não reconheci. 

Por isso não fui capaz de olhar para ele quando deu partida e o carro arrancou. Nem durante o percurso até em casa. Nem mesmo quando ele estacionou em frente ao sobradinho e disse:


— Boa noite, Fanxing . 


Apenas fiz um meneio de cabeça, sem jamais olhar em sua direção, e disparei para dentro de casa. 

Que diabos tinha acabado de acontecer?


{...}



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